RESSALVA
Atendendo solicitação do
autor, o texto completo desta
tese será disponibilizado
somente a partir de 08/12/2026.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS – RIO CLARO
unesp
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO HUMANO E
TECNOLOGIAS
REDES SOCIAIS E O FUTEBOL: UM OLHAR DA PSICOLOGIA DO ESPORTE
NAS RELAÇÕES ENTRE AS DIFERENTES CATEGORIAS DESSA
MODALIDADE
FERNANDO DE LIMA FABRIS
Rio Claro – SP
2026
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS – RIO CLARO unesp
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO HUMANO E
TECNOLOGIAS
REDES SOCIAIS E O FUTEBOL: UM OLHAR DA PSICOLOGIA DO ESPORTE
NAS RELAÇÕES ENTRE AS DIFERENTES CATEGORIAS DESSA
MODALIDADE
FERNANDO DE LIMA FABRIS
Tese apresentada ao Instituto de
Biociências do Câmpus de Rio Claro,
Universidade Estadual Paulista, como
parte dos requisitos para obtenção do
título Doutor em Desenvolvimento
Humano e Tecnologias.
Orientador: Dra. Adriane Beatriz de
Souza Serapião
Rio Claro – SP
2026
D353r
de Lima Fabris, Fernando
Redes sociais e o futebol : um olhar da psicologia do esporte nas relações
entre as diferentes categorias dessa modalidade / Fernando de Lima Fabris. --
Rio Claro, 2026
208 p.
Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de
Biociências, Rio Claro
Orientadora: Adriane Beatriz de Souza Serapião
1. Futebol. 2. Redes Sociais Digitais. 3. Psicologia do Esporte. 4. Teoria
Bioecológica do Desenvolvimento Humano. 5. Ciberespaço. I. Título.
Sistema de geração automática de fichas catalográficas da Unesp. Dados fornecidos pelo autor(a).
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
Câmpus de Rio Claro
REDES SOCIAIS E O FUTEBOL: UM OLHAR DA PSICOLOGIA DO
ESPORTE NAS RELAÇÕES ENTRE AS DIFERENTES CATEGORIAS
DESSA MODALIDADE
TÍTULO DA TESE:
CERTIFICADO DE APROVAÇÃO
AUTOR: FERNANDO DE LIMA FABRIS
ORIENTADORA: ADRIANE BEATRIZ DE SOUZA SERAPIÃO
Aprovado como parte das exigências para obtenção do Título de Doutor em Desenvolvimento
Humano e Tecnologias, área: Tecnologias nas Dinâmicas Corporais pela Comissão Examinadora:
Profa. Dra. ADRIANE BEATRIZ DE SOUZA SERAPIÃO (Participaçao Virtual)
Departamento de Estatística, Matemática Aplicada e Computação / UNESP / Câmpus de Rio Claro - IGCE
Prof. Dr. AFONSO ANTONIO MACHADO (Participaçao Virtual)
Departamento de Educacao Fisica / UNESP - Instituto de Biociencias de Rio Claro - SP
Profa. Dra. ADRIANA INÊS DE PAULA (Participaçao Virtual)
Departamento de Educação Física / Universidade Federal do Paraná
Prof. Dr. MURILO EDUARDO DOS SANTOS NAZARIO (Participaçao Virtual)
Departamento de Educação Física / UNESP / Câmpus de Rio Claro - IB
Profa. Dra. ISABELA AMBLARD (Participaçao Virtual)
Departamento de Psicologia, Inclusão e Educação / Universidade Federal de Pernambuco
Rio Claro, 08 de dezembro de 2025.
Instituto de Biociências - Câmpus de Rio Claro
Avenida 24-A n. 1515, 13506900
ib.rc.unesp.br/#!/pos-graduacao/secao-tecnica-de-pos/programas/desenvolvimento-humano-e-tecnologias/ - CNPJ: 48.031.918/0018-72.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, aos meus pais, Sr. Valter e Sra. Elizabete, que
sempre acreditaram no meu potencial e estiveram ao meu lado em cada etapa:
apoiando, cobrando, vibrando e compartilhando o orgulho de onde cheguei. A
caminhada até aqui não foi fácil: conciliar estudos, trabalho e vida pessoal exigiu
esforço constante. Ainda assim, a cada dificuldade, eu me sentia capaz de seguir
em frente, e desistir nunca foi uma opção.
Agradeço à minha esposa, Noemi, por caminhar comigo durante todo
esse tempo, desde a graduação, passando pelo TCC e pela dissertação de
mestrado, até este momento na tese de doutorado.
