UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA SIMONE BUCHIGNANI MAIGRET Construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Botucatu, para obtenção do título de Mestra em Enfermagem, junto ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Mestrado Profissional Orientadora: Profa. Dra. Rúbia de Aguiar Alencar Coorientadora: Enfa. Dra. Michelle Cristine de Oliveira Minharro Botucatu 2021 Simone Buchignani Maigret Construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Botucatu, para obtenção do título de Mestra em Enfermagem, junto ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Mestrado Profissional Orientadora: Profa. Dra. Rúbia de Aguiar Alencar Coorientadora: Enfa. Dra. Michelle Cristine Oliveira Minharro Botucatu 2021 Maigret, Simone Buchignani. Construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida / Simone Buchignani Maigret. - Botucatu, 2021 Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Faculdade de Medicina de Botucatu Orientador: Rúbia de Aguiar Alencar Coorientador: Michelle Cristine Oliveira Minharro Capes: 40400000 1. Enfermagem. 2. Estudo e ensino. 4. Reanimação cardiopulmonar. 3. Simulação. Palavras-chave: Enfermagem; Ensino em enfermagem; Ressuscitação cardiorrespiratória; Simulação; Suporte Básico de Vida. AUTORIZO A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. Assinatura: ____________________________________________ Data___/___/___ FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉC. AQUIS. TRATAMENTO DA INFORM. DIVISÃO TÉCNICA DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - CÂMPUS DE BOTUCATU – UNESP BIBLIOTECÁRIA RESPONSÁVEL: ROSEMEIRE APARECIDA VICENTE-CRB 8/5651 SIMONE BUCHIGNANI MAIGRET Construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Enfermagem da Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Campus de Botucatu, para obtenção do título de Mestre em Enfermagem – Mestrado Profissional. Orientadora: Profa. Dra. Rúbia de Aguiar Alencar Aprovado em: 24/ 05_/ 2021 Comissão Examinadora Orientador: Profa. Dra. Rúbia de Aguiar Alencar Instituição:_____________________________ Assinatura:________________ Prof. Dr. Vinicius Batista Santos Instituição:_UNIFESP Julgamento:_____________________________ Assinatura:_______________ Profa. Dra. Marla Andréia Garcia de Avila Instituição:UNESP Julgamento:_____________________________ Assinatura:_______________ Prof. Dra. Suzimar de Fátima Benato Fusco Instituição:UNESP Julgamento:_____________________________ Assinatura:_______________ Profa. Dra. Rita Simone Lopes Moreira Instituição:_UNIFESP Julgamento:_____________________________ Assinatura:_______________ AGRADECIMENTOS A Deus por conceder a cada dia uma página em branco para escrever a nossa história. “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações” (Mateus 6:34). Ao meu marido David Leandro, meu maior incentivador e motivador nesta trajetória. Aos meus filhos, Leandro Tomas, Rafael Artur e Lorenzo Olivier por me incentivarem a ir mais longe. A Profa. Dra. Rúbia de Aguiar Alencar pela dedicação, incentivo, orientação para o desenvolvimento deste trabalho e resiliência neste momento de pandemia do COVID-19. A Dra. Michelle Cristine de Oliveira Minharro pela contribuição no trabalho e companheirismo diário. Aos docentes do departamento Enfermagem da UNESP, agradeço imensamente a todos, pelo carinho, atenção, incentivo, contribuições, pois que cada um participou dessa trajetória, em presença amiga e singular. À equipe do NEAD TIS, estendo profundo agradecimento a todos, pela atenção prestimosa no desenvolvimento da pesquisa, especialmente às contribuições de Ana Silvia Sartori Barraviera Seabra Ferreira e Clara Fumes Arruda. Ao Dr. Hélio Rubens de Carvalho Nunes, pela atenção e esclarecimento, ao efetuar as análises estatísticas. À Dra. Marjorie do Val Ietsugu que me ensina cada dia a desenvolver a persistência. À Faculdade Marechal Rondon, que me proporcionou condições para desenvolver minha dissertação. Aos juízes especialistas que contribuíram com esta pesquisa. Enfim, a todos os meus parentes e amigos que me deram força para seguir adiante. "Não espere perder pra dar valor. Não espere a maldade pra ser bom. Não espere a canção pra dar o tom. Não espere o espinho pra ser flor. Não espere esfriar pra dar calor. Não espere quem espera e nunca vem. Não espere pra fazer o próprio bem. Não espere o que nunca vai chegar. Não espere o tempo lhe esperar. pois o tempo não espera por ninguém. Não espere um adeus pra abraçar. Não espere um velório pra dar flores. Não espere pra curar as próprias dores. Não espere o silêncio pra falar. Não espere o escuro pra brilhar. Não espere caviar para comer. Não espere os sapatos pra correr. Não espere a piada pra sorrir. Não espere a hora de partir pra saber que é hora de viver. Não espere ter alguém para se ter. Não espere ter curtidas pra curtir. Não espere sentido pra sentir. Não espere para ser o que quer ser. Não espere sujar para varrer. Não espere pela chuva pra regar. Não espere por Paris pra viajar. Não espere ter provas pra ter fé. Afinal, por si só a fé já é a verdade que ninguém pode provar. Não espere um par para dançar. Não espere ser maior pra ser melhor. Não espere que enxuguem seu suor. Não espere coerência