A formação e atuação do docente de sociologia e sua relação com a experiência juvenil sobre violência, violência policial, gênero e racismo numa escola periférica

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Data

2020-04-02

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Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Esta dissertação está inserida na área de Sociologia, subárea de Práticas de ensino e conteúdos curriculares, e tem como objetivo analisar a criticidade da abordagem do conceito de violência nos livros didáticos de sociologia e as práticas violentas na escola, confrontando as perspectivas curriculares, as vivências geradoras e fomentadoras de violências no espaço escolar e as representações de autoridade e violência policial pelos alunos. Com intuito de fundamentar teoricamente a análise, a pesquisa parte dos conceitos de biopoder e de governamentalidade para analisar as reformas na educação que foram implementadas por força da vigência da Lei 13.415 de 2017 e conceitua o papel da escola, a juventude, a violência da escola, a violência policial e as relações de poder a partir das leituras de Bourdieu e Passeron (2008); Chaui (2007), Sposito (2008), Charlot (2002) e Foucault (1987), para então proceder a análise descritiva e comparada dos livros didáticos de sociologia selecionados pelo Programa Nacional do Livro Escolar no triênio de 2018 a 2020. Compara as propostas de abordagem temática com os resultados da pesquisa com grupo focal formado por alunos da periferia da cidade de Itanhaém, em São Paulo, discutindo as representações dos estudantes sobre violência policial e violência escolar. Constatou-se então que, com frequência, os livros naturalizam as violências, não possibilitando ao aluno refletir sobre sua realidade na sociedade em que vive, impedindo-os de se posicionarem contra a argumentação naturalizante das relações sociais de poder, da subjetivação e da violência policial. Sobre os resultados do grupo focal, demonstrou-se que os alunos afirmam que a gestão e o corpo docente da escola pesquisada seguem uma dinâmica normatizadora e punitiva que não contempla estratégias conciliatória que acolham e busquem na escuta dos jovens e adolescentes uma resolução pacífica, transformando as situações de conflitos escolares em ocorrências policiais.
This dissertation belongs to the teaching practices and curriculum studies area, within sociology, and it aims to analyse the critical quality of the approach towards violence in sociology schoolbooks, and violent actions in school, comparing curriculum perspectives, experiences that are generators and supportive of violence in the school space, and the representations of authority and police violence presented by the students. In order to theoretically base the analysis, the research will go through concepts of biopower and governmentality to analyse the reforms in education that were implemented under the law 13.415 de 2017, and conceptualizes youth, the role of the school, violence in school, police violence, and the relations of power based on Bourdieu and Passeron (2008), Chauí (2007), Sposito (2008), Charlot (2002), and Foucault (1987), to then proceed to a descriptive and comparative analysis of the sociology schoolbooks selected by the Programa Nacional do Livro Didático ("Schoolbooks National Program") for the 2018-2020 three-year-term. The analysis compares the proposals of thematic approach with the results of the research made with a focused group of students from the suburbs of Itanhaém city, in São Paulo state, discussing the students' representations of both police and school violence. The conclusions are that, very often, the books make these forms of violence natural, not allowing for the student to reflect on their own reality and society, which forbids them from taking a stand against the naturalizing argumentation of the social power relations, against subservience, and against police violence. Considering the results of the focused group, it became clear that the students perceive that teachers and the school administration follow naturalizing and punitive dynamics, which do not comply with a conciliatory strategy, that would embrace the young and search for a pacific solution considering the students' voices, and transform these conflictual situations in police reports.

Descrição

Palavras-chave

Violência curricular, Violência escolar, Violência policial, Violência de gênero, Racismo, Curriculum violence, School violence, Police violence, Gender violence, Racism

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