UNESP
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUISTA FILHO”
Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá
INFORMÁTICA COMO UM RECURSO PEDAGÓGICO
NAS ESCOLAS ESTADUAIS DE GUARATINGUETÁ: UM
RETRATO DO ANO DE 2009
TIAGO DOS SANTOS ARMENDARIZ
Guaratinguetá
2010
TIAGO DOS SANTOS ARMENDARIZ
INFORMÁTICA COMO UM RECURSO PEDAGÓGICO NAS ESCOLAS
ESTADUAIS DE GUARATINGUETÁ: UM RETRATO DO ANO DE 2009.
Trabalho de Graduação apresentado ao
Conselho de Curso de Graduação em
Licenciatura em Matemática da Faculdade de
Engenharia do Campus de Guaratinguetá,
Universidade Estadual Paulista, como parte
dos requisitos para obtenção do diploma de
Graduação em Licenciatura em Matemática.
Orientador: Prof. Dr. José Ricardo de Rezende Zeni
Guaratinguetá
2010
A728s
Armendariz, Tiago dos Santos
Informática como um recurso pedagógico nas escolas estaduais de
Guaratinguetá: Um retrato do ano de 2009 / Tiago dos Santos Armendariz
– Guaratinguetá: [s.n], 2010.
58f.
Bibliografia: f. 50-53
Trabalho de Graduação em Licenciatura em Matemática –
Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de
Guaratinguetá, 2010.
Orientador: Prof. Dr. José de Ricardo Zeni
1. Tecnologia educacional 2. Formação de professores I. Título
CDU 37:681.3
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a Deus que me acompanha em toda minha
vida me dando saúde, inteligência e compreensão para alcançar
meus objetivos.
AGRADECIMENTOS
De modo especial, agradeço a minha mãe Isabel e a minha irmã Renata que
sempre estiveram do meu lado me dando carinho, amor e incentivo para buscar meus
objetivos.
A toda minha família, amigos e companheiros da 5ª turma de Licenciatura em
Matemática da UNESP/FEG que fizeram desse período um momento agradável e
alegre.
Ao meu orientador Prof. Dr. José Ricardo de Rezende Zeni pela compreensão,
paciência, incentivo e dedicação durante toda a orientação desse trabalho.
A professora Dra. Vera Lia Marcondes Criscuolo pela oportunidade dada a mim
no projeto “Laboratório de Materiais – Um Espaço Para Discutir Matemática”.
A professora Maria de Fátima de Castro Lacaz Santos e o professor Ricardo
Wurthmann Saad pela satisfação de participar do projeto “Produção e Difusão de
Material de Apoio aos projetos Sociais do Programa UNATI/FEG”.
A todos os professores que fizeram parte desse ciclo e que se empenharam a cada
aula para oferecer o melhor ensino, contribuindo não só para minha formação
acadêmica mas também para a minha formação humana.
A Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá que proporcionou condições
favoráveis para minha formação no melhor curso de Licenciatura em Matemática do
Brasil segundo resultados do ENADE 2008.
ARMENDARIZ, T. S. Salas de Informática nas Escolas Estaduais de
Guaratinguetá: Condições e Uso. Trabalho de Conclusão. (Licenciatura em
Matemática) – Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade
Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2010.
RESUMO
Devido à grande importância que vem sendo dada às tecnologias da informação e da
comunicação na educação, o presente trabalho traz um levantamento sobre as
condições das Salas Ambientes de Informática (SAI), assim como sua utilização, nas
escolas estaduais de Guaratinguetá. Também procuramos trazer uma compreensão
sobre o depoimento dado pelos professores de matemática e a direção das escolas,
acerca do modo como eles vêem essa tendência na educação e o que eles tem feito
para a implementação dessa prática dentro da sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: Informática na Educação. Tecnologia Educacional. Formação
de Professores. Políticas Públicas para Educação.
ARMENDARIZ, T. S. Computer Laboratory of State Schools at Guaratinguetá:
Conditions and Use. Trabalho de Conclusão (Licenciatura em Matemática) –
Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual
Paulista, Guaratinguetá, 2010.
ABSTRACT
Due to great importance of information and communication technologies in education,
this work presents a quest about conditions of Computer Laboratory of state schools at
Guaratinguetá. Also we listen to the math teachers and to the school’s director what
they have to say on this trend and what they have made for integrate those
technologies in classroom.
KEYWORDS: Computers in Education. Educational Technologies. Public Policy in
Education.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Os reflexos do computador na profissão docente. ........................................ 23
Figura 2 - Relação do número de alunos por PC. .......................................................... 30
Figura 3 - Professor versus informática......................................................................... 36
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Escolas Estaduais de Guaratinguetá (maio de 2009). .................................. 27
Tabela 2 - Infra-estrutura das SAI das escolas estaduais. ............................................. 29
Tabela 3 - An da implantação da SAI nas escolas. ....................................................... 29
Tabela 4 - Distribuição do número de computadores por escola. ................................. 30
Tabela 5 - Escola X Utilização da SAI .......................................................................... 33
Tabela 6 - Cidades onde residem os professores de matemática. ................................. 34
Tabela 7 - Distribuição dos níveis de ensino ................................................................. 34
Tabela 8 - Tempo de atuação dos professores ............................................................... 35
Tabela 9 - Distribuição da carga-horária semanal dos professores. .............................. 35
Tabela 10 - Índice e Número de alunos participantes do SARESP 2007 e 2008. ......... 42
Tabela 11 - Níveis de proficiência ................................................................................. 42
Tabela 12 - Índice do IDEB das escolas da rede estadual de ensino de Guaratinguetá.
....................................................................................................................................... 44
Tabela 13 - Índice do ENEM 2008 das escolas estaduais de Guaratinguetá. ............... 46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
DE – Diretoria de Ensino de Guaratinguetá
ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio
IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
INEP – Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
PCESP – Proposta Curricular do Estado de São Paulo
PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais
PCNEF – Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental
PCNEM – Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio
PROUNI – Programa Universidade para Todos
SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica
SAI – Sala Ambiente de Informática
SARESP – Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo
SEE/SP – Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO ................................................................................ 13
CAPÍTULO 2 – INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO .............................................. 15
2.1 RELEVÂNCIA DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO .................................. 15
2.2 DESAFIOS À IMPLEMENTAÇÃO DA INFORMÁTICA NA ESCOLA ....... 17
2.3 A RELAÇÃO DO PROFESSOR COM A INFORMÁTICA EDUCATIVA ..... 20
CAPÍTULO 3 – COLETA E ANÁLISE DE DADOS SOBRE A SAI .................... 25
3.1 SUJEITOS DA PESQUISA ................................................................................ 25
3.2 LEVANTAMENTO PRELIMINAR................................................................... 26
3.3 VISITA AS ESCOLAS ESTADUAIS ................................................................ 31
3.4 LEVANTAMENTO JUNTO AOS PROFESSORES DE MATEMÁTICA ....... 33
3.4.1 Análise das questões fechadas ...................................................................... 33
3.4.2 Análise das questões abertas ........................................................................ 38
CAPÍTULO 4 – SISTEMAS DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ....................... 40
4.1 SARESP............................................................................................................... 40
4. 2 IDEB ................................................................................................................... 42
4.3 ENEM .................................................................................................................. 44
CAPÍTULO 5 - CONCLUSÃO .................................................................................. 47
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 50
ANEXO I - QUESTIONÁRIO ESCOLA .................................................................. 54
ANEXO II – QUESTIONÁRIO PROFESSORES ................................................... 56
13
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
Hoje o computador está inserido no dia-a-dia de todo cidadão e com o passar do
tempo está havendo cada vez mais a popularização tanto do computador quanto da
internet. De acordo com BARBOSA (2010, p. 122), em nosso país, 36% dos
domicílios possuem computador e 27% deles declaram possuir acesso a internet. A
pesquisa aponta que 57% dos indivíduos pesquisados declaram já terem utilizado um
computador pelo menos uma vez na vida e 49% já terem acessado a internet.
Esse número ainda é pequeno e a escola, como um local de preparação dos
alunos para atuarem na sociedade, pode dar sua contribuição a medida que
disponibilizar esse acesso aos alunos. De acordo com essa mesma pesquisa apenas
17% dos indivíduos utilizam o computador na escola e apenas 14% acessam a internet
por meio dos computadores da escola.
