LUCAS ITÁO PINTO IDENTIDADE E EXPRESSÃO AO PAVILHÃO PERMAMENTE DE EXPOSIÇÕES “Dr. Licínio Hilmar Oliveira de Arantes” Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, sob a orientação da Professora Doutora Emilia Falcão Pires FAAC - FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” BAURU – 2011 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA, URBANISMO E PAISAGISMO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO IDENTIDADE E EXPRESSÃO AO PAVILHÃO PERMAMENTE DE EXPOSIÇÕES “Dr. Licínio Hilmar Oliveira de Arantes” Discente: Lucas Itáo Pinto R.A. 730271 Orientadora: Profª Dra. Emilia Falcão Pires Bauru, 2011 3 Dedico este trabalho aos meus pais, que sempre fizeram o possível por mim. 4 Agradeço a minha orientadora Emília Falcão Pires Aos meus amigos de todos os momentos. 5 RESUMO Trata-se de projeto para novos edifícios em substituição ao Pavilhão Permanente de Exposições “Dr. Licínio Hilmar Oliveira de Arantes” bem como intervenção em seu entorno localizados no município de Ibitinga – SP. Foram realizadas coletas de dados e elaboração de um programa para área. Como resultado desta pesquisa foi elaborado um projeto arquitetônico para a área de intervenção. 6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 7 2 REFERENCIAL TEÓRICO 8 2.1 DOS FATOS URBANOS 8 3 REFERÊNCIAS PROJETUAIS 11 3.1 PARQUE DE EXPOSIÇÕES DO ANHEMBI 11 3.2 PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES - PARQUE DA JUVENTUDE 18 4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 22 5 RESOLUÇAO DE PROJETO 25 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 27 7 BIBLIOGRAFIA 28 8 ANEXOS 29 7 1. INTRODUÇÃO A “Feira do Bordado” de Ibitinga (cidade do Centro-Oeste do Estado de São Paulo) ocorre há trinta anos com divulgação nacional. O Pavilhão Permanente de Exposições “Dr. Lícínio Hilmar Oliveira Arantes”, objeto deste trabalho, foi construído para abrigar essa feira; evento que leva anualmente milhares de visitantes à cidade. O edifício/pavilhão tem sido usado para outros eventos que ocorrem eventualmente, além da feira anual do bordado. No entanto, esse edifício e anexos configuram-se com a linguagem de galpões, sem identidade arquitetônica ou qualquer qualidade formal relevante que os caracterize como referencial arquitetônico e simbólico na vida dos cidadãos ibitinguenses. Além disso, esses edifícios não comportam as atividades dos eventos neles sediados, sendo necessária a contratação de empresas para a montagem de estruturas provisórias, o que gera grande ônus aos cofres públicos a cada evento a ser realizado. Está situado na malha urbana em local de fácil acesso a visitantes e moradores do município, o que permite uma boa mobilidade nos arredores mesmo em dias de fluxo intenso de pedestres e automóveis. A partir do exposto acima, o objetivo do trabalho é a elaboração de projeto arquitetônico para a construção de novos edifícios que sejam adequados ao programa da feira do bordado e propiciando ainda a realização de outras atividades. A proposta abarca também a elaboração de um novo desenho para a área livre do entorno dos edifícios, já que existem loteamentos vizinhos consolidados e vários outros em processo de consolidação, que carecem de áreas verdes de lazer. A principal preocupação na elaboração do projeto é a criação de um conjunto arquitetônico (de áreas livres e construídas) que dê identidade formal para o local, além de propor um equipamento urbano que seja apropriado de diferentes formas pela população, especialmente durante a maior parte do ano, quando não é utilizado para a feira. 8 2. REFERENCIAL TEÓRICO Empregou-se o conceito de “fato urbano”, elaborado pelo arquiteto italiano Aldo Rossi, como subsídio teórico para a elaboração do projeto dos edifícios. 