Hesitações na organização da frase entonacional na aquisição da linguagem

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Data

2016-03-28

Orientador

Jurado Filho, Lourenço Chacon

Coorientador

Pós-graduação

Fonoaudiologia - FFC

Curso de graduação

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Dissertação de mestrado

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

A proposta deste estudo foi verificar possíveis relações entre a organização do constituinte prosódico frase entonacional e a presença de hesitações na fala infantil. Em razão da complexidade estrutural presente na constituição da frase entonacional, nossa hipótese foi a de que ela poderia provocar momentos de tensão em sua produção, possivelmente marcados por hesitações – sobretudo em seus limites. OBJETIVOS: (1) comparar a distribuição das hesitações nos limites inicial e final da frase entonacional na fala infantil; (2) verificar com que tipos de marcas as hesitações ocorrem nesses pontos da frase entonacional; e (3) observar em que medida características discursivas ajudariam a entender o funcionamento discursivo das hesitações. MÉTODOS: foram sujeitos da pesquisa seis crianças com idades entre 4:10 e 6:3 anos que, em 2011, frequentavam o nível Infantil II de uma Escola Municipal de Educação Infantil de Marília. Tais crianças participaram de uma entrevista na qual falaram sobre temas trabalhados em sete propostas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula, no período vespertino. RESULTADOS: observou-se: (i) maior quantidade de hesitações em início de frase entonacional; (ii) ausência de diferença estatística entre os tipos de marcas hesitativas; (iii) maior ocorrência de hesitações em frases entonacionais em início do enunciado do que no interior do enunciado; (iv) maior quantidade de marcas hesitativas entre frases entonacionais do que no final da frase entonacional final do enunciado; e, por fim, (v) tendência pela marca hesitativa corte brusco no final de frase entonacional interrompida e, tendência por alongamentos e pausas silenciosas em final de frase entonacional não interrompida. As tendências observadas foram interpretadas como reveladoras, na medida em que a presença de mais marcas hesitativas nos pontos destacados sugere tanto a ação de fatos da língua, como a integração entre informações fonológicas, sintáticas e semânticas na produção desse constituinte, quanto a ação de fatos discursivos, como a demanda de sentido do interlocutor para as crianças. CONCLUSÃO: as hesitações se mostram como um importante indicador de como fatos da língua e do discurso operam na produção da frase entonacional na fala infantil.

Resumo (inglês)

This study aims to verify possible relations between the organization of prosodic component intonational phrase and the presence of hesitation in children speech. Due to the structural complexity in the constitution of intonational phrase, our hypothesis was that it could provoke times of stress in its production, possibly outlined by the presence of hesitation - mainly in its boundaries. PURPOSES: (1) to compare distribution of hesitation in initial and final boundaries of intonational phrases in children speech; (2) to verify the types of marks in which the hesitations occur in these points of intonational phrase; and (3) to observe, in which extent, speech characteristics would help to understand the discursive function of hesitation. METHODS: six children were subject to research, aged between 4:10 and 6:3 years old, which, in 2011, attended Preschool at a Municipal Preschool in Marília. These children were submitted to an interview which covered topics developed within seven pedagogical proposals carried out in the classroom, in the afternoon period. RESULTS: we observed: (i) higher number of hesitation in the beginning of intonational phrase; (ii) the absence of statistical difference between the different types of hesitation marks; (iii) higher occurrence of hesitation in intonational phrases in the beginning of utterance than in the middle of utterance; (iv) greater amount of hesitation marks between intonational phrases than in the end of the utterance's final intonational phrase; and, finally, (v) tendency to more frequent occurrence of false start in the end of the broken intonational phrase, as well as lengthening and silent pauses in the end of the non-interrupted intonational phrase. We consider the observed trends as revealing, since the presence of more hesitation marks in the highlighted points suggests both the action of language facts, such as integration of phonological, syntactic and semantic information in the formulation of this component, and the action of discursive facts, such as the interlocutor's demand of meaning towards children. CONCLUSION: hesitation is revealed as a key indicator of how language and discursive facts work in children speech's intonational phrase production.

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Português

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