Ergonomia e o desgaste físico em cirurgia laparoscópica no Brasil
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Data
Autores
Orientador
Dias, Daniel Spadotto 

Coorientador
Dias, Flávia Neves Bueloni 

Pós-graduação
Tocoginecologia (Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia) - FMB
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Introdução: a laparoscopia cresce em frequência no Brasil e no mundo, e com isso surgem desafios relacionados à sua prática. O maior desgaste físico associado à técnica quando comparada com a cirurgia aberta é alvo de estudo nas últimas décadas, resultando em análises e recomendações ergonômicas. Objetivos: levantar dados sobre o desgaste físico do laparoscopista no Brasil, assim como sobre seu conhecimento e aplicação das recomendações ergonômicas para sua rotina de trabalho. Materiais e métodos: foi realizado um estudo observacional transversal analítico através de um formulário digital enviado a laparoscopistas do Brasil via lista de e-mail de entidades e sociedades de especialidades, com 35 questões divididas em demografia, ambiente de trabalho, ergonomia e sintomas. Os resultados foram analisados de forma descritiva e numérica, além de testes de associação. Foi adotado nível de significância com p < 0,05 e intervalo de confiança de 95%. Resultados: entre os 193 ginecologistas laparoscopistas participantes, apenas 2% nunca sentiram dor musculoesquelética. Mulheres apresentaram dor mais frequente, menor tempo até a fadiga, além de dor específica em pescoço, ombros e membros superiores. O conhecimento sobre ergonomia foi baixo ou inexistente em 49% dos cirurgiões, sendo que apenas 21% aplicavam integralmente as recomendações. O tempo até a fadiga esteve diretamente relacionado com maiores níveis de experiência em laparoscopia, bem como às horas semanais de cirurgia e à realização de atividade física regular. A aplicação plena da ergonomia mostrou ser um fator protetor, associado com menor frequência de dor e maior tempo até fadiga. Conclusão: O baixo nível de conhecimento e, principalmente, a aplicação incompleta das recomendações ergonômicas, associados a fatores como gênero, carga semanal de trabalho e nível de experiência, relacionam-se à maior ocorrência de dor e fadiga entre ginecologistas laparoscopistas. A aplicação integral dos princípios ergonômicos mostrou efeito protetor consistente, assim como a prática regular de atividade física. Esses achados reforçam a necessidade de incorporar o ensino formal de ergonomia e a adequação do ambiente cirúrgico aos programas de treinamento e à rotina profissional.
Resumo (inglês)
Introduction: Laparoscopy has been increasing in Brazil and worldwide, and this growth has brought challenges related to its practice. The greater physical strain associated with this technique when compared with open surgery has been the subject of study over recent decades, resulting in ergonomic analyses and recommendations. Objectives: To collect data on physical strain among laparoscopic surgeons in Brazil, as well as on their knowledge and application of ergonomic recommendations in their routine work. Materials and methods: An analytical cross-sectional observational study was conducted using a digital questionnaire sent to laparoscopic surgeons in Brazil through e-mail lists of professional entities and speciality societies. The questionnaire included 35 questions divided into demographics, work environment, ergonomics, and symptoms. Results were descriptively and numerically analyzed, in addition to association tests. A significance level of p < 0.05 and a 95% confidence interval were adopted. Results: Among the 193 gynecologic laparoscopists surgeons who participated, only 2% had never experienced musculoskeletal pain. Women reported more frequent pain, shorter time to fatigue, and specific pain in the neck, shoulders, and upper limbs. Knowledge of ergonomics was low or nonexistent in 49% of surgeons, and only 21% fully applied ergonomic recommendations. The level of experience in laparoscopy, as well as weekly surgical hours and regular physical activity were directly associated with longer time to fatigue. Full application of ergonomic principles was a protective factor, being associated with less frequent pain and longer time to fatigue. Conclusion: The low level of knowledge and, above all, the incomplete application of ergonomic recommendations, associated with factors such as gender, weekly workload, and level of experience, are related to a higher occurrence of pain and fatigue among gynecologic laparoscopic surgeons. The full application of ergonomic principles showed a consistent protective effect, as did regular physical activity. These findings reinforce the need to incorporate formal ergonomic training and the adaptation of the surgical environment into training programs and routine professional practice.
Descrição
Palavras-chave
Medicina, Cirurgia, Laparoscopia, Ergonomia, Cirurgia ginecológica
Idioma
Português
Citação
VILLAS BOAS, Gustavo Di Lorenzo. Ergonomia e o desgaste físico em cirurgia laparoscópica no Brasil. 2026. Dissertação (Mestrado em Tocoginecologia) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.