2.1 DOS FATOS URBANOS Rossi (2001) entende por “fato urbano” aquela arquitetura que remete à história da cidade e é, portanto, portadora de certa complexidade: Podemos estudar a cidade de muitos pontos de vista, mas ela emerge de modo autônomo quando a consideramos como dado último, como construção, como arquitetura; em outras palavras, quando analisamos os fatos urbanos pelo que são – como construção última de uma elaboração complexa (...) Rossi acredita que, por meio do conhecimento da história do lugar em dado tempo específico, seria possível encontrar elementos particulares e locais que poderiam ser incorporados nas novas propostas de intervenção urbana, permitindo a conservação do caráter cultural do lugar. Entende-se, neste trabalho, que não precisamente o pavilhão de Ibitinga (existente) é o fato urbano, mas sim a tipologia empregada nele. A atual configuração do pavilhão de exposições possui uma arquitetura que se configura como um “modelo estabelecido e amplamente difundido” na cidade. Os barracões figuram como elementos presentes em qualquer ponto da paisagem do Município e impactam diretamente na vida da população que tem neles desde o seu sustento, ou são afetados pela demanda, fluxo e barulho gerados pelas atividades desenvolvidas no interior desses edifícios. Apesar de visualmente desagradáveis em termos estéticos, a população da cidade identifica na paisagem formada pelos galpões como algo comum no seu cotidiano, já que está intrinsicamente ligado ao trabalho e a vida de grande parte da população. Desse modo, a existência de uma fábrica de pequeno porte no meio de um bairro predominantemente residencial configura-se 9 comum na paisagem urbana e não causa estranhamento à população em sua generalidade. Somente após regulamentações recentes, feitas pelo poder público local, com a implementação de dois distritos industriais e com a lei de zoneamento, a construção de barracões no meio da malha urbana vem diminuindo1. O pavilhão teve sua arquitetura definida não como referência ao fato urbano comentado anteriormente, mas sim por motivos econômicos, tempo para sua execução e motivações eleitorais. Arquitetura essa que se modifica todo o ano com a montagem de estruturas metálicas provisórias que descaracterizam o barracão agigantado, além de novas linhas de energia e água para atender a demanda que o projeto atual não responde satisfatoriamente durante alguns eventos e em especial a “Feira do Bordado” (Fig. 1, 2 e 3). Figura 01 - Fachada do Pavilhão de Exposições – Maio 2011 Fonte: Lucas Itáo Pinto 1 Isso ocorre especialmente porque as manufaturas vêem nos distritos industriais possibilidade de expansão, tendo ainda benefícios fiscais e uma infraestrutura especifica. 10 Figura 02 – Cobertura provisória (área branca) e Pavilhão de Exposições – 2003 Fonte: http://www.centraliza.com.br/ibitinga/feira_bordado/como_chegar.html acesso em Setembro 2011 Figura 03 - Cobertura provisória (na cor branca), Anexo e Pavilhão de Exposições 2011 Fonte: http://www.feiradobordadodeibitinga.com.br/imprensa_det.php?id=25 acesso em Agosto – 2011. 11 3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS Como referenciais projetuais foram selecionados o pavilhão principal de exposições do Parque do Anhembi e o Pavilhão de Exposições do Parque da Juventude, ambos localizados na cidade de São Paulo. Apesar das diferentes escalas, ambos foram de grande ajuda para a compreensão das necessidades de um espaço que se propõe a receber exposições e eventos dos mais diferentes seguimentos, bem como as necessidades programáticas para atender o público que venha a frequentar estes espaços durante os períodos dos eventos e no uso cotidiano. 