1 CRISTIANA APARECIDA PORTERO YAFUSHI MODELAGEM CONCEITUAL PARA TOMADA DE DECISÃO, AGREGAÇÃO E CRIAÇÃO DE VALOR SOB A PERSPECTIVA DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E MIDIÁTICA (CIM): uma proposta de validação de parâmetros (indicadores) estratégicos, elementos processuais de operacionalização e resultados como elementos norteadores em ambientes de serviços de consultoria na era digital Relatório de Pós-doutorado realizado na Universidade Estadual Paulista/UNESP, no Programa de Pós-Doutorado em Mídia e Tecnologia da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, Campus de Bauru. Supervisora: Profa. Dra. Vânia Cristina Pires Nogueira Valente. Projeto de PD - ID 4810 Bauru – SP 2024 2 Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design Programa de Pós-Doutorado em Mídia e Tecnologia – PPGMiT CRISTIANA APARECIDA PORTERO YAFUSHI MODELAGEM CONCEITUAL PARA TOMADA DE DECISÃO, AGREGAÇÃO E CRIAÇÃO DE VALOR SOB A PERSPECTIVA DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E MIDIÁTICA (CIM): UMA PROPOSTA DE VALIDAÇÃO DE PARÂMETROS (INDICADORES) ESTRATÉGICOS, ELEMENTOS PROCESSUAIS DE OPERACIONALIZAÇÃO E RESULTADOS COMO ELEMENTOS NORTEADORES EM AMBIENTES DE SERVIÇOS DE CONSULTORIA NA ERA DIGITAL Bauru – SP 2024 3 FICHA CATALOGRÁFICA 607 Yafushi, Cristiana Aparecida Portero Modelagem conceitual para tomada de decisão, agregação e criação de valor sob a perspectiva da competência em informação e midiática (CIM): uma proposta de validação de parâmetros (indicadores) estratégicos, elementos processuais de operacionalização e resultados como elementos norteadores em ambientes de serviços de consultoria na era digital/ Cristiana Aparecida Portero Bauru, 2024. 278 p. ilus. tab. Relatório apresentado ao Programa de Pós-Doutorado em Mídia e Tecnologia da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design da Universidade Estadual Paulista/UNESP - Campus de Bauru, como requisito para obtenção do título de Pós-Doutora em Mídia e Tecnologia. Orientadora: Profa. Dra. Vânia Cristina Pires Nogueira Valente 1. Mídia e Tecnologia 2. Competência em Informação 3. Competência midiática 4. Competência digital. 4. Consultoria 5. Título. CDD 607 4 AGRADECIMENTOS À Nossa Senhora Mãe Santíssima, ao Pai Celestial e Jesus Cristo, mentores espirituais e anjo da guarda, pela oportunidade profissional em adquirir conhecimento e aprendizado. À Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo e Vânia Cristina Pires Nogueira Valente, minha gratidão por tanto apoio, orientações e ajuda. Hoje sou uma nova Cristiana porque vocês me proporcionaram sonhar e correr atrás desse sonho. Muito obrigada por serem minha base e acreditarem que o aluno pode sim se tornar professor! Aos professores e amigos Camila Araújo dos Santos, Cássia Regina Bassan de Moraes, Deise Deolindo Silva, Denise Fagnani, Everaldo Henrique dos Santos Barbosa, Fernanda Ganzelli Barbosa Martines, Luana Maia Woida, Luci Mieko Hirota Simas, Ligia Mariusso Zoliani, Luís Alberto Francia Farje, Maíza Ribeiro Fantini Peres, Maria Alda Barbosa Cabreira, Marlene de Fatima Campos Souza, Michelle Beatriz Godoy Santos de Mattos, Olga Mendes, Rafael de Carvalho Andriollo, Renata Aparecida de Carvalho Paschoal, Renata Ribeiro Martins Feitosa, por toda dedicação, carinho, apoio e conhecimento compartilhado. Aos colegas da PPGMiT-UNESP/Bauru–SP, pelo compartilhamento de experiências, construção de conhecimento, apoio e carinho. Aos meus familiares: irmãos, cunhadas, cunhados, sobrinhos, sogros, pai e mãe (in memoriam) em especial Gabriel Massahiro Yafushi, Josiane Portero Yafushi, Marcio Massahiro Yafushi e Rhayssa Mayumi Yafushi, gratidão por todo o apoio e carinho! Aos amores da minha vida Ronney Massatoshi Yafushi e Sophia Harumi Yafushi, minha eterna gratidão por acreditarem em meus sonhos, por me motivarem e compreenderem a minha ausência necessária para finalização dessa etapa. Amo muito vocês e os nossos pequeninos! Às organizações-clientes e seus gestores e à organização prestadora de serviços de consultoria e seus colaboradores do segmento moveleiro, pelas contribuições imensuráveis, participação e disposição em fazerem parte desse trabalho. 5 Novo design “Capacidades de contextualizar e globalizar e pensar criticamente... Favorecer os recursos e potencialidades, atendendo necessidades de clientes/usuários situados em contextos específicos e promover a integração das comunidades e diversidades, incorporando os benefícios dos avanços tecnológicos e ativando diálogos e redes locais e globais. Atuar na perspectiva da relação de conflito entre o que há de comum e de diferente, entre a diferença e o universal é grande desafio na sociedade contemporânea". (Regina Célia Baptista Belluzzo, XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, 2013) 6 RESUMO Descreve-se o desenvolvimento de projeto de pesquisa buscando construir, aplicar e validar referenciais de natureza teórica apoiados em uma modelagem conceitual, possibilitando a contribuição de um conjunto de parâmetros (indicadores), elementos processuais de operacionalização e resultados como elementos norteadores em ambientes de serviços de consultoria direcionados à implementação de ações estratégicas voltadas ao processo de desenvolvimento da Competência em Informação e Midiática (CIM), como norteadores à gestão da informação e de mídias e tecnologias inovadoras visando à garantia da sustentabilidade em mercado produtivo. A metodologia envolveu pesquisa de natureza descritiva, exploratória e quali-quantitativa, consistindo em: estabelecimento do plano de ação contemplando a missão, visão e valores; pesquisa bibliográfica sobre os temas “competência em informação e midiática, organizações de serviços de consultorias e tomada de decisão”, a fim de construir o referencial teórico e o seu desenvolvimento; aplicação de um Estudo de Caso tendo como universo e população -Empresa de consultoria (1) e organizações clientes (9-amostragem intencional), apoiando a coleta de dados que envolveu: pesquisa documental, entrevista estruturada, aplicação do Diagrama Belluzzo ® e questionário. Essa trajetória metodológica proporcionou elaborar e validar os parâmetros estratégicos, processos de operacionalização e resultados da CIM para tomada de decisão em organizações de serviços. Essa abordagem trouxe reconhecimento do papel fundamental que essas competências possuem em relação ao contexto dinâmico e competitivo que as empresas vivenciam. Concluiu-se que a CIM é uma ferramenta norteadora para a criação de valor e direciona todo o processo decisório tanto nos ambientes de consultoria e nos ambientes organizacionais. Palavras-chave: Competência em Informação. Competência Midiática. Empresas de Serviços de Consultoria. Era digital. Processo decisório.Valor Agregado. 7 ABSTRACT This report describes the development of a research project that seeks to construct, apply and validate theoretical references supported by a conceptual model, enabling the contribution of a set of parameters (indicators), procedural elements of operationalization and results as guiding elements in consulting service environments aimed at implementing strategic actions focused on the process of developing Information and Media Literacy (CIM), as guidelines for the management of information and media and innovative technologies aiming at ensuring sustainability in a productive market. The methodology involved descriptive, exploratory and qualitative-quantitative research, consisting of: establishing the action plan contemplating the mission, vision and values; bibliographical research on the themes “information and media competence, consulting service organizations and decision-making”, in order to construct the theoretical reference and its development; application of a Case Study having as universe and population – Consulting service organization (1) and client organizations (9 - intentional sampling), supporting the data collection that involved: documentary research, structured interview, application of the Belluzzo Diagram ® and questionnaire. This methodological trajectory allowed to elaborate and validate the strategic parameters, operationalization processes and results of the CIM for decision-making in service organizations. This approach brought recognition of the fundamental role that these competencies have in relation to the dynamic and competitive context that companies experience. It was concluded that the CIM is a guiding tool for the creation of value and directs the entire decision-making process both in consulting environments and in organizational environments. Keywords: Information Literacy. Media Literacy. Consulting Services Organizations. Digital Age. Decision Making. Added Value. 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACRL Assessment in Action ALA American Library Association AMI Alfabetização Midiática e Informacional AMILAC Alfabetización Mediática e Informacional en Latinoamérica y el Caribe BRAPCI Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação B2B Business to Business B2C Business to Consumer CI Ciência da Informação CIM Competência em Informação e Midiática CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CRM Customer Relationship Management COEPE Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia CoMid Competência Midiática CPS Cyber Physical System - CPS CT&I Ciência, Tecnologia e Inovação CV Coeficiente de variação DHI Desenvolvimento de Habilidade em Informação ES Espírito Santo EVA Economic Value Added EX Exemplo Facom Faculdade de Comunicação FAPERJ Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro FEBAB Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições Fiocruz Fundação Oswaldo Cruz GBV Value Based Management GAPMIL Global Alliance for Partnerships on Media and Information Literacy 9 GIZ Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GPCIn Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Competência em Informação IBICT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IFLA International Federation of Library Associations and Institutions IoS Internet de Serviços IoT Internet das Coisas (IoT), IREX International Research and Exchanges Board LISA Library and Information Science Abstracts MCTIC Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações MIL Alfabetização em mídia e em informação MILID Media and Information Literacy and Intercultural Dialogue Conference M2M Machine-to-machine NCE/USP Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ONG Organização não governamental ONU Organização das nações unidas PPGCI Pós-Graduação em Ciência da Informação SEICIn Seminário Internacional de Competência em Informação SEPCIn Seminário de Pesquisas e Práticas sobre Competência em Informação de Santa Catarina TDIC Tecnologia Digitais de Informação e Comunicação TI Tecnologia da Informação TIC Tecnologia da Informação e Comunicação UCAM Universidade Cândido Mendes UCM Universidade Complutense de Madrid UFES Universidade Federal de Vitória UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora UFPR Universidade Federal do Paraná UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro UFS Universidade Federal de Sergipe UFSC Universidade Federal de Santa Catarina 10 UNAOC United Nation Alliance of Civilizations UnB Universidade de Brasília Unesco Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Unesp Universidade Estadual Paulista UNICEF United Nations Children's Fund UNIRIO Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro USP Universidade de são Paulo VPC Valor Percebido pelo Cliente 11 SUMÁRIO PARTE 1 – DESCRIÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA E SEU DESENVOLVIMENTO 13 1 INTRODUÇÃO......................................................................................... 13 1.1 Justificativa............................................................................................ 