UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CÂMPUS DE BOTUCATU DINÂMICA BIOECONÔMICA DE BOVINOS CONFINADOS - EFICIÊNCIA BIOLÓGICA E A VARIAÇÃO DO CUSTO DE PRODUÇÃO ANA BÁRBARA DOMINGUES SARTOR ARAÚJO BOTUCATU – SP Agosto - 2023 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu como parte das exi- gências para obtenção do título de mestre. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CÂMPUS DE BOTUCATU DINÂMICA BIOECONÔMICA DE BOVINOS CONFINADOS - EFICIÊNCIA BIOLÓGICA E A VARIAÇÃO DO CUSTO DE PRODUÇÃO ANA BÁRBARA DOMINGUES SARTOR ARAÚJO ZOOTECNISTA Orientador: Prof. Dr. Mário de Beni Arrigoni Coorientadores: Thiago Bernardino de Carvalho Cyntia Ludovico Martins BOTUCATU – SP Agosto - 2023 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu como parte das exi- gências para obtenção do título de mestre. Palavras-chave: Análise bioeconômica; Confinamento bovino; Gestão de dados. Araújo, Ana Bárbara Domingues Sartor. Dinâmica bioeconômica de bovinos confinados : eficiência biológica e a variação do custo de produção / Ana Bárbara Domingues Sartor Araújo. - Botucatu, 2023 Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Orientador: Mário de Beni Arrigoni Coorientador: Cyntia Ludovico Martins Coorientador: Thiago Bernardino de Carvalho Capes: 50405004 1. Pesquisa econômica. 2. Confinamento - Animais. 3. Gerenciamento de Dados. DIVISÃO TÉCNICA DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - CÂMPUS DE BOTUCATU - UNESP BIBLIOTECÁRIA RESPONSÁVEL: MARIA CAROLINA A. CRUZ E SANTOS-CRB 8/10188 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉC. AQUIS. TRATAMENTO DA INFORM. BIOGRAFIA DO AUTOR Ana Bárbara Domingues Sartor Araújo, nascida em 10 de agosto de 1994, na cida- de de Botucatu - SP, filha de Domingos Antonio Sartor e Adriana Helena Pavam Domingues Sartor. Ingressou no curso de Zootecnia da Faculdade de Medicina Ve- terinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp – Câmpus Botucatu, em março de 2016, finalizando a graduação em dezembro de 2020. Nesse período, foi bolsista de ini- ciação científica pela FAPESP, desenvolvendo 2 projetos: Parâmetros hepáticos de bovinos confinados, alimentados com grãos de milho úmidos de destilaria; e Perfil Pro- teômico do Tecido Muscular de Bovinos Nelore Terminados em Confinamento com Diferentes Dietas. Participou ainda como Diretora da Empresa Júnior de Nutrição de Ruminantes – NUTRIR, durante 3 anos, atuando como Diretora de Extensão, Direto- ra Jurídico – Financeira, e Diretora Presidente. Iniciou o curso de Mestrado em Zoo- tecnia em 01 de março de 2021 pelo Programa de Pós-Graduação em Zootecnia pe- la Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp – Câmpus Botucatu, desenvolvendo pesquisa com análise de banco de dados de bovinos confinados comercialmente, e avaliações produtivas e financeiras em associação, como bol- sista CAPES. Dedicatória Dedico esta conquista à minha família, em especial ao meus pais Domingos e Adriana, meus maiores incentivadores. Agradecimentos O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001" A Deus, por sempre me guiar, iluminar, e dar forças para superar todas as barreiras. Ao Prof. Dr. Mário de Beni Arrigoni pela orientação, pela amizade, por todos os ensina- mentos, incentivo e disponibilidade de sempre. Aos Profs. Drs. Thiago Bernardino de Carvalho e Cyntia Ludovico Martins, pela coorienta- ção, e por todas as contribuições para que o projeto fosse desenvolvido. Ao confinamento parceiro pela disponibilização dos dados e todo o suporte. Aos meus pais, que sempre incentivaram meus estudos e me deram todas as oportunidades possíveis, e aos meus irmãos pelo apoio incondicional. Ao Wellington, por todo o apoio e incentivo para o caminho na pesquisa científica, e por es- tar sempre ao meu lado, compartilhando cada passo. A Valquíria, que sem saber, me mostrou o caminho profissional a seguir. A FMVZ e a Unesp de Botucatu por concederem a oportunidade de estudar em uma instituição de excelência. Ao Programa de Pós-graduação em Zootecnia e a toda equipe de professores e funcioná- rios. E a todos os amigos que fiz na Unesp… OBRIGADA! Sumário CAPÍTULO 1 ..........................................................................................................................................1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .............................................................................................................2 1. Mercado de bovinos no Brasil ..............................................................................................................2 2. Confinamento .......................................................................................................................................4 3. Parâmetros produtivos ..........................................................................................................................6 3.1 Eficiência Biológica .............................................................................................................7 3.2 Diferenças entre categorias sexuais e padrões raciais ..........................................................8 4. Parâmetros econômicos ........................................................................................................................9 5. Contribuições das Análises de Bancos de Dados .............................................................................. 10 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................12 CAPÍTULO 2 ........................................................................................................................................17 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA ........................................................................................20 OBJETIVOS .........................................................................................................................................22 2. MATERIAL E MÉTODOS .........................................................................................................22 2.1 Origem do Banco de Dados ........................................................................................................ 22 2.2 Categorias Sexuais e Grupos Raciais Avaliados ........................................................................ 23 2.3 Dados Produtivos ........................................................................................................................ 23 2.4 Dados Financeiros ...................................................................................................................... 24 2.5 Oscilações de Mercado ............................................................................................................... 24 2.6 Análises Econômicas ................................................................................................................... 24 2.7 Correlação dos Dados e Análises de Sensibilidade .................................................................... 26 3. RESULTADOS .............................................................................................................................26 3.1 PARÂMETROS PRODUTIVOS ................................................................................................26 3.1.1 Categorias sexuais .................................................................................................................26 3.1.2 Padrões raciais .......................................................................................................................30 3.2 PARÂMETROS ECONÔMICOS .............................................................................................. 34 3.3 MERCADO ................................................................................................................................ 38 3.4 ANÁLISES ECONÔMICAS ..................................................................................................... 42 4. DISCUSSÃO .................................................................................................................................52 5. CONCLUSÃO ..............................................................................................................................60 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................61 CAPÍTULO 3 ........................................................................................................................................66 CAPÍTULO 1 2 Gráfico 1: Participação do confinamento em abates no Brasil Fonte: adaptado de ABIEC (2023) 18,02% 81,98% Confinamento Não Confinamento CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1. Mercado de bovinos no Brasil O Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, considerado o maior rebanho comercial, estimado em 202,47 milhões de animais em 2022, que são predominantemente termi- nados em sistemas de pastejo. Dos 42,31 milhões de animais abatidos em 2022, cerca de 18,2% (gráfico 1) foram terminados em confinamento, ou em sistemas intensivos de terminação à pasto. (ABIEC, 2023). Além disso, segundo os dados divulgados pelo Beef Report de 2023, o país mantém posição de destaque no cenário mundial, sendo o segundo maior produtor de carne bovina do mundo, com 10,79 milhões de toneladas em equivalente carcaça produzidas, e o maior exportador, com cerca de 3,02 milhões de toneladas em equivalente carcaça (TEC) destinadas a outros países, deixando os outros 71,48% disponíveis para consumo interno. No ano de 2022, o Brasil gerou saldo na balança comercial de 12,97 bilhões de dólares somente com a exportação de carne bo- vina, sendo este um segmento de extrema relevância para a economia do país (gráfico 2), com 22,6% de aumento sobre o ano anterior em volume exportado, e 40,8% superiores com relação ao saldo comercial. https://cdnsciencepub.com/doi/10.1139/cjas-2019-0219#core-ref3 3 Gráfico 2: Evolução do faturamento com exportações brasileiras de carne bovina 61,3 6,94 5,1 3,05 2,84 2,53 2,12 2,06 1,9 1,52 10,63 0 10 20 30 40 50 60 70 China Estados Unidos União Europeia Chile Egito Hong Kong Philippines Emirados Árabes Unidos Israel Rússia Outros FAT U R A M E N TO C O M E X P O R TAÇ Õ ES ( % ) Fonte: Athenagro, dados Agrostat, SECEX / Ministério da Economia / Conab, disponível em ABIEC (2023) Fonte: SECEX / Ministério da Economia / ABIEC, disponível em ABIEC (2023) Gráfico 3: Principais destinos da carne bovina brasileira exportada em 2022. 