pra sonhar. Não espere ser doutor para curar. Não espere ser herói para socorrer. Não espere ser poeta pra escrever. Não espere um mapa pra seguir. Não espere sobrar pra repartir. Não espere aplausos pra vencer. Enfim meu povo, já que o tempo não espera e não há quem lhe supere, A vida se agarra nele e todo dia sugere: Lembre o ontem, viva o hoje e o amanhã, não espere." (Não Espere- Bráulio Bessa, 2019) Maigret, SB. Construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida. Dissertação do Mestrado profissional. Departamento de Enfermagem. FMB – UNESP, Botucatu, 2021. RESUMO Introdução: a parada cardiorrespiratória é um problema de saúde pública no mundo, com alta prevalência e elevados índices de mortalidade e morbidade. Os principais determinantes da sobrevivência são o reconhecimento, a desfibrilação precoce e compressões torácicas efetivas. Nesse sentido, com a intenção de preparar os estudantes da área da saúde para realizar o Suporte Básico de Vida, acredita-se que o uso da simulação clínica apresenta-se imprescindível como estratégia de ensino. Objetivos: realizar a revisão integrativa de literatura para analisar a contribuição do uso da simulação clínica como estratégia para o ensino e aprendizagem do Suporte Básico de Vida na Graduação em Enfermagem e construir e validar roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida. Método: pesquisa metodológica de validação de conteúdo, com a participação de profissionais de saúde com experiência no estudo, pesquisa ou assistência. Foi dividida em duas etapas: revisão integrativa e construção e validação do roteiro. Foi elaborado roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida. Foi realizada a validação do conteúdo por juízes. Foi utilizado o Índice de validade de conteúdo que mede a proporção ou porcentagem de juízes que estão em concordância. Este método emprega uma escala tipo Likert com pontuação de um a quatro. Foi empregada uma pontuação de corte com o índice de validade de conteúdo maior ou igual a 0,80. Resultados: A construção do roteiro seguiu as diretrizes da American Heart Association e Sociedade Brasileira de Cardiologia. A apreciação do instrumento foi realizada por um comitê de juízes, constituído de 10 enfermeiros, 1 médico e 1 fisioterapeuta. Todos os itens do roteiro foram avaliados com índice de validade de conteúdo maior que 80%. Após esta avaliação os especialistas fizeram algumas sugestões, que foram acatadas, com vistas a adequar o instrumento. Produto: Um roteiro pedagógico do ensino simulado do Suporte Básico de Vida. Conclusão: O roteiro pedagógico deve proporcionar aos docentes/profissionais da área da saúde a possibilidade de um ensino inovador e estimulante para os estudantes. Além disso, o roteiro deve facilitar a utilização do recurso de simulação pelo professor, tornando o processo de ensino aprendizagem mais significativo. PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem. Suporte Básico de Vida. Simulação. Ressuscitação cardiorrespiratória. Ensino. Maigret, SB. Construction and validation of pedagogical script for simulated teaching of Basic Life Support. Dissertation of the professional master. Department of Nursing. FMB - UNESP, Botucatu, 2021. ABSTRACT Introduction: cardiorespiratory arrest is a public health problem worldwide, with a high prevalence and high mortality and morbidity rates. It is emphasized that the main determinants of survival are recognition, early defibrillation, and effective chest compressions. In this sense, with the intention of preparing students in the health field to perform Basic Life Support, it is believed that the use of clinical simulation is essential as a teaching strategy. Objective: perform an integrative literature review to analyze the contribution of the use of clinical simulation as a strategy for teaching and learning Basic Life Support in Nursing Graduation and to build and validate a pedagogical script for the simulated teaching of Basic Life Support. Method: it is a methodological investigation of content validation, with the participation of health professionals with experience in the study, research or assistance. It was divided into two stages: integrative review and construction and validation of the script. A pedagogical script was developed for the simulated teaching of Basic Life Support. The content was validated by judges (specialists). The content validity index was used, which measures the proportion or percentage of judges who agree. This method uses a Likert scale with a score of one to four. A cut-off score was used, the content validity index greater than or equal to 0.80. Results: The construction of the script followed the guidelines of the American Heart Association and the Brazilian Society of Cardiology. The instrument was evaluated by a committee of judges, made up of 10 nurses, 1 doctor and 1 physiotherapist. All items were evaluated with a content validity index greater than 80%. After this evaluation, the experts made some suggestions, which were accepted, with a view to adapting the instrument. Product: Pedagogical script for simulated teaching of Basic Life Support. Conclusion: The pedagogical script would provide teachers / health professionals with the possibility of innovative and stimulating teaching for students. In addition, the script would facilitate the use of the simulation function by the teacher, making the teaching-learning process more meaningful. KEYWORDS: Nursing. Simulation. Cardiopulmonary Resuscitation. Basic Life Support. Education. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Fórmula de sobrevivência em ressuscitação: elementos que contribuem para educação eficiente 19 Figura 2 - Taxonomia dos Sistemas de Atendimento: SPSO 20 Figura 3 - Cadeia de sobrevivência da American Heart Asssociation 21 Figura 4 - Algoritmo do Suporte Básico de Vida para profissionais de saúde. DEA: desfibrilador externo automático; RCP: ressuscitação cardiopulmonar; SAV: Suporte Avançado de Vida 25 Figura 5 - Algoritmo de PCR para adultos 26 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Pontos essenciais no sucesso do atendimento da PCR 22 Quadro 2 - Protocolo para realização da pesquisa de revisão integrativa: uso de simulação da prática clínica do SBV no Curso de Graduação em Enfermagem 31 Quadro 3 - Roteiro teórico-prático a ser utilizado no ensino clínico simulado 35 Quadro 4 - Detalhamento das Unidades de Significância 36 Quadro 5 - Componentes necessários para elaboração do roteiro que foi enviado aos juízes 58 Quadro 6 - Roteiro Pedagógico para ensino simulado de SBV, produto da dissertação 79 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Apresentação dos componentes principais, unidades de significância e subunidades de significância. Faculdade de Medicina. Botucatu, Brasil. 2021 57 Tabela 2 - Validação do conteúdo do componente principal prévios ao cenário. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020-2021 63 Tabela 3 - Validação do conteúdo do componente principal preparo do cenário. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020-2021 67 Tabela 4 - Validação do conteúdo do componente principal Finais do cenário. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020-2021 72 Tabela 5 - Modificações das subunidades de significância do componente principal prévios ao cenário, sugeridas pelo comitê de especialistas. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020-2021 75 Tabela 6 - Modificações das subunidades de significância do componente principal Preparo do cenário, sugeridas pelo comitê de especialistas. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020-2021 76 Tabela 7 - Modificações das subunidades de significância do componente principal Finais do cenário, sugeridas pelo comitê especialista. Faculdade de Medicina de Botucatu. Botucatu. Brasil, 2020- 2021 78 LISTA DE SIGLAS ACE Atendimento Cardiovascular em Emergência AESP Atividade Elétrica Sem Pulso AHA American Heart Association ALMCT Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico BLS Basic Life Suport BVS Biblioteca Virtual de Saúde CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEP Comitê de Ética em Pesquisa CINAHL Cummulative Index to Nursing and Allied Health CNPq Conselho Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico DEA Desfibrilador Externo Automático DeCS Descritores em Ciências da Saúde ERC European Resuscitation Council EUA Estados Unidos de América FCT Fração das Compressões Torácicas FMB Faculdade de Medicina de Botucatu FV Fibrilação Ventricular IJB Instituto Joanna Briggs IVC Índice de Validade do Conteúdo LILACS Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde MeSH Medical Subject Headings NIS Núcleo Integrado de Simulação OSCE Objective and Structured Clinical Examination OVA Objeto Virtual de Aprendizagem PBL Aprendizagem Baseada em Problema PCR Parada Cardiorrespiratória PICO Paciente, Intervenção, Comparação e Outcomes PRISMA Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses RCA Resuscitation Council of Ásia RCE Retorno da Circulação Espontânea RCP Ressuscitação Cardiopulmonar SAV Suporte Avançado de Vida SBC Sociedade Brasileira de Cardiologia SBV Suporte Básico de Vida SPSO Taxonomia dos Sistemas de Atendimento SUS Sistema Único de Saúde TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TEM Time de Emergência Médica TRR Time de Resposta Rápida TV Taquicardia Ventricular UNESP Universidade Estadual Paulista UNIFESP Universidade Federal de São Paulo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 14 2 OBJETIVOS 17 2.1 OBJETIVO GERAL 17 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 17 3 REFERENCIAL TEÓRICO 18 3.1 A SIMULAÇÃO NO ENSINO 18 3.2 SUPORTE BÁSICO DE VIDA NA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA 18 3.3 VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO 27 3.4 ÍNDICE DE VALIDADE DE CONTEÚDO 28 4 MÉTODO 29 4.1 PRIMEIRA ETAPA - REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA 29 4.1.1 Delineamento 29 4.1.2 Primeiro Momento - Identificação do tema e elaboração da questão de pesquisa 29 4.1.3 Segundo Momento - Seleção dos critérios de exclusão e inclusão 30 4.1.4 Terceiro Momento - Coleta de dados por meio da extração e categorização das informações 30 4.1.5 Quarto Momento - Avaliação dos estudos incluídos na revisão 32 4.1.6 Quinto e Sexto Momentos - Interpretação, síntese dos resultados e apresentação da revisão 32 4.2 SEGUNDA ETAPA - ELABORAÇÃO DO ROTEIRO E VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO 32 4.2.1 Desenho 32 4.2.2 Participante da pesquisa 33 4.2.3 Procedimentos de coleta de dados 34 4.2.4 Protocolo do estudo 35 4.2.5 Análise dos dados 37 4.2.6 Aspectos éticos 37 5 RESULTADOS E DISCUSSÂO 39 5.1 PRIMEIRA ETAPA: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA 39 5.2 SEGUNDA ETAPA: ELABORAÇÃO DO ROTEIRO, VALIDAÇÃO DE CONTEÚDO E PRODUTO 57 6 CONCLUSÃO 84 REFERÊNCIAS 85 APÊNDICES APÊNDICE 1 CARTA CONVITE 90 APÊNDICE 2 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 93 APÊNDICE 3 CARACTERIZAÇÃO DOS JUÍZES 95 APÊNDICE 4 FORMULÁRIO DE VALIDAÇÃO DO CONTEÚDO DO ROTEIRO PEDAGÓGICO 101 APENDICE 5 OBSERVAÇÕES DOS JUÍZES 108 ANEXOS ANEXO A - INSTRUMENTO DE URSI 89 ANEXO B - PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 96 ANEXO C - COMPROVANTE DE SUBMISSÃO DO MANUSCRITO 100 APRESENTAÇÃO Desde a graduação tive interesse na área de educação, ministrando palestras e aulas na graduação e pós-graduação de Enfermagem. Formada em Enfermagem pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Especialista em Enfermagem Cardiológica-Modalidade Residência na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atuação como enfermeira assistencial durante sete anos, nas áreas de Terapia Intensiva, semi- intensiva e enfermaria de Cirurgia Cardiovascular. Atuação como supervisora de enfermagem por cinco anos no Hospital São Paulo (UNIFESP). Atuação nas áreas de gerenciamento de leitos e no Serviço de Referência em Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas de Botucatu. Em 2016, iniciei minha trajetória na Faculdade Marechal Rondon como docente. Atualmente, atuo como Coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem. Diante da minha inserção na carreira docente senti a necessidade de realizar o mestrado com o objetivo de aprimorar a minha formação profissional. A partir de 2019, o currículo do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Marechal Rondon se adequou as Diretrizes Curriculares, e então, passou de um currículo disciplinar para um currículo integrado, baseado em competências, habilidades e atitudes. Como docente na área da saúde, percebi a importância da preparação dos profissionais da saúde no atendimento do Suporte Básico de Vida (SBV). No entanto, necessitava de um instrumento que pudesse nortear o docente a desenvolver o processo de ensino-aprendizagem de forma significativa. Por esse motivo foram surgindo vários questionamentos: Como ensinar esse conteúdo prático? Qual a melhor estratégia para embasar aula de simulação? Diante dessas inquietações, iniciou-se a procura por respostas a essas questões. Após buscas na literatura científica, foi possível evidenciar que há muitas estratégias que podem ser implementadas com a intenção de melhorar o ensino e aprendizado da teoria e da prática de SBV. Frente a este contexto, dediquei-me ao estudo da simulação clínica em SBV. 14 1 INTRODUÇÃO A parada cardiorrespiratória (PCR) é um problema de saúde pública no mundo, com alta prevalência e elevados índices de mortalidade e morbidade. As diretrizes iniciais foram publicadas há mais de meio século, e, mesmo assim a PCR continua sendo a principal causa de mortalidade e morbidade nos Estados Unidos de América (EUA) e em outros países do mundo. A “Heart Disease and Stroke Statistics - 2020 Update” relatou que a ocorrência de parada cardíaca intra - hospitalar é de 9,7 por 1000 paradas cardíacas em adultos e 2,7 eventos pediátricos por 1000 hospitalizações (American Heart Association, 2020). Nos EUA ocorrem mais de 600.000 paradas cardíacas por ano. No Brasil, segundo o cardiômetro, indicador do número de mortes por doenças cardiovasculares no país, criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) o número de mortes por dia ultrapassa 1100, chegando a 46 por hora, uma morte a cada 90 segundos (SBC, 2021). Apesar dos avanços científicos relacionados aos cuidados com PCR, existem disparidades na sobrevivência das vítimas, pois mesmo no ambiente intra-hospitalar, ocorrem vítimas em decorrência do despreparo dos profissionais da saúde, do horário de atendimento e da insuficiência da infraestrutura. A American Heart Association (AHA) enfatiza que os principais determinantes da sobrevivência são o reconhecimento, o desempenho assertivo do profissional e a desfibrilação precoce para ritmos chocáveis (AHA, 2015). De acordo com a SBC, a PCR é uma das emergências cardiovasculares de maior prevalência e com elevados índices de morbimortalidade. O conceito de PCR é a ausência de pulso carotídeo ou presença de gasping (respiração agônica). Os protocolos e algoritmos internacionais permitem a padronização e a organização da assistência. O reconhecimento da PCR, a desfibrilação precoce e as compressões torácicas eficazes contribuem para melhores prognósticos dos pacientes (SBC, 2019). A educação em ressuscitação é focada principalmente em assegurar a implementação das melhores evidências cientificas e padronização da ressuscitação. Esta se destina a diminuição da lacuna entre o desempenho real e o desejado nas habilidades em Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP); melhoria da 15 capacidade dos cuidados pelos profissionais da saúde, em reconhecer e atender os doentes em risco de parada