26 1.2 Objetivos da pesquisa........................................................................... 28 1.3 Pressupostos da pesquisa................................................................... 28 2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E MIDIÁTICA NAS ORGANIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS............................................... 30 2.1 Competência em Informação e midiática: das origens aos indicadores e padrões…....................................................................... 37 3 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E MIDIÁTICA E A GERAÇÃO DE VALOR EM ORGANIZAÇÕES DE SERVIÇO DE CONSULTORIA....................................................................................... 69 3.1 Produtos e Serviços: conceitos e diferenças..................................... 75 3.1.1 Classificação de Produtos e Serviços................................................. 81 3.2 Organizações de Serviço de Consultoria............................................ 89 3.3 Agregação, Percepção, Cocriação de Valor e CIM............................. 96 3.3.1 Cocriação do Valor e CIM...................................................................... 103 3.4 Estratégias de Serviços, Tomada de Decisão e CIM.......................... 109 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................. 117 4.1 Etapa 1 – Revisão Bibliográfica............................................................ 119 4.2 Etapa 2 – Estudo de Caso..................................................................... 120 4.2.1 Definição do universo de pesquisa e da população alvo.................. 121 4.3 Procedimentos de coleta de dados...................................................... 123 4.3.1 Análise Documental............................................................................... 123 4.3.2 Entrevista Estruturada.......................................................................... 124 4.3.3 Aplicação do Diagrama Belluzzo®....................................................... 125 4.3.4 Questionário........................................................................................... 127 5 ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS............................ 129 5.1 Revisão da Literatura............................................................................ 129 5.2 Análise Documental............................................................................... 138 5.3 Entrevista Estruturada.......................................................................... 141 5.4 Aplicação do Diagrama Belluzzo®....................................................... 152 5.5 Questionário........................................................................................... 169 6 MODELAGEM CONCEITUAL DE PARÂMETROS ESTRATÉGICOS, PROCESSOS DE OPERACIONALIZAÇÃO E RESULTADOS DA 222 12 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO EM ARTICULAÇÃO COM A COMPETÊNCIA MIDIÁTICA PARA TOMADA DE DECISÃO EM ORGANIZAÇÕES DE SERVIÇOS 7 CONCLUSÃO.......................................................................................... 229 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 234 APÊNDICES......................................................................................................... 248 APÊNDICE A – Termo de consentimento livre e esclarecido para o consultor/proprietário da empresa de representação moveleira ‘X’..................... 249 APÊNDICE B – Consentimento de participação para consultor/proprietário da empresa de representação moveleira ‘X’............................................................. 252 APÊNDICE C – Roteiro da entrevista elaborada para a aplicação ao consultor/proprietário da empresa de representação moveleira ‘X’..................... 253 APÊNDICE D – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os profissionais da empresa de consultoria e representação moveleira ‘X’.............. 258 APÊNDICE E – Consentimento de participação dos profissionais da empresa de consultoria e representação moveleira ‘X’....................................................... 261 APÊNDICE F – Roteiro de apresentação aos profissionais da empresa de consultoria e representação moveleira ‘X’ sobre as orientações do uso do Diagrama Belluzzo®, adaptado de Santos (2014) para geração do Mapa Conceitual............................................................................................................. 262 APÊNDICE G – Exemplo de uso do Diagrama Belluzzo®................................... 264 APÊNDICE H – Questões aplicadas aos profissionais da empresa de consultoria e representação moveleira ‘X’ após as orientações do uso do Diagrama Belluzzo®, adaptado de Santos (2014) para geração do Mapa Conceitual............................................................................................................. 265 APÊNDICE I – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os gestores das organizações-clientes.................................................................................... 266 APÊNDICE J – Consentimento de participação dos gestores das 09 organizações-clientes........................................................................................... 269 APÊNDICE K – Questionário elaborado para a aplicação aos gestores (09 sujeitos) das 09 organizações-clientes selecionadas.......................................... 270 13 Parte 1 - DESCRIÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA E SEU DESENVOLVIMENTO 1 INTRODUÇÃO As organizações enfrentam, constantemente, o veloz progresso que a informação e o conhecimento trazem de maneira dinâmica no contexto competitivo. Utilizar a informação, a tecnologia e o conhecimento de maneira estratégica nos diversos ambientes organizacionais na era digital é o grande diferencial para sanar as problemáticas em relação à prospecção de soluções inovadoras, de produtos e de serviços de ponta, superando e satisfazendo as necessidades dos usuários que perfazem o abundante rol de clientes nos diferentes segmentos de mercado. Criar vantagens competitivas, alcançáveis e viáveis, são necessárias para que as empresas possam se adequar por meio de políticas organizacionais, de treinamentos, de novos conhecimentos, de desenvolvimento de novas competências, para evoluir no contexto organizacional de maneira crítica, a fim de integrar a cultura organizacional, crenças, experiências individuais e coletivas que fomentem a capacidade de gerar novos conhecimentos, novas ações e domínio no uso de ferramentas tecnológicas e informacionais, de modo a resultar na capacitação dos profissionais e aporte às estratégias organizacionais que erradicam falhas nas tomadas de decisões, visto que, com o desenvolvimento constante de novas competências, tanto no ambiente interno como no externo, os benefícios são imensuráveis para toda a cadeia produtiva atuante. A proposta da pesquisa tem como base referencial os resultados alcançados com o doutorado intitulado “A competência em informação e a agregação de valor sob a ótica do cliente: um estudo de caso em ambientes de consultoria”, cuja tese foi defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, área de concentração “Informação, Tecnologia e Conhecimento” da Universidade Estadual Paulista/UNESP - Campus de Marília”. O objetivo foi analisar a inter-relação entre a Competência em Informação (CoInfo) e a construção do conhecimento para gerar agregação de valor ao processo decisório como diferencial competitivo para as 14 organizações de serviços. Ainda que a CoInfo (Information Literacy)1 detenha várias terminologias como letramento informacional, competência informacional, competência em informação e dentre outras, para esta pesquisa, adotaremos a tradução Competência em Informação (CoInfo)2. Nesse aspecto, a CoInfo torna os indivíduos cada vez mais competentes no uso da informação ao longo de sua vida, uma vez que desenvolve essa habilidade no contributo intelectual e inteligente, extinguindo qualquer obstáculo que impeça o “[...] acesso, a seleção, a gestão e avaliação da informação necessária à vida profissional, social ou pessoal” (Belluzzo; Feres, 2015, p. 8). Além disso, a CoInfo é um conjunto de competências que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2013), não só permite o compartilhamento das informações por parte dos profissionais e dos cidadãos, mas também permeia o desenvolvimento de habilidades, de atitudes e de valores sobre o acesso, a avaliação, o uso e a criação de conteúdos e emprego de várias ferramentas tecnológicas e midiáticas de modo crítico, ético e eficaz nas perspectivas pessoais, profissionais e sociais. Neste viés, a CoInfo, de acordo com Dudziak (2003, p. 28) consiste em um “[...] processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica [...]”. Replicar esse conhecimento de maneira inteligente, ética e com responsabilidade vai além de uma postura idônea, requer o domínio das 1 “A information literacy surge em 1970, a partir do relatório The information service environment relation ships and priorities, cujo autor é o então presidente da Information Industries Association, e, também bibliotecário Paul Zurkowski. Ele acompanhava as mudanças no contexto informacional, como o progresso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, exigindo da sociedade a busca por novos conhecimentos, competências e habilidades digitais e operacionais no acesso as bases de dados” (Yafushi, 2020, p. 42). 2 “No Brasil, o termo competência em informação consolidou-se em 2011, no seminário “Competência em Informação: cenários e tendências”, realizado durante o XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, na cidade de Maceió, Alagoas, sendo registrado, inclusive, na “Declaração de Maceió sobre a competência em informação”, documento resultante do evento. A exemplo de outros países, na “Carta de Marília” (2014) foi recomendada a utilização da sigla – CoInfo – para indicar essa competência, a fim de que pudesse haver diferenciação da sigla utilizada para a ciência da informação (CI). A decisão pela tradução do termo foi corroborada pela Unesco, por meio da publicação Overview of information literacy resources worldwide, primeira e segunda edições (2013, 2014), organizada por Horton Jr., que consolidou a utilização da expressão como tradução oficial em português brasileiro para o termo norte-americano information literacy, estando registrada na logomarca da Unesco para a CoInfo” (Furtado; Belluzzo, Vitorino, 2019, p. 77). 15 diferentes linguagens empregadas na comunicação, das ferramentas tecnológicas e digitais, de competências e de ações efetivas que tragam contribuição não apenas para o contexto vivenciado, mas para toda a sociedade com informações tangíveis, fidedignas e agregadoras. A participação dos colaboradores é essencial para que as organizações alcancem o sucesso, sejam reconhecidas pelo seu trabalho à medida que a demanda de mercado por seus produtos e serviços seguem em fluxo contínuo de crescimento econômico e social. Esta relação de trabalho é primordial para a obtenção do sucesso no âmbito empresarial, pois os funcionários possuem o papel principal quando integram suas capacidades, suas competências e suas atitudes, com participação e comunicação efetiva, propiciando a compreensão, a avaliação e a transformação desse contexto hierárquico (Bermúdez; González, 2011). No contexto organizacional mencionado, quanto maior o domínio de habilidades e de competências dos usuários, principalmente no que tange à CoInfo, à Mídia e à Tecnologia, maior será o retorno assegurado das ações adotadas pelas organizações em seus processos decisórios, fundamentando e consolidando práticas que alcancem as metas e os objetivos tangíveis com o intuito de garantir a sustentabilidade em mercado de negócios. No que diz respeito à CoInfo, ela pode ser analisada sob três aspectos, tal como elencam Addison e Meyers (2013, p. 1, tradução nossa): 1) competência em informação como a aquisição de habilidades da “era da informação”, 2) competência em informação como cultivo de hábitos mentais, e 3) competência em informação como engajamento em informação e conhecimento das pessoas com alto nível de instrução. De fato, atualmente, a realidade vivenciada, exige dos indivíduos a habilidade de acessar a informação de modo que possam criar conhecimento, agregar valores e utilizar recursos contemporâneos, tais como as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC)3 para desempenhar seus processos, operacionalizar seus resultados, planejar suas estratégias e se reestruturar frente à concorrência. 