Fatores associados ao uso de psicofármacos em idosos internados nas enfermarias clínicas e cirúrgicas de um hospital terciário

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Data

2021-11-22

Autores

Thomazi, Rafael

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

INTRODUÇÃO: Múltiplas comorbidades associam-se a maior uso de medicamentos por pessoas idosas. A polifarmácia torna os idosos mais propensos a desenvolverem eventos adversos a drogas em diferentes contextos de cuidados de saúde. Há riscos envolvidos no uso de psicofármacos pelos idosos, especialmente se prolongado. O objetivo deste estudo foi avaliar possíveis causas de internação hospitalar em idosos que fazem uso de psicofármaco e também avaliar outros fatores associados ao uso de psicofármaco em idosos internados nas enfermarias clínicas e cirúrgicas de um hospital universitário terciário. MÉTODOS: Neste estudo transversal, foi selecionado por meio de amostra por conveniência, pacientes com idade ≥ 60 anos internados em enfermarias clínicas e cirúrgicas no Hospital das Clínicas de Botucatu. Os pacientes foram submetidos a um questionário contendo aspectos sociodemográficos, clínicos e farmacológicos, juntamente com a verificação de registros médicos eletrônicos buscando avaliar a prescrição de psicofármacos prévia e durante a internação, especialidade prescritora, registro de medicamentos de uso contínuo, registro de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, comorbidades e causa de hospitalização. Pacientes foram divididos em quatro grupos: pacientes clínicos que já tomavam ou não psicofármacos na admissão hospitalar e pacientes cirúrgicos que já tomavam ou não psicofármacos na admissão hospitalar. A análise multivariada (regressão logística) foi realizada considerando como variável dependente “usar ou não psicofármaco” e “ser ou não ser geriatra como prescritor antes da internação”. Para todas as análises, foi adotado o nível de significância de 0,05. RESULTADOS: 385 pacientes com média de idade de 74,7(±9,51) anos participaram do estudo. Em relação à amostra total, a média de medicamentos utilizados foi de 5,83, 60% apresentou polifarmácia e 55%, uso de medicamentos potencialmente inapropriados. Pacientes do grupo clínico que já usavam psicofármacos no momento da admissão hospitalar tomavam maior número de medicamentos do que os do grupo clínico que não usavam psicofármacos (p=0,002), além de utilizarem mais medicamentos potencialmente inapropriados (p<0,001). Entre os usuários de psicofármacos da amostra total, 56% tomavam antidepressivos, 39% benzodiazepínicos, 27% anticonvulsivantes e 14% neurolépticos. A análise multivariada mostrou que ser do sexo feminino nas Resumo 3 enfermarias cirúrgicas aumentou em 2,1 vezes a chance de tomar psicofármaco e o uso de medicamento potencialmente inapropriado aumentou em 5,03 vezes a chance do paciente tomar psicofármaco. Nas enfermarias clínicas, o uso de medicamento potencialmente inapropriado aumentou em 4,38 vezes a chance do paciente tomar psicofármaco. Ao avaliar as enfermarias clínicas e cirúrgicas juntas, o uso de medicamento potencialmente inapropriado aumentou em 4,53 vezes a chance do paciente tomar psicofármaco e cada aumento no número de medicamentos utilizados foi associado a 1,15 vezes mais chance do paciente tomar psicofármaco. Ao avaliar as especialidades médicas prescritoras previamente à internação, a análise multivariada mostrou que ser geriatra aumentou em 4 vezes a chance de não se prescrever um medicamento potencialmente inapropriado. Ao avaliar as enfermarias cirúrgicas, a análise multivariada mostrou que pacientes idosos que sofreram fraturas tiveram 2,2 vezes mais chance de se encontrar psicofármacos na sua prescrição e pacientes com neoplasias tiveram 2,6 vezes mais chance de se encontrar psicofármacos na sua prescrição. CONCLUSÕES: O presente estudo mostrou que o uso de psicofármacos por pacientes idosos não foi associado a diferentes causas de internação hospitalar. O uso de medicamentos potencialmente inapropriados e a polifarmácia aumentaram as chances de se tomar psicofármaco sendo achados comuns na admissão hospitalar de pacientes idosos independentemente do tipo de enfermaria avaliada. Ser acompanhado por um geriatra previamente à internação reduziu as chances de se encontrar prescrição de medicamento potencialmente inapropriado. Identificar durante a internação de um idoso a presença de polifarmácia, medicamentos potencialmente inapropriados e psicofármacos pode contribuir para prevenção quaternária, reduzindo desfechos desfavoráveis a partir da implementação de estratégias para o uso racional de medicamentos nesse grupo etário.
