UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Campus Araçatuba KAREN SANTOS MARÇO Efeitos da infecção por Leishmania infantum na morfologia e composição celular do timo de hamster (Mesocricetus auratus) Araçatuba 2020 KAREN SANTOS MARÇO Efeitos da infecção por Leishmania infantum na morfologia e composição celular do timo de hamster (Mesocricetus auratus) Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”- UNESP, como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre em Ciência Animal (Fisiopatologia Médica e Cirúrgica). Orientadora: Prof.ª Adjunta Gisele Fabrino Machado Araçatuba 2020 AGRADECIMENTOS Á Profa. Gisele Fabrino Machado, por aceitar ser minha orientadora, por sua forma acolhedora de orientar, sempre compreensiva, enxergando seus orientados como pessoas complexas e únicas. Á Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão de bolsa de estudo de pós-graduação em parte do mestrado. Á Prof. Marcia Dalastra Laurenti responsável pelo laboratório de patologia de moléstias infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, suas orientadas de Doutorado Gabriela e Carmen que contribuíram para projeto fornecendo não apenas as amostras utilizadas no projeto, mas contribuindo com seus conhecimentos práticos e teóricos para realização do projeto. Á Prof. Valéria Felix Marçal de Lima pela disponibilidade e entusiasmo em conversar sobre imunologia, e também aos seus orientados pelo compartilhamento da bancada e dos protocolos do laboratório. Á meus pais, Ivete Domingos dos Santos Março e Edson Roberto Março que sempre apoiaram minhas escolhas dando todo suporte que podiam para que eu pudesse realizar meus planos. Meu amigo e namorado Samuel Alves de Quadros, minha amiga e irmã Éllem Santos Março, amigas e primas Elaine Cristina Março e Maria Clara Março dos Santos, que foram minhas companhias e apoio emocional durante a trajetória do mestrado. Meu cachorro Jack que na sua inocência oferece amor e alegria a minha casa. Março, K.S. Efeitos da infecção por Leishmania infantum na morfologia do timo de hamster (Mesocricetus auratus). 2020. 80f. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, 2020. RESUMO O Timo é um órgão linfoide primário responsável pela maturação de linfócitos T que são importantes células efetoras da imunidade adaptativa. As células apresentadoras de antígeno conectam a imunidade inata a adaptativa e esta interação vai determinar o padrão de resposta imune a leishmaniose visceral resultando em doença sintomática quando um padrão de resposta é Th2 e uma resposta protetora com doenças assintomática quando o padrão é Th1. Outros tipos de respostas tais como a Th17 e Treg também são ativadas durante a doença. Está revisão tem como objetivo descrever os efeitos da leishmaniose visceral sobre o timo, um órgão linfoide primário que tem com função a maturação dos linfócitos T. Para isso foi realizada a análise e comparação de artigos científicos sobre as infecções Leishmania infantum (chagasi) no timo publicados nas bases de dados informatizadas PubMed, LILACS, SciELO, Google Scholar e no Portal de Periódicos da CAPES em língua inglesa no período de 1973 a 2020. Entre os estudos utilizados destacamos cinco que abortam a presença e/ou os efeitos da Leishmaniose Visceral sobre o timo em diferentes modelos experimentais e infecção natural em cães. Concluímos que L. infantum está presente no timo de animais infectados e leva a um aumento de peso e celularidade do órgão em contraste com a redução na porcentagem de CD4 + e linfócitos duplos negativos em camundongos BALB/c e inflamação e atrofia granulomatosa ou piogranulomatosa em cães. Palavras-chave: Leishmaniose visceral. Histopatologia. Imuno-histoquímica. Linfócitos. Hamster sírio. Março, K.S. Effects of Leishmania infantum infection on the morphology of the hamster thymus (Mesocricetus Auratus). 2020. 80f. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, 2020. ABSTRACT The thymus is a primary lymphoid organ responsible for the maturation of T lymphocytes. T lymphocytes are an important part of adaptive immunity. Antigen- presenting cells connect adaptive immunity and innate immunity, and this interaction will determine the pattern of immune response to visceral leishamaniasis leading to symptomatic disease when a pattern is Th2 and a protective response with asymptomatic presentation, when is Th1. Other responses, such as Th17 and Treg, also participate in the response to visceral leishmaniasis. This review aims to describe the effects of Visceral Leishmaniasis on the thymus, primary lymphoid organ that has the function of maturing T lymphocytes. Therefore, there is an analysis and comparison of scientific articles that demonstrate the presence of Leishmania infantum (chagasi) or the effects of Visceral Leishmaniasis on the thymus, published in the computerized databases PubMed, LILACS, SciELO, Google Scholar and CAPES in English from 1973 to 2020. We concluded that L. infantum is present in the thymus of infected animals and leads to an increase in weight and cellularity in contrast to a reduction in the percentage of CD4 + and double negative lymphocytes in BALB/c mice and inflammation and granulomatous or pyogenic granulomatous atrophy in dogs. Keywords: Visceral leishmaniasis. Histopathology. Immunohistochemistry. Lymphocytes. Syrian hamster. LISTA DE TABELAS Tabela 1- Lista de anticorpos, concentração, método de recuperação antigênica e cromógeno utilizados nas reações de imuno-histoquímica ...................................... 39 Tabela 2- Densidade parasitária em baço e fígado. .................................................. 41 Tabela 3- Histologia e morfometria do timo. .............................................................. 43 Tabela 4- Porcentagem de área marcada de células de origem mesenquimal, epitelial, macrófagos, linfócitos B e T no timo. ........................................................................ 50 LISTA DE FIGURAS CAPÍTULO 1 Figura 1- Localização anatômica do timo em hamster, cranial aos pulmões e ......... 16 Figura 2- Fotomicrografia da divisão histológica das regiões do timo. Bar= 100µm. 17 Figura 3-Vasos sanguíneos no timo de camundongo após injeção vascular com emulsão fotográfica. 200µm. ..................................................................................... 18 CAPÍTULO 2 Figura 1- Detecção imuno-histoquímica de amastigotas em baço, fígado e timo. Amastigotas (setas) foram detectadas por imuno-histoquímica ................................ 41 Figura 2- Deposição de tecido conjuntivo no timo e demonstração da avaliação da porcentagem de área de azul (colágeno maduro) no timo corado com tricrômico de Masson ...................................................................................................................... 44 Figura 3- Imunomarcação para vimentina. ................................................................ 45 Figura 4- Imunomarcação para citoqueratina. ........................................................... 46 Figura 5- Imunomarcação de macrófagos ................................................................. 47 Figura 6- Imunomarcação de linfócitos B CD79+ ...................................................... 48 Figura 7- Imunomarcação de linfócitos T CD3+. ....................................................... 49 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS APCs- Célula apresentadora de antígeno cTEC- Células epiteliais tímicas corticais DN- Duplo negativo DP- Duplo positivo L- Leishmania LV- Leishmaniose Visceral OMS- Organização Mundial da Saúde PBS- Tampão fosfato-salino PCR- Reação em cadeia da polimerase PS- receptor de fosfatidilserina MHC- Complexo principal de histocompatibilidade mTEC- Células epiteliais medulares RT- Transição reversa TEC- Células epiteliais tímicas SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO GERAL ..................................................................... 15 1.1 Características tímicas gerais ......................................................... 15 1.2 Estrutura histológica tímica ............................................................. 17 1.3 Funções das células do timo ......................................................... 19 1.3.1 Células epiteliais e mesenquimais ................................................................... 19 1.3.2 Células hematopoiéticas .................................................................................. 20 1.4 Microambiente tímico e desenvolvimento células T ........................ 21 1.5 Leishmaniose Visceral .................................................................... 23 1.5.1 Resposta Imune a Leishmniose Visceral ........................................................ 24 1.6 Modelo experimental ...................................................................... 25 1.7 Alterações no timo durante a leishmaniose visceral ....................... 25 1.8 Justificativa ..................................................................................... 28 1.9 Objetivos ........................................................................................ 28 2 CAPITULO 1- EFEITOS DA INFECÇÃO POR LEISHMANIA INFANTUM NA MORFOLOGIA E COMPOSIÇÃO CELULAR DO TIMO DE HAMSTER (MESOCRICETUS AURATUS) ............................................................ 29 2.1 Resumo .......................................................................................... 29 2.2 Abstract .......................................................................................... 31 2.3 Introdução ...................................................................................... 33 2.4 Materiais e Métodos ....................................................................... 35 2.4.1 Delineamento Experimental ............................................................................. 