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Microclima do mais austral dos Brachycephalus (Anura, Brachycephalidae): um microendemismo de altitude da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina, Sul do Brasil

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Orientador

Bornschein, Marcos Ricardo

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

São Vicente - IBCLP - Ciências Biológicas

Título da Revista

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Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Trabalho de conclusão de curso

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Nas montanhas da Floresta Atlântica ocorre um gradiente climático altitudinal, com diminuição média de 0,56 °C na temperatura e incremento médio na pluviosidade em 40 mm a cada 100 m a mais de elevação. O clima mais frio das montanhas favorece a adaptação ecológica de algumas espécies, porém não atua como causa da especiação. O cenário mais comum para a origem de novas espécies é o isolamento geográfico, que, consequentemente, leva ao isolamento reprodutivo. Um gênero de anuros que vivenciou esse cenário é Brachycephalus, cujas espécies são endêmicas da Floresta Atlântica. Nos últimos anos, inúmeras espécies desse gênero foram descritas, muitas delas restritas a um único topo de montanha. Além da restrição ao clima mais frio e úmido das grandes elevações, verificou-se acentuada variação na densidade de indivíduos ao longo do gradiente altitudinal e variação morfológica da pele em função do clima, sugerindo um padrão populacional e morfológico pelo gradiente climático. O objetivo geral deste trabalho é caracterizar o microclima de Brachycephalus tabuleiro, a mais austral das espécies do gênero, e comparar com dados climáticos globais da base WorldClim. Coletamos dados diários de temperatura e umidade ao longo de um ano, entre 6 de abril de 2024 e 6 de abril de 2025, na única localidade de ocorrência da espécie, margem direita do rio do Ponche (27°54’02” S, 48°53’07” W; 890 m a.n.m.), Serra do Tabuleiro, município de São Bonifácio, Santa Catarina. Obtivemos um total 17.522 aferições, revelando temperatura média anual de 16,0 °C e umidade relativa do ar média de 91,4%. O trimestre mais frio foi junho, julho e agosto, o mais quente foi janeiro, fevereiro e março, o mais úmido foi janeiro, fevereiro e março e o mais seco foi agosto, setembro e outubro. A comparação com dados do WorldClim revelou diferenças, especialmente pela subestimação de temperaturas extremas, em particular as mínimas. Brachycephalus tabuleiro ocorre em um ambiente extremamente úmido onde se formam geadas. O microclima verificado, no geral, é similar ao de outros locais montanhosos no Brasil, mas se destaca os baixos valores de umidade relativa do ar aferidos. Modelos climáticos globais subestimam a variabilidade existente em pequena escala, mas podem ser beneficiados com a incorporação de dados microclimáticos. A obtenção desses dados deve ser ampliada, inclusive para melhor compreender a vulnerabilidade dos Brachycephalus à mudança climática. Em particular, B. tabuleiro ocorre em um fragmento florestal que pode ser ainda mais afetado por extremos climáticos, destacando-se a importância na continuidade da tomada de dados microclimáticos e na avaliação das variações entre borda e interior do fragmento.

Resumo (inglês)

In the mountains of the Atlantic Forest, an altitudinal climatic gradient occurs, with a mean decrease of 0.56 °C in temperature and a mean increase in rainfall of 40 mm for every 100 m of elevation gain. This colder climate facilitates speciation and ecological adaptations of organisms to mountaintops around the globe, such as the anurans of the genus Brachycephalus, endemic to the Atlantic Forest. In recent years, numerous species of this genus have been described, many of them restricted to a single mountaintop. In addition to the restriction to the colder and more humid climate of high elevations, a marked variation in individual density along the altitudinal gradient and morphological variation of the skin as a function of climate was observed, suggesting a population and 5 morphological pattern driven by the climatic gradient. The general objective of this study is to characterize the microclimate of B. tabuleiro, the southernmost species of the genus, and compare it with global climatic data from the WorldClim database. We collected daily temperature and humidity data over one year, between April 6, 2024, and April 6, 2025, at the species' only known locality, on the right bank of the Ponche River (27°54’02” S, 48°53’07” W; 890 m a.s.l.), in the Serra do Tabuleiro, municipality of São Bonifácio, Santa Catarina. We obtained a total of 17,522 readings, revealing a mean annual temperature of 16.0 °C and a mean relative humidity of 91.4%. The coldest quarter was June, July, and August; the hottest was January, February, and March; the wettest was January, February, and March; and the driest was August, September, and October. Comparison with WorldClim data revealed differences, especially regarding the underestimation of extreme temperatures, particularly the minimums. Brachycephalus tabuleiro occurs in an extremely humid environment where frosts form. The observed microclimate is, in general, similar to that of other mountainous locations in Brazil and abroad, but the low relative humidity values recorded are noteworthy. Global climate models underestimate existing small-scale variability but can benefit from the incorporation of microclimatic data. The collection of such data should be expanded, including to better understand the vulnerability of Brachycephalus to climate change. In particular, B. tabuleiro occurs in a forest fragment that may be even more affected by climatic extremes, highlighting the importance of continuing microclimatic data collection and evaluating variations between the edge and the interior of the fragment.

Descrição

Palavras-chave

Anuros, Brachycephalus tabuleiro, Sapos, Temperatura, Umidade, Clima, Monitoramento, Conservação da natureza

Idioma

Português

Citação

PIERONI, Lara Gosalbez. Microclima do mais austral dos Brachycephalus (Anura, Brachycephalidae): um microendemismo de altitude da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina, Sul do Brasil. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciências Biológicas, com habilitação em Biologia Marinha) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual paulista (UNESP), Campus do Litoral Paulista, São Vicente, 2025.

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