Uma leitura da peça Fábrica de Chocolate à luz da censura, da violência de Estado, da memória coletiva e das metáforas alimentares
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Data
Autores
Orientador
Viotti, Ana Carolina de Carvalho 

Coorientador
Pós-graduação
Curso de graduação
Marília - FFC - Relações Internacionais
Título da Revista
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Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Trabalho de conclusão de curso
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
O trabalho analisa a peça Fábrica de Chocolate (1979), de Mário Prata, como expressão estética de resistência ao aparato repressivo da ditadura militar brasileira, articulando-a ao debate sobre memória coletiva, políticas de esquecimento e práticas de autoridade. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa, baseada em análise documental: fontes basilares para este estudo são livros e artigos sobre o período ditatorial e classe teatral, notícias e documentos oficiais do governo, além do roteiro da peça Fábrica de Chocolate, de Mário Prata (1979). A partir de um panorama do regime e da institucionalização da censura, demonstra-se como o teatro se tornou um espaço privilegiado de contestação, capaz de tensionar a liturgia do poder e expor a violência estatal por meio de metáforas e alegorias. A análise da peça revela a operação simbólica da “fábrica” como representação do sistema ditatorial, convertendo o corpo torturado em “matéria-prima” de uma narrativa oficial de suicídio, assim como o cacau – ingrediente de uso milenar nas Américas, apropriado na violência da colonização – é transformado no chocolate que mascara sua origem. Argumenta-se que a peça reinsere na esfera pública temas sistematicamente silenciados e evidencia a disputa por sentidos do passado num contexto de políticas deliberadas de esquecimento. Conclui-se que Fábrica de Chocolate não apenas recupera a memória da violência estatal, mas ilustra como práticas culturais atuam na construção e desconstrução de narrativas políticas, contribuindo para reflexões essenciais no campo das Relações Internacionais sobre poder, legitimidade e disputa de memória.
Resumo (inglês)
The paper analyzes the play Fábrica de Chocolate (1979), by Mário Prata, as an aesthetic expression of resistance to the repressive apparatus of the Brazilian military dictatorship, articulating it with the debate on collective memory, policies of forgetting, and practices of authority. The research adopts a qualitative methodology, based on documentary analysis: foundational sources for this study are books and articles on the dictatorial period and the theatrical field, news reports and official government documents, as well as the script of the play Fábrica de Chocolate, by Mário Prata (1979). Based on an overview of the regime and the institutionalization of censorship, it is demonstrated how theater became a privileged space of contestation, capable of challenging the liturgy of power and exposing state violence through metaphors and allegories. The analysis of the play reveals the symbolic operation of the “factory” as a representation of the dictatorial system, converting the tortured body into the “raw material” of an official narrative of suicide, just as cocoa—an ingredient of millenary use in the Americas, appropriated through the violence of colonization—is transformed into chocolate that masks its origin. It is argued that the play reinserts into the public sphere themes that were systematically silenced and highlights the dispute over meanings of the past in a context of deliberate policies of forgetting. It is concluded that Fábrica de Chocolate not only recovers the memory of state violence, but also illustrates how cultural practices act in the construction and deconstruction of political narratives, contributing to essential reflections in the field of International Relations on power, legitimacy, and the dispute over memory.
Descrição
Palavras-chave
Ditadura, Brasil - História - 1964-1985, Teatro político, Prata, Mario, 1946-, Memória coletiva, Metáfora
Idioma
Português
Citação
GUENA, Luísa Ribeiro de Oliveira. Uma leitura da peça Fábrica de Chocolate à luz da censura, da violência de Estado, da memória coletiva e das metáforas alimentares. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Relações Internacionais) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Marília, 2025.