cardíaca; melhoria do desempenho de reanimação e garantia das atividades constantes de evolução da qualidade por meio da educação continuada. Evidencia-se que, assegurar cuidados baseados no conhecimento científico, tem potencial para salvar milhares de vidas (AHA, 2015). Dentre as diretrizes de educação do AHA, destacam-se: uso de manequins de alta fidelidade em centros de treinamento e organizações com infraestrutura, pessoal treinado, e recursos para manter o programa; utilização de dispositivos de RCP para desenvolvimento da habilidade psicomotora; ciclos de reciclagem e formação frequente em SBV e reciclagem em Suporte Avançado de Vida (SAV) (AHA, 2015). Nesse sentido, a simulação da prática clínica vem sendo empregada como ferramenta importante do processo de ensino-aprendizagem, e utilizada na formação de futuros profissionais da saúde. A simulação tem a intenção de desenvolver competências e habilidades para o cuidado e atendimento a PCR (Garbuio, 2016; French, 2020; Silva, 2021). A aprendizagem baseada em simulação fornece um aprendizado eficaz e está, progressivamente, sendo integrada à educação de profissionais de saúde. As vantagens da simulação podem ser resumidas em: favorecer a segurança em saúde, evitando eventos adversos; economia de materiais e equipamentos; permissão de erros e acertos; controle do tempo através de simuladores (McGagie, et al.,2011; Martins, et.al., 2012). Essa metodologia é capaz de fornecer experiências repetidas e consistentes com o esperado ou o inesperado (Lateef, 2010). A simulação viabiliza experiências clínicas verdadeiras, tanto em termos de quantidade, como qualidade, antes da intervenção em situação real (Munroe & Curtis, 2016). É possível observar a insegurança dos alunos na inserção da prática clínica. Evidencia-se a importância de elaborar roteiros de simulação clínica como estratégia de ensino-aprendizagem que possam auxiliar a formação de profissionais competentes. Os cenários e as práticas permitem treinamentos até o momento em que os estudantes possam dominar a habilidade ou o procedimento. Um número crescente de instituições de saúde e ensino está desenvolvendo o aprendizado baseado na simulação (World Health Organization, 2018). Cheng et al. (2020) referem uma lacuna do conhecimento entre a capacitação do docente, instrutor da ressuscitação cardiopulmonar, e o ensino aos alunos, no 16 que se refere à preparação para intervenção. Ressaltam ainda dois questionamentos: “Quais são as maneiras mais eficazes de treinar e desenvolver instrutores de ressuscitação?”; “Como os recursos de design instrucional podem ser combinados para otimizar os resultados?” Enfatiza-se que não há na literatura um roteiro de simulação clínica validado para o SBV, cujo docente possa aplicar na prática no ensino. Frente a esta lacuna da literatura, justifica-se a importância do presente estudo. Contudo, com a intenção de preparar os profissionais da saúde para o desenvolvimento do SBV, acredita-se que o uso da simulação clínica como mecanismo de ensino e aprendizagem em saúde seja imprescindível. Ele é capaz de fortalecer a relação teoria/prática e contribuir no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, imitando atendimentos clínicos reais (World Health Organization, 2018). Além disso, a formação eficaz contribui com melhores resultados de sobrevivência em parada cardíaca (AHA, 2020). Espera-se assim, que a construção e validação de roteiro pedagógico para ensino simulado de SBV como produto da presente pesquisa, possa ser um apoio na preparação dos graduandos da área da saúde. Buscou-se garantir que o roteiro tenha integridade, reprodutividade e esteja alinhado com os padrões recomendados para a construção da simulação clínica. 17 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivos Gerais - Realizar a revisão integrativa de literatura para analisar a contribuição do uso da simulação clínica como estratégia para o ensino e aprendizagem do Suporte Básico de Vida na Graduação em Enfermagem. - Construir e validar roteiro pedagógico para ensino simulado de Suporte Básico de Vida. 18 3 REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo tem-se a intenção de evidenciar os principais aspectos fundamentais a este estudo: a simulação, o Suporte Básico de Vida, validação de conteúdo e índice de validação de conteúdo. 3.1 A Simulação no Ensino A simulação é uma estratégia amplamente utilizada no ensino e treinamento de estudantes e profissionais de saúde. Garante a segurança do paciente e a qualidade do ensino, desenvolvendo o raciocínio crítico e habilidades clínicas. Deve ser empregada de acordo com a contextualização e nível de fidelidade apropriada ao objetivo do ensino (Laureen & Lauren, 2019). O ensino fragmentado do conhecimento e o aprendizado passivo, comprovadamente, diminuem a retenção do conhecimento e aplicação na prática (Khan et al., 2011). Para assegurar as competências, habilidades e atitudes dos profissionais de saúde, as instituições no país e ao redor do mundo tem recorrido a simulação clínica como estratégia de ensino (Batispta et al., 2014). As instituições de ensino integram no currículo esta modalidade de ensino para treinar diferentes técnicas em diferentes cenários, enquanto em outros momentos, os