AS FADAS JÁ NÃO VOAM MAIS EScritO pOr: Luis Fernando da siLva Faria “design gráFico” ArguMENtOS ADiciONAiS: ana Beatriz PereIra de andrade JúLia Yuri Landim Y goYa guiLherme cardoso contini pArticipAçÃO ESpEciAl: d . miLton nakata DiStribuíDO pOr: universidade estaduaL “JúLio mesquita FiLho” pErSONAgENS: Luis Fernando da s. Faria siLvana anunciação da s. Faria siLvio augusto corrêa Faria João Pedro da s. Faria mateus henrique da s. Faria Jéssica caroLina guimarães amIgos “A emoção mais antiga e forte da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e forte é o medo do desconhecido” ― H.P. Lovecraft, Supernatural Horror in Literatu- re, tradução livre Brilho EtErno dE Uma mEntE SEm lEmBrançaS (2004) direção: MichEl gONDry Universal stUdios FadE In: r Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 4. 5.EX T. L ISTA DE F IGURAS - ANTES DO SUMÁRIO EX T. L ISTA DE F IGURAS - ANTES DO SUMÁRIO FIG.01 - FIG.40 - FIG.02 - FIG.41 - Conjunto de cartazes: Pantera Negra, Spirit Away, ATA-ME! Imagem do site de organização projetual Asana Coleção de Imagens: Papua Nova Guiné e Pantera Negra FIG.03- FIG.45 - Cartazes: The Conjuring e Enigma do Outro Mundo Coleção de Imagens: Concept Art de UP! FIG.04 - FIG.06 - FIG.43 - Imagens do Teatro de Horror francês o Grand Guignol Frame: Era Uma Vez No Oeste Cartazes: The Blair Witch e Rosemary’s BabyFIG.05 - FIG.44 - Cartazes: The Body Snatcher e The Stepford Wives Coleção de Imagens: Filhotes de Animais FIG.13 - FIG.51 - FIG.14 - FIG.52 - Coleção capas de livros góticas e frame de A Mansão do Diabo Esboço de pose da personagem Urilan, ainda sem colorir Cartaz: MALIGNO Esboço de pose da personagem Urilan colorida FIG.15 - FIG.53 - Cartaz: JOGO DE CENA Coleção de Imagens: Capa do álbum Californication e Caos FIG.16 - FIG.54 - FIG.17 - FIG.55 - Cartaz: O LABIRINTO DO FAUNO Capa do álbum All My Demons Greeting Me As A Friend Coleção capas de livros, jogos e música fantásticas Imagens de Vilões da Disney FIG.18 - FIG.56 - Exemplo de Mapa para Worldbuilding Imagens de Majin Boo e Lo Cheaney FIG.25- FIG.63 - FIG. 26 - FIG.64 - Coleção de imagens, 1984; Dagon e Sailor Moon Esboço de Cena para GUNMI Imagem da Planilha Worldbuilding no Google Drive Esboços de GUNMI FIG.65 - Exemplo da página padrão para projetos no ASANA Esboço de pose da personagem Gunmi, ainda sem colorir FIG.66 - FIG.27 - Esboço de rosto definitivo de GUNMI Esboço de pose da personagem Gunmi colorida FIG.28 - FIG.67 - Imagens de O Hobbit e O Senhor dos Anéis Coleção de Imagens: Cidades diversas e Metrópolis (1927) Coleção de Imagens: Cidades diversas e Cartazes Jules Chéet Coleção de Imagens: Cartazes de estilos distintos Comparação de cartazes A Beleza do DIabo Comparação de cartazes O Pagador de Promessas Coleção de Imagens: Cartazes de Gana vs. Originais Coleção de Imagens: Desenho meu e Winston (1984) Esboços de Haizen Daise de minha autoria Esboço de Haizen Daise oficial FIG.07 - FIG.45 - FIG.08 - FIG.46 - Quadros: Fuzilamento de 3 de Maio e A Mulher Barbada Coleção de Imagens: Protagonistas de Animações Coleção de Imagens: Personagens de Animes FIG.09 - FIG.47 - Coleção de imagens sobre body horror Coleção de Imagens: Esboço de estilos e desenho de Erick FIG.10 - FIG.48 - FIG.11- FIG.49 - imagem representando o Incosciente Coletivo de Jung Esboços da personagem URILAN representação de A Jornada Do Heroi de Joseph Campbell Lineart do rosto de URILAN FIG.12 - FIG.50 - Imagens de Nosferatu e Sangue de Pantera Coleção de Imagens: Edward Hopper e Fan Ho FIG.19 - FIG.57 - FIG.20 - FIG.58- frame do filme A Viagem de Chihiro (2001) Esboços de MODERKAI imagem de meu notebook mostra arquivo antigo da estória Esboço lineart do antagonista Moderkai de minha autoria FIG.21 - FIG.59 - imagens do Templo Zu Lai e vetores de templos religiosos Esboço de pose da personagem Moderkai, ainda sem colorir FIG.22 - FIG.60- FIG.23 - FIG.61 - Imagem de meu notebook:olhas escritas à mão de cenas da estória Esboço de pose da personagem Moderkai colorida Imagem de meu notebook: tela da pasta “IDEIAS BASE DO FILME Imagens de Druidas; SamHain e Griffith FIG.24 - FIG.62 - Coleção de imagens, Estátua de Alexandre; Roma e Alexandria Imagens de Fanton e Tetsuo FIG. 29- FIG.68 - FIG.30 - FIG.69 - Imagem de EBERON cidade fictícia Esboço de pose da personagem Haizen Daise, ainda sem colorir Cartazes: O Túmulo dos Vagalumes e Serviços de Entregas da Kiki FIG.31 - FIG.70 - Cenários de subgêros punks, bio e solarpaunk Esboço de pose da personagem Haizen Daise colorida FIG.32 - FIG.71 - FIG.33 - FIG.72 - Coleção de imagens: Rio de Janeiro, 1984 e gêneros punks. Coleção de Imagens da Floresta de Pedras na China FIG.34 - FIG.73 - Coleção de imagens: Moebius; habitações e Cabul FIG.35 - FIG.74 - FIG.36 - FIG.75 - Paisagens com céus modificados pelo desmatamento Ilustrações de raças fantásticas FIG.37- FIG.76 - Ilustrações de animais fantásticos FIG.38 - FIG.77 - FIG.39- FIG.78 - Ilustrações de animais fantásticos em habitats diversos Espécie de ave fantástica Azathot ser mítico de Lovecraft SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP Cartazes cubanos Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 6. 7.EX T. L ISTA DE F IGURAS - ANTES DO SUMÁRIO EX T. L ISTA DE F IGURAS - ANTES DO SUMÁRIO FIG.79 - FIG.120 - FIG.80- FIG.121 - SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP SALVA EM DESKTOP Cartaz Ilustrado do Filme Godzilla feito por mim Cartazes: O Menino e o Vento e Assalto ao Trem Pagador Estudo de esboços para CARTAZ INF.ADSC FIG.81 - FIG.122 - Cartaz: Spree Esboços em lineart CARTAZ INF.ADSC FIG.82- FIG.123 - FIG.84- FIG.124 - Detalhe título no cartaz de Spree CARTAZ INF.ADSC. finalizado Detalhe slogan no cartaz de Spree Coleção de Imagens: Olhos estilizados em religiões diversas FIG.83 - FIG.125- Detalhe créditos no cartaz de Spree Coleção de Imagens: Representações culturais do Ovo FIG.91 - FIG.132 - FIG.92 - FIG.133 - Cartaz: STAR WARS: A Ameaça Fantasma Esboços em lineart CARTAZ ADLT/VLHC Cartaz: FUJA CARTAZ ADLT/VLHC finalizado FIG.93 - Ilustração de TAXI DRIVER Imagens do Terceiro Olho e Cenário em Midnight Gospel FIG.94 - FIG.95 - Cartaz: O Grinch Cartaz: Sexta Feira 13 FIG.96 - Cartaz: Homem Aranha: De Volta ao Lar FIG.103 - FIG.104 - Cartaz: Tubarão Cartaz: A VIDA INVÍSIVEL FIG.105 - Cartaz: Coringa FIG.106 - Cartaz: The Killer Inside Me Cartaz polonês de Apocalypse Now FIG.107- FIG.85 - FIG.126 - FIG.86- FIG.127 - Coleção de Lobby Cards Coleção de Imagens: Brincos Hanafuda, Magatama e YinYang Cartazes oficiais distintos de Homem Formiga e A Vespa Coleção de Imagens: Ilustrações de Clark, Beardsley, Klimt e Desenho Mediun FIG.87- FIG.128 - Cartazes de Personagens de Antman and The Wasp Cartaz polonês de HARRY’S ANGEL FIG.88 - FIG.129 - FIG.89 - FIG.130 - Cartazes oficiais distintos de Homem Formiga e A Vespa Cartaz cubano de O Leopardo Grid de INTERESTELAR Coleção de Imagens: Sheela na gig; The Midnigth Gospel e Celeste FIG.90 - FIG.131 - Cartaz: INTERESTELAR Estudo de esboços para CARTAZ ADLT/VLHC FIG.97 - FIG.98 - Cartaz: Homem Aranha: Longe de Casa Cartaz: Halloween FIG.99 - Cartaz: RUA 10 CLOVERFIELD FIG.100 - FIG.101 - Cartaz: Dr. Estranho Cartaz: Apocalypse Now FIG.102 - Cartaz: Bacurau FIG.108- FIG.109 - Cartaz polonês de O Podero Chefão: Parte 2 Cartazes: The Sopranos FIG.110 - Imagens de filmes de Comédia Romântica FIG.111 - FIG.112 - Cartaz Promocional ADORÁVEIS MULHERES Coleção de Imagens filmes de Comédia Romântica FIG.113 - Coleção de Imagens filmes de Comédia Natalina FIG.114 - FIG.115 - Segundo Cartaz Pomocional ADORÁVEIS MULHERES Cartaz oficial de ADORÁVEIS MULHERES FIG.116 - FIG.117 - FIG.118- Modificação da tipografia: MoonFirefly, feita por mim Tipografia: MoonFirefly Cartaz: O Show de Truman FIG.119 - Quadros: O Pesadelo e Deus Criando Adão Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 8. 9. Para os seguintes fins, o Memorial Descritivo apropria-se de terminologias advin- das do meio cinematográfico, sendo elas: FADE PARA: Um tipo de técnica de edição muito usada na pós-produção durante a montagem das cenas que irão compor o futuro longa-metragem, consiste em unir duas cenas por uma dissolução gradativa da cena anterior. FADE IN: No roteiro determina uma passagem específica de uma cena à entrada de um título, intertítulo, quebra de cena pós fade out, ou o próprio começo do filme. FADE OUT: Determina o fim da peça/obra ou o final de um capítulo ou ato, caso no roteiro haja divisões especificadas. EXT.: Abreviação de EXTERIOR, no Cabeçalho da Cena indica a parte em que acontece a ação, contém a Localização e o tempo desta, se é dia/tarde/noite. Seu contra- ponto é o INT. Aparece assim: EXT./INT. LOCAÇÃO #1- DIA CUT TO: Corte de uma cena à outra, usado apenas quando a transição é importante, pois o cabeçalho já determinaria o corte. CONTINUA: Continuação da ação da cena quando a folha termina e precisa ser reescita em outra. ESCRITO POR: Nome do autor do roteiro/script. Às vezes, ocorre do Diretor ser creditado como o autor mesmo não tendo escrito o projeto. Os estúdios ou distribuidoras usam dessa tática como comunicação das vendas. EX T. GLOSSÁRIO - ANTES DO SUMÁRIO FADE OUT: DIRIGIDO POR: Diretor da obra, não necessariamente é o mesmo quem escreve o roteiro. ARGUMENTOS ADICIONAIS: Nem sempre os diálogos ou as ações das cenas estão bem elaboradas, e para isso, um estúdio paga para um outro profissional reescrevê-las. OU, ainda, um outro profissional colabora junto ao roteirista apenas adicionando diálogos ou algumas cenas, não é creditado como roteirista, salvo exceções que podem ocorrer. DISTRIBUÍDO POR: Nome da distribuidora quem compra os direitos de comercializar o filme nos cinemas, geralmente é diferente da empresa quem produziu. PERSONAGENS: Não é comum roteiros exemplificarem suas personagens logo após a página de introdução. Por exemplo, Paul Schrader em TAXI DRIVER, descreve o principal, TRAVIS BICKLE, com o intuito de já termos uma prévia de quem ela é. TRAVIS BICKLE Aos 26 anos, magro, duro, o solitário consumado. Na superfície ele parece bonito, até bonito; ele tem um olhar calmo e estável e um desarmador sorriso que surge do nada, iluminando todo o seu rosto. Mas por trás daquele sorriso, em torno de seus olhos escuros, em suas bochechas magras, pode-se ver as manchas nefastas causadas por uma vida privada de medo, vazio e solidão. Ele parece ter vindo de uma terra onde está sempre frio, um país onde os habitantes raramente falam. A cabeça se move, o a expressão muda, mas os olhos permanecem sempre fixos, sem piscar, penetrante espaço vazio...(SCHRADER, 1976, p.1,Tradução Livre) EX T. GLOSSÁRIO - ANTES DO SUMÁRIO SUMÁRIO SUMÁRIO ATO I QUEm SoU EU 16 52 - 63 17 84 - 135 66- 81 20 138 - 227 21 EStÓrIa E ContEXto traJEtÓrIa na FaCUldadE PErSonaGEnS WorldBUIldInG oBJEtIVoS o ProJEto mEtodoloGIa ATO III AGRADECIMENTOS ATO II 26 26 - 30 30 - 33 36 - 38 40 - 47 38 - 40 229 - 230 230 - 231 o QUE É o horror? o horror no CInEma BodY horror SoBrE arQUÉtIPo arQUÉtIPoS E ClIChÉS ClIChÉS noS CartaZES ConClUSÃo rEFErÊnCIaS ATO I - QUeM soU eU; - traJetÓrIa na FaCUldade; - oBJetIvos; - MetodoloGIa onIBaBa (1964) direção: KANEtO ShiNDô tohe stUdio FadE In: SUBCAPÍTULO 01 QUeM soU eU e traJetÓria na FaCUldade ContatoS ImEdIatoS do tErCEIro GraU (1977) direção: StEVEN SpiElbErg Universal International PiCtUres FadE In: Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 16. 