A construção “para–pronome–infinitivo”: um estudo diacrônico das variantes eu, mim e zero anafórico no português brasileiro
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Data
Autores
Orientador
Berlinck, Rosane de Andrade 

Coorientador
Pós-graduação
Linguística e Língua Portuguesa - FCLAR
Curso de graduação
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Esta dissertação investiga a construção “para–pronome–infinitivo” no português brasileiro, focalizando a variação entre as formas pronominais eu, mim e a anáfora zero como sujeito de orações infinitivas introduzidas pela preposição para. O estudo se fundamenta nos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (Weinreich; Labov; Herzog, 2006 [1968]; Labov, 2008 [1972], 1994, 2001, 2010) e da Sociolinguística Histórica (Conde Silvestre, 2007), com o objetivo de descrever o comportamento dessas variantes em perspectiva diacrônica e avaliar se o fenômeno configura um caso de variação estável ou de mudança em progresso. O corpus é composto por peças teatrais brasileiras dos séculos XIX, XX e XXI, reunidas no âmbito do Projeto Língua EmCena, analisadas segundo critérios linguísticos (como correferencialidade, função e posição da oração infinitiva e forma da preposição) e extralinguísticos (perfil social das personagens). Como hipóteses iniciais, postulou-se que (i) a variante mim estaria associada a personagens socialmente subalternizadas; (ii) a variante eu ocorreria preferencialmente em contextos de maior monitoramento linguístico; (iii) a anáfora zero seria menos produtiva nos períodos mais antigos; e (iv) a correferencialidade favoreceria o apagamento do sujeito. Os resultados indicam que a forma zero é amplamente majoritária em todas as sincronias analisadas, sobretudo em contextos correferenciais, evidenciando sua estabilidade estrutural no sistema. As variantes plenas eu e mim apresentam baixa produtividade ao longo de todo o período, mantendo valores sociais relativamente constantes: eu se associa a contextos mais monitorados e personagens socialmente prestigiadas, enquanto mim ocorre de forma extremamente restrita, vinculada à caracterização ideológica de personagens femininas e subalternas, desaparecendo nas sincronias mais recentes do corpus de peça teatral. Esses achados apontam para um quadro de variação diacronicamente estável, no qual não se observa reconfiguração estrutural do sistema, mas sim a manutenção de funções sociais e discursivas específicas para cada variante. A pesquisa contribui para os estudos sobre a história do português brasileiro ao oferecer uma análise sistemática de um fenômeno morfossintático pouco explorado em perspectiva histórica, ao discutir criticamente a relação entre variação linguística, representação social e preconceito linguístico, e ao evidenciar o potencial da peça teatral como fonte para investigações sócio-históricas da língua
Resumo (inglês)
This dissertation investigates the construction “para–pronoun–infinitive” in Brazilian Portuguese, focusing on the variation between the pronominal forms eu, mim, and zero
anaphora as the subject of infinitival clauses introduced by the preposition para. Grounded in the theoretical and methodological frameworks of Variationist Sociolinguistics and Historical
Sociolinguistics, the study aims to describe the behavior of these variants from a diachronic perspective and to assess whether the phenomenon represents a case of stable variation or a
change in progress. The corpus consists of Brazilian theatrical plays from the nineteenth, twentieth, and twenty-first centuries, compiled within the Língua EmCena Project, and analyzed according to linguistic factors (such as coreferentiality, syntactic function and position of the infinitival clause, and the form of the preposition) and extralinguistic factors (the social profiles of the characters). The initial hypotheses proposed that (i) the variant mim would be associated with socially subordinate characters; (ii) the variant eu would occur preferentially in contexts of higher stylistic monitoring; (iii) zero anaphora would be less productive in earlier periods; and (iv) coreferentiality would favor subject omission. The results show that zero anaphora is overwhelmingly predominant across all periods, especially in coreferential contexts, indicating its structural stability within the system. The full forms eu and mim display low productivity throughout the entire period, maintaining relatively stable social values: eu is associated with more monitored contexts and socially prestigious characters, whereas mim occurs in an extremely restricted manner, linked to the ideological characterization of female and socially subordinate characters, and disappears in the more recent synchronic stages of the theatrical corpus. These findings point to a scenario of diachronically stable variation, in which no structural reconfiguration of the system is observed, but rather the persistence of specific social and discursive functions for each variant. This research contributes to studies on the history of Brazilian Portuguese by providing a systematic analysis of a morphosyntactic phenomenon rarely examined from a historical perspective, by critically addressing the relationship between linguistic variation, social representation, and linguistic prejudice, and by highlighting the potential of theatrical texts as sources for socio-historical investigations of llanguage
Descrição
Palavras-chave
Variação pronominal, Sociolinguística histórica, Peças teatrais, Variação, Mudança linguística
Idioma
Português
Citação
RODRIGUES-SILVA, Emanuela. A construção “para–pronome–infinitivo”: um estudo diacrônico das variantes eu, mim e zero anafórico no português brasileiro. 2026. Dissertação (Mestrado em Linguística e Língua portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.