0 ,4 7 0 ,4 6 0 ,6 2 0 ,8 1 0 ,8 1 1 ,0 5 1 ,1 4 1 ,5 9 2 ,5 1 3 ,0 5 3 ,9 1 4 ,4 5 ,2 9 4 ,1 1 4 ,7 8 5 ,3 4 5 ,7 3 6 ,6 5 7 ,0 9 5 ,7 6 5 ,3 4 6 ,0 7 6 ,5 4 7 ,6 3 8 ,4 8 9 ,2 1 2 ,9 6 0 2 4 6 8 10 12 14 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 2 0 1 9 2 0 2 0 2 0 2 1 2 0 2 2 F A T U R A M E N T O ( B I L H Õ E S D E U S $ ) C O M E X P O R T A Ç Õ E S ( C A R N E B O V I N A ) Entre os principais consumidores da carne brasileira, destaca-se a China, responsável por 61,3% do faturamento (gráfico 3) em exportações, mostrando-se como o principal mercado consumidor e exercendo influência importante na formação de preços para o mercado de bovi- nos do Brasil. A perspectiva para os próximos anos é de crescimento contínuo do setor, considerando au- mento do rebanho total, produção e exportação de carne bovina, e redução nas importações a partir dos próximos anos, uma vez que o Brasil vem aumentando sua capacidade de atender as exigências do mercado interno (tabela 1). É esperado ainda um aumento progressivo do número 4 TEC: TONELADA EQUIVALENTE CARCAÇA Fonte: Athenagro, IBGE, SECEX / Ministério da Economia, disponível em ABIEC (2022) Tabela 1: Projeção dos dados referente a carne bovina para os próximos anos de bovinos abatidos, e redução na área de pastagens, sinalizando aumento da produtividade por área e maior uso de estratégias como o confinamento. 2. Confinamento O confinamento ganhou maior notoriedade no Brasil a partir da década de 80 (WEDEKIN et al., 1994) como estratégia para reduzir as taxas de lotação das pastagens na época seca do ano, devido à escassez de forragem (SANTOS, 2018), e tornou-se hoje um sistema que opera de maneira independente, sendo amplamente utilizado ao longo do ano todo por muitos produto- res. Os números mostram potencial de crescimento do setor, que aumenta sua importância no país ano após ano. A terminação em confinamento proporciona lotação mais elevada que os regimes de pastejo, mas a arroba produzida é mais cara (LOPES e MAGALHÃES, 2005). Os custos de produção em sistemas de confinamento vêm pressionando as margens de lucro do produtor (LOBATO et al., 2014; KAMALI et al., 2016). Entretanto, esse sistema intensivo de produção apresenta ou- tras vantagens, como a redução da idade de abate do animal, maior giro do capital, aproveita- mento de áreas de pastagens para outras categorias animais ou sistemas agrícolas (MEDEIROS, 2013), elevada produção de adubo orgânico, além de um produto final mais próximo das exi- gências do consumidor. Outro ponto importante a se considerar é que, quando o ciclo produtivo é reduzido por meio de animais eficientes, é possível diminuir também a emissão de gases considerados prejudiciais ao efeito estufa, gerando menor quantidade desses gases para a formação de um mesmo quilo VARIÁVEL UNIDADE 2001 2006 2011 2016 2021 2026 2031 Rebanho Total 1.000 cabeças 167.534 176.657 181.418 189.418 196.468 201.529 203.232 Produção 1.000 TEC 7.179 8.005 8.932 10.208 9.714 11.751 12.742 Exportações 1.000 TEC 835 2.186 1.492 1.825 2.478 2.658 2.852 Importações 1.000 TEC 42 28 45 64 71 68 66 Consumo Doméstico 1.000 TEC 6.386 5.848 7.485 8.446 7.307 9.162 9.956 Disponibilidade per capita kg carcaça/hab/ano 36 31 38 41 34 42 44 Cons. estim. carne bovina kg carne/hab/ano 29 25 31 33 28 34 35 Abate 1.000 cabeças 30.505 34.115 38.204 42.470 39.143 45.810 47.506 Área Pastagem 1.000 ha 182.932 180.478 177.228 167.113 163.152 155.874 151.582 Taxa de ocupação cabeças/ha 0,92 0,98 1,02 1,13 1,20 1,29 1,34 Taxa de lotação unidade animal/ha 0,75 0,78 0,81 0,90 0,93 1,00 1,03 Peso médio da carcaça kg cabeça abatida 235,33 234,66 233,81 240,35 248,17 256,53 268,22 Desfrute (taxa de abate) porcentagem 18% 19% 21% 22% 20% 23% 23% 5 de carne. A intensidade da emissão de metano proveniente da fermentação ruminal de bovinos de corte depende de vários fatores, como: consumo de alimentos, digestibilidade da dieta, e estratégias que proporcionem aumento na eficiência produtiva e resultem em ciclos de produção mais curtos (BERNDT et al., 2013). Dietas com alimentos de maior qualidade nutricional são capazes de reduzir as emissões de metano por fermentação entérica, como na utilização de cul- tivados e rações com menores teores de carbono. Estratégias como o confinamento são importantes para o combate ao aquecimento global, uma vez que o desmatamento de novas áreas de pastagens representa parte significativa das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do país (MCT, 2010), sendo essenciais para evitar a abertura de novas áreas, perda de qualidade, degradação e posterior abandono das pastagens, com busca de novas terras. Além disso, em sistemas que permitam a coleta e o tratamento dos dejetos produzidos pelos animais, como no confinamento, há potencial adicional para abatimen- to de emissões de gases (PALERMO, 2011). Existe hoje uma tendência dos produtores rurais em profissionalizar o negócio e buscar economia de escala, visando maior rentabilidade. Nesse contexto, a terceirização do serviço de terminação passou a ser uma estratégia de verticalização da produção para que os produto- res possam otimizar o uso das pastagens com outras categorias animais, sem necessitar ainda de realizar negociações diretas de venda para abate, já que os confinamentos conseguem par- cerias mais vantajosas com os frigoríficos por conta do fornecimento de animais mais padro- nizados, e com maior fluxo. Além disso, a abertura ao mercado externo resultou em maior pressão por quantidade e qualidade do produto, fazendo com que a produção brasileira precise buscar um aperfeiçoamento na sua gestão de processo, a fim de fornecerem animais jovens, com bom acabamento de carcaça e mais padronizados (SANTOS et al., 2018). Segundo o ABIEC (2023), foram confinados cerca de 7,62 milhões de bovinos em todo o Brasil no ano de 2022. O censo da DSM de 2022 aponta que 25% do total de bovinos em con- finamento vem de unidades de terceirização da terminação de gado, os chamados boiteis. O nome “boitel” surgiu da ideia de promover um “hotel” para bovinos em sistema de ter- minação em confinamento, no qual animais de terceiros são alocados em uma propriedade prestadora de serviços. Nesse sistema, os proprietários dos animais pagam valores de diárias para os animais confinados, podendo ser diárias fixas, ou diárias variáveis mediante o consu- mo dos animais, no qual há um valor estabelecido para a alimentação e também para a manu- tenção dos animais (Luchiari Filho, 2000), e a propriedade fica responsável por toda a estrutu- ra de gerenciamento, alimentação, e mão-de-obra. https://www.girodoboi.com.br/noticias/boi-no-confinamento-proprio-ou-num-boitel-pecuarista-da-a-dica/ 6 Gráfico 4: Peso médio da carcaça no Brasil, em arrobas 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Peso médio da carcaça no Brasil em @ Machos Fêmeas A DSM aponta ainda que o Mato Grosso é o maior estado confinador do Brasil, com 1,4 milhões de cabeças confinadas até outubro de 2022. Os produtores são seguidos pelos paulis- tas, com 1,2 milhões de bovinos confinados, e pelos goianos, com 1,1 milhão de cabeças. O levantamento mostrou que, neste ano, houve aumento de 5% no volume de animais confina- dos em boiteis com capacidade para 10 mil animais. Esse segmento representou 51% de todo o volume de boiadas confinadas, enquanto os pequenos confinadores (com capacidade para menos de 1 mil) passaram de 9% do total em 2021 para 5% em 2022. A representatividade de confinadores com capacidade para 5 mil animais a 10 mil animais, passou de 16% em 2021 para 14% em 2022. Já aqueles que confinam entre 1 mil animais e 5 mil animais viram sua participação aumentar de 29% no ano passado para 30% em 2022. 3. Parâmetros produtivos O confinamento é usado mundialmente para produzir carne em escala e aumentar a produtividade. No entanto, o desempenho e a eficiência nutricional de bovinos em confinamento são influenciados, entre outros fatores, pelo potencial genético dos animais e manejo nutricional utilizado. A otimização do ponto de abate, tanto por idade quanto por grau de acabamento (teor de gordura) ou por peso da carcaça também tem efeito direto sobre a resposta dos animais e está intimamente relacionada com a lucratividade (MELO et al., 2009). Segundo a ABIEC (2023), como mostra o gráfico 4, o peso médio das carcaças no Brasil tem aumentado significativamente ano após ano. Isso significa que o processo produtivo tem se tornado mais eficiente, uma vez que a idade ao abate tem sido reduzida, mas o peso das carcaças tem aumentado, o que, entre outros fatores, está diretamente influenciado pela produção de animais mais eficientes. Fonte: adaptado de ABIEC, 2023 7 São muitas as métricas utilizadas para mensurar parâmetros produtivos e de eficiência em bovinos. No contexto do confinamento, os indicadores de maior uso são: ganho de peso diário, ganho de carcaça diário, quantidade de arrobas produzidas no período, rendimento de carcaça no abate, e ingestão de matérica seca. Com relação à eficiência, ou seja, ao potencial de aproveitamento do alimento recebido para a formação do produto final, existem quatro indicadores mais comumente avaliados. São eles: consumo alimentar residual, eficiência alimentar, conversão alimentar e eficiência biológica. O CAR (Consumo Alimentar Residual) é uma proposta do trabalho de Koch et al. (1963), e é definido como a diferença entre o consumo de matéria seca observado e o consumo estimado para mantença do peso corporal e para desempenho. Animais mais eficientes apresentam CAR negativo e consomem menos alimentos que o esperado para mantença e produção. Ao contrá- rio, animais menos eficientes têm CAR positivo e um consumo observado maior que o espera- do. A EA (Eficiência Alimentar) é calculada pela razão entre o ganho médio de peso vivo diário (GMD) e o consumo de matéria seca (CMS), ou seja, quanto o animal ganhou para cada quilo de alimento ingerido. Já a CA (Conversão Alimentar), utiliza-se o inverso, sendo, portanto, o CMS dividido pelo GMD, ou seja, quanto o animal comeu para cada quilo de peso vivo ganho. Archer et al. (1999) ressaltam que ambas medidas de eficiência alimentar são altamente corre- lacionadas com ganho de peso vivo, o que significa que essas medidas avaliam a conversão de alimento em peso total do animal, e não somente do produto de interesse, que é a carcaça. Por fim, a eficiência biológica, métrica de grande importância para o presente estudo, que indica a quantidade de matéria seca ingerida para a produção de uma arroba de carcaça, onde valores menores demonstram maior eficiência. 