17.EX T. SOBRE MIM - INFÂNCIA Honestamente, de longe a parte mais díficil do relatório, cresci em Bauru e fui criado por MÃE solteira junto com DOIS irmãos, sempre que podia via meu PAI aos sábados e antes da escola. O gosto que tive pelo terror em muito veio nessa época. Primeiro como pavor, depois curiosidade, meus pais nunca foram fãs do gênero, então nunca deixariam uma criança de 6 anos alugar o “MASSA- CRE DA SERRA ELÉTRICA” para ver com a família. Trauma na Certa. No entanto, isso sempre ficou em minha cabeça, povoando meu imagi- nário toda vez que eu e irmãos íamos a locadora próxima de casa. Meu primeiro filme foi “O BRINQUEDO ASSASSINO”, foram as 1 horas mais tensas de minha vida, não pela premissa e sua execução não tão boa, mais pela vivacidade e presença que aquela pequena criatura pos- suía, fato, o animatronic de Chucky ajudava a criar a imponência e perigo do vilão. O tempo passou e um dia fui ao cinema, diferente da locadora não podia escolher aos filmes, já vinham selecionados. Fui com pai e irmãos, conta- va com 6 anos, e o filme A VIAGEM DE CHIHIRO, único que poderíamos assistir. Um longa que me alimentava, não só pelo universo fantasioso do STU- DIO GHIBLI, e alimentado em minha mente por leituras infanto-juvenis como ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS como também uma estória que me parecia ter muito mais a contar do que meus olhos e ouvidos eram capazes de presenciar, sentir ou perscrutar. A partir de então sempre que podíamos o cinema vinha como primeira opção, experienciei filmes cada vez mais interessantes (quase todos). Contudo, a primeira experiência a gente nunca esquece, isso é algo que marcou muito a minha vida, pelo bem ou pelo mal, a primeira impressão é a que fica. EX T. TRA JETÓRIA NA FACULDADE - FASE ADULTA Meus pais sempre incentivaram eu e meus irmãos a estudarem e buscar o que mais gostávamos. Design não foi minha primeira opção de curso, antes disso eram Enge- nharia do Petróleo e todas as outras possíveis. O que fez eu mudar de ideia foi minha prima Jéssica, ela inicialmente fa- ria Design e explicando sobre o que era, gostei e fui tentar, afinal tinham poucas vagas, com toda certeza passaria. Demorei 2 ANOS e 3 meses para passar no vestibular. E, que BOM cursei na UNESP, uma faculdade pública me deu às experi- ências que uma privada, talvez, jamais me daria. Desde professores, re- almente, interessados em ensinar e ouvir seus alunos, não só isso, como sentia que poderia contar com eles em qualquer coisa. E, claro, as amiza- des, poucas, mas conselhos e relacionamentos que levarei para a vida. Os PROEX serviram como base para entender e querer aprender ainda mais sobre o papel do design em nossa sociedade. Apesar do cunho mercadológico ainda assombrar a grade curricular em nada me desa- nimou. Tenho a certeza de que Mestrado em Design será meu próximo passo acadêmico. Através destas amizades fui perdendo medo de meus desenhos, pais e irmãos merecem o crédito também, e entendi o tempo que precisava dedicar a mim mesmo, e dessa forma acabei escolhendo o gráfico, pois queria trabalhar com animação. Contudo, durante a faculdade mudei por vezes o que eu queria fazer, de animação para mobiliário, deste para ilustrador e músico... Não por indecisão, e, sim, o papel em que o design pode atuar, eram tantas opções e riquíssimas, cujo resultado foram dores de cabeça em decidir o assunto deste TCC. Voltei atrás quando conheci meus veteranos Bento e Carol, que motiva- ram a voltar a desenhar e tentar mais uma vez. Não só isso, como Erick um outro amigo, ajudou no inicio deste projeto. E, lógico sem contar os outros que sempre estavam para me apoiar e dizer: “Calma, você conse- gue”. E isso, me enche de esperanças. o laBirinto do FaUno (2006) direção: guillErMO DEl tOrO Warnes Bros. PiCtUres FadE In: SUBCAPÍTULO 02 oBJetIvos e MetodoloGIa Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 20. 21.INT. OBJET IVOS - SUBCÁPITULO 02 INT. METODOLOGIA - SUBCÁPITULO 02 Conversando com minha orientadora e ciente de meus gostos pessoais resolvi como conclusão de curso criar dois cartazes que sinalizassem as mudanças na vida da personagem, consonante a uns dos gêneros traba- lhados, o Amadurecimento ou Coming - in - Age, somado ao meu preferi- do o Terror e Horror. Para tal, não criei um enredo completo da trama, por ser inviável, então com ajuda de minha orientadora ANA BIA, criei dois ‘‘mini argumentos’’ retratando e explicando as fases apresentadas ou ciclos existenciais da personagem principal, Urilan: INFÂNCIA/ADOLESCÊNCIA e ADULTA/ VE- LHICE. Pesquisando por cartazes de filmes na internet em bancos de imagens, empresas, artistas independentes me deparei com uma constante nos cartazes de hoje, muitos trabalham com as Cabeças Flutuantes, essa técnica consiste em criar uma ordem de leitura mediante o tamanho e disposição de cada personagem ou cenário em cena. O problema disso é a padronização óbvia e a perda da identidade que o projeto possui, uma vez que é pelo cartaz em que os primeiros sinais da trama e seu desen- rolar podem ser lido. Filmes mais “pipocão” geralmente abusam dessa malfadada técnica, e obras voltadas aos festivais têm um design e composição mais “limpos”. Fig. 01.: Cartaz promocional de ‘’Pantera Negra”, apresentando as “Cabeças Flutuantes”; no meio um exem- plo de Amadurecimento; Cartaz promocional de Almodovár, uns dos diretores que sabe equilibrar bem o design limpo dos cartazes. Fontes: https://www.elo7.com.br/cartaz-marvel-pantera-negra-lo002-tamanho-90-x-60-cm/dp/B80523 https://www.adorocinema.com/filmes/filme-37485/ (chihiro) https://pt.wikipedia.org/wiki/Ata-me! O propósito de um Projeto de Conclusão de Curso é antes de mais nada ser uma experiência prazerosa, contudo, também deve buscar a experi- mentações dentro do campo do Design. (CONTINUA) CONTINUA : Resolvi me arriscar e comprando uma mesinha digital, aprendi a de- senhar e colorir, através dos Softwares já utilizados tanto no mercado quanto entre os próprios arte finalistas e ilustradores: o Photoshop. Fato é que nunca me levei a sério na qualidade de meus desenhos salvo algumas exceções em que fugiam a regra, precisava me aprimorar em praticamente todas as áreas. Então, nunca Youtube e Google serviram tão bem, logo de cara uma coisa que enfiei na minha cabeça era a de que jamais seria como um Will Eis- ner e sairia rabiscando qualquer coisa na mais perfeita forma e harmonia. Sendo assim, usei da pandemia e o fato de não ter algum emprego e morar com minha mãe, o momento perfeito para aprender de vez a de- senhar. Antes, desenhar era uma prática bem sazonal. Matérias como METODOLOGIA DO DESIGN, foram sem sombra de duvi- da muito bem vindas no momento de organizar tarefas, funções, crono- gramas, e objetivos/resultados, vale uma menção honrosa ao meu pro- fessor ANDERSON ROLIN de GESTÃO DO DESIGN, que desde o inicio da disciplina já puxava nossa orelha atentando a necessidade a cerca de um bom planejamento. Primeiramente usei plataformas de organização projetuais ou academi- cas como Trello, Asana ou Planilhas do Excel. Optei pelo Asana devido sua interface ser mais organizada. Fig. 02: Asana e uns de seus modelos organizacionais Fonte: https://asana.com/pt/guide/help/projects/sections FADE OUT: ATO II CISnE nEGro (2010) dIreção: DArrEN ArONOFSKy Fox searChliGht PiCtUres o QUe É o horror? horror no CIneMa BodY horror soBre arQUÉtIPos arQUÉtIPos e ClIChÉs FadE In: SUBCAPíTULO 03 o QUe É o horror? horror no CineMa BodY horror EStoU PEnSando Em aCaBar Com tUdo (2020) dIreção: chArlIE KAuFMAN netFlix FadE In: Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 26. 27.INT. O QUE É O HORROR? - SUBCAPÍTULO 03 O medo é sem dúvida um dos sentimentos mais primitivos e necessá- rios, mas que ainda assim causam constrangimentos a quem teme e é temido. O desconhecido sempre foi o maior medo presenciado pela humanidade quando na escuridão da noite ou nas profundezas do oceano precisa- vam ser desbravados pelos antigos. Era o medo que ao mesmo tempo os guiava e os fazia repensar. Sem sombra de dúvidas é um dos sentimentos mais renegados pela sociedade, talvez porque quem o assuma passa a imagem de covarde, o oposto de uma das virtudes mais bem queridas e temas de personagens lendários da literatura e cinema: a coragem. Delumeau em seu livro A HISTÓRIA DO MEDO que temos uma das explicações mais singelas e nem por isso menos certeiras a despeito do medo, ele acaba sendo uma defesa essencial, garantia aos perigos, um reflexo do próprio organismo ao tentar escapar de algum perigo, como a morte. Porém, isso é insuficiente na tarefa de compreender o por que das pessoas tanto evitarem falarem sobre seus medos, demonstrar “covar- dia” frente à seus semelhantes é um motivo. Afinal, somos uma espécie animal e como tal tememos perder espaço seja em questão alimentar, social ou sexual à semelhantes. DELUMEAU (V.O) (...) O medo ou o pavor, que é o contrário à audácia, não é apenas uma frieza, mas também uma perturbação e um espanto de alma que lhe tiram o poder de resistir aos males que ela pensa estarem próximos. (...) desse modo, não é uma paixão particular; é apenas um excesso de covardia, de assombro e de Horror, o qual é sempre vicioso. (DELUMEAU. 2009, p. 24). Delumeau vai mais além e recita outros meios pelos quais o sentimen- to poderia se propagar, além dos supracitados, o medo das forças da natureza, o medo dos mortos, e, acima de tudo em relação à existência e futuro da humanidade. Pode ainda alçar traços patológicos e causar situações fatais ao indiví- duo: o medo da exclusão, de perder o controle de sua própria vida, o medo dos outros, o medo de falhar, se relacionar, tudo isso impele a quem sofre situações paralisantes e como dito até fatais. Dessa forma podemos pensar até mesmo num medo coletivo, um exem- plo claro era na Guerra Fria e o medo das duas maiores potências da- quela época entrarem em uma guerra nuclear, voltando alguns anos antes, no Japão, quando Hiroshima e Nagasaki sofreram ataques nucle- ares, o medo e as neuroses, mais tarde culminaram no nascimento de Godzilla. INT. O HORROR RETRATADO NO CINEMA - MESMO SUBCAPÍTULO Portanto, pensando em tudo isso, podemos abordar o tema do Horror e até mesmo do terror. Ambos são diferentes, o primeiro além do medo, coexiste a repulsa e o nojo, obras a despeito do sobrenatural, sanguinolentas e escatológicas. No caso do segundo é tudo aquilo que aterroriza, dá medo, filmes vio- lentos podem causar tais sensações. O horror e seu primo não tão distante, ganharam espaços nas telas e páginas dos livros, justamente pelos temas e sensações que abordam e/ou sente. O interesse pelo grotesco como forma de fugacidade e de entretenimento, causa tal curiosidade em diferentes épocas e contextos. Na França tínhamos o teatro Grand Guignol (1897 - 1962) especializado em peças viscerais, em suma, apresentavam temas cotidianos: religião, disputa de classes, guerras e seus desdobramentos, crimes, assassinatos, psicoses e neuroses... O motivo de tal fascínio é a apropriação dos maiores temores de cada um e decupá-lo em tela seja através de uma pintura seja no cinema. Além disso, a experiêcia “traumática” servia como catarse aos especta- dores mesmo aos que pouco ou nada conviveram com tais situações, novamente o medo do desconhecido gerava interesses “mórbidos”, já que tudo aquilo não passava de ficção. E por mais que soe ruim presenciar situações horripilantes, estes espa- ços culturais usaram tanto para o entretenimento (Bruxa de Blair) quan- to para a reflexão (O Bebê de Rosemary) Nas palavras de H.P. LOVECRAFT um dos maiores autores do gênero de Horror, destaque ao Horror Cósmico, ele diferencia o Terror do Horror na seguinte maneira. H.P. LOVECRAFT (V.O) Pode-se afirmar, em termos gerais, que uma história fantástica cujo intento seja instruir ou produzir um efeito social, ou em que no final os horrores se desfaçam explicados por meios naturais, não é um autêntico conto de pavor cósmico; não menos verdade é que narrativas como essas possuem com freqüência, em partes isoladas, toques atmosféricos que atendem a todas as condições da legítima ficção de horror sobrenatural. Portanto, uma peça do gênero deve ser julgada não pela intenção do autor, nem pela simples mecânica do enredo, mas pelo plano emocional que ela atinge em seu ponto menos trivial.