Incidência e fatores de risco associados à Cistite Hemorrágica em receptores de transplante alogênico de células hematopoiéticas
Carregando...
Data
Autores
Orientador
Machado. Clarisse Martins 

Coorientador
Pós-graduação
Pesquisa e Desenvolvimento (Biotecnologia Médica) - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
O transplante alogênico de células tronco hematopoiéticas (TCH) é uma estratégia terapêutica consolidada para o tratamento de doenças hematológicas malignas e não malignas, porém está
associado a complicações infecciosas relevantes decorrentes da imunossupressão intensa. Entre essas complicações, destaca-se a cistite hemorrágica (CH), especialmente quando associada à
reativação do poliomavírus BK (BKPyV), evento que impacta a sobrevida pós TCH. Trata-se de um estudo retrospectivo, unicêntrico, realizado a partir da análise de prontuários eletrônicos de pacientes submetidos a TCH alogênico no Hospital Amaral Carvalho entre os anos de 2020 e 2024. Teve como objetivo avaliar incidência cumulativa (IC) e os fatores de risco associados à CH por BKPyV, bem como seu impacto na sobrevida global (SG) e na mortalidade relacionada ao transplante (MRT). Foram incluídos 310 pacientes que realizaram monitoramento semanal da viremia para BKPyV. Os dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos foram coletados, incluindo características do doador, tipo de transplante, regime de condicionamento, ocorrência de hematúria, reativação viral, doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), entre outros. A reativação do BKPyV foi observada em 49,7% dos pacientes, com mediana de ocorrência no dia +38 pós-transplante. A IC de CH por BKPyV foi de 8,7%. Na análise multivariada, a reativação do BKPyV esteve associada de forma significativa ao tipo de doador, sendo mais frequente em transplantes haploidênticos e não aparentados. Não foram identificadas variáveis estatisticamente significantes associadas à ocorrência de CH por BKPyV. A sobrevida global em dois anos foi de 67,4% e foi influenciada negativamente pelo doador haploidênticos ou não aparentados com mismatch, pelo regime de condicionamento não mieloablativo ou de intensidade reduzida e por performance status ≤80%
na admissão ao transplante. A MRT foi de 20,6% em dois anos, sendo significativamente associada à presença de cistite hemorrágica grave e ao condicionamento não mieloablativo. A presença de CH por BKPyV (grau III-IV) mostrou impacto significativo na MRT, configurando-se como fator de risco independente.
Resumo (inglês)
Allogeneic hematopoietic stem cell transplantation (HSCT) is a well-established therapeutic strategy for the treatment of malignant and non-malignant hematological diseases; however, it is associated with significant infectious complications resulting from intense immunosuppression. Among these complications, hemorrhagic cystitis (HC) stands out, particularly when associated with reactivation of BK polyomavirus (BKPyV), an event that impacts post-HSCT survival. This is a retrospective, single-center study conducted through the analysis of electronic medical records of patients who underwent allogeneic HSCT at Hospital Amaral Carvalho between 2020 and 2024. The objective was to evaluate the cumulative incidence (CI) and risk factors associated with BKPyV-related HC, as well as its impact on overall survival (OS) and transplant-related mortality (TRM). A total of 310 patients who underwent weekly monitoring of BKPyV viremia were included. Clinical, laboratory, and epidemiological data were collected, including donor characteristics, type of transplant, conditioning regimen, occurrence of hematuria, viral reactivation, graft-versus-host disease (GVHD), among others. BKPyV reactivation was observed in 49.7% of patients, with a median time of occurrence on day +38 post-transplant. The CI of BKPyV-related HC was 8.7%. In multivariate analysis, BKPyV reactivation was significantly associated with donor type, being more frequent in haploidentical and unrelated transplants. No statistically significant variables were identified as being associated with the occurrence of BKPyV-related HC. Two-year overall survival was 67.4% and was negatively influenced by haploidentical or mismatched unrelated donors, non-myeloablative or reduced-intensity conditioning regimens, and performance status ≤80% at transplant admission. Two-year TRM was 20.6% and was significantly associated with the presence of severe hemorrhagic cystitis and non-myeloablative conditioning. The presence of BKPyV-related HC (grade III–IV) showed a significant impact on TRM, being characterized as an independent risk factor.
Descrição
Palavras-chave
Polyomavirus BK, Hematuria, Viremia, Monitoramento, Monitoramento de paciente
Idioma
Português
Citação
PARRA, Leonardo Michellin. Incidência e fatores de risco associados à cistite hemorrágica em receptores de transplante alogênico de células hematopoiéticas. 2026. Dissertação (Mestrado em Biotecnologia Médica – Pesquisa e Desenvolvimento) – Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.