3.1 Eficiência Biológica A eficiência biológica se caracteriza como um dado de desempenho produtivo capaz de ava- liar a principal fonte de custo para a carcaça ser produzida. É obtida pela divisão da quantidade, em matéria seca, da dieta consumida pelo número de arrobas de carcaça produzidas. Quanto melhor for a conversão de alimento consumido em carcaça, para uma mesma dieta, menor será o custo da arroba engordada (CERVIERI, 2006). Dentre os fatores que interferem nessa con- versão, destaca-se o grupo racial, a idade ou fase de crescimento, o tipo de dieta e a utilização de aditivos e a condição corporal do animal. Em geral, animais oriundos de cruzamentos com raças taurinas, animais mais jovens (garrotes, bezerros), dietas com maior teor de alimentos concentrados (maior teor energético ou NDT), uso de ionóforos (aditivos modificadores da 8 fermentação ruminal) e animais magros, com baixa condição corporal (que manifestam cresci- mento compensatório no início da terminação) apresentam melhor conversão alimentar. O estudo da eficiência bioeconômica deve ser incluído nas avaliações de sistemas de confi- namento devido sua importância quanto à determinação da eficiência do ganho de peso dos animais (NICHELE et al., 2015). A Eficiência Biológica é então uma medida que explica um pouco mais sobre a produtividade do confinamento, pois avalia o custo da carcaça produzida, ou seja, do produto que vai ser vendido no final do sistema. 3.2 Diferenças entre categorias sexuais e padrões raciais No contexto da produção de carne bovina, três categorias sexuais são consideradas: machos não castrados, machos castrados, e fêmeas. Segundo Ferreira et al. (1999), as proporções dos tecidos e sua composição química são influenciadas por vários fatores, destacando-se o peso corporal, a idade, o grupo genético, o nível de consumo de energia e o sexo, trazendo particula- ridades no desempenho de cada uma dessas categorias, uma vez que a proporção e a velocidade com que esses tecidos se acumulam no corpo influenciam o ganho de peso, a composição cor- poral e a eficiência alimentar (SHAHIN et al., 1993). Segundo Garret (1980), o grupo genético teria maior influência sobre a composição corporal, a um mesmo peso corporal, do que o nível nutricional, o que indica que diferentes padrões raciais apresentam diferentes respostas produti- vas. Pesquisadores relatam que as raças zebuínas geralmente apresentam menor taxa de crescimento e produzem carcaças mais leves e de qualidade inferior quando se trata de acabamento (CRUZ et al., 2004), além de terem maior variabilidade do que as raças européias (MENEZES et al., 2005b). Nesso contexto, o cruzamento entre as raças zebuínas e taurinas tem vantagens confirmadas sobre animais de raça pura em algumas características de importância econômica, que demonstra os benefícios da heterose, complementaridade e rápida incorporação de material genético desejável (MENEZES et al., 2005a). Isso indica que diferentes padrões raciais levam à respostas diferentes quanto ao desempenho em confinamento, e quando tratadas as categorias sexuais, essas diferenças podem ser ainda mais importantes. O peso ideal de abate varia com o tipo de animal (genótipo), o sexo e a velocidade de ganho e, portanto, o tempo de confinamento apresenta diferenças significativas entre categorias sexu- ais e raças. Além disso, a maioria das métricas produtivas apresentam variações entre machos e fêmeas. Lima et al. (1998) relataram que os estudos indicam melhor conversão alimentar e mai- or ganho de peso vivo, em torno de 20%, para bovinos não-castrados em relação aos castrados, 9 porém, o confinamento desse tipo de animal deve ser feito com animais jovens, de modo que o abate seja aos 24 meses de idade, aproximadamente. O confinamento de fêmeas jovens (novilhas) tem se mostrado uma boa estratégia de merca- do, desde que considerados fatores econômicos como preço de aquisição, e a venda para abate com bonificações. Junqueira et al. (1998) concluíram que a engorda de fêmeas é extremamente válida e não se justifica sua desvalorização econômica pelo mercado brasileiro. Quanto à conversão alimentar, as novilhas, em relação aos machos, necessitam de maior quantidade de matéria seca para ganho de um quilo de peso vivo. A melhor eficiência dos ma- chos já foi relatada há muitos anos por Hedrick et al. (1969) ao confinarem garrotes, novilhos e novilhas. Esses autores constataram que os garrotes foram aproximadamente 5% mais eficientes que as novilhas. No trabalho de Coutinho Filho (2006), na avaliação de carcaça, os machos apresentaram maiores valores para peso, rendimento de carcaça, área de olho de lombo, e porcentagem de dianteiro, enquanto as fêmeas apresentaram resultados superiores em porcentagem de traseiro especial e ponta-de-agulha, o que apresenta uma vantagem importante uma vez que se trata da parte mais valorizada da carcaça. 4. Parâmetros econômicos A análise econômica dos sistemas de produção é essencial para ajudar o produtor a tomar decisões. De acordo com Faturi et al. (2003), a avaliação econômica dos custos de alimentação de bovinos em terminação confinada é fundamental, uma vez que representam mais de 70% do custo total de produção, quando o custo de aquisição de animais não é considerada (PACHECO et al., 2006). É importante ressaltar que nem sempre a melhor resposta biológica é a melhor resposta econômica, e por essa razão os fatores bioeconômicos precisam estar alinhados e analisados em conjunto. Muitas vezes o pecuarista executa um bom trabalho, consegue bons preços na aquisição e na venda, produz de maneira eficiente, mas não sabe qual deveria ser o custo de sua arroba produ- zida para uma margem que compense seus esforços. Para calcular o custo da arroba produzida, a despesa (sem reposição, somente de custos da operação e alimentação) é dividida pela quanti- dade de arrobas produzidas no período (CAVALCANTI, 2015). Nesse contexto, a ciência contábil deve então estar constantemente alinhada aos dados pro- dutivos, uma vez que, apenas com todas as informações do sistema, é possível encontrar o pon- to ótimo de rentabilidade (CONAB, 2010). É necessária a busca constante por melhorias produ- 10 tivas dos animais, conquistadas por meio de genética, alimentação, bem-estar e manejo correto (LOPES e MAGALHÃES, 2005), bem como aumento das margens de lucro da atividade, que devem ser analisadas a partir de dados financeiros e avaliação de oportunidades comerciais (TANG et al., 2017; SARTORELLO et al., 2018). Além disso, deve-se avaliar o custo de opor- tunidade, que se refere ao valor que um determinado fator poderia receber em algum uso alter- nativo. Sartorello et al. (2018) trabalharam com um modelo de cálculo gerando um índice de custos de produção de bovinos confinados sob a ótica do confinador, ou seja, considerando custos fi- xos, custos semifixos, custos variáveis e fator de renda da operação. Assim também, outros pro- jetos de avaliação econômica já foram desenvolvidos, como o do CEPEA (Centro de estudos em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que elaboraram um índice de custos para a pecuária de corte extensiva (CEPEA e CNA, 2017), a Embrapa Gado de Leite, que gerou o índice de custos de produção do leite (CARNEI- RO et al., 2010), entre outros. 5. Contribuições das Análises de Bancos de Dados A análise de dados é, basicamente, o ato de transformar dados em informação. O acúmulo de dados sem o tratamento adequado e sem a possibilidade de gerar análises, é somente um compi- lado de números. Assim, a relevância da análise de dados se encontra justamente em interpretar as informações e conseguir elaborar estratégias a partir delas. Entender e estruturar uma boa análise de dados garante melhor tomada de decisão. Dessa forma, a capacidade de prever, mesmo que parcialmente, o comportamento do consumidor, ou de determinado mercado, pode se tornar uma importante ferramenta de trabalho, visto que é possível, muitas vezes, vislumbrar comportamento futuro usando como base padrões do passa- do. Sendo assim, os principais pontos de interesse são: correlação de dados, fácil visualização de informação, aplicação na área financeira, predição do comportamento do mercado, e possibi- lidade de “insights” acerca de algum sistema, o que, trabalhado em conjunto com a prática, torna-se um processo de gestão. Considerando-se a complexidade dos sistemas pecuários, esse processo de gestão torna-se imprescindível. Além do conhecimento técnico é essencial que o produtor disponha de infor- mações biológicas e financeiras que permitam gerir sua atividade. Tais informações devem ser obtidas a partir de uma coleta de dados oriundos do processo produtivo. Para isso é preciso con- trole zootécnico, profissionais qualificados e ferramentas que favoreçam a gestão, tais como o uso de planilhas eletrônicas para armazenamento e processamento de dados (ZANETTI, 2003). 11 A literatura apresenta diversos trabalhos com análise de banco de dados, ou em formato de meta-análise, utilizando dados de estudos em conjunto para gerar informações. Na área de ru- minantes, um dos primeiros estudos meta-analíticos foi desenvolvido por Velho (2009) sobre o ácido linoleico conjugado em bovinos de leite, composto por dados de trabalhos realizados no país em conjunto com estudos internacionais. Pedreira (2001) desenvolveu um trabalho com dados de forragicultura, e considera fundamental o uso de modelos matemáticos para auxiliar na tomada de decisão dos produtores, acreditando que a pesquisa possa produzir conhecimento e tecnologia, visando à intensificação e tecnificação do setor primário na busca do aumento da eficiência dos processos produtivos aliados à qualidade dos produtos. Na área de melhoramento animal de bovinos de corte Giannotti et al. (2002) trabalharam com a sistematização de dados da literatura juntamente com banco de dados sobre crescimento e desempenho de bezerros. Al- guns trabalhos internacionais foram desenvolvidos na bovinocultura de leite, tais como o de Martin (2002) sobre a dinâmica de lactação em vacas: relação entre dieta, consumo de matéria seca, produção de leite e proteína, Lean et al. (2006) que avaliaram dados de 137 estudos publi- cados envolvendo 2.545 partos para identificar fatores de risco de hipocalcemia clínica em va- cas leiteiras, e St-Pierre et al. (2007) com a criação de um modelo para determinar o horário ideal para amostragem de dieta. Diante disso, a possibilidade de simular cenários a partir de dados que levem em considera- ção os fatores mutáveis dentro de um sistema de produção contribui para o processo de tomada de decisão. Modelos de simulação são uma simplificação da realidade (BRAGA et al., 1997). O grande ganho com o uso de modelos é a forma rápida com que se pode eleger sistemas de pro- dução viáveis bioeconomicamente, tanto em nível de propriedade quanto em pesquisa. O de- senvolvimento da modelagem dá-se por duas condições básicas: geração e acúmulo de informa- ções científicas e pelo desenvolvimento da informática (LOVATTO, 2003). Nesse contexto, a presente pesquisa resultará no capítulo 2, intitulado “Dinâmica Bioe- conômica de Bovinos Confinados – Eficiência Biológica e a Variação do Custo de Pro- dução”. 