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Clima urbano e saúde: ritmo climático, poluição atmosférica e morbidade respiratória em Presidente Prudente (SP)

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Orientador

Amorim, Margarete Cristiane de Costa Trindade

Coorientador

Pós-graduação

Geografia - FCT

Curso de graduação

Título da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

A produção do espaço, especialmente o urbano, possui a capacidade de alterar e influenciar os mecanismos e as propriedades do clima, tornando indispensável a consideração das escalas geográficas para a mensuração de seus efeitos. Uma vez que a transformação da natureza para atender às necessidades humanas é um processo indissociável da organização social, tais alterações impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde da população. Nesse sentido, a relação entre o clima urbano e saúde destaca-se na ciência geográfica ao promover uma leitura integradora da realidade vivida – base para o Sistema Clima Urbano. Enquanto estudos nacionais e internacionais realizados em metrópoles já correlacionam os elementos climáticos e poluição atmosférica a problemas respiratórios, agravados por desigualdades socioeconômicas, este estudo investigou a relação entre o clima, a concentração de MP10 e as doenças respiratórias em Presidente Prudente (SP). A escolha da cidade justifica-se pela escassez de análises em cidades brasileiras de pequeno e médio porte. Partindo da hipótese de que a dinâmica de ventos fracos e períodos de estiagem favorece a concentração de material particulado e o consequente agravamento de doenças respiratórias, utilizou-se dados do INMET, da CETESB e do DATASUS. Por meio de análises espaciais, descritivas e estatísticas – incluindo modelos de regressão lineares generalizados e modelos não lineares de defasagem distribuída – buscou-se identificar a dinâmica espaço-temporal, as fontes do poluente e sua associação com a morbidade respiratória. Os resultados confirmaram a hipótese, demonstrando que os aspectos físico-históricos da cidade, associados às queimadas regionais, influenciam diretamente a concentração de poluentes. A sazonalidade revelou-se um fator determinante na relação entre o clima, a poluição e a saúde, evidenciando, a partir do ritmo climático, a importância da análise de episódios extremos em detrimento apenas das médias. Constatou-se que a umidade relativa do ar e a precipitação são determinantes para a redução do MP10, enquanto a velocidade e a direção do vento atuam tanto na dispersão quanto em sua concentração. A saúde, compreendida aqui como um produto social dada a sua relação intrínseca à qualidade do ar e ao clima — este, por sua vez, também uma construção social — apresentou padrões específicos: embora a população adulta seja a maioria, as internações concentram-se em crianças (0 a 12 anos), mais suscetíveis ao ritmo climático e extremos de umidade, e em idosos (≥ 60 anos), que apresentam vulnerabilidade severa aos picos de poluição. Observou-se ainda a importância da defasagem temporal, com agravamentos ocorrendo até três dias após a exposição. Por fim, a espacialização dos casos revelou que a morbidade coincide com setores de maior vulnerabilidade social (raça, gênero e renda), confirmando que a produção e a reprodução do espaço afetam não apenas o clima da cidade, mas também a percepção e a ocorrência dos agravos em saúde.

Resumo (inglês)

The production of space, especially urban space, has the capacity to alter and influence climate mechanisms and properties, making it essential to consider geographical scales when measuring its effects. Since the transformation of nature to meet human needs is a process inseparable from social organisation, such changes directly impact the quality of life and health of the population. In this sense, the relationship between urban climate and health stands out in geographical science by promoting an integrative reading of lived reality – the basis for the Sistema Clima Urbano (SCU). While national and international studies conducted in large cities already correlate climatic elements and air pollution with respiratory illnesses, aggravated by socioeconomic inequalities, this study investigated the relationship between climate, PM10 concentration, and respiratory diseases in Presidente Prudente (SP). The choice of city is justified by the scarcity of analyses in small and medium-sized Brazilian cities. Based on the hypothesis that the dynamics of weak winds and periods of drought favor the concentration of particulate matter and the consequent worsening of respiratory diseases, data from INMET, CETESB and DATASUS were used. Through spatial, descriptive and statistical analyses – including generalised linear regression models and non-linear distributed lag models – we sought to identify the spatiotemporal dynamics, the sources of the pollutant and its association with respiratory morbidity. The results confirmed the hypothesis, demonstrating that the physical and historical aspects of the city, associated with regional burning, directly influence pollutant concentrations. Seasonality proved to be a determining factor in the relationship between climate, pollution and health, highlighting, based on the climate rhythm, the importance of analysing extreme episodes rather than just averages. It was found that relative air humidity and precipitation are determinants for the reduction of PM10, while wind speed and direction act on both its dispersion and concentration. Health, understood here as a social product given its intrinsic relationship to air quality and climate — which, in turn, is also a social construction — presented specific patterns: although the adult population is the majority, hospitalisations are concentrated among children (0 to 12 years old), who are more susceptible to climate patterns and humidity extremes, and the elderly (≥ 60 years old), who are severely vulnerable to pollution peaks. Time lag was also observed as an important observation, with aggravations occurring up to three days after exposure. Finally, the spatial distribution of cases revealed that morbidity coincides with sectors of greater social vulnerability (race, gender, and income), confirming that the production and reproduction of space affect not only the city's climate but also the perception and occurrence of health problems.