35 2.4.2 Animais ............................................................................................................. 35 2.4.3 Ética ................................................................................................................. 35 2.4.4 Colheita do Material.......................................................................................... 36 2.4.5 Comprovação da infecção ................................................................................ 36 2.4.6 Histologia e morfometria do timo ...................................................................... 36 2.4.7 Imuno-histoquímica .......................................................................................... 37 2.4.8 Avaliação da Imuno-histoquímica ..................................................................... 39 2.4.9 Análise estatística ............................................................................................ 40 2.5 Resultados ..................................................................................... 40 2.5.1 Detecção e densidade parasitária de L. infantum em baço, fígado e timo ....... 40 2.5.2 Histologia e morfometria do timo ...................................................................... 43 2.5.3 Imunomarcação de tipos celulares encontrados no timo.................................. 45 2.6 Discussão ....................................................................................... 51 2.7 Conclusão ...................................................................................... 56 2.8 Referências .................................................................................... 56 Apêndice A- Referências da Introdução Geral ...................................... 63 ANEXOS .............................................................................................. 75 15 1 INTRODUÇÃO GERAL A imunidade adaptativa é responsável pela flexibilidade e especificidade da resposta imune atuando a partir de respostas celulares e humorais, sendo os linfócitos T constituintes da resposta celular e o timo responsável pela geração dos linfócitos T maduros através da manutenção de um microambiente único de forma que nenhum outro tecido pode exercer sua função (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004). As respostas imunes, humoral e celular, estão envolvidas na resposta à leishmaniose visceral (LV) e vão determinar a apresentação da doença, em sintomática ou sintomática. 1.1 Características tímicas gerais O timo é um órgão linfoepitelial que atua como um órgão linfoide primário (ANDERSON; JENKINSON, 2001) e localiza-se no interior do tórax dos mamíferos na região cranial ao esterno (OWEN; JENKINSON, 1984). No hamster tem a forma de um corpo glandular achatado posicionado um pouco à direita do plano mediano (MICHEL, 2010) (Figura 1). Composto por dois lobos circundados por uma cápsula de tecido conectivo de onde se originam septos que penetram o parênquima formando vários lóbulos (DUIJVESTIJN; HOEFSMIT, 1981). Ao contrário dos mamíferos domésticos, o timo do hamster é pouco lobulado e achatado (MICHEL, 2010). Cada lóbulo tímico possui 3 regiões distintas, córtex, medula e região corticomedular. A região medular do timo é rodeada pelo córtex, e na transição entre estas se localiza a região corticomedular (DUIJVESTIJN; HOEFSMIT, 1981) (Figura 2). A composição celular do timo inclui células hematopoiéticas e não hematopoiéticas. Os componentes não hematopoiéticos constituem a estrutura do timo fornecendo a matriz para o desenvolvimento dos timócitos, podendo ser identificados pela expressão ou não de queratina. As células epiteliais tímicas possuem queratina no seu citoesqueleto, o que não é observado nas células mesenquimais. As células epiteliais do timo têm uma origem controversa, porém, a origem única a partir do revestimento endodérmico da terceira bolsa faríngea é atualmente a mais aceita, já as células mesenquimais, se originam da crista neural. Entre os componentes hematopoiéticos temos as células dendríticas, os macrófagos 16 e os linfócitos B (BLACKBURN et al., 2002; MÜLLER et al., 2005; NICOLAS et al., 1986; RODEWALD, 2008; YAMANO et al., 2015). O tecido primordial do timo surge entre o nono e o décimo dia de desenvolvimento embrionário e está associado ao primórdio da paratireoide (ACKERMAN; KNOUFF, 1965). O peso relativo do timo do hamster aumenta de forma acentuada até cerca de 15 dias de idade, atingindo seu maior peso juntamente com a maturidade sexual por volta de 42 dias. Esse peso se mantém praticamente o mesmo até os 60 dias, quando começa uma lenta e gradativa redução. Após 200 dias de idade é possível observar alterações relacionadas a involução tímica como aumento na deposição de gordura na cápsula e septos, no entanto até um ano de idade o hamster ainda tem um timo bastante grande (MICHEL, 2010). Embora a resposta imune T dependente diminua com a idade não se sabe se involução tímica decorrente dela é irreversível ou se é um processo dinâmico. Outros fatores, tais como, doenças, estresse e emagrecimento podem levar a involução ou atrofia aguda do timo, um processo possivelmente reversível (MOHR; DUNGWOTTH, 1992). Figura 1- Localização anatômica do timo em hamster, cranial aos pulmões e Coração (seta) . 17 Fonte: Arquivo do laboratório de patologia das moléstias infecciosas da Universidade de São Paulo. Figura 2- Fotomicrografia da divisão histológica das regiões do timo. Bar= 100µm. Fonte: Arquivo pessoa 1.2 Estrutura histológica tímica O timo é composto por uma rede tridimensional organizada (3D) de células epiteliais tímicas corticais e medulares (cTECs e mTECs, respectivamente). Entremeadas a estas células epiteliais estão dispersos linfócitos T, linfócitos B e populações de outras células distribuídas no córtex, medula e região cortimedular (PEARSE, 2006; VAN EWIJK, 2011). Histologicamente, o córtex é caracterizado por possuir uma alta densidade de timócitos, pequenos linfócitos imaturos, que dão a a esta região uma aparência basofílica mais escura. Entremeados a estas células, são encontrados macrófagos e, na região subcapsular, linfoblastos grandes e mitoticamente ativos. Os linfoblastos subcapsublares se dividem rapidamentemas tem uma vida curta. Morrem por apoptose e formam os corpos apoptóticos corticais, que são fagocitados por macrófagos resultando nos chamados "macrófagos corpo Córtex Medula Corticomedular 18 tingíveis". A medula é caracterizada pela baixa densidade de linfócitos T, a maioria maduros, com tamanho maior e com mais citoplasma que os linfócitos T corticais, o que explica a sua coloração basofílica mais clara. Suas células epiteliais são proeminentes e se juntam formando os corpúsculos de Hassal. Além de linfócitos T e células epiteliais são encontrados macrófagos, células dendríticas e linfócitos B na região medular. A zona corticomedular é caracterizada por conter vasos sanguíneos abundantes, linfócitos T maduros e imaturos, células dentríticas, linfócitos B e células plasmáticas (DUIJVESTIJN; HOEFSMIT, 1981; PEARSE, 2006). Os vasos sanguíneos chegam e saem do timo através do hilo localizado no septo principal. A artéria hilar bifurca no septo em dois ramos, cranial e caudal que se ramificam em arteríolas. As arteríolas são sustentadas pelos septos de tecido conjuntivo que penetram os lobos até a região corticomedular, formando os lóbulos, onde estes vasos se ramificam em capilares que irrigam o córtex e a medular. No córtex, os capilares formam arcos que retornam a região corticomedular onde desembocam em vênulas e estas nas veias (Figura 3) (RAVIOLA; KARNOVSKY, 1972; SAINTE-MARIE, 1974). Figura 3-Vasos sanguíneos no timo de camundongo após injeção vascular com emulsão fotográfica. 200µm. 19 Fonte: RAVIOLA; KARNOVSKY, 1972. Os vasos sanguíneos, juntamente com macrófagos e linfócitos formam uma barreira sangue-timo que controla a entrada de moléculas, principalmente na região cortical, através de junções endoteliais impermeáveis e macrófagos posicionados em uma fileira contínua ao longo dos capilares. Já na medular são encontradas vênulas pós-capilares permeáveis que deixam passar macromoléculas, e arteríolas com poucas junções endoteliais intercelulares, deixando os linfócitos medulares em contato com qualquer substancia veiculada no sangue. No entanto, as moléculas que alcançam a medular não chegam ao parênquima cortical (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004; RAVIOLA; KARNOVSKY, 1972). 1.3 Funções das células do timo No timo são encontradas células linfoides representadas pelos timócitos e células não linfoides tais como as células sistema mononuclear fagocitário, células epiteliais e mesenquimais que compõem o estoma tímico juntamente com linfócito B (MILICEVIC et al., 1987; MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004; RITTER; BOYD, 1993; RODEWALD, 2008; STUTMAN, 1977). 