Filosofia no Ensino Médio: o que pensam os professores

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Data

2018-10-30

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

RESUMO Foi com a proclamação da república que o ensino de filosofia começou a sofrer com períodos marcados por oscilações: ora sua presença se faz garantida e ora se faz indefinida, culminando com sua total retirada com o golpe civil militar, prejudicando assim a construção de sua identidade e do seu papel enquanto disciplina. Em 2008, com a lei n. 11.684 de autoria do deputado federal Ribamar Alves (PSB-MA), a Filosofia volta efetivamente e obrigatoriamente (fato inédito desde o período colonial) a compor o currículo do Ensino Médio. No entanto, em 16 de fevereiro de 2017 foi aprovada e sancionada pelo então presidente golpista Michel Temer a Lei n. 13.145, que propõe a reestruturação do Ensino Médio. Tal lei, não apresenta clareza em relação à maneira que deverá se estruturar o ensino de filosofia: se será oferecido em uma disciplina específica, como vem acontecendo; se a filosofia será trabalhada em outras áreas, a partir de temas transversais; ou de outras maneiras. Além disso, a lei não especifica se a filosofia enquanto disciplina será ofertada em todos os anos do Ensino Médio; deste modo, o risco da sua exclusão dos currículos é iminente. Portanto, faz-se necessário e urgente pensarmos este momento, não só como um período marcado por possíveis retrocessos, mas como uma oportunidade de refletirmos sobre algumas possibilidades de atualizar e melhorar as propostas educacionais voltadas ao ensino de filosofia. Desse modo, nosso objetivo nesta pesquisa foi o de investigar a concepção de ensino de filosofia dos professores de filosofia do nível médio, a fim de compreender quais são as finalidades que estes concebem à sua prática, ou seja, para que, ensinam filosofia: pela utilidade ou pelo sentido? Para nós, a resposta ao para quê do ensino de filosofia está na sua potencialidade em possibilitar a experiência de pensamento, destarte, nossa tese é a de que o professor de filosofia precisa ele mesmo ter a disponibilidade em experienciar o pensamento, perguntando, questionando e problematizando o seu ofício. O nosso referencial teórico para pensarmos o conceito de formação está na escola de Frankfurt, especificamente, nos textos de Theodor W. Adorno sobre Indústria Cultural, educação, formação e semiformação. As discussões relacionadas à filosofia, o ensino de filosofia e ao aprender e ensinar filosofia foram desenvolvidas a partir das reflexões de Dalton José Alves, Walter Omar Kohan, Jacques Rancière, Sílvio Gallo, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Walter Benjamin, Jorge Larrosa, Paula Ramos de Oliveira, Tiago Brentam Perencini e Rodrigo Pelloso Gelamo. Os dados empíricos foram coletados através da realização de entrevistas com professores de filosofia do 1° ao 3° anos do Ensino Médio das escolas públicas da cidade de Pirassununga/SP. Nossa conclusão é a de que os professores de filosofia entrevistados acreditam na potencialidade do ensino de filosofia enquanto contribuição para a formação de sujeitos críticos, criativos e autônomos, desse modo, a hipótese defendida nesta pesquisa, ou seja, a de que os professores não se sentem confiantes e seguros em relação ao por quê ensinar filosofia, não foi confirmada.
ABSTRACT It was with the proclamation of the republic that the teaching of philosophy began to suffer with periods marked by oscillations: sometimes its presence is guaranteed and other times it becomes indefinite, culminating in its total withdrawal with the military civil coup, thus harming the construction of its identity and its role as a school subject. In 2008, with law no. 11,684 authored by federal deputy Ribamar Alves (PSB-MA), Philosophy effectively and obligatorily returns (unprecedented fact since the colonial period) to compose the curriculum of High School. However, on February 16, 2017 Law no. 13,145was approved and sanctioned by the president Michel Temer, which proposes the restructuring of Secondary School. This law does is not clear regarding the way in which the teaching of philosophy should be structured: whether it will be offered as a specific discipline, as it has been happening; or if the it will be worked in other areas, from cross-cutting themes; or other ways. In addition, the law does not specify whether philosophy as a school subject will be offered in all the years of high school; thus, the risk of its exclusion from the curricula is imminent. Therefore, it is necessary and urgent to think of this moment, not only as a period marked by possible setbacks, but as an opportunity to reflect on some possibilities to update and improve the educational proposals aimed at teaching philosophy. Therefore, our objective in this research was to investigate the conception of philosophy teaching of philosophy teachers in High School, in order to understand what the purposes conceiving to their practice are, that is, why they teach philosophy: because of its utility or its meaning? For us, the answer to what the teaching of philosophy is in its potentiality to enable the experience of thought, so our thesis is that the teacher of philosophy must himself be willing to experience the thought, asking, questioning, and problematizing his profession. Our theoretical reference to go through the qualification concept is in the Frankfurt school, specifically in the texts by Theodor W. Adorno on Cultural Industry, Education, qualification and semiqualification. The discussions related to the philosophy itself, as well as learning and teaching philosophy were developed from the reflections of Dalton José Alves, Walter Omar Kohan, Jacques Rancière, Sílvio Gallo, Gilles Deleuze and Félix Guattari, Walter Benjamin, Jorge Larrosa, Paula Ramos de Oliveira, Tiago Brentam Perencini and Rodrigo Pelloso Gelamo. The empirical data were collected through interviews with teachers of philosophy from 1st to 3rd years of high school in the public schools of the city of Pirassununga/SP. Our conclusion is that the professors of philosophy interviewed believe in the potential of teaching philosophy as a contribution to the formation of critical, creative and autonomous subjects, thus, the hypothesis defended in this research, that is, that teachers do not feel confident about why they teach philosophy has not been confirmed.

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Palavras-chave

Ensino de filosofia, Ensino Médio, Experiência do pensamento., Teaching philosophy, High school, Experience of thought

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