Agradeço também a todos os membros do LEPESPE que estiveram
comigo nessa trajetória; aos meus amigos de colégio; e aos amigos da
universidade e da república, que contribuíram de diferentes formas ao longo do
percurso, inclusive auxiliando em questões e desafios estatísticos.
Por fim, agradeço aos meus orientadores em toda a minha trajetória
acadêmica, da graduação ao doutorado, que ao longo do caminho também se
tornaram amigos e amiga: Dr. Afonso Antonio Machado, Dr. Carlos Norberto
Fischer e minha atual orientadora, Dra. Adriane Beatriz de Souza Serapião.
A todos que fizeram parte desse percurso, deixo meu sincero
agradecimento.
"O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de
Financiamento 001"
RESUMO
O futebol, fenômeno cultural e social, está intrinsecamente conectado à era
digital, na qual as Redes Sociais Digitais (RSD) reconfiguram as interações
humanas e a prática esportiva. Contudo, os impactos psicossociais dessas
plataformas em praticantes de diferentes níveis, para além da elite profissional,
permanecem subexplorados. Esta tese teve como objetivo investigar os fatores
de interesse e as implicações do uso das RSD em cinco categorias (Categoria
de Base, Sub-20, Amador, Universitário e Profissional), partindo da hipótese de
que o uso, o impacto e o suporte institucional variam significativamente entre
elas. Adotou-se um delineamento de pesquisa misto (quali-quantitativo)
sequencial. A fase qualitativa (entrevistas/grupos focais) embasou a construção
do Questionário para Redes Sociais Digitais (QRSD), validado no Artigo I e
aplicado a 142 atletas. A tese foi estruturada no modelo escandinavo,
apresentando os resultados em seis artigos. A hipótese central foi confirmada
estatisticamente (Artigo VI), onde o teste Qui-Quadrado (X²) revelou diferenças
significativas (p < 0,05) em 15 das 28 variáveis testadas, comprovando que cada
categoria possui perfis de uso e necessidades distintas. Os resultados gerais
revelaram uma relação dual com as RSD: identificou-se o uso positivo para
comunicação, aprendizado técnico e promoção da carreira, mas também
emergiram impactos negativos, como a vulnerabilidade emocional a críticas e ao
cyberbullying. O achado mais crítico foi a identificação de uma lacuna de suporte
institucional. A análise, fundamentada na Teoria Bioecológica do
Desenvolvimento Humano, demonstrou que a ausência de orientação por parte
de clubes e comissões técnicas (o Microssistema) configura uma "falha
desenvolvimentista". Conclui-se que, embora os atletas demonstrem autonomia,
eles operam em um vácuo de suporte, desenvolvendo mecanismos de
"resistência" psicológica que mascaram a vulnerabilidade. O estudo aponta para
a necessidade premente de intervenções preparatórias, coordenadas por
profissionais da Psicologia do Esporte, focadas na alfabetização digital, as quais
devem ser segmentadas para atender às demandas específicas de cada
categoria.
Palavras-chave: Futebol; Redes Sociais Digitais; Psicologia do Esporte; Teoria
Bioecológica; Desenvolvimento Humano; Ciberespaço.
SOCIAL NETWORKS AND SOCCER: A SPORT PSYCHOLOGY ANALYSIS
OF THE RELATIONSHIPS AMONG ITS DIFFERENT CATEGORIES
ABSTRACT
Soccer, a cultural and social phenomenon, is intrinsically intertwined with the
digital age, in which Digital Social Networks (DSN) are reshaping human
interactions and sports practice. However, the psychosocial impacts of using
these platforms on players across various competitive levels, beyond the
professional elite, remain underexplored. This thesis aimed to investigate the
factors of interest and the implications of DSN use in five categories (Youth
Academy, U-20, Amateur, Collegiate, and Professional), based on the hypothesis
that usage, impact, and institutional support vary significantly among them. A
sequential mixed-methods (qual-quant) design was adopted. The qualitative
phase (interviews/focus groups) informed the construction of the Questionnaire
for Digital Social Networks (QDSN), which was validated in Article I and applied
to 142 athletes. The thesis is structured in the Scandinavian model, presenting
the results in six articles. The central hypothesis was statistically confirmed
(Article VI), where the Chi-Square test (X²) revealed significant differences (p <
0.05) in 15 of the 28 tested variables, proving that each category has distinct
usage profiles and needs. The general findings revealed a dual relationship with
DSN: positive uses were identified for communication, technical learning, and
career promotion, but negative impacts also emerged, such as emotional
vulnerability to criticism and cyberbullying. The most critical finding was the
identification of an institutional support gap. The analysis, grounded in the
Bioecological Theory of Human Development, demonstrated that the absence of
guidance from clubs and coaching staff (the Microsystem) constitutes a
"developmental failure". It is concluded that although athletes demonstrate
autonomy, they operate in a support vacuum, developing mechanisms of
psychological "resistance" that mask their vulnerability. The study points to the
pressing need for educational interventions, coordinated by Sport Psychology
professionals, focused on digital literacy, which must be segmented to meet the
specific demands of each category.