3 “A convergência das tecnologias de informação e comunicação para a configuração de uma nova tecnologia, a digital, provocou mudanças radicais. Por meio das tecnologias digitais é possível representar e processar qualquer tipo de informação. Nos ambientes digitais reúnem-se a computação (a 16 A literacia digital ou competência digital consiste na “[...] habilidade de entender e utilizar a informação de múltiplos formatos e proveniente de diversas fontes quando apresentada por meio de computadores” (Gilster, 1997, p. 1). Harris e Hodges (1995) enfatizam que essa competência abrange também um engajamento contínuo dos indivíduos, no qual são autores de suas interpretações, produção, recebimento e publicações de mensagens, perfazendo a competência mínima que garante a aplicabilidade em informática, cultura, economia e outras áreas. Esses múltiplos formatos, fontes, fluxos de informações e TDIC promovem, continuamente, uma dinâmica na aquisição e na troca de informações, no compartilhamento e na reestruturação de novas informações e conhecimento, propiciam o exercício ético e crítico por parte do usuário. Por sua vez, esse indivíduo que se apropria de todas essas habilidades, exerce a CoInfo e a Competência Midiática em todos os âmbitos de sua vida. Dessa maneira, a Competência Midiática (CoMid) de acordo com Casarin (2017, p. 305) “[...] abrange uma série de competências relacionadas à comunicação, incluindo a capacidade de acessar, analisar, avaliar e comunicar informações de maneiras variadas”. Nesse sentido, a CoMid se assemelha conceitualmente à CoInfo, contudo, abrange o uso de tecnologias e de mídias, visto que permeia competências complementares que são inerentes à construção do domínio de habilidades e de conhecimentos que resultam na incorporação do rol de competências - Competência em Informação e Midiática (CIM). Nessa perspectiva, o uso de mídias digitais e tecnológicas contribui para uma compreensão crítica, pois se estende ao domínio da leitura, da avaliação e da produção da comunicação em diversos formatos de mídias (Farias, 2017). A capacidade de desenvolver essa habilidade crítica no domínio das mídias por partes dos indivíduos e profissionais, propicia divulgar informações fundamentais e enriquecedoras com alcance imensurável no ambiente digital que transcendem a expectativa inicial informativa, contribuindo para a tomada de decisões no contexto contemporâneo. informática e suas aplicações, as comunicações (transmissão e recepção de dados, imagens, sons, etc.) e os mais diversos tipos, formas e suportes em que estão disponíveis os conteúdos (livros, filmes, fotos, músicas e textos). É possível articular telefones celulares, computadores, televisores, satélites, e por eles, fazer circular as mais diferenciadas formas de informação” (Kenski, 2012, p. 33). 17 Frente a essas novas configurações sociais e de processos, quais seriam as competências e habilidades que os gestores que atuam em organizações de serviços devem possuir para acessar, buscar, analisar e usar a informação e mídias, a fim de construir conhecimento e aplicá-lo na agregação de valor para atender as demandas dos clientes? Considerando essa perspectiva, a consolidação quanto às competências inerentes em relação à era digital pode ser contemplada na proposta de um framework global elaborado pela UNESCO (2018) durante a European Commission’s Digital Competence Framework for Citizens (DigComp 2.1) que se denominou como Competência Digital, visto que permeou a CoInfo e a Competência Midiática em seu escopo e contou com a participação dos países de baixa e média renda, envolvendo setores importantes da economia, tais como agricultura, energia, finanças e transportes, que se utilizam de tecnologias computacionais, midiáticas e de informação para alcançar plenamente seus objetivos, conforme pode ser observado no Quadro 1. Quadro 1 – Proposta de áreas de competência para o Marco Global de Competência Digital Competências e áreas de competências Descrição 0. Dispositivos e operações de software: Identificar e usar ferramentas e tecnologias de hardware. Identificar os dados, informações e conteúdos digitais necessários para operar as ferramentas e tecnologias de software. 0.1 Operações físicas de dispositivos digitais: Identificar e usar as funções e recursos das ferramentas e tecnologias de hardware. 0.2 Operações de software em dispositivos digitais: Conhecer e compreender os dados, informações e/ou conteúdos digitais necessários para operar as ferramentas e tecnologias de software. 1. Competência em informação e dados: Articular as necessidades de informação, localizar e recuperar dados, informações e conteúdos digitais. Julgar a relevância da fonte e de seu conteúdo. Armazenar, gerenciar e organizar dados, informações e conteúdos digitais. 1.1 Navegação, pesquisa e filtragem de dados, informações e conteúdos digitais: Articular as necessidades de informação, procurar dados, informações e conteúdos em ambientes digitais, acessá-los e navegar entre eles. Criar e atualizar estratégias de pesquisas pessoais. Analisar, comparar e avaliar criticamente a 18 1.2 Avaliação de dados, informações e conteúdos digitais: credibilidade e confiabilidade das fontes de dados, informações e conteúdo digital. Analisar, interpretar e avaliar criticamente os dados, informações e conteúdos digitais. 1.3 Gerenciar dados, informações e conteúdos digitais: Organizar, armazenar e recuperar dados, informações e conteúdos em ambientes digitais. Organizá-los e processá-los em um ambiente estruturado. 2. Comunicação e colaboração: Interagir, comunicar e colaborar através de tecnologias digitais, conscientes da diversidade cultural e geracional. Participar da sociedade através de serviços digitais públicos e privados e cidadania participativa, gerenciar sua identidade e reputação digital. 2.1 Interagindo através de tecnologias digitais: Interagir através de uma variedade de tecnologias digitais e compreender os meios adequados de comunicação digital para um determinado contexto. 2.2 Compartilhamento através de tecnologias digitais: Compartilhar dados, informações e conteúdo digital com outros através de tecnologias digitais apropriadas. Atuar como intermediário, conhecer práticas de referência e atribuição 2.3 Engajamento em cidadania através de tecnologias digitais: Participar da sociedade através do uso de serviços digitais públicos e privados. Buscar oportunidades de auto-empoderamento e cidadania participativa através de tecnologias digitais apropriadas. 2.4 Colaboração através de tecnologias digitais: Usar ferramentas e tecnologias digitais para processos colaborativos e para a co-construção e co- criação de recursos e conhecimento. 2.5 Netiqueta: Estar ciente das normas comportamentais e conhecer as práticas ao usar tecnologias digitais e interagir em ambientes digitais. Adaptar estratégias de comunicação à audiência específica e ter consciência da diversidade cultural e geracional em ambientes digitais. 2.6 Gerenciando a identidade digital: Criar e gerenciar uma ou múltiplas identidades digitais, ser capaz de proteger sua própria reputação, lidar com os dados que se produz através de várias ferramentas, ambientes e serviços digitais. 3. Criação de conteúdo digital: Criar e editar conteúdo digital. Melhorar e integrar informações e conteúdo a um corpo existente de conhecimento, compreendendo a aplicação de direitos autorais e licenças. Saber como fornecer instruções compreensíveis para um sistema computacional. 3.1 Desenvolvendo conteúdo digital: Criar e editar conteúdo digital em diferentes formatos, expressar-se por meios digitais. 19 3.2 Integrando e reelaborando conteúdo digital: Modificar, aperfeiçoar, integrar informações e conteúdo a um corpo existente de conhecimento para criar novo, original e relevante conteúdo e conhecimento. 3.3 Direitos autorais e licenças: Entender como direitos autorais e licenças se aplicam a dados, informações e conteúdo digital. 3.4 Programação: Planejar e desenvolver uma sequência de instruções compreensíveis para um sistema computacional para resolver um problema dado ou realizar uma tarefa específica. 4. Segurança: Proteger dispositivos, conteúdos, dados pessoais e privacidade em ambientes digitais. Proteger saúde física e psicológica e estar ciente de tecnologias digitais para bem-estar social e inclusão social. Estar ciente do impacto ambiental das tecnologias digitais e seu uso. 4.1 Proteção de dispositivos: Proteger dispositivos e conteúdo digital e entender os riscos e ameaças em ambientes digitais. Saber sobre medidas de segurança e ter consideração com relação a confiabilidade e privacidade. 4.2 Proteção de dados pessoais e privacidade: Proteger dados pessoais e privacidade em ambientes digitais. Entender como usar e compartilhar informações identificáveis pessoalmente, enquanto é capaz de proteger a si mesmo e os outros de danos. Entender que os serviços digitais usam uma “Política de privacidade” para informar como os dados pessoais são usados. 4.3 Proteção da saúde e bem-estar: Ser capaz de evitar riscos à saúde e ameaças ao bem-estar físico e psicológicos ao usar tecnologias digitais. Ser capaz de se proteger e proteger os outros de possíveis perigos em ambientes digitais (por exemplo, cyberbulling). Estar ciente de tecnologias digitais para bem-estar social e inclusão social. 4.4 Proteção do ambiente: Estar ciente do impacto ambiental das tecnologias digitais e seu uso. 5. Resolução de problemas: Identificar necessidades e problemas e resolver problemas conceituais e situações de problemas em ambientes digitais. Usar ferramentas digitais para inovar processos e produtos. Manter-se atualizado com a evolução digital. 5.1 Resolução de problemas técnicos: Identificar problemas técnicos ao operar dispositivos em ambientes digitais e resolvê-los (solução de problemas mais complexos). 20 5.2 Identificação de necessidades e respostas tecnológicas: Avaliar necessidades e identificar, selecionar e usar ferramentas digitais e possíveis respostas tecnológicas para resolvê-las. Ajustar e personalizar ambientes digitais de acordo com as necessidades pessoais (por exemplo, acessibilidade). 5.3 Uso criativo de tecnologias digitais: Usar ferramentas e tecnologias digitais para criar conhecimento e inovar processos e produtos. Participar individual e coletivamente do processamento cognitivo para entender e resolver problemas conceituais e situações de problemas em ambientes digitais. 5.4 Identificação de lacunas de competência digital: Entender onde a própria competência digital precisa ser melhorada e atualizada. Ser capaz de apoiar os outros em seu desenvolvimento de competência digital. Buscar oportunidades para o próprio desenvolvimento e manter-se atualizado com a evolução digital. 5.5 Pensamento computacional: Processar um problema computável em etapas sequenciais e lógicas como solução para sistemas humanos e computadores. 6. Competências relacionadas à carreira: Operar tecnologias digitais especializadas e entender, analisar e avaliar dados, informações e conteúdos digitais especializados para um determinado campo. 6.1 Operando tecnologias digitais especializadas para um determinado campo: Identificar e usar ferramentas e tecnologias digitais especializadas para um determinado campo. 