3.1 PARQUE DE EXPOSIÇOES DO PARQUE DO ANHEMBI Inicialmente idealizado pela iniciativa privada e, posteriormente, encampado pela prefeitura da São Paulo o complexo do Parque do Anhembi figura como uma dos mais importantes centros para realização de eventos do Brasil e da América Latina. Pode-se destacar que 30% dos eventos nacionais e mais de 50% dos eventos da região sudeste são realizados em seus espaços locáveis instalados às margens do rio Tietê. Nos quase 400 mil metros quadrados que comportam o complexo, há um hotel, o sambódromo, 2 arenas e 7.500 vagas de estacionamento. O “Palácio de Convenções” e o “Pavilhão de Exposições” são as edificações que mais se destacam como referências, devido a sua escala urbana e soluções projetuais. O Palácio de Convenções situa-se entre a área de dispersão do sambódromo e o hotel “Holiday Inn”. Abriga os espaços de circulação sob uma grande laje impermeabilizada. Há um grande auditório demarcado por uma cobertura circular em concreto armado, além dois outros auditórios menores. Dispõe ainda de quatro salas de múltiplos usos e configurações. Para a integração dos ambientes, há cinco “halls”, com diferentes tamanhos e possibilidades de layout, infraestrutura sanitária, tecnológica e uma cozinha industrial para atender os 36mil metros quadrados locáveis deste edifício (Figuras 04 a 14). 12 Figura 04 – Planta do Palácio de convenções Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Palacio/EspacoPlanta acesso Outubro 2011 Figura 05 - Tabela espaços para locação Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Palacio/EspacoPlanta acesso Outubro 2011 13 Ao analisar a planta deste edifício podemos destacar a nítida independência dos espaços e a uma grande permeabilidade entre eles, o que nos sugere a realização de eventos diferentes caracteres simultaneamente. O auditório “Celso Furtado”, o principal do Palácio é um espaço imponente e impactante, preparado para receber eventos solenes e apresentações com capacidade para 2500 pessoas além de camarins e banheiros. A flexibilidade deste edifício se dá pela possibilidade de integração de espaços para receber eventos de maior porte. Isso se torna evidente ao se analisar as salas reversíveis, espaços de 1 a 4 na figura 04. As salas podem receber a configuração de auditório (dispondo de estrutura tecnológica que fica embutida no piso e teto), ou ainda, abrigar eventos como coquetéis, por exemplo. Figura 06 – Planta Salas Reversíveis Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Palacio/EspacoPlanta acesso Outubro 2011 14 Os ambientes são conectados através de largos corredores (aproximadamente 5 metros de largura), o que confere a estas circulações o caráter de espaços de permanência, onde podem ser expostos painéis, instalados quiosques de divulgação ou sinalizações indicando os locais de realização dos diversos eventos. O Pavilhão de Exposições está situado de fronte a marginal do rio Tietê, na parte mais larga do terreno do Parque do Anhembi. O edifício do pavilhão de exposições é subdividido em três áreas: norte, sul e oeste, em um único pavimento. Constitui-se em uma grande área multifuncional (76 mil metros quadrados) e tem capacidade para receber até três eventos simultâneos. Na entrada do Pavilhão, há um portal monumental que pode funcionar como sala de recepção para as maiores feiras de negócios do país. Possui 3.540m2 divididos em dois pavimentos além de um grande terraço com vista panorâmica da área interna. O Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi conta também com a Central Anhembi de Órgãos Públicos (CAP), que abriga postos da Central de Engenharia de Tráfego, Delegacia de Atendimento ao Turista, Guarda Civil Metropolitana e Subprefeitura de Santana. Figura 07 – Localização Pavilhão de Exposições Figura 08 – Vista aérea do Pavilhão de Exposições Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Pavilhao/WebHome - acesso Outubro 2011 15 Figura 09 – Planta Pavilhão de Exposições Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Pavilhao/EspacoPlanta - acesso Outubro 2011 Figura 10 – Tabela espaços para locação Fonte: http://www.anhembi.com.br/anhembi/bin/view/Pavilhao/EspacoPlanta - acesso