12 REFERÊNCIAS ABIEC: Beef Report 2022. [S. l.], 1 jun. 2022. Disponível em: https://www.abiec.com.br/publicacoes/beef-report-2022/. Acesso em: 20 dez. 2022. ABIEC: Beef Report 2023. [S. l.], 1 ago. 2023. Disponível em: https://www.abiec.com.br/publicacoes/beef-report-2023/. Acesso em: 13 ago. 2023. ARCHER, J.A.; RICHARDSON, E.C.; HERD, R.M.; ARTHUR, P.F. Potential for selection to improve efficiency of feed use in beef cattle: a review. Australian Journal of Agricultural Research, Sidney, v. 50, p. 147-161, 1999. BERNDT, A.; ROMERO SOLÓRZANO, L. A.; SAKAMOTO, L. S. Pecuária de corte frente à emissão de gases de efeito estufa e estratégias diretas e indiretas para mitigar a emissão de metano. In: Simpósio de Nutrição de Ruminantes, 6, UNESP Botucatu, 2013. 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Entretanto, os custos para a implantação de um confinamento são altos e muitas vezes dificultam sua viabilidade. Buscando alternativas, o Brasil trabalha hoje com diversos prestado- res de serviços que confinam animais de terceiros cobrando valores referentes à operação e à alimentação, sendo esta uma ferramenta a mais para o produtor, desde que seja possível analisar sua viabilidade de forma ampla, trabalhando com dados produtivos e econômicos em conjunto, somados às tendências de mercado. Visando trazer um levantamento de informações abrangente e acessível, o objetivo do estudo buscou correlacionar dados bioeconômicos em sistema de ter- minação confinada de bovinos, relacionados com as oscilações do mercado no período de abril / 2018 a abril / 2022. Os animais estão subdivididos em três categorias sexuais: macho não castra- do, macho castrado e novilhas, e em cinco grupos raciais, sendo eles: nelore, anelorado, cruza- mento industrial, europeu e cruzado. Foram avaliados dados produtivos e financeiros, ressaltando valores de comercialização dos animais em cada período unido à possibilidade de travas no mercado futuro. Avaliações econômicas foram feitas por meio do cálculo do Valor Presente Líquido, do Retorno sobre Investimento e, posteriormente, análises de sensibilidade. O valor de venda dos animais é o fator que mais impacta na lucratividade, seguido pelo valor de reposição e pela eficiência biológica, sendo este último um fator passível de mudança pelo produtor. A pes- quisa resultou em um levantamento de dados expressivo, explorando diversas possibilidades para o confinamento de bovinos de corte por meio de análises de estratégias. Palavras-chave: análise bioconômica, confinamento bovino, gestão de dados 19 Bioeconomic Dynamics of Confined Cattle - Biological Efficiency and Production Cost Variation ABSTRACT Occupying a prominent position in the production and export of cattle, Brazil has been seeking to improve and optimize the system so that the activity can grow even more in the coming years. In this context, the use of feedlot as a strategy for finishing beef cattle has in- creased its representation in the country's slaughtering numbers being a way to reduce the use of pasture areas for this phase, especially in the dry seasons of the year. In addition confined animals have significant advantages such as reduced age at slaughter, and greater capital tur- nover. However, the costs of implementing a feedlot are high and often make its viability dif- ficult. Looking for alternatives, Brazil currently works with several service providers that con- fine outsourced animals, charging amounts referring to operation and food wich is an additio- nal tool for the producer, as long as it is possible to analyze its viability in a broad way, wor- king with productive and economic data in association added to market trends. Aiming to bring a comprehensive and accessible survey of information, the objective of the study sought to correlate bioeconomic data in a cattle feedlot system related to market fluctuations in the period from April / 2018 to Abril 2022. The animals were subdivided into three sexual cate- gories: uncastrated male, castrated male and females, and into five racial groups, namely: ne- lore, anelorado, industrial crossbreeding, european and crossbred. Productive and financial datawere evaluated, highlighting the commercialization values of the animals in each period with the possibility of locks in the future market. Economic evaluations were made using the Net Present Value, Return on Investment and subsequently sensibility analyzes. The sale va- lue of animals is the factor that most impacts profitability followed by replacement value and biological efficiency, the latter being the factor subject to change by the producer. The rese- arch resulted in an expressive survey of data exploring several possibilities for the confine- ment of beef cattle through analysis of strategies. Keywords: bioeconomic analysis, beef cattle feedlot, data management 20 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, sendo o maior exportador e se- gundo maior produtor de carne bovina (USDA, 2022). Para otimizar a produção de bovinos de corte, é crescente o uso de confinamentos como estratégia para a terminação dos animais, encur- tando o ciclo produtivo e fazendo uso de menor área por animal (OLIVEIRA, 2017), contribuin- do para maior produção de carne bovina em menor espaço, o que corrobora com o ideal de pro- duzir mais, sem necessidade de abertura de novas áreas para a pecuária. Os números relacionados ao sistema de confinamento vem aumentando sua representativida- de. O Brasil abate cerca de 42 milhões de animais por ano, com a participação dos animais confi- nados próxima à 18% do efetivo realizado no país. Porém, a implantação de um confinamento necessita de amplo planejamento a respeito de custos fixos e variáveis, desde o projeto de insta- lação de baias, cochos de alimentação, sistema de escoamento de dejetos, fábrica de produção de ração, local para o armazenamento de insumos, vagões misturadores e distribuidores, maquiná- rios em geral, entre outros (CUNHA et al., 2014). Para muitos produtores essa alternativa pode mostrar-se inviável uma vez que o desfrute leva muitos anos até que sobreponha os custos e se torne rentável. É por essa razão que o sistema possui uma opção de terceirização do serviço. Diversos confinamentos brasileiros trabalham com o chamado “boitel”, que funciona como uma prestação de serviços de uma empresa que possui toda a estrutura e mão de obra para a terminação de animais confinados, além de fornecer toda a alimentação e planejamento para os animais (BRAGAGNOLO, 2020). Dessa forma, o produtor pode participar de contratos nos quais fornece os animais, pagando um custo fixo diário para alocá-los mais o custo de alimentação (SANTOS, 2018). A avaliação do sistema de “boitel” requer uma gestão precisa do produtor, que deve escolher o melhor momento de confinar seus animais. Para isso, deve ter conhecimento sobre as caracterís- ticas produtivas da categoria animal, em especial a eficiência alimentar, ou seja, a eficiência de transformar o alimento em proteína muscular (MANGILLI et al., 2015), além de conhecer e avaliar a viabilidade dos custos diários e a variação do mercado de compra e venda de animais. É mensurando a relação benefício-custo do sistema como um todo que o produtor poderá tomar as melhores decisões para uma atividade rentável (GITMAN, 2010). Os conceitos de produção pecuária sofreram alterações ao longo dos anos. As estratégias são dinâmicas e sofrem variações de acordo com as exigências do mercado (ALENCAR e POTT, 2003). A terminação em confinamento permite, por exemplo, dar bom acabamento de carcaça para animais não castrados (SANTOS, 2014; CULLMANN et al., 2017). Por outro lado, alguns 21 grupos genéticos são melhor remunerados pela indústria frigorífica quando castrados, como os animais oriundos de cruzamento industrial em programas específicos (TURINI, 2015). Uma atividade que vêm crescendo é a engorda de fêmeas, especialmente jovens. Novilhas confinadas produzem carne de excelente qualidade (BARROSO et al., 2018), destinadas a linhas premium de cortes cárneos, e atingem o peso ideal em um ciclo produtivo geral bastante reduzi- do, além de serem menos onerosas no momento da compra, ou seja, necessitarem de menor capital investido. Ademais, tornou-se uma boa estratégia para fêmeas que não entram em plantéis reprodutivos e necessitam de um destino rentável (SANTOS et al., 2008). Trabalhar com diferentes categorias sexuais e diferentes grupos raciais permite ao produtor avaliar as melhores oportunidades do mercado, desde que tenha conhecimento sobre as caracte- rísticas do sistema como um todo. Uma vez amplamente analisado o sistema produtivo, utilizam- se então sistemas de análise de resultados com capacidade de abranger as inter-relações do bioló- gico com o econômico. Assim, as simulações e modelagens tornam-se úteis em centros de pes- quisa, universidades e no assessoramento técnico em sistemas de produção, trazendo ferramentas para o desenvolvimento pecuário (OAIGEN et al., 2009). De acordo com Barcellos et al. (2004), o uso do conhecimento só terá impacto sobre a eficiência e a produtividade na pecuária se estiver em um contexto amplo, em uma gestão integrada com todos os recursos disponíveis. Para permi- tir esta gestão integrada, é necessário um método padrão de avaliação, associado a simulações bioeconômicas, gerando informações e análises uniformes. Ainda assim, não há na literatura estudos que avaliem a viabilidade do sistema de confinamen- to para o produtor que terceiriza o serviço, ou seja, entrega seus animais para serem confiados por uma empresa parceira. Nessa modalidade, os custos da operação são transformados em um valor de diária por animal, e os custos de alimentação seguem um valor em quilos de matéria seca previamente estabelecido. O pecuarista não é detentor da estrutura, nem do maquinário, ou de qualquer gerenciamento da mesma, usufruindo somente de um serviço de terminação para os animais, previamente combinado. Nesse contexto, é de extrema importância que sejam feitos cálculos de viabilidade para que sejam avaliadas as melhores estratégias, com ferramentas práti- cas que o auxiliem na tomada de decisão e gerenciamento do risco. Pesquisas dessa natureza permitem identificar o ponto de estrangulamento do sistema, que servem como base para a gestão precisa do negócio, levando o produtor ao sucesso na atividade a partir da maximização do lucro. Para isso, é necessário planejamento, controle, aliados à gestão bioeconômica do sistema. 