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Histórias Surdas e Educação Matemática: experiências e diferenças de professores surdos

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Orientador

Rolkouski, Emerson

Coorientador

Pós-graduação

Educação Matemática - IGCE

Curso de graduação

Título da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Este estudo nasce das minhas vivências e da vontade de conhecer as experiências de surdos professores com a Matemática. Esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa, respaldada nos pressupostos metodológicos da História Oral, assumida aqui como uma História Surda e Bilíngue. Assim, contribui para reflexões sobre a sociedade, educação e Matemática, enfatizando o protagonismo de surdos professores formados em diferentes áreas, um grupo de pessoas ainda pouco representado em trabalhos acadêmicos da área. A partir dessa compreensão, propomos a seguinte questão: que contribuições as experiências de professores surdos podem oferecer em seu potencial transformador para a Educação Matemática? As análises foram desenvolvidas a partir de entrevistas que foram gravadas em vídeo e disponibilizadas com acessibilidade em Libras para seis surdos professores. A constituição dessas narrativas trouxe novas perspectivas sobre o ensino de Matemática, com ênfase na construção de práticas pedagógicas em colaboração com as pessoas surdas. Mais do que adaptar métodos existentes, é importante que os próprios surdos apontem quais ações os fazem se sentirem incluídos na sociedade. Desse modo, este trabalho dialoga com os estudos do GHOEM e com a metodologia da História Oral, destacando o potencial das narrativas de pessoas surdas que não utilizam predominantemente a oralidade para se comunicar. A pesquisa envolve uma dimensão ética, ao respeitar as diferenças entre as pessoas surdas; estética, ao propor um novo formato de apresentação das entrevistas, disponibilizadas em um Documento Visual acessível em Língua de Sinais, ou seja, Fontes Surdas em Libras; e política, por abordar os processos de subjetivação e empoderamento da cultura e identidade surda. Assim, rompe com barreiras político-sociais e epistemológicas que sustentam um conhecimento científico legitimado exclusivamente pela academia, permitindo subversões e resistências contra discursos dominantes. Os resultados revelam uma multiplicidade de compreensões organizadas em temáticas como Educação Bilíngue, Normalização, Preconceito, Formação de Professores, Intérprete de Libras, Desigualdade Social, Identidades Surdas e Ensino de Matemática. Evidenciamos que não há um único modo de ser surdo, e que as experiências de vida dessas pessoas surdas são diversas e influenciadas por diferentes contextos sociais. As informações produzidas destacam a relevância de estudos contínuos que considerem as especificidades e vivências individuais da pessoa surda. Ainda se destaca a impossibilidade de práticas pedagógicas engessadas no ensino da Matemática, pois essas contribuem para a perpetuação de microexclusões. Assim, esperamos que este trabalho inspire novas investigações, para repensar o currículo, as práticas pedagógicas e sociais, a formação de professores e a elaboração de políticas que acolham as múltiplas formas de ser, aprender e ensinar.

Resumo (inglês)

This study arises from my own experiences and from the desire to understand the ways in which deaf teachers engage with Mathematics. It adopts a qualitative approach, grounded in the methodological principles of Oral History, understood here as a Deaf and Bilingual History. In doing so, it contributes to reflections on society, education, and Mathematics, emphasizing the protagonism of deaf teachers trained in different fields a group still underrepresented in academic research. From this perspective, we propose the following question: what contributions can the experiences of deaf teachers offer, in their transformative potential, to Mathematics Education? The analyses were developed based on interviews recorded on video and made accessible in Libras for six deaf teachers. The construction of these narratives brought new perspectives on the teaching of Mathematics, with emphasis on the development of pedagogical practices in collaboration with deaf people. More than adapting existing methods, it is important that deaf individuals themselves indicate which actions make them feel included in society. In this sense, this work dialogues with GHOEM studies and with the methodology of Oral History, highlighting the potential of narratives of deaf people who do not use orality as their primary means of communication. The research involves an ethical dimension, by respecting the differences among deaf people; an aesthetic dimension, by proposing a new format for presenting the interviews, made available in a Visual Document accessible in Sign Language, that is, Deaf Sources in Libras; and a political dimension, by addressing the processes of subjectivation and empowerment of deaf culture and identity. Thus, it breaks with political-social and epistemological barriers that sustain a scientific knowledge legitimized exclusively by academia, enabling subversions and resistances against dominant discourses. The results reveal a multiplicity of understandings organized into themes such as Bilingual Education, Normalization, Prejudice, Teacher Education, Libras Interpreters, Social Inequality, Deaf Identities, and Mathematics Teaching. We show that there is no single way of being deaf, and that the life experiences of these individuals are diverse and shaped by different social contexts. The findings highlight the importance of continuous research that takes into account the specificities and individual experiences of deaf people. They also point to the impossibility of rigid pedagogical practices in Mathematics teaching, as these contribute to the perpetuation of micro-exclusions. Therefore, we hope this work inspires new investigations to rethink curricula, pedagogical and social practices, teacher education, and policy making in ways that embrace the multiple ways of being, learning, and teaching.

Descrição

Palavras-chave

Surdos professores, Identidade surda, Ensino de matemática, História surda, História oral, Educação bilíngue, Deaf teachers, Deaf identity, Mathematics teaching, Deaf history, Oral history, Bilingual education

Idioma

Português

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