Ser pai e a adoção : a constituição subjetiva e emocional da paternidade adotiva em uma pesquisa longitudinal
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Data
Orientador
Abrão, Jorge Luís Ferreira 

Coorientador
Pós-graduação
Psicologia - FCLAS
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso restrito
Resumo
Resumo (português)
Na adoção, há diversos elementos que entrelaçam as experiências afetivas entre pais e filhos, como as histórias familiares prévias, as experiências de perdas e lutos, idealizações, fantasias e as expectativas que se imbricam nestas relações. A vivência da paternidade está sustentada em construções histórico-sociais acerca da função paterna, a qual advém de um distanciamento afetivo, da provisão financeira e do exercício do poder. As identificações dos pais com as suas figuras parentais são condutoras do ideal de paternidade e mobilizadoras de angústias, as quais permeiam a relação entre pai e filho. Este estudo tem por objetivo compreender o processo de constituição da subjetividade paterna adotiva, a partir da convivência com o filho ao longo do primeiro ano após a adoção. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter longitudinal, realizada com três pais adotivos ao longo de um ano, em três momentos da adoção: na chegada do(a) filho(a) adotivo(a), após seis meses de convivência e após um ano deste primeiro encontro. Os participantes adotaram crianças com até 3 anos de idade. Os instrumentos de pesquisa utilizados foram: a entrevista semiestruturada e o D-E com Tema. As análises e discussões dos casos ocorreram a partir do método psicanalítico. Os resultados evidenciaram que a constituição da subjetividade paterna adotiva é atravessada e amparada pelos processos identificatórios que permeiam essas relações, visto que os pais revivem com seus filhos suas experiências infantis e se amparam nas experiências emocionais que tiveram com seus próprios pais. Observou-se que a paternidade adotiva possui uma especificidade ligada às motivações conscientes e inconscientes, pois nos três casos apresentados há uma busca pela adoção a partir da impossibilidade de filiação biológica. Tais processos
necessitam da elaboração dos lutos frente às perdas vividas para que possam se apropriar da experiência afetiva da adoção. A elaboração dessas perdas mostrou-se fundamental para ampliar a disponibilidade emocional dos pais em sustentar os desafios e as demandas de seus filhos. Além disso, o período prolongado na fila de adoção revelou-se um aspecto que pode comprometer o investimento narcísico destes pais no encontro com o seu filho além de dificultar a vivência da “preocupação paterna primária”, a qual favorece o atendimento das necessidades do bebê. Apesar disso, notou-se uma ampliação da participação dos pais no exercício dos cuidados diários com os filhos, permitindo transformações no exercício da paternagem e nas configurações tradicionais da função paterna. Portanto, há uma singularidade na construção da paternidade adotiva, a qual se compõe por meio dos recursos psíquicos de cada pai, dos seus processos de identificação parental, das elaborações dos lutos e das idealizações e do cuidado diário com seu filho. Esses elementos possibilitam um encontro real com seu filho e, com isso, a sustentação da função paterna dentro desta relação que é permeada por rupturas. Assim, o
exercício da paternidade se fundamenta nos laços afetivos e nas construções psíquicas a partir do encontro emocional.
Resumo (inglês)
In adoption, there are several elements that intertwine the affective experiences between parents and children, such as previous family histories, experiences of loss and grief, idealizations, fantasies, and expectations that are interwoven in these relationships. The experience of fatherhood is based on historical and social constructions about the paternal function, which comes from an emotional distance, financial provision, and the exercise of power. The identifications of fathers with their parental figures are conductors of the ideal of fatherhood and mobilizers of anxieties, which permeate the relationship between father and child. This study aims to understand the process of constituting the adoptive father's subjectivity based on the experience of living with the child during the first year after adoption. This is a qualitative research study. It was realized with three adoptive fathers over the course of a year, at three points in the adoption process: upon the arrival of their adopted child, after six months of living together, and one year after this first meeting. The participants adopted children up to three years of age. Two research instruments were used: the semi-structured interview and the D-E with Theme. The case analyses and discussions were conducted using the psychoanalytic method. The results showed that the constitution of the adoptive paternal subjectivity is traversed and supported by the identificatory processes that permeate these relationships, since fathers relive their childhood experiences with their children and rely on the emotional experiences they had with their own fathers. It was observed that the adoptive fatherhood has a specificity connected to conscious and unconscious motivations, because in the three cases presented there is a search for adoption stemming from the impossibility of biological filiation. These processes require the grieving process for past losses so that individuals can fully embrace the emotional experience of adoption. Processing these losses proved to be essential in increasing the emotional capacity of fathers to support the challenges and demands of their children. Furthermore, the prolonged waiting period on the adoption list proved to be an aspect that can compromise these parents' narcissistic investment in meeting their child, besides hindering the experience of "primary paternal worries," which favors the baby's needs. Despite this, there has been a noticeable increase in parents' participation in the daily care of their children, allowing changes in the practice of parenthood and in the traditional configurations of the paternal role. Therefore, there is a uniqueness in the construction of adoptive fatherhood, which is composed from the psychic resources of each father, from their processes of parental identification, from the elaboration of grief and idealizations, and from the daily care of their child. These elements enable a genuine encounter with their child and, consequently, the maintenance of the paternal role within this relationship, which is permeated by ruptures. Then, the exercise of fatherhood is based on affective bonds and psychic constructions arising from the emotional connection.
Descrição
Palavras-chave
Paternidade, Adoção, Constituição da subjetividade, Psicanálise, Fatherhood, Adoption, Constitution of subjectivity, Psychoanalysis
Idioma
Português
Citação
SILVA, Anna Cecilia Latanzio Rodrigues. Ser pai e a adoção: a constituição subjetiva e emocional da paternidade adotiva em uma pesquisa longitudinal. 2026. 272 p. Tese (Doutorado em Psicologia) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Assis, 2026.


