Morfoanatomia e ontogênese do pericarpo de Manihot caerulescens Pohl e M. tripartita Müll. Arg. (Euphorbiaceae)

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Data

2009-03-01

Autores

Oliveira, Jonathas Henrique Georg de [UNESP]
Oliveira, Denise Maria Trombert

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Editor

Sociedade Botânica de São Paulo

Resumo

Manihot caerulescens e M. tripartita são espécies arbustivas de cerrado, conhecidas como mandioca-brava. Não são encontrados muitos trabalhos sobre estrutura do pericarpo de Euphorbiaceae e muitas das descrições morfológicas existentes apresentam interpretações dúbias, especialmente sobre a deiscência. O presente trabalho objetivou descrever a morfologia, anatomia e ontogênese do pericarpo das duas espécies de Manihot, comparando-as entre si e relacionando aspectos estruturais do pericarpo à deiscência. Verificou-se que o desenvolvimento do pericarpo enquadra-se em quatro estágios, típicos de frutos secos. Dois meristemas são formados: um subadaxial, que produz o mesocarpo interno; outro adaxial, que forma o endocarpo, homogêneo e colenquimatoso em M. caerulescens, e heterogêneo em M. tripartita, com fibroesclereídes gelatinosas externas e uma porção colenquimatosa interna. Observou-se a formação de tecido de separação, composto por parênquima laxo, em direção aos feixes dorsais dos três carpelos e aos septos, o qual é mais evidente em M. tripartita. Por fim, verificou-se variação na composição do estrato esclerenquimático: em M. caerulescens, há uma faixa de fibroesclereídes e uma de braquiesclereídes, ambas do mesocarpo; em M. tripartita, ocorrem essas duas faixas mesocárpicas, com maior espessura, acrescidas do endocarpo externo, também composto por fibroesclereídes. Os frutos de ambas as espécies são cápsulas, cujo tipo varia em função do desenvolvimento do tecido de separação e da amplitude do estrato esclerenquimático. Assim, M. caerulescens apresenta cápsulas indeiscentes, enquanto M. tripartita forma cápsulas septi-loculicidas, uma vez que a deiscência, embora passiva, ocorre nas regiões dorsais e em direção aos septos.
Manihot caerulescens and M. tripartita are shrub species of cerrado, known as mandioca-brava. Works on structure of pericarp of Euphorbiaceae are rare and many of the found morphologic descriptions present dubious interpretations, especially on the dehiscence. The present work aimed to describe the morphology, anatomy and ontogeny of pericarp of the two species of Manihot, comparing themselves and relating structural aspects of pericarp to the dehiscence. We verified that the pericarp follow four developmental periods, as typical of dry fruits. Two meristems are formed: a subadaxial, that produces the inner mesocarp; and another adaxial, that forms the endocarp, homogeneous and collenchymatous in M. caerulescens, and heterogeneous in M. tripartita, with outer gelatinous fiber-sclereids and an collenchymatous inner portion. We observed the formation of separation tissue, composed of loose parenchyma, in direction to the dorsal bundle of the three carpels and to the septa, which are more evident in M. tripartita. Finally, we verified variation in the sclerenchymatous stratum: in M. caerulescens, there is a layer of fiber-sclereids and one of stone cells, both of the mesocarp; in M. tripartita, these two mesocarpic layers occur, with bigger thickness, increased of the outer endocarp, also composed of fiber-sclereids. The fruits of both species are capsules which type depends on the development of separation tissue and of the dimension of sclerenchymatous stratum. Thus M. caerulescens presents indehiscent capsules, while M. tripartita forms septi-loculicidal capsules, since the dehiscence, even so passive, occurs in the dorsal regions and in the direction to septa.

Descrição

Palavras-chave

anatomia, desenvolvimento, Manihot, morfologia, pericarpo, anatomy, development, Manihot, morphology, pericarp

Como citar

Brazilian Journal of Botany. Sociedade Botânica de São Paulo, v. 32, n. 1, p. 117-129, 2009.

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