alunos permanecem, principalmente, como observadores. Pode ser empregada em conteúdo complexo e habilidades transversais, como a comunicação assertiva, eventos adversos, tomada de decisão, gestão de conflitos, trabalho em equipe e liderança (World Health Organization, 2018). Nesta metodologia de ensino, o aluno pode consolidar e valorizar o conhecimento, desenvolver habilidades técnicas e relacionais, pensar e refletir, contribuindo assim para a formação de qualidade. Além de estabelecer ambiente seguro para aluno, professor e paciente (Martins, et.al., 2012). Considerado benéfico, eficaz e tem mostrado resultados positivos em vários estudos, indicando que os alunos se sentiram mais confiantes e satisfeitos após vivenciar a simulação como método de ensino no processo de aprendizagem (Al-Ghareeb & Cooper, 2016; Cant & Cooper, 2016). O desenvolvimento da simulação requer planejamento, organização, implementação da simulação, a fidelidade e o tipo de manequim. O facilitador deve 19 possuir perfil e experiência, afim de garantir apoio ao participante durante o atendimento. Durante o debriefing o mesmo precisa ser conduzido após a participação dos participantes na simulação clínica. A intenção é verificar se simulação contribuiu efetivamente para o alcance dos objetivos de aprendizagem e o desenvolvimento de competências requeridas, que deve ser respaldada por referenciais teóricos e metodológicos (Bortolato-Major, et al., 2021). 3.2 Suporte Básico de Vida na Parada Cardiorrespiratória Com a preocupação da qualidade do atendimento à PCR, as diretrizes do AHA se baseiam na Fórmula de Utstein para Sobrevivência, considerando o impacto da ciência, educação, processo da implementação das ações, na sobrevivência à PCR (Figura 1). Figura 1 – Fórmula de sobrevivência em ressuscitação: elementos que contribuem para educação eficiente American Heart Association, 2020. Cada vez mais, os sistemas de saúde enfatizam a estruturação para assegurar a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados, garantindo atendimento eficaz, seguro e de qualidade. De acordo, com a Taxonomia dos Sistemas de Atendimento (SPSO), a associação entre a estrutura (pessoas, educação, treinamento, equipamentos), o processo (protocolos, políticas, 20 procedimentos) e o sistema (programas, organizações e culturas), otimizam os desfechos, como sobrevivência, segurança do paciente, qualidade e satisfação, conforme Figura 2 (AHA, 2015). Figura 2 - Taxonomia dos Sistemas de Atendimento: SPSO American Heart Association, 2015 O atendimento inicial à PCR ressalta que o atendimento inicial é determinante em relação à sobrevivência da vítima. Para tanto, as intervenções devem ser realizadas de forma efetiva (SBC, 2021). O atendimento à PCR deve seguir a cadeia de sobrevivência nos âmbitos extra e intra-hospitalar (Figura 3). 21 Figura 3 – Cadeia de sobrevivência da American Heart Asssociation American Heart Association, 2020. A vigilância e prevenção devem ser constantes para evitar uma PCR. Caso venha a acontecer, é necessário atendimento harmonioso entre os serviços e equipe multidisciplinar. Ainda, os sistemas de time de resposta rápida (TRR) ou de time de emergência médica (TEM) são eficazes na redução de incidência de PCR (AHA, 2020). Cada elo desta cadeia representa uma etapa na sequência do atendimento cardiovascular em emergência (ACE) e os três primeiros são associados às ações no SBV e os três últimos, ao Suporte Avançado de Vida. Ressalta-se o cuidado com o sobrevivente da PCR e familiares, incluindo necessidades físicas, psicológicas, sociais e planejamento para alta hospitalar (AHA, 2020). Para o sucesso do atendimento, deve-se atentar ao reconhecimento de PCR, treinamento e implementação, feedback durante a PCR, melhoria nas estruturas e nos sistemas de saúde, cumprimento dos elos da cadeia de sobrevivência e cuidados pós PCR (Quadro 1). 22 Quadro 1 - Pontos essenciais no sucesso do atendimento da PCR __________________________________________________________________________ Reconhecimento de PCR: o sucesso depende do atendimento imediato e pronto reconhecimento, ressaltando o novo conceito de PCR como a ausência de pulso carotídeo ou presença de gasping. Ainda, deve - se sempre suspeitar de uma PCR em pacientes durante uma crise convulsiva Treinamento e implementação: a capacitação e o exercício do algoritmo de RCP é fundamental para o êxito do retorno da circulação espontânea. O uso de manequins e materiais auxilia de forma satisfatória no aprendizado e na fixação do conteúdo, não se devendo esquecer a necessidade dos treinamentos periódicos, com tempo recomendado de 1 a 2 anos. Não entanto pode ser insuficiente; assim, quanto mais precoce, melhores os resultados Feedback durante a PCR: a interação entre os participantes é importante para melhorias no atendimento e fácil reconhecimento de erros na assistência Ênfase na RCP: mais uma vez, as compressões cardíacas são o destaque, reforçando a necessidade de frequência cardíaca entre 100 e 120 compressões por minuto, com mínimo de interrupções e retorno completo do tórax Criação de sistemas de times de resposta rápida e sistemas de times de emergência médica: grupos formados por profissionais de saúde convocados na suspeita de