22 OBJETIVOS Correlacionar dados produtivos e financeiros do sistema de terminação em confinamento para bovinos, buscando associar a eficiência animal, por categoria, com a oscilação do mercado ao longo do tempo e os custos financeiros da operação, a fim de alcançar estratégias que auxiliem o produtor na tomada de decisão. Objetivos Específicos I. Levantar dados produtivos de animais confinados comercialmente, com ênfase para a efici- ência biológica de machos castrados, não castratos, e fêmeas, subdivididos em cinco grupos raciais; II. Compilar custos de manutenção e de alimentação de cada lote de animais, calculando o custo final da arroba produzida, refletindo a oscilação do preço de insumos; III. Analisar o comportamento do mercado de compra e venda de bovinos ao longo dos últimos anos, e o reflexo causado na rentabilidade do sistema de confinamento por meio de análises econômicas; IV. Correlacionar os dados produtivos e econômicos, a fim de oferecer uma ferramenta de toma- da de decisão para o produtor. 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Origem do Banco de Dados O estudo foi realizado com o banco de dados de uma propriedade localizada no município de Sabino, SP, situada aproximadamente à latitude 21º27'35" sul e a uma longitude 49º34'42" oeste, e altitude de 412 metros, com os dados do período entre abril/2018 a abril/2022, totalizando aproximadamente 150.000 animais avaliados. Operando como prestadora de serviços (boitel), a propriedade estudada foi escolhida em razão de sua tecnologia adotada, bem como a presença de controle zootécnico e gerencial, de modo a aproximar da realidade de bovinos confinados no Brasil, sendo de grande relevância na região. Além disso, ao trabalhar com lotação estática para aproximadamente 20.000 animais e manter o confinamento em execução ao longo do ano todo, foi capaz de gerar dados de aproximadamente 150.000 animais para o estudo, subdivididos em lotes de 90 a 140 animais fornecendo represen- tatividade amostral para uma análise exploratória descritiva. 23 2.2 Categorias Sexuais e Grupos Raciais Avaliados Os animais foram avaliados em lotes, que são estabelecidos no início do período de confina- mento e mantidos até o momento do abate. Animais de enfermaria, vacas e touros tiveram seus dados descartados. As categorias sexuais foram definidas em três grupos, sendo: machos não castrados (aproximadamente 90.000 animais), machos castrados (aproximadamente 10.000 ani- mais) e fêmeas (aproximadamente 50.000 animais). Os grupos racias dentro de cada categoria se dão por: nelore, anelorado, cruzamento industri- al, europeu e cruzado. No processamento de entrada no confinamento é estabelecido um padrão racial para os animais. São eles: Nelore: animais com padrão racial mais apurado para raça nelo- re; Anelorado: animais com padrão racial nelore, na proporção sanguínea ¾ nelore, característi- cas predominantemente zebuínas, porém com introdução de raça complementar; Cruzado: ani- mais de padrões genéticos distintos, com características predominantemente taurinas, sem defini- ção de raça específica ou cruzamento de interesse pela indústria; Cruzamento Industrial: animais de cruzamento conhecido, com padrão racial mais bem definido, como 1/2 sangue angus x nelore, brangus, braford, entre outros e Europeu: animais de padrão genético europeu, com característi- cas predominantemente taurinas, com raça bem definida como o charolês. 2.3 Dados Produtivos Foram coletados dados produtivos de todos os lotes do período, sendo: dias de confinamento, peso de entrada (kg), peso de saída (kg), peso saída (@), rendimento de carcaça de saída (%), arrobas (@) produzidas por animal, ingestão de matéria seca (kg e % do peso vivo), ganho de peso diário, ganho de carcaça diário, conversão alimentar (kg), e eficiência biológica. Todos os dados foram avaliados, para cada lote, com destaque para a eficiência biológica, da- da pela razão entre a quantidade (kg) de matéria seca consumidas no período de confinamento, pelo ganho de peso em arrobas (@) de carcaça. Esse dado reflete a conversão real do animal para transformar o alimento consumido em carne (produto final desejado no sistema). Por se tratar de uma operação de confinamento comercial e avaliação de condições reais, to- dos os animais estão constantemente submetidos à mesma dieta, que pode sofrer alterações ao longo do tempo em detrimento do custo benefício dos insumos. Para fins do presente estudo, a dieta não é considerada sobre os dados produtivos, uma vez que segue o mesmo padrão para as diferentes categorias sexuais e grupos raciais avaliados. 24 2.4 Dados Financeiros Os dados financeiros foram coletados por meio das três fontes de custo as quais o produtor tem acesso para a tomada de decisão. São elas: custo da matéria seca, que se dá pelo custo (R$) por quilo de matéria seca da ração que os animais recebem, custo operacional, que se refere ao custo para manter o animal no sistema de “boitel”, e custo de rastreabilidade e sanidade. Com esses valores aliados aos dados produtivos, é possível gerar um custo por arroba (@) produzida. Outras fontes de custo como estrutura, maquinário, depreciações, tributos e mão-de-obra não são considerados individulamente, uma vez que se trata de um serviço tercerizado com valores fixos pré-estabelecidos na entrada de cada lote. 2.5 Oscilações de Mercado Foi utilizada a base do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA – Esalq / USP) para avaliação da oscilação do preço de compra e venda de animais ao longo do período estudando, visto que a comercialização é um dos pontos de estrangulamento do sistema, podendo viabilizar ou não a atividade. Será considerada também a possibilidade de negociações em mer- cado futuro (B3) para cada lote na entrada do confinamento, que possibilita “travas” prévias no preço de venda da arroba, com o objetivo de gerenciar o risco e trazer uma opção de investimento e proteção. Quando não há operações de trava no dia da entrada, é considerado o próximo dia útil. 2.6 Análises Econômicas Para cada lote e categoria foram avaliados o Valor Presente Líquido (VPL) e o Retorno sobre Investimento (ROI), visando apresentar respostas ao investimento em cada situação, verificando alterações nos indicadores da análise de investimento (VPL e ROI) quando se alteram as circuns- tâncias. O Valor Presente Líquido (VPL) de um investimento pode ser definido como a soma algébrica dos valores descontados do fluxo de caixa a ele associado. Em outras palavras, é a diferença do valor presente das receitas menos o valor presente dos custos. Assim: 25 em que: Rj = valor atual das receitas; Cj = valor atual dos custos; i = taxa de juros; j = período em que as receitas ou os custos ocorrem; n = número de períodos ou duração do projeto No presente estudo, foram considerados para o cálculo do VPL: receita gerada com o abate do lote (em valores de CEPEA no dia do abate), custo total do lote (considerando valor de reposição mais custo de produção no confinamento, incluindo custo com alimentação, sanidade, e custo fixo), custo do capital como valor padrão de 1% ao mês, e tempo, em meses, de permanência no confinamento para cada lote. É considerado atraente todo investimento que apresentar um VPL maior ou igual a zero. Pro- jetos com VPL negativo indicam um retorno inferior à taxa mínima requerida, não sendo finan- ceiramente viáveis. Por meio desse dado é possível identificar se, nas consições de cada lote, o investimento seria atrativo ou não. O Retorno sobre Investimento (ROI do inglês - Return On Investment) será calculado segundo a expressão: ROI = (VPL/ Custo total) x 100 O preço de aquisição não é um dado fornecido pelos donos dos animais. Para o estudo, foram utilizados valores padrões vigentes em cada período como reposição, para o cálculo do VPL, ou seja, o quanto o produtor despenderia para a compra de novos animais após o abate de um lote confinado. Nesse caso, considerou-se: - Novilhas: peso vivo da reposição de 300 quilos (10 arrobas) 3 simulações de valor de reposição: CEPEA CEPEA – 10% DE DESÁGIL CEPEA – 20% DE DESÁGIL - Machos castrados: peso vivo da reposição de 360 quilos (12 arrobas) 3 simulações de valor de reposição: CEPEA + 20% DE ÁGIL CEPEA + 10% DE ÁGIL SOMENTE CEPEA 26 - Machos não castrados: peso vivo da reposição de 360 quilos (12 arrobas) 3 simulações de valor de reposição: CEPEA + 20% DE ÁGIL CEPEA + 10% DE ÁGIL SOMENTE CEPEA 2.7 Correlação dos Dados e Análises de Sensibilidade A totalidade dos dados, produtivos e financeiros, foi tabulada em planilhas Excel®. As variá- veis produtivas, especialmente a eficiência biológica, e as variáveis de comercialização (compra e venda de animais), foram correlacionadas com a lucratividade através de análises de sensibili- dade, para cada categoria animal, buscando avaliar qual é a variável de maior impacto em cada situação. A análise de sensibilidade do tipo Ceteris Paribus considera a oscilação de somente uma vari- ável, com as demais constantes, avaliando a influência que cada uma exerce em determinada métrica. No presente estudo foram utilizadas as variáveis: eficiência biológica, valor da reposição e valor de venda, avaliando a interação de cada uma delas com o Valor Presente Líquido. Para os cálculos de reposição foi considerado valores padrão de peso para as categorias e seus respecti- vos mercados, sendo 10 arrobas para novilhas com 10% de deságil sobre o valor da arroba vigen- te e 12 arrobas para machos castrados e não castrados, com 10% de ágil sobre o valor da arroba. 3. RESULTADOS 3.1 PARÂMETROS PRODUTIVOS 3.1.1 Categorias sexuais Abaixo constam os gráficos gerados pelos principais parâmetros produtivos, considerando a média de todos os animais avaliados, no compilado de cinco grupos raciais, divididos entre as categorias sexuais: novilhas, machos castrados, e machos não castrados. 