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Expressões idiomáticas intensificadoras de base corporal no português brasileiro e no português europeu sob a perspectiva construcional

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Orientador

Souza, Edson Rosa Francisco de

Coorientador

Pós-graduação

Estudos Linguísticos - IBILCE

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Tese de doutorado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

As expressões idiomáticas (EIs), descritas como lexias complexas, indecomponíveis, conotativas e cristalizadas (Xatara, 1998a), configuram-se como estratégias discursivas altamente expressivas devido à sua complexidade estrutural e ao sentido metafórico construído socio-historicamente. Na perspectiva da Abordagem Construcional, aproximam-se da noção de construção enquanto sequências de chunks linguísticos – ou seja, encadeamentos estáveis de palavras que ocorrem juntas com frequência e adquirem significados específicos ou propriedades distintas daquelas que teriam se usadas isoladamente. Fundamentada na Linguística Funcional Centrada no Uso (Bybee, 2016 [2010]; Furtado da Cunha; Bispo; Silva, 2013), na Abordagem Construcional (Goldberg, 1995, 2006, 2019; Traugott e Trousdale, 2021, [2013]) e nas definições de Nunberg et al. (1994); Xatara (1998a, 1998b) e Keizer (2016), esta tese analisa EIs intensificadoras no português brasileiro (PB) e europeu (PE) que envolvem partes do corpo humano, como a plenos pulmões (intensidade), de mão cheia (grande quantidade), uma pilha de nervos (cólera), até o pescoço (totalidade), falar pelos cotovelos (excesso de fala), entre outras. A partir dos parâmetros analíticos propostos por Keizer (2016) e Traugott e Trousdale (2021 [2013]), investigam-se esquematicidade, composicionalidade e produtividade e aspectos pragmático-semânticos e morfossintáticos que favorece(ra)m a fixação dessas construções. Também são examinadas semelhanças e diferenças entre PB e PE, com atenção a influências culturais e sócio-históricas. O corpus utilizado provém do Corpus do Português – subamostra Web/Dialects – organizado por Davis e Ferreira (2015-2016). A hipótese central sustenta que, embora PB e PE compartilhem um repertório comum de EIs intensificadoras de base corporal – o que indica a presença de esquemas construcionais de base semelhantes –, podem divergir quanto aos significados culturalmente atribuídos, à frequência, à produtividade e ao grau de esquematicidade. Os dados mostram que no PB, observa-se maior diversidade e vitalidade idiomática, com predomínio de expressões coloquiais e inovadoras em contextos informais e afetivos; no PE, prevalece um repertório mais estável e conservado, marcado por usos moderados e maior regularidade lexical. Essas diferenças revelam modos distintos de mobilizar a expressividade e a intensidade no discurso, confirmando a interação entre padrões construcionais amplos e mediações culturais específicas em cada comunidade de fala.

Resumo (inglês)

Idioms (IEs), described as complex, non-decomposable, connotative, and crystallized lexemes (Xatara, 1998a), constitute highly expressive discursive strategies due to their structural complexity and the socio-historically constructed metaphorical meaning they convey. From the perspective of the Constructional Approach, they approximate the notion of construction understood as sequences of linguistic chunks – that is, stable chains of words that frequently co-occur and acquire specific meanings or properties distinct from those they would have if used in isolation. Grounded in Usage-Based Functional Linguistics (Bybee, 2016 [2010]; Furtado da Cunha; Bispo; Silva, 2013), in the Constructional Approach (Goldberg, 1995, 2006, 2019; Traugott and Trousdale, 2021 [2013]), and the definitions proposed by Nunberg et al. (1994), Xatara (1998a, 1998b), and Keizer (2016), this thesis examines intensifying idioms in Brazilian Portuguese (BP) and European Portuguese (EP) that involve parts of the human body, such as a plenos pulmões (intensity), de mão cheia (large quantity), uma pilha de nervos (anger), até o pescoço (totality), falar pelos cotovelos (excess of speech), among others. Based on the analytical parameters proposed by Keizer (2016) and Traugott and Trousdale (2021 [2013]), the study investigates schematicity, compositionality, productivity, and the pragmatic-semantic and morphosyntactic aspects that favor(ed) the consolidation of the constructions. It also examines similarities and differences between BP and EP, considering cultural and socio-historical influences. The corpus used derives from the Corpus do Português – Web/Dialects subcorpus – organized by Davis and Ferreira (2015-2016). The central hypothesis is that, although BP and EP share a common repertoire of body-based intensifying IEs – indicating the presence of similar underlying constructional schemas – they may diverge in terms of culturally attributed meanings, frequency of use, productivity, and degree of schematicity. The findings show that BP displays greater idiomatic diversity and vitality, with a predominance of colloquial and innovative expressions used in informal and affective contexts, whereas EP exhibits a more stable and conservative repertoire, characterized by more moderate use and greater lexical regularity. These differences reveal distinct ways of mobilizing expressiveness and intensity in discourse, confirming the interaction between broad constructional patterns and culturally specific mediations within each speech community.

Descrição

Palavras-chave

Expressões idiomáticas, Português brasileiro, Português europeu, Corpo humano, Metáfora, Abordagem construcional, Idioms, Brazilian Portuguese, European Portuguese, Human body, Metaphor, Constructional approach

Idioma

Português

Citação

SCALDELAI SALLES, A. L. Expressões idiomáticas intensificadoras de base corporal no português brasileiro e no português europeu sob a perspectiva construcional. 2025. 413 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, São José do Rio Preto, 2025.

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