Efeito de estresse ambiental sobre a pressão arterial de trabalhadores

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Data

2002-10-01

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Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Saúde Pública

Resumo

OBJETIVO: Analisar o comportamento de pressão arterial (PA) e a freqüência cardíaca (Fc) de indivíduos ao longo da jornada de trabalho em dois ambientes com estresses ambientais distintos. MÉTODOS: Foram avaliados 46 funcionários, trabalhadores de uma indústria processadora de madeira, de Botucatu, SP, sendo 27 funcionários da linha de produção (esforço físico moderado-intenso, altas temperaturas e elevados níveis de ruído) (G1), e 19 da administração (sem esforço físico, salas aclimatadas, baixos níveis de ruído) (G2). Todos foram submetidos a avaliação antropométrica da composição corporal (obesidade e adiposidade) e bioquímica do sangue (lipidemia) e, adicionalmente, o registro da PA e da Fc em três momentos do turno de serviço: início, meio e fim. RESULTADOS: Houve semelhança na variação da PA entre G1 e G2, mas com maiores elevações de PA e Fc em G1. Os resultados mostraram grande variabilidade na resposta da PA, levando à subdivisão dos grupos G1 e G2 em respondedores (GR, aumento maior de 10% na PA média) e não respondedores (GN). Os subgrupos GR e GN apresentaram semelhanças nos padrões antropométrico e bioquímico diferindo apenas na resposta pressórica e no caso do GR1 na história familiar de hipertensão. Comparando os subgrupos GR1 e GR2, foi constatado que os primeiros apresentaram maiores variações de PA e Fc que os segundos. CONCLUSÕES: A variação individual da resposta pressórica e da Fc conforme o tipo de estresse ambiental indica ser este um fator adicional a ser considerado na avaliação da pressão arterial e, talvez, na gênese da hipertensão arterial de operários.
OBJECTIVE: To evaluate blood pressure (BP) and heart rate (HR) behavior in individuals during the working journey in two environments with different work stressors. METHODS: The study comprised 46 male individuals working in a wood processing factory in Botucatu, Brazil. Twenty seven (27.4±5.4 yrs, mean±SD) worked in the production line performing intense physical activity (G1) at high room temperatures and noise levels. Nineteen (33.2±7.6 yrs old) performed managerial tasks mostly comfortably seated at low noise, air-conditioned offices (G2). After anthropometric measurements (obesity, total and local adiposity) and blood biochemistry analyses (glucose, triglycerides and cholesterol), their BP and HR were registered during three consecutive days at 3 different time of the day: in the beginning, in the middle and at the end of the working journey. RESULTS: There were similar BP and HR changes during the journey for G1 and G2, but G1 showed higher rates. Due to the wide variability of BP responses within each group, participants were divided in two subgroups: responders (GR1 and GR2) with BP increase >10%, and non-responders (GN1 and GN2). Both subgroups showed similar anthropometric and biochemical patterns differing only in their BP response and, in the case of GR1,family history for hypertension. GR1 showed higher BP and HR than GR2. CONCLUSIONS: Individual changes of BP and HR responses to environmental stressors during the working journey indicates that these factors should be considered while evaluating BP measurements and might be considered as potential factors for hypertension.

Descrição

Palavras-chave

Pressão arterial, Freqüência cardíaca, Estresse, Exposição ocupacional, Condições de trabalho, Antropometria, Ruído ocupacional, Calor, Indústria da madeira, Blood pressure, Heart rate, Working environment, Stress, Occupational exposure, Working conditions, Anthropometry, Noise, Occupational, Heat, Lumber industry

Como citar

Revista de Saúde Pública. Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, v. 36, n. 5, p. 568-575, 2002.