6.2 Interpretação e manipulação de dados, informações e conteúdos digitais para um determinado campo: Entender, analisar e avaliar dados, informações e conteúdos digitais especializados para um determinado campo dentro de um ambiente digital. Fonte: UNESCO (2018, p. 23-25) Mobilizar todos os recursos disponíveis para auxiliar o desenvolvimento das competências digitais, tecnológicas, midiáticas, econômicas, sociais e culturais em diferentes áreas que perfazem a conjuntura estrutural da nova sociedade, assegura adentrar na história com domínio das habilidades necessárias para lograr êxito no contexto contemporâneo. Neste entorno, Fonseca Pinto (2013, p. 51, tradução nossa4) ressalta que “[...] redes de transmissão de dados de alta velocidade, data warehouses, Internet, e-business, e-commerce e outras novas tecnologias estão rompendo barreiras tradicionais para fazer negócios e transformando o caminho em que eles operam [...]”. 21 As organizações, para se manterem frente o mercado competitivo, se sobressaírem à concorrência e garantirem a sustentabilidade preconizada pela Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (ONU, 2015) necessitam de domínio sobre o acesso, a busca e o uso de dados, de informações, de conhecimentos e de tecnologias de ponta que fomentem não só as estratégias inteligentes, mas também as aplicáveis em suas áreas de conhecimento e de desempenho de modo a gerar resultados promissores e permanentes capazes de produzir novos conhecimentos, inovações, tomadas de decisões e novas competências profissionais ao longo de sua trajetória organizacional. Nesse aspecto, os recursos empregados pelas empresas em seu ambiente de serviços é condição sine qua non, pois proporcionam avaliar e mensurar a viabilidade, a qualidade e quantificar não só o resultado financeiro, mas, também as ações práticas adotadas que efetivamente alcancem os benefícios propostos no planejamento organizacional. Dessa maneira, as evoluções da Sociedade possuem relação concomitante com as Revoluções Industriais, tal como elucida Keidanren (2018) que aponta que, durante essa janela temporal, a Sociedade 1.0 foi caracterizada pelo período da caça, em que o homem buscava saciar sua necessidade alimentar. Na Sociedade 2.0, entre os séculos XVII e XVIII, o homem utilizava a agricultura por meio do plantio e da colheita, fator que emergiu a Indústria 1.0 com as máquinas a vapor. Já na Sociedade 3.0, no século XVIII, surgem os processos industriais em massa e a energia elétrica que fomentaram a Indústria 2.0. Na Sociedade 4.0 ou Sociedade da Informação, oriunda do final do século XX, a Indústria 3.0 ficou conhecida como a Era da computação e da internet, presentes pela revolução eletrônica, da Tecnologia da Informação e automação. Por fim, tem-se a Sociedade 5.0, considerada a Sociedade Criativa, que surge neste período contemporâneo e abrange a Indústria 4.0. Frente o exposto, Santaella (2021) ressalta que a transformação digital incorpora todos os sons e imagens de todos os tipos e essas informações podem ser processadas pelo computador e transmitidas por redes que ligam milhões de pessoas 4 “[...] redes de transmisión de datos de alta velocidad, bodegas de datos, Internet, e-business, e- commerce y otras tecnologías nuevas están rompiendo barreras tradicionales para hacer negocios y transformar la forma en que éstos operan [...]” (Fonseca Pinto, 2013, p. 51). 22 em tempo quase real e eliminam barreiras geográficas, deixando quase de existir neste novo mundo virtual. A Sociedade da Informação e do Conhecimento5 a partir do uso de tecnologias, fluxo de informações e criação de conhecimento, estabelece uma linha lógica que contempla todas as áreas organizacionais como planejamento, organização, avaliação e controle em seus processos decisórios, frente à postura que requer a Sociedade 5.0. Em 2016, no Japão, o termo Sociedade 5.0 havia sido divulgado e foi derivado da proposta política estratégica da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) que buscava, com a adoção do 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia, proporcionar uma nova visão de política pública que contemplasse a inovação, a economia, uma nova estrutura social para garantir uma sociedade próspera e autossustentável, com foco nas soluções tecnológicas e sociais por meio do uso de ferramentas disponíveis da indústria inteligente6, a fim de se garantir o bem estar e a qualidade de vida de sua população (Government of Japan, 2015; Davies, 2018). Neste viés, a política pública proposta pelo Japão, disponibilizava ações práticas governamentais que, além de fornecer produtos e serviços de alta qualidade indispensáveis para suprir as necessidades de seus cidadãos, também propunha o uso das inovações científicas e tecnológicas para abranger os diversos aspectos de uma sociedade como as diferenças regionais, de idade, de sexo e de idioma. Além disso, a Sociedade 5.0 ou “Sociedade Super Inteligente”, emergente da Sociedade 4.0 da informação, possui como aspecto central o ser humano e o desenvolvimento de suas habilidades e qualidades que podem criar novos valores à medida que adquirem e desenvolvem esses novos recursos para a solução de problemas com a integração da 5 “A sociedade da informação caracterizava-se pela utilização de novas tecnologias para distribuir produtos, serviços e lazer, ou mesmo, para controle e vigilância. A sociedade do conhecimento caracteriza-se por introduzir mecanismos para a participação democrática mais efetiva dos cidadãos e desenvolver um ambiente de negócios mais criativo” (Humes, 2005, p. 3). 6 “A indústria inteligente ou "INDUSTRIA 4.0" se refere a evolução tecnológica de sistemas integrados para sistemas ciber-físicos e representa a quarta revolução industrial que se aproxima no caminho para uma Internet de coisas, dados e serviços. É a transformação digital da manufatura, aproveitando as tecnologias da terceira plataforma, como Big Data / Analytics e aceleradores de inovação, como a Internet das Coisas (industrial); e isso requer a convergência de TI (Tecnologia da Informação) e OT (Tecnologia Operacional), dispositivos de IoT, sensores e atuadores, robótica, dados, inteligência artificial e processos de fabricação para realizar fábricas conectadas, manufatura inteligente descentralizada, sistemas automatizados e cadeia de fornecimento digital no ambiente cibernético impulsionado por informações da 4ª revolução industrial (às vezes chamada 4IR) (Medina-Santiago; Martinez-Cruz, 2018, p. 10-11, tradução nossa)”. 23 tecnologia física, inteligência artificial e sistemas cibernéticos (Harayama, 2017, grifo nosso). Trabalhar no formato inovador para embasar a prestação de serviços e o desenvolvimento de novos produtos propiciam experienciar junto com as tecnologias de ponta, informações, conhecimentos e as novas habilidades adquiridas pelos profissionais alavancar ações organizacionais que gerem resultados efetivos para projetar e modificar as possibilidades e as escolhas, prospectar novas demandas, superar os desafios, traçar estratégias futuras e fomentar um futuro promissor, a fim de garantir diferenciais que proporcionem grandes mudanças oriundas da Sociedade 4.0 como a apropriação de informações, utilização das TICs, dos sistemas inteligentes, dos meios tecnológicos e midiáticos obtendo o sucesso projetado. Vale destacar que, este projeto, enfatiza essa premissa que se encontra representada na Figura 1 e está alicerçado nos impactos decorrentes e mencionados na Agenda 2030, elaborada em 2015, em Nova York, pela ONU e indicada aos seus países membros como o Brasil, contemplando os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Neste cerne, dentro dos 17 objetivos indicados, 169 metas foram distribuídas para serem cumpridas até o ano de 2030, de modo a trazer inúmeros benefícios aos países praticantes que almejam objetivos e metas claras, parcerias globais, resultando num futuro promissor e de qualidade de vida de seus povos, contribuindo, dessa maneira, em novas habilidades, valores, atitudes e conhecimentos gerados aos cidadãos que poderão replicar na contribuição para o desenvolvimento sustentável (ONU, 2015). 24 Figura 1 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Fonte: ONU (2015) Estas novas habilidades adquiridas, interiorizadas e aprendidas ao longo de suas vidas se tornam um processo de autodesenvolvimento contínuo em todos os ambientes, sejam sociais, organizacionais, políticos e educacionais. Nesse aspecto, o plano do desenvolvimento regional e nacional dos 193 Estados membros da ONU consideram também o acesso à informação pelas pessoas como fator vital para atingir os ODS até o ano de 2030 e trabalham, incansavelmente, para que o plano de ação global seja alcançado com eficácia. Para as organizações prestadoras de serviços, como por exemplo as consultorias, essa nova configuração social abrange não somente a aquisição de competências e habilidades que perfazem o rol diário das atividades dos indivíduos frente ao contexto digital e tecnológico, mas implica também em novas competências e habilidades para tomada de decisões que poderão resultar no sucesso ou no fracasso de uma organização diante do mercado competitivo. Para Munguambe e Freire (2019), a CoInfo possui um papel muito importante no contexto organizacional, principalmente no que tange às organizações de serviços, porque ela está diretamente relacionada à mobilização das capacidades intelectuais dos profissionais quando trabalham com as informações, seja no uso das fontes de informações, na maneira como organizam, filtram e selecionam as informações para 25 tomada de decisão tanto no ambiente interno organizacional, quanto no ambiente externo relacionado ao mercado competitivo. Todos os esforços que os profissionais competentes em informação e em mídias empreendem no direcionamento fluído para tomada de decisões assertivas e inteligentes, dispensa as velhas práticas que, provavelmente, culminariam em processos decisórios errôneos e desacreditados neste novo contexto em que emerge a Sociedade contemporânea, exigindo de seus profissionais e cidadãos, o domínio cada vez maior das suas competências, habilidades, conhecimentos e valores, ofertando produtos e serviços de qualidade aos seus usuários. Neste contexto, a qualidade7 consiste na representação da percepção dos clientes: A qualidade é aquilo que os clientes afirmam que é, e a percepção deles é a realidade deles. O que eles não percebem tem pouco valor para eles, e eles não estão dispostos a pagar por isso. O valor é a relação entre os benefícios e os sacrifícios percebidos (por exemplo, dinheiro, tempo e esforço) (Teboul, 2008, p. 89). Para Wilson e Jolls (2015), a CIM, aliada à Competência Digital, desempenham papéis fundamentais em nossa vida cotidiana, pois, por meio do uso apropriado e competente da informação, da mídia e da tecnologia, enquanto produtores e usuários de informações e de conteúdos digitais, podemos exercer coerentemente a liberdade de expressão ao aplicar habilidades intrínsecas no uso crítico de conteúdo, para avaliar a informação e tomar decisões, compartilhando, agregando, transformando, replicando e articulando conhecimentos sobre a CIM que sustentem o aprendizado das redes e das plataformas digitais, tornando os recursos abundantes, cíclicos e contínuos por toda a vida individual, coletiva e profissional. Considerando todo esse viés contemporâneo existente na literatura e descrito nos estudos abordados por autores renomados e reconhecidos pelas áreas especializadas que serão utilizados, o resultado obtido durante a pesquisa do Doutorado propiciou compreender que ainda há ausência de instrumentos, de 7 “[...] qualidade é a totalidade dos atributos e características de um produto ou serviço que afetam sua capacidade de satisfazer necessidades declaradas ou implícitas. Essa é uma definição claramente voltada para o cliente. Podemos dizer que a empresa fornece qualidade sempre que seu produto ou serviço atende às expectativas do cliente ou as excede” (Kotler; Keller, 2012, p. 145). 