O acesso a essas ferramentas pode se dar através da integração delas com o
currículo escolar e por isso, há algum tempo já se vem estudando alternativas para o
ensino da matemática através da informática assim como o impacto dela no processo
de ensino-aprendizagem. Dentre diversos estudos já realizados, como exemplo, os de
CAROLINO (2007), essa prática de ensino tem revelado grandes êxitos que também
se confirma pelos PCN que passaram a sugerir a inclusão dessa mídia como recurso
didático do professor. Porém, o que se nota é que esse êxito está relacionado a certas
condições favoráveis para a implementação dessa prática que, atualmente, através de
relatos em artigos, jornais, revistas e periódicos, ainda não está presente na maioria das
escolas (WEINBERG, 2007).
Diante dessa realidade, este trabalho apresenta as condições que os professores
da rede estadual de ensino de Guaratinguetá encontram para a implementação de uma
prática voltada para a utilização da informática nas aulas de matemática. Participaram
dessa pesquisa, as 17 escolas estaduais da cidade de Guaratinguetá e alguns dos
professores de matemática dessas escolas através dos relatos e das expectativas deles
em relação à informática na educação matemática.
14
Essa monografia foi estruturada em 5 capítulos, descritos a seguir.
No Capítulo 1 , trazemos esta introdução apresentando o trabalho.
No capítulo 2, Informática na Educação, procuramos discutir a importância da
informática na sociedade contemporânea e também no processo de ensino e
aprendizagem; as expectativas dos professores em relação a essa tendência na
educação matemática, assim como as barreiras enfrentadas para a utilização da sala de
informática nas escolas estaduais.
No capítulo 3, Coleta e Análise de Dados sobre a SAI, apresentamos a pesquisa
realizada junto às escolas estaduais da cidade de Guaratinguetá e também junto aos
professores de matemática das mesmas. Este foi o objetivo principal deste trabalho.
No capítulo 4, Sistemas de Avaliação Educacional, apresentamos os indicadores
de desempenho de cada escola estadual de Guaratinguetá em relação às principais
avaliações da educação básica (SARESP, IDEB, ENEM) aplicadas pelos governos
estadual e federal trazendo um panorama das escolas traçado no capítulo 3.
No capítulo 5, Conclusão, apresentamos nossas considerações a respeito do
contexto que envolve a implementação da informática na educação.
15
CAPÍTULO 2 – INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO
2.1 RELEVÂNCIA DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO
Alguns autores dividem o tempo em 3 ondas civilizatórias: onda agrícola, a
industrial e a digital, esta última pela qual atualmente nossa sociedade vem passando.
A onda digital nasceu com o surgimento das redes de computadores apresentando
como principal característica o acesso e a divulgação de informações.
Desta forma a sociedade atual está caracterizada pela grande oferta de
informações colocadas à disposição do indivíduo, exigindo dele uma leitura crítica
para uma atuação democrática em seu meio social.
Essa nova realidade vem gerando profundas interferências na cultura, nas
relações de trabalho, no modo de vida, na geração de novas linguagens e também no
desenvolvimento do conhecimento, que estão incorporadas na vida cotidiana de tal
forma que passam muitas vezes despercebidas.
A educação, assim como as demais ciências, também passou e ainda passa por
processos de desenvolvimento e por isso deve se reorganizar e se reestruturar para
atender as necessidades da sociedade que segundo os Parâmetros Curriculares
Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM):
[...] pretende-se contemplar a necessidade da sua adequação para o desenvolvimento
e promoção de alunos, com diferentes motivações, interesses e capacidades, criando
condições para a sua inserção num mundo em mudança e contribuindo para
desenvolver as capacidades que deles serão exigidas em sua vida social e
profissional. (BRASIL, PCNEM, 2000, p.40)
Para isso, a escola deve se fundamentar em uma prática pedagógica baseada em
uma educação que valorize a capacidade cognitiva pois a relevância e a pertinência das
aprendizagens escolares nessas instituições são decisivas para que o acesso a elas
proporcione uma oportunidade real de aprendizagem para inserção no mundo de modo
produtivo e solidário (PCESP, 2008, p.10).
Diante desse quadro, as políticas públicas, através de publicações oficiais para a
educação matemática, vêm incentivando novas práticas:
16
[...] apresentar possibilidades metodológicas alternativas ao tratamento tradicional
dos conteúdos, de apresentar abordagem criativa e, sempre que possível, favorecer o
uso da tecnologia da informação, da modelagem matemática, de materiais concretos,
etc. (SÃO PAULO, PCESP, 2008, p.50).
Como fonte da transformação do conhecimento a escola diante das novas
tecnologias também tem seu papel fundamental tendo de cumprir dois desafios: o
social – preparação do indivíduo como cidadão – e pedagógico – melhorar o processo
de aprendizagem.
No aspecto social vale ressaltar a imensa importância da escola nesse cenário
uma vez que com o desenvolvimento da tecnologia criou-se mais um fator de exclusão
social, podendo a escola contribuir para a redução da exclusão digital.
Já no campo pedagógico as tecnologias têm vastas opções de ferramentas como
os rádios, vídeos, máquinas fotográficas, celulares, calculadoras, computadores,
softwares, jogos e a internet que, segundo COSTA e PAIM (2004, p. 19), dependendo
da forma como venham a ser usadas, potencializam o processo educativo, uma vez que
possibilitam a manipulação de grandes massas de dados, permitindo maior facilidade
no armazenamento, no tratamento, na busca, na recuperação e na comunicação da
informação.
A internet disponibiliza ainda mais recursos que podem ser utilizados na prática
em salas de aula como: acesso a sites de busca, bibliotecas virtuais, enciclopédias
virtuais, jogos online, correio eletrônico, lista e fóruns de discussões, salas de bate-
papo, videoconferência entre outros.
Sabemos que a presença do computador na sala de aula modifica toda a dinâmica
da aula e a relação professor-aluno. Segundo PENTEADO SILVA, (1997, p.92) ao
trazer o computador para a sala de aula, o professor passa a contar não só com mais
um recurso para a realização de tarefas, mas está abrindo um novo canal de
comunicação com seus alunos.
17
2.2 DESAFIOS À IMPLEMENTAÇÃO DA INFORMÁTICA NA ESCOLA
Um desafio a ser enfrentado hoje na educação brasileira é a preferência dos
professores pelo método tradicional de dar aulas:
Tradicionalmente, a prática mais freqüente no ensino de Matemática tem sido aquela
em que o professor apresenta o conteúdo oralmente, partindo de definições,
exemplos, demonstrações de propriedades, seguidos de exercícios de aprendizagem,
fixação e aplicação, e pressupõe que o aluno aprenda pela reprodução. (BRASIL,
PCNEF, 1998, p. 37).
Isso não quer dizer que essa prática não é correta, apenas acredita-se que ela não
seja completa e por isso, falta o que denominamos de “professores reflexivos”, que
define-se como sendo aqueles que investigam a sua prática docente sempre em busca
de um aperfeiçoamento.
Desta forma é necessário para a educação brasileira professores reflexivos
engajados em propiciar ambientes ricos de aprendizagem através de projetos que
tragam a realidade para dentro da sala de aula despertando interesse, a participação e a
autonomia na busca da construção do conhecimento. Entretanto, o número desses
professores ainda é pequeno conforme destaca o PCN:
Também existem professores que, individualmente ou em pequenos grupos, têm
iniciativa para buscar novos conhecimentos e assumem uma atitude de constante
reflexão, o que os leva a desenvolver práticas pedagógicas mais eficientes para
ensinar Matemática. [...] No entanto, essas iniciativas ainda não atingiram o
conjunto dos professores e por isto não chegaram a alterar o quadro desfavorável
que caracteriza o ensino de Matemática no Brasil. (BRASIL, PCNEF, 1998, p.21).
Passando pelo primeiro desafio que é a quebra da barreira cultural, surgem novas
dificuldades a serem enfrentadas como: o custo do equipamento, a falta de softwares
educativos de qualidade e com sofisticação pedagógica, falta de recursos humanos
qualificados e as barreiras às inovações tecnológicas (MARQUES e CAETANO,
2002, P.140).
Durante a pesquisa realizada nas escolas estaduais de Guaratinguetá, veja
capítulo 3 para maiores detalhes, pode-se ver pelos relatos dos professores que fizeram
parte da pesquisa, sobre as dificuldades que existem para o uso efetivo da sala de
informática, conforme mostrado abaixo.
18
Quais são as principais dificuldades que você tem com relação à utilização da
informática?
Professor E: “Domínio do uso do computador e programas”
Professor G: “No momento, a principal dificuldade é as condições do laboratório de
informática”.
Professor H: “quanto a disponibilidade do uso na escola são muitos os obstáculos”.
Professor I: “Falta de tempo de fazer um curso de informática”.