Keywords: Soccer; Digital Social Networks; Sport Psychology; Bioecological
Theory; Human Development; Cyberspace.
LISTA DE FIGURAS
ARTIGO II - AMADOR
Figura 1. Uso Diário das RSD 72
Figura 2. Aplicativos Mais Utilizados 73
Figura 3. Principal Motivação para Uso 73
Figura 4. Sentimentos sobre Proibição do Uso das Redes 76
Figura 5. Deixar de Seguir Devido a Comportamentos 77
ARTIGO III – UNIVERSITÁRIO
Figura 1. Média de Uso Diário das Redes sociais digitais 91
Figura 2. Escala de Interação do Uso das Redes Sociais Digitais 92
Figura 3. Escala de Frequência de Interação com Conteúdos
Relacionados ao Futebol
93
ARTIGO IV - CATEGORIA DE BASE
Figura 1. Motivação para o uso das redes sociais digitais 110
Figura 2. Interação com conteúdos relacionados ao futebol 111
Figura 3. Efeitos do recebimento de elogios nas redes sociais 113
Figura 4. Efeitos do recebimento de críticas nas redes sociais 113
Figura 5. Efeitos da falta de interação em publicações 114
Figura 6. Reação a um erro viralizado nas redes sociais 114
Figura 7. Finalidades ao assistir vídeos de futebol 115
Figura 8. Foco do conteúdo de futebol consumido nas redes sociais 116
Figura 9. Aspectos de maior atenção em conteúdos de jogadores
famosos
116
Figura 10. Uso das redes para promover a carreira 120
ARTIGO V - ALTO RENDIMENTO (PROFISSIONAL E SUB-20)
Figura 1. Perfil do Respondente 138
Figura 2. Motivações para acessar as redes sociais digitais 139
Figura 3. Impactos e Percepções 141
Figura 4. Uso de vídeos 142
Figura 5. Impacto de jogadores famosos 142
Figura 6. Orientação e percepção sobre restrições 143
Figura 7. Instrução informal e demanda por orientação 144
Figura 8. Categoria de conteúdo consumido 145
Figura 9. Percepção sobre exposição de jogadores famosos 146
ARTIGO VI - TESTE DE HIPÓTESE
Figura 1. Aplicativos utilizados 163
Figura 2. Notícias sobre campeonatos e resultados 164
Figura 3. Aprendizado por meio de observação 164
Figura 4. Compartilhamento de momentos do futebol 165
Figura 5. Inspiração em atletas reconhecidos 165
Figura 6. Compartilhamento de momentos marcantes 166
Figura 7. Orientação e Restrição do uso das redes sociais digitais 167
Figura 8. Opinião sobre restrições e proibição de acesso às redes 168
Figura 9. Orientação sobre o uso das redes sociais digitais 169
Figura 10. Orientação e controle das redes sociais digitais 170
Figura 11. Impacto da exposição das redes sociais digitais 171
LISTA DE TABELAS
ARTIGO I - ÍNDICE DE VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO (IVC) – QRSD
Tabela 1. Resultados por questões 57
Tabela 2. Resultados por critério de avaliação 58
ARTIGO II – AMADOR
Tabela 1. Motivação para uso das RSD (Entrevista) 69
Tabela 2. Relações entre RSD e futebol (Entrevista) 69
Tabela 3. Impactos emocionais nas RSD (Entrevista) 70
Tabela 4. Uso das RSD no futebol amador (Entrevista) 70
Tabela 5. Percepção crítica as RSD (Entrevista) 71
Tabela 6. Frequência de Ações nas RSD 74
Tabela 7. Reação a Elogios e Críticas 74
Tabela 8. Falta de Interação e Erro Viralizado 75
Tabela 9. Consumo de Conteúdo e Influência Digital 75
Tabela 10. Orientação e Controle 76
Tabela 11. Frequência de Interações 76
Tabela 12. Influência das Exposições e Comportamento 77
ARTIGO III – UNIVERSITÁRIO
Tabela 1. Motivação para o Uso das Redes Sociais Digitais 87
Tabela 2. Objetivos em Relação ao Futebol 88
Tabela 3. Impactos Emocionais 89
Tabela 4. Percepção sobre o Comportamento dos Colegas 90
Tabela 5. Motivações para o Uso das Redes Sociais Digitais 94
Tabela 6. Padrões de Consumo de Mídia Esportiva 96
Tabela 7. Síntese dos Impactos Emocionais das Interações Online 97
Tabela 8. Resumo dos perfis de atletas identificados pelo Weka 99
ARTIGO IV - CATEGORIA DE BASE
Tabela 1. Frequência de uso de aplicativos de rede social 111
Tabela 2. Motivações para acessar as redes sociais digitais 112
Tabela 3. Composição dos Clusters 122
ARTIGO V - ALTO RENDIMENTO (PROFISSIONAL E SUB-20)
Tabela 1. Motivação para Uso das Redes Sociais 131