26 estratégias, de competências e de habilidades indicadas no quesito da CoInfo e da Competência Midiática Digital para que os gestores construam conhecimento individual e o compartilhem ao coletivo organizacional de modo a agregar valor e utilizar dessa ferramenta estratégica competitiva para tomada de decisões em ambientes de prestação de serviços, incluindo os ambientes de pesquisa e estudos. Nessa esfera, as TDIC, que transformam continuamente o modelo social, incentivam a continuidade da pesquisa, especialmente em relação à contribuição direcionada ao desenvolvimento, à análise e à organização de um conjunto de diretrizes e de parâmetros (indicadores) estratégicos, processos de operacionalização e resultados para ampliação e validação dos aspectos averiguados durante a pesquisa que serão efetivados em um novo plano de ações para tomada de decisão, agregação de valor sob a perspectiva da CIM em organizações de serviços de consultoria. 1.1 Justificativa A evolução constante da realidade das organizações, frente à Sociedade Inteligente e da economia mundial escalada, a elaboração, a construção e a validação de novos modelos teórico-práticos que podem ser utilizados e implementados em estratégias, gerenciamento e direcionamento das tomadas de decisões em processos decisórios, valendo-se de fatores como a CIM, que serão determinantes para o futuro digital organizacional no novo contexto da Sociedade 5.0 e da Indústria 4.0. Frente essa premissa, Wilson et al. (2013, p. 18) ressalta que a UNESCO projetou uma matriz nomeada de “Informação, mídia e outros provedores de informação, incluindo aqueles na internet”, contemplado pela Figura 2, na qual representa as fontes de informação e o arcabouço dos meios de transmissão da informação, ofertados pelos meios de comunicação como televisão, rádio, museus, dispositivos móveis, jornais, bibliotecas, museus, acervos e dentre outros meios comunicativos. 27 Figura 2 – Elementos da Competência em Informação e Midiática (CIM) Fonte: Adaptado de Wilson et al. (2013) Diversas são as dificuldades enfrentadas pelas organizações de serviços no mercado competitivo, o que acarreta a necessidade de se empreender estudos e pesquisas que contribuam para o desenvolvimento de diferentes competências, especialmente a CIM, nos profissionais por meio da qualificação no trabalho, aprendizado e construção de conhecimentos, proporcionando a consciência crítica- reflexiva sobre as novas demandas de criação de valor no contexto organizacional da Sociedade 5.0. De acordo com Oliveira (2010) antes de estabelecer as estratégias que serão implementadas, as empresas necessitam estabelecer uma metodologia estruturada que se encaixe à realidade e à cultura da organização, além do apoio da alta administração e contratação de serviços de consultoria voltados para identificação das necessidades. Em complemento, Fourez (1995, p. 71) compreende que “[...] Na prática, abandona-se um modelo (ou uma lei, ou uma teoria) por razões complexas que não são jamais inteiramente racionalizáveis. Há sempre uma decisão mais ou menos “voluntarista” e 28 não necessária”. A inserção de uma nova metodologia, ancoragem, modelagem conceitual, indicadores, parâmetros e padrões elaborados por pesquisadores, só são possíveis devido ao engajamento de pesquisas consolidadas e éticas com propostas promissoras para aplicação não apenas teórica, mas com validação prática no contexto profissional. 1. 2 Objetivos da pesquisa De modo geral, contempla a Competência em Informação e Midiática (CIM) em articulação com o acesso, a busca e o uso inteligente da informação, pautados na adoção de recursos midiáticos e tecnológicos, a fim de propiciar a construção lógica de argumentos coerentes e sistematizados que permeiam a compreensão do contexto organizacional estruturado e promissor na Era Digital que se vivencia. Propõe-se o desenvolvimento de um conjunto de “Diretrizes, Parâmetros e Indicadores em Competência em Informação e Midiática (CIM)” como elementos norteadores para tomada de decisão em consonância com a agregação e a criação de valor, ampliando a proposta de validação desses parâmetros e/ou subsídios teórico-práticos voltados à fomentação de elementos geradores de diferenciais competitivos para empresas nos contextos organizacionais de serviços de consultoria. No que tange aos objetivos específicos, buscou-se: a) Verificar teorias, conceitos e definições presentes na literatura da área sobre Competência em Informação, Competência Midiática, agregação de valor, processo decisório e organizações de consultorias para a elaboração de referencial teórico; b) Validar a modelagem conceitual proposta para tomada de decisão, agregação e criação de valor sob a perspectiva da Competência em Informação e Midiática em organizações de serviços de consultoria na Era digital. 1.3 Pressupostos da Pesquisa Como pressupostos apoiadores para a pesquisa foram elaborados os que seguem:  Os gestores competentes em informação e em mídia constroem conhecimento individual e o compartilham ao coletivo organizacional, uma vez que dominam a 29 informação e as ferramentas midiáticas e digitais referentes ao acesso, à busca e ao uso da informação.  Os gestores competentes em informação e em mídia constroem conhecimento e são capazes de agregar valor aos serviços prestados aos clientes visto que dominam a informação e as ferramentas midiáticas e digitais quanto ao acesso, à busca e ao uso da informação.  A Competência em Informação e Midiática constituem ferramenta estratégica para que os gestores tomem decisões assertivas e possam agregar valor nos serviços prestados aos clientes. Neste viés, a pesquisa realizada no âmbito do Programa de Doutorado em Ciência da Informação, na UNESP de Marília-SP, trouxe como resultado o desenvolvimento de uma Modelagem Conceitual para tomada de decisão, agregação e criação de valor sob a perspectiva da Competência em Informação, buscando-se agora validar essa modelagem junto ao Programa de Pós-Doutoramento, apoiados em padrões relativos à Competência em Informação e Competência Midiática (CIM), articulados com a modelagem conceitual já desenvolvida e com ajustes das dimensões, dos padrões e dos indicadores, proporcionando aos gestores organizacionais a implementação de um modelo teórico-prático que sirva de parâmetro direcionador para estratégias articuladoras e consolidadas e que resulte na criação de conhecimento para uso, identificação, seleção, compartilhamento e estruturação de informações que perfazem o rol de competências gerenciais necessárias em ambientes de negócios. 30 2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E MIDIÁTICA NAS ORGANIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS Na atual conjuntura da Era digital, consolidada pelo capitalismo, as organizações necessitam continuamente estar preparadas para enfrentar o mercado concorrente, construir novas características e diferenciais na prestação de serviços e de inovações para a oferta de produtos, fatores determinantes para lidar com os problemas complexos contemporâneos que as transformações econômicas e culturais globalizadas geram na nova Era digital e dinâmica. Essa fluidez exige cada vez mais habilidades e competências das empresas e de seus profissionais no que tange ao acesso, à busca e ao uso da informação e das TDIC e dos meios midiáticos, da construção de conhecimentos, do aprendizado contínuo, das novas percepções de caráter individualizado e coletivo especialmente no que se refere às tomadas de decisões inteligentes e estratégicas. Para adentrarmos nesse aspecto, é necessário entender o conceito de competência. Durand (1998), Rossatto (2002), Fleury e Fleury (2004), Santos e Belluzzo (2015) e Yafushi (2020) proporcionam compreender que a competência é constituída pelos conhecimentos, habilidades e atitudes intrínsecas e desenvolvidas pelos indivíduos ao longo de sua vida social, profissional e individual. Todo esse know- how, adquirido pelas experiências vivenciadas e desenvolvidas, gera comportamentos, novos conhecimentos e ações responsáveis com resultados econômicos crescentes para as organizações. Nesta perspectiva, Belluzzo (2005, p. 5) ressalta que “[...] a competência vai além de um estoque de conhecimentos teóricos e empíricos detido pelo indivíduo e tampouco acha-se centrada na tarefa”. Além disso, reflete um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que perfazem a personalidade, o desempenho, a inteligência e os saberes de cada indivíduo (Fleury; Fleury, 2001). Desconhecer a importância da informação aliada à tecnologia e aos profissionais capacitados, pode trazer prejuízos imensuráveis para as organizações. Ressignificar corrigindo as ações e as estratégias adotadas pelas empresas, desenvolvendo em seus profissionais a competência necessária para utilizar a informação de maneira assertiva, construindo conhecimento e o domínio dos meios informacionais e midiáticos 31 potencializará os benefícios para as organizações que adotam tal postura para os seus membros organizacionais, enquanto usuários e protagonistas desse novo contexto empresarial. O caminho a seguir é desenvolver as competências necessárias, evoluir sempre para transformar habilidades, atitudes e conhecimentos em resultados promissores para as empresas, independente do seu nicho de atuação. Corroborando com essa afirmação, Belluzzo e Feres (2013, p. 85) ressaltam que a competência consiste no “[...] saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar e transferir conhecimentos, recursos e habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. As competências estão atreladas ao contexto social, ao estilo de vida e à área educacional e possibilita mudanças nas esferas públicas, nas políticas educacionais e organizacionais, nos processos e na atuação profissional. Nesse âmbito, Katz (1986), Prahalad e Hamel (1995), Zarifian (2001, 2003), Pimenta e Brasil (2006), North (2010), Belluzzo e Feres (2013) e Coda (2016) indicam, tal como se ilustra na Figura 3, cinco tipos de competências fundamentais para o alcance do sucesso dos profissionais e das organizações. Figura 3 – Tipologia de competências Fonte: Elaborado pela autora (2024) 32 A Figura 3 pode ser compreendida pelas seguintes características que envolvem a Tipologia das competências: 1. Competência organizacionais: é a capacidade de se sobressair frente à concorrência como inovar, se relacionar com os clientes, mobilizar potenciais organizacionais como recursos financeiros e humanos, identificar e resolver problemas e agentes promotores de transformações da realidade, formar novos líderes e autoridade legítima para apoio da população às políticas deficientes que precisam ser alteradas; 2. Competências gerais: é a capacidade essencial para agregação de valor que envolve todos os membros organizacionais, independente do seu cargo ou função; 3. Competências profissionais: é a capacidade que o profissional possui dentro de sua área de atuação como domínio técnico, funcional ou específico, que gere, para o contexto, resultados efetivos para a solução das atividades/tarefas. Podem ser compartilhadas e apreendidas em todos os processos, por meio da avaliação, análise, identificação e prática dos conhecimentos obtidos e das ações competentes implementadas e mensuradas com procedimentos operacionais, especializados e que exige domínio dos processos, procedimentos e técnicas; 4. Competências gerenciais: é a capacidade considerada essencial para os profissionais que possuem responsabilidade nas tomadas de decisões, que atuam na supervisão e gerenciamento com o intuito de melhoria da qualidade, simplificação da gestão, práticas de gestão democrática e participativa com mobilização dos membros organizacionais, liderança com ações em redes como atuação solidária, tomadas de decisões inteligentes, assertivas, eficientes e efetivas com visão crítica e sistêmica para o alcance dos objetivos e de seu cumprimento; 5. Competências individuais ou comportamentais: é a capacidade pessoal e comportamental que o profissional possui que resulta em eficácia, implica em padrões de condutas e de ações como diferenciais de desempenho. Consiste na capacidade de gerenciar pessoas, mobilizar recursos e trabalhar em equipes, desenvolver competências, interação, participação e motivação para vislumbrar o futuro com qualidade de execução e de esforços coletivos. 