De acordo com VALENTE (2001, p. 1) existem educadores com uma visão
cética a respeito do tema sob os seguintes argumentos:
A escola não tem carteiras, faltam salas de aula e o professor ganha uma
miséria. Nessa pobreza, como falar de computadores?
A desumanização que essa máquina pode provocar na educação.
O contato com uma máquina racional, fria, e, portanto, desumana, propicia a
formação de indivíduos desumanos e robóticos.
Dificuldade de adaptação da administração escolar, professores, e dos pais à
uma abordagem educacional que eles mesmo não vivenciaram.
19
Assim como há os céticos, segundo VALENTE (2001, p. 2) também existem
aqueles otimistas em relação à utilização do computador na escola baseados nos
seguintes argumentos:
Outros países (estados ou cidades) ou outras escolas dispõem do computador na
educação, portanto, nós também devemos adotar essa solução;
O computador fará parte de nossa vida, portanto a escola deve nos preparar para
lidarmos com essa tecnologia;
O computador é um meio didático: assim como temos o retroprojetor, o vídeo,
etc, devemos ter o computador;
Motivar e despertar o interesse do aluno;
Desenvolver o raciocínio e possibilitar situações de resolução de problemas.
O contexto colocado por Valente na visão cética pode ser rebatido por diversos
aspectos: não é porque a escola não tem condições fundamentais que não se deve
introduzir o computador na sala de aula, isso deve ser feito juntamente com as demais
ações citadas no argumento (salas de aula, carteiras, etc); o desenvolvimento de um ser
humano robótico e desumano só poderá ser alcançado com a “permissão” do
professor, ou seja, é ele quem organizará o ambiente de aprendizagem e espera-se que
ele utilize o computador para criar um ambiente de aprendizagem voltado para a
reflexão, discussão, argumentação das atividades desenvolvidas; a barreira cultural
como já citada no texto talvez seja um dos principais desafios à implementação da
informática na educação como relatados por alguns professores que são avessos a essa
prática e aqueles que encontram dificuldades na burocracia da administração escolar.
Já alguns argumentos da visão otimistas como o próprio Valente afirma é gerado
por razões pouco fundamentadas: não é porque em outros países (estados ou
municípios) implementaram o computador nas aulas que se deve copiar essa prática e
sim, é necessário implementá-la pois oferecem ambientes ricos de aprendizagem; será
que o computador é a salvação dos professores para motivarem seus alunos? Não se
deve pensar dessa maneira e sim que o modo de transmissão do conhecimento é que
deve gerar motivação nos alunos, e o computador é mais uma ferramenta que
professores poderão utilizar para alcançar esse objetivo.
20
2.3 A RELAÇÃO DO PROFESSOR COM A INFORMÁTICA EDUCATIVA
De acordo com os dados mostrados no capítulo 3 pode-se afirmar que os
professores de Matemática da rede Estadual de Ensino de Guaratinguetá que
participaram da pesquisa obtém um grau de relacionamento pessoal com a informática
que podemos classificar como satisfatório, justificado pelo grande número deles que
possuem o computador em casa e também tem acesso a informática (figura 3).
Dentro desse cenário qual a relação do professor com a informática dentro da
sala de aula? Diante dessa questão, a resposta já não é tão favorável, mas por quê?
Talvez a resposta mais provável é a insegurança que o professor sente em relação
ao uso do computador devido ao fato de muitas vezes terem uma sala numerosa ou
talvez por não terem uma formação em informática.
A falta de capacitação é um aspecto relevante que faz a diferença quando o
professor decide ou não utilizar o computador no processo de ensino-aprendizagem.
Hoje eles não possuem um incentivo para a capacitação, faltam cursos na área,
faltam softwares específicos na escola além do desconhecimento daqueles que
existem, falta tempo para a dedicação ao estudo já que eles têm de deixar por um
tempo o lado docente para se voltar para o aspecto pesquisador. Abaixo, segue alguns
comentários dos professores sobre as dificuldades.
Em sua opinião, quais as principais dificuldades para a utilização da Sala de
Informática para a Educação matemática?
Professor A: “O conhecimento do próprio professor em informática”
21
Professor B: “Não tenho formação adequada para esse tipo de trabalho”.
Professor F: “Número de alunos, monitor (falta), formação continuada para os
professores, falta de recursos (softwares)”.
Professor J: “Falta de preparo para os professores”.
Professor I: “Falta de conhecimento sobre informática. (dificuldade de fazer a inter
relação do conteúdo com informática”.
Como resultado, a política da formação continuada do professor não está sendo
colocada em prática de modo efetivo, o que traz conseqüências negativas para a
educação que deveria evoluir com o desenvolvimento da sociedade.
É através da capacitação que os professores terão base para criarem um ambiente
que mobilize todo o conhecimento do aluno para a realização de atividades, assim
como para prover debates e reflexões acerca do método e resolução das atividades não
se colocando apenas como meros expectadores e sim mediadores no processo de
ensino-aprendizagem.
22
Professor K: “[...] Porém, a máquina não deve e nem pode substituir o papel exercido
pelos professores, deve ser incorporada à sua prática como uma ferramenta auxiliar
das suas atividades pedagógicas. [...] Enfim, a escola ideal é uma escola onde a
aprendizagem ocorre “com” e não a partir dos computadores.”.
Mas a prática diferenciada baseada na informática na educação não depende só
do professor:
Entretanto, essa transformação depende do desenvolvimento do próprio professor,
mas este não pode mudar sem acontecer uma transformação primeira nas escolas e
no projeto educacional, pois a escola, tal como está organizada, não propicia a
formação de uma consciência profissional do professor, uma vez que desarticula o
encontro entre seus pares e a possibilidade de investir na pesquisa e na formação
profissional do docente. (TAVARES, 2001, p.34).
Ou seja, a escola também têm que se adequar a essa nova tecnologia e dar o apoio ao
professor para a implementação dessa prática pedagógica sendo definida pela PCESP
como a escola que aprende a ensinar:
A tecnologia imprime um ritmo sem precedentes no acúmulo de conhecimentos e
gera uma transformação profunda na sua estrutura e nas suas formas de organização
e distribuição. Nesse contexto, a capacidade de aprender terá de ser trabalhada não
apenas nos alunos, mas na própria escola, enquanto instituição educativa: tanto as
instituições como os docentes terão de aprender.
Isso muda radicalmente nossa concepção da escola como instituição que ensina para
posicioná-la como instituição que também aprende a ensinar. (SÃO PAULO,
PCESP, 2008, p.12)
Ainda com relação à utilização do computador por parte do professor,
PENTEADO SILVA (1997) afirma que essa ferramenta traz reflexos na profissão
docente no aspecto pessoal, nas relações e condições de trabalho, na dinâmica da aula
e nas disciplinas do currículo conforme figura abaixo.
23
Figura 1 - Os reflexos do computador na profissão docente. Fonte: PENTEADO SILVA, 1997, p.71
Estes reflexos podem ser vistos no depoimento do professor K, mostrado a
seguir, nas categorias da dinâmica da aula (relação professor aluno) e nas relações e
condições de trabalho (organização do trabalho) além das demais conforme se observa
nos demais depoimentos.
24
Professor K: “É uma forma de criar novas metodologias, novos conteúdos e novas
práticas educativas, onde o professor além de ensinar aprende e o aluno além de
aprender, ensina: (interação entre professor, aluno e tecnologia)”. “Cabe aos
professores o desafio de produzir novos conhecimentos condizentes com o atual
momento, a partir da seleção e organização de conteúdos que rompam com a
estrutura estanque dos currículos, ...”.
25
CAPÍTULO 3 – COLETA E ANÁLISE DE DADOS SOBRE A SAI
3.1 SUJEITOS DA PESQUISA
O objetivo inicial do trabalho era investigar as condições e o uso dos laboratórios
de informática nas escolas de Guaratinguetá que possuíam as séries finais do ensino
fundamental. Como há um número muito grande de escolas se contarmos com a rede
municipal, estadual e particular de ensino que possui essas características, o que
tomaria muito tempo para visitá-las , foi necessário fazer um estudo preliminar para
verificar quais escolas seriam incorporadas à pesquisa.
As escolas particulares foram deixadas de lado pelo fato de elas não estarem
ligadas a projetos do governo federal, estadual ou municipal, não podendo desta
maneira observar o andamento das políticas públicas brasileiras frente a essa
tendência, que também é um objeto de estudo desta pesquisa.
