A obediência no âmbito da dinastia de Avis (Século XV)
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Data
Autores
Orientador
França, Susani Silveira Lemos 

Coorientador
Pós-graduação
História - FCHS
Curso de graduação
Título da Revista
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Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
A presente dissertação analisa a instrumentalização da virtude da obediência pela dinastia de Avis, em Portugal, no século XV, período marcado pela necessidade de legitimar a nova ordem régia instaurada após a crise de 1383–1385, cuja ascensão não se deu de modo tradicional. O estudo tem como objetivo compreender de que modo a obediência, mais do que uma simples submissão, foi articulada como linguagem política e simbólica, ancorada em uma longa tradição cristã, capaz de sustentar a autoridade régia e consolidar a coesão da linhagem avisina. A pesquisa fundamenta-se em um corpus diversificado de fontes normativas, tratados morais e crônicas, entre as quais se destacam: Leal Conselheiro, de D. Duarte; O livro da virtuosa bemfeitoria, de Infante D. Pedro e Frei João Verba; Ordenações del-Rei Dom Duarte; Chronica do Infante Santo D. Fernando, de Frei João Álvares; Crónica de D. João I, de Fernão Lopes; Chronica d’El-Rei D. Duarte, de Rui de Pina; Espelho dos reis e Estado e Pranto da Igreja, de Álvaro Pais; além de escritos de Christine de Pizan, da Regra de São Bento e de autores da tradição teológica como Agostinho, Bernardo de Claraval e Tomás de Aquino. A análise organiza-se em três eixos: o primeiro aborda a formulação da obediência na tradição cristã e sua adaptação ao contexto ibérico; o segundo examina o papel da obediência no matrimônio régio, em que a docilidade conjugal reforçava pactos sucessórios e diplomáticos e projetava figuras como a rainha Filipa de Lencastre como modelo de esposa obediente; e o terceiro analisa a obediência filial como ideal educativo e metáfora da hierarquia política, evidenciando a forma como a disciplina familiar funcionava como espelho das relações entre súditos e soberanos. Os resultados obtidos nesta pesquisa apontam que a dinastia de Avis apropriou-se da obediência como recurso retórico e normativo de amplo alcance, integrando matrimônio, filiação e tradição cristã em uma gramática moral que reforçava a imagem de uma “linhagem obediente”. Ao projetar-se como exemplar nesse valor, a dinastia não apenas consolidava sua coesão interna, mas também legitimava a obediência que lhe era devida pelos súditos, transformando a vida familiar régia em paradigma político. Conclui-se que a obediência, articulada como valor espiritual, social e simbólico, constituiu-se em fundamento essencial da consolidação do poder avisino e de sua memória dinástica, revelando-se como uma linguagem política de longo alcance na configuração das relações de autoridade no Portugal quatrocentista.
Resumo (inglês)
This dissertation analyzes the instrumentalization of the virtue of obedience by the Avis dynasty in fifteenth-century Portugal, a period marked by the need to legitimize the new royal order established after the crisis of 1383–1385, whose rise to power did not occur through traditional means. The study aims to understand how obedience, more than mere submission, was articulated as a political and symbolic language, grounded in a long Christian tradition, capable of sustaining royal authority and consolidating the cohesion of the Avis lineage. The research is based on a diverse corpus of normative sources, moral treatises, and chronicles, among which stand out: Leal Conselheiro by D. Duarte; O livro da virtuosa bemfeitoria by Peter, Duke of Coimbra and Friar João Verba; Ordenações del-Rei Dom Duarte; Chronica do Infante Santo D. Fernando by Friar João Álvares; Crónica de D. João I by Fernão Lopes; Chronica d’El-Rei D. Duarte by Rui de Pina; Espelho dos reis and Estado e Pranto da Igreja by Álvaro Pais; in addition to writings by Christine de Pizan, the Rule of Saint Benedict, and theological authors such as Augustine, Bernard of Clairvaux, and Thomas Aquinas. The analysis is structured around three axes: the first addresses the formulation of obedience within the Christian tradition and its adaptation to the Iberian context; the second examines the role of obedience in royal marriage, where conjugal docility reinforced succession and diplomatic pacts and projected figures such as Queen Philippa of Lancaster as a model of the obedient queen-consort; and the third investigates filial obedience as an educational ideal and metaphor of political hierarchy, highlighting how family discipline functioned as a mirror of the relationship between subjects and sovereigns. The results indicate that the Avis dynasty appropriated obedience as a broad rhetorical and normative resource, integrating marriage, filiation, and Christian tradition into a moral grammar that reinforced the image of an “obedient lineage.” By projecting itself as exemplary in this virtue, the dynasty not only consolidated its internal cohesion but also legitimized the obedience it demanded from its subjects, transforming royal family life into a political paradigm. It is concluded that obedience, articulated as a spiritual, social, and symbolic value, constituted a fundamental element in the consolidation of Avis power and its dynastic memory, revealing itself as a political language of wide reach in the configuration of authority relations in fifteenth-century Portugal.
Descrição
Palavras-chave
Portugal, Obediência, Século XV, Relações familiares, Idade Média
Idioma
Português
Citação
ROMANI, Laura Felippe. A obediência no âmbito da dinastia de Avis (Século XV). Orientadora: Susani Silveira Lemos França. 2025. 116 f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Estadual Paulista, Franca, 2025.