1.3.1 Células epiteliais e mesenquimais As células epiteliais tímicas (TECs) são divididas em duas populações denominadas células epiteliais corticais (cTECs) e células epiteliais medulares (mTECs) (RITTER; BOYD, 1993), porém, existem outras subpopulações celulares considerando-se morfologia e fenótipos diferentes. Por meio de imuno-histoquímica com anticorpos monoclonais para citoqueratinas foram identificados seis subtipos de células epiteliais tímicas (COLIC et al., 1989). Já em estudos ultraestruturais foram descritos sete subtipos de células epiteliais, quatro deles foram predominantemente situados no córtex e três estavam posicionados dentro da medula tímica. No córtex foram descritas as células epiteliais subcasulares paraseptais perivasculares (1), células epiteliais pálidas (2), células epiteliais intermediárias (3) e células epiteliais escuras (4). Na medula, células epiteliais indiferenciadas (5), células epiteliais grandes 20 medulares (6) e células epiteliais em formato de fuso (7) (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 1997). As TECs representam o principal componente celular do microambiente tímico (GUYDEN; PEZZANO, 2002), e são responsáveis pela formação de uma rede tridimensional esponjosa composta por extensões citoplasmáticas alongadas interconectadas por desmossomas, que facilitam a migração de timócitos em desenvolvimento, e melhoram as interações célula-célula entre linfócitos e componentes do estroma (VAN EWIJK, 1991; VAN EWIJK et al., 1988). As cTECs estão intimamente ligadas ao estroma, e estão relacionadas ao recrutamento das células pré-Ts da medula óssea e seu comprometimento em linfócito T, seus prolongamentos são perpendiculares a capsula permitindo a sustentação de timócitos que vão do córtex para medula, induzem a expressão do TCR e expressam MHC I e II o que permite a seleção positiva (DERBINSKI et al., 2016; MILIĆEVIĆ et al., 1992; NITTA et al., 2008). As mTECs se agrupam concentricamente formando os corpúsculos de Hassall, estruturas raras em roedores (KOHNEN; WEISS, 1964), que atuam na seleção negativa e indução de tolerância central e geração de linfócitos T regulatórios (BOEHM et al., 2003; NITTA et al., 2008). As células mesenquimais são representadas pelas células que compõem o tecido conjuntivo da capsula e septos, e as células endoteliais (RODEWALD, 2008). No timo embrionário as células mensenquimais regulam a proliferação do epitélio tímico fornecendo fatores de crescimento para células epiteliais tímicas imaturas (JENKINSON; JENKINSON; ANDERSON, 2003). Além disso as células mesenquimais não apenas suportam a diferenciação da estrutura epitelial tímica, mas podem ter um papel no desenvolvimento inicial de células T e na linfopoiese (SUNIARA; JENKINSON; OWEN, 2000). 1.3.2 Células hematopoiéticas Entre as células com origem hematopoéticas do timo estão descritas as células dendrídicas, os macrófagos, linfócito B (MILICEVIC et al., 1987; RODEWALD, 2008), e eosinófilos (THROSBY et al., 2000). 21 Os macrófagos são encontrados nas três regiões tímicas, no entanto, eles variam morfologicamente em cada área. No córtex, os macrófagos contêm linfócitos em vários estágios de degradação em seu interior, e são chamados de “macrófagos corpo tingíveis”. Na zona corticomedular, os macrófagos se caracterizam por conter numerosas inclusões vacuolares de diferentes tamanhos. E na medula são caracterizados como células interdigitantes. Atuam no reconhecimento e fagocitose de células apoptóticas, ativação da proliferação de timócitos maduros e seleção na negativa de linfócitos (MILICEVIC et al., 1987; MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004) No timo são descritas pelo menos duas populações de células dendríticas, as linfoides ou plasmocitoides e as mielóides (DONSKOY; GOLDSCHNEIDER, 2003). Não está claro a relação das células dendríticas com o desenvolvimento de células interdigitantes, porém, as células dendríticas linfoides ou plasmocitoides parecem serem capazes de se diferenciar em células interdigitantes (Bendriss-Vermare et al., 2001). A presença de células B no timo normal é descrita principalmente na região medular e corticomedular, em geral agrupadas em torno dos corpúsculos de Hassall, e de origem sanguínea. Estas células têm no timo um papel importante na apresentação de antígenos que permitem a seleção negativa (ISAACSON; NORTON; ADDIS, 1987; YAMANO et al., 2015). Os eosinófilos tímicos ainda não têm função esclarecida na fisiologia tímica, no entanto parecem atuar na modulação da seleção e diferenciação de células T. A quantidade de eosinófilos no timo apresenta variações, e atingem um pico aos 14 dias de gestação seguida por uma posterior redução e novo aumento que coincide com início da involução decorrente da idade em camundongos (THROSBY et al., 2000). 1.4 Microambiente tímico e desenvolvimento células T A maturação e desenvolvimento imunológico das células T envolve as etapas de diferenciação e proliferação, rearranjo genético do receptor de células T (TCR), e as seleções positiva e negativa (LIND et al., 2001; PEARSE, 2006). 22 Os timócitos passam por vários estágios sucessivos de maturação, e diferentes células não linfocitárias fornecem e mantem os nichos microambientais adequados em diferentes regiões do timo para que cada estágio de maturação ocorra (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004). Contudo, a manutenção destes microambientes depende da presença dos linfócitos em diferenciação, caracterizando uma interação bidirecional (RITTER; BOYD, 1993; ZHANG; SUN; ZHAO, 2007). As células pré-T são originadas no saco vitelino, fígado fetal, e na medula óssea, e migram para o timo onde são chamados de timócitos (STUTMAN, 1977). A população de timócitos pode ser dividida em três subpopulações: duplo-negativas, duplo-positivas e simples positivas, de acordo com o estágio de diferenciação em que expressam CD4 e CD8. Essa divisão reflete os eventos fisiológicos e as interações célula-célula que ocorrem no timo de acordo com características morfológicas, fenotípicas, e distribuição dos timócitos dentro do tecido do timo (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004). O estágio I é representado pelos timócitos imaturos que não expressam TCR ou as moléculas acessórias CD4 e CD8, devido a isto, são denominadas timócitos duplo-negativos (DN) e representam 5% do total de timócitos (SAVINO et al., 2007). Estes podem ser classificadas em quatro subestágios de diferenciação denominados DN-1, 2, 3 e 4 (LIND et al., 2001). As células pré-Ts chegam no timo na região corticomedular, estas são consideradas em estágio DN1 e tem potencial multilinhagem, incluindo linfócitos T e B, e células dendríticas. Durante a migração através do córtex as células DN1 tornam-se DN2, e se acumulam na região subcapsular. Estas têm potencial de originar linhagens T e células dendríticas e se diferenciam em DN3. As DNA3 já estão absolutamente comprometidas com a linhagem T, mas ainda podem dar origem as células α/β ou γ/δ, geralmente encontradas no terço externo do córtex (PETRI; SCOLLAY; SHORTMAN, 1992; WU; LI; SHORTMAN, 1996). As DN4 representam uma população préT-duplo positivas (TOURIGNY et al., 1997). As duplo positivas (DP) representam o segundo estágio de diferenciação e são uma população que expressa CD4 e CD8 e representam 80% de toda a população tímica (SAVINO et al., 2007). No próximo nível de maturação as DP se diferenciam em CD8+ ou CD4+ positivos únicos o terceiro estágio de diferenciação. Nesta fase ocorre o desenvolvimento do TCR e este permite a diferenciação para o estágio III de 23 diferenciação, simples positivo (CAMPBELL; HASHIMOTO, 1993), que é dependente do envolvimento bem-sucedido do TCR no DP com moléculas de classe do complexo principal de histocompatibilidade (MHC). Neste ponto, a interação com MHC I leva à diferenciação em precursores de células T citotóxicas/supressoras CD8+, enquanto que o envolvimento com MHC II leva à diferenciação em precursores de células T auxiliares CD4+ (DE WAAL et al., 1997; KISIELOW et al., 1988). Após se tornarem simples positivas, as células T passam pela seleção negativa que consiste na eliminação por apoptose de células que reagem a autoantígenos (KAPPLER; ROEHM; MARRACK, 1987). Após uma meticulosa seleção as células que cumprem os rigorosos critérios funcionais são liberadas do timo para compor o pool de linfócitos periféricos (MILIĆEVIĆ; MILIĆEVIĆ, 2004). 1.5 Leishmaniose Visceral As leishmanioses são um grupo de doenças infecciosas parasitárias com significativa diversidade clínica e epidemiológica causada por várias espécies diferentes do protozoário Leishmania (BANETH et al., 2008). A LV é causada pelo protozoário Leishmania donovani em seres humanos e L. infantum (chagasi) em humanos e cães (MULLA; OSMAN HUSSIEN; MOHAMED ELHUSSEIN, 2016). É transmitida principalmente durante o repasto sanguíneo de flebotomíneos fêmeas, na forma de promastigotas metacíclicas flageladas, que são fagocitadas por macrófagos onde se diferenciam em amastigotas não flageladas. Tem como principal vetor no continente americano o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis (BANETH et al., 2008; STANLEY; ENGWERDA, 2007). A OMS estima que o risco de transmissão de Leishmania sp atinja mais de 350 milhões de pessoas, sendo que a LV foi considera endêmica em 78 países e territórios (WHO | EPIDEMIOLOGICAL SITUATION, 2020). No período de 2011 até 2018 houve uma tendência decrescente no número de casos notificados, com menos de 20.000 casos anuais. Esta redução se deve ao programa de eliminação de LV na região do Sudeste Asiático, a única região em que a prevalência da doença tem diminuído de forma acentuada e continua. Contudo, a leishmaniose continua a se espalhar, com quatro novos países sendo adicionados como endêmicos de 2017 a 2018. O Brasil 24 está entre os cinco países que reportaram mais de 1000 casos em 2018 representando 83% dos casos globais (OPS, 2017). (PLAN DE ACCIÓN PARA FORTALECER LA VIGILANCIA Y CONTROL DE LAS LEISHMANIASIS EN LAS AMÉRICAS 2017-2022 - OPS/OMS | ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD, [s.d.]). 