33 Nesse aspecto, deter a competência neste século XXI, é determinante e necessária para o acesso, a busca e o uso da informação e dos meios tecnológicos e informacionais. Implica em estar em conformidade com a 4ª Revolução Industrial, conforme enfatizam Hermann, Pentek e Otto (2015), Del Val Román (2016), Roblek, Meško e Krapež (2016), Mittal et al. (2017), Nakayama (2017), Ahuett-Garza e Kurfess (2018), ao afirmarem que a Indústria 4.0 é oriunda das descobertas da mecanização, da eletricidade e da automação propiciadas pelas Revoluções Industriais. O panorama das Revoluções Industriais até a Indústria 4.0, indicadas pelos autores Hermann, Pentek e Otto (2015), Del Val Román (2016), Robleck, Mesko, Krapez (2016), Mittal et al. (2017), Nakayama (2017), Ahuett-Garza e Kurfess (2018) que descrevem essa nova perspectiva à medida que a velocidade de transmissão de dados, Sistemas Ciberfísicos (Cyber Physical System - CPS), manufatura avançada, Internet das Coisas (IoT), Big Data (análise de dados), Internet de Serviços (IoS), Fábrica Inteligente (Smart Factory), Comunicação ente máquinas e máquinas (M2M - Machine-to-machine), realidade virtual aumentada, nanotecnologia, simuladores robóticos, plataformas sociais, cloud computing (computação em nuvem) e impressão 3D, capacidade de produção, processamento, comunicação e modelagem autônomas envolvendo sistemas físicos, biológicos e virtuais, permitem a interação de um novo modelo de atuação das empresas, das pessoas, dos processos e das tomadas de decisões com precisão para atuação em um ambiente dinâmico e complexo vivenciado nesse período pelas organizações e por seus profissionais. Para essa transversalidade e ruptura do analógico para o digital, a informação é a matéria-prima essencial para a interação de todo o processo e pode ser caracterizada em duas vertentes: “[...] primeiro como um direito humano que leva em consideração o capital informacional para a vida. Em segundo, ela deve ser entendida como um bem, político, econômico, social e cultural [...]” (Belluzzo, 2020, p. 4). Dessa maneira, é preciso que os indivíduos, em todos os aspectos da sua vida, seja educacional, social, individual ou coletivo, acessem informações confiáveis e fidedignas com conteúdos agregadores para tomarem decisões inteligentes e resolverem qualquer conflito e problemas que surgirem ao longo de sua vida. Nesse prisma, cabe salientar: 34 [...] É natural que todos sejam imersos na cultura digital e fazendo, diariamente, uso dos seus recursos próprios, de tal forma que já não se pode mais viver sem a internet, tablets, celulares, androides, comunidades virtuais, redes sociais, realidade virtual, ou seja, os diversos artefatos que caracterizam e denominam esta forma de inserção social, situações que afetam e modificam os hábitos, modos de interagir, de trabalhar e de aprender a lidar com os três principais pilares dessa sociedade: a informação, o conhecimento e a tecnologia. (Belluzzo, 2023, p. 8). Rosetto (2021), Grizzle et al. (2016), Belluzzo e Kerbauy (2004) ainda corroboram com a compreensão à respeito da construção de conhecimento ao longo da história por meio do domínio da linguagem falada e escrita com o auxílio dos meios de comunicação como as TDIC enquanto recurso no compartilhamento e na divulgação dos saberes nos diversos formatos digitais e midiáticos exigindo que os profissionais detenham a CoInfo para o acesso, a busca e o uso da informação para construção e compartilhamento de conhecimento. Para Malafi, Liu e Goldstein (2017), a CoInfo consiste em um conjunto de habilidades que resulta na percepção e no reconhecimento de “[...] quando as informações são necessárias e localizarem, avaliarem, organizarem e usarem as informações de forma eficaz, bem como as habilidades para criar, empacotar e apresentar informações de forma eficaz para o público-alvo” (Malafi; Liu; Goldstein, 2017, p. 83, tradução própria). A (CoInfo) promove ações interativas e agregadoras, internalizadas por conceitos, atitudes e habilidades específicas dos indivíduos no seu processo de aprendizagem, capacitando cada pessoa a criar novos conhecimentos e novos comportamentos que envolvem o acesso, a busca e o uso da informação, das tecnologias da informação e midiáticas promovidas pela CoMid e aplicável nos diferentes contextos ao longo da trajetória de vida das pessoas e da atuação da própria comunidade. Neste aspecto, a CoInfo se faz presente: [...] nas informações em todas as suas formas: não apenas em textos impressos, mas também em conteúdo digital, dados, imagens e na palavra falada. Está associada e se sobrepõe a outros letramentos, incluindo especificamente: competência digital, acadêmica e midiática. Seu conceito não é autônomo e está alinhado com outras áreas do conhecimento e novas formas de compreensão. Ajuda a entender as questões éticas e legais associadas ao uso de informações, incluindo privacidade, proteção de dados, liberdade de informação, acesso aberto/dados abertos e propriedade intelectual. É importante ressaltar 35 que a competência em informação é empoderadora e um importante colaborador democrático, inclusivo, e participativo para a sociedade; interpretada pela UNESCO, como um direito humano universal (CILIP, 2018, p. 3, tradução nossa). Nessa perspectiva, Berbel e Andrelo (2024) e Belluzzo (2023) enfatizam que, nos ambientes digitais, sociais e profissionais, existe a real necessidade do domínio da CoInfo e CoMid, pois exige do indivíduo o desenvolvimento de competências que proporcionem a seleção, a produção e a distribuição de conteúdo e de informações circulantes, fundamentais para que os objetivos individuais, coletivos e organizacionais sejam alcançados. Ahmad, Widén e Huvila (2020), Belluzzo (2023), Malafi, Liu e Goldstein (2017) e Santos e Maia (2023) ressaltam que as TDIC e o domínio dessas ferramentas, perfazem esse contexto que a Sociedade está inserida e influenciam as habilidades desenvolvidas pelos profissionais que incluem visão crítica e ética, avaliação e resolução de problemas, uma vez que estão diretamente relacionada às interações sociais, empregabilidade, saúde financeira e aos produtos e serviços ofertados e como a informação é utilizada e transita com o intuito da eficiência operacional e oportunidades de negócios que a Competência em Informação e Midiática propiciam. Nesse viés, “[...] o conceito de competência midiática envolve compreender que ser competente em acesso e uso da mídia é ser capaz de aceder aos media, de compreender as suas mensagens, de analisá-las e de compreendê-las em diversos contextos” (Belluzzo, 2023, p. 16). Grizzle et al. (2021) ressaltam que a CoMid propicia aos indivíduos a aquisição de competências que permeiam a análise crítica de conteúdos disponibilizados nas plataformas tecnológicas, provedores de conteúdo individual, organizacional ou coletivo. Neste âmbito, as mudanças tecnológicas são desafiantes e causam certa inquietação aos usuários e profissionais que necessitam constantemente desenvolver novas competências para uso assertivo das plataformas e dos conteúdos digitais. Dessa maneira, a necessidade de novas habilidades e postura inovadora são indicadas por Bulger e Davison (2018) que descrevem as cinco recomendações para a obtenção da CoMid, a saber: 36 1) Desenvolver uma compreensão coerente do ambiente da mídia: os programas utilizados devem constantemente ser verificados mediante as novas tecnologias e técnicas existentes. 2) Melhorar a colaboração interdisciplinar: a Competência Midiática ainda enfrenta dificuldade no reconhecimento do campo pedagógico, restringindo sua potencialidade, mas que pode ser auxiliada por estudos de outras áreas e disciplinas como a Psicologia Social, Ciência Política e Sociologia, promovendo novas pesquisas e descobertas que auxiliarão essa competência. 3) Alavancar a atual crise da mídia para consolidar as partes interessadas: as “notícias falsas” pode promover a colaboração interdisciplinar a fim de coibir sua distribuição. 4) Priorizar a criação de um banco de dados nacional de evidências de competência midiática: criar uma base de dados central com foco na avaliação mais precisa, fidedigna e assertiva com evidência adequada de Competência Midiática. 5) Desenvolver currículos para abordar a ação além da interpretação: para o volume expressivo de usuários que utilizam as mídias sociais, é fundamental que os esforços sejam direcionados para a alfabetização com enfoque no comportamento deles, incluindo a interpretação. Buckingham (2009, 2015), também ressalta que a Competência Midiática ou “Alfabetização Midiática” possui como objetivo principal a construção de habilidades e de competências tecnológicas embasadas no pensamento reflexivo crítico, na construção de conhecimento e na inclusão do uso de antigas e novas mídias que perfazem a vida e a cultura das pessoas enquanto indivíduos que utilizam espaços de aprendizados como as escolas, as residências e as próprias mídias, requisito si ne qua non para interagir na “Era digital” em relação ao uso da informação e das mídias determinantes para convívio neste novo contexto. Desse modo, Além de entender e aprender a usar a mídia, a análise e a reflexão sobre o conteúdo é um fator importante, identificando as fontes da mensagem e o interesse (comercial e cultural) por trás da criação da mensagem em primeiro lugar. Isso tem a intenção de fazer com que o usuário competente não apenas analise criticamente, mas também 37 determine a mídia apropriada para comunicar suas próprias mensagens a um determinado público (Wada, 2023, p. 2, tradução nossa). A CoMid vai além da capacidade dos indivíduos de acessarem e usarem a informação para construir mensagens, ela está associada também ao poder que este indivíduo detém ao usar a informação para se comunicar por meio da construção de mensagens e uso das mídias que integram as plataformas digitais e tecnológicas, redes de computadores e provedores. A consolidação no uso de ferramentas de suporte ao processo de aprendizado pelos indivíduos é facilitada por meio da centralidade da informação e dos meios de comunicação que reforçam a necessidade do desenvolvimento da CoMid para se apropriar de conhecimentos suficientes ofertados pela educação em mídias e pelas mídias (Berbel; Andrelo, 2024). O desenvolvimento da CoInfo e da CoMid são fundamentais para os profissionais que querem estar preparados para o mercado de trabalho enquanto colaboradores, já que, para as empresas é considerado um diferencial competitivo, frente à concorrência acirrada, ter em seu quadro de funcionários pessoas capacitadas para quanto ao acesso, à busca, ao uso, à seleção, ao descarte e à criação de novos conhecimentos empregados em suas áreas organizacionais com o domínio das ferramentas tecnológicas e midiáticas alavancando o crescimento empresarial. Desse modo, tem importância salientar um briefing das suas origens e evolução. 2.1 Competência em Informação e Midiática: das origens aos indicadores e padrões A CoInfo busca desenvolver/aprimorar habilidades, atitudes e valores de modo que qualquer indivíduo possa utilizar criticamente a informação de maneira agregadora na construção de conhecimentos e nas tomadas de decisões, com o objetivo de gerar a criação de novos conhecimentos com seu uso assertivo ao longo da trajetória profissional, individual e organizacional. Nesse viés, “[...] inicia-se por ressaltar que a noção de Competência em Informação tem como referência a information literacy e o americano Paul Zurkowski, desde 1974, sendo considerada uma área de atenção primária no contexto internacional [...]” (Belluzzo, 2023, p. 6). 