Guaratinguetá possui duas escolas estaduais que oferecem nível técnico (CTIG e
ETEC Prof. Alfredo de Barros) porém optou-se por excluí-las pois o ensino oferecido
por elas é muito superior as demais, conforme comprovam os dados do ENEM (tabela
13, capítulo 4), e como possuem curso técnico na área de informática ou fazem uso
dessa tecnologia em outros cursos, não faria sentido inseri-las na pesquisa uma vez que
seus laboratórios devem ser bem equipados além de serem feitos uso contínuos deles.
A idéia inicial continha as escolas municipais, porém, após dificuldades
encontradas durante a identificação dessas escolas e coleta dos dados iniciais
realizadas através da internet e de visitas a Secretaria Municipal de Educação, decidiu-
se também por excluí-las da pesquisa. Outro fato que contribui para a exclusão delas é
que grande parte delas têm as séries iniciais do Ensino Fundamental, que não está
compreendida na formação do licenciando em Matemática no curso da FEG/UNESP.
Dessa forma se escolheu como o universo da pesquisas as escolas estaduais de
ensino regular de Guaratinguetá que ofereciam as séries finais do ensino fundamental.
Como todas essas escolas contidas na pesquisa também ofereciam o ensino médio, a
pesquisa se tornou mais ampla no aspecto de analisarmos as ações realizadas nas
26
escolas estaduais de Guaratinguetá tanto referentes aos anos finais do ensino
Fundamental como também no Ensino Médio, fazendo parte da pesquisas o total de 17
escolas estaduais.
3.2 LEVANTAMENTO PRELIMINAR
Foram escolhidas para fazer parte deste estudo as escolas da rede estadual de
ensino, com o objetivo de conhecer a realidade a qual esses alunos estão incorporados
e também fazer uma comparação dessa realidade com o que vem sendo proposto pelas
políticas públicas referentes à informatização das escolas.
Considerando o objetivo da pesquisa – conhecer quais as condições em que se
encontram as SAIs nas escolas da rede estadual de ensino que compreendem da 5ª a 8ª
série do EF no município de Guaratinguetá/SP – foi realizada uma coleta de dados
envolvendo as instituições de ensino e os professores que nelas trabalham.
Ao longo desse processo, a coleta de dados passou por várias etapas de formas
distintas, compreendendo análise de documentos, visitas as instituições relacionadas à
educação (Diretoria de Ensino da Região de Guaratinguetá e as escolas estaduais),
entrevistas com funcionários dessas instituições e elaboração de questionários.
Inicialmente foram realizadas pesquisas via internet a procura de informações
sobre as escolas estaduais da cidade de Guaratinguetá. O site da DE
(http://deguaratingueta.edunet.sp.gov.br/) disponibiliza algumas informações
pertinentes para o andamento da pesquisa (tabela 1, adaptada) como por exemplo a
localização das escolas, telefone para contato e nível de escolaridade atendido pela
escola. Ressaltamos que durante o período da elaboração deste trabalho em 2009 a
E.E. Profª Ana Fausta de Moraes, E.E. Profª Maria Elvira Giannico e a E.E. Ramão
Gomes Portão estavam passando pelo processo de municipalização e tornaram-se em
2010 escolas municipais.
Para completar a coleta dos dados preliminares, foi enviado um e-mail a DE
requerendo o número de alunos de cada instituição de ensino referente ao ano de 2009.
Esses dados foram enviados logo de imediato pela DE, e com eles foi possível
completar a tabela retirada do site da instituição.
http://deguaratingueta.edunet.sp.gov.br/
27
Tabela 1 - Escolas Estaduais de Guaratinguetá (maio de 2009). Fonte: DE Guaratinguetá
28
Através do sítio da DE, encontrou-se um link que direcionava ao blog da
instituição que a mantém como uma ferramenta de disponibilização de notícias sobre
os acontecimentos relacionados a educação da região e também como recurso de
comunicação entre ela e as escolas.
Durante a navegação nesse blog, encontrou-se uma chamada da DE para as
Escolas Estaduais preencherem uma planilha com informações sobre a SAI da sua
unidade escolar. Como eles disponibilizaram essa planilha no blog, constatamos que
muitas das questões do nosso questionário estavam contidas nela (tabela 2), e também
verificou-se que no nosso questionário faltavam algumas questões relevantes que
estavam contidas na planilha da DE.
A partir desse acontecimento, antes da coleta de dados nas escolas, foi marcada
uma visita na DE que se revelou um momento muito rico para o complemento dos
dados. Devido à boa recepção encontrada e um bom diálogo, foi possível descobrir a
relação existente entre a instituição e as Escolas Estaduais. Outras informações (tabela
2) também foram sendo reveladas ao longo da entrevista, como por exemplo, a
disponibilização ao acesso a internet para todas as escolas. Também foi descoberto
nessa entrevista que o programa Acessa Escola - Programa do Governo do Estado de
São Paulo que contrata alunos como estagiários para desempenharem a função de
monitor da SAI - ainda não estava sendo implementado nas escolas da região durante o
ano de 2009.
29
Tabela 2 - Infra-estrutura das SAI das escolas estaduais. Fonte: DE Guaratinguetá. Ano 2009
Escola Ano de
Instalação
Área da
sala
(m2)
Nº.
PCs
PCs sem
Condição
de Uso
Número
de
Cadeiras
E.E. Profª Clotilde Ayello Rocha 2005 65 5 0 10
E.E. Conselheiro Rodrigues Alves 1998 60 15 5 10
E.E. Joaquim Vilela de Oliveira
Marcondes 1998 45 10 5 5
E.E. Prof. Ernesto Quissak 1998 47 10 1 23
E.E. Profª Maria Amália de
Magalhães Turner 2001 36 10 0 20
E.E. Prof. Nilo Santos Vieira 2005 48 10 1 20
E.E. Prof. Antonio da Cruz Payão 2005 35 5 0 20
E.E. Prof. Rogério Lacaz 2005 52 10 4 20
E.E. Prof. Francisco Augusto
Costa Braga 1998 80 20 0 23
E.E. Dr. Flamínio Lessa 1998 54 16 0 10
E.E. Prof. Luiz Menezes 2006 20 5 0 6
E.E. Profª Dinah Motta Runha 2001 49 10 0 11
E.E. Profª Ana Fausta de Moraes 2005 49 10 1 20
E.E. Profª Elvira Maria Giannico 2005 15 5 0 10
E.E.Prof. José Pereira Éboli 1998 12 10 0 34
E.E. Ramão Gomes Portão 2005 49 5 0 33
E.E. Prof. Sylvio José Marcondes
Coelho 2005 26 5 0 5
Com este levantamento preliminar já se pode concluir que todas as escolas
estaduais de Guaratinguetá estão informatizadas e com acesso a Internet, e que esse
processo de informatização foi realizado em quatro períodos conforme tabela abaixo:
Tabela 3 – Ano de implantação da SAI nas escolas.
Ano Frequência Percentual
1998 6 35,3 %
2001 2 11,8 %
2005 8 47 %
2006 1 5,9 %
Total 17 100 %
30
Quanto ao número de computadores disponibilizados nas SAIs, a tabela a seguir
traz um panorama da quantidade de PCs por SAI.
Tabela 4 - Distribuição do número de computadores por escola.
Quantidade de PCs por Sai Frequência Percentual
1 a 6 6 35,3 %
7 a 12 8 47,1 %
Mais de 12 3 17,6 %
Total 17 100 %
Uma análise importante que envolve a informatização das escolas é a relação da
quantidade de alunos por computador, como mostra a figura abaixo.
73
68
99
73
87
64
33
78
73
60
65
71
73
54
27
137
93
99
0 20 40 60 80 100 120 140
Média
E.E. Profª Clotilde Ayello Rocha
E.E. Cons. Rodrigues Alves
E.E. Joaquim Vilela de Oliveira Marcondes
E.E. Prof. Ernesto Quissak
E.E. Profª Maria Amália de Magalhães Turner
E.E. Prof. Nilo Santos Vieira
E.E. Prof. Antonio da Cruz Payão
E.E. Prof. Rogério Lacaz
E.E. Prof. Francisco da Costa Braga
E.E. Dr. Flamínio Lessa
E.E. Prof. Luiz Menezes
E.E. Profª. Dinah Motta Runha
E.E. Profª Ana Fausta de Moraes
E.E. Profª Elvira Maria Giannico
E.E. Prof. José Pereira Éboli
E.E. Ramão Gomes Portão
E.E. Prof. Sylvio José Marcondes Coelho
E
s
c
o
la
s
Quantidades de computadores por aluno
Figura 2 - Relação do número de alunos por PC.