Tabela 2. Impacto Emocional e Psicológico 132
Tabela 3. Influência das Redes Sociais na Prática Esportiva 134
Tabela 4. Dinâmica e Cultura das Redes Sociais no Clube e Entre
Colegas
135
Tabela 5. Percepção Geral do Fenômeno “Futebol e Redes Sociais” 137
Tabela 6. Frequência de comportamentos de uso pessoal 140
Tabela 7. Impactos e influências percebidas 141
Tabela 8. Percepção sobre imagem e carreira 146
ARTIGO VI - TESTE DE HIPÓTESE
Tabela 1. Resumo dos Resultados do Teste Qui-Quadrado (X²) para
Diferenças entre Categorias
159
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 13
2. JUSTIFICATIVA 19
3. OBJETIVO 21
4. HIPÓTESE 22
5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 23
5.1. Definição das categorias do futebol 27
5.2. Novas Concepções para a Era Digital e a Teoria Bioecológica 29
5.3. Futebol e Redes Sociais: Uma relação de Duas Faces 32
5.4. A Tecnologia Digital e o Futebol: Um Olhar para a
Vulnerabilidade
34
5.5. O Aumento do Uso das Mídias Alternativas para Transmissão 36
6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 39
6.1. Grupo Focal 39
6.2. Entrevistas Semiestruturadas 40
6.3. Questionário (Artigo I) 41
6.4. Fenômeno Investigado 42
6.5. Público-Alvo e Amostra 42
6.6. Coleta de Dados 42
6.7. Análise dos Dados 43
6.8. Comitê De Ética (Anexo II) 44
7. ESTRUTURAÇÃO DA TESE 45
8. ARTIGO I - ÍNDICE DE VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO (IVC) –
QRSD
48
1. INTRODUÇÃO 50
2. OBJETIVO 51
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 51
4. COMITÊ DE ÉTICA 52
5. DESENVOLVIMENTO E VALIDAÇÃO DO QUESTIONÁRIO 53
5.1. CONSTRUÇÃO DO QUESTIONÁRIO 53
5.2. PROCEDIMENTO DE VALIDAÇÃO 54
5.2.1. Critérios de Avaliação 55
5.2.2. Cálculo do Índice de Validação de Conteúdo (IVC) 56
6. RESULTADOS DA VALIDAÇÃO 56
7. CONCLUSÃO 58
REFERÊNCIAS 59
ANEXO I – QUESTIONÁRIO 61
9. ARTIGO II – AMADOR 65
Introdução 66
Materiais e Métodos 67
Resultados 68
Resultados Qualitativos: Percepções das Entrevistas 68
Resultados Quantitativos: Análise do Questionário 71
Discussão 77
Conclusão 79
Agradecimentos 79
Referências 79
10. ARTIGO III. UNIVERSITÁRIO 82
Introdução 83
Metodologia 85
Dados Qualitativos 86
Análise e Discussão dos Resultados Qualitativos 86
Dados Quantitativos 91
Análise Descritiva dos Resultados Quantitativos 91
Análise de Cluster: Identificação de perfis de atletas 98
Discussão 100
Conclusão 102
Referências 103
11. ARTIGO IV. CATEGORIA DE BASE 105
Introdução 106
Metodologia 108
Resultados 109
Resultados Quantitativos (Questionário) 109
Resultados Qualitativos (Grupo Focal) 117
Análise e Discussão dos Resultados 119
Considerações finais 123
Referências 124
12. ARTIGO V. ALTO RENDIMENTO (PROFISSIONAL E SUB-20) 126
Introdução 127
Metodologia 129
Resultados Qualitativos 130
Resultados Quantitativos 137
Perfil do Respondente 138
Motivações e Comportamento de Uso Pessoal 138
Impactos e Influência na Prática Esportiva 140
Orientação e Controle do Uso das Redes 143
Interação com Conteúdos e Percepção de Imagem... 144
Síntese dos Resultados Quantitativos 147
Análise dos Dados 147
Conclusão 150
Referências 151
13. ARTIGO VI. TESTE DE HIPÓTESE 154
INTRODUÇÃO 155
METODOLOGIA 156
Participantes 157
Instrumento 157
Análise dos Dados 158
RESULTADOS 158
Perfil de Uso e Plataforma 162
Motivações e Comportamentos de Uso Pessoal 163
Impactos e Influência na Prática Esportiva 166
Orientação e Controle do Uso das Redes 167
Instrução, Interação e Percepção de Imagem e Carreira 168
DISCUSSÃO 171
CONSIDERAÇÕES FINAIS 173
REFERÊNCIAS 174
14. DISCUSSÃO 177
15. CONSIDERAÇÕES FINAIS 182
16. REFERÊNCIAS 185
17. ΑΝΕΧO I – RESULTADOS 190
18. ANEXO II – COMITÊ DE ÉTICA 203
13
1. INTRODUÇÃO
A tecnologia tem desempenhado um papel transformador nos
comportamentos humanos, particularmente por meio do uso de dispositivos que
conectam as pessoas à internet e às redes sociais digitais. Esses recursos
permitem o consumo de conteúdos diversos, que vão desde informações gerais
e entretenimento até áreas mais específicas, como as modalidades esportivas.