27 Gráfico 3: Média de rendimento de carcaça (%) de três categorias sexuais. Gráfico 1: Média de peso de entrada e peso de saída (kg) de três categorias sexuais. 10,89 12,89 12,66 17,23 21,34 21,10 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS P E S O D E E N T R A DA E P E S O D E S A Í DA ( @ ) PESO MÉDIO ENTRADA PESO MÉDIO SAÍDA Gráfico 2: Média de peso de entrada e peso de saída (@) de três categorias sexuais. *Valores de peso de entrada considerando rendimento de carcaça inicial de 50% e valores de peso de saída considerando rendimento de carcaça médio observado por categoria. 53,21% 54,44% 55,71% 49,00% 50,00% 51,00% 52,00% 53,00% 54,00% 55,00% 56,00% 57,00% 58,00% NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS R E N D I M E N TO D E C A R C A Ç A % 326,57 386,77 379,86 485,6 587,99 568,07 0 100 200 300 400 500 600 700 NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS P E S O D E E N T R A DA E P E S O D E S A Í DA ( KG ) PESO MÉDIO ENTRADA PESO MÉDIO SAÍDA 28 Gráfico 4: Média de ingestão de matéria seca (IMS) em % do peso vivo de três categorias sexuais. Gráfico 6: Média de relação de ganho (% de ganho de peso em carcaça diário sobre o ganho de peso vivo diário) de três categorias sexuais. Gráfico 5: Média de ganho de peso diário (GPD) e ganho de carcaça diário (GCD), em Kg, de três categorias sexuais. 2,48% 2,35% 2,36% 2,00% 2,10% 2,20% 2,30% 2,40% 2,50% 2,60% 2,70% NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS I M S ( % D E P V ) 1,312 1,376 1,584 0,782 0,862 1,075 0 0,5 1 1,5 2 NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS G P D E G C D ( KG ) GPD GCD 59,60% 62,65% 67,87% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS R E L A Ç Ã O D E G A N H O ( C O M P O N E N T E C A R C A Ç A ) 29 Gráfico 8: Média de diárias (período de confinamento) de três categorias sexuais. Gráfico 7: Média de eficiência biológica (kg de matéria seca consumidos para o ganho de uma @ de carcaça) de três categorias sexuais. 144 156 130 0 50 100 150 200 250 300 NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS D I Á R I A S D E C O N F I N A M E N TO 219,64 199,24 159,94 0 50 100 150 200 250 300 NOVILHAS MACHOS CASTRADOS MACHOS NÃO CASTRADOS E B ( KG M S C O N S U M I D O S / @ C A R C A Ç A G A N H A S ) O gráfico 1 mostra os diferentes pesos de entrada e saída do confinamento para as categorias sexuais, em quilogramas, e o gráfico 2 mostra os mesmos resultados, porém considerando valo- res em arrobas. Apesar de os machos castrados serem abatidos com peso superior ao peso dos machos não castrados (587,99 ± 75,77 e 568,07 ± 49,46 respectivamente), o valor contabilizado em arrobas fica semelhante (21,34 ± 2,88 e 21,09 ± 2,04), uma vez que os machos não castrados apresentam melhor rendimento de carcaça (55,71 ± 1,23) (gráfico 3). Com relação à ingestão de matéria seca, é notável que as fêmeas (novilhas) apresentam con- sumo (2,48% do PV) bastante superior (gráfico 4), o que corrobora com o fato de terem um custo de arroba produzida mais elevado, uma vez que estas consomem maior quantidade de alimento para produzir uma mesma arroba de carcaça. Os dados de ganho de peso vivo diário e ganho de carcaça diário (gráfico 5) apresentam dife- renças significativas entre as categorias sexuais, mostrando que machos não castrados são mais 30 eficientes quando se diz respeito ao ganho (1,584 ± 0,197 para GPD e 1,075 ± 0,142 para GCD), uma vez que, pela característica de deposição de tecidos, são os maiores acumuladores de tecido muscular, o maior contribuinte para o ganho de peso. Isso está de acordo com o gráfico 6 que apresenta a relação de componente carcaça, ou seja, qual a porcentagem de ganho em carcaça sobre o ganho de peso vivo. Machos não castrados apresentam maiores porcentagens na relação de ganho (67,87 ± 5,13), uma vez que são favorecidos na deposição de tecido muscular. O gráfico 7 apresenta os valores de eficiência biológica para as categorias sexuais, represen- tando a quantidade, em quilogramas, de consumo de matéria seca necessários para o ganho de uma arroba de carcaça. É expressiva a diferença entre as categorias, indicando como os machos não castrados são mais eficientes em transformar o alimento no produto final de interesse (159,94 ± 19,16), seguido pelos machos castrados (199,24 ± 27,82) e pelas novilhas (219,64 ± 40,35). Por fim, o número médio de diárias de confinamento está representado pelo gráfico 8. É pos- sível inferir que machos não castrados ficam, em geral, menos tempo confinados (130 ± 18,28), uma vez que apresentam melhores taxas de ganho e atingem o peso necessário para abate mais rapidamente. É importante considerar que há um atraso na deposição de gordura dos animais, mas não o suficiente para que necessitem de tempo superior de confinamento. Os machos castra- dos entraram com peso semelhante aos machos não castrados (386,77 ± 65,10 e 379,86 ± 48,84), saíram mais pesados (587,99 ± 75,77 e 568,07 ± 49,46), porém tiveram menores ganhos diários (1,376 ± 0,199) e de carcaça (0,862 ± 0,128), e ficaram mais tempo confinados (156 ± 25,74), o que caracteriza maior quantidade de tempo para que atinjam o peso ideal de abate, assim como as novilhas. 3.1.2 Padrões raciais Em se tratando de diferenças entre os grupos raciais, é possível avaliar diferenças importantes entre os parâmentros produtivos avaliados. As tabelas a seguir apresentam os resultados, dentro de cada categoria sexual, para os grupos raciais avaliados. *A categoria racial “cruzado” não aparece para os dados de novilhas uma vez que não apresentou “n” significativo para as análises. *A categoria racial “anelorado” não aparece para os dados de machos castrados uma vez que não apresentou “n” significativo para as análises. *A categoria racial “europeu” não aparece para os dados de machos não castrados uma vez que não apresentou “n” significativo para as análises. 31 NOVILHAS PADRÃO RACIAL P. ENTRADA (@) P. SAÍDA (@) RC (%) GPD (Kg) GCD (Kg) REL. GANHO (%) IMS PV (%) EB (Kg MS/@) DIÁRIAS (dias) 1NELORE 10,52 ± 1,15 16,67 ± 1,18 53,29 ± 0,98 1,326 ± 0,166 0,792 ± 0,090 59,98 ± 3,73 2,50 ± 0,16 181,73 ± 35,21 126 ± 27,45 2ANELORADO 11,03 ± 0,95 17,06 ± 1,10 52,49 ± 1,68 1,247 ± 0,238 0,700 ± 0,125 56,72 ± 4,90 2,53 ± 0,12 224,14 ± 26,26 156 ± 28,72 3CRUZ. INDUS. 11,79 ± 2,41 18,92 ± 2,42 53,02 ± 1,04 1,358 ± 0,216 0,819 ± 0,133 59,93 ± 8,00 2,46 ± 0,22 199,67 ± 36,05 144 ± 27,49 4EUROPEU 11,57 ± 1,81 17,84 ± 1,12 53,30 ± 1,07 1,076 ± 0,129 0,627 ± 0,067 59,95 ± 2,93 2,40 ± 0,14 235,75 ± 35,67 161 ± 27,40 GERAL 10,88 ± 1,63 17,22 ± 1,83 53,21 ± 1,04 1,312 ± 0,189 0,782 ± 0,110 59,60 ± 7,28 2,48 ± 0,00 219,64 ± 40,35 144 ± 27,72 MACHOS CASTRADOS PADRÃO RACIAL P. ENTRADA (@) P. SAÍDA (@) RC (%) GPD (Kg) GCD (Kg) REL. GANHO (%) IMS PV (%) EB (Kg MS/@) DIÁRIAS (dias) 1NELORE 13,63 ± 1,54 21,01 ± 1,90 54,53 ± 1,00 1,525 ± 0,092 0,983 ± 0,088 65,48 ± 3,58 2,30 ± 0,18 174,49 ± 21,39 126 ± 12,32 5CRUZADO 12,73 ± 1,42 19,47 ± 2,46 52,45 ± 1,19 1,420 ± 0,071 0,825 ± 0,060 55,20 ± 3,79 2,50 ± 0,16 210,43 ± 15,69 154 ± 17,34 3CRUZ. INDUS. 14,05 ± 1,10 21,57 ± 0,88 53,97 ± 0,92 1,497 ± 0,218 0,939 ± 0,126 63,09 ± 3,12 2,28 ± 0,09 182,32 ± 20,31 129 ± 19,71 4EUROPEU 12,45 ± 2,49 21,75 ± 3,43 54,89 ± 0,76 1,280 ± 0,174 0,804 ± 0,111 63,40 ± 4,01 2,35 ± 0,17 199,67 ± 26,52 176 ± 27,32 GERAL 12,89 ± 2,17 21,34 ± 2,88 54,44 ± 1,05 1,376 ± 0,199 0,862 ± 0,128 62,65 ± 4,04 2,35 ± 0,00 199,24 ± 27,82 156 ± 25,74 MACHOS NÃO CASTRADOS PADRÃO RACIAL P. ENTRADA (@) P. SAÍDA (@) RC (%) GPD (Kg) GCD (Kg) REL. GANHO (%) IMS PV (%) EB (Kg MS/@) DIÁRIAS (dias) 1NELORE 12,59 ± 1,84 21,27 ± 1,90 56,17 ± 0,96 1,613 ± 0,187 1,112 ± 0,127 69,31 ± 4,90 2,33 ± 0,14 148,78 ± 13,79 129 ± 17,20 2ANELORADO 12,99 ± 1,94 20,77 ± 1,97 55,42 ± 0,72 1,513 ± 0,181 1,027 ± 0,121 68,88 ± 3,97 2,39 ± 0,13 165,40 ± 17,63 132 ± 21,14 5CRUZADO 12,37 ± 1,67 19,92 ± 1,80 53,92 ± 1,20 1,505 ± 0,174 0,949 ± 0,118 61,70 ± 4,23 2,46 ± 0,10 177,65 ± 14,57 135 ± 17,02 3CRUZ. INDUS. 12,39 ± 1,74 20,94 ± 1,98 55,15 ± 1,06 1,635 ± 0,221 1,107 ± 0,133 67,14 ± 4,24 2,38 ± 0,14 151,75 ± 11,85 131 ± 21,43 GERAL 12,66 ± 1,88 21,09 ± 2,04 55,71 ± 1,23 1,584 ± 0,197 1,075 ± 0,142 67,87 ± 5,13 2,36% ± 0,00 159,94 ± 19,16 130 ± 18,28 Tabela 3: Parâmetros produtivos de quatro padrões raciais em machos não castrados. * 1Nelore: animais com padrão racial apurado para raça nelore; 2Anelorado: animais com padrão racial nelore, na proporção sanguínea ¾ nelore, características predominantemente zebuí- nas, porém com introdução de raça complementar; 3Cruzamento Industrial: animais de cruzamento conhecido, com padrão racial mais bem definido, como 1/2 sangue angus x nelore, brangus, braford, entre outros; 4Europeu: animais de padrão genético europeu, com características predominantemente taurinas, com raça bem definida como o charolês; 5Cruzado: animais de padrões genéticos distintos, com características predominantemente taurinas, sem definição de raça específica ou cruzamento de interesse pela indústria. Tabela 1: Parâmetros produtivos de quatro padrões raciais em novilhas. Tabela 2: Parâmetros produtivos de quatro padrões raciais em machos castrados. 