Mecanismos da intolerância ao esforço físico na doença renal do diabetes
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Data
Autores
Orientador
Martin, Luis Cuadrado 

Coorientador
Bazan, Silméia Garcia Zanatti 

Pós-graduação
Fisiopatologia em Clínica Médica - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
INTRODUÇÃO: A doença renal do diabetes é uma complicação crônica que acomete aproximadamente 35% dos pacientes diabéticos, sendo a principal causa de doença renal crônica (DRC) no mundo. Em estudo prévio realizado por nosso grupo, foi identificada uma associação entre albuminúria e intolerância ao esforço em uma coorte de indivíduos diabéticos. A compreensão dos mecanismos fisiopatológicos que explicam esse fenômeno é fundamental; no entanto, não foram encontrados estudos na literatura que tenham abordado essa questão de forma específica. OBJETIVO: Verificar possíveis associações entre a tolerância ao exercício físico, disfunções cardíacas, hematológicas, pulmonares ou musculares em portadores de doença renal do diabetes, com o intuito de elucidar mecanismos que possam estar relacionados à intolerância ao esforço físico. MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal prospectivo, conduzido com pacientes acompanhados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. Foram incluídos indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos, diabéticos, albuminúricos e diagnosticados com DRC. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, os participantes elegíveis e que consentiram em participar foram submetidos a avaliação clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e ao teste de caminhada de seis minutos (TC6). Os participantes foram divididos em dois grupos de acordo com o desempenho no TC6, com base na mediana da pontuação na escala de Borg: (1) desempenho superior à mediana; (2) desempenho inferior à mediana. As comparações entre os grupos foram realizadas por meio dos testes do Qui-quadrado, teste t de Student ou teste de Mann-Whitney. Foi realizada regressão logística tendo-se como variável desfecho a fração de ejeção, saturação periférica de oxigênio e força de preensão palmar. A variável de interesse foi a distância percorrida no TC6 e as variáveis de confusão preservadas na análise, foram aquelas que apresentaram diferença estatisticamente significante entre os grupos. Em todas as análises foram consideradas estatisticamente significante o valor de p<0,05. RESULTADOS: A amostra foi composta por 43 pacientes, em relação ao desempenho no TC6, os pacientes com desempenho inferior (< mediana da distância percorrida) apresentaram menor fração de ejeção do ventrículo esquerdo (61,81 ± 18,89 vs. 73,45 ± 10,68; p=0,01), menor saturação periférica de oxigênio ao final do TC6 (92,52 ± 1,62% vs. 94,55 ± 1,82%; p=0,00) e menor força muscular esquelética por preensão palmar direita (26,55 ± 5,33 kgf vs. 30,62 ± 4,66 kgf; p=0,01), esquerda (25,07 ± 5,01 kgf vs. 29,80 ± 5,07 kgf; p=0,00) e dominante (26,8 ± 5,48 kgf vs. 30,9 ± 4,92 kgf; p=0,01). Observou-se também menor saturação periférica de oxigênio em repouso nos indivíduos com menor desempenho (94,65 ± 1,99% vs. 96,40 ± 1,57%; p=0,00). Em relação aos exames laboratoriais, o grupo de pior desempenho apresentou níveis significativamente mais elevados de ureia (107,43 ± 43,58 mg/dL vs. 76,50 ± 41,98 mg/dL; p=0,02), PTH (165,65 ± 100,42 pg/mL vs. 114,04 ± 49,62 pg/mL; p=0,04), glicemia (143,09 ± 58,27 mg/dL vs. 111,55 ± 36,03 mg/dL; p=0,04) e hemoglobina glicada (7,09 ± 1,33% vs. 6,22 ± 1,22%; p=0,03). A regressão logística demonstrou que menor SpO₂ em repouso (p=0,007; OR=1,87; IC95%: 1,18–2,93) e menor fração de ejeção (p=0,024; OR=1,06; IC95%: 1,01–1,12) foram preditores independentes de baixo desempenho funcional. CONCLUSÃO: Esses resultados sugerem que a intolerância ao esforço em pacientes com doença renal do diabetes decorre de disfunções cardíacas, comprometimento na oxigenação tecidual e perda de força muscular esquelética, configurando um fenótipo de fragilidade funcional.
Conclui-se que o TC6 é uma ferramenta sensível para triagem funcional e deve ser considerado no monitoramento clínico desses pacientes.
Descrição
Palavras-chave
Doença renal do diabetes, Teste de caminhada de seis minutos, Fração de ejeção, Oxigenação, Força muscular, Fragilidade funcional
Idioma
Português
Citação
DANIEL, Juliana Maria Rodrigues. Mecanismos da intolerância ao esforço físico na doença renal do diabetes. 2025. Tese (Doutorado em Fisiopatologia em Clínica Médica) – Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2025.