Nesse contexto, os atletas frequentemente compartilham suas rotinas, tanto
esportivas quanto pessoais, nas redes sociais, atraindo milhares de seguidores
e se posicionando como influenciadores digitais. Essa visibilidade não apenas
amplia a relação entre atletas e fãs, mas também pode moldar os hábitos e
comportamentos de seus seguidores, gerando impacto em sua forma de
consumir conteúdo e interagir no ambiente digital (Santos, et al., 2020).
Esse cenário reflete uma mudança contínua na forma como as pessoas
utilizam a tecnologia para se conectar e interagir no que é denominado
ciberespaço. Esse ambiente, caracterizado pela ausência de barreiras físicas e
pela instantaneidade das interações (Lévy, 1999; Moioli, 2013; Morao, 2017),
permite a criação de microssistemas sociais e culturais, onde as redes digitais
se tornam espaços para a troca intensa de informações e experiências. Assim,
o ciberespaço integra diferentes dimensões da vida contemporânea, oferecendo
aos atletas e ao público uma plataforma para criar e consumir conteúdos com
forte influência sobre comportamentos e relações sociais (Grieger; Francisco,
2019).
Segundo Bronfenbrenner (2006) e a Teoria Bioecológica do
Desenvolvimento Humano, o processo de desenvolvimento humano é contínuo
e influenciado por interações próximas, conhecidas como processos proximais,
que moldam tanto aspectos individuais quanto coletivos. Esses processos são
intensificados pela presença de elementos inovadores, capazes de direcionar
mudanças no modo de pensar e agir. Nesse contexto, o ciberespaço,
caracterizado como um espaço de comunicação global proporcionado pela
interconexão de computadores e dispositivos tecnológicos, promove a troca
instantânea de informações e amplia o acesso a conteúdos diversos (Lévy,
1999). Esse ambiente se torna um catalisador de transformações sociais e
culturais, acompanhando o crescimento e a evolução tecnológica.
14
O ciberespaço também abre múltiplas possibilidades de interação entre
usuários, permitindo não apenas o compartilhamento de informações e a
promoção pessoal e profissional, mas também a formação de redes sociais e
comunidades virtuais. Por meio de sites de relacionamento, plataformas de
busca e outras ferramentas digitais, os indivíduos podem estabelecer conexões,
ampliar conhecimentos e integrar práticas e valores que se desenvolvem
simultaneamente ao crescimento desse meio de comunicação.
Essa integração reflete a transição para uma sociedade cada vez mais em
rede, no qual os relacionamentos passam a ser moldados por conexões digitais
(Van Dijk, 2020). Além disso, Wellman e Rainie (2022) destacam que essas
comunidades virtuais não apenas ampliam o alcance das interações sociais, mas
também desempenham um papel ativo na formação de novos padrões de
comportamento e valores coletivos, refletidos não apenas no mundo virtual, mas
também no presencial.
Essas relações nos comportamentos das pessoas com o avanço dos
meios de comunicação passam a se relacionar diretamente com o contexto e
ambiente esportivo. Isso pelo fato destacado por Weinberg e Gould (2017), que
apontam a comunicação como o principal meio de interação no ambiente
esportivo, abrangendo desde a iniciação até o alto rendimento, de forma verbal
e não verbal. Essa dinâmica não afeta apenas os atletas de alto rendimento, cuja
profissão está intrinsecamente ligada à exposição, mas também as crianças que
estão em processo de ensino-aprendizagem das modalidades, que não visa
apenas o desenvolvimento físico ou de desempenho esportivo, mas também
contribui para o aprimoramento de capacidades motoras, cognitivas,
psicológicas e sociais, fundamentais para a formação integral de jovens atletas
(Martín-Rodríguez et al., 2024).