(H.P.LOVECRAFT, 1987,pg.11) Logo, as produções do Horror/Terror, sempre buscarão formas de causar no público aflições por meio de trilhas incidentais e a iluminação pesa- da, voltada mais para a sombra, ainda os planos normalmente serão em Close ou Primeiro Plano. Tudo isso, converge para dificultar e atordoar, uma vez que, o assunto do “desconhecido” vêm a tona, sendo incapaz de distinguir os elementos em cena, o cérebro luta para entender o que está acontecendo e quando é ineficaz, a apreensão aumenta. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 28. 29. Fig. 03.: À direita, cartaz do filme INVOCAÇÃO DO MAL, seria um filme de TERROR, pois mesmo que trate de fantasmas, ainda há uma explicação sobre as criaturas. Já no caso da esquerda, se enquadraria o HORROR, pois ENIGMA DE OUTRO MUNDO, mesmo que apresente as bestas, não há qualquer explicação lógica sobre. Fonte: https://m.imdb.com/title/tt0000000001457767/ https://www.imdb.com/title/tt0084787/ Fig. 04.: Cartaz de umas das obras mais célebres “Os TRÊS MASCARADOS”, reinterpretada e reimaginada por diversas vezes. Fachada do Teatro; Cena mortal interpretada por Paula Maxa; Fonte: https://aminoapps.com/c/creepypastabr_pt/page/item/grand-guignol-o-teatro-do-horror/G50p_Na8i- VILRMVlLrwgrYnbo7a7NPxbNZr https://portaldosatores.com/2017/02/06/teatro-de-sangue-os-assustadores-espetaculos-do-grand-guignol/ https://educalingo.com/pt/dic-de/grand-guignol Contudo, o Horror assim como Dramas, também carregam em seu in- terior mensagens ideologicas ou morais, atestando às causas sociais do momento como fez VAMPIROS DE ALMAS (1956) durante o periodo da Guerra Fria. Ou ESPOSAS EM CONFLITO (1975), todos contém características próprias e marcantes ligadas ao Horror: o fator suspense, antagonistas sobrena- turais ou não, personagens indefesos ou inocentes aos perigos que os cercam, fotografia opaca ou escurecida, cores frias, etc. Nos casos citados anteriormente A BRUXA DE BLAIR e O BEBÊ DE RO- SEMARY, o primeiro, a proposta dos realizadores ao meu ver, não era explorar grandes temas ou lições de morais, e sim, os limites das novas mídias que ganhavam mais espaço como a câmera digital, populariza- da pela videografia, pois, soaria mais real. Isso fica evidente também na campanha de marketing do filme. Para o de Rosemary, um tema importante poderia ser o abuso psicoló- gico causado por uma gravidez indesejada e relacionamentos tóxicos no casamento. VAMPIROS, por sua vez, aborda paranoias politicas ou pessoais de cada individuo na sociedade. ESPOSAS, as expectativas do patriarcado no controle cultural de como uma esposa deve se portar ou aparentar em circulos sociais, não atoa o original é The Stepford Wives, Stepford é o nome de um sujeito asqueroso. Fig. 05.: Cartazes das seguintes obras: A Bruxa de Blair; O Bebê de Rosemary Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Stepford_Wives_(1975) https://pt.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_the_Body_Snatchers Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 30. 31. Fig. 06.: Cartazês das seguintes obras: Vampiros de Almas e Esposas em Conflito. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Stepford_Wives_(1975) https://pt.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_the_Body_Snatchers INT. O BODY HORROR - MESMO SUBCAPÍTULO Conforme dito anteriormente, coube ao horror e terror retratar em suma os desejos e ‘oses’ mais tenebrosas do ser humano (psicoses, neuroses), e nos filmes vêem atráves do monstro e suas variações monstruosidade e monstruoso, afinal é o principal adjetivo usado para os antagonistas dos filmes aqui tratados. Mas, o que são? Como as estórias são espiritos vivos de seu tempo cabe creditar as novas práticas médicas e sociais do século XVIII e XIX, sobretudo ao surgimen- to de manicômios e estudos embrionários como força modeladora do “monstro”. Ao atingir censo patológico virá alvo de padrões e normas, pois, sendo um objeto de estudo adquire status evitável, isto é, aquilo que fugiria das regras e parâmetro para os “normais”. Logo, ao colocar o monstro aquém a realidade há uma ruptura entre o monstro irreal (Gigantes, Golens, Leviatãs...), despertando sentimentos ambivalentes: por um lado há o medo, pânico e Horror, do outro a curio- sidade e fascínio. Essa dicotomia foi palco para vários artistas imaginarem e reimagina- rem os conceitos de monstro e seus pares monstruoso e monstruosidade, Goya em suas obras atrela o horror da iminente morte por um grupo de rebeldes no “O 3 de Maio”, ou a ternura e compreensão à pessoa estig- matizada por “monstruosa”, captado por Ribeira em “Magdalena Ventura com seu marido e filho”. CONTINUA Isso já abre espaço para uma das belezas escondidas neste gênero, a constante mudança do que pode causar o horror, como vimos anterior- mente, desde o sobrenatural em Blair e Rosemary até a invasão de cor- pos em O Enigma de Outro Mundo. Deste modo, a monstruosidade vista no gênero de horror é elencada como um dos pontos mais altos não só no campo literário ou fílmico, mas quaisquer outras temáticas que tragam o conceito a tona. Na psica- nálise se torna o “abjeto” já na antropologia “impuro”. Sendo assim, alça a transgressão social e ruptura das ordens vigentes. HUTCHINGS (V.O) Por um lado, filmes de horror podem ser vistos como reafirmadores das categorias sociais ao operar o monstro ‘não natural’, mas, por outro lado, a própria existência do monstro revela que estas categorias podem ser violadas, pois elas - por toda sua ‘naturalidade’ aparente - são frágeis, contingentes, vulneráveis. Sob esse aspecto, os monstros não apenas representam ameaças para a ordem social, mas também oferecem novas possibilidades em si de transformação desta ordem. (HUTCHINGS,2004, p. 37 E esses sentimentos de fascínio e medo acabam sendo fruto de todo esse paradoxo, pois como dito violariam padrões e normas sociais. Sur- gem em apresentações circenses como o nanismo em oposição ao sexo masculino e sua representação austera e bélica. Podemos ir além, uma mulher que apresente hirsutismo conforme o quadro anterior, também ganhava a luz do fascínio e da abjecção, posto que ia ao contrário da mulher ideal: delicada, delgada e de pele tenaz e macia. Para estes fins, surgiram ao redor do globo circos ou exposições em que tais “criaturas imperfeitas” poderiam ser vistas e revistas. Fig. 07.: O 3 De Maio; Francisco Goya; 1808. Magdalena Ventura com seu marido e filho; José Ribeira; 1631. Fonte: https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/o-3-de-maio-de-1808-em-madri-francis- co-de-goya/ https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mujer_barbuda_ribera.jpg Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 32. 33. Não a toa o termo “abjeto” aparece como “aberrações”. Portanto, o entretenimento visto em filmes de horror, busca trabalhar a relação dual supracitada, não basta o “monstro” gerar apenas o medo, deve também nutrir a empatia de quem vê. Pois, sendo seres incom- pletos, como o Drácula que encontra sentido em sua existência apenas quando se apodera do sangue do outro, se tornando completo, assim como quem o vê. Desta forma, a criatura assume formas distintas integrantes em seu contexto, a deformidade, pode ser vista sob a ótica da incompletude, não em sentido negativo, H.P.Lovecraft atesta nossa “insignificância” ao que chama de desconhecido, não àtoa seus personagens sempre estão a va- gar por locais inóspitos, oceanos, ilhas, grutas, cavernas ou perdidos em desejos do subconsciente. Somos incapazes de compreender além de nossas amarras culturais, é a névoa que amedronta um pequeno vilarejo, a escuridão aterrorizante, ou uma gosma indescritível, tudo isso retrataria a temática do autor. Para Linda Williams, estudiosa do campo, o sucesso deste subgênero se deve aos sentimentos aos quais espectador pode experimentar. No caso do horror corporal “volta-se para o medo do corpo e os limites da carne”, bem como “celebra as capacidades e potencialidades transfor- madoras inerentes ao corpo. Essas transformações corporais são sempre ambíguas: violentas e, ao mesmo tempo, libertadoras e repulsivamente belas”. Uma diferença comum no body horror é que as violações ou distorções aberrantes do corpo observadas ao longo da trama, raramente são o resultado de violência imediata ou inicial. Em vez disso, elas geralmente são marcadas por uma perda de controle consciente sobre o corpo por meio de mutação, doença ou outros tropos envolvendo transformação descontrolada. Tomemos como modelo o filme A MOSCA, as úlceras e puses, aparecem e aumentam enquanto o enredo progride, na escala social, institucional e pessoal dos relacionamentos do protagonista com seu mundo. Nada é gratuito. A estética desse subgênero pode invocar no espectador senti- mentos intensos de desgosto físico e psicológico, ou nojo, e explora as ansiedades de vulnerabilidade física. O horror gótico foi um dos responsáveis por revitalizar o gênio das estó- rias deste subgênero,FRANKENSTEIN (1818), de Mary Shelley, é um dos primeiros exemplos na ficção literária. O sucesso do horror gótico no século XIX, combinado ao surgimento da literatura de ficção científica, é considerado a origem do horror corporal como gênero literário. CONTINUA Fig. 08.: Zumbificação, deformações, mutações engloba o body horror. Presente em várias aréas gráficas e audiovisuais, da direita para esquerda. Jovem sob maquiagem zumbificada; Cena do filme Akira (1988); cena do Anime Parasita (1988-89), O filme Antiviral (2012) e a Mosca (1986), os dois últimos dirigidos por Cro- nenberg filho e pai, expoentes do subgênero. Fontes: https://www.wikiwand.com/en/Body_horror http://operationrainfall.com/2013/06/26/anime-of-the-past-akira/ https://nerdlicious.com.br/2020/06/analise-do-anime-parasyte-the-maxim/ https://www.gamespot.com/gallery/14-disgusting-body-horror-movies-to-watch-right-no/2900-1893/ https://macabra.tv/o-medo-da-carne-nos-filmes-de-horror-corporal/ o monStro da laGoa nEGra (1954) dIreção: JAcK ArNOlD Universal International PiCtUres FadE In: SUBCAPíTULO 04 soBre arQUÉtIPos arQUÉtiPos e ClIChÉs Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 36. 