INTRODUCTION: Multiple comorbidities are associated with greater use of medication by the older person. Polypharmacy makes the older person more likely to develop adverse drug events in different health care settings. There are risks involved in the use of psychotropic drugs by the older person, especially if prolonged. The aim of this study was to evaluate possible causes of hospitalization in the older person who previously used psychotropic drugs and also to evaluate other factors associated with the use of psychotropic drugs in older person patients admitted to the clinical and surgical wards of a tertiary university hospital. METHODS: In this cross-sectional study, patients aged ≥ 60 years admitted to clinical and surgical wards at the Hospital das Clinicas de Botucatu were selected by sample for convenience. The patients were submitted to a questionnaire containing sociodemographic, clinical and pharmacological aspects, together with the verification of electronic medical records seeking to evaluate the prior prescription and during hospitalization of psychotropic drugs, prescribing specialty, registration of drugs for continuous use, registration of potentially inappropriate drugs the older person, comorbidities and cause of hospitalization. Patients were divided into four groups: clinical patients who already or did not use psychotropic drugs on hospital admission and surgical patients who already or not used psychotropic drugs on hospital admission. The multivariate analysis (logistic regression) was performed considering as a dependent variable “to use or not to use psychotropic drugs” and “to be or not to be a geriatrician as a prescriber before hospitalization”. For all analyzes, a significance level of 0.05 was adopted. RESULTS: 385 patients with a mean age of 74.7 (±9,51) years participated in the study. In relation to the total sample, the average of medications used was 5.83, 60% had polypharmacy and 55%, use of potentially inappropriate medications. Patients in the clinical group who were already using psychotropic drugs at the time of hospital admission were taking a larger number of medications than those in the clinical group who were not using psychotropic drugs (p = 0.002), in addition to using more potentially inappropriate medications (p <0.001). Among psychotropic drug users in the total sample, 56% were taking antidepressants, 39% benzodiazepines, 27% anticonvulsants and 14% neuroleptics. The multivariate analysis showed that Abstract 6 being female in the surgical wards increased the chance of taking psychotropic drugs by 2.1 times and the use of potentially inappropriate medication increased by 5.03 times the chance of the patient taking psychotropic drugs. In clinical wards, the use of potentially inappropriate medication increased the patient's chance of taking psychotropic drugs by 4.38 times. When evaluating the clinical and surgical wards together, the use of potentially inappropriate medication increased the patient's chance of taking psychotropic drugs by 4.53 times and each increase in the number of medications used was associated with 1.15 times more likely for the patient to take psychotropic drugs. When evaluating prescribing medical specialties prior to hospitalization, multivariate analysis showed that being a geriatrician increased the chance of not prescribing a potentially inappropriate medication by 4 times. When evaluating surgical wards, multivariate analysis showed that older patients who suffered fractures were 2.2 times more likely to find psychotropic drugs in their prescription and patients with cancer were 2.6 times more likely to encounter psychotropic drugs in their prescription. CONCLUSIONS: The present study showed that the use of psychotropic drugs by older patients was not associated with different causes of hospitalization. The use of potentially inappropriate medications and polypharmacy increased the chances of taking psychotropic drugs and were common findings in the hospital admission of older patients regardless of the type of ward evaluated. Being accompanied by a geriatrician prior to hospitalization reduced the chances of finding a potentially inappropriate medication prescription. Identifying the presence of polypharmacy, potentially inappropriate drugs and psychotropic drugs during hospitalization can contribute to quaternary prevention, reducing unfavorable outcomes from the implementation of strategies for the rational use of drugs in this age group.

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Palavras-chave

Psicotrópicos, Idosos, Pacientes internados, Polimedicação, Lista de medicamentos potencialmente inapropriados, Psychotropic drugs, Aged, Polypharmacy

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