1.5.1 Resposta Imune a Leishmniose Visceral A evolução clínica da LV depende da resposta imune desenvolvida. Em geral as célula alvo do parasita são os macrófagos que devido sua atividade antiparasitária inibida, servem como local de replicação (BANETH et al., 2008; BARBIÉRI, 2006; NYLÉN; GAUTAM, 2010). Resumidamente, a susceptibilidade à leishmaniose decorre da capacidade do protozoário de modular a resposta imune através de um desequilíbrio entre as respostas Th1 e Th2. Provocando uma resposta imune predominante humoral, com perfil de citocinas Th2 como a IL-4, IL-10 e TGF-β, que são ineficientes no controle da multiplicação do protozoário. A resposta Th2 está relacionada à ocorrência de lesões sistêmicas, com proliferação de linfócitos B, plasmocitose, hipergamaglobulinemia e formação de imunocomplexos. A apresentação assintomática é caracterizada por uma resposta predominante Th1, com a produção de citocinas como INF-, TNF-α, IL-2 e IL-12, e proliferação de linfócitos T CD4+ e CD8+ (BARBIÉRI, 2006; NYLÉN; GAUTAM, 2010; PERUHYPE-MAGALHAES et al., 2005). Os linfócitos T-reguladores participam da susceptibilidade à LV através da supressão da resposta Th1 pela IL-10 (ANDERSON; MENDEZ; SACKS, 2005). O papel da resposta Th17 ainda permanece controverso, estando relacionada a lesões mais graves em estudo L. major (ANDERSON et al., 2009) e com redução da carga parasitária em estudo com L. infantum (QUIRINO et al., 2016). A ativação dos diferentes subgrupos de respostas na LV depende da interação de células apresentadoras de antígenos (APCs), macrófagos e células dendríticas, com a TCD4+ modulando a secreção de citocinas (LEÓN; LÓPEZ-BRAVO; ARDAVÍN, 2007). Para se manter a Leishmania precisa evitar a ativação de macrófagos e o reconhecimento de antígenos pelas células T utilizando-se de vários mecanismos, tais como entrada silenciosa nos macrófagos utilizando receptores não desencadeantes que levam a fagocitose não inflamatória utilizado para fagocitose de células apoptóticas, como CR1 e o receptor de fosfatidilserina, a inibição da função do 25 macrófago e regulação negativa de co-receptores como B7 e do MHC de classe II, e promovendo a produção de citocinas regulatórias como IL-10 e TGFβ (GOTO; LINDOSO, 2004; KIMA, 2007; ROSENTHAL et al., 1996; UENO et al., 2009; WANDERLEY et al., 2006). 1.6 Modelo experimental O hamster é considerado um importante modelo experimental na LV devido à sua suscetibilidade à infecção por diferentes cepas de Leishmania (REQUENA et al., 2000), desenvolvendo sinais clínicos e alterações patológicas semelhantes às observadas nas doenças humanas e caninas (MOREIRA et al., 2012). A infecção experimental e a progressão da doença no hamster podem ser conduzidas a partir de um inóculo próximo ao que ocorre durante a infecção natural (REQUENA et al., 2000; WARBURG; SCHLEIN, 1986), e após a infecção sistêmica desenvolvem uma carga parasitária visceral progressiva, esplenomegalia, disfunção da medula óssea, caquexia e morte (MELBY et al., 2001). Apesar de muito utilizados em estudos experimentais da LV, os camundongos podem não reproduzir as características da LV humana ativa, o que vai depender da linhagem do camundongo, via de inoculação e carga da infecção experimental. Além disso, mesmo os camundongos BALB/c que possuem supressão do gene Slc11a1 que permite o aumento inicial da carga parasitária no fígado, posteriormente desenvolvem mecanismos imunes adquiridos que controlam a carga parasitária em baço (KAYE et al., 2004; NIETO et al., 2011; PACIELLO et al., 2010). Levando em consideração esses fatores, o hamster sírio foi considerado um bom modelo experimental para o estudo das características patológicas da LV ativa (NIETO et al., 2011). 1.7 Alterações no timo durante a leishmaniose visceral 26 O timo é afetado por diversos agentes infecciosos, tais como bactérias, vírus, fungos e helmintos (SAVINO, 2006). Entre os protozoários descritos afetando o timo temos a L. infantum (chagasi), L. donovani, L. tropica, Trypanosoma cruzi, Plasmodium chabaudi chabaudi (COSTA et al., 2003; CUERVO-ESCOBAR et al., 2014; GONZÁLEZ et al., 2016; SCHNUR; ZUCKERMAN; MONTILIO, 1973). A presença de amastigotas de L. infantum foi descrita no timo de cão, camundongo e hamster (CUERVO-ESCOBAR et al., 2014; GONZÁLEZ et al., 2016; LOSADA- BARRAGÁN et al., 2017; SCHNUR; ZUCKERMAN; MONTILIO, 1973). No estudo em cães naturalmente infectados com L. infantum foram colhidos 16 timos. Além da avaliação histológica, foram submetidos à imuno-histoquímica para pesquisa do parasito e detecção de laminina e fibronectina. Também foi feita pesquisa do DNA do parasito com hibridização in situ e reação em cadeia da polimerase (PCR). Na imuno-histoquímica foram detectadas amastigotas em 8 timos, enquanto que, no PCR foi encontrado DNA de L. infantum em 14 timos. Nos timos onde não foi detectado DNA por PCR, este foi detectado por hibridização in situ. NO exame histopatologico os autores relataram a ocorrência de timite granulomatosa ou piogranulomatosa com maior deposição de fibronectina em cães com mais sinais clínicos (SILVA et al., 2020). Três estudos utilizaram camundongos BALB/c divididos em quatro grupos. O 1º grupo foi não infectado e foi mantido bem nutrido em proteínas, o 2º foi infectado e mantido bem nutrido em proteínas, o 3º grupo não infectado mantido malnutrido em proteínas e o 4º grupo foi infectado e mantido malnutrido em proteínas. Nestes estudos foram avaliados parâmetros como peso, histologia e morfometria tímicas. A presença de amastigotas no timo foi investigada com imuno-histoquímica e imunoflorecencia, e as populações celulares foram avaliadas por meio de citometria de fluxo. Os estudos incluíram também a expressão genica de citocinas e quimiocinas por RTqPCR, e detecção de citocinas e quimiocinas pela técnica de luminex e teste ELISA . Como resultado, os autores observaram que no grupo infectado e bem nutrido houve aumento de peso e celularidade do timo, em contraste a uma redução na porcentagem de timócitos duplo positivos e linfócitos TCD4+. Além disso a expressão de citocinas e quimocinas, e a quantidade de proteínas no timo também foram https://www.sciencedirect.com/topics/immunology-and-microbiology/plasmodium-chabaudi 27 alteradas pela LV(CUERVO-ESCOBAR et al., 2014; LOSADA-BARRAGÁN et al., 2017, 2019). No estudo realizado em hamsters foram utilizados 5 grupos infectados de sete animais eutanasiados nos dias 7, 15, 30, 45 e 60 após a infecção. Foram realizadas avaliações histopatológicas do timo com colorações de hematoxilina-eosina, Giemsa, coloração prata de Wilder e solução de verde de metila pironina para identificar plasmócitos. Neste estudo não foram encontradas amastigotas no timo e nem atrofia tímica até os 60 dias após infecção (CORBETT et al., 1992). 28 1.8 Justificativa O desenvolvimento de doença clínica progressiva na LV depende da resposta imune desenvolvida pelo hospedeiro. Esta resposta é órgão específica, estando as respostas do Th1, Th2, Th17 e Treg envolvidas na LV. O timo é um órgão linfoide primário responsável pelo desenvolvimento dos linfócitos T, o que torna importante o estudo do timo durante a LV progressiva para se compreender o papel do timo da doença sistêmica. Além disto, a escassa literatura existente sobre alterações tímicas durante há LV, reforçam a importância deste estudo. 1.9 Objetivos Pesquisar a presença de amastigotas de L. infantum no timo e identificar possíveis alterações na morfologia do órgão. Também será estudado a presença e na e distribuição das células hematopoiéticas e estromais no timo de hamsters (Mesocricetus auratus) em diferentes momentos após a inoculação de L. infantum. 29 2 CAPITULO 1- EFEITOS DA INFECÇÃO POR LEISHMANIA INFANTUM NA MORFOLOGIA E COMPOSIÇÃO CELULAR DO TIMO DE HAMSTER (MESOCRICETUS AURATUS) Março, K.S. Effects of Leishmania infantum infection on the morphology of the hamster thymus (Mesocricetus Auratus). 2020. 80f. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, 2020. 2.1 Resumo A leishmaniose visceral é uma zoonose com significativa diversidade clínica e epidemiológica, causada por várias espécies diferentes do protozoário Leishmania. A maioria das pessoas e cães expostos à leishmaniose não desenvolve doença clínica, o que decorre do padrão de resposta imune desenvolvida pelo hospedeiro, sendo que os mecanismos que direcionam a resposta imune e resultam em suceptibilidade ou resistência a doença ainda não foram completamente elucidados. O fato de o timo ser um órgão linfoide importante no desenvolvimento de células T, que são responsáveis por orientar as respostas imunes dos tipos Th1, Th2, Th17 e Treg envolvidas na resposta à infecção pela Leishmania, faz com que o estudo de parâmetros morfológicos, composição celular e parasitológico no timo, durante o curso da infecção, sejam importantes. Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar características morfológicas e a distribuição tecidual das células hematopoiéticas e estromais no timo de hamsters infectados experimentalmente. Para isso foram utilizados 15 hamsters infectados experimentalmente com 107 promastigotas de Leishmania infantum (MHOM/BR/1972/BH46) por via intraperitonel e divididos em três grupos com cinco hamsters, que foram eutanasiados em diferentes tempos pós-infecção, aos 15 (I-15), 60 (I-60) e 120 (I-120) dias. O grupo controle foi constituído por seis hamsters, eutanasiados nos tempos I-15 e I-120. Utilizando técnicas histopatológicas e imuno-histoquímica avaliamos a presença de atrofia, inflamação, alteração morfológica e a distribuição dos tipos celulares do timo. 30 Notamos que após 15 dias de infecção ocorreu um aumento de linfócitos T CD3+ no timo que se normalizou com tempo aos valores de parâmetros normais, e que aos 120 dias de infecção, ocorreu uma redução de linfócitos B CD79a+. Além disso amastigotas intactas de Leishmania estavam presentes em 9/15 hamsters confinada nas regiões medular e corticomedular do timo. Estes achados confirmam que a presença do parasito causa alterações na população celular do timo. Mais estudos são necessários para avaliar o reflexo destas alterações na resposta imune dos animais infectados. Palavras-chave: Leishmaniose visceral. Histopatologia. Imuno-histoquímica. Linfócitos. 31 Março, K.S. Efeitos da infecção por Leishmania infantum na morfologia do timo de hamster (Mesocricetus auratus). 2020. 80 f. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, 2020. 