37.INT. - SOBRE ARQUÉT IPOS - SUBCAPÍTULO 04 Desde o principio os seres humanos na necessidade de se conectar com os demais buscam entender os eventos naturais, através dos mi- tos, contos de fadas, lendas folclóricas, etc. Esse fato é perceptível não só em uma cultura, mas todas as que já colocaram seus pés na TERRA. Partilham em algum grau suas vivências e existências,além de essências por meio das estórias. Seja contando as aventuras de um herói errante rumo ao resgate de sua amada seja pelos desafetos divinos com a humanidade, dilúvio, por exemplo. Em toda estória há tipos únicos e específicos interligados a cada so- ciedade. JUNG partindo do pressuposto de antigos filósofos gregos desenvolvia em seus escritos um “elemento” presente no inconsciente que pudesse referenciar a conceitos psíquicos, observáveis nestas estó- rias. Para ele, portanto, as gerações passadas compartilhavam percepções, atitudes, sensações e sentimentos frente à situações da vida, as quais são herdadas e transmitidas. Nessa tentativa de compreender a men- te humana criou o conceito de inconsciente coletivo, local sem acesso ao individuo, mas que é compartilhada universalmente entre todos os seres humanos. Então, para explicar, inventou o conceito de arquétipos, crendo nas emoções profundas evocadas por cada um destes doze tipos pensados por ele. Muitas vezes aparecem como produtos dos sonhos que pode ou não haver relação com a história de vida do indivíduo. Mais tarde estas doze categorias seriam compiladas e estudadas como estrutura narratológica no livro O HEROI DE MIL FACES do mitólogo e professor Joseph Campbell. FIG.09.: Imagem explicativa do que seria o inconsciente coletivo Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/inconsciente-coletivo-de-carl-jung/ INT. -SOBRE ARQUÉT IPOS - O HEROI DE MIL FACES E O C INEMA Seja a trama ambientada em uma melancólica, porém movimentada casa noturna em Casablanca seja ela localizada nos arredores quentes do sul dos EUA, vista sob o olhar de um escravo liberto, as persona- gens cinematográficas são assim como as antigas lendas nórdicas ou os fantásticos seres das mitologias, exemplos de caracteristicas e tra- ços compartilhados por quaisquer seres humanos. Contamos estórias por que elas nos dizem muito sobre nós mesmos, elas são resquicicios de tempos antigos e distantes. Personagens são autoconhecimento, no momento em que nos sen- tamos na sala escura de um cinema, não queremos ver apenas traços vazios de personalidades, muito pelo contrário gostamos de dimen- sões contraditórias, segundo Robert Mckee no livro “Story” ele nos diz: ROBERT MCKEE (V.O) Dimensão significa contradição: ou dentro da personagem verdadeira (ambição culpada) ou entre a caracterização e a personagem verdadeira (um ladrão charmoso) (MCKEE,2007,P.354) Nos casos supracitados teriamos na primeira situação Macbeth, sua complexidade não vem somente por sua ambição, mas a culpa pelo feito, é dai que vem sua personalidade atraente e empática. Para o segundo, Lupin o ladrão de jóias que ao mesmo tempo nos encanta pela sua saga- cidade e sedução em atrair as pessoas e solucionar problemas. Portanto, quando nos debruçamos sobre uma obra queremos nos sentir completos, pois, algo nos falta e assim como os antigos conta- dores de estórias que aninhavam em volta de uma fogueira, procura- mos compreender esse “vazio”que nos assombra. A Jornada do Heroi, é fundamentada no conceito de monomito ao qual o autor explica a onipresença do conceito “ por meio de uma mescla entre o conceito junguiano de arquétipos, forças inconscientes da concepção freudiana, e a estruturação dos ritos de passagem por Arnold van Gen- nep.” Com isso em mente, dividiu as estórias estruturando elas em Três Gran- des Etapas: PARTIDA, a personagem é convocada para a aventura; INI- CIAÇÃO contém as várias situações vividas pela personagem no decorrer de sua jornada e o RETORNO volta para seu mundo munida dos apren- dizados em sua aventura. Todas seguem em algum grau estes conceitos, Campbell cita o mito de Buda, Jesus, Osíris e Prometeu. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 38. 39. INT. ARQUÉT IPOS E CLICHÉS - MESMO SUBCAPÍTULOS FIG.10.: As Etapas da Jornada do Heroi Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Monomito Desse modelo apresentado por Jung e Campbell o horror e terror podem ser fontes dos mais diversos arquétipos, instalado tanto nas persona- gens/criaturas quanto no locus/ambiente. Isso é tão verdade, que livros foram escritos a despeito da escrita para roteiro, caso de Christopher Vogler e sua Jornada do Escritor. Inclusive o meio empresarial e o marketing servem deste meio para en- quadrar caracteristicas unicas de seus prováveis clientes. Sabendo que nosso subconsciente é repleto de representações que podem ser entendidas e compreendidas por qualquer um, os filmes se valem também do cliché e tropo, pois as estórias originais são contadas e recontadas várias vezes, assim à adesão a uma determinada estória pode ser apreendida mais facilmente, uma vez que, tais usos recorrentes destes símbolos geram no imaginário popular as configurações para um determinado gênero. Para Mckee rondam duas problemáticas: a primeira é a funcionalidade do cliché, desde um “marcador” emocional para o público, por exemplo: a clássica cena de Horror em que a personagem vai ao banheiro e a cria- tura aparece no espelho, até mesmo como recuperação consciente de outros clichés usados ao longo das eras: a pomba branca sinalizando paz, o peixe no cristianismo, etc. Ainda a sagacidade com a qual certos cineastas souberam usar com maestria e acabou sendo copiado diversas vezes, podemos citar o jump scare “The Lewton Bus”, literalmente “O Ônibus De Lewton” é quando se constrói uma tensão lentamente e, em seguida, revela ser algo inofensi- vo. O segundo problema e talvez um dos maiores é a facilidade do acesso às diferentes mídias somadas aos baixos custos de muitos filmes como no caso da época dos VHS, em que filmes trashes eram produzidos aos montes, desgastando subgênero de assassinos mascarados ou slasher. Conceituando o termo “aldeia global” fica claro do porquê ser tão fácil vi- sualizar os clichês, os meios de comunicação restritos à pequenos grupos e espaços geográficos específicos, contudo pela popularização midiática estas barreiras puderam ser superadas e uma remodelação da sociedade foi possível. Em pouco tempo, filmes em inglês ou outras línguas e desta à outras for- mas de retratar símbolos conhecidos eram vistos por membros da nossa sociedade. O mesmo filme de Horror carregado com características pró- prias do gênero pode ser reconhecido e assimilado facilmente em quase qualquer lugar no mundo. Para Mcluhan, no caso dos filmes, suas influências tangem a outros meios de comunicação: peças de teatro, óperas, livros, pinturas e contos orais. Uma vez que, servem de parâmetro para novas formas artísticas que vão surgindo, deste modo certas narrativas aceitas pelo público podem ser empregadas com maior fluidez, no caso do cinema por limitações tecno- lógicas usava muito a linguagem teatral e da ópera, ou seja, planos lon- gos e estáticos com atuações enérgicas e caricatas. Caso de filmes inspirados em obras literárias góticas, muitas conservam elementos básicos que na época chocavam os leitores, a exemplo, a mansão distante da civilização e reconhecida por casos de morte ou as- sassinatos descobertos ou a serem descobertos; seres ligados às trevas ou morte, e, religiosos também, temas ligados à sociedade, casamentos, família, além de sexualidade e eroticidade. Fig. 11.: Um dos símbolos mais reconhecidos no Horror, a sombra do antagonista à espreita sinalizando o perigo iminente. Na imagem, Nosferatu, clássico do horror, muito influente na figura do Vampiro, já ao lado Cat People criador de famosos jump scares como o citado THE LEWTON BUS. Fontes: https://en.wikipedia.org/wiki/Nosferatu#/media/File:NosferatuShadow.jpg e https://www.listal.com/ viewimage/338607 Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 40. 41. Fig. 12.: A primeira Imagem retrata o primeiro filme de Horror “A MANSÃO DO DIABO” e ao lado livros góticos que exploraram cada um ao seu modo as características do gênero “Mansão Assombrada”, subgênero saturado já na época do lançamento de ambas, inclusive o de Austen é uma paródia a ele. Fontes: http://cinemadahistoria.blogspot.com/2014/01/a-mansao-do-diabo-1896-o-primeiro-filme.html ; https://www.amazon.com.br/Edgar-Allan-Poe-Queda-Usher/dp/8582770480 ; https://www.fnac.pt/Northanger-Abbey-Jane-Austen/a7140509 Seguindo ainda a ótica do autor, o cliché é um cliché, pois nasce e re- nasce de um anterior a ele, podemos estender à cruz do Império Ro- mano ligada à tortura e morte, porém quando os cristãos fazem uso, o significado é completamente outro ela ganha um peso de proteção, ressurreição e contemplação pelo fato de Cristo morrer pelos pecados de seu secto. E outro problema encontrado nos clichés, é o fator novidade, dessa maneira, o cinema enfrenta um grande embate, pois assim como outros meios artísticos é uma arte que é embasada no tempo, isto é, a lingua- gem usada na década de 30 muito provavelmente entediaria o público de hoje calcado em outra linguagem cinematográfica, um outro fator a ser considerado é a duração do longa metragem, que deve lidar ao longo de sua extensão sem que o público note a passagem do tempo e perceba repetições de movimentos, ritmo, cenas, personagens, dentre outros fatores, assim notariam o tempo passado e distrairiam ou com toda certeza deixariam de ver ao filme. Em secções passadas tratei parcialmente os assuntos de arquétipo e clichés no cinema, agora quero tratar aqui quem são e como são repre- sentados nos cartazes de filmes, como base usei o livro de Christopher Vogler, A JORNADA DO ESCRITOR. Sobremaneira tratei dos vistos nos filmes de Horror e Terror. Cabe também uma adequação dos termos empregados por Vogler. Tratarei sobre Cinco especificamente, arquétipos podem aparecer em maior quantidade numa única personagem. Heroína, Sombra nesse caso adaptarei para Desconhecido, O Camaleão, Mentor e O Arauto. EX T. CL ICHÉS E ARQUÉT IPOS NOS CARTAZES - O PRÉ - PROJETO EXT. DESCONHECIDO - ARQUÉT IPOS Representa os aspectos obscuros, reprimidos, rejeitados ou as energias negativas de alguma coisa. Em outras palavras o Desconhecido é tudo aquilo que não gostamos em nós, pode ser características negativas ou até positivas que por alguma razão encontram omitidas, esperando ganhar luz à consciência, e por hora espreitam as sombras do mundo inconsciente. Até aqui nada de novo em relação a Jung, no entanto quando pensamos em filmes de Horror e Terror, os Antagonistas, vilões ou inimigos ad- quirem papéis de instituições sociais, os já citados (desejos reprimidos, sentimentos, traumas, psicoses e vícios) ou até doenças, como o Alzhei- mer, em A Relíquia. Michael Myers de Halloween, se apresenta como um vilão determinado a cumprir seus objetivos, contudo, se pensarmos não Em Quem ou No Que é chegaremos a outras camadas exploradas. Myers não é só um vilão ele representa a sociedade da época, sobretu- do, uma instituição, o Governo dos EUA e suas políticas públicas contra as drogas e o movimento Hippie de 70. Pense nesse “mal” que espreita suas “vítimas” em silêncio, toda vez que aparece, Myers elimina um tipo específico de pessoas, jovens récem-saidos do Ensino Médio, que estão descobrindo o sexo e as drogas. Logo, o objetivo principal é saber como lidar ou deter o Desconnhecido, muitas vezes isso têm um preço alto, geralmente visto no cinema euro- peu ou asiático é raro filmes no Brasil e até nos EUA, em que o protago- nista morre ou termina em final agridoce. EX T. CAMALEÃO - ARQUÉT IPOS O próximo é o CAMALEÃO. Como o nome sugere, este arquétipo sem- pre está mudando de lado ou traços de personalidade, foi uns dos mais díficeis de entender, para mim os monstros que mais se encaixariam neste são: vampiros, lobisomens, o Monstro do Pântano e da Lagoa Ne- gra, e os de Del Toro, mas podemos observar em A Pele Que Hábito e Os Olhos sem Rosto ambos na figura paterna, mas pode ser um local tam- bém, casas mal assombradas nos filmes de assombração ou algum locus, flertam também com o Arauto. Christopher Vogler (V.O.) Os Camaleões mudam de aparência e humor, e é difícil para o heroi e público defini-los. Eles podem enganar o heroi ou mantê-lo em dúvida, e sua lealdade ou sinceridade é sempre questionável. Um Aliado ou amigo do mesmo sexo que o do heroi também pode agir como Camaleão numa comédia com compa- nheiros protagonistas ou numa aventura. Magos, bruxas e ogros são Camaleõs tradicionais nos contos de fada. (VOGLER, Christopher. A Jornada do Escritor, 2015; p. 10 Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 42. 