31
3.3 VISITA ÁS ESCOLAS ESTADUAIS
Para a coleta de dados nas escolas foi construído um questionário (Anexo I)
elaborado como base nos seguintes princípios a fim de se obter um questionário o mais
completo possível:
Definição do objetivo;
Identificação da população;
Elaboração das questões;
Análise das questões.
Devida a última fase (análise das questões), o questionário passou por diversas
versões até chegar a um final, porém, após as primeiras visitas as escolas, o
questionário passou por novas modificações devido a falta de algumas questões que
foram surgindo ao longo das primeiras visitas e também ao excesso de algumas que
não se mostraram eficazes para a obtenção da informação pretendida.
Para haver uma maior agilidade no processo de entrevista com os coordenadores
e/ou diretores das escolas, fez-se o pré-preenchimento dos questionários de acordo
com as informações obtidas através do sítio da DE e da visita feita na própria
instituição. Essas informações também foram questionadas durante as entrevistas com
a finalidade de confirmá-las e atualizá-las devido as modificações realizadas pelas
escolas me função do processo de renovação da SAI pelo qual algumas escolas
estavam passando.
O questionário elaborado para a coleta dos dados nas escolas teve como objetivo
principal a obtenção de informações tanto da utilização da SAI quanto também da sua
estrutura física. Ao mesmo tempo, procurou-se fazer um levantamento da identificação
da escola, com algumas questões pertinentes para o conhecimento da realidade a qual a
escola está inserida. Por serem questões mais técnicas e quantificáveis, esse
questionário conteve apenas perguntas fechadas, ou seja, apresentou uma série de
respostas previamente selecionadas.
32
Durante a visita nas escolas os(as) coordenadores(as) e/ou diretores(as) foram na
sua maioria bem receptivos, exceto em uma escola que pediu para que deixasse os
questionários na própria escola para que pudessem ser respondidos em outro horário
devido a falta de tempo durante o instante da visita, porém a promessa de devolvê-los
não foi cumprida. Alguns nos convidavam para ir até as suas salas, apresentavam o
laboratório, e eram com essas pessoas mais aberta ao diálogo que as questões iam além
das elaboradas previamente, coletando as suas opiniões sobre a implementação dessa
nova tendência na educação.
Uma realidade encontrada em todas as escolas visitadas foi a existência de uma
única sala de informática. Também foi constatado que o governo disponibilizou as
escolas um kit completo, contendo além dos equipamentos básicos (CPU, monitor,
mouse e teclado), periféricos como caixa de som e impressora.
Uma questão muito importante abordada no questionário foi a informação sobre
a disponibilização ou não da sala de informática para os alunos fora do período de
aula. Com relação a essa informação, coletamos que apenas cerca de 40% das escolas
disponibilizavam a SAI para que os alunos a utilizassem para pesquisas, realização de
trabalhos e até mesmo para a socialização via internet.
Apesar de algumas escolas abrirem a SAI para os alunos, o laboratório não ficava
disponível todo o tempo, por isso, era necessário fazer um agendamento que dependia
da disponibilização de algum funcionário para acompanhar o aluno.
Nas escolas onde houve a utilização da SAI, constatou-se que na sua grande
maioria eram os professores de arte, inglês e português, quem mais a usava. Já nas
outras escolas, o que foi relatado se mostrou preocupante uma vez que se descrevia o
laboratório como um ambiente abandonado, sem utilidade, apenas ocupando espaço
físico dentro da escola sem qualquer proposta didática para integrar o laboratório com
as disciplinas.
Os relatos dos diretores/coordenadores na sua grande maioria eram que em
particular, os professores de matemática não articulavam o ensino da matemática com
o recurso da informática, contradizendo as respostas dos professores (figura 3). Entre
as 16 escolas que responderam ao questionário, apenas duas confirmaram não
33
utilizarem a SAI. Das demais, sete disseram que o laboratório era utilizado com baixa
freqüência e três responderam haver uma freqüência média em relação ao seu uso
(Tabela 5).
Tabela 5 - Escola X Utilização da SAI
Utiliza a SAI 15
Frequência Quantidade
Baixa 12
Média 3
Alta 0
Não utiliza a SAI 2
3.4 LEVANTAMENTO JUNTO AOS PROFESSORES DE MATEMÁTICA
Para conhecermos a relação do professor com a informática, foi elaborado um
segundo questionário (Anexo II). Este teve por objetivo conhecer a visão do professor
em relação à inclusão da informática na educação e em especial na Educação
Matemática, além de revelar o perfil profissional do professor.
Nesse caso, o questionário destinado aos professores contou tanto com questões
fechadas quanto com questões abertas, visando à busca do entendimento do contexto e
do ponto de vista do professor frente a essa tendência.
3.4.1 Análise das questões fechadas
O perfil dos professores de matemática da rede estadual de ensino de
Guaratinguetá pode ser considerado razoável por diversos fatores.
De acordo com as respostas obtidas através dos questionários a grande maioria
dos professores reside em Guaratinguetá, cidade onde leciona, e os demais, residem
em cidades vizinhas (menos de 45 Km) a Guaratinguetá (tabela 6).
34
Tabela 6 - Cidades onde residem os professores de matemática da rede estadual de ensino de Guaratinguetá.
Cidade onde residem
os professores
Frequência Percentual
Guaratinguetá 25 80,7 %
Cunha 1 3,2 %
Cachoeira Paulista 1 3,2 %
Aparecida 1 3,2 %
Lorena 2 6,5 %
Roseira 1 3,2 %
Total 31 100 %
Outro dado levantado foram as séries que os professores lecionam.
Tabela 7 - Distribuição dos níveis de ensino
Séries que Lecionam Frequência Percentual
Ensino Fundamental 5 16,2 %
Ensino Médio 9 29 %
E.F. e E.M. 16 51,6 %
Não Responderam 1 3,2 %
Total 31 100 %
Através dos dados obtidos conforme tabela 7, vemos que pouco mais de 50 %
deles lecionam tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, e o restante dão
as aulas focando apenas um ciclo do ensino.
O tempo de atuação no magistério também foi outro dado levantado junto aos
professores de matemática conforme traz a tabela 8.
35
Tabela 8 - Tempo de atuação dos professores
Tempo (anos) Frequência Percentual
0 – 5 8 25,8 %
6 – 12 8 25,8 %
13 – 20 8 25,8 %
+ 20 7 22,6 %
Total 31 100 %
O número de professores com pouca experiência em sala de aula (5 anos ou
menos) é quase o mesmo que o número de professores experientes (mais de 20 anos).
Como ½ dos professores possuem 12 anos ou menos de experiência, podemos associar
que esse contingente de professores foi desenvolvendo suas atividades em sala de aula
ao mesmo tempo que a informática foi se evoluindo e as políticas públicas de apoio a
Informática na Educação iam se intensificando.
Em relação a carga-horária – que já sabemos ser um problema no cenário da
educação brasileira – os professores de matemática da cidade de Guaratinguetá
possuem uma carga semanal variando de 20 a 40 horas/aula. Conforme mostra a tabela
9, há uma maior concentração de professores dedicando-se de 31 a 35 horas aula por
semana.
Tabela 9 - Distribuição da carga-horária semanal dos professores.
Carga Horária Semanal Freqüência Percentual
20 a 25 6 19,3 %
26 a 30 8 25,8 %
31 a 35 11 35,5 %
36 a 40 3 9,7 %
Não responderam 3 9,7 %
Total 31 100 %
Com relação ao uso do computador por parte dos professores, observa-se que os
professores na sua maioria possuem certo grau de familiaridade com essa mídia,
36
conforme podemos observar na figura 3, o que pode facilitar o desenvolvimento de
projetos voltados para a inclusão da informática na educação matemática.
25
12
27
15
26
15
4
18
4
16
5
16
0
5
10
15
20
25
30
N
º
P
ro
fe
s
s
o
re
s
Sim Não
Respostas
Professor X Informática
Tem interesse em participar de um curso
sobre informática na educação?
Teve disciplina sobre informática na
educação durante sua formação?
Tem computador?
Já usou SAI para dar aula?
Tem acesso a internet?
Fez curso de educação continuada sobre
informática na educação?
Figura 3 - Professor versus informática
31 professores receberam os questionários, porém alguns deixaram de responder
algumas questões. Dois não responderam se tinham interesse em fazer um curso sobre
informática na educação matemática e um não respondeu se teve alguma disciplina.
Dessa forma, tomando como referencial os professores que responderam as
determinadas questões, concluímos que 88% deles, possuem computador e acesso a
internet.