2.2 Abstract Visceral leishmaniasis is a zoonosis that presents variable clinical and epidemiological aspects, being caused by several species of the Leishmania protozoan. Most people and dogs exposed to leishmaniasis do not have clinical disease, which results from the pattern of immune responses developed by the host. However, the mechanisms that direct immune responses and result in susceptibility or resistance to the disease have not yet been fully elucidated. The fact that the thymus is an important lymphoid organ in the development of T cells, responsible for guiding the Th1, Th2, Th17 and Treg immune responses involved in the response to Leishmania infection, makes it important to study the morphological, cellular and parasitological composition in the thymus during the course of the infection. Thus, the present study aimed to evaluate the morphological characteristics and tissue distribution of hematopoietic and stromal cells in the thymus of experimentally infected hamsters. For this, 15 hamsters were experimentally infected with 107 promastigotes of Leishmania infantum (MHOM/BR/1972/BH46) intraperitoneally and divided into three groups with five hamsters, which were sacrificed at different times pos-infection in 15 (I-15), 60 (I-60) and 120 (I-120) days. The control group consisted of six hamsters, sacrificed at times I-15 and I-120. Using histopathological and immunohistochemical techniques, we evaluated the presence of atrophy, inflammation, morphological changes and the distribution of thymus cell types. We observed that after 15 days of infection there was an increase in CD3 T lymphocytes in the thymus, which tends to normalize with normal values, according to age, and that at 120 days of infection there is a reduction of CD79a B lymphocytes. These findings confirm that the presence of the parasite causes changes in the thymus cell population. Further studies are evaluated to assess the reflex changes in the immune response of infected animals. 32 Keywords: Visceral leishmaniasis. Histopathology. Immunohistochemistry. Lymphocyte. 33 PlosOne Anexo C 2.3 Introdução A leishmaniose visceral (LV) é uma enfermidade infecciosa parasitária de caráter crônico e sistêmico com apresentação clínica e epidemiológica variável [1,2]. Segundo a organização mundial da saúde 350 milhões de pessoas estão sobre o risco de transmissão de leishmaniose no mundo [3]. Em 2018, 200 países e territórios notificaram casos à OMS, 39% (78) deles foram considerados endêmicos, estando 12 (15%) destes localizados nas Américas. Desde 2011 o número de casos notificados vem reduzindo, mas apesar disso, a leishmaniose continua a se espalhar e quatro novos países foram adicionados como endêmicos no período de 2017 a 2018 [4]. A evolução clínica da LV depende da resposta imune desenvolvida [2]. Resumidamente, a susceptibilidade a LV decorre da capacidade do protozoário de modular a resposta imune, através de um desequilíbrio entre as respostas Th1 e Th2, provocando uma resposta imune predominante humoral, com perfil de citocinas Th2 ineficientes no controle da multiplicação do protozoário e relacionadas à ocorrência de lesões sistêmicas. Já hospedeiros assintomáticos tem uma resposta predominante Th1 com proliferação de linfócitos T CD4+ e CD8+ [5]. Outros estudos também descrevem a participação de linfócitos T reguladores (Treg) e da resposta Th17 na leishmaniose. As células Treg estão envolvidas na produção de IL-10 e supressão da resposta Th1, contribuindo para o desenvolvimento da doença progressiva [6]. O papel da resposta Th17 durante a leishmaniose até o momento é confuso, e a influência da presença de interleucina IL-17 e consequentemente dos neutrófilos durante a infecção é dependente do tecido e espécies dos parasitas [7-9]. O timo é um órgão linfo-epitelial responsável por promover a maturação e desenvolvimento imunológico dos linfócitos T, que após a diferenciação dentro do timo expressam um amplo repertório de receptores TCR, capazes de reconhecer virtualmente qualquer antígeno estranho [10]. Os linfócitos T CD4+ que deixam o timo são constituintes de vários subgrupos de respostas imunes, sendo os subgrupos Th1, Th2, Th17 e Treg os mais descritos [11]. Para que a maturação e desenvolvimento imunológico dos linfócitos T ocorram é necessária uma interação bidirecional entre o microambiente tímico, composto por 34 células epiteliais, células dendríticas, macrófagos e a matriz extracelular com os linfócitos em diferenciação [12,13]. Os componentes não hematopoiéticos do timo podem ser classificados conforme a expressão de citoqueratinas, onde células epiteliais tímicas são queratina positivas e as mesenquimais que compõe vasos sanguíneos, septos e capsula não expressam esta proteína [14]. As células mesenquimais tímicas podem ser identificadas pela expressão positiva de vimentina [15]. Histologicamente o timo pode ser dividido em três regiões, córtex, medula e região cortimedular. O córtex é caracterizado por possuir uma alta densidade de timócitos, células epiteliais e macrófagos entremeados. A medula é caracterizada pela baixa densidade de linfócitos T maduros e células epiteliais proeminentes, macrófagos, células dendríticas e linfócitos B. A transição entre o córtex e a medula forma a zona corticomedular, caracterizada por conter vasos sanguíneos abundantes, linfócitos T maduros e imaturos, células dentríticas, linfócitos B e células plasmáticas[16,17]. Além desses os eosinófilos também são descritos como residentes no timo [18]. A presença de amastigotas de Leishmania infantum foram relatadas no timo em estudos com camundongos BALB/C [19] e em cães [20], e também em cultura de amostras de tecido de hamsters [21]. Na infecção pela L. infantum foi observada atrofia do timo e timite granulomatosa ou piogranulomasosa em cães, e aumento de celularidade e do peso do timo em contraste com redução da porcentagem de linfócitos TCD4+/CD8+ e TCD4+ em camundongos [19,20,22]. Neste estudo, usamos o hamster como modelo para avaliar o efeito da infecção por L. infantum na morfologia do órgão e na sua composição celular. Utilizando imuno- histoquímica demonstramos que a L. infantum está presente no timo dos animais infectados. A presença do parasito e/ou os efeitos sistêmicos da doença inicialmente resultam em aumento do número total de linfócitos T CD3+, e em uma fase mais tardia, ocorre redução do número total de linfócitos B CD79a+. No entanto, a infecção não afeta a involução fisiológica do timo, e a distribuição e número de células epiteliais, mesenquimais e macrófagos. 35 2.4 Materiais e Métodos 2.4.1 Delineamento Experimental Quinze hamsters inoculados por via intraperitoneal com 107 promastigotas de Leishmania infantum (MHOM/BR/1972/BH46), em fase estacionária de crescimento mantidas por no máximo quatro passagens em meio de cultura Schneider suplementado 10% com soro fetal bovino, foram divididos aleatoriamente em 3 grupos com cinco animais, que foram eutanasiados em diferentes tempos pós-infecção, 15 (I-15), 60 (I-60) e 120 (I-120) dias. O grupo controle foi constituído por seis animais que foram eutanasiados nos tempos I-15 (n=3) e I-120 (n=3) (Fig S1). 2.4.2 Animais Foram utilizados hamsters sírios (Mesocricetus auratus), machos entre seis e oito semanas de idade com peso corporal entre 50 a 80g, originados do Biotério Central da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde foram mantidos em gaiolas com temperatura constante, e ciclo de luz e escuro de 12 horas, ração comercial e água à vontade até o momento da eutanásia. Os animais foram inoculados e mantidos no Biotério de Experimentação Animal do Instituto de Medicina Tropical até o momento em que foram eutanasiados para colheita das amostras. O processamento histológico e imunohistoquímico foi realizado no LApap (Laboratório de Patologia Aplicada) na FMVA-Araçatuba-UNESP. 2.4.3 Ética Todos os procedimentos e métodos utilizados no estudo foram submetidos à avaliação das Comissões de Ética no Uso de Animais – CEUA da FOA, UNESP, Araçatuba/SP, nº00620-2019, e USP-São Paulo/SP, nº172/14 36 2.4.4 Colheita do Material A eutanásia foi realizada com dose letal de tiopental sódico (120 mg/kg) seguida pela realização de necropsia para colheita do timo, baço e fígado. O timo foi então separado em dois lobos, um lobo foi juntamente com fragmentos de baço e fígado, fixados em formalina 10% e processados rotineiramente para inclusão em parafina e o outro foi armazenado por 24 horas a temperatura de 4ºC e posteriormente estocado a -80ºC para utilização em outros experimentos. 2.4.5 Comprovação da infecção Para comprovar a infecção sistêmica foi realizada imuno-histoquímica para detecção de amastigotas em fígado e baço segundo Tafuri et al. [23]. Utilizando como anticorpo primário soro hiperimune heterólogo de camundongo cronicamente infectado com Leishmania (V.) shawi (MHOM/BR/1996/m15789) (gentilmente cedido pela Professora Marcia Dalastra Laurenti) na concentração de 1:1000 em PBS com BSA 1%, incubado por duas horas em estufa a 37ºC. O sistema estreptavidina-biotina com incubações de 45 min a 37ºC (Kit Link-DAKO, LSAB2, Catálogo nº KO675-1; Carpinteria, Califórnia, EUA) foi utilizado como anticorpo secundário. 