Outubro 2011 16 A separação do edifício em 3 alas (norte, sul e oeste) reafirma o caráter de flexibilidade e multifuncionalidade do edifício. Há conjuntos de banheiros e áreas de alimentação localizados nos limites externos das alas norte e sul. Já a ala oeste utiliza os banheiros e área de alimentação do portal monumental de entrada. Toda a cobertura, que possui aberturas zenitais (para promover ventilação e iluminação natural), é sustentada por treliças metálicas amarradas aos pilares de sustentação. De planta livre, e com grande número de portões de acesso internos, o espaço sob a cobertura possibilita inúmeras configurações para o número mais variado de eventos. Dentre os diferentes seguimentos que realizam eventos no pavilhão pode-se destacar o “Salão Internacional do Automóvel” no qual as principais montadoras, nacionais e estrangeiras, mostram os lançamentos dos novos modelos para o mercado, além de fecharem contratos e acordos com fornecedores e prestadoras de serviço. Figura 11 – Planta Salão Internacional do Automóvel 2011 Fonte: http://www.salaodoautomovel.com.br/RXB/RXB_SalaoDoAutomovel/images/home- 26/PLANTA_WEB_v2.pdf - acesso Novembro 2011 17 Figura 12 – Planta Salão Turismo 2010 Fonte:http://www.salao.turismo.gov.br/export/sites/default/salao/sobre_evento/downloads_sobr e/Planta_localize.jpg - acesso Novembro 2011 De perfil diferente, mas que também ocupa toda extensão do pavilhão de exposições, é o evento realizado anualmente por grande rede de varejo de móveis e eletrodomésticos que consiste em instalar uma super loja sazonal no pavilhão. Nessa “super loja” há stands das marcas vendidas em parceria com as empresas, além de praça de alimentação, shows infantis, e ofertas para o consumidor final. Figura 13 – Super Casas Bahia 2009 Fonte: http://www.flickr.com/photos/supercasasbahia/3145096630/ - acesso Outubro 2011 18 Figura 14 – Super Casas Bahia 2009 http://www.anhembi.com.br/anhembi/pub/Acontece/AconteceAnhembi1259603408/Caio_SPTur is.jpg- acesso Outubro 2011 Além da grande área disponível, o espaço do pavilhão do Anhembi destaca-se pela sua facilidade de acesso, já que está localizado junto a Marginal Tietê, que interliga importantes rodovias. Outro aspecto é o grande dimensionamento dos estacionamentos para automóveis e ônibus. O pé direito do edifício, com mais de 12 metros, e piso interno resistente a tráfego de veículos pesados, possibilitam a entrada de caminhões e guindastes para montagem de estrutura dos eventos a serem realizados. 3.2 - PAVILHÃO DE EXPOSIÇOES DO PARQUE JUVENTUDE O Parque está localizado na zona norte da capital paulista no terreno pertencente ao antigo complexo do Carandiru. Estrutura-se em três grandes espaços, sendo que cada um deles corresponde a uma das três fases de implantação. A última fase do parque foi entregue em 2007. A área esportiva dispõe de quadras poliesportivas, espaços para prática de skate e patins, pistas de “Cooper”, entre outros. A área central tem caráter recreativo-contemplativo, com trilhas, caminhos ajardinados, passarelas, entre outros elementos que remetem à idéia tradicional do "parque". 19 Na área institucional, onde estão localizadas as Etecs (Escolas Técnicas), que oferecem cursos regulares de enfermagem, informática, música, canto, entre outros, encontra-se também o pavilhão de exposições, que atualmente abriga a Biblioteca de São Paulo, de responsabilidade da Secretaria da Cultura. Figura 15 – Fases do Parque da Juventude http://www.purarquitetura.arq.br/imagem/projetos/800/9-10.jpg - acesso Outubro 2011 O Pavilhão de Exposições possui área de 4,2 mil divididos em dois pavimentos, sendo o térreo envidraçado. O andar superior apresenta fechamento com painéis pré-fabricados nas duas laterais do edifício. O revestimento de tom avermelhado, que cobre as empenas das fachadas laterais, se destaca em meio a paisagem. Por possuir duas fachadas assimétricas o volume da edificação é diferente dependendo da visualização de diferentes pontos do parque. 