Diante da complexidade das modalidades esportivas, o foco deste
trabalho foi direcionado ao Futebol. A escolha justifica-se por este ser um
fenômeno cultural e social que se destaca como campo fértil para observar as
transformações digitais. Sendo uma prática de fácil acesso e amplamente
difundida em escolas e bairros, o futebol consolida-se como uma poderosa
ferramenta de sociabilidade, identidade e pertencimento territorial. Essa
capilaridade o torna um ponto de partida ideal para observar as relações entre
15
comunicação, comportamento e as interações humanas influenciadas pelas
redes sociais digitais.
Esse fenômeno, que envolve a interação entre a internet, as redes sociais
e o ciberespaço no contexto do futebol, abrange não apenas uma categoria
específica, mas toda uma rede que inclui desde a iniciação esportiva até o alto
rendimento, passando pela Categoria de Base (Sub-17), pelo Universitário e
Amador, e alcançando o alto rendimento (Sub-20 e Profissional). Essa dinâmica
envolve não só praticantes, mas também espectadores, como torcida e membros
da família, atingindo milhares de pessoas que fazem parte dessa ampla rede de
uma única modalidade, o futebol (Weinberg; Gould, 2017).
Dentro da particularidade encontrada nos diferentes níveis da prática do
futebol, as redes sociais digitais se tornam um ponto comum. Isso ocorre porque
qualquer pessoa com acesso ao ciberespaço pode estabelecer contato com
atletas profissionais. Um exemplo ilustrativo disso é o caso destacado por sites
esportivos, no qual um torcedor, após o jogo, enviou mensagens agressivas a
um jogador e, de forma inesperada, recebeu uma resposta do próprio atleta. Com
isso, o jogador utilizou sua própria rede social para expor o ocorrido,
evidenciando a proximidade entre atletas e torcedores, facilitada pela internet
(Rosa, 2022). Esse tipo de interação reflete a crescente influência do
ciberespaço na relação entre fãs e atletas, refletindo nas implicações das redes
sociais no comportamento dos esportistas e no ambiente esportivo como um
todo (Martín-Rodríguez, 2024).
A relação entre torcedores e o futebol não é exclusiva desse esporte ou
dos atletas profissionais. Com a crescente popularização de plataformas de
streaming, como Netflix e YouTube, a tecnologia e a transmissão de jogos têm
alcançado outras categorias do futebol. Essas plataformas oferecem uma
transmissão de conteúdos multimídia pela internet, que se assemelha às
transmissões tradicionais pela televisão, mas com a vantagem da interatividade
e acessibilidade (Matos, 2022).
Esse acesso facilitado contribui para uma proximidade cada vez maior
entre os espectadores digitais e as diferentes categorias do futebol, criando uma
experiência mais imersiva (Souza, 2023). Além disso, as plataformas de
streaming permitem que os fãs interajam em tempo real, compartilhando
análises, celebrando gols e discutindo estratégias, o que antes era exclusivo das
16
partidas de alto rendimento. Essa interação constante reflete tendências
observadas no futebol profissional, mas que agora se expandem para outras
divisões, ampliando as preocupações sobre a influência dessa exposição nas
carreiras dos atletas e no comportamento dos torcedores.
O avanço das redes sociais digitais e sua relação com o futebol vai além
do contexto da prática esportiva, considerando o futebol como uma verdadeira
paixão nacional no Brasil. As redes sociais desempenham um papel central na
interação entre atletas, torcedores e clubes, criando dinâmicas de consumo e
produção de conteúdo. Essa interação virtual aproxima ainda mais fãs e
jogadores, ao mesmo tempo que fortalece as estratégias de marketing esportivo
e amplia o senso de comunidade (Abeza, 2023). No entanto, a exposição
constante pode impactar a saúde mental dos atletas, especialmente os mais
jovens, gerando desafios no ambiente digital, que facilita o compartilhamento em
tempo real e a formação de comunidades globais (Martín-Rodríguez, 2024).
A análise do impacto das redes sociais no futebol deve considerar suas
implicações em diversas categorias, como a iniciação esportiva, as categorias
de base (incluindo o Sub-20), o esporte universitário e o futebol profissional. Na
iniciação esportiva, o foco está no desenvolvimento de habilidades e na
formação cidadã, enquanto nas categorias de base, os atletas são preparados
para enfrentar as exigências técnicas e mercadológicas. No contexto
universitário, o esporte equilibra recreação e competição, e no nível profissional,
regulamentado pela "Lei Pelé", o futebol se consolida como uma profissão de
relevância econômica. O ambiente digital influencia a formação da identidade
esportiva em todas essas categorias, impactando o comportamento social e a
motivação dos atletas. Compreender essas relações é fundamental para avaliar
o papel das redes sociais na formação de novos atletas e na construção de uma
cultura esportiva conectada.