Apesar de ser um número alto, devemos fazer uma análise em relação à prática
do professor dentro da sala de aula utilizando os recursos do laboratório de
informática. Por isso, com os dados do gráfico acima, estabeleceu-se 4 relações:
1º. Dos 12 professores que afirmaram ter tido alguma disciplina relacionada à
informática na educação, 8 responderam no questionário já terem utilizado
o laboratório de informática o que corresponde a aproximadamente 67%
deles;
37
2º. Dos 15 professores que fizeram curso de educação continuada na área de
informática na educação, 10 inseriram essa ferramenta em algumas das
suas aulas, o que corresponde a aproximadamente 67%;
3º. Dos 16 professores que não fizeram curso algum, 5 já utilizaram a
informática nas aulas de matemática, o que corresponde a
aproximadamente 31%;
4º. Dos 11 professores que não fizeram curso de educação continuada na área
de informática na educação e também não tiveram nenhuma disciplina
dessa área durante sua formação, 8 responderam possuir interesse em estar
participando de um curso em relação a inserção da informática na
educação matemática e, dentre esses 11 professores, 3 já utilizaram a
informática nas suas aulas.
Os dados coletados junto aos professores revelam que muitos deles possuem
“conhecimento técnico” mas ainda não sabem ou se sentem inseguros no momento de
articular o conteúdo matemático com essa ferramenta, conforme podemos perceber
nos números apresentados no gráfico acima, uma vez que, 25 de 29 professores
responderam ter interesse em participar de um curso sobre a implementação da
informática na educação matemática.
Com esse dado podemos perceber a preocupação do professor em se atualizar e
conseqüentemente aprender novas metodologias de ensino-aprendizagem importantes
no processo ensino-aprendizagem como destaca os PCNs.
É consensual a idéia de que não existe um caminho que possa ser identificado como
único e melhor para o ensino de qualquer disciplina, em particular, da Matemática.
No entanto, conhecer diversas possibilidades de trabalho em sala de aula é
fundamental para que o professor construa sua prática. Dentre eles, destacam-se a
História da Matemática, as tecnologias da informação e os jogos como recurso que
podem fornecer os contextos dos problemas, como também os instrumentos para a
construção das estratégias de resolução. (BRASIL, PCNEF, 1998, pág. 42).
38
3.4.2 Análise das questões abertas
Questão 1 – Em sua opinião, quais as principais dificuldades para a utilização da
Sala de Informática para a Educação matemática?
Respostas:
Poucos computadores e muitos alunos (14 citações);
Falta de preparação dos próprios professores (10 citações);
Falta de monitor para auxiliá-lo (7 citações);
Falta de interesse e indisciplina dos alunos (5 citações.);
Falta de materiais, recursos e softwares (3 citações).
Comentário: Podemos verificar que os problemas dos professores em geral estão
ligados a questões da falta de equipamentos como computadores e softwares além do
despreparo do professor para lidar com essa nova ferramenta. O comportamento dos
alunos também é levado em consideração pelos professores para levarem os alunos até
o laboratório de informática, pois devido à indisciplina dos alunos, os professores têm
medo deles estragarem os computadores.
Questão 2 – Quais as suas expectativas em relação à utilização da informática como
recurso para a Educação matemática?
Respostas:
Motivar os alunos (7 citações);
Facilitar a aprendizagem, compreensão dos conteúdos (6 citações);
Ser um recurso para ensinar matemática (6 citações);
Apresentar-se como uma ferramenta para auxiliar o professor (3 citações);
Comentário: Percebemos nessas respostas a preocupação do professor em relação aos
alunos quanto à motivação e o facilitar estudar matemática. Os professores também
39
vêem a informática como uma ferramenta para o aprimoramento da sua didática, o que
nos mostra sua interação com as novas tendências educacionais.
Questão 3 – Quais as principais dificuldades que você tem com relação a utilização
da informática?
Respostas:
Domínio dos programas (5 citações);
Falta de preparo (4 citações);
Falta de manutenção dos computadores (3 citações);
Número pequeno de computadores (3 citações);
Comentário: A partir dessas respostas entendemos que os professores ainda não estão
preparados para articular essa ferramenta com o conteúdo matemático, tornando-os
inseguros para a prática dessa metodologia de ensino. A questão da manutenção dos
equipamentos também se torna relevante uma vez que muitos alunos não sabem
utilizar o computador e por vezes, mesmo sem a intenção, acabam por desconfigurar
ou estragar o computador.
40
CAPÍTULO 4 – SISTEMAS DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL
No Brasil há vários sistemas de avaliação da educação no âmbito federal,
estadual e até municipal. Através desses exames é possível obter um parâmetro do
nível da educação dos alunos brasileiros assim como a partir deles, desenvolver
políticas públicas afim de tentar alcançar níveis cada vez mais altos.
O presente trabalho apresentará os índices das escolas estaduais do município de
Guaratinguetá/SP com o propósito de expor a situação das escolas estaduais do
município assim como também poder comparar com as médias das escolas do
município, da região, do estado e do país. Os índices apresentados serão referentes ao
SARESP, IDEB e ENEM.
O índice do SARESP será apresentado apenas referente aos alunos da 8ª série
para que possamos perceber o nível de conhecimento dos alunos que estão terminando
o ensino fundamental. Já o IDEB também dará um panorama do nível de
conhecimento dos alunos das séries finais do ensino fundamental assim como também
apresentará as metas para os próximos anos. Assim como o ensino fundamental,
também há avaliação para o ensino médio chamado Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM). Desta forma, apresentaremos um panorama geral e atual da situação das
escolas estaduais de Guaratinguetá.
4.1 SARESP
O SARESP, Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São
Paulo, é uma avaliação realizada desde 1996 pela Secretaria de Educação do Estado de
São Paulo – SEE/SP – que fornece indicadores do nível de aprendizagem dos alunos
da rede pública de ensino do estado. Essa avaliação é feita nos alunos matriculados na
2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental bem como nos alunos da 3ª série do
Ensino Médio.
41
Anualmente os alunos são avaliados através das disciplinas de Língua Portuguesa
e Matemática e, anualmente e alternadamente, as áreas das Ciências da Natureza
(Ciências, Física, Química e Biologia) e Ciências Humanas (Geografia, História,
Sociologia e Filosofia).
A participação no SARESP é compulsória para todas as escolas estaduais e
opcionais para as redes de ensino municipal e particular. A novidade para o ano de
2009 é que o Governo do Estado de São Paulo se responsabilizou pelas despesas
decorrentes da aplicação do exame nas escolas municipais.
De acordo com a Secretaria de Educação (São Paulo, 2008) o ano de 2007 foi de
intensas mudanças a fim de tornar o SARESP cada vez mais adequado tecnicamente às
características de um sistema de avaliação em larga escala, incluir referencia do site da
DE, que permita acompanhar a evolução de qualidade do sistema estadual de ensino ao
longo dos anos. Dentre essas mudanças, destaca-se:
Os itens das provas foram pré-testados;
Adequação das habilidades avaliadas no SARESP às do SAEB/Prova Brasil,
para as 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio;
Os resultados do SARESP foram colocados na escala do SAEB.
Desta forma, a partir de 2007 o índice do SARESP pode ser comparado ao índice
do SAEB/Prova Brasil, permitindo então uma avaliação comparativa do rendimento
dos alunos da rede estadual paulista de ensino com os demais alunos de todo o Brasil.
Para o presente trabalho elaborou-se a tabela 10 com os índices do SARESP
alcançados pelos alunos da 8ª série das escolas estaduais de Guaratinguetá referentes
aos anos de 2007 e 2008 nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Para essa
construção foi necessário buscar o boletim individual de cada escola, analisar os dados
e ordená-los. Para a ordenação utilizou-se como critério a nota obtida por cada escola
no ano de 2008 na disciplina de matemática.
