Consumo alimentar na gestação, ganho de peso materno e peso do concepto ao nascimento: estudo de coorte em Angola
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Data
Autores
Orientador
Carvalhaes, Maria Antonieta de Barros Leite 

Coorientador
Sacomboio, Euclides Nenga Manuel
Pós-graduação
Saúde Coletiva - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
A alimentação durante a gestação exerce influência significativa sobre o ganho de peso gestacional (GPG) e os desfechos perinatais. Entretanto, em Angola, há escassez de estudos que integrem consumo alimentar materno, adequação do GPG e peso ao nascer. Com base no exposto, o estudo teve como objetivos analisar o consumo alimentar de gestantes e sua relação com a adequação do GPG, além de investigar a associação entre o GPG e o peso ao nascer do concepto. Trata-se de um estudo de coorte prospectivo realizado entre setembro de 2022 e março de 2023, na Maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, com 407 gestantes acompanhadas do segundo/terceiro trimestre até o nascimento do concepto. A coleta de dados ocorreu em duas etapas: entrevista inicial presencial, com formulário estruturado com informações sociodemográficas, clínicas, obstétricas, comportamentais, antropométricas e alimentares; e entrevista pós-parto, para a obtenção do peso materno ao final da gestação e do peso ao nascer. O consumo alimentar foi avaliado por meio de um questionário de marcadores alimentares, adaptado do sistema brasileiro de Vigilância de Fatores de Risco ou Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL). O índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional e o GPG foram classificados segundo o Institute of Medicine (IOM, 2009). Os desfechos neonatais avaliados foram baixo peso ao nascer (BPN < 2.500 g) e macrossomia (≥ 4.000 g). As análises incluíram estatística descritiva, testes de associação e modelos de regressão multinomial e de Poisson com variância robusta. A média de idade das gestantes foi de 30 anos (DP=5,46); 44,5% apresentaram IMC pré-gestacional adequado, 12,3% baixo peso e 43,2% excesso de peso. Observou-se elevada frequência de gestantes que relataram consumir frutas (96,1%), verduras e legumes (99,5%) e feijão (92,4%) pelo menos uma vez por semana. Entretanto, também foram identificadas práticas alimentares inadequadas, como o consumo de refrigerantes por 71,7% das gestantes e a substituição de refeições principais por lanches, prática relatada por 39,6% no almoço e por 35,6% no jantar. Considerando o consumo frequente (≥5 vezes/semana), 47,9% das gestantes consumiam frutas e 45,9% verduras e legumes, enquanto apenas 3,4% consumiam feijão com essa frequência. Quanto ao GPG, 43,0% das gestantes apresentaram ganho insuficiente e 26,0% ganho excessivo, sem associação com os marcadores de consumo alimentar. Entre os recém-nascidos, 12,8% apresentaram BPN e 8,1% macrossomia. O GPG insuficiente associou-se à maior prevalência de BPN (RP=2,69; IC95%: 1,29–5,61), não sendo observada associação com macrossomia. Os resultados reforçam a importância do aconselhamento nutricional no pré-natal, visando à promoção do GPG adequado e à prevenção de desfechos neonatais adversos, em especial o ganho de peso insuficiente e o baixo peso ao nascer.
Resumo (inglês)
Maternal nutrition during pregnancy has a significant influence on gestational weight gain (GWG) and perinatal outcomes. However, in Angola, there is a lack of studies integrating maternal dietary intake, adequacy of GWG, and birth weight. Based on the above, the study aimed to analyze the dietary intake of pregnant women and its relationship with the adequacy of gestational weight gain (GWG), as well as to investigate the association between GWG and the newborn’s birth weight. This is a prospective cohort study conducted between September 2022 and March 2023 at Maternidade Lucrécia Paim, in Luanda, involving 407 pregnant women who were followed from the second/third trimester until the birth of the newborn. Data collection was carried out in two stages: an initial face-to-face interview using a structured questionnaire covering sociodemographic, clinical, obstetric, behavioral, anthropometric, and dietary information; and a postpartum interview to obtain maternal weight at the end of pregnancy and birth weight. Dietary intake was assessed using a food consumption markers questionnaire adapted from the Brazilian Surveillance System of Risk and Protective Factors for Chronic Diseases by Telephone Survey (VIGITEL). Pre-pregnancy body mass index (BMI) and GWG were classified according to the Institute of Medicine (IOM, 2009). Neonatal outcomes assessed were low birth weight (LBW < 2,500 g) and macrosomia (≥ 4,000 g). Analyses included descriptive statistics, association tests, and multinomial and Poisson regression models with robust variance. The mean age of the pregnant women was 30 years (SD = 5.46); 44.5% had adequate pre-pregnancy BMI, 12.3% were underweight, and 43.2% were overweight. A high frequency of pregnant women reported consuming fruits (96.1%), vegetables (99.5%), and beans (92.4%) at least once a week. However, inadequate dietary practices were also identified, such as the consumption of soft drinks by 71.7% of the pregnant women and the replacement of main meals with snacks, reported by 39.6% at lunch and 35.6% at dinner. Considering frequent consumption (≥5 times/week), 47.9% of pregnant women consumed fruits and 45.9% vegetables, whereas only 3.4% consumed beans at this frequency. Regarding GWG, 43.0% of women had insufficient weight gain, and 26.0% had excessive weight gain, with no association observed between dietary intake markers and GWG. Among newborns, 12.8% had LBW and 8.1% macrosomia. Insufficient GWG was associated with a higher prevalence of LBW (PR = 2.69; 95% CI: 1.29–5.61), while no association was observed with macrosomia. The results reinforce the importance of nutritional counseling during prenatal care, aiming to promote adequate gestational weight gain (GWG) and prevent adverse neonatal outcomes, particularly insufficient weight gain and low birth weight.
Descrição
Palavras-chave
Consumo alimentar, Gestação, Ganho de peso gestacional, Peso ao nascer, Saúde materno-infantil, Angola
Idioma
Português
Citação
BALTAZAR, F. M. Consumo alimentar na gestação, ganho de peso materno e peso do concepto ao nascimento : estudo de coorte em Angola. Orientadora: Maria Antonieta de Barros Leite Carvalhaes. 2026. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.