Ao relacionar as duas temáticas, redes sociais digitais e futebol, surgem
diversos assuntos, como a busca de informações sobre equipes, o
comportamento durante os jogos, o acompanhamento da vida social e esportiva
de atletas profissionais, e o uso das plataformas para promoção pessoal ou
comercial. A variedade de conteúdos presentes nesse ambiente exige uma
compreensão aprofundada sobre como cada nível da prática esportiva se
17
relaciona com as redes sociais, para garantir uma utilização saudável, diante da
alta exposição e interação que esses meios proporcionam (Morao, 2017).
A partir do que foi apresentado a pesquisa, justifica-se a necessidade de
uma análise mais profunda sobre o impacto das redes sociais digitais no
desenvolvimento e na prática esportiva no futebol, especialmente em categorias
que não se concentram exclusivamente no rendimento, como a iniciação
esportiva, as categorias de base e as práticas amadoras. Embora a maioria dos
estudos focados nesse fenômeno se concentre em aspectos econômicos e de
desempenho, pouco se aborda os efeitos que as redes sociais podem ter nas
dimensões sociais, psicológicas e de desenvolvimento dos atletas em diferentes
estágios da prática esportiva. A investigação aqui apresentada visa preencher
essa lacuna, explorando como as redes sociais influenciam as vivências e a
prática do futebol em suas diversas categorias, além de fornecer insights sobre
as consequências sociais e psicológicas dessa exposição digital.
A metodologia da pesquisa segue um modelo misto, quali-quantitativo,
permitindo uma análise ampla e detalhada dos dados. A abordagem qualitativa
foi conduzida por meio de grupos focais e entrevistas semiestruturadas com
participantes de diferentes faixas etárias e categorias do futebol, com o objetivo
de compreender as nuances individuais e coletivas dessa exposição digital. Já a
abordagem quantitativa utilizará questionários para capturar dados mais
generalizados sobre os fenômenos observados. A combinação de métodos
qualitativos e quantitativos proporcionará uma visão mais completa do impacto
das redes sociais na formação e no comportamento dos atletas, além de
possibilitar a verificação de hipóteses sobre as diferenças no uso dessas
plataformas em diferentes categorias esportivas (Thomas; Nelson; Silverman,
2012).
Portanto, este estudo visa analisar como os fatores de interesse
relacionados ao futebol nas redes sociais digitais variam nas diferentes
categorias do esporte, desde a iniciação até o nível profissional, e explorar as
implicações dessas interações, destacando as semelhanças, diferenças e
possíveis consequências para o desenvolvimento e a prática esportiva dos
indivíduos em cada fase. Para dar conta desta análise, a tese foi estruturada no
formato escandinavo, apresentando os resultados em seis artigos científicos. O
primeiro artigo detalha a validação do instrumento de coleta de dados (QRSD).
18
Os quatro artigos seguintes aprofundam as especificidades das diferentes
categorias do futebol, Amador, Universitário, Categoria de Base e Alto
Rendimento (Profissional e Sub-20), e o sexto artigo integra os dados por meio
de uma análise estatística comparativa entre as categorias, testando a hipótese
central do estudo. Coletivamente, esses estudos revelam a relação dual das
RSD, como ferramenta de promoção e aprendizado, mas também como fonte de
vulnerabilidade, e apontam para uma notável lacuna de suporte institucional no
manejo dessas ferramentas, o que será aprofundado na discussão geral.
182
15. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta tese, estruturada no modelo escandinavo e apresentada em seis
artigos, investigou a complexa relação entre atletas de futebol de cinco
categorias distintas e as Redes Sociais Digitais (RSD), partindo da hipótese de
que seus usos, motivações e impactos não seriam uniformes. A hipótese central
foi estatisticamente confirmada (Artigo VI), revelando perfis de uso e
necessidades segmentadas para cada nível da prática esportiva.
A principal conclusão deste trabalho é a identificação de uma “lacuna de
suporte” institucional, caracterizada na Discussão (Capítulo 14) como uma “falha
desenvolvimentista”. Os dados demonstram que o Microssistema mais crucial
para o atleta, o clube e a comissão técnica, falha em prover orientação adequada
e contínua. Na ausência desse suporte, os atletas são forçados a desenvolver
mecanismos de “resistência psicológica” (uma “autogestão frágil”) que mascara
a vulnerabilidade, em vez de uma resiliência genuína e estruturada para o
ambiente digital. Em termos práticos, isso significa que parte do enfrentamento
do ciberespaço tem ocorrido por adaptação individual, e não por um processo
institucionalizado de preparação.