42
Tabela 10 - Índice e Número de alunos participantes do SARESP 2007 e 2008. Fonte: SEE/SP
ESCOLA
PARTICIPANTES MATEMÁTICA PORTUGUÊS
8ª Série 8ª Série 8ª Série
2007 2008 2007 2008 2007 2008
E.E. Profº. Rogério Lacaz 138 94 275,6 293,0 285,9 265,7
E.E. Profº. Ernesto Quissak 147 108 227,2 260,9 243,1 242,4
E.E. Profª. Ana Fausta de Moraes 61 28 261,2 256,5 247,3 242,1
E.E. Dr. Flamínio Lessa 85 97 224,7 254,8 228,9 237,6
E.E. Conselheiro Rodrigues Alves 188 143 237,7 254,8 252,6 238,9
E.E. Profª. Elvira Maria Giannico 18 31 211,9 253,0 225,1 236,4
E.E. Joaquim Vilela de Oliveira Marcondes 98 113 230,9 249,5 234,0 230,9
E.E. Profº. Nilo Santos Vieira 42 41 229,6 248,2 244,2 223,6
E.E. Profº. Francisco da Costa Braga 96 146 224,6 245,2 228,6 236,1
E.E. Profº. Dinah Motta Runha 98 112 227,1 244,6 227,1 228,0
E.E. Ramão Gomes Portão 36 43 253,6 244,3 231,7 228,7
E.E. Profº. Luiz Menezes 57 66 221,5 242,5 241,5 234,2
E.E. Profª. Maria Amália de Magalhães Turner 63 67 211,8 242,1 231,8 224,6
E.E. Profº. José Pereira Éboli 176 159 228,5 239,6 236,7 230,0
E.E. Profº. Antonio da Cruz Payão 36 44 234,4 237,3 248,2 239,7
E.E. Profª. Clotilde Ayello Rocha 44 50 228,3 236,5 228,2 220,3
E.E. Profº. Sylvio José Marcondes Coelho 63 70 230,5 234,8 238,3 212,9
MUNICÍPIO 1.442 1.412 234,8 250,1 243,4 234,5
DIRETORIA 4.240 4.348 229,8 246,4 235,6 231
ESTADO 416.642 426.066 231,5 245,7 242,6 231,7
Abaixo, na tabela 11, segue a escala de proficiência.
Tabela 11 - Níveis de proficiência
8ª Série Português Matemática
Abaixo do
básico
<200 <225
Básico 200 a < 275 225 a < 300
Adequado 275 a < 325 300 a < 350
Avançado ≥ 325 ≥ 350
4. 2 IDEB
O IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – é uma avaliação
criada pelo INEP desde 2007 que representa a iniciativa pioneira de reunir num só
indicador dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo
escolar e médias de desempenho nas avaliações.
43
Essa avaliação é feita pelos estudantes que estão no final das etapas de ensino, ou
seja, alunos da 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e alunos da 3ª série do Ensino
Médio.
Os índices do IDEB são calculados levando em conta os dados de aprovação
escolar obtidos pelo Censo Escolar e as médias dos desempenhos dos alunos no SAEB
(para as unidades da federação e para o país) e a Prova Brasil (para os municípios).
Para o governo os índices apresentados pelas escolas também tem um papel
fundamental para a projeção de metas individuais para que essas escolas possam fazer
uma mobilização rumo à melhora na qualidade de ensino. O Ministério da Educação já
projetou metas bianuais para cada escola e cada rede até 2022 que tem por objetivo
alcançar nesta dada o índice de valor 6,0.
O portal do IDEB afirma que as metas é o caminho traçado da evolução dos
índices, para que o Brasil atinja o patamar educacional que têm hoje a média dos
países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Em termos numéricos, isso significa evoluir a média nacional 3,8, registrada em 2005,
para um IDEB igual a 6,0, na primeira fase do ensino fundamental.
Vale ressaltar que não foi encontrado o boletim referente à Escola Estadual
Professor Antonio da Cruz Payão na lista disponível no site do IBEB para a
verificação do índice na respectiva avaliação.
A tabela 12 foi montada a partir da consulta dos índices individuais de cada
escola disponibilizados no próprio site do IDEB (http://portalideb.inep.gov.br/) que
estão expostos em ordem decrescente referente ao índice alcançado por cada escola no
IDEB 2007 nos anos finais do Ensino Fundamental, assim como traz também as metas
impostas pelo governo a serem alcançados nos anos de 2011 e 2015.
http://ideb.inep.gov.br/Site/
44
Tabela 12 - Índice do IDEB das escolas da rede estadual de ensino de Guaratinguetá. Fonte: INEP
IDEB - ENSINO FUNDAMENTAL SÉRIES FINAIS
ESCOLA
IDEB Observado Metas
2007 2011 2015
E.E. Profº. Rogério Lacaz 5,6 6,0 6,6
E.E. Profª. Ana Fausta de Moraes 4,8 5,3 6,0
E.E. Profº. Nilo Santos Vieira 4,6 5,1 5,8
E.E. Conselheiro Rodrigues Alves 4,3 4,8 5,5
E.E. Profº. Ernesto Quissak 4,2 4,7 5,4
E.E. Joaquim Vilela de Oliveira Marcondes 4,1 4,5 5,3
E.E. Profª. Elvira Maria Giannico 4,0 4,5 5,2
E.E. Profº. José Pereira Éboli 4,0 4,5 5,2
E.E. Profº. Dinah Motta Runha 4,0 4,4 5,2
E.E. Ramão Gomes Portão 3,9 4,3 5,1
E.E. Profº. Francisco da Costa Braga 3,8 4,2 5,0
E.E. Dr. Flamínio Lessa 3,8 4,2 5,0
E.E. Profª. Maria Amália de Magalhães Turner 3,7 4,2 5,0
E.E. Profº. Luiz Menezes 3,7 4,2 5,0
E.E. Profº. Sylvio José Marcondes Coelho 3,7 4,2 5,0
E.E. Profª. Clotilde Ayello Rocha 3,7 4,1 4,9
E.E. Profº. Antonio da Cruz Payão - - -
MUNICÍPIO 4,3 4,6 5,3
ESTADO 4,0 4,2 5,0
BRASIL 3,8 - -
4.3 ENEM
O ENEM – Exame nacional do Ensino Médio – é um sistema de avaliação criado
em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade
básica. O ENEM é facultativo e podem participar do exame alunos que estão
concluindo ou já concluíram o Ensino Médio. Além destes, alunos que estão nas 1ª e
2ª séries do Ensino Médio também fazem a prova como treineiros.
O aluno será avaliado em cinco áreas do conhecimento: ciências da natureza,
ciências humanas, linguagens e matemática, mais a redação.
45
Ao longo dos anos o ENEM foi ganhando um papel cada vez maior no cenário
educacional. Primeiro, universidades de todo o Brasil começaram a utilizar o resultado
do ENEM para a seleção no ensino superior, substituindo parcialmente ou
completamente o vestibular.
O Governo Federal também utilizou o resultado dessa avaliação como critério
para a seleção de bolsas do ProUni – Programa Universidade para Todos – que é o
programa do ministério da Educação que oferece bolsas de estudos em instituição de
educação superior privadas.
A última ação realizada pelo governo através do ENEM foi a sua reformulação
para utilizá-la como seleção unificada nos processos seletivos das universidades
públicas federais através de quatro possibilidades:
Como fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado e on-line;
Como primeira fase;
Combinando com o vestibular da instituição;
Como fase única para as vagas remanescentes do vestibular.
A tabela 13 traz a relação das escolas estaduais de Guaratinguetá ordenadas de
acordo com as médias obtidas por elas em 2008, além do número de alunos inscritos e
participantes do ENEM 2008.
46
Tabela 13 - Índice do ENEM 2008 das escolas estaduais de Guaratinguetá. Fonte: INEP
ÍNDICES ENEM 2008
ESCOLA Alunos
matriculados
Alunos
participantes
Média
Total
EE Joaquim Vilela de Oliveira Marcondes 71 19 50,51
EE Profº Luiz Menezes 29 11 49,53
EE Profª Ana Fausta de Moraes 27 12 49,33
EE Profº Rogério Lacaz 42 24 49,11
EE Conselheiro Rodrigues Alves 257 138 49,10
EE Profº Ernesto Quissak 99 34 48,94
EE Profº Francisco Augusto da Costa Braga 139 72 48,53
EE Profº Antônio da Cruz Payao 28 10 47,86
EE Profª Dinah Motta Runha 56 23 47,85
EE Ramão Gomes Portão 26 11 47,44
EE Profº José Pereira Éboli 149 104 46,61
EE Profª Maria Amália de Magalhães Turner 46 21 45,68
EE Dr. Flamínio Lessa 78 21 45,64
EE Profº Sylvio José Marcondes Coelho 49 24 43,26
EE Profª Clotilde Ayello Rocha 35 25 42,62
EE Profª Elvira Maria Giannico 10 2 SC
EE Profº Nilo Santos Vieira 38 9 SC
Colégio Técnico e Industrial de Guaratinguetá - UNESP 109 74 69,45
ETE Prof Alfredo de Barros Santos 83 76 58,69
São Paulo (Alunos concluintes) 4.018.070 765.607 51,08
Brasil (Alunos concluintes) 1.061.400 2.920.589 49,57
O ENEM atribui um índice que varia de 0 a 100 e, para as escolas que tiveram
menos de 10 alunos participando do ENEM, foi atribuído a essa escola o conceito SC
pois essa média é pouco representativa no conjunto de estudantes da escola.