instabilidade clínica ou da deterioração do paciente, prevenindo ou intervindo precocemente na PCR Melhoria nas estruturas e nos sistemas de saúde: criação de um sistema integrado com treinamento de pessoas, auxílio de materiais e transportes para um atendimento unificado, Além da disponibilidade de DEA em locais públicos com alta movimentação de pessoas Cumprimento dos elos da cadeia de sobrevivência: ressaltando as diferenças entre uma PCR intra-hospitalar e extra-hospitalar, com foco na prevenção e na vigilância nos cuidados intra- hospitalares e pós - PCR nos dois âmbitos Cuidados pós - PCR: ênfase na avaliação neurológica, cumprimento das metas hemodinâmicas e controle térmico, com menor variação de temperatura e prevenção de febre Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019 Para garantir a efetividade do atendimento e melhor sobrevivência das vítimas, é ideal que o atendimento tenha ressuscitação cardiorrespiratória de alta qualidade (AHA, 2020). A garantia da alta qualidade da RCP em adultos inclui:  Frequência de compressão torácica de 100 a 120 compressões/minuto;  Profundidade de compressão mínima de 5 centímetros (cm) e evitar maiores que 6 cm;  Retorno total do tórax após cada compressão;  Minimizar interrupções durante a compressão torácica;  Evitar excesso de ventilação. 23 O SBV no adulto inclui aspectos fundamentais: reconhecimento imediato da PCR, contato com o sistema de emergência, início da RCP de alta qualidade e uso do desfibrilador externo automático (DEA), assim que disponível (AHA, 2020). Ressalta-se, que o foco do presente estudo é o SBV em adultos no meio intra hospitalar. O mnemônico “C-A-B-D” descreve os passos do atendimento. O “C” corresponde à compressões torácicas (30 compressões), o “A” abertura de vias aéreas, “B” boa ventilação e “D”, desfibrilação precoce (SBC, 2019). O primeiro passo é avaliar a responsividade da vítima, chamar e tocar com as duas mãos os ombros. Se a vítima responder, converse com ela. Caso não haja responsividade, solicitar ajuda e carrinho de emergencia. Os profissionais da saúde devem ter a certeza da PCR antes de solicitar TRR. A utilização de celular é recomendada para evitar deixar a vítima sozinha e permite iniciar a ressuscitação (Cheng, et al., 2020). A atualização das diretrizes do AHA 2020, reforça o uso de telefonia móvel para chamada e envio de mensagens (AHA, 2020). Imediatamente, avaliar pulso carotídeo e frequência respiratória ou gasping (dificuldade ao respirar) simultaneamente, no tempo máximo de 10 minutos. Em situação da vítima não respirar, ou apresentar gasping e o pulso estiver ausente, inicie a RCP (AHA, 2020). Iniciar ciclos de 30 compressões e 2 ventilações, com dispositivo de barreira ou a manter de 100 a 120 compressões/minuto contínua até a chegada de mais um profissional. Se houver mais de um profissional, alternar a compressão e ventilação a cada 2 minutos (AHA, 2020; AHA, 2015; SBC, 2019). Deve-se observar nas compressões torácicas, a frequência, profundidade, retorno do tórax a cada compressão e interrupção mínima. A oxigenação adequada dos tecidos depende do fluxo sanguíneo gerado pelas compressões. A Fração das Compressões Torácicas é a proporção de tempo em que as compressões são realizadas durante uma PCR, e deve ser de pelo menos 60%, e o ideal é de 80%. A frequência deve ser de 100 a 120 compressões/minuto, com profundidade de no mínimo 5 centímetros, evitando profundidade maior que 6 cm e permitindo retorno do tórax. As interrupções devem ser evitadas, com pausa de no máximo 10 segundos para realizar das ventilações (AHA, 2015; AHA, 2020; SBC, 2019). O reconhecimento precoce da causa da PCR resulta em melhor prognóstico aos pacientes. 24 Sabe-se que os principais ritmos de PCR em ambiente extra-hospitalar é a Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular (TV), chegando a quase 80% dos eventos. A taxa de sobrevida é em torno de 50 a 70% se a desfibrilação é realizada em 3 a 5 minutos do início da PCR. Já no ambiente intra-hospitalar os ritmos de PCR mais frequentes são a Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) e assistolia, com baixas taxas de sobrevida e pior prognóstico, inferior a 17%. Afim de melhorar a qualidade no atendimento, o algoritmo do atendimento em SBV está representado na figura 4 (AHA, 2015). Os algoritmos e recursos visuais foram revisados nas diretrizes AHA 2020, a fim de garantir a utilização beira-leito e compatíveis com as melhores evidências científicas. Abaixo, segue o novo algoritmo do atendimento a PCR, Figura 4 (AHA, 2020). 25 Figura 4 – Algoritmo do Suporte Básico de Vida para profissionais de saúde. DEA: desfibrilador externo automático; RCP: ressuscitação cardiopulmonar; SAV: Suporte Avançado de Vida Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2019 26 Figura 5 - Algoritmo de PCR para adultos Fonte: American Heart Association, 2020 27 Esta dissertação foi construída em duas etapas. Na primeira etapa, estão descritos o método, resultados e discussão do manuscrito de revisão integrativa. Na segunda etapa o método, resultados e discussão da elaboração do roteiro e validação de conteúdo. 