32 A tabela 1 mostra os parâmetros produtivos de novilhas para quatro padrões raciais. É pos- sível notar que o peso de entrada de novilhas zebuínas (nelore e anelorada) é levemente inferi- or (10,52 ± 1,15 e 11,03 ± 0,95), bem como o peso de saída (16,67 ± 1,18 e 17,06 ± 1,10). Na media geral entre raças, as novilhas ganham próximo de 6,4 arrobas durante o período de con- finamento. O rendimento de carcaça (%) entre os padrões raciais em novilhas mostra pequena inferio- ridade quando se trata de fêmeas aneloradas (52,49 ± 1,68), ainda que este padrão racial seja o de maior ingestão de matéria seca em % do peso vivo (2,53 ± 0,12), seguido pelas novilhas nelores (2,50 ± 0,16). Vale ressaltar que o consumo em quilos de matéria seca é superior quando se trata de novilhas de cruzamento ou de padrão racial europeu, uma vez que estas apresentam maior peso vivo. Em se tratando de ganho de peso diário e ganho de carcaça diário no confinamento, as no- vilhas de cruzamento industrial são superiores (1,358 ± 0,216 de GPD e 0,819 ± 0,133 de GCD). A eficiência biológica de novilhas mostra bastante superioridade para novilhas nelore (181,73 ± 35,21), seguidas pelas novilhas de cruzamento (199,67 ± 36,05), sendo que o menor consumo de matéria seca para o ganho de uma arroba de carcaça representa um custo por ar- roba produzida mais atrativo. O número médio de diárias de confinamento também é favorá- vel às novilhas nelore (126 ± 27,45) e de cruzamento industrial (144 ± 27,49), que necessitam de menor tempo para atingirem o ponto de abate do que as demais, devido à maior eficiência de conversão. A tabela 2 está representando os parâmetros produtivos para machos castrados de quatro padrões raciais. Em geral, os machos castrados entraram com peso próximo à 12,89 ± 2,17 ar- robas e foram abatidos por volta de 21,34 ± 2,88 arrobas, com ganho de 8,45 arrobas no perí- odo. Ao observar as médias, é possível notar que o padrão europeu apresentou o menor peso de entrada (12,45 ± 2,49) e o maior peso de saída (21,75 ± 3,43), indicando maior ganho de arrobas no período, porém, ao observar os dias de confinamento, nota-se que estes foram os animais que ficaram maior tempo confinados (176 ± 27,32), com aproximadamente 20 dias acima da média geral para a categoria. O rendimento de carcaça (%) apresentou melhores resultados para os animais de padrão ra- cial europeu (54,89 ± 0,76), seguido pelos animais nelore (54,53 ± 1,00). O padrão racial cru- zado foi o que apresentou o resultado menos satisfatório (52,45 ± 1,19), apesar de ter uma in- gestão de matéria seca, em (%) do peso vivo, bastante elevada quando comparada aos demais (2,50 ± 0,16), o que possivelmente representa uma relação de ganho (componente carcaça) pi- 33 or (55,20 ± 3,79). Ou seja, são animais de alto consumo de alimento, porém com resultados inferiores para ganho de carcaça, o que sinaliza uma conversão alimentar menos eficiente, como mostra a eficiência biológica (210,43 ± 15,69). Animais de padrão racial nelore apresentaram os melhores ganho de peso diário e ganho de carcaça diário (1,525 ± 0,092 para GPD e 0,983 ± 0,088 para GCD), além de uma melhor re- lação de ganho em componente carcaça (65,48 ± 3,58). Em se tratando de eficiência biológica, conforme citado anteriormente, os animais cruzados apresentaram a pior conversão de matéria seca consumida em ganho de carcaça, enquanto os animais de padrão nelore se mostraram os mais eficientes (174,49 ± 21,39). O número de diárias de confinamento para machos castrados reforça a superioridade do padrão racial nelore (126 ± 12,32) e do cruzamento industrial (129 ± 19,71), que necessitaram de menor tempo para atingir o ponto de abate, chegando a um peso vivo final semelhante aos demais grupos avaliados. Os machos não castrados representam a grande maioria dos animais confinados no Brasil. Ainda assim, os padrões raciais exercem grande influencia sobre o desempenho desses animais, como mostra a tabela da categoria. Os parâmetros dessa categoria para diferentes padrões raciais estão representados na tabela 3, apontando grande semelhança entre os dados de peso de entrada e de saída, com exceção dos animais cruzados, que foram abatidos mais leves (19,92 ± 1,80). Assim como para animais cas- trados, o ganho no período foi próximo à 8,45 arrobas, ainda que estes animais fiquem menos tempo confinados. O rendimento de carcaça (%), aponta os animais nelore com certa superioridade (56,17 ± 0,96), enquanto animais anelorados e de cruzamento industrial ficam em seguida (55,42 ± 0,72 e 55,15 ± 1,06 respectivamente), e cruzados se apresentam novamente com valores inferiores (53,92 ± 1,20), ainda que os animais com esse padrão racial sejam os maiores ingestões de ma- téria seca em % do peso vivo (2,46 ± 0,10). O ganho de peso diário e o ganho de carcaça diário apresentam valores próximos para todas as categorias raciais, mas são ainda superiores para nelores (1,613 ± 0,187 para GPD e 1,112 ± 0,127 para GCD) e animais de cruzamento industrial (1,635 ± 0,221 para GPD e 1,107 ± 0,133 para GCD) e fica evidente a capacidade de ganho de animais não castrados de forma geral. Por outro lado, a relação de ganho em componenete carcaça mostra que os animais cruzados con- vertem menor porcentagem do peso em carcaça (61,70 ± 4,23), e animais nelore ou anelorados são mais eficientes nesse quesito (69,31 ± 4,90 e 68,88 ± 3,97 respectivamente). 34 Em se tratando de eficiência biológica, machos não castrados nelore apresentam o melhor valor dentro de todo o estudo (148,78 ± 13,79), se motrando os mais eficientes em conversão de alimento em carcaça, seguidos pelos animais de cruzamento industrial, que também apresenta- ram resultados satisfatórios de eficiência (151,75 ± 11,85), e posteriormente por machos anelo- rados (165,40 ± 17,63). Já os animais cruzados apresentaram valores mais elevados, indicando maior necessidade de consumo de alimento para o ganho da mesma arroba de carcaça (177,65 ± 14,57). Por fim, a média de diárias de confinamento não apresentou diferenças de alta relevân- cia para a categoria. Os resultados mostram diferenças significativas entre as categorias sexuais e secundariamen- te também para os padrões raciais, mostrando a importância das escolhas do produtor no mo- mento da definição dos animais a serem confinados. Em se tratando de parâmetros produtivos, os dados também foram avaliados quanto à sazo- nalidade, buscando mudanças de desempenho nos períodos seco e chuvoso, mas não apresenta- ram diferenças, o que possivelmente se deve ao fato da estrutura avaliada apresentar cochos cobertos, área de alimentação concretada, declividade correta para escoamento de dejetos e limpeza periódica das baias, dando boas condições para os animais ao longo do ano todo. 3.2 PARÂMETROS ECONÔMICOS Com relação aos parâmetros econômicos, o custo da arroba produzida é o que apresenta uma informação mais importante para o sistema. Este é calculado por meio da somatória de custos dentro do período de confinamento (entre custos fixos de manutenção, custo com alimentação, sanidade e rastreabilidade), dividido pelo número de arrobas ganhas no período. Esses valores apresentam oscilação ao longo do período avaliado, uma vez que os custos da operação apresentam diferenças expressivas, especialmente devido à oscilação dos preços de insumos, que interferem no custo da dieta, o mais representativo para o cálculo do custo da ar- roba produzida. Os gráficos a seguir representam o valor médio para esse parâmetro ao longo dos anos, para as categorias sexuais avaliadas. 35 Gráfico 10: Evolução do custo por arroba produzida em machos castrados ao longo do período avaliado. Gráfico 11: Evolução do custo por arroba produzida em machos não castrados ao longo do período avaliado. Gráfico 9: Evolução do custo por arroba produzida em novilhas ao longo do período avaliado. R $ 1 1 7 ,1 0 R $ 1 3 9 ,4 2 R $ 1 4 4 ,7 8 R $ 2 1 7 ,6 8 R $ 2 8 4 ,3 5 79,37% 82,92% 64,24% 70,98% 83,79% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 R$ 350,00 R$ 400,00 2018 2019 2020 2021 2022 CUSTO DA ARROBA PRODUZIDA E RELAÇÃO COM A ARROBA DE VENDA EM NOVILHAS CUSTO DA @ PROD. VALOR DE VENDA (@) @ PROD. / @ VENDIDA R $ 1 1 3 ,6 0 R $ 1 3 1 ,0 9 R $ 1 3 3 ,1 8 R $ 2 0 8 ,1 7 77,00% 77,97% 59,10% 67,88% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 R$ 350,00 2018 2019 2020 2021 CUSTO DA ARROBA PRODUZIDA E RELAÇÃO COM A ARROBA DE VENDA EM MACHOS CASTRADOS CUSTO DA @ PROD. VALOR DE VENDA (@) @ PROD. / @ VENDIDA R $ 9 8 ,0 3 R $ 1 0 5 ,6 9 R $ 1 2 4 ,8 6 R $ 1 8 4 ,7 1 R $ 2 3 8 ,5 3 66,44% 62,86% 55,40% 60,23% 70,29% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 R$ 350,00 R$ 400,00 2018 2019 2020 2021 2022 CUSTO DA ARROBA PRODUZIDA E RELAÇÃO COM A ARROBA DE VENDA EM MACHOS NÃO CASTRADOS CUSTO DA @ PROD. VALOR DE VENDA (@) @ PROD. / @ VENDIDA 36 Gráfico 12: Evolução do custo por arroba produzida em machos não castrados de diferen- tes padrões raciais ao longo do período avaliado. R $ 9 2 ,8 8 R $ 1 0 1 ,3 4 R $ 1 1 9 ,2 9 R $ 1 8 1 ,1 8 R $ 2 2 8 ,3 0 R $ 1 0 1 ,8 3 R $ 1 1 4 ,4 6 R $ 1 2 0 ,9 7 R $ 2 0 1 ,1 2 R $ 2 6 8 ,7 5 R $ 1 0 6 ,2 7 R $ 1 2 3 ,5 4 R $ 1 4 3 ,2 4 R $ 1 8 6 ,4 9 R $ 2 5 6 ,8 8 R $ 1 0 5 ,8 5 R $ 1 0 5 ,6 1 R $ 1 1 3 ,5 1 R $ 1 7 0 ,3 8 R $ 2 2 4 ,8 8 R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 2018 2019 2020 2021 2022 CUSTO POR ARROBA PRODUZIDA - MACHOS NÃO CASTRADOS DE DIFERENTES PADRÕES RACIAIS NELORE ANELORADO CRUZADO CRUZAMENTO Os gráficos mostram que, para todas as categorias, a evolução dos custos segue a mesma tendência. Durante o período avaliado o custo cresceu gradativamente, mas houve também au- mento no preço de venda por arroba, trazendo equilíbrio ao sistema. De forma geral, o custo da arroba produzida de novilhas (gráfico 9) é mais elevado, seguido por machos castrados (gráfico 10), e são superiores ao custo referente aos machos não castrados (gráfico 11). Isso se justifica uma vez que machos não castrados, como mostrado anteriormente, apresentam melhor eficiência biológica, fazendo com que consumam menor quantidade de ali- mento para produzir uma mesma arroba, reduzindo o custo por arroba produzida. Não foram observados dados para machos castrados no ano de 2022. Em se tratando de diferenças entre os padrões raciais, não é possível fazer uma média de to- do o período, uma vez que o custo por arroba produzida apresenta comportamentos diferentes com o passar dos anos. Ainda assim, dentro da categoria de machos não castrados, é possível avaliar a evolução de preços ano a ano para os padrões raciais, evidenciando que o custo por arroba produzida é geralmente maior para animais cruzados e animais anelorados (gráfico 12), o que está de acordo com a eficiência biológica inferior desses grupos. A evolução de custo da arroba produzida corrobora com os gráficos apresentados abaixo, re- ferente à evolução do custo da diária dos animais ao longo do período avaliado (somatória do custo com alimentação, custo operacional, custos com rastreabilidade e sanidade), acompanha- do da evolução do custo da tonelada de matéria seca, justificado pelo aumento gradativo do custo dos insumos, representado pelo milho como principal indicador. 