Um achado que merece destaque, pela sua implicação metodológica, é o
comportamento do grupo do Futebol Universitário. Os resultados dessa
categoria mostraram-se substancialmente divergentes quando comparados às
demais, sugerindo que o esporte universitário não deve ser adotado, de forma
automática, como referência para estudos piloto que pretendam inferir padrões
para o conjunto do futebol. Essa divergência reforça a necessidade de
reconhecer o peso do contexto institucional e cultural de cada categoria na
produção dos perfis de uso e percepção das RSD.
Apesar da robustez dos achados, este estudo reconhece suas limitações.
O foco em atletas do sexo masculino e de uma região específica impede a
generalização dos resultados. Adicionalmente, o instrumento quantitativo
(QRSD) não incluiu variáveis sociodemográficas como escolaridade ou
marcadores como raça/cor, que representam um fator social crítico no contexto
do futebol e da exposição online, como os próprios relatos de racismo (Artigos
III e V) sugerem. Estas ausências configuram um limite na profundidade da
análise sociológica. Por fim, a natureza transversal da pesquisa oferece um
183
retrato momentâneo do fenômeno, sem captar suas transformações ao longo do
tempo.
Como contribuição, esta tese oferece um diagnóstico objetivo, o modelo
atual de gestão das RSD no futebol, pautado pela omissão (vista com maior
recorrência no Amador e Universitário) ou pela “restrição e controle” (vista no
Profissional e Categoria de Base), mostrou-se insuficiente. Os dados
comprovam que os atletas discordam das proibições (Artigo VI) e admitem
contorná-las (Artigo IV), o que fragiliza o propósito pedagógico e protetivo dessas
medidas. A contribuição central, portanto, é sustentar a necessidade de uma
mudança de paradigma, da “proibição” para a “preparação”, com intervenções
que reconheçam as RSD como parte do contexto real de desenvolvimento do
atleta.
Essa preparação implica, necessariamente, a implementação de
programas estruturados de letramento digital (alfabetização digital) e
psicoeducação no âmbito esportivo. Tais programas não devem se restringir à
gestão de imagem ou marketing pessoal, mas incluir, de forma explícita,
segurança online, saúde mental, manejo de exposição, cyberbullying e
estratégias de enfrentamento (coping). Crucialmente, os achados desta tese
indicam que essa agenda não pode recair apenas sobre o atleta, ela deve
envolver de modo prioritário a equipe técnica, que ocupa posição central na
mediação cotidiana de normas, cultura do clube e formas de controle.
Em outras palavras, preparar o atleta exige preparar, também, quem o
orienta. É nesse ponto que se insere a necessidade de cuidar da resiliência
digital dos atletas, não como atributo individual espontâneo, mas como
competência desenvolvida, acompanhada e sustentada por práticas educativas
e por suporte institucional. Além disso, como provado pelas diferenças
estatísticas entre os grupos, esses programas devem ser segmentados para
atender às necessidades específicas de cada categoria, evitando soluções
genéricas que desconsiderem o contexto.
Para futuras investigações, esta tese aponta caminhos diretos. Primeiro,
a necessidade de estudos longitudinais que acompanhem os atletas, verificando
como a “resistência frágil” observada nos níveis formativos evolui (ou se
reconfigura) nas transições de carreira até o profissionalismo. Segundo, a
replicação do estudo no universo do futebol feminino, com posterior comparação
184
sistemática com o masculino, ampliando a compreensão das especificidades de
exposição, vulnerabilidades e estratégias de enfrentamento no ciberespaço.
Terceiro, pesquisas que incorporem marcadores sociológicos (como raça/cor e
escolaridade) para aprofundar a análise das vulnerabilidades e desigualdades
na exposição online. Quarto, o desenvolvimento e a avaliação da eficácia dos
programas de intervenção aqui sugeridos (letramento digital e psicoeducação),
especialmente daqueles voltados às comissões técnicas e estruturas de
formação. Quinto, sugere-se ampliar a aplicabilidade do modelo para outras
modalidades esportivas, testando em que medida os padrões identificados no
futebol se reproduzem (ou se diferenciam) em contextos com outras culturas,
pressões de performance e dinâmicas de mídia.
Finalmente, sugere-se que a proposição teórica do “Cibersistema”,
apresentada na Discussão (Capítulo 14) como um sistema transversal que
penetra todos os outros níveis de Bronfenbrenner, seja testada e validada. Este
conceito, que emerge dos achados desta tese, pode oferecer um arcabouço mais
consistente para compreender o desenvolvimento humano e esportivo na era
digital, sem reduzir o fenômeno a uma questão meramente tecnológica.
185
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