20 Figura 16 – Pavilhão de Exposições do Parque da Juventude Fonte: http://www.purarquitetura.arq.br/projeto.php?id=9 - acesso Novembro 2011 A estrutura interna flexível foi pensada para que o local servisse a várias finalidades. Há uma circulação externa coberta pelas empenas, grandes vãos no centro do edifício, e fechamento com vidro em todo térreo. O segundo pavimento do edifício pode ser acessado principalmente por uma escada central. Nesse pavimento, que possui menor área em relação ao térreo, há um terraço que destaca-se em uma de suas fachadas por se projetar além do corpo principal e por criar um marquise indicando a localização da entrada. Figura 17 – Planta Térreo Pavilhão de Exposições do Parque da Juventude Fonte: http://www.purarquitetura.arq.br/projeto.php?id=9 - acesso em novembro 2011 21 Na cobertura do pavilhão na área de pé direito duplo, estão localizadas as aberturas para promover iluminação interna além de remoção do ar quente de dentro do edifício. Em contraponto aos planos de vidro do térreo, o fechamento do pavimento superior se dá por janelas ritmadas que criam um elemento plástico na fachada. Figura 18 – Corte Pavilhão de Exposições do Parque da Juventude Fonte: http://www.purarquitetura.arq.br/projeto.php?id=9 - acesso em novembro 2011 A partir de 2010, o prédio foi ocupado pela Biblioteca de São Paulo, que concentra mais de 30 mil livros. 22 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO O anel viário da cidade (Avenida Engenheiro Ivanil Francheschini) figura como grande estruturador de fluxos e também catalisador para criação e crescimento dos bairros. O anel viário pode ser entendido como elemento primário urbano, unindo a cidade, mostra diferentes fatos urbanos que foram contemplados em seu trajeto ou sedimentando-se ao longo, sendo o principal exemplo e objeto de projeto, o pavilhão de exposições do município. O terreno do projeto em questão está defronte ao anel viário da cidade (Avenida Engenheiro Ivanil Francheschini) e é delimitada por duas vias locais e uma via coletora que se liga ao anel viário. Figura 19 – Vista aérea de Ibitinga com destaque para área de estudo Adaptado do Google Earth, acesso em 18/05/2011 23 Figura 20 – Recorte mapa viário de Ibitinga Fonte: Prefeitura Municipal de Ibitinga A planta retangular do pavilhão apresenta um vão livre de 40 metros, os acessos se dão através de três portões sendo o principal na fachada, um lateral e um posterior. A cobertura metálica na cor azul pode ser notada em toda extensão da fachada. O pavilhão estrutura-se com uso de pilares e treliças metálicas para a sustentação da cobertura. Junto ao alinhamento dos pilares nos limites da planta retangular tem-se o fechamento em alvenaria de blocos de concreto com acabamento em pintura nas cores branco gelo e concreto claro, este fechamento linear fica bem próximo à cobertura metálica e não possibilita uma ventilação adequada ao ambiente que em dias de eventos fica quente e abafado. Um segundo edifício, este de proporções menores, abriga além de um conjunto de sanitários, uma área coberta para exposições e eventos. Foi implantado de modo que o principal acesso ocorra através do portão lateral do Pavilhão de Exposições, além de possuir um acesso posterior. Principalmente pela cobertura, comum em instalações industriais e que difere nitidamente da cobertura curva do Pavilhão Principal, este edifício figura como um corpo estranho quando visto externamente. Sua construção foi motivada pela tentativa de suprir as necessidades de criação de maior área coberta para exposições além de trazer maior infra-estrutura sanitária ao pavilhão principal. 