37 R$0,00 R$5,00 R$10,00 R$15,00 R$20,00 R$25,00 2 7 .0 3 .2 0 1 8 2 7 .0 5 .2 0 1 8 2 7 .0 7 .2 0 1 8 2 7 .0 9 .2 0 1 8 2 7 .1 1 .2 0 1 8 2 7 .0 1 .2 0 1 9 2 7 .0 3 .2 0 1 9 2 7 .0 5 .2 0 1 9 2 7 .0 7 .2 0 1 9 2 7 .0 9 .2 0 1 9 2 7 .1 1 .2 0 1 9 2 7 .0 1 .2 0 2 0 2 7 .0 3 .2 0 2 0 2 7 .0 5 .2 0 2 0 2 7 .0 7 .2 0 2 0 2 7 .0 9 .2 0 2 0 2 7 .1 1 .2 0 2 0 2 7 .0 1 .2 0 2 1 2 7 .0 3 .2 0 2 1 2 7 .0 5 .2 0 2 1 2 7 .0 7 .2 0 2 1 2 7 .0 9 .2 0 2 1 2 7 .1 1 .2 0 2 1 EVOLUÇÃO DO CUSTO DA DIÁRIA POR ANIMAL 0 20 40 60 80 100 120 0 2 /0 4 /2 0 1 8 1 1 /0 5 /2 0 1 8 2 1 /0 6 /2 0 1 8 3 1 /0 7 /2 0 1 8 1 0 /0 9 /2 0 1 8 1 9 /1 0 /2 0 1 8 3 0 /1 1 /2 0 1 8 1 5 /0 1 /2 0 1 9 2 2 /0 2 /2 0 1 9 0 5 /0 4 /2 0 1 9 1 7 /0 5 /2 0 1 9 2 7 /0 6 /2 0 1 9 0 6 /0 8 /2 0 1 9 1 3 /0 9 /2 0 1 9 2 3 /1 0 /2 0 1 9 0 3 /1 2 /2 0 1 9 1 6 /0 1 /2 0 2 0 2 7 /0 2 /2 0 2 0 0 7 /0 4 /2 0 2 0 2 0 /0 5 /2 0 2 0 3 0 /0 6 /2 0 2 0 0 7 /0 8 /2 0 2 0 1 7 /0 9 /2 0 2 0 2 8 /1 0 /2 0 2 0 0 8 /1 2 /2 0 2 0 2 1 /0 1 /2 0 2 1 0 4 /0 3 /2 0 2 1 1 4 /0 4 /2 0 2 1 2 5 /0 5 /2 0 2 1 0 5 /0 7 /2 0 2 1 1 2 /0 8 /2 0 2 1 2 2 /0 9 /2 0 2 1 0 3 /1 1 /2 0 2 1 1 4 /1 2 /2 0 2 1 INDICADOR DO MILHO - CEPEA - SACAS DE 60 KG R$ 0,00 R$ 200,00 R$ 400,00 R$ 600,00 R$ 800,00 R$ 1.000,00 R$ 1.200,00 R$ 1.400,00 R$ 1.600,00 2 7 .0 3 .2 0 1 8 2 7 .0 5 .2 0 1 8 2 7 .0 7 .2 0 1 8 2 7 .0 9 .2 0 1 8 2 7 .1 1 .2 0 1 8 2 7 .0 1 .2 0 1 9 2 7 .0 3 .2 0 1 9 2 7 .0 5 .2 0 1 9 2 7 .0 7 .2 0 1 9 2 7 .0 9 .2 0 1 9 2 7 .1 1 .2 0 1 9 2 7 .0 1 .2 0 2 0 2 7 .0 3 .2 0 2 0 2 7 .0 5 .2 0 2 0 2 7 .0 7 .2 0 2 0 2 7 .0 9 .2 0 2 0 2 7 .1 1 .2 0 2 0 2 7 .0 1 .2 0 2 1 2 7 .0 3 .2 0 2 1 2 7 .0 5 .2 0 2 1 2 7 .0 7 .2 0 2 1 2 7 .0 9 .2 0 2 1 2 7 .1 1 .2 0 2 1 CUSTO DA TONELADA DE MATÉRIA SECA Fonte: CEPEA Gráfico 14: Evolução do custo da tonelada de matéria seca ao longo dos últimos anos. Gráfico 13: Evolução do custo da diária por animal ao longo dos últimos anos. Gráfico 15: Evolução do preço da saca de milho pela base CEPEA durante o período avaliado. 38 R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 R$ 350,00 R$ 400,00 0 2 /0 4 /2 0 1 8 1 6 /0 5 /2 0 1 8 2 9 /0 6 /2 0 1 8 1 4 /0 8 /2 0 1 8 2 7 /0 9 /2 0 1 8 1 3 /1 1 /2 0 1 8 0 2 /0 1 /2 0 1 9 1 4 /0 2 /2 0 1 9 0 2 /0 4 /2 0 1 9 1 7 /0 5 /2 0 1 9 0 2 /0 7 /2 0 1 9 1 5 /0 8 /2 0 1 9 2 7 /0 9 /2 0 1 9 1 1 /1 1 /2 0 1 9 2 7 /1 2 /2 0 1 9 1 2 /0 2 /2 0 2 0 3 0 /0 3 /2 0 2 0 1 5 /0 5 /2 0 2 0 3 0 /0 6 /2 0 2 0 1 2 /0 8 /2 0 2 0 2 5 /0 9 /2 0 2 0 1 1 /1 1 /2 0 2 0 2 8 /1 2 /2 0 2 0 1 1 /0 2 /2 0 2 1 3 0 /0 3 /2 0 2 1 1 4 /0 5 /2 0 2 1 2 9 /0 6 /2 0 2 1 1 2 /0 8 /2 0 2 1 2 7 /0 9 /2 0 2 1 1 1 /1 1 /2 0 2 1 2 8 /1 2 /2 0 2 1 1 0 /0 2 /2 0 2 2 2 9 /0 3 /2 0 2 2 E V O L U Ç Ã O D E P R E Ç O S D A A R R O B A D O B O I G O R D O - C E P E A O gráfico 13 apresenta a evolução do custo da diária por animal, que gradativamente eleva o custo por arroba produzida dos animais ao longo dos anos. Esse aumento se deve especialmente à elevação dos custos com alimentação, representada no gráfico 14 pelo custo da tonelada de matéria seca, que por sua vez responde ao aumento da precificação de insumos, aqui represen- tado pela evolução do indicador do milho (gráfico 15). 3.3 MERCADO A oscilação no mercado de compra e venda de animais influencia de forma muito impactante no sistema, assim como os custos com alimentação, que estão ligados ao custo dos principais insumos utilizados nos confinamentos. O sistema está implantado no estado de São Paulo, e a base das dietas se dá por silagem (milho, sorgo ou capim), milho moído, milho grão úmido, sorgo grão úmido, farelo de soja, casca de soja, e torta de algodão. O preço da arroba do boi gordo ao longo do período avaliado foi levantado com base no CE- PEA, e está apresentado no gráfico 16. É possível notar que os valores apresentaram aumentos graduais ao longo dos anos avalia- dos, com alguns picos mais acentuados de altas e baixas, que serão brevemente analisados a seguir. Gráfico 16: Evolução do preço da arroba do boi gordo pela base CEPEA durante o período avaliado. Fonte: CEPEA 39 Em 2018, os preços se mantiveram estáveis ao longo de todo o ano, na faixa entre R$140,00 e R$150,00, sem grandes oscilações. Já em 2019, especialmente entre os meses de novembro e dezembro, os valores de arroba do boi gordo tiveram aumento significativo, su- bindo 41,46% entre 31 de outubro e 29 de novembro, chegando aos maiores valores em reais já vistos no CEPEA, desde o início da série em 1994. A motivação principal se deu pela alta demanda de exportações, especialmente para a China, devido á peste suína em que, no perío- do de 1 ano, até outubro de 2019, havia dizimado 40% do rebanho suíno, e precisou importar grandes quantidades de carne bovina. O ano de 2020 iniciou com queda nos preços, o que é comum de se observar no início dos anos devido ao enfraquecimento na procura por carne em decorrência do menor poder de com- pra da população, diante das despesas extras de janeiro, levando menor demanda doméstica por carne. Ainda assim, este ano foi considerado um grande ano para quem confinou bovinos. Os preços de venda atingiram altos patamares com altas crescentes ao longo do ano, e a compra de insumos ainda estava com preços razoáveis, o que influenciou positivamente em grande parte do lucro do sistema. Em 2021 os preços se mantiveram em altos patamares até o mês de outubro, quando a queda na exportação de carne bovina do Brasil devido a suspensão dos embarques para a China refle- tiu em pressão negativa nos preços da arroba, levando a quedas muito acentuadas. Por fim, o ano de 2022 iniciou com dificuldades para os confinadores, com altos preços de insumos, levando à dietas caras, e um mercado de venda do boi gordo para abate bastante instá- vel. Os preços se iniciaram em recuperação frente ao final de 2021, mas novamente foram afe- tados pela oscilação das exportações para a China. 3.3.1 Mercado Futuro (B3) Sobre o uso de dados da B3, foi tomada por base a cotação do mercado futuro no dia da en- trada de cada lote. Ou seja, como se no dia que o produtor confinou o gado, ele ficasse com a opção de travar o preço na bolsa (de acordo com a previsão de abate daqueles animais, levando em conta categoria e peso de entrada) ou aguardar e abater no preço do CEPEA (avaliado no dia do abate). O produtor tem a opção de olhar a oscilação da bolsa de mercado futuro ao longo do período de confinamento do lote e tomar essa decisão a qualquer momento, até mais próxi- mo da data do abate. Para as análises, com a impossibilidade de contabilizar as variações de trava dia por dia de cada lote, o objetivo se deu por sinalizar uma estratégia de segurança para o produtor já no início do período de engorda. 40 O gráfico 17 mostra a diferença de preços entre os dois indicadores, considerando, no dia do abate de cada lote do confinamento, o valor negociado (CEPEA) para o abate dos animais, ou o valor que o mercado futuro predizia para aquela data no dia da entrada dos animais no confina- mento. É possível obervar que durante os dois primeiros anos do estudo (2018 e 2019), há pouca discrepância entre os dois formatos de precificação, uma vez que o mercado futuro parecia cor- responder a realidade do mercado real, com certa estabilidade nos valores. Em outubro / no- vembro de 2019, quando houve o primeiro grande aumento de preços do CEPEA devido à alta demanda por carne por parte da China, como citado anteriormente, os valores de mercado futu- ro para animais que seriam abatidos nesse período eram estáveis, mas no momento do abate, houve aumento substancial dos valores do CEPEA, gerando lucros maiores para quem não ha- via travado os animais. No início de 2020, as travas do mercado futuro se mostraram benéficas para o produtor, ga- rantindo valores altos na venda dos animais para abate, o que não se manteve no restante do ano e no primeiro semestre de 2021, uma vez que o mercado de bovinos ganhou ainda mais força no cenário nacional e os preços de abate pelo CEPEA se mostraram crescentes. Em novembro de 2021, com a suspensão das exportações para a China após suspeita de pro- blemas sanitários, os valores do CEPEA apresentaram queda significativa e, nesse caso, o pro- dutor que havia travado os preços de animais que seriam abatidos nesse período saíram em van- tagem. É importante ressaltar que o mercado de travas opera através de seguradoras, e possui custo de R$1,00 por arroba. Ou seja, o valor final considerado se dá por: Valor final = Valor (@) da trava no mercado futuro para o mês de abate – R$1,00 41 R$ 0,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ 300,00 R$ 350,00 R$ 400,00 31.03.2018 17.10.2018 05.05.2019 21.11.2019 08.06.2020 25.12.2020 13.07.2021 29.01.2022 EVOLUÇÃO DE PREÇOS CEPEA / MERCADO FUTURO (B3) CEPEA NO ABATE B3 NA ENTRADA Gráfico 17: Evolução de preços comparativos para abates com valores de CEPEA no dia do abate e valores de mercado futuro (B3) para a entrada de cada lote. 42 R$ 487,76 R$ 283,75 R$ 194,69 R$ 490,26 R$ 844,75 R$ 347,33 R$ 714,85 R$ 431,65 R$ 359,49 R$ 703,83 R$ 1.151,30 R$ 689,50 R$ 941,95 R$ 579,55 R$ 524,28 R$ 917,40 R$ 1.457,84 R$ 1.031,67 R$ 0,00 R$ 200,00 R$ 400,00 R$ 600,00 R$ 800,00 R$ 1.000,00 R$ 1.200,00 R$ 1.400,00 R$ 1.600,00 2018 - 2022 2018 2019 2020 2021 2022 VPL MÉDIO - NOVILHAS REPOS. CEPEA REPOS. 10% DESÁGIL REPOS. 20% DESÁGIL 3.4 ANÁLISES ECONÔMICAS Sobre a simulação de custo da reposição com três fatores, é importante ressaltar que, dentro de cada categoria sexual, existem diferentes preços para cada padrão racial no mercado. Um lote de animais da raça nelore ou cruzamento industrial tem mercado mais próximo à 20% de ágil na reposição, por sua valorização, enquanto que animais cruzados, por exemplo, são com- prados com maior facilidade em preços inferiores, como o resultado de preço de reposição em valores de CEPEA ou até menores. No caso de novilhas, fêmeas da raça nelore para reposição são mais facilmente compradas com deságil próximo de 10%, enquando fêmeas de cruzamento industrial são encontradas no mercado em valores semelhantes ao valor vigente do CEPEA, ou ainda em valores próximos aos machos de mesmo padrão racial. O valor de venda das fêmeas também é considerado pelo CEPEA no dia do abate, uma vez que as negociações com fêmeas jovens (novilhas) dos padrões raciais avaliados tem hoje uma frente aberta de negociações em valores de arroba do boi gordo, assim como os machos. As fêmeas de cruzamento industrial podem ainda contar com bonificações em cima do valor de arroba dos machos. Abaixo estão representados os principais resultados das análises econômicas: Gráfico 18: Valor Presente Líquido (VPL) para novilhas com três valores de reposição ao longo do período avaliado. 43 14,68% 15,16% 8,52% 16,40% 19,18% 6,60% 23,27% 24,30% 16,49% 25,25% 27,96% 13,90% 33,26% 35,07% 25,74% 35,57% 38,16% 22,28% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 2018 - 2022 2018 2019 2020 2021 2022 ROI MÉDIO - NOVILHAS REPOS. CEPEA REPOS. 10% DESÁGIL REPOS. 20% DESÁGIL 5,72% 9,84% -1,62% 2,56% 2,66% 12,74% 16,88% 4,84% 9,29% 9,13% 20,79% 24,88% 12,21% 16,96% 16,47%