43. EX T. ARAUTO - ARQUÉT IPOS Em Jung, a função deles é expressar a energia do animus e anima, este é o elemento masculino no incosciente feminino e esse é o do masculino. Animus é “o conjunto de imagens positivas e negativas de masculinidade nos sonhos e fantasias de uma mulher.” Anima é o oposto. Na teoria, temos qualidades masculinas e femininas feitas para a sobre- vivência e o equilíbrio interno. Historicamente, tanto homens quanto mulheres sofreram fortes repressões sociais que impediram a manifes- tação destas qualidades, por sua vez interpretadas também pelo que a sociedade entende como masculinidade e feminilidade. Então, “força” e “assertividade” seriam qualidades vistas nos homens e reprimidas nas mulheres quando as demonstram, já no outro espectro teríamos “sensibilidade”, “intuição”, e a “capacidade de sentir e expressar emoções” repreendidos aos homens quando sinalizam uma destas quali- dades. Isso, leva a problemas emocionais e físicos se estas energias não forem recuperadas. Elas podem assumir papéis de personagens, familiares, monstros, deuses nos sonhos e fantasias que nos permitem expressar essa força incons- ciente em nosso interior. Assim, animus e anima são figuras negativas ou positivas ao qual serão úteis ou a destruição do heroi. O Arquétipo é ligado a mudanças e transformação, surge sempre em si- nal de dúvida ao protagonista ainda em fase inicial em sua jornada. Lidar com ele gera alteração na atitude e aceitar as energias reprimidas. Estas transformações por vezes se dão pela mudança na aparência das personagens. Sua aparição é mais ligado ao início das estórias, mesmo não sendo uma regra, ajuda o heroi a entrar de vez na Jornada. Podem ser aconteci- mentos externos, forças da natureza,personagens ligados ou não ao heroi, trazem notícias de mudança, esse arquétipo se torna presente e ideal em qualquer estória. Mudanças são inevitáveis em nossas vidas, no intimo sabemos quando chega a hora. E a vida, manda algum emissário, seja em forma de filme, situações, pessoas ou sonhos. Em MIDSOMMAR surge na morte dos familiares de Dani, em filmes de assombração a busca por entes desaparecidos são o sinal, na série A MALDIÇÃO DA RESIDÊNCIA HILL, a caçula desaparece ao voltar para a dita residência desencadeando o enredo. Também são responsáveis por motivação, às vezes ela pode ser a des- truição do heroi, em PSICOSE o fator dinheiro age como um Arauto à Marion e isso é o seu fim. Havia dito a importãncia desse arquétipo no começo da estória, por que quando recebe o chamado para a Aventura, o protagonista fará de tudo para evitá-lo, Mckee complementa com o termo “mínimo esforço possível”, todos somos assim, se não existe algo maior que nós para nos obrigar a realizar a tarefa nao faremos. De repente, uma nova energia desconheci- da, até então, leva o protagonista a fazer uma escolha difícil e impossível de ser evitada. Sem dúvida uns dos mais singulares, o Mentor no horror e terror é per- ceptível em assombrações ou de possesões, em que alguém mais expe- riente aparece para auxiliar as personagens, frequente é um médiun ou padre. Um arquétipo recorrente nos mitos, sonhos e estórias, de fato o ci- nema está repleto deles, desde Obi Wan na saga Star Wars a King Schultz em Django, eles representam o self. Esse Eu superior conecta-se com os aspectos da personalidade, a parte mais sábia, mais nobre e mais parecida com um deus que temos. Age como uma consciência para nos orientar, a nossa voz interior. A figura do Mentor, de certo representa as maiores aspirações ao heroi, virtualiza o final desejável se continuar no caminho correto, eles são quase sempre “viajantes” de mesma viagem do heroi, sobreviveram e agora colhem os frutos deste sucesso. Sua imagem se vincula ao dos pais. Suas funções são as de ensinar; ceder informações; objetos; se sacrificar; estes devem ser merecidos pela personagem, após passar por testes, isto revela o compromisso, a força de vontade, aprendizado e sacrifícios. Mentores são vezes a força motriz que motiva o heroi a engajar na Aven- tura e querer se superar e completar seu Arco Dramático. Já nos filmes de horror e terror, os mentores assumem papéis “negati- vos” e podem se confundir com o Desconhecido, por exemplo, em JOGOS MORTAIS, Jigsaw têm uma visão deturpada de códigos morais e éticos aos quais força suas vítimas a seguirem e serem livres de seus “erros irre- mediáveis” morais e éticamente. Mentores Sombrios, iludem o público quanto suas intenções com os herois, psicologicamente serve como obstáculos a serem superados, a fim do heroi atingir seu próximo nível de desenvolvimento. EX T. MENTOR - ARQUÉT IPOS EXT. HEROÍNA - ARQUÉT IPOS Nos gêneros de horror e terror, este se divide em várias categorias, o Inocente é o mais recorrente nos Slashers, em que a Final Girl sobrevive ou não. Já nos Body Horrors, há um misto entre Criador e Destruidor, a persona- gem passa por degradações fatais, justo pela “arrogância” e “orgulho” que os levam ao descuido com o Desconhecido ou Mentores Sombrios. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 44. 45. Victor Frankestein em FRANKESTEIN, Herbet West em RE-ANIMATOR, Seth Brundle em A MOSCA e Jack Griffin em O HOMEM INVÍSIVEL são ótimos exemplos. Caso nos Gore, são assumidos Mártires, uma vez que apresentam a vulnerabilidade humana em momentos de pura impotência e sua busca pela liberdade destes males são o que nos motiva a vê-los. Todos estes são citados por Vogler do livro de Carol S. Peterson, O Des- pertar do Herói Interior e adaptados por mim. Um Heroi, têm sua função a de “servir e proteger”. sacrifica seus próprios anseios pelos demais, na psicologia representa o “Ego - a parte da per- sonalidade que se separa da mãe, que se considera distinto do restante da humanidade.” Vogler (2015) com a possibilidade de se tornar único ao incorporar partes positivas e negativas em seu interior tornando-se completo e distante das amarras do ego, mesmo sendo puro Ego ao inicio das estórias. O Escolhido, O Único capaz de resolver os problemas do mundo. E, sua separação de seu grupo muito têm a ver com a criança sendo separada de sua mãe. Logo, a busca por nossa identidade completa e equilibrada se faz pre- sente neste arquétipo. Identificamos com o Heroi por ele ter ou faltar qualidades que sentimos haver pouco em nós. São os tais sentimentos universais: o desejo de ser amado, importância, respeito, reconhecimen- to por habilidades ou caractéristicas pessoais, neuroses, vícios, vingança, liberdade. Mesmo tendo emoções, qualidades e motivações universais o Heroi precisa ser único, sentimentos conflitantes, não um amontoado de características. Enfim, o arquétipo do Heroi(na), são símbolos de mudanças significati- vas que devem ser empreendidas por todos nós. EX T. ARQUÉT IPOS NOS CARTAZES - CL ICHÉS Para esse fim, selecionei alguns cartazes, é imprescindível discutir sobre como os arquétipos surgem, já que a leitura de uma obra pode ser feita atráves destas “repetições visuais”. Ressalva também, caso do cinema de indústria ou festivais ano a ano é seguido uma tendência pela facilidade em identificar a obra em questão. E por sua vez muda-se com o tempo, durante essa pesquisa, li vários sites repetindo a mesma informação restritas ao humor do cartaz, isto é, as cores e sua relação ao gênero, no entanto, achei improdutivo pela quantidade de filmes “analisados” serem baixas e não resumiam a todo gênero. Como disse, clichés não devem ser interpretados de forma negativa ou sem inspiração, e sim, pela qualidade técnica e seu potencial em alcançar novos significados. A título de curiosidade, a personagem HULK têm fortes relações com a de O MÉDICO E O MONSTRO, ambas têm suas personalidades ne- gativas repelidas da positiva, viram criaturas incontroláveis e destrui- doras. Porém, isso não faz Hulk ruim ou sem inspiração. Sei que os cartazes apresentados são poucos, no entanto servem como um parâmetro para observarmos como eles aparecem. Fig.13.: Maligno demonstra que a tipografia pode ser usada como perigo iminente, o Desconhecido, a cor preta ressalta a urgência ao qual a protagonista está imersa, no horror e terror, geralmente nos Industriais, uma foto da artista principal é fundamental. Fonte: https://anmtv.com.br/maligno-novo-terror-de-james-wan-ganha-cartaz-e-trailer/ Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 46. 47. Fig.14.: Jogo de Cena não é bem um filme de terror ou horror, porém mostra como as angústias e aqueles sentimentos nunca ditos podem causar danos sérios à persona humana, muitas vezes os perigos da vida são maiores à ficção, obra indispensável do grande mestre dos documentários, Eduardo Coutinho. Fonte: https://www.imdb.com/title/tt1165293/ Fig.15.: Nos cartazes de Del Toro, o Arauto e Desconhecido muitas vezes se misturam, com anúncios de mu- danças evidentes para as figuras centrais, a contradição e subversão é marca registrada do diretor mexicano. Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/497084877591413747/ ATO III estÓrIa e Contexto; WorldBUIldInG; PersonaGens; o ProJeto; ConClUsÕes; BIBlIoGraFIa/ FIlMoGraFIa SUSPIrIa (2018) direção: luccA guADANiNO FrenesY FilM CoMPanY FadE In: SUBCAÍTULO 05 estÓria; WorldBUildinG; PersonaGens; aniQUilaçÃo(2018) direção: AlEx gArlAND ParaMoUnt PiCtUres FadE In: Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 52. 53.INT. ESTÓRIA - DA CRIAÇÃO - SUBCAPÍTULO O5 Seguindo as orientações de meu professor de Desenho Milton Nakata, logo no inicio da Faculdade, em 2017, comecei a pensar na ideia de meu TCC. Ao invés de criar uma estória do zero, decidi retomar arquivos antigos armazena- dos no Drive do Google “ESBOÇOS DE ROTEIROS” e lendo alguns me deparei com um rascunho em potencial. O conceito do pequeno excerto era: “Duas irmãs se mudam para o campo logo após a separação de seus pais, com o pai trabalhando e cuidando delas. Certa noite ao voltar do trabalho dorme ao volante e sofre um acidente fatal. Com o pai morto, ambas resolvem visitar o Templo Religioso local em que o mundo dos espíritos se conecta ao dos humanos e assim trazer a alma de seu pai de volta.” Ela ainda escondia diversos problemas, mas era perfeita para retratar o assun- to infância e amadurecimento ao qual gostaria de retratar. Carecia de muito mais conteúdo, torná-la mais atrativa, por isso busquei filmes que me inspi- raram durante a infância, os do Studio Ghubli foram essenciais, sobretudo A VIAGEM DE CHIHIRO. Além disso, pensei que a ideia de personagens em um mundo humano passa- rem por conflitos que culminariam num mundo mágico, não me era estranho, então, pensando comigo mesmo recordei de As Crônicas de Nárnia, sobretudo o segundo livro O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA, o qual pude lê-lo e pensando melhor acredito que deve ter sido dai que minha vontade para criar um mundo fantástico tenha surgido. E, mais recentemente o jogo NI NO KUNI, com temática semelhante, adição apenas de o garotinho Oliver partir numa jornada para encontrar a cura da doença de sua mãe. Sucedeu que eu gostaria de fazer um filme ou um projeto em que me sentisse mais relaxado refletisse interesses e medos da vida adulta, prin- cipalmente em relação ao meu futuro: vida pessoal, trabalho, casa pró- pria, etc. Fosse o que fosse, comecei a criação da estória, ao menos, imaginava e por que digo isso? Geralmente o processo começa por um Worldbuilding ou Geoficção, e isso é basicamente a planta da estrutura de seu mundo: cultura, espécies, temáticas do universo ficticio... Quando se escreve um livro de fantasia, os autores como J.R.R.TOLKIEN e seu Senhor dos Anéis, C.S.LEWIS com As Crônicas de Nárnia e GEORGE R.R. MARTIN, As Crônicas de Gelo e Fogo criam um mapa para iden- tifcar as personagens, os acontecimentos e a geografia de cada região. O problema em pular foi dificuldades em desenvolver o progresso das per- sonagens, linha do tempo dos eventos, etapa dos conflitos, e obviamente, cosmologia do universo. Levei, exatos quatro anos para perceber meu pequeno colossal enga- no. Fig. 16.: Coleção dos exemplos usados no desenvolvimento em partes de “As Fadas Já Não Voam Mais”. Da direita para a esquerda de cima para baixo em sentido horário: Livro AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO; cartaz do filme AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - O LEÃO, A FEIICEIRA E O GUARDA - ROUPA; cartaz promocional de O SENHOR DOS ANÉIS; capa do jogo de horror LITTLE NIGHTMARES; arte gráfica do single de FEAR OF THE DARK e o jogo NI NO KUNI. Fontes: https://www.saraiva.com.br/a-guerra-dos-tronos-as-cronicas-de-gelo-e-fogo-vol-1-10516571/p https://www.adorocinema.com/filmes/filme-47220/ ; https://www.adorocinema.com/filmes/filme-27070/ ; https://gameshark.me/little-nightmares-ps4/ ; https://pt.wikipedia.org/wiki/Fear_of_the_Dark ; https://www.americanas.com.br/produto/173435141 Para meu imaginário longa metragem, ditei sua atmosfera para ser um misto do cômico com o horrendo. Eu particularmente gostei de pensar na sensação que a perda de um ente querido traria na vida de alguém, apesar de eu ter experienciado pouco, os dois únicos foram VÓ na IN- FÂNCIA e VÔ na fase JOVEM ADULTA. Foi um exercício doloroso, mas reconciliador comigo mesmo. Era próximo em partes com ambos, com meus pais separados eu não tive muito contato com a minha vó paterna e o avô materno era de uma cidade distante. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 54. 55. Para criar a atmosfera tenebrosa me voltei à outras áreas além da lite- ratura e cinema, o universo musical é bastante recheado com temáti- cas e instrumentalizações dignas de filmes do horror e Horror. A banda britânica Iron Maiden foi uma forte inspiração, “FEAR OF THE DARK” versava com o horror cósmico tão citado no decorrer do Memo- rial. Além disso, o vídeo game foi uma fonte bem vinda para inspirações, LITTLE NIGHTMARES, com seus ambientes claustrofóbicos e trama mi- nimalista, e dos monstros disformes e desproporcionais serviram tam- bém para pensar nos perigos que elas poderiam enfrentar. Anterior a isso, escrevi três folhas sobre cenas esporádicas que gostaria que aparecessem no decorrer do fictício longa, eram cenas cômicas e trágicas. Nessa época, 2017/2020 ainda focava não no cumprimento do TCC e sim no pós TCC, ou seja, sendo o meu primeiro longa metragem a ser dirigido. Vai lá, nunca fui o supra sumo da boa vontade, falhei miseravelmente, em procurar conhecimentos. Retirado esse esqueleto do armário, fi- quei contente com alguns rumos que a trama e personagens sofreram enquanto planejava, de crianças à adolescentes e de irmãs, completas desconhecidas. Além disso, substitui a figura paternal e maternal por uma entidade nem vista e nem desenhada, literalmente. Fig. 17.: Exemplo de MAPA desenvolvido por TOLKIEN como base para seu universo fantástico, a TERRA MÉDIA. Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/02/cartografo- -amador-desenvolve-mapas-inspirados-no-estilo-de-tolkien.html Conforme havia dito, para engendrar a estória, escrevi à mão cenas ale- atórias, dessas alguns pontos já estavam encaminhados, qual a persona- gem feminina. A intenção de não ser um garotinho foi pela identificação que sentia com muitas personagens femininas, a principal era CHIHIRO, a protagonista de A Viagem de Chihiro. Acho que a identificação se deu por causa da nova experiência na oca- sião, além disso, Chihiro se sentia desconectada de seu mundo como me sentia muitas vezes e ainda sinto. Solitária por deixar amigos para trás em uma viagem em que a jovem não tinha voz, e adentrar a um mundo inóspito e nada convidativo me fisgou de inicio ao fim. TUDO estava lá, ninguém pede ou implora para que a personagem embarque na aventura, ela simplesmente é jogada em um redemoinho de conflitos e emoções e busca um jeito de sair, uma trama muito bem encaixada e conduzida. Ao passo que a trama progride vemos uma garotinha infantil se tornar em uma jovem experiente e com autocontrole. Então, eu tinha essa menina, agora precisava dos pais ou primariamente, pai. Confesso que durante seu desenvolvimento não me atentei ao fato de que estórias são panos de fundo para morais ou experiências que transmitam novas formas de enxergar as coisas. Por que digo isso? Bem, disse VÁRIAS vezes que contadores de estórias refletem suas próprias experiências, certo? Pois bem, e se, o pai fosse separado da mãe, e melhor ainda, não fosse um pai e suas filhas se mu- dando para o campo, e sim uma mãe que está em fuga do pai, leva suas filhas embora e...tá, ai precisei que um amigo na faculdade colocasse a mão em meu ombro e dissesse “Não, você está indo longe demais, é muito cara”. Sou muito grato ao Erick, por ter mudado minha perspectiva do pai se- parado, para a mãe, de fato, em minha própria vida, meus pais se sepa- raram quando eu era pequeno, 3 anos, e talvez, seja por isso que CHIHI- RO foi uma ponte para mim. FALADO sobre as meninas (por cima) e o pai, agora mãe, vamos ao tem- plo. A minha família tem criação no catolicismo e evangélica, salvo uns tios ou tias que pipocavam no espiritismo.O meu interesse não estava na crença em si, mas residia nas palavras entoadas seja por louvor seja por leituras bíblicas. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 56. 57. Fig. 18.: CHIHIRO na icônica cena do trem que se move em completo silêncio. A passagem final e sem volta e sua total aceitação e necessária compreensão da vida adulta. Perde seus pais à maldição dos espíritos da CIDADE SEM NOME governada pela Bruxa YUBABA e agora deve trazê-los de alguma maneira. Fonte: https://cinemacao.com/2014/07/15/critica-a-viagem-de-chihiro/ Fig. 19.: Essa era a primeira versão, o título, ainda “QUANDO VOCÊ ESTAVA LÁ” referenciava aos ensinamentos da mãe para à filha Lisa em sua formação quanto ser humano e futura adulta. Fonte: Acervo próprio. O Templo surgiu por pura associação, afinal se é um mundo dos espíritos visitado pelas irmãs, nada mais justo que haja algum local que funcione como teleporte dimensional ou ligação em algum lugar da estória. Enquanto planejava a estória me detive sobre dois pontos cruciais, a primeira e mais óbvia, não sabia absolutamente nada de religião, o meu conhecimento religioso se restringia à alguns salmos e um pãozinho e suco de uva santificado, que simbolizava a carne e sangue de cristo. A segunda, eu não queria trazer apenas uma única religião, pelo contrário, um sincretismo com outras. Pensei comigo mesmo quais eram as que chamavam mais atenção se era para ser uma estória interiorana no Brasil precisava obrigatoriamente ter religiões de matrizes africanas, além de orientais, por puro capricho meu, pois A Viagem de Chihiro se passava no Japão e tratava de religião e mito. Sucedeu que a primeira opção prevaleceu, uma vez que, de fato, com- preender a espiritualidade e seus conceitos se mostraram difíceis em nível de compreensão e conteúdo. Logo, lá se foi o mundo super com- plexo e calcinado em deidades e suas esferas celestiais. E foram várias, drásticas até demais. Fig. 20.: TEMPLO ZU LAI, a direita localizado em COTIA uma cidade interiorana de SP; ao lado veto- res de templos religiosos diversos. Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_Zu_Lai https://www.freevector.com/religious-buildings# Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 58. 59. Após reescrever várias vezes a trama deixando de lado as irmãs, passan- do por uma filha única até chegar a forma atual uma jovem xamânica conservei ainda elementos de religião, mesmo à nível RPG, isto é, meras classes. Não que fazendo isso tenha diminuído meus problemas, mas abriu novos horizontes e inclusive mesclar outras ideias que havia escri- to. Por exemplo, numa delas: “A Xamã solitária e ambiciosa VERUKA EVANGÉLICA têm de lidar com seus traumas do passado ao mesmo tempo em que uma entidade, Zeitgeist, surge trazendo mudanças drásticas.“ Dessa pequena premissa e já batida por sinal, retirei apenas, o fato de ela ser solitária e traumatizada, com o acréscimo de que essa tal enti- dade não busca uma destruição do mundo, e sim, apenas de VERUKA (o nome da protagonista era Lisa...), como se fosse a projeção de seus problemas as quais a mesma tenta ignorá-los, conhecida no meio psica- nalítico como Sombra. Então... ok. Olhei mais uma vez para cadernos e arquivos no PC, para se ter uma noção de quanto eu escrevi, olha só a pasta “IDEIAS BASES PARA O FILME’’. E a segunda ideia, também envolvia uma Xamã com a diferença de na trama ser uma pré-adolescente aliada a um hipopótamo antropomor- fo que juntos precisavam descobrir o paradeiro de jovens raptadas por criaturas outrora inofensivas. Fig. 21.: Uma das metodologias usadas para a criação e composição, foi escrever à mão. Primeira versão da estória sem mês definido, o ano é de 2017. Fonte: Acervo Pessoal. Aliás, um adendo, foi nessa segunda ideia que trouxe pela primeira vez o repúdio e busca por aceitação, pois, Nívea era uma Xamã e a cidade em que eles se instalaram era preconceituosa com criaturas mágicas, sobre- tudo Bruxas e Feiticeiros... Xamãs nada tem haver com nenhuma das classes supracitadas, diferen- ciam em ordem de magia e da forma que retiram seus poderes, no caso são por meio dos espíritos em uma viagem recheada de psicotrópicos. Fig.22.: Vai lá, talvez não tenha a enorme quantidade de arquivos que talvez você tenha imaginado, mas ainda assim, são consideráveis. Deles, apenas um me serviu, mais ou menos... (.-.) Fonte: Acervo Pessoal. E outro detalhe foi a adição de um centro cultural e bélico, a dicotomia entre ser um local de estudos, mas que ao mesmo tempo se beneficiava como um aparato militar me deixou intrigado. Afinal, tínhamos Impérios e Imperadores que se julgavam como mantenedores da cultura humana. Peguemos Roma ou Alexandre Magno, e misturamos o conceito hele- nista e indo além, escolhemos um local qual Biblioteca de Alexandria, e voalá temos, A SEDE, dessa maneira, traria ao público a centralidade aspirada por essa Organização e sem contar, na união de várias na- ções ou castas, no caso dessa estória em particular, e que mais tarde usaria, foram dividir as Nações ou Tribos tais quais classes de RPG. Além do mais, uma figura tão autoritária quanto um Imperador e o fato de ainda não conhecermos tudo o que ronda a antiguidade, inspirou, fora o Livro de 1984 na figura do GRANDE IRMÃO, a criação de uma “entidade” subliminar como se fosse a paranoia dos cidadãos da cidade e na própria Veruka que mais tarde ganharia seu nome atual: Urilan. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 60. 