Resumo (espanhol)

La producción del espacio, especialmente el urbano, tiene la capacidad de alterar e influenciar las dinámicas climáticas, por lo que es indispensable tener en cuenta las escalas geográficas para medir sus efectos. Dado que la transformación de la naturaleza para satisfacer las necesidades humanas es un proceso indisociable de la organización social, estos cambios repercuten directamente en la calidad de vida y la salud de la población. En este sentido, la relación entre el clima urbano y la salud se destaca en la ciencia geográfica al promover una lectura integradora de la realidad vivida —base para el Sistema Clima Urbano (SCU). Mientras que estudios nacionales e internacionales realizados en metrópolis ya correlacionan los elementos climáticos y la contaminación atmosférica con problemas respiratorios, agravados por desigualdades socioeconómicas, este estudio investigó la relación entre el clima, la concentración de MP10 y las enfermedades respiratorias en Presidente Prudente (SP). La elección de la ciudad se justifica por la escasez de análisis en ciudades pequeñas y de tamaño medio de Brasil. Partiendo de la hipótesis de que la dinámica de vientos débiles y períodos de sequía favorece la concentración de partículas en suspensión y el consiguiente agravamiento de las enfermedades respiratorias, se utilizaron datos del INMET, la CETESB y el DATASUS. Mediante análisis espaciales, descriptivos y estadísticos —incluyendo modelos de regresión lineal generalizados y modelos no lineales de retraso distribuido— se buscó identificar la dinámica espacio-temporal, las fuentes de contaminación y su asociación con la morbilidad respiratoria. Los resultados confirmaron la hipótesis, demostrando que los aspectos físico-históricos de la ciudad, asociados a las quemas regionales, influyen directamente en la concentración de contaminantes. La estacionalidad se reveló como un factor determinante en la relación entre el clima, la contaminación y la salud, poniendo de manifiesto, a partir del ritmo climático, la importancia del análisis de episodios extremos en detrimento solo de los promedios. Se constató que la humedad relativa del aire y la precipitación son determinantes para la reducción del MP10, mientras que la velocidad y la dirección del viento actúan tanto en la dispersión como en su concentración. La salud, comprendida aquí como un producto social dada su relación intrínseca con la calidad del aire y el clima —este, a su vez, también una construcción social— presentó patrones específicos: aunque la población adulta sea la mayoría, las hospitalizaciones se concentran en los niños (0 a 12 años), más susceptibles al ritmo climático y extremos de humedad, y en adulto mayores (≥ 60 años), que presentan vulnerabilidad severa a los picos de contaminación. Se observó además la importancia del desfase temporal, con agravamientos ocurriendo hasta tres días después de la exposición. Por último, la espacialización de los casos reveló que la morbilidad coincide con sectores de mayor vulnerabilidad social (raza, género e ingresos), lo que confirma que la producción y la reproducción del espacio afectan no solo al clima de la ciudad, sino también a la percepción y a la ocurrencia de los problemas de salud.

Descrição

Palavras-chave

Clima urbano, Elementos climáticos, Doenças respiratórias, Qualidade do ar, Material particulado (MP10), Urban climate, Climatic elements, Respiratory morbidity, Air quality, Particulate matter (PM10), Clima urbano, Elementos climáticos, Enfermedades respiratorias, Calidad del aire, Material particulado (MP10)

Idioma

Português

Citação

MIYAKAVA, William. Clima urbano e saúde: ritmo climático, poluição atmosférica e morbidade respiratória em Presidente Prudente (SP). Orientadora: Margarete Cristiane de Costa Trindade Amorim. 2026. 229 p. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2026.

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Item type:Unidade,
Faculdade de Ciências e Tecnologia
FCT
Campus: Presidente Prudente


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Item type:Programa de pós-graduação,
Geografia
Código CAPES: 33004129042P3 


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