24 O anexo estrutura-se através e pilares pré-moldados com fechamento em blocos de concretos. Esse edifício não se mostrou suficiente para atender a demanda gerada pela feira do bordado, pois mesmo após sua construção as estruturas provisórias continuaram necessárias. O terreno está localizado em um ponto alto da geografia do município e pode ser facilmente identificado do centro e de vários pontos da cidade. Estruturado em dois platôs principais, onde no mais baixo, estão localizados o pavilhão de exposições e seu anexo. Esse conjunto fica de fronte ao anel viário. Em uma cota mais alta (aproximadamente 1.50m), o terreno desenha-se com outro platô, que consiste em um grande descampado pavimentado com massa asfáltica. No mesmo platô existe mais uma área descampada sem pavimentação que apresenta cobertura vegetal espontânea, em sua maior parte composta de braquiárias e ervas daninha. 25 5. A RESOLUÇÃO DO PROJETO As primeiras idéias para resolução dos problemas propostos procuraram verificar a possibilidade de aproveitamento da estrutura existente a implantação dos edifícios, manutenção das áreas livres ao fundo do terreno, tipologia das edificações. Seu aproveitamento manteria uma lógica com a idéia de sobreposição de tempos e mostraria evolução do tratamento dado a esse equipamento, fortemente vinculado à economia e cultura do lugar. Ainda, a idéia de aproveitamento do edifício estava em consonância com o referencial teórico adotado. Rossi (op. cit.), em seu conceito de “fato urbano”, se contrapõe fortemente a idéia de “tábula rasa” defendida pelo movimento modernista, ou seja, se contrapõe a demolição pura e simples de um artefato urbano e a construção de um novo. No entanto, a falta de qualidade do edifício existente, a inadequada implantação de todo o conjunto, resultou na adoção de uma proposta totalmente nova. Desse modo, a implantação foi modificada e os únicos vestígios do antigo edifício (imensa área do piso impermeabilizado e alguns pórticos da estrutura do galpão existente) foram aproveitados como elementos para o desenho da área livre fronteiriça. Como melhor solução para o fluxo de pessoas, automóveis e carga e descarga de materiais optou-se pela implantação do grande pavilhão, que receberia os estandes das feiras, ao fundo do terreno junto a uma via de serviço projetada para atender ao pavilhão durante os eventos. A sua direita, em posição perpendicular a esse edifício principal, foi implantada uma construção de apóio, de dois pavimentos, com área para reuniões, recepção de autoridades e para a imprensa, além de um auditório com capacidade para 100 pessoas. Nesse edifício de apóio, localiza-se ainda uma bateria de sanitários para uso do público da área livre que ocupa dois terços do terreno. Para a área livre desenvolveu-se um desenho que permitisse atividades de lazer passivo e ativo, propondo-se ainda que pudesse comportar shows ao ar livre na área pavimentada do antigo pavilhão. Nesta área há rasgos na pavimentação com paisagismo que além de promover a permeabilidade do 26 solo, possibilita o sombreamento da área sob a copa das espécies implantadas. Centralizada no terreno há uma pista de skate, equipamento urbano este instalado de modo a atrair público para a área de projeto e consequentemente permear os espaços de área livre e edifícios ao redor. Da antiga proposta permaneceu o conceito estético que propõe linhas mais retas, varandas ao redor dos edifícios, planos transparentes, acabamentos e materiais que remetam a um estilo industrial, tais como: grandes extensões de esquadrias metálicas com vidro temperado incolor ou acidado, utilização de laje nervurada mantendo-se a nervura aparente e aplicação de chapas de aço corten perfurado no edifício anexo para lhe conferir apelo estético e proteção da incidência solar. Em ambos os edifícios há a flexibilidade dos espaços seja pela planta livre ou pela utilização de divisórias removíveis. Amplas circulações favorecem a criação de espaços de convivência através do posicionamento de jogos de mobiliários ou a realização de mostras, exposição de obras de arte e esculturas são bem vindas sob as coberturas dos edifícios com teto jardim ou mesmo ao ar livre. 