Avaliação da superfície ocular antes e após exposição a banho e tosa convencional com Analisador De Superfície Ocular (Osa-Vet®) em cães
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Data
Autores
Orientador
Moraes, Paola Castro 

Coorientador
Pós-graduação
Ciências Veterinárias - FCAV
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
A superfície ocular canina depende da integridade do filme lacrimal e das estruturas perioculares para manutenção da transparência corneana e do conforto ocular. Procedimentos rotineiros, como banho e tosa, podem expor os olhos a água, produtos cosméticos e fluxo de ar, potencialmente interferindo na estabilidade do filme lacrimal. Objetivou-se avaliar o impacto do banho e tosa convencional sobre parâmetros da superfície ocular de cães por meio de avaliação clínica e do Ocular Surface Analyser – Vet (OSA-Vet®). Foram avaliados 44 cães (88 olhos), com idades entre 1 e 16 anos, sendo a maioria braquicefálica (86,3%), antes (M0) e imediatamente após o banho (M1). Os parâmetros obtidos pelo OSA-Vet® incluíram espessura da camada lipídica (ECL), altura do menisco lacrimal, tempo de ruptura do filme lacrimal não invasivo (TRFL) e porcentagem de perda das glândulas de Meibômio (superior e inferior); adicionalmente, foram realizados TLS-1 e exame clínico oftálmico. Não houve diferença significativa entre M0 e M1 para ECL (OD: 33,41 ± 33,96 vs 28,75 ± 28,80; OS: 29,43 ± 29,00 vs 25,57 ± 28,37), menisco (OD: 0,44 ± 0,18 vs 0,45 ± 0,25 mm; OS: 0,55 ± 0,28 vs 0,49 ± 0,29 mm), perda glandular meibomiana (superior OD: 13,43 ± 4,14 vs 11,13 ± 3,47%; OS: 12,71 ± 4,21 vs 13,09 ± 3,77%; inferior OD: 16,91 ± 5,04 vs 15,93 ± 3,53%; OS: 17,00 ± 5,04 vs 15,44 ± 5,16%) e TLS-1 (OD: 22,31 ± 5,29 vs 22,81 ± 5,86 mm/min; OS: 21,64 ± 6,19 vs 21,30 ± 5,71 mm/min) (p>0,05). Em contrapartida, observou-se redução significativa do TRFL após o banho em ambos os olhos (OD: 11,73 ± 5,17 vs 8,81 ± 4,06 s; OS: 11,31 ± 5,92 vs 9,32 ± 4,52 s) (p<0,05), indicando instabilidade lacrimal transitória. A concordância entre TRFL clínico e TRFL pelo OSA-Vet® foi pobre (kappa OD: 0,14; OS: −0,07). Na avaliação clínica, a secreção ocular foi o achado mais frequente, com redução discreta de M0 para M1 (11,3% para 9,0%), e a desvitalização epitelial foi observada apenas em M1 (3,4%). As correlações indicaram interação entre os componentes do filme lacrimal, com associação entre ECL e parâmetros glandulares e correlações negativas entre ECL e alterações da superfície ocular. Conclui-se que o banho e tosa convencional promove instabilidade lacrimal detectável pela redução do TRFL, sem alterações mensuráveis imediatas na ECL, na altura do menisco lacrimal ou na morfologia das glândulas de Meibômio, reforçando a sensibilidade dos parâmetros de estabilidade para detecção de perturbações ambientais agudas.
Resumo (inglês)
The canine ocular surface relies on an intact tear film and periocular structures to maintain corneal transparency and ocular comfort. Routine grooming procedures such as bathing and clipping may expose the eyes to water, cosmetic products, and airflow, potentially affecting tear film stability. This study aimed to evaluate the impact of conventional bathing and grooming on canine ocular surface parameters using clinical assessment and the Ocular Surface Analyser–Vet (OSA-Vet®). Forty-four dogs (88 eyes), aged 1–16 years and predominantly brachycephalic (86.3%), were examined before (M0) and immediately after grooming (M1). OSA-Vet® parameters included lipid layer thickness (LLT), tear meniscus height, non-invasive tear break-up time (NIBUT/TBUTF), and meibomian gland loss (upper and lower eyelids); additionally, Schirmer tear test-1 (STT-1) and a complete ophthalmic examination were performed. No significant differences were detected between M0 and M1 for LLT (OD: 33.41 ± 33.96 vs 28.75 ± 28.80; OS: 29.43 ± 29.00 vs 25.57 ± 28.37), tear meniscus height (OD: 0.44 ± 0.18 vs 0.45 ± 0.25 mm; OS: 0.55 ± 0.28 vs 0.49 ± 0.29 mm), meibomian gland loss (upper OD: 13.43 ± 4.14 vs 11.13 ± 3.47%; OS: 12.71 ± 4.21 vs 13.09 ± 3.77%; lower OD: 16.91 ± 5.04 vs 15.93 ± 3.53%; OS: 17.00 ± 5.04 vs 15.44 ± 5.16%), or STT-1 (OD: 22.31 ± 5.29 vs 22.81 ± 5.86 mm/min; OS: 21.64 ± 6.19 vs 21.30 ± 5.71 mm/min) (p>0.05). In contrast, TBUTF decreased significantly after grooming in both eyes (OD: 11.73 ± 5.17 vs 8.81 ± 4.06 s; OS: 11.31 ± 5.92 vs 9.32 ± 4.52 s) (p<0.05), indicating transient tear film instability. Agreement between clinical fluorescein TBUT and OSA-Vet® TBUTF was poor (kappa OD: 0.14; OS: −0.07). Clinically, ocular discharge was the most frequent finding, with a slight reduction from M0 to M1 (11.3% to 9.0%), and epithelial devitalization was recorded only at M1 (3.4%). Correlation analyses supported interactions among tear film components, including associations between LLT and meibomian gland parameters and negative correlations between LLT and ocular surface alterations. In conclusion, conventional bathing and grooming induced detectable tear film instability through reduced TBUTF, without immediate measurable changes in LLT, tear meniscus height, or meibomian gland morphology, highlighting tear stability metrics as sensitive indicators of acute environmental perturbations.
Descrição
Palavras-chave
Oftalmologia veterinaria, Síndrome do olho seco, Cães
Idioma
Português
Citação
SAMMOUR, A. K. Avaliação da superfície ocular antes e após exposição a banho e tosa convencional com Analisador De Superfície Ocular (Osa-Vet®) em cães. 2026, 55f. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Jaboticabal, 2026.