38 Corroborando, com essa afirmação Gasque (2013), Furtado, Belluzzo e Vitorino (2019) ressaltam que a partir do relatório The information servisse environment relation ships and priorities elaborado por Paul Zurkowski em 1970, a information literacy foi divulgada amplamente como letramento informacional, alfabetização informacional, competência informacional, habilidade informacional e, por fim no ano de 2013, no Brasil, sua tradução para o português ‘Competência em Informação’ foi reconhecida pela UNESCO por meio da publicação “Overview of information literacy resources worldwide” de Horton Junior (2013). Sua sigla “CoInfo”, foi referendada no Brasil, na Carta de Marília (2014) publicada em parceria institucional entre Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). A CoInfo propicia uma nova abordagem frente às estratégias de negócios, uma vez que enriquece, por meio do conhecimento e das competências necessárias empregadas, o uso da reflexão crítica da informação, do conhecimento e das habilidades que desencadeiam modelos de negócios que perfazem a prestação de serviços ou a produção e comercialização de produtos. “A CoInfo refere-se a uma combinação de conhecimento, aprendizagem e capacidade para lidar com informação ou conhecimento relacionados com o trabalho, como ter capacidades de encontrar, avaliar e utilizar essa informação de forma ética” (Ahmad; Widén; Huvila, 2020, p. 1, tradução nossa). Desse modo ressalta-se que: No cenário social atual, que se configura como uma sociedade apoiada em informação, conhecimento e tecnologias, vale lembrar que essa competência, desde suas origens, passou por mudanças ao longo de sua história a fim de acomodar as novas realidades nas quais tem sido conceituada, pesquisada ou colocada em prática. Diferentes fatores contribuíram para a sua consolidação e podem ser analisados em níveis teórico-práticos (Belluzzo, 2023, p. 6). De fato, esse novo panorama vivenciado pelos indivíduos nos dias atuais, traz uma realidade libertadora e inegável que exige cada vez mais das organizações e dos profissionais o desenvolvimento de novas habilidades e competências que só será alcançado por meio do processo de aprendizagem. “No contexto organizacional, propõem que a competência informacional ajuda na análise crítica de informações e na 39 tomada de decisões equilibradas, abrindo caminho para a criação de conhecimento, aprendizado e inovação” (Ahmad; Widén; Huvila, 2020, p. 1, tradução nossa). Evidentemente, a CoInfo está intrinsicamente relacionada à capacidade das organizações desenvolverem diferenciais competitivos que tem como base a educação que se inicia desde a infância e até à fase adulta ao longo da trajetória profissional, uma imersão no campo intelectual dos indivíduos enquanto aprendizes desse processo contínuo, pragmático e teórico, ressignificado constantemente com a criação de novos conhecimentos e adesão de novas competências profissionais. Nesse aspecto, em 1989, a American Library Association (ALA) publica o relatório internacional intitulado “Presidential Committe on Information Literacy: Final Report” que propiciava um novo modelo de aprendizado, visto que trouxe a relação do desenvolvimento da CoInfo em sala de aula e na biblioteca e acentuou que [...] as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como aprender, pois, sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela (ALA, 1989, p. 1, tradução nossa). De acordo com Dudziak (2001, 2003), autores internacionais como Kuhlthau (1987), Breivick e Gee (1989), Doyle (1994) e Bruce (1999) foram responsáveis por obras imprescindíveis que reforçaram a importância do desenvolvimento da CoInfo nas esferas metodológicas e teóricas, educacionais, empresariais, bibliotecárias e nas experiências vivenciadas pelos indivíduos durante seu processo de aprendizagem. O Quadro 2 traz um panorama, em ordem cronológica, sobre os principais manifestos, seminários, cartas e declarações que resultaram na divulgação da CoInfo de maneira ampla e reconhecida no âmbito nacional e internacional. Quadro 2 – Principais fatores históricos para consolidação da CoInfo FATORES CARACTERÍSTICAS Declaração de Praga Apresenta a alfabetização em informação como condição prévia e determinante transversal para participação e interação com a sociedade, baseada em requisitos que perfazem os direitos humanos básicos como o aprendizado ao longo da vida (UNESCO, 2003); 40 Declaração de Alexandria Apresenta a Alfabetização Informacional como fator central no que se refere ao aprendizado ao longo da vida, possibilitando a capacitação dos indivíduos que envolve “[...] buscar, avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais” (IFLA, 2005, não paginado); Declaração de Toledo Dispõe de um novo olhar sobre a alfabetização informacional e o aprendizado ao longo da vida, enfatizando que o desenvolvimento das competências está no uso efetivo da informação voltado aos objetivos pessoais, familiares e comunitários perfazendo a inclusão social, respeito e preservação de diferentes culturas (Declaração..., 2006); Declaração de Lima Abrange a proposta para diagnosticar efetivamente locais, regiões e nações a inserção dos conteúdos sobre competências informacionais; possibilitando que os programas formais e informais em âmbito educativo compartilhem os resultados e avaliações sobre essa temática (Declaración...,2009); Declaração de Paramillo Dispõe sobre o conteúdo produzido na Venezuela, especificamente no X Colóquio Internacional sobre Tecnologias Aplicadas aos Serviços de Informação, possibilitando o papel imprescindível das bibliotecas no âmbito social, frente a proposta de desenvolvimento das habilidades em informação, apoiando e fomentando adequadamente todo esse processo de desenvolvimento da Competência em Informação (Declaración..., 2010); Declaração de Murcia Realizada na Espanha, abrange o papel fundamental desempenhado pela biblioteca quanto a inclusão social, possibilitando o apoio e incentivo frente a formação de competências básicas, destacando-se o aprendizado permanente (Declaração..., 2010); Declaração de Maceió Dispõe sobre a formação para o desenvolvimento da CoInfo frente a sociedade da informação reconhecendo o papel efetivo das bibliotecas, cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação e associações de profissionais da área. No Brasil, a declaração é considerada um acontecimento histórico para a CoInfo, pois também foi realizado 2 (dois) eventos importantes nesta ambiência – o “I Seminário - Competência em Informação: cenários e tendências” e o “XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação”, contando com a participação e discussões de especialistas de diferentes áreas e convidados presentes (FEBAB, 2011); Recomendações da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) Abrange o domínio da alfabetização informacional e midiática dos usuários como requisito para: localizar, buscar, avaliar, selecionar, organizar e usar a informação de maneira ética, embasada no conjunto de conhecimento, atitudes e capacidades que perfazem a Era Digital, rompendo barreiras globais e propiciando a inclusão social das pessoas (IFLA, 2011); Declaração de Féz Reforça o direito à informação e uso das Tecnologias da Informação e Comunicação e mídias, sob o enfoque da alfabetização informacional e midiática, voltado ao desenvolvimento humano de modo sustentável (UNESCO, 2011); 41 Declaração de Havana Apresenta 5 (cinco) ações embasadas em diretrizes de CoInfo, sob o enfoque prático de trabalho colaborativo amplo atrelado a criação de redes em diferentes contextos dos países ibero-americanos, consolidando dessa maneira, essa competência em diversos ambientes (profissionais, educacionais, organizacionais e biblioteconômicos) com o propósito de compartilhar aprendizado e conhecimento sobre a temática (IFLA, 2012); Declaração de Moscou Criada durante a Conferência Internacional “Alfabetização Midiática e Informacional na Sociedade do Conhecimento”, trouxe propostas sobre políticas e estratégias para a conscientização coletiva da importância da CoInfo (UNESCO, 2012); Manifesto de Florianópolis Dispõe sobre a CoInfo no Brasil, reforçando a necessidade de reavaliação das políticas públicas e governamentais, das responsabilidades dos órgãos competentes que representam a área, dos profissionais da informação e das instituições particulares frente a falta de oportunidades no acesso, busca e uso efetivo da informação por uma minoria da sociedade que enfrentam questões como: discriminação, ausência de oportunidades e exclusão social, a fim de se adequar legalmente as necessidades dessa população, instituindo parcerias que supram essa necessidade informacional (FEBAB, 2013); Carta de Marília Elaborada na cidade de Marília, interior do Estado de São Paulo, durante o “III Seminário de Competência em Informação: cenários e tendências”, instituindo a sigla CoInfo para Competência em Informação no Brasil, possui como proposta: a promoção de políticas públicas e consolidação da CoInfo, almejando proporcionar oportunidades no intuito de minimizar as desigualdades sociais por meio da criação de conhecimento e domínio das ferramentas tecnológicas; ressalta que a aprendizagem deve ser praticada de maneira integrada, colaborativa, utilizando sistemas, redes e unidades com ênfase aos serviços de informação; fomentando dessa maneira a atuação das organizações que perfazem a área da informação para construir conhecimento e consequentemente obtendo o aprendizado ao longo da vida [...]. (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA; UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA; INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2014, p. 1); Declaração de Paris Foi realizada durante o Fórum Europeu de Alfabetização Midiática e Informacional, com o apoio e publicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (em inglês United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO) no ano de 2014, o documento ressalta o contexto contemporâneo e informacional vivenciado pela atual sociedade na Era Digital, enfatizando o acesso dos cidadãos a internet por meio do uso assertivo de redes sociais e ferramentas digitais. (UNESCO, 2014); Declaração de Lyon Ressalta a importância de disponibilizar as TIC para todos os cidadãos, a fim de maximizar a equidade social garantindo o acesso à informação e ao conhecimento, fomentando melhorias no desenvolvimento sustentável e na qualidade de vida das pessoas, gerando resultados socioeconômicos benéficos a toda sociedade mundial (IFLA, 2014); 42 IV Seminário de Competência em Informação em consonância com o IV Seminário Hispano Brasileiro de Pesquisa em Informação Documentação e Sociedade No ano de 2015, foi realizado na cidade de Brasília (DF-Brasil) o IV Seminário de Competência em Informação em consonância com o IV Seminário Hispano Brasileiro de Pesquisa em Informação Documentação e Sociedade elaborado pelo Programa de Pós- Graduação da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Universidad Complutense de Madrid, contribuindo para a troca de experiências acadêmicas e científicas entre os profissionais da área da informação e as instituições brasileiras e espanholas, auxiliando a cooperação mútua entre as universidades e fortalecendo o conhecimento sob o enfoque da pesquisa (Belluzzo, 2018); Atualização do Framework for Information Literacy for Higher Education A ACRL publicou no ano de 2016 a atualização do Framework for Information Literacy for Higher Education embasadas no modo de pensar e agir na Sociedade do Conhecimento, propiciando reflexões acerca da CoInfo, da Ciência da