Dexmedetomidina e sufentanil como analgésicos per-operatórios: estudo comparativo

Resumo

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A utilização das drogas agonistas dos alfa2-adrenoceptores para controlar a pressão arterial e freqüência cardíaca, propiciar menores respostas hemodinâmicas à intubação e extubação traqueal e poupar anestésicos já está difundida na literatura desde a introdução da clonidina. O desenvolvimento de agentes providos de maior seletividade alfa2-adrenoceptora que, por isso, determinam menos efeitos adversos, como a dexmedetomidina, recentemente liberada para utilização clínica, possibilitou que ocorressem maior sedação e analgesia com o seu uso. Despertou-se, então, o interesse em sua utilização como substitutos dos opióides, conhecidos por determinarem potente analgesia e sedação. O objetivo deste trabalho foi comparar a analgesia promovida pela dexmedetomidina e pelo sufentanil, utilizados em infusões contínuas durante anestesias de procedimentos otorrinolaringológicos e de cabeça e pescoço. MÉTODO: Os 60 pacientes estudados foram divididos em dois grupos de 30: G1, recebendo sufentanil e G2, dexmedeto- midina, na indução e manutenção anestésicas. Para a manutenção da anestesia utilizaram-se, também, o óxido nitroso e o propofol, em infusão contínua alvo-controlada. Foram avaliados os parâmetros hemodinâmicos (pressões arteriais sistólica e diastólica e freqüência cardíaca), tempos de despertar e de extubação após interrupção do propofol, locais onde foram extubados os pacientes, sala de operação (SO) ou sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), tempo de permanência na SRPA, índice de Aldrete e Kroulik e as complicações apresentadas na SO e SRPA. RESULTADOS: G1 apresentou menores valores de pressões arteriais sistólica, diastólica e freqüência cardíaca, tempos de despertar e extubação maiores, maior número de extubações na SRPA, maior tempo de permanência na SRPA, valores mais baixos para Aldrete e Kroulik na alta da SRPA e mais complicações per e pós-operatórias. CONCLUSÕES: A utilização de dexmedetomidina como analgésico per-operatório apresentou melhores resultados que a de sufentanil, nos procedimentos selecionados neste trabalho, com relação à estabilidade hemodinâmica e às condições de despertar e de recuperação anestésica.
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: La utilización de las drogas agonistas de los alfa2-adrenoceptores para controlar la presión arterial y frecuencia cardíaca, propiciar menores respuestas hemodinámicas a la intubación y extubación y economizar anestésicos ya está difundida en la literatura desde la introducción de la clonidina. El desenvolvimiento de agentes prevenidos de mayor selectividad alfa2-adrenoceptora y, por eso, determinan menos efectos adversos, como la dexmedetomidina, recientemente liberada para utilización clínica, posibilitó que ocurriese mayor sedación y analgesia con su uso. Se despertó, entonces, el interés en su utilización como substitutos de los opioides, conocidos por determinar potente analgesia y sedación. El objetivo de este trabajo fue comparar la analgesia promovida por dexmedetomidina y sufentanil, utilizados en infusiones continuadas durante anestesias de procedimientos otorrinolaringológicos, de cabeza y cuello. MÉTODO: Los 60 pacientes estudiados fueron divididos en dos grupos de 30: G1, recibiendo sufentanil y G2, dexmedetomidina, en la inducción y manutención anestésicas. Para la manutención de la anestesia se utilizaron, también, el óxido nitroso y el propofol, en infusión continuada alvo- controlada. Fueron evaluados los parámetros hemodinámicos (presiones arteriales sistólica y diastólica y frecuencia cardíaca), tiempos de despertar y de extubación después de interrupción de propofol, locales donde fueron extubados los pacientes, sala de operación (SO) o sala de recuperación pós-anestésica (SRPA), tiempo de permanencia en la SRPA, índice de Aldrete y Kroulik y las complicaciones presentadas en la SO y SRPA. RESULTADOS: G1 presentó menores valores de presiones arteriales sistólica, diastólica y frecuencia cardíaca, tiempos de despertar y extubación mayores, mayor número de extubaciones en la SRPA, mayor tiempo de permanencia en la SRPA, valores más bajos para Aldrete y Kroulik en el alta de la SRPA y más complicaciones per y pós-operatorias. CONCLUSIONES: La utilización de dexmedetomidina como analgésico per-operatorio presentó mejores resultados que la del sufentanil, en los procedimientos seleccionados en este trabajo, con relación a la estabilidad hemodinámica y las condiciones de despertar y de recuperación anestésica.
BACKGROUND and OBJECTIVES: The use of alpha2-agonists to control heart rate and blood pressure, to attenuate hemodynamic responses to tracheal intubation and extubation and to reduce anesthetics requirement are already well established in the literature since clonidine introduction for therapeutic use. Dexmedetomidine, recently approved for clinical use, presents more alpha2-adrenergic receptors selectively, and therefore less adverse effects combined with marked analgesic and sedative properties. This has raised the interest in using it to replace opioids, known for their potent analgesic and sedative properties. This study aimed at comparing dexmedetomidine and sufentanil analgesia s during continuous infusion for ENT, head and neck procedures. METHODS: Sixty patients were randomly distributed in two groups of 30: G1 - sufentanil and G2 - dexmedetomidine, for anesthetic induction and maintenance. Nitrous oxide and propofol in a target controlled continuous infusion were also used for anesthetic maintenance. The following parameters were evaluated: hemodynamic variables (systolic, diastolic blood pressure and heart rate), emergence and extubation times after propofol withdrawal, place where patients were extubated (operating room - OR, or post-anesthetic recovery unit - PACU), PACU stay, Aldrete Kroulik index, and OR or PACU complications. RESULTS: G1 had lower systolic and diastolic blood pressure, lower heart rate values, longer emergence and extubation times, higher number of PACU extubations, longer PACU stay, lower Aldrete-Kroulik index and higher number of peri and postoperative complications. CONCLUSIONS: Dexmedetomidine as intraoperative analgesic was more effective as compared to sufentanil in the procedures selected for this study regarding hemodynamic stability, emergence and anesthetic recovery conditions.

Descrição

Palavras-chave

ANALGÉSICOS, ANALGÉSICOS, DROGAS, ANALGESICS, ANALGESICS, DRUGS

Como citar

Revista Brasileira de Anestesiologia. Sociedade Brasileira de Anestesiologia, v. 52, n. 5, p. 525-534, 2002.