2.4.6 Histologia e morfometria do timo Cortes histológicos com 5µm foram corados com hematoxilina e eosina ou tricrômico de Masson, e avaliados em microscopia de luz para avaliação de parâmetros morfológicos. A atrofia foi avaliada subjetivamente e classificadas em linha gerais segundo van Baarlen [24]. O grau 0 foi definido pelo a distinção clara da demarcação corticomedular e alta densidade de linfócitos no córtex, com lóbulos compactados e separados apenas por delicados septos de tecido conjuntivo e presença discreta de linfofagocitose no córtex. O grau 1 foi definido como idêntico ao grau 0, exceto pela presença de moderada linfofagocitose no córtex. O grau 2 foi definido por uma 37 linfofagocitose acentuada no córtex, com aparecimento de sinais de redução do córtex e septos de tecido conjuntivo mais espessados. Em outros aspectos, o quadro histológico foi semelhante ao de grau 0 ou 1. O grau 3 foi definido por uma perda de distinção entre o córtex e a medular em baixa ampliação, linfofagocitose acentuada, estreitamento irregular do córtex e separação crescente dos lóbulos tímicos. O grau 4 foi definido por uma linfodepleção acentuada do córtex, inversão histológica, perda frequente da demarcação corticomedular, proeminência do interstício e dos vasos sanguíneos, encolhimento e separação acentuada dos lóbulos tímicos. A inflamação foi avaliada por dois examinadores de forma subjetiva com base na experiência do histopatologista. Foi avaliada a presença de alterações como inflamação granulomatosa ou piogranulomatosa, e presença de células inflamatórias nas trabéculas de tecido conjuntivo, que foram descritas previamente em cães com LV [20]. A avaliação morfométrica foi realizada segundo o protocolo descrito por Bozzetta et al. [25], com algumas modificações. Para tal, as secções do timo coradas com HE, em ampliação 100x, foram medidas em imagens capturadas com microscópio Olympus BX 50 acoplado a Câmera e computador e avaliadas com software cellSens (Olympus Life Science). A espessura do córtex e da medula foi mensurada em 10 lóbulos compostos por um córtex externo e medula interna e cercados por tecido conjuntivo, selecionados aleatoriamente, para o cálculo da razão córtex:medula (Fig S2). Com a aplicação da coloração de tricrômico de Masson a porcentagem de área de tecido conjuntivo foi avaliada no software ImageJ em 10 imagens capturadas com ampliação 400x (Dispositivo de imagem digital Olympus BX 50 acoplado a Câmera e computador). 2.4.7 Imuno-histoquímica Foi realizada reação imuno-histoquímica em cortes histológicos do timo dos hamsters para detecção de linfócitos T e B, células de origem mesenquimal, células 38 de origem epitelial e macrófagos utilizando os anticorpos primários conforme Tabela 1. A imuno-histoquímica para detecção de amastigotas de Leishmania spp foi realizada segundo Tafuri et al. [23]. Para tanto foi utilizado soro hiperimune heterólogo de camundongo cronicamente infectado com Leishmania (V.) shawi (MHOM/BR/1996/m15789) como anticorpo primário (gentilmente cedido pela Professora Marcia Dalastra Laurenti). Os anticorpos primários foram utilizados segundo recomendação do fabricante ou diluídos em tampão de PBS contendo soro fetal bovino 1%. A diluição padronizada para uso dos anticorpos primários e a recuperação antigênica estão descritos na tabela 1. Para o controle negativo das reações foi adicionado o diluente sem anticorpo primário (Fig S3). Como controle positivo das reações, os anticorpos foram testados em tecido humano (tonsila). Após a recuperação antigênica, as secções histológicas foram lavadas com uma solução de PBS pH 7,4, e em seguida tratadas por 30 min com peróxido de hidrogênio a 3% diluído em metanol 50% em água, para bloquear a atividade endógena da peroxidase. Após lavadas 3 vezes com PBS pH7,4, as sessões foram incubados por 30 min em temperatura ambiente com um tampão de bloqueio contendo 3% de leite em pó desnatado (Molico®) em PBS pH7,4, para bloquear sítios de ligação inespecíficos. Todos os anticorpos primários foram incubados ”overnight” por 12 a 14 horas a 4°C em câmera úmida. Com exceção do soro hiperimune de camundongo, que foi incubado por duas horas em estufa a 37ºC. Após três lavagens com PBS pH7,4, os cortes foram incubados com anticorpo secundário conjugado com peroxidase (EnVisionTM FLEX - HRP) por 40 min a temperatura ambiente. Para o soro hiperimune anti-leishmania foi utilizado o sistema estreptavidina-biotina com incubações de 45 min a 37ºC (Kit Link-DAKO, LSAB2, Catálogo nº KO675-1; Carpinteria, Califórnia, EUA). Após três lavagens com PBS pH 7,4 foi realizada a incubação com cromógeno (Tabela 1), lavagem em água corrente e contracoloração com hematoxilina. Em seguida os cortes foram desidratados, diafanizados e montados com resina transparente (Entelan®) e lamínulas de vidro. 39 Tabela 1- Lista de anticorpos, concentração, método de recuperação antigênica e cromógeno utilizados nas reações de imuno-histoquímica Célula/ Parasita Anticorpo Concentração Recuperação antigênica Substrato Cromógeno Referência Linfócitos T CD3+ Anti-CD3 anti- humano (DAKO) Pré-diluído Citrato pH6 3,3’- diaminobezidine (DAKO) [26,27] Linfócitos B Anti-CD79a anti-humano Clone 11E3 (NovocastraTM) 1:100 Citrato pH6 ImmPACT™VIP- VECTOR) Linhagem macrofágica MAC-387 rato, coelho, bovino, cão, suíno e macaco (Abcam®) 1:300 Citrato pH6 ImmPACT™VIP- VECTOR) [27,28] Origem epitelial Anti- citoqueratina Anti-humano Clone AE1/AE3 (Dako) Pré-diluído Tris Hcl pH 9 (EnVisionTM FLEX, High pH - Dako®) 3,3’- diaminobezidine (DAKO) [29] Origem mesenquimal Monoclonal Anti-Vimentin Clone V9 (Dako) Pré-diluído Tris Hcl pH 9 (EnVisionTM FLEX, High pH - Dako®) 3,3’- diaminobezidine (DAKO) [30] Leishmania spp Soro hiperimune Camundongo* 1: 1000 Citrato pH6 ImmPACT™VIP- VECTOR) [23] * Cedido pela Professora Marcia Dalastra Laurenti Para controle da especificidade do anticorpo anti-CD79a clone 11e3 para detectar linfócitos B em tecido de hamster, foi padronizada a reação em tecido de tonsila humana e baço de hamster. Observamos um padrão morfológico da marcação de folículos (Fig S3), e a localização morfológica das células marcada estava de acordo descrito por estudos em timo [16]. 2.4.8 Avaliação da Imuno-histoquímica A imunomarcação para os diferentes anticorpos foi avaliada com auxílio de um sistema de análise de imagem computadorizada (Olympus BX 50 acoplado a Câmera e computador). Após calibrado o sistema, realizou-se a captura de imagens, em objetiva de 40x resultando em uma ampliação final de 400x. Foram avaliadas 10 áreas distintas por corte histológico, cada uma medindo 89.432 µm². O software Image J 1,52a foi utilizado para avaliar a percentagem média das áreas imunomarcadas de 40 todos os anticorpos e para contagem de parasitos imunomarcados em baço e fígado, que foi realizada por contagem manual de parasitos/área em µm2, tendo como resultado densidade parasitária em amastigotas/µm2. Esta avaliação permitiu a comprovação da infecção e progressão da doença (Fig S4). 2.4.9 Análise estatística O teste de Shapiro-Wilk foi usado para avaliar a normalidade dos dados. As diferenças entre os grupos foram determinadas pelo teste de Kruskal-Walis e Dunn, para dados não paramétricos e ANOVA e Tukey para dados paramétricos. Valores de P <0,05 foram considerados estatisticamente significativos. Todas as análises estatísticas foram realizadas com o software Prism (v8.0.1, GraphPad, La Jolla, CA, EUA). 2.5 Resultados 2.5.1 Detecção e densidade parasitária de L. infantum em baço, fígado e timo Para comprovar a infecção sistêmica dos hamsters verificamos a presença de amastigotas em baço, fígado e timo por meio de imuno-histoquímica, e determinamos a densidade parasitária (amastigotas/µm²) em baço e fígado. As amastigotas foram detectadas no baço de 15/15 (100%) e em fígado em 14/15 (93,3%) dos hamsters experimentalmente infectados (Figura 1A-H). Em timo as imunomarcações de amastigotas de Leishmania Spp foram observadas em 9/15 dos hamsters experimentalmente infectados, na região medular e corticomedular. Poucas amastigotas foram encontradas no timo o que inviabilizou o cálculo da densidade parasitária neste órgão. Não observamos formas amastigotas no citoplasma de macrófagos no timo (Figura 1B-1C). Tanto no baço como no fígado densidade parasitária média aumentou gradativamente com a progressão da doença (Tabela 2) (Figura 1G e H). 41 Tabela 2- Densidade parasitária em baço e fígado. Órgão Grupo I-15 I-60 I-120 Média+DP Média+DP Média+DP Fígado 8x10-6±9x10-6 2,9x10-5±3,4x10-5 1,38x10-4±2,51x10-4 Baço 1x10-5±5x10-6 9,4x10-5±1,11x10-4 9,5x10-4±1,188x10-3 Hamsters infectados por L. infantum Densidade calculada pela contagem de amastigotas marcadas Imuno-histoquímica(amatigotas/µm2. DP- Desvio Padrão). Figura 1- Detecção imuno-histoquímica de amastigotas em baço, fígado e timo. Amastigotas (setas) foram detectadas por imuno-histoquímica. A e F – Soro hiperimune de camundongo + ImmPACT™VIP, C e D - Soro hiperimune de camundongo + 3,3’- diaminobezidine- DAKO. (A) Baço de hamster controle positivo da reação. (B) Baço controle negativo sem adição de anticorpo primário. (C) Baço do hamster I2-120. (D) Fígado de hamster I-120. (E) Animal controle negativo (C1-15). (F) Timo de hamster I- 120. Bar=20µm. G- Densidade parasitária no baço dos hamsters dos grupos infectados com de L. infantum, I-15(15 dias pós-infecção), I-60 (60 dias pós-infecção) e I-120 (120 dias pós infecção) expresso em média ± desvio padrão. H Densidade parasitária em fígado dos hamsters dos grupos infectados com de L. infantum, I-15(15 dias pós- infecção), I-60 (60 dias pós-infecção) e I-120 (120 dias pós infecção) expresso em média ± desvio padrão. 