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A loucura e os sintomas de uma autonomia: um exame do deslocamento da razão

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Orientador

Riccioppo, Carlos Eduardo

Coorientador

Pós-graduação

Curso de graduação

São Paulo - IA - Artes Visuais

Título da Revista

ISSN da Revista

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Trabalho de conclusão de curso

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Este ensaio pretende indagar um momento histórico da arte em que o isolamento e a autonomia confluíram, na virada entre os séculos XVIII e XIX na Europa. Toma, de antemão, a obra de Goya como ponto de inflexão à definição da posição do artista moderno, como sujeito precipitado à posição do isolamento da loucura e do gênio, percebendo a constituição dessa obra – e da figura de seu autor – como ocasião privilegiada para compreender os embaraços modernos da transposição da arte, de sua participação pública nas hierarquias do poder e da esfera religiosa, ao arremesso a uma existência privada. As obras de Goya, tão sem finalidade imediata, precisamente pelo fato de sequer imaginarem se o artista as submeteria ou não ao olhar público, ao mesmo tempo, em si mesmas, exibem a finalidade de colocar em evidência um processo atroz de mergulhar num oceano da desrazão: era como se Goya as oferecesse como uma passagem à nau dos loucos. Percebe, com isso, as origens e os desdobramentos de uma sensibilidade romântica, que produzirá o deslocamento derradeiro do lugar da arte na modernidade para os confinamentos da subjetividade privada, antevendo, nesse processo, uma espécie de sobreposição entre as ideias de loucura, autonomia da arte e do pensamento. Essa entrecostura se expressa, primeiro, na constituição do lugar da crítica no romantismo alemão, profundamente desenvolvida na Tese de Doutorado de Walter Benjamin acerca do período, que afirma a instância da reflexão como processo, então, autônomo do pensamento, na afirmação de um novo tipo de subjetividade em arte. Da mesma maneira, articula a historicização da loucura na modernidade realizada por Foucault e, por último, numa discussão tratada por Theodor Adorno e Herbert Marcuse, acerca da natureza autônoma do trabalho de arte na modernidade frente à realidade.

Resumo (inglês)

This essay aims to investigate a historical moment in art where isolation and autonomy converge, at the turn of the 18th to the 19th centuries in Europe. It takes, in advance, Goya’s work as a turning point in defining the position of the modern artist, as a subject thrust into the position of isolation, madness, and genius, understanding the constitution of this work – and of its author’s figure – as a privileged occasion for comprehending the modern entanglements of the transposition of art, from its public participation in the hierarchies of power and the religious sphere, to its fall into a private existence. Goya’s works, so devoid of immediate purpose, precisely because they scarcely considered whether the artist would submit them to the public gaze, simultaneously exhibit, in itself, the purpose of laying bare an excruciating process of plunging into an ocean of unreason: it was as though Goya offered them as a passage to the ship of fools. In this way, the essay identifies the origins and developments of a romantic sensibility, which will eventually produce the definitive displacement of the place of art in modernity to the confinements of private subjectivity, foreseeing, within this process, a kind of overlap between the ideas of madness, the autonomy of art, and thought. This interweaving is first expressed in the constitution of the place of criticism in German Romanticism, deeply developed in Walter Benjamin's Doctoral Thesis on the period, which asserts the instance of reflection as an autonomous process of thought, in the affirmation of a new type of subjectivity in art. Likewise, it articulates the historicization of madness in modernity as developed by Foucault, and, finally, discusses the autonomous nature of artistic work in modernity in relation to reality, as treated by Theodor Adorno and Herbert Marcuse.

Descrição

Palavras-chave

Arte e sociedade, Arte - Apreciação, Arte e doença mental

Idioma

Português

Citação

LIMA, Philipe Leonardo Guimarães. A loucura e os sintomas de uma autonomia: um exame do deslocamento da razão. Orientador: Carlos Eduardo Riccioppo Freitas. 2025. 87 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Artes Visuais) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", São Paulo, 2025.

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