47
CAPÍTULO 5 - CONCLUSÃO
A informática tem um potencial para contribuir com a educação como podemos
comprovar através das propostas curriculares apresentadas pelos governos, como o
PCN e a PCESP, e também através de alguns estudos e projetos realizados que, por
enquanto, vem sendo implementados de modo isolado.
A disseminação dessa tendência dentro da sala é com certeza o maior obstáculo a
ser enfrentado pelos educadores, o que deverá acontecer de modo eficaz somente após
a disponibilização de equipamentos (computadores) em número suficiente nas SAIs e
recursos humanos qualificados através de cursos de formação continuada para os
professores.
Outra dificuldade a ser enfrentada é a comodidade apresentada pelos professores
na sua prática docente, isso porque em parte, se sentem desvalorizados não só
financeiramente, mas também pela falta de reconhecimento do seu trabalho pela
sociedade como um todo.
Apesar de alguns professores apresentarem receio em utilizar os computadores
na sua prática pedagógica devido à falta de capacitação, muitos daqueles que
participaram da pesquisa se mostraram motivados em relação à implementação dessa
nova prática, reconhecendo a importância dela no desenvolvimento do professor e do
aluno, assim como também no desenvolvimento da relação professor-aluno e aluno-
aluno.
Porém essa motivação não está sendo traduzida em ações contínuas pois apesar
de alguns professores já terem usado a SAI para dar aula, o que os coordenadores e
diretores nos relataram foi que a utilização do laboratório é feita em geral com baixa
frequência, ou seja, a SAI é utilizada esporadicamente.
Diante dos dados levantados nessa pesquisa podemos afirmar que algumas
escolas (aquelas que têm mais de 10 computadores por SAI que correspondem a 3
escolas) já estão preparadas para o desenvolvimento de projetos que envolvam essa
temática apesar de ainda esse número não ser o adequado. Devido ao elevado número
48
de alunos presentes nas salas de aula, em torno de 30 alunos, as demais escolas ainda
não possuem condições adequadas para integrarem suas aulas ao laboratório de
informática, pois com o baixo número de computadores ficaria um número grande de
alunos por computador o que não tornaria eficiente uma atividade nessas condições.
A realidade observada por nós (seja na fala de professores e/ou coordenadores) é
que ainda falta um pouco mais de apoio/incentivo da direção para com os professores,
pois muitos relataram a dificuldade que eles encontram para acessar os laboratórios e
os materiais das escolas. Falta a direção mais iniciativa que pode ser traduzida em uma
reestruturação/complementação dos currículos escolares, que poderão ser refletidos e
sugeridos no projeto político pedagógico da escola.
Desta forma esperamos encontrar daqui há alguns anos iniciativas voltadas para a
implementação da informática na educação, que possibilitará o desenvolvimento do
aluno, como agente da própria construção do conhecimento; o desenvolvimento do
professor como pesquisador; e o desenvolvimento da escola através da formação de
alunos aptos a participarem ativamente nas transformações ocorridas na sociedade.
Entendemos também a importância que pesquisas em educação vêm alcançando
uma vez que elas revelam as mudanças ocorridas devido aos períodos de efervescência
política e intelectual, desenvolvimento social e econômico, revolução industrial e
tecnológica e disseminação da ciência. Porém, talvez a importância maior desses
grupos de pesquisas é:
[...] que permitirá ao MEC conjugar esforços com outras instituições para o
desenvolvimento de estudos e pesquisas de interesse comum, sobre questões
relevantes que possam contribuir efetivamente na formulação de políticas públicas
educacionais [...] (BRASIL, Inep, Edital 02/2009, p.1).
Ou seja, esses estudos servirão como base para futuras intervenções no sistema
educacional que serão fundamentadas em elementos reais para a compreensão da
realidade do sistema educativo,
Apesar de não contemplado neste trabalho é importante mencionar que durante o
ano de 2010 o governo de São Paulo realizou uma grande ação voltada para a
informática na educação: a implementação do programa Acessa Escola e a
49
conseqüente reformulação das salas de informática das escolas estaduais de
Guaratinguetá.
Apesar de ter havido um avanço, há outro aspecto fundamental que ainda não
evoluiu que é a capacitação do professor para atuar nesses laboratórios, ou seja, ainda
hoje existe um grande número de professores despreparados.
Esperamos que essa ação seja apenas o começo e que possa haver um
desenvolvimento de um projeto que não só invista em tecnologia e espaço físico mas
principalmente, em formação qualificada de recursos humanos como o professor, uma
vez que ele se colocará como mediador durante o processo de ensino-aprendizagem.
Espera-se ainda que este TCC possa contribuir para futuras intervenções nas
escolas estaduais através de convênios entre essas escolas com os pesquisadores em
educação da UNESP/FEG assim como também da Universidade com a DE através da
oferta de cursos de formação continuada.
50
REFERÊNCIAS
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http://veja.abril.com.br/160507/p_086.shtml
http://www.feg.unesp.br/~jrzeni/pesquisa/2008/SAI-2008.pdf
54
ANEXO I - QUESTIONÁRIO ESCOLA
IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA
Nome: _______________________________________________________________________
Endereço: _____________________________________________________________________
Fone: ____________________ Email: ____________________________________________
Total de alunos atendidos: ______________ Escola de tempo integral: Sim Não
Horário do HTPC: ___________________
PESSOAL:
Diretor (a): ____________________________________________________________________
Coordenador (a): _______________________________________________________________
PROFESSORES DE MATEMÁTICA
Nome: _________________________________________ Série que leciona: E.F. E.M.
Nome: _________________________________________ Série que leciona: E.F. E.M.
Nome: _________________________________________ Série que leciona: E.F. E.M.
Nome: _________________________________________ Série que leciona: E.F. E.M.
OUTROS PROGRAMAS
Programa Escola da Família
OBSERVAÇÕES:
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
55
LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
EQUIPAMENTOS E MOBILIÁRIO
Em que ano a SAI foi instalada? ________
Quais as dimensões do laboratório? _________
Quantos microcomputadores existem no laboratório? ________
Qual o número de micros que estão sem condições de uso? ________
Quantas cadeiras possui a sala de informática? ________
Possui mesas para outras atividades (sem computador)? __________ Quantas? ____ _
Os computadores possuem caixa de som e impressora? ___________
SOFTWARES
Qual o aplicativo Office disponível? MS Office Open Office
Existe uma biblioteca de softwares educativos na escola? Sim Não
Quais os softwares disponíveis?
__________________________________________________________________________
USO DA SALA
A sala de informática fica disponível para os alunos em horário fora de aula? ___________
Qual o horário de funcionamento? _______________________________________________
Com que freqüência os professores utilizam a sala de informática?
Baixa Média Alta
Com qual finalidade os professores usam a SAI?
Dar aulas Preparar aulas Atividades Administrativas
Observações:
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
56
ANEXO II – QUESTIONÁRIO PROFESSORES
PROFESSOR:
Nome: _______________________________________________________________________
E-mail:_______________________________________________________________________
Cidade onde mora:______________________________________________________________
Formação (ano e instituição): _____________________________________________________
Tempo de atuação no magistério: _____________________________
Quais séries você leciona?
Ensino Fundamental: 5ª E.F 6ª E.F 7ª E.F 8ª E.F
Ensino Médio: 1º E.M 2º E.M 3º E.M
Carga Horária na escola: ______________________________
PROFESSOR E A INFORMÁTICA
Tem interesse em participar de um curso sobre Informática na Educação? Sim Não
Você teve alguma disciplina sobre informática na educação durante a sua formação? _________
Tem computador em casa? Sim Não
Qual o sistema operacional? Windows 2000 Windows XP Windows Vista
Está conectado a Internet? Sim Não
Quais os programas que você utiliza dentro e/ou fora da escola?
Internet Word Excel Power Point
Você já utilizou o Laboratório de Informática para dar aula? Sim Não
Qual(is) recurso(s) você utilizou? _________________________________________________
Qual(is) conteúdo(s) foi(ram) abordado(s)?___________________________________________
57
Já participou de curso de formação continuada sobre Informática? Sim Não
Quais? ________________________________________________ Ano: _____________
________________________________________________ _____________
Em sua Opinião, quais as principais dificuldades para a utilização da Sala de Informática para a
Educação Matemática?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
Quais são suas expectativas com relação a utilização da Informática como um recurso para a
Educação Matemática?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
Quais são as principais dificuldades que você tem com relação a utilização da Informática?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
Outros Comentários
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________