42 43 2.5.2 Histologia e morfometria do timo Para determinar se a infecção pela L. infantum afetou a morfologia do timo foram realizadas avaliações em cortes corados por HE, buscando alterações compatíveis com atrofia tímica e/ou inflamação no parênquima. Os cortes corados por HE também foram utilizados para avaliação morfométrica e determinação da razão córtex:medula. O grau de atrofia foi avaliado segundo van Baarlen [23], a perda de demarcação corticomedular foi observada em 10 hamsters infectados (6,7%) e 2 (3,3%) controles, a proeminência do tecido conjuntivo formando ilhas de timócitos variou foi observada em 6 hamsters infectados (40%) e 3 (50%) controles, a linfofagocitose foi observada em todos os hamsters infectados e controles, enquanto que a inversão histológica não foi observada em nenhum hamster. Notamos que houve um aumento no grau de atrofia conforme a idade, no entanto, não houve diferença significativa entre os grupos (Tabela 3). Avaliamos a presença de inflamação granulomatosa ou piogranulomatosa e presença de células inflamatórias nas trabéculas, no entanto não observamos inflamação no timo dos hamsters. Para avaliar a quantidade de tecido conjuntivo e/ou aumento proporcional de tecido conjuntivo no timo por redução de outros componentes, foi utilizada a coloração de tricrômico de Masson, que cora o colágeno maduro em azul. A quantidade de tecido conjuntivo variou significativamente devido ao tempo, com aumento da porcentagem de área corada em azul entre os grupos controles (C-15 e C-120) (p=0,0069), sendo que o C-120 também teve média de área azul significativamente maior que os grupos infectados dos tempos 15 (p= 0,0076) e 60 (p=0,0113) e não diferiu do grupo infectado com mesma idade (Tabela 3 e Figura 2A-2C). Tabela 3- Histologia e morfometria do timo. Parâmetro Grupo C-15 I-15 I-60 I-120 C-120 Média±DP Média±DP Média±DP Média±DP Média±DP Razão C:M 1,848±0,091 2,180±0,404 2,059±0,543 1,230±0,486 1,123±0,131 44 Atrofia 0,000±0,000 0,800±0,837 1,000±1,000 1,800±1,095 1,667±0,577 Colágeno 1,013±0,526a 1,564±0,683b 1,770±0,993c 3,944±2,478 5,747±0,8903abc DP- Desvio Padrão; C:M córtex:medula; As letras indicam diferenças estatísticas usando uma análise Kruskal-Wallis e Dunn para razão C:M e ANOVA e Tukey para atrofia e colágeno maduro. Diferenças estatísticas C-15 e C-120: a (p=0,0069), I-15 e C-120: b (p=0,0076), I-60 e C-120: c (p= 0,0113). Figura 2- Deposição de tecido conjuntivo no timo e demonstração da avaliação da porcentagem de área de azul (colágeno maduro) no timo corado com tricrômico de Masson. (A) Porcentagem de área marcada em azul (colágeno maduro) dos hamsters dos grupos infectados com de L. infantum, I-15(15 dias pós-infecção), I-60 (60 dias pós- infecção) e I-120 (120 dias pós infecção) e não infectados C-15 (Mesma idade de I-15) e C-120 (Mesma idade de I-120) expresso em média ± desvio padrão. Diferença devido ao tempo de infecção entre C-120 e C-15 (**p=0,0069), I-15 (**p=0,0076), I-60 (*p=0,0113). (B) Avaliação da área marcada em azul utilizando o Software ImageJ, a área a ser mensurada é vista em vermelho (seta). (C) Colágeno maduro perivascular em azul (seta) (C2-120). Bar= 20µm. 45 2.5.3 Imunomarcação de tipos celulares encontrados no timo Para avaliar se a infecção afetou a morfologia do timo no que diz respeito a distribuição e localização de células, avaliamos a quantidade de área ou células marcadas dos principais tipos celulares encontrados no timo, tais como, células de origem mesenquimal, incluindo macrófagos, e de origem epitelial, e hematopoiéticas. A porcentagem média de área imunomarcada de células mesenquimais positivas para vimentina (Figura 3A), e células epiteliais positivas para citoqueratina (Figura 4A) e macrófagos MAC387 não apresentaram diferenças significativas entre os grupos (p>0,05) (Figura 5A) (Tabela 4). A marcação com anticorpo anti-vimentina foi observada na capsula, parede de vasos sanguíneos, e em células com morfologia compatível com macrófagos e células dendríticas, em geral a marcação estava mais evidente na região medular do timo (Figura 3B). A citoqueratina foi detectada na camada células epiteliais subcapsulares- perivasculares. No córtex tímico as células epiteliais corticais com prolongamentos interconectados foram observadas como uma malha ao redor dos tímócitos, na região medular tímica marcou células epiteliais medulares com morfologias variadas e marcou intensamente os corpúsculos de Hassal (Figura 4B-4C). Os macrófagos foram identificados pelo anticorpo MAC387 nos septos, capsula, região cortical, medular e corticomedular do timo. Grande parte dos macrófagos estavam no tecido conjuntivo que constitui a capsula e septos que adentram o parênquima (Figura 5B). Figura 3- Imunomarcação para vimentina. (Vimentina clone V9- DAKO+3,3’- diaminobezidine-DAKO). A- Porcentagem de área marcada nos grupos C-15, I-15, I-60, I-120 e C-120, expresso em média ± desvio padrão. ANOVA+Tukey. (p>0,05). B- Observa- se marcação da parede de vasos sanguíneos (seta amarela) e de células com morfologia compatível com macrófagos (seta preta) (I4-60). 46 Figura 4- Imunomarcação para citoqueratina. (Citoqueratina clone AE1/AE3- DAKO+3,3’-diaminobezidine-DAKO). A- Porcentagem de área marcada nos grupos C- 15, I-15, I-60, I-120 e C-120, expresso em média ± desvio padrão. As diferenças estatísticas foram determinadas pelo teste ANOVA+Tukey. (p>0,05). (B) Células epiteliais subcapsulares-perivasculares descritas (seta preta) e corpúsculo de Hassal (seta amarela). (C) Corpúsculo de Hassal (seta). Bar=20µm. 47 Figura 5- Imunomarcação de macrófagos. (MAC-387- Abcam® + ImmPACT™VIP- VECTOR). A- Porcentagem de área marcada nos grupos C-15, I-15, I-60, I-120 e C-120, expresso em média ± desvio padrão. ANOVA+Tukey. (p>0,05). B- Observa-se a invaginação da capsula formando um septo (S), e no septo, a presença de macrófagos (seta) (I3-60). Bar=50µm. 48 A marcação para linfócitos B (CD79a+) foi observada menor porcentagem média de área marcada no grupo I-120 (1,318±1,116) que no grupo C-120 (4,530± 2,219) (Tabela 4; Fig 6A), os linfócitos B estavam principalmente na região corticomedular e na medular do timo, ao redor dos corpúsculos de Hassal (Fig 6B e C). Figura 6- Imunomarcação de linfócitos B CD79+. (Anti-CD79a Clone 11E3/NovocastraTM + ImmPACT™VIP-VECTOR). A- Porcentagem média de área marcada nos grupos C-15, I-15, I-60, I-120 e C-120, expresso em média ± desvio padrão. As diferenças estatísticas foram determinadas pelo teste ANOVA+Tukey. (p=0,0182). B- Controle negativo da reação (timo sem adição de anticorpo primário). C e D- Observa-se a presença de linfócitos B (seta) principalmente nas regiões medular e corticomedular do timo (seta). Timo do controle negativo grupo C-120 (C). Timo animal I2-120(D). Bar=20µm. 49 A marcação para as células CD3+ estava mais evidente e intensa na região medular do timo dos grupos controle e infectado. A marcação de CD3+ citoplasmática foi observada na medular tímica dos animais infectados, enquanto que nos controles a marcação CD3+ foi observada na membrana das células. A porcentagem média de imunomarcação de linfócitos T CD3+ do I-15 (54,66±0,512) foi significativamente maior que do C-15 (41,79±2,845; p=0,0031), I-60 (38,83±4,851; p=0,0001) e I-120 (42,72±4,077; p=0,0031) (Tabela 4; Figura 7A- 7C). Figura 7- Imunomarcação de linfócitos T CD3+. (Anti-CD3 - DAKO+3,3’-diaminobezidine- DAKO). (A) Porcentagem média de área marcada nos grupos 1C-15, I-15, I-60, I-120 e C-120, expresso em média ± desvio padrão. Grupo I-15 apresentou maior média de área marcada que I-60 (p=0,0001) e I-120 (p=0,0031) e menor que C-15 (p=0,0031). As diferenças estatísticas foram determinadas pelo teste ANOVA+Tukey. (B) Controle negativo da reação sem adição do anticorpo primário. (C) Região medular do timo de 50 um hamster do grupo C-15 (C2-15), onde observa-se marcação predominante na membrana da célula. (D) Região medular do timo de um hamster do grupo I-15 (I3-15) onde observa-se marcação predominante citoplasmática. Tabela 4- Porcentagem de área marcada de células de origem mesenquimal, epitelial, macrófagos, linfócitos B e T no timo. Marcador Grupo Média ± Desvio Padrão(%) C-15 I-15 I-60 I-120 C-120 Vim 44,17±0,56 48,58±11,08 48,37±2,11 42,40±17,20 55,04±7,75 Cit 49,98±4,66 33,84±11,49 35,59±3,73 46,75±8,79 51,81±0,84 MAC 1,46±0,48 1,24±0,32 1,58±1,50 1,49±0,97 1,30±0,26 CD79a 2,04±0,65a 3,65±1,19 3,49±0,74 1,32±1,12 4,53±2,22a 51 CD3 41,79±2,85 a 54,66±0,50 abc 38,83±4,85b 42,72±4,07c 46,49±3,60 Vim- Vimentina; Cit- Citoqueratina; MAC- Macrófagos; DP- Desvio Padrão; C:M córtex:medula. As letras indicam diferenças estatísticas usando uma análise ANOVA e Tukey. Diferenças estatísticas de CD79a entre C-120 e I-120: a (p=0,0182). CD3 entre C-15 e I-15: a (p=0,0031), I-15 e I-60: b (p=0,0001), I-15 e I-120: c (p=0,0031). 2.6 Discussão A leishmaniose visceral é uma zoonose com significativa diversidade clínica. Esta diversidade decorre do padrão de resposta imune desenvolvida pelo hospedeiro e da patogenicidade da cepa [5]. O timo é um órgão linfoide importante no desenvolvimento de células T, que são responsáveis por direcionar as respostas imunes dos tipos Th1, Th2, Th17 envolvidas na resposta a LV, assim é importante a avaliação de alterações tímicas durante a doença. Neste estudo avaliamos a morfologia tímica, o padrão de distribuição de células, e a presença do parasita no timo. Para comprovar a infecção sistêmica dos hamsters verificamos a presença de amastigotas em fígado e baço por meio de imuno-histoquímica e determinamos a densidade parasitária (amastigotas/µm²). A média da densidade parasitária aumentou gradativamente em baço e fígado com o tempo da infecção (Tabela 2 e Figura 1A). Como a leishmaniose é uma doença progressiva em hamsters, o aumento de amastigotas com a progressão da doença era esperado [31]. Semelhante ao baço e fígado, amastigotas do parasito também foram observadas no timo (Figura 1B-1D), comprovando a infecção deste órgão já descrita em camundongos [19], cães [20] e hamster [21]. Porém neste órgão as formas amastigotas íntegras foram pouco frequentes. O que está de acordo com estudo em camundongos onde as amastigotas intactas também foram raramente observadas [19]. Neste mesmo estudo foi descrito um aumento da expressão de IL-12a no timo [22] o que sugere ativação da resposta Th1 e explica a destruição das amastigotas. Contudo o hamster é um modelo experimental considerado susceptível a leishmaniose, enquanto que o camundongo BALC/c pode montar uma resposta efetiva contra a infecção [31]. Estudos sobre as citocinas no timo são necessários para confirmar o tipo de resposta imune deste órgão 52 no hamster, já que leishmania é capaz de induzir diferentes respostas imunes em cada órgão [32]. Em cães as formas amastigotas foram descritas nas regiões cortical e medular do timo [20], enquanto que em camundongos [19] e hamsters as amastigotas foram detectadas apenas na região medular e/ou corticomedular. Em condições normais a barreira sangue-timo controla a entrada no córtex de componentes presentes no sangue, e mesmo moléculas que adentram a região medular não alcançam o córtex [33]. Portanto a falha na função dessa barreira poderia explicar a entrada de amastigotas no córtex tímico em cães onde o tempo de infecção não é controlado como em modelos experimentais, e a doença pode se desenvolver com maior cronicidade e estar associada a outros fatores como co-infecção e déficit nutricional. Aspectos da morfologia e celularidade do timo foram estudados por meio de avaliação histopatológica, morfometria e imuno-histoquímica. A razão córtex: medular média foi de aproximadamente 2:1 nos grupos C-15, I-15 e I-60 e de 1:1 nos C-120 e I-120 (Tabela 3). A medular tímica ocupa normalmente um terço do volume lobular de um roedor adulto com uma razão córtex: medula de aproximadamente 2:1 [34]. A infecção pelo parasito não afetou a razão entre os compartimentos, o que também foi observado em estudos em cães e camundongos [20,35]. Esta ausência de diferença pode ter decorrido da dificuldade de detectar alterações discretas por este método [34] e/ou devido ao número de animais utilizado no estudo. A atrofia do timo foi avaliada nos cortes corados com HE e atribuída uma graduação de atrofia de 0 a 4, o grau de atrofia aumentou com a idade. Contudo, não foi encontrada diferença no grau de atrofia tímica entre os grupos [31] (tabela 3). Portanto a infecção parece não induzir atrofia precoce do timo. O que está de acordo com um estudo que avaliou timo de hamster experimentalmente infectado com L. infantum [32]. Contudo, a ausência de atrofia significativa no timo dos infectados pode ter decorrido do caráter crônico da LV, sendo o timo um órgão-alvo comum nas infecções agudas [36]. Na fase aguda da Doença de Chagas por exemplo a atrofia tímica é frequente e severa [37,38]. No entanto, em camundongos BALB/c infectados com L. infantum também não foi observada atrofia 14 dias após infecção, exceto quando os animais foram submetidos a uma dieta pobre em proteínas [22]. 53 Também não foi observada inflamação granulomatosa no parênquima do timo apesar destas alterações estarem descritas no timo de cães, onde ocorre timite granulomatosa ou piogranulomatosa e inflamação das trabéculas interlobulares. A ausência de inflamação pode ser explicada pelo fato dos hamsters possuírem mesmo aos 120 dias pós infecção um timo com alta celularidade linfoide T, linfócitos B e macrófagos residentes que não podem ser diferenciados de um infiltrado inflamatório na coloração de HE e ou na imuno-histoquímica com os marcadores utilizados neste estudo [20], outros métodos seriam necessários para caracterizar diferenças na subpopulação dos linfócitos. Os eosinófilos, que são células geralmente associadas com as infecções parasitárias são descritos no timo normal [18,39]. Para melhor avaliar a deposição de tecido conjuntivo e/ou aumento proporcional devido à redução de outros componentes foi utilizada a coloração de tricrômico de Masson. A quantidade de colágeno maduro variou significativamente devido ao tempo, com aumento da porcentagem de área em azul entre os grupos controles (C-15 e C-120) (p=0,0069), sendo que o C-120 também teve média de área corada em azul significativamente maior que os grupos infectados dos tempos 15 (p= 0,0076) e 60 (p=0,0113) e não diferiu do grupo infectado com mesma idade. Isto sugere que o aumento de tecido conjuntivo maduro foi afetado pela idade e não pela infecção por Leishmnaia infantum (Figura 2A). O aumento do tecido conjuntivo capsular e septal e dos vasos sanguíneos é descrito em camundogos infectados com Trypanosoma cruzi, e possivelmente se deve a atrofia do órgão [40]. A ausência de atrofia significativa no timo dos hamsters infectados em relação ao controle pode ser confirmada pela ausência de alteração na quantidade de tecido conjuntivo. A vimentina marca fibrócitos, lipócitos, células endoteliais vasculares e macrófagos[16,41]. Não houve diferença na área marcada por vimentina entre grupos, indicando que esta população de células de origem mesenquimal não é afetada pela infecção nos momentos estudados. A área marcada para citoqueratina não diferiu entre os grupos. A citoqueratina AE1/AE3 marca células epiteliais tímicas, corticais e medulares [42], notamos neste estudo a marcação em uma fileira de células separando a capsula do parênquima (Figura 4B). Estas células correspondem as descritas por Milicévic et al. [43] como células epiteliais subcapsulares septais perivasculares, assim como as células tipo 54 “nurse” que tem um formato irregular e formam uma malha de prolongamentos na região cortical externa (Figura 4B e 4C). A presença de corpos de Hassal não císticos e não calcificados e um padrão rendado claro de células epiteliais tímicas positivas para citoqueratina estão entre os fatores considerados como evidência histológica de timopoiese (Figura 4C) [44]. As células epiteliais tímicas estão envolvidas no recrutamento das células pré-Ts da medula óssea e seu comprometimento em linfócito T, induzem a expressão do TCR e atuam na seleção positiva e negativa [45- 48]. Morfologicamente não observamos indícios de que a infecção pela L. infantum tenha interferido com a diferenciação dos timócitos. No entanto, a presença do parasito pode interferir na dinâmica deste processo, uma vez o microambiente necessário para desenvolvimento dos linfócitos T é mantido por uma interação bidirecional [12,13] e mudanças nas populações de timócitos em diferentes estágios de maturação já foram relatados na LV [22], e na doença de Chagas [38,40]. Os macrófagos identificados com o anticorpo MAC387 foram observados na capsula, septos, córtex, medular e na região corticomedular do timo. A quantidade de área marcada para macrófagos não diferiu entre os grupos (Fig 5A). Na infecção por Tripanosoma cruzi os macrófagos atuam como reservatório para o parasita no timo [54]. Não observamos formas amastigotas no citoplasma de macrófagos no timo. Em seres humanos naturalmente infectados com Trypanosoma cruzi ocorre uma migração de macrófagos corticomedulares para região cortical do timo [40], estes macrófagos tem um papel importante no processo de maturação dos timócitos e tem a capacidade de apresentar antígenos por moléculas de MHC classe I e II, atuando no processo de seleção negativa dos timócitos [43] (Tabela 4). Os linfócitos B CD79a+ foram observados em maior quantidade no grupo C- 120 (4,530± 2,219) que no grupo I-120 (1,318±1,116) (Tabela 4 e Fig 6A). Os linfócitos B e plasmócitos são descritas na medular tímica, em geral ao redor dos corpúsculos de Hassal. Seu número aumenta com idade [17,55] devido a um acumulo de linfócitos B maduros. No entanto, há uma redução de formas imaturas que tem o maior potencial de apresentação de antígenos que permitem a seleção negativa [56]. Sugerindo que a LV pode estar alterando a seleção negativa de linfócitos. Além disso, o recrutamento de linfócitos B devido a resposta Th2 estimulada pela LV crônica pode estar relacionada a sua redução no timo dos hamsters. 55 Em relação à população das células CD3 positivas, o aumento da porcentagem de área marcada indica aumento da celularidade. Assim, animais do grupo I-15 apresentaram maior número de linfócitos TCD3 do que C-15, I-60 e I-120 (Fig. 7A). O CD3 é um co-receptor associado ao TCR e tem a função de reconhecimento e sinalização, a sua expressão representa o comprometimento com a linhagem T [49,50]. Nossos resultados estão de acordo com a literatura onde as infecções agudas por L. infantum causam um aumento no número total de células no timo após 14 dias de infecção em camundongos[22]. Este fato também é descrito nas infecções agudas por Tripanosoma cruzi, devido ao aumento de CD4+ ou CD8+ TCRCD3high. Contudo, com a cronificação da doença ocorre a normalização do número de células linfoides tímicas [51] o que explica a redução da área marcada para linfócitos TCD3+ observada nos grupos I-60 e I-120. Além disso, observamos a marcação citoplasmática para o receptor CD3 de forma predominante na região medular do timo nos hamsters infectados (Figura 7D). Os timócitos imaturos expressam marcação para o receptor CD3 no citoplasma, e quando maduros e localizados na região medular, o CD3 é expresso na membrana destas células [52,53]. Desta forma, ficou caracterizada a presença de linfócitos imaturos na região medular, o que possivelmente interfere com na resposta imune dos animais. Em estudos em camundongos foi descrita taxa de maturação acelerada de células duplamente positivas (CD4+/CD8+) [22] e aumento de quimiocinas como CXCL12 e CXCR4 que controla o fluxo de timócitos imaturos da região subcapsular para a medular do timo [19]. As alterações observadas no timo de hamster podem estar relacionadas com a chegada de timócitos imaturos na região medular, e estes linfócitos imaturos na medular tímica podem estar relacionados a uma liberação de linfócitos imaturos pelo timo. A possível liberação de linfócitos imaturos parece ser um mecanismo de defesa importante desencadeado no início da infecção. Entretanto mais estudos precisam ser concluídos para confirmar alterações fenotípicas no sangue periférico e linfonodos de hamsters infectados. 56 2.7 Conclusão Neste trabalho confirmamos que a L. infantum pode infectar o timo de hamsters e levar a alterações na população de linfócitos T e B, com aumento de linfócitos TCD3+ e presença de linfócitos T imaturos na região medular do timo após 15 dias de infecção e redução de linfócitos B após 120 dias de infecção. Não foi observada atrofia tímica até 120 dias pós infecção. O reflexo das alterações na população e maturação das células linfoides do timo na resposta imune sistêmica dos animais infectados necessita ser melhor avaliado. 2.8 Referências 1. Moreno, J., Alvar, J. Canine leishmaniasis: Epidemiological risk and the experimental model. Trends Parasitol. 2002;18: 399–405. doi:10.1016/S1471- 4922(02)02347-4 2. Baneth G, Koutinas AF, Solano-Gallego L, Bourdeau P, Ferrer L. 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