Informação, norteadas pelo o uso ético da informação, pensamento crítico, contexto social e político- econômico com enfoque no contínuo aprendizado (ACRL, 2016); A ACRL elaborou o documento Global Perspectives on Information Literacy (Perspectivas Globais sobre a Competência em Informação) No ano de 2017 a ACRL elaborou um documento intitulado Global Perspectives on Information Literacy (Perspectivas Globais sobre a Competência em Informação), em que enfatizou a necessidade de se ter um alto nível de CoInfo no século XXI, além das habilidades técnicas e atitudes adequadas. (ACRL, 2017); Promoção de Seminário de Competência em Informação A Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação (ANCIB) vem promovendo o Seminário de Competência em Informação, desde o ano de 2014, como parte da programação do Pós-ENANCIB, em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT- MCTIC), UNESP e UnB. O objetivo tem sido a criação de um espaço de reflexão, discussão e compartilhamento de experiências e práticas sobre a CoInfo e sua articulação com as Redes de Conhecimento Colaborativo, desenvolvidas por pesquisadores da Ciência da Informação no Brasil (Simeão et al. 2019); Proposta de diretrizes para desenvolvimento de políticas em repositórios de documentos científicos No ano de 2018, houve uma parceria entre a Rede Cariniana e o Projeto Brasília 2060, o documento elaborado “Proposta de diretrizes para desenvolvimento de políticas em repositórios de documentos científicos [...]” almejando nortear a necessidade de desenvolvimento de políticas abrangendo o Repositório de CoInfo, que está sendo criado no âmbito do IBICT (MCTIC). “Em seguida, optou-se por criar a Biblioteca Virtual da CoInfo (IBICTMCTIC) utilizando para abrigar sua coleção, também a plataforma Data Verse [...]” (Simeão et al., 2019, p. 448); I Seminário Internacional de Competência em Informação (I SEICIn) e o III Seminário de Pesquisas e Práticas sobre Em 2019, foi realizado em Florianópolis o I Seminário Internacional de Competência em Informação (I SEICIn) e o III Seminário de Pesquisas e Práticas sobre Competência em Informação de Santa Catarina (III SEPCIn), o evento foi elaborado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Competência em Informação (GPCIn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), trazendo reflexões profundas sobre a CoInfo no contexto contemporâneo, contando com a participação de 43 Competência em Informação de Santa Catarina (III SEPCIn), pesquisadores e profissionais da área da Informação, além de palestrantes brasileiros e estrangeiros. No mesmo evento houve o lançamento do livro intitulado “Competência em informação: conceito, contexto histórico e olhares para a Ciência da Informação” de autoria das pesquisadoras: Elizete Vieira Vitorino e Daniela Piantola. Além disso, foi criado no mesmo evento o “Prêmio Regina Belluzzo de Competência em Informação”, que também contribui para a consolidação da CoInfo no Movimento nacional (UFSC, 2019); V Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas No ano de 2019, foi realizado na Universidade Cândido Mendes (UCAM), no Centro do Rio de Janeiro o V Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas, contou com a organização dos representantes da Rede de competência (UFRJ, UNIRIO, IBICT, CPII, Fiocruz, redes de bibliotecas de Nova Iguaçu, CPRM), o evento ressaltou a importância dos debates sobre a Coinfo (Disponível em: http://escritos.ibict.br/v-forum-sobre-competencia-em-informacao/); VIII Seminário Hispano- Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade Ainda no ano de 2019, ocorreu na Universidade de São Paulo (USP), em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Complutense de Madrid (UCM) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o VIII Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade, tudo organizado pela Escola do Futuro, o objetivo do evento foi consolidar a parceria das Instituições envolvidas promovendo o intercâmbio em todas as esferas do conhecimento: acadêmico, científico e cultural, consolidando a troca integrativa dessa parceria. (Disponível em: https://seminariohispano- brasileiro.org.es/index.php/viishb/index/schedConfs/archive); VI Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas no Rio de Janeiro Em 2020 foi realizado o VI Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas no Rio de Janeiro. Esse evento teve como objetivo a promoção da Coinfo e contou com a organização do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (Disponível em: https://eventos.ufrj.br/evento/forum-sobre- competencia-em-informacao-pesquisas-e-praticas-no-rj/); V Seminário de Competência em Informação Em 2021, foi realizado na cidade de Marília/SP, o V Seminário de Competência em Informação elaborado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) com a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), teve como objetivo as trocas de aprendizados, aprendizado, compartilhamento de conhecimento, integração, sinergia em promoção da CoInfo no âmbito da pesquisa, ensino, extensão, etc. (Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/issue/view/95); X Seminário Hispano- Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade No ano de 2021, foi realizado o X Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade em Brasília. O evento foi organizado pela Universidade de Brasília (Unb) e pela Universidad Complutense de Madrid (Espanha), o objetivo do evento foi promover a parceria das Instituições envolvidas no intuito de abranger o aprendizado e trocas de conhecimento na área acadêmica, científica e cultural, reforçando a parceria e trocas de conhecimento. (Disponível em: https://seminariohispano- 44 brasileiro.org.es/index.php/xiishb/xshb2021/index); VII Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas no Rio de Janeiro Ainda no ano de 2021 ocorreu o VII Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas no Rio de Janeiro elaborado pela Rede Coinfo (UFRJ, UNIRIO, IBICT, CPII, Fiocruz, redes de bibliotecas de Nova Iguaçu, CPRM), o evento visa promover os debates, construir conhecimento e trazer novas abordagens sobre a Coinfo (Disponível em: https://www.unirio.br/news/forum-sobre- competencia-em-informacao-chega-a-sexta-edicao); II Seminário Internacional de Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social Em 2022 foi realizado no Rio de Janeiro o II Seminário Internacional de Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social coma temática “Competência crítica em informação no século XXI”, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), IBICT e Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia (COEPE), teve o apoio também do CNPq, FAPERJ e ICIE, promovendo o lançamento do livro Competência crítica em informação: teoria, consciência e práxis (IBICT, 2022) de diversos autores brasileiros (Disponível em: http://escritos.ibict.br/ii-seminario- internacional-escritos-inscricoes-abertas/) IX Fórum sobre a Competência em Informação Em 2023 foi realizado o IX Fórum sobre a Competência em Informação na Biblioteca de Manguinhos em Bonsucesso no Rio de Janeiro (RJ), em parceria com Rede Coinfo (UFRJ, UNIRIO, IBICT, CPII, Fiocruz, redes de bibliotecas de Nova Iguaçu, CPRM), o evento visa promover debates acerca da CoInfo no estado (Disponível em: https://doity.com.br/ixforumcoinfo); XXIII Encontro Nacional de Pós-Graduação em Ciência da Informação Em 2023, ocorreu o XXIII Encontro Nacional de Pós-Graduação em Ciência da Informação realizado na Universidade Federal de Sergipe, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI/UFS). O evento teve a temática “Das mediações às práticas informacionais: contribuições da Ciência da Informação”, promovendo discussões e mesa de debates com os membros participantes, gerando novas reflexões multidisciplinar com os respectivos grupos. (Disponível em: https://eventos.galoa.com.br/enancib-2023/page/2621-inicio); XXIV Encontro Nacional de Pós-Graduação em Ciência da Informação Em 2024, ocorreu o XXIV Encontro Nacional de Pós-Graduação em Ciência da Informação realizado na Universidade Federal de Vitória (ES), com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI/UFES). O evento trouxe uma nova abordagem ao demonstrar a realidade dos programas de pós-graduação e fomentar o diálogo entre os pesquisadores, docentes e pós-graduandos promovendo discussões, reflexões em nível nacional e internacional. (Disponível em: https://ancib.org/enancib/index.php/enancib/index/schedConfs/archive) Fonte: Adaptado de Yafushi (2020, p. 46-52) Belluzzo (2018) pontua padrões e indicadores internacionais de CoInfo que foram elaborados no intuito de nortear ações, desenvolver habilidades e competências dos indivíduos e que compreendem:  The Seven Pillars of Information Literacy (SCONUL, 1999), no Reino Unido; 45  Information Literacy Competency Standards for Higher Education (ACRL, 2000), nos Estados Unidos.  Information Literacy Standards (CAUL, 2001), na Austrália, que tiveram uma segunda edição em colaboração com a Nova Zelândia.  Australian and New Zealand Information Literacy Framework (ANZIIL; CAUL, 2004), na Austrália e Nova Zelândia.  E, para outros níveis de ensino que não o superior: Information Literacy Standards for Student Learning (AASL; AECT, 1998), produzidos também nos Estados Unidos. (Belluzzo, 2018, p. 37-38). Neste âmbito, a fim de auxiliar o direcionamento das ações profissionais das pessoas em consonância com o desenvolvimento da CoInfo, Lau (2007) elaborou três padrões internacionais básicos que contemplam o acesso, a avaliação e o uso da informação indicando o desenvolvimento de habilidades em informação e aprendizagem permanente, estrutura foi pautada nas Diretrizes sobre Desenvolvimento de Habilidades em Informação (DHI) criada pela International Federation of Library Association (IFLA). Os Padrões Internacionais de Desenvolvimento de Habilidade em Informação e Aprendizagem Permanente propostos por Lau (2007), que culminam na proposta integrada com várias áreas chaves que asseguram aos indivíduos o desenvolvimento de habilidades de aprendizagem e que garante que os profissionais se tornem competentes em informação, fomentando seu aprendizado contínuo ao longo da vida. Os principais padrões podem ser descritos da seguinte maneira: PADRÃO 1: ACESSO - O usuário acessa a informação de forma eficaz e eficiente 1.1 Definição e articulação da necessidade de informação. O usuário: • Define ou reconhece a necessidade de informação. • Decide fazer algo para encontrar a informação. • Expressa e define a necessidade de informação. Inicia o processo de busca. 1.2 Localização da informação. O usuário: • Identifica e avalia as fontes potenciais de informação. • Desenvolve estratégias de busca. • Acessa fontes de informação selecionadas. • Seleciona e recupera a informação. PADRÃO 2: AVALIAÇÃO - O usuário avalia a informação de maneira crítica e competente 2.1 Avaliação da informação. O usuário: • Analisa, examina e extrai a informação. • Generaliza e interpreta a informação. • Seleciona e sintetiza a informação. 46 • Avalia a exatidão e relevância da informação recuperada. 2.2 Organização da informação. O usuário: • Ordena e categoriza a informação. • Reúne e organiza a informação recuperada. • Determina qual a melhor e de maior utilidade. PADRÃO 3: USO - O usuário aplica/usa a informação de maneira precisa e criativa 3.1 Uso da informação. O usuário: • Busca novas formas de comunicar, apresentar e usar a informação. • Aplica a informação recuperada. • Apreende ou internaliza a informação como conhecimento pessoal. • Apresenta o produto da informação. 3.2 Comunicação e uso ético da informação. O usuário: • Compreende o uso ético da informação. • Respeita o uso legal da informação. • Comunica o produto da informação com reconhecimento da propriedade intelectual. • Usa os padrões para o reconhecimento da informação (Lau, 2007, p. 16-17). Neste