27 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A intenção foi de criar um edifício que atendesse prontamente o programa do principal evento do município, além oferecer espaços de qualidade para população. Apesar dos empecilhos políticos e econômicos comuns a um projeto que envolve o principal evento de uma cidade, destacam-se algumas qualidades do projeto alcançadas que podem ser aplicadas a outro projetou ou a adequação do existente. A flexibilidade dos espaços é a palavra chave para promover o uso dos edifícios além do período de evento; agregar diferentes programas também se colocou com uma alternativa desde o começo da pesquisa, que culminou na proposta de uma pista de skate em meio a área livre do projeto. Por fim a construção de um conceito estético mais geométrico, com acabamentos em materiais em seu estado bruto e um estilo mais “industrial” apresentou-se pertinente por prover maior resistência ao uso devido ao fluxo de pessoas durante os eventos além de diferir da arquitetura empregada usualmente na cidade, tornando-se mais um elemento de atração para seus espaços. 28 7. BIBLIOGRAFIA MACEDO, Silvio Soares; SAKATA, Francine Gramacho. Parques Urbanos no Brasil. São Paulo, Edusp, 2003. MONTANER, Josep Maria. A modernidade superada: arquitetura, arte e pensamento do século XX. Barcelona, GG, 2001. NESBITT, Kate (org.). Uma nova Agenda para a Arquitetura. São Paulo, CosacNaify, s/d. ROSSI, Aldo. A Arquitetura da Cidade. São Paulo, Martins Fontes, 2001 MCLEOD, Virginia.El detalhe em el paisagismo contemporâneo. Barcelona, Blume, 2008 IBITINGA, Prefeitura Municipal de Ibitinga. Setor de Planejamento Urbano http://pt.wikipedia.org – acesso em Novembro 2011 http://www.purarquitetura.arq.br/projeto.php?id=9 - acesso em novembro 2011 Site Parque do Anhembi http://www.anhembi.com.br/ - acesso em 18/05/2011/Agosto/Outubro 2011 Archtizer http://www.architizer.com/en_us/ - acesso em 18/05/2011 http://images.google.com – acesso Maio/Agosto/Outubro/Novembro de 2011 29 ANEXOS 30 ANEXO 1 : Transcrição e-mail trocado com a Prefeitura do Município de Ibitinga Lucas, Estou enviando a planta do pavilhão B, o pavilhão A não temos. Atenciosamente Arquiteta Silvana ----------------- Original Message ---------------------------- Subject: RE: planta Pavilhão de Exposições From: Lucas Itáo Date: Tue, September 13, 2011 11:40 pm To: arquiteta1@ibitinga.sp.gov.br ---------------------------------------------------------------------- ---- Silvana, Bom Dia, desde já agradeço o arquivo com a Planta do Pavilhão enviada. Quando estive ai na secretaria de Obras em conversa, tive a informação que também dispunham de cortes e fachada de estrutura do pavilhão. Gostaria de saber se podem me fornecer estes arquivos também? Caso necessário posso comparecer até a secretaria de obras com uma mídia (CD, pendrive ou similiar) para efetuar uma cópia dos arquivos.Obrigado novamente.ATT. Lucas Itáo > Date: Mon, 12 Sep 2011 15:33:22 -0300 > Subject: planta Pavilhão de Exposições > From: arquiteta1@ibitinga.sp.gov.br > To: lucasitao@hotmail.com > > segue planta do Pavilhão > Att. > Arquiteta Silvana 31 ANEXO 2 : Arquivo com Planta do Pavilhão de Exposições existente recebido da Prefeitura Municipal de Ibitinga em 12/09/2011 32 ANEXO 3: Arquivo com Planta do Anexo existente recebido da Prefeitura Municipal de Ibitinga em 14/09/2011 33 CAPA FOLHA DE ROSTO DEDICATÓRIA AGRADECIMENTOS RESUMO SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 2. REFERENCIAL TEÓRICO 3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 5. A RESOLUÇÃO DO PROJETO 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 7. BIBLIOGRAFIA ANEXOS