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Efeitos intergeracionais da sacarina sódica na próstata de ratos adultos

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Orientador

Pinheiro, Patricia Fernanda Felipe

Coorientador

Pereira, Sergio

Pós-graduação

Biologia Geral e Aplicada - IBB

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso restrito

Resumo

Resumo (português)

A sacarina sódica é um adoçante artificial sem calorias presente na composição de alimentos, bebidas, itens de higiene pessoal e farmacêuticos. Apesar de seu alto índice de consumo mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu orientações desencorajando o consumo de adoçantes por pessoas saudáveis. Estudos recentes têm apontado a relação entre o consumo de sacarina e o aumento da incidência de doenças metabólicas, distúrbios urogenitais, incluindo o câncer. No entanto, há necessidade de estudos mais aprofundados acerca da sua segurança a longo prazo para a saúde prostática, principalmente visando os potenciais efeitos da exposição durante a gravidez e a amamentação, que compreende a janela crítica de suscetibilidade, no qual a próstata ainda está em desenvolvimento. Sabendo que problemas no desenvolvimento fetal podem ter repercussão na saúde do adulto, este trabalho tem como objetivo investigar os efeitos intergeracionais da exposição gestacional e lactacional à sacarina sódica sobre a estrutura prostática de ratos machos adultos, com enfoque em marcadores moleculares teciduais envolvidos com o processo de inflamação e de estresse oxidativo. Ratas prenhes da linhagem Sprague-Dawley foram divididas em dois grupos: Controle (C) e Sacarina Sódica (S), tratados com água adoçada com sacarina a 0,3% durante a gestação e lactação. Após o desmame, a prole masculina F1 recebeu dieta padrão e, aos 90 dias, todos os animais foram acasalados para obtenção da geração F2. Aos 120 dias, 10 machos por grupo experimental, de cada geração (F1 e F2), totalizando 40 animais foram mortos. As próstatas foram coletadas e submetidas a análises morfológicas, histopatológicas, imunohistoquímicas, perfil oxidativo e de níveis proteicos. A análise estatística foi realizada por meio de teste t não pareado quando dados eram paramétricos, e quando eram não paramétricos utilizou-se o pós-teste de Mann-Whitney, considerando-se p < 0,05. A análise morfométrico-estereológica da próstata não mostrou diferença na geração F1, porém, na F2, houve redução no volume relativo luminal e aumento dos compartimentos estromal e epitelial nos animais sacarina. A análise histopatológica das gerações F1 e F2 revelou o aumento das seguintes alterações teciduais no grupo S: atipia epitelial, inflamação, atipia reativa inflamatória e hiperplasia epitelial focal. Lesões pré-malignas foram encontradas apenas no grupo S, com incidência de neoplasia intraepitelial prostática em 50% dos animais e displasia em 75%. Em relação à contagem de mastócitos, para a geração F1, houve aumento do número de células intactas, desgranuladas e totais no grupo S, em relação a C. Já, na geração F2, não foram observadas diferenças. A análise do nível proteico do Receptor de Andrógeno (AR) não mostrou diferença em F1. Na geração F2, houve diminuição de AR nos animais do grupo S. Na análise dos marcadores inflamatórios da geração F1, houve aumento na porcentagem de área marcada e da intensidade de marcação do TNF-α e do TLR4, ao mesmo tempo em que houve a diminuição da área e da intensidade de marcação do NFkB. Para geração F2, houve aumento na área e da intensidade de marcação da citocina TNF-α, e diminuição de ambas análises para o NFkB. A análise dos marcadores do sistema antioxidante (CAT, SOD e GSH) e de dano oxidativo (MDA) apresentaram níveis reduzidos quando comparados ao grupo C. Ao mesmo tempo, a análise dos animais da F2 mostraram somente redução no MDA. Adicionalmente, na geração F2, foi observado aumento no número de células positivas para PCNA nos animais do grupo S. É possível concluir que a exposição materna à sacarina interfere na saúde prostática da prole, tanto de F1 quanto de F2, estando associada ao surgimento das alterações morfológicas evidenciadas pelo desenvolvimento de lesões proliferativas, inflamatórias e alterações no perfil oxidativo do tecido.

Resumo (inglês)

Sodium saccharin is a non-caloric artificial sweetener present in the composition of foods, beverages, personal hygiene products, and pharmaceuticals. Despite its widespread global consumption, the World Health Organization has issued guidelines discouraging the use of sweeteners by healthy individuals. Recent studies have pointed to an association between saccharin consumption and an increased incidence of metabolic diseases and urogenital disorders, including cancer. However, further in-depth studies are needed to assess its long-term safety for prostate health, particularly considering the potential effects of exposure during pregnancy and lactationcritical windows of susceptibility during which the prostate is still developing. Given that disturbances during fetal development may have long-term repercussions on adult health, this study aims to investigate the intergenerational effects of gestational and lactational exposure to sodium saccharin on the prostatic structure of adult male rats, with a focus on tissue molecular markers involved in inflammation and oxidative stress. Pregnant Sprague-Dawley rats were divided into two groups: Control (C) and Sodium Saccharin (S), and treated with drinking water containing 0.3% saccharin throughout gestation and lactation. After weaning, male offspring (F1) received a standard diet and, at 90 days of age, all animals were mated to generate the F2 generation. At 120 days, 10 males per experimental group from each generation (F1 and F2), totaling 40 animals, were euthanized. Prostates were collected and subjected to morphological, histopathological, immunohistochemical, oxidative profile, and protein level analyses. Statistical analysis was performed using the unpaired t-test for parametric data, and the Mann–Whitney test for non-parametric data, with significance set at p < 0.05. Morphometric-stereological analysis of the prostate showed no differences in the F1 generation; however, in F2, there was a reduction in relative luminal volume and an increase in stromal and epithelial compartments in saccharin-treated animals. Histopathological analysis of both F1 and F2 generations revealed an increased incidence of the following tissue alterations in group S: epithelial atypia, inflammation, inflammatory reactive atypia, and focal epithelial hyperplasia. Pre-malignant lesions were observed exclusively in group S, with a 50% incidence of prostatic intraepithelial neoplasia and 75% incidence of dysplasia. Regarding mast cell counts, the F1 generation showed an increase in intact, degranulated, and total mast cells in group S compared to group C. In contrast, no differences were observed in the F2 generation. Analysis of androgen receptor (AR) protein levels showed no differences in F1; however, a decrease was observed in F2 animals from group S. Inflammatory marker analysis in F1 demonstrated an increase in both the percentage of marked area and staining intensity for TNF-α and TLR4, alongside a decrease in both parameters for NF-κB. In F2, there was an increase in TNF-α expression and a decrease in NF-κB expression. Analysis of antioxidant system markers (CAT, SOD, and GSH) and oxidative damage (MDA) showed reduced levels in F1 compared to group C. In F2 animals, only MDA levels were reduced. Additionally, in the F2 generation, an increased number of PCNA-positive cells was observed in the S group. It can be concluded that maternal exposure to saccharin interferes with the prostate health of offspring in both F1 and F2 generations, being associated with the development of morphological alterations characterized by proliferative and inflammatory lesions, as well as changes in the tissue oxidative profile.

Descrição

Palavras-chave

Adoçantes, Inflamação, Perfil oxidativo, DOHaD, Sweeteners, Inflammation

Idioma

Português

Citação

SANTANA, Ana Clara Pacheco de. Efeitos intergeracionais da sacarina sódica na próstata de ratos adultos. Orientadora: Patricia Fernanda Felipe Pinheiro. 2026. 75 f. Dissertação (Mestrado em Biologia Geral e Aplicada) – Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.

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