61. Fig. 23.: Estátua de Alexandre Magno; Ilustração de como poderia ser a Biblioteca de Ale- xandria e o famoso Coliseu, símbolo na época da virtude humana e Romana, claro. Fontes: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2019/02/cientista-afir- ma-que-alexandre-o-grande-foi-enterrado-vivo.html https://bibliotecadealexandria.online/a-biblioteca-de-alexandria/ https://www.stoodi.com.br/blog/historia/roma-antiga/ Fig. 24.: O olho que tudo vê representando o Grande Irmão, em 1984; Dagon umas das criaturas Lovecraftnianas, a imagem achei perfeito para exemplificar a paranoia, posto que não se sabe se é um monstro ao fundo ou apenas um morro; Personagem Central de Sailor Moon, seu nome humano é Serena Tsukino, para mim soou como um nome de heroina com ares tribais. Fontes: https://matheusprado.com.br/resenha-1984-o-grande-irmao-esta-de-olho-em-voce/ (1984) https://www.sitelovecraft.com/mithos.php https://kenleykristofferson.com/tag/sailor-moon-crystal/ A minha ideia era trazer o medo do desconhecido já citado em obras de Lovecraft que se assemelhassem as responsabilidades e consequências de nossas ações e seus males. ENTÃO, eu tinha a mudança do nome da Protagonista, de Veruka para Urilan, não aconteceu por acaso, sempre gostei de animes e filmes de super heroi, e como qualquer criança sonhava, mesmo que impossível em me tornar um. Veruka, por mais interessante que soasse, afinal tinha um nome es- trangeiro para a nossa realidade e também na estória que por mais que não fosse no Brasil, ainda soaria estrangeiro ao local que se pas- sava a estória: Nova Santarém.Mas, ainda assim não entregava a sua “tribalidade” ou “nacionalidade” nessa situação. Urilan por sua vez, soava como uma superheroina de anime, vide SAILOR MOON, ao mesmo tempo em que dialogava em mesmo grau a uma per- sonagem Fantástica rompendo com a realidade que Veruka traria, pois é um nome comum em algum país europeu... Agora, eu precisava de um inimigo a altura, e eis que pensando muito, deixei de lado a SEDE, não por completo, e debrucei sobre o “antagonis- ta” MODERKAI. Para esse fim, escolhi um nome que relembrasse tempos antigos demais para serem datados, e MODERKAI caiu como uma luva. E por qual razão escrevi antagonista entre aspas é a de que eu não o enxergo como um vilão, visto que, ele é uma entidade divina que nunca experenciou sentimentos, sensações e percepções humanas e sobremaneira, desesperadamente tenta escapar delas. Sobremaneira É o Desconhecido da Protagonista. Acredito que seja de suma importância creditar as organizações comen- tadas na secção de METODOLOGIAS, posto que se não fosse por ela estaria andando em círculos até agora, para esse fim, servi da praticidade oferecida pelo Google Drive e através da Planilha moldei meu Worldbuil- ding ou ao menos uma tentativa de. Tentativa de, pois visualmente, ele deixava muito a desejar, está certo, o aplicativo não foi feito para o tipo de documentação que eu precisava, chegou a um ponto de várias ideias coincidirem em um mesmo espaço dificultando sua organização. Além do mais, com as mudanças significativas “de duas irmãs perdidas em um mundo fantástico” a “uma solitária xamã arcana” foram neces- sárias várias readequações do material escrito nessa Planilha, comentei ter usado o site ASANA, e por incrível que pareça me ajudou a organi- zar o que eu realmente queria e o que não. Fig. 25.: Planilha inicialmente criada para facilitar a criação do Worldbuilding de Avalon, cada categoria para o Universo fantástico foi submetido a uma nova página de planilha. Fonte: Acervo Pessoal Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 62. 63. SEJA como for, tinha agora arquivos do Word repleto de possíveis ideias a serem usadas, e uma dificuldade de encontrar um meio termo para elas, apesar de as etapas de Leitura e Revisão terem sido completamente finalizadas, nunca é tarde para descartar opções. Sendo assim, elementos religiosos voltaram mesmo que presentes como plano de fundo, caso da Grande Mãe, a entidade maior desse Universo. E, ainda casos de Moderkai, o antagonista principal como já dito uma deidade. No mais, elementos mágicos vistos nas classes de RPG e também cená- rios, ainda que não os tenha concebido como sketchs e será mais por imagens ou escrita mesmo. Não menos importante referências pictóri- cas, pois pinturas serviram na construção das personalidades de cada personagem. Dei novamente uma chance a magia e autores ditos “feiticeiros” como Franz Bardon, pois as obras tratavam de filosofia, psicanálise e antropol- gia as quais meus níveis de competência não conseguiam absorver por inteiro, então abordei de maneira rasa. Em MAGIA PRÁTICA - O CAMINHO DO ADEPTO, se divide em uma parte teórica e prática. A primeira explica sobre os Quatro Elementos, os flui- dos Elétrico e Magnético, os três planos da existência, etc. Já a parte prática, concordando com a evolução do estudante, contém instruções para desenvolver o Corpo Físico, a Alma (ou Corpo Astral) e o Espírito. Fig.26.: Novo cronograma montado no ASANA depois de deletar o original. Fonte: Acervo Pessoal/ Print de Tela Adicionei a ideia de casca da Cabala ou Kipla e desenvolvi os elementos que comporiam cada Constelação e a base desse universo... Afim de não estender demais e levar a rumos fracamente explora- dos por mim, e na tentativa de afastar das semelhanças com Avatar A Lenda de Ang, optei por transformar os elementos em “seres místicos” por sua vez não vingaram, pois não consegui introduzí-los de maneira satisfatória na estória. Não por isso deixei de usar os elementos básicos: Água, Fogo, Ar, Terra e a Akasha, essa última aceita por Bardon, a Wicca e no Hinduísmo, como um quinto elemento universal. Como seria um RPG deveria haver Conjurações (Buffs), Aprimoramentos (artefatos que melhoram a qualidade do item), Habilidades Específicas de cada classe ou tyer. FADE OUT: WORLDBUILDING� o SEnhor doS anÉiS a SoCiEdadE do anEl (2001) direção: pEtEr JAcKSON Warner Bros. PiCtUres FadE In: Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 66. 67.INT. ESTÓRIA/CONTEXTO - SUBCAPÍTULO 5 ANTECEDENTES À TRAMA PRINCIPAL Quando Avalon foi criada e dividida entre cinco grandes regiões as na- ções ganharam um cristal dedicado a Elementos Naturais, os quais con- cediam habilidades mantendo a harmonia. Cada cristal era protegido por respectivos Protetores ou Guias Espiritu- ais, para os povos Druídicos a AURA do Vento; aos Guerreiros, a AURA do Fogo; Caçadores ou Monitores, a AURA da Terra; Magos, a AURA da Água; Xamãs, a AURA Akasha. Contudo, uma anti-força surgiu, quando os cristais foram unidos em uma única Joia, pelo Dragora de Avalon Ariann, após a Guerra do Gelo e Fogo. Uma AURA até então desconhecida, o Caos, reticente da criação e destruição da vida. Desestabilizando o ecossistema e o submergindo por anos num ar tóxico e mutacional, além de locais inférteis. Porém, prevendo que a ganância humana poderia prevalecer, um ser místico coexiste para manter a Aura Caos inapta, o Espírito da Floresta, ser senciente e livre se manifesta no mundo pelo corpo de um jovem, escolhido numa das tribos, através de um ritual. O Cristal passa por inúmeros conflitos até chegar sem ser notado às pe- quenas ilhas dos Xamãs. Quando reunido mais uma vez por uma jovem xamânica convencida de se usar poderia passar no rito de passagem as mesmas forças obscuras voltam a existir e agora, ela precisa procurar pelo novo Espírito da Floresta, tido como desaparecido, enquanto en- contra uma forma de salvar sua mãe amaldiçoada pela manifestação do Caos. Interesses de terceiros passam a existir e a ganância mais uma vez apa- rece para tomar conta de cada ser. RESUMO DA TRAMA A estória tem seu início com a solitária xamã arcana, Urilan acompanha- da de sua imprestável Moto Furiosa, possui uma alma que morreu e foi implantada é a de sua Mãe. Logo após o incidente com sua tribo, ela carrega consigo o Cristal do Al- vorecer e passa a ser caçada por uma Sombra a qual teme, desse modo nunca ficando parada no mesmo local. Ela procura por Gunmi que carrega o Espírito da Floresta, contudo, sua localização é desconhecida. Desejando saber o nome da Voz a qual fala consigo e trazer a mãe de volta é mandada a Sede pelos anciões de sua tribo, pois a Voz não a dei- xaria em paz atraindo a atenção das Criaturas Mágicas. As terras do continente de Avalon contém ares tóxicos e locais pouco férteis, devido à Guerra do Gelo e Fogo anos atrás. Urilan alia-se ao inconfiável e impulsivo Haizen Daize, um pacato tra- balhador de Avalon, ambos buscam por Gunmi, única capaz de salvar Avalon. EX T. - WORLDBUILDING- MESMO SUBCAPÍTULO O MUNDO DE AVALON A princípio quando pensei em como fazer esse universo não queria que fosse igual a Senhor dos Anéis ou Nárnia, posto que estes mundos já eram parâmetros para quaisquer estórias de alta fantasia. Portanto, ao invés de elementos medievos numa Terra Média ou encantada com um Leão cristão, resolvi estabelecê-la em um cenário caótico e futurista, o gênero Magicpunk. Fig.27.: Reprodução de cenas do Hobbit: Uma Jornada Inesperada e Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Fontes: https://super.abril.com.br/blog/oraculo/por-que-o-hobbit-tem-como-titulo-alternativo-la-e-de-vol- ta-outra-vez-se-ele-nunca-foi-la/ https://www.360meridianos.com/especial/nova-zelandia-terra-media-senhor-dos-aneis-filme MAS POR QUE MAGICPUNK? Durante o desenvolvimento do projeto procurei um gênero que traba- lhasse tanto com o fantástico quanto as classes de RPG. Os Campos e cenários bucólicos saem por cidades repletas de aço ou com aparência caótica e turbulenta qual os cyberfuturistas. Ou, em partes, como veremos adiante Fig.28.: Exemplo de cidade MagicPunk, perceba como a tecnologia e a Magia se misturam em um cenário harmonioso típico da alta fantasia. Fonte: https://www.reddit.com/r/Eberron/comments/h79xt6/my_version_of_the_city_of_sharn/ Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 68. 69.INT. WORLDBUILDING - O MUNDO DE AVALON - MESMO TEMA Tá certo que desde o cyberpunk apresentado em um conto homôni- mo de 1980 por Bruce Bethke, surgiu vários outros “punks”. Bem, se eu queria criar uma narrativa embasada em personagens de- siludidas precisando esquecer seu lar e ressignificar seu mindset para “lar doce lar” eu precisava de um gênero que abusasse disso e sem medo de colocar toda a desgraça e frustração num pedestal e dizer “Eis me aqui! E agora o que fazer comigo?”. Confesso ter demorado demais para me decidir, de inicio, estava fas- cinado pelo universo Ghibli com universo bonitinho e multicolorido, regada por personagens decididas e que no fim conseguiriam o que desejavam, francamente, O SERVIÇO DE ENTREGA DA KIKI e O TÚMU- LO DOS VAGALUMES de nada têm o belo, salvo às mãos seguras dos animadores, de resto, eram das estórias mais duras e secas que já havia visto. As personagens quando completavam o arco de sua jornada, acabavam com um amargor indescritível, Kiki perde em partes sua magia e seu fiel gatinho falante Jiji, aprende as dificuldades da vida adulta, sendo um sistema capitalista, logo percebe que sua magia de nada adianta em um mercado de trabalho desgastante que não está nem um pouco interes- sado na persona “Kiki” e suas habilidades mágicas pessoais a serem de- senvolvidas e sim na “Bruxa Kiki” e sua habilidade de voar o que a leva a abrir seu próprio negócio e sofrer as inseguranças e independência em uma cidade diferente de sua terra natal. Já no Segundo caso, a inocência se esconde nos traços limpos e cores vivas da animação, em contraste com o medo da guerra e seus efeitos, no caso, os irmãos ficam órfãos e sem moradia. Os vagalumes seriam as luzes da esperança alimentadas por idealistas. Eu queria retratar em for- ma de denúncia os perigos de uma, mas sem falar abertamente como episódios dela “Dunkirk” ou “O Resgate do Soldado Ryan”, no mundo de Avalon a relação guerra vs personagens seria igual ou em partes as duas obras Ghibli. Expondo estes fatos podemos ditar as características e seu universo, mesmo que cada um tenha leves alterações ou preferências de trama, personagens, antagonistas, conflitos, ambiente e atmosfera, no entanto é válido notar as singularidades compartilhadas por eles: Sempre, digo sempre mesmo haverá em algum lugar numa estória punk, um antiheroi ele é aquele sujeito desiludido e pouco acredita- do pelos seus pares, mas que têm grandes propósitos ou ao menos imagina ter, quase sempre, nem ele sabe disso, apenas está querendo sobreviver em mais um dia comandado por Grandes Corporações, neste cenário punks, sem dúvida os ancaps iriam amar e quase sempre envol- ve derrotar uma delas ou apenas pequenos grupos de malfeitores. Fig.29.: Cartazes dos filmes “O Túmulo dos Vagalumes” e “O Serviço de Entregas da Kiki”, duas obras que serviram mais tarde no desenvolvi- mento no Design dos meus Cartazes. Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hotaru_no_Haka https://pt.wikipedia.org/wiki/Majo_no_Takky%C5%ABbin Aqui o Estado já não tem mais voz, tudo foi privatizado e dado às gran- des corporações,com a Corporocracia atingida o número de minorias só aumenta.Por exemplo, SOYLAR GREEN, cidadãos tidos como “incapazes” para o desenvolvimento da Nação, idosos e inválidos são transformados em bolachinhas para alimentarem a crescente população de famintos e trabalhadores... imagine uma IFOOD cuidando do que você come... Falando nisso, os cenários são sempre repletos de cidades desordenadas ou inexistentes, às vezes, caso do DesertPunk, apenas o deserto e auto- móveis e grutas servem de habitação. É essencial que de algum modo a tecnologia atrele-se fortemente ao ambiente, seja negativo como em BioPunk ou Cyberpunk seja positivo, SolarPunk, os limites da privacidade e controle são elevados a ponto de partes dos corpos serem modificadas para bel-prazer do indivíduo ou maquina-lo com propósitos mercadoló- gicos. Mas, às vezes ela é usada positivamente no caso do SolarPunk, claro, nem por isso é um lugar bonitinho demais para se viver e nem desejá- vel também. Um outro motivo por optar pelo MAGICPUNK é sua adesão à outros modelos deste subgênero, visto sua base unificadora ser a magia, en- tão caso em algum momento deste projeto eu quisesse unir com a alta fantasia, poderia e foi o que fiz, criando um híbrido o DungeonPunk, que nas palavras de SorcereOfTea, um site dedicado só ao Punk explicou de forma breve e descontraída: SORCEROFTEA (V.O.) “... [ O DUNGEOPUNK] torna-a mais corajosa e mistura em fantasia heróica e tropas de espada e feitiçaria. Imagine bruxos em sobretudo e cocaína mágica sendo vendida nas esquinas de cidades medievais. Dungeon punk é essencialmente Aetherpunk cínico. (sic.)” (https://sorcereroftea.com/punkpunk-a-to-z-of-punk-genres/) Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 70. 71. Ou seja, tudo que o Cyberpunk e ficções cientificas de denúncia como as de ASIMOV já vinham trabalhando em partes, e de quebra casava com meus gostos pessoais de pré-adolescente viciado em game. A estória precisava refletir a independência de uma garota em um mundo ao qual ela não queria fazer parte, mas foi jogada a esmo e agora esperam que ela resolva seus erros. Antes de entrar em mais detalhes sobre as criaturas, sociedade, cultu- ras e etc... acho válido explicar o que aproveitei da Fantasia e misturei com o Punk. Fig.30.: Reprodução de cenários SolarPunk ou EcoPunk, perceba como mes- mo a cidade aparentando inocência, aconchego, ela esconde a animosidade de cidade mal planejada com grandes comunidades crescendo em morros; ao lado o Cartaz de Blade Runner, os edificios enormes como se engolissem e oprimissem a pequena e volumosa população, ao centro dela nosso Anti-heroi solitário e sem quaisquer propósitos de vida. Fontes: https://br.pinterest.com/pin/635077984953328419/ https://br.pinterest.com/pin/672654894334786970/ https://br.pinterest.com/pin/418271884139222027/ FANTASIA Fantasia é um gênero literário que abrange não só um mundo ou mate- rial, dai vem sua versatilidade, mas se infiltra em outros gêneros caso do horror. Apesar da divergência entre estudiosos do tema,é singular a inde- pendência da ciência ou tecnologia tais como conhecemos. Cada mundo possui sua própria ou até mesmo não a possuem, por exemplo a magia na fantasia urbana de Harry Potter e as da Terra Média em O Senhor dos Anéis são diferentes e com cenários próprios. Dessa forma, o subgênero punk abraça o fantástico, criando ou recrian- do mundos ao seu gosto, a revista Weird Tales foi bacana pela compila- ção de contos, confesso ter lido apenas uma. Porém, ela se destrincha em outros subgêneros, caso da baixa e alta fantasia, cada qual com suas singularidades que não valem a pena serem retratadas aqui. A única ressalva que busquei era a formação desses mundos, pois havia dois tipos Hard ou Soft Worldbuilding, a primeira consiste num mundo fictício apoiado em regras, lógica e precisão científica consistentes.Por outro lado, a Soft se preocupa mais com o envolvimento às personagens, cultura e relacionamentos e menos com a plausabilidade das coisas. Exemplo de Hard O Hobbit do Tolkien e Soft, Viagem de Chihiro, pois estamos mais interessados em saber sobre como ela contornará seu problema. AS CLASSES Durante o desenvolvimento da estória ficou claro que as minhas habi- lidades em desenho não eram nada boas, portanto, apenas ilustrarei com imagens ligadas aos temas tratados neste memorial e resumirei em algumas palavras. Para esse fim, escolhi O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo para a cultura e Nárnia serviu às criaturas. Eu tinha também, classes de RPG que de alguma forma precisavam en- caixar, observei o ocultismo apresentado na astrologia, os zodíacos, cada um possui elementos naturais e não podiam ser poderes de cada tribo, pois senão assemelharia ao desenho Avatar. Defini cinco classes a princípio para serem trabalhadas, sendo que aban- donei duas personagens por insatisfação à aparência delas. Xamãs, Druidas, Guerreiros, Magos e Caçadores. Destes, apenas os três primeiros seguiram adiante os outros dois ocorreu o relatado acima. Para os Xamãs, por conversarem com Espíritos seu elemento é a Akasha, em cosmologia indiana é o espaço - o material que preenche o cosmos, a base de toa a criação - no campo da psiquiatria é o inconsciente coleti- vo. A ideia base quando planejei essa tribo e pela protagonista ser uma xamã, era os conhecimentos ensinados a ela pela mãe, além de seus an- tepassados como um todo.Seu local seriam as ilhas distantes do contato com outras civilizações. Os Guerreiros o Fogo, a vontade por mais poder e dominação, a ori- gem do governo de Avalon. As máquinas que nunca param, ela é a mais militarizada e industrializada, foi uma das responsáveis pela destruição e dominação por parte de algumas regiões, membro ativo da SEDE, uma de suas fundadoras. Penso nela como a Oceania de 1984 e a Metrópoles do filme de 27 Metrópoles. Para os Magos, a Água me pareceu bastante apropriada devido as vá- rias formas de manipulação e a magia dos magos, ainda indomável pela maneira que ora aparece na realidade, como um inofensivo córrego até mesmo a um tsunami. Sua habitação seriam mosteiros, também próxi- mos de grandes centros urbanos. Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 72. 73. CIDADES - AVALON Por ser um centro desenvolvido e territorialista, Avalon foi desenhada para se parecer como os Impérios de antigamente, povoado pelos vigi- lantes de César ao qual Ovídio certa vez discutiu “Quem vigia os vigilan- tes”, sendo a classe subalterna os Caçadores. Completamente movida pela força de suas indústrias, mantém a áurea punk e suas grandes Corporações, a SEDE, ao mesmo tempo de domínio e cooperação é também preservo conhecimentos e feitos dos avalonia- nos (no caso Continente e País), isto é, passível de revisões históricas. Quando pensamos em obras distópicas, é frequente seus cenários serem opressores, sem cor ou ânimo. No entanto, fui na contramão e selecionei países europeus e a cidade do Rio de Janeiro, pois continham fusões de arquiteturas, texturas e a “opressão” pelo mal planejamento e crescimento desenfreado das cida- des. Pensei em seguir a risca o filme de Metropolis, em que a parte utó- pica ficava na Alta e os trabalhadores na Baixa. Como eu gostaria de criar um ar de insatisfação e paranoia na vida das pessoas, fiz uso dos clichés de filmes de Horror em vilas, em que um forasteiro geralmente ocidental cristão visita um povoado pagão e a trama gira no choque destas duas realidades, porém ao invés do sobrenatural, as cores alegres e convidati- vas, junção das culturas dominadas. Druidas o Vento foi escolhido, por usarem da magia divina em sua com- posição mágica ou espiritual, nativos das florestas e amigos dos animais, também pelo druida conseguir tomar forma do corpo e mente dos ani- mais. Seu local seriam as florestas, mas diferente dos Xamãs não vive- riam isolados da civilização. Caçadores optei pela Terra muito pela filosofia e estilo de vida imutáveis, mas que a qualquer momento poderiam ruir, assim como em um terre- moto. Eles entram em constante conflito com os Druidas por causa do desequilíbrio que acabam causando nos ecossistemas druídicos, alinha- ram aos Avalonianos, servindo como uma polícia secreta do Dragora, obstruindo manifestações contrárias ao “regime”. Fig. 31.: A ideia base era de que Avalon fosse como o Rio de Janeiro, um local que esconde o “feio” mesmo em sua malha urbana, além da enorme estátua do Cristo, no caso de Avalon seria a fictícia de Dragora Ariann que protege à todos e a todos observa, independente do ponto da cidade. A aparência e apelo cultural e convi- dativo, somado a traços históricos, por assimilar diversas Culturas. Um brilho de otimismo maquiado e uma desilusão maldita paira no ar e corações de quem habita. Fontes: https://br.pinterest.com/pin/702843085577423767/ ; https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/no- ticia/2018/08/29/rj-chega-a-172-milhoes-de-habitantes-em-2018-segundo-estimativa-do-ibge.ghtml ; https://www.reddit.com/r/solarpunk/comments/dlkbv5/solarpunk_by_rita_fei/ ; https://www.reddit.com/r/ TwoBestFriendsPlay/comments/hr4prp/favourite_noncyberpunk_punk_genre/ ; https://sorcereroftea.com/ punkpunk-a-to-z-of-punk-genres/ ; https://terminaldeembarque.com/2014/03/18/dez-cidades-europeias-que- -voce-nao-sabia-que-existiam-por-tripadvisor/ https://www.blogdaletrinhas.com.br/conteudos/visualizar/O- -que-o-classico-1984-tem-de-atual Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam Mais Memorial Descritivo - As Fadas Já Não Voam MaisLuis Fernando da Silva Faria Luis Fernando da Silva Faria 74. 75. CIDADES - XAMÃS E DRUIDAS Ambas as classes por terem elementos quase parecidos, o de contato com a natureza espiritual, ainda que sobremaneira divirja no universo deste “espírito”. Estas em particular são as que mais sofrem com as consequências da Guerra, ao ponto de deslocarem à regiões quase inférteis. Uma parte da Nação druídica resolveu se aliar a Avalon. A segunda junto com os Xamãs e outras tribos se isolaram em ilhas. A caracterização delas bebe de fontes dos quadrinhos de Moebius e do fil- me de Nausicaä, ainda lugares reais como a cidade de Timbukto, a cida- dezinha croata Dubrovnik e fundido à arquitetura de Santorini, escolhidas por serem litorâneas. Os druidas e clérigos (outra classe presente) foram assimilados por Avalon e agora comandam a meteorologia que auxilia as vastas plantações, antes tomadas por Grandes Florestas Arbóreas. O ar tóxico mudou muitas das formas da fauna e flora, algumas cres- ceram além do comum, quais na época do Cenozóico, já outras tantas foram extintas. Povos que não se adaptaram acabaram cedendo sua força de trabalho para Avalon, recebendo pequeno “auxílio”. A política assemelha aos países do Levante e a dominação Ianque, além de vasta tradição tribal na Papua Nova Guiné. Fig.32.: A aparência da paisagem seriam florestas petrificadas como esta na China, um lugar caótico que teria de aproveitar cada espaço construindo grandes edificações verticais (segunda esq./dir. superior), nesse cenário pontes suspensas interligariam as outras tribos isoladas pelo enorme vácuo desértico deixado pela toxicidade. Contudo, esta caótica habitação não perderia seu lado punk futurista, uma verdadeira cidade florestal. Fontes: https://www.viajali.com.br/fotos-parque-zhangjiajie-china/ ; https://exame.com/mundo/ficcao-vem-ai- -a-primeira-cidade-florestal-da-china-confira/ Fig. 33.: Arquitetura e estilo das vilas dos povos xamãnicos, nas ilustrações simbolizariam os momentos de “mergulho” em que um Xamã conversa com antepassados. O Clima desértico perdura em grande parte do cenário, uma ilhazinha montanhosa e desértica. Fontes: https://www.deviantart.com/lucasmarangon/art/Moebius-Homage-39431546