4 PRIMEIRA ETAPA - REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA 4.1 Método 4.1.1 Delineamento A revisão integrativa possibilita gerar novas perspectivas sobre um tema, oferece aos profissionais o acesso rápido aos resultados relevantes que fundamentam as condutas ou a tomada de decisão, além de verificar lacunas do conhecimento (Polit, et al., 2011). A construção da presente revisão integrativa foi guiada por seis momentos: identificação do tema e elaboração da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios de exclusão e inclusão, definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/categorização dos estudos, avaliação dos estudos incluídos na revisão, interpretação e síntese dos resultados, e, por último a apresentação da revisão (Mendes, et al., 2008). Todos os momentos foram alicerçados em uma estrutura formal e rígida de trabalho que permitiu evidenciar e discutir a simulação da prática clínica no processo de ensino-aprendizagem de SBV no Curso de Graduação em Enfermagem. 4.1.2 Primeiro Momento - Identificação do tema e elaboração da questão de pesquisa A partir de leitura prévia sobre a temática do estudo elaborou-se a seguinte questão de pesquisa: Como a simulação da prática clínica tem sido utilizada no processo de ensino e aprendizagem do SBV no Curso de Graduação em Enfermagem? 28 4.1.3 Segundo Momento - Seleção dos critérios de exclusão e inclusão Foram incluídos os artigos publicados em Língua Portuguesa, Espanhola e Inglesa que respondessem à questão de pesquisa do estudo, independente do país, da metodologia e que estivessem disponíveis na íntegra nas bases de dados selecionadas ou que pudessem ser adquiridos, no período de 2016 a 2020. Foram excluídos editoriais, resumo de anais, relato de experiência, artigos de revisões e de simulação em outra área de atuação. É pertinente salientar que os artigos em duplicidade foram contabilizados apenas uma vez. 4.1.4 Terceiro Momento - Coleta de dados por meio da extração e categorização das informações A coleta de dados aconteceu entre fevereiro e abril de 2020 por meio do levantamento dos artigos nas seguintes bases de dados: Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e a biblioteca da SCIELO, o acesso foi via Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). As bases Cummulative Index to Nursing and Allied Health (CINAHL), SCOPUS, WEB OD SCIENCE, COCHRANE E EMBASE foram acessadas por meio do portal Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A busca foi realizada com a utilização dos seguintes descritores em inglês, espanhol e português pelos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): estudos de validação, enfermagem, Suporte Básico de Vida, simulação, educação em enfermagem, treinamento em simulação, ressuscitação cardiopulmonar e estudantes; validation studies, nursing, Basic Life Support, simulation, cardiopulmonary resuscitation, undergraduate nursing student; estudios de validación, simulacion, enfermería, reanimación cardiopulmonar, , educación en enfermeira. Seguindo as recomendações do Instituto Joanna Briggs (IJB) foi elaborado o Quadro 2 com os itens: título, objetivo, questão de pesquisa, estratégias de busca, critérios de inclusão, extração e síntese dos dados. Dois pesquisadores realizaram as buscas, separadamente. Após os resultados foram comparados, com o objetivo de minimizar divergências. 29 Quadro 2 - Protocolo para realização da pesquisa de revisão integrativa: uso de simulação da prática clínica do SBV no Curso de Graduação em Enfermagem. Título: Simulação da prática clínica do Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem: revisão integrativa 1) Objetivo: Identificar e avaliar o uso da simulação da prática clínica como estratégia de ensino aprendizagem no Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem 2) Questão norteadora: Como a simulação da prática clínica tem sido utilizada no processo de ensino aprendizagem no Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem? 3) Estratégias para buscas 3.1. Base de dados Base de dados 1: LILACS Base de dados 2: Scielo Base de dados 3: PubMed Base de dados 4: CINAHL Base de dados 5: Scopus Base de dados 6: Embase Base de dados 7: Cochrane Base de dados 8: Web of Science 3.2. Busca pelos descritores e palavras - chave – realizada em março de 2020, revisada em janeiro 2021 Base de dados 1: LILACS (Validation studies OR estudios de validación OR estudos de validação) AND (nursing OR enfermería OR enfermagem) AND (cardiopulmonary resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (simulação OR simulation OR simulacion) = 1 artigo (Resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (education, nursing OR educación en enfermería OR educação em enfermagem) = 25 Base de dados 2: Scielo (Validation studies OR estudios de validación OR estudos de validação) AND (nursing OR enfermería OR enfermagem) AND (cardiopulmonary resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (simulação OR simulation OR simulacion) = 1 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 2 Base de dados 3: PubMed (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=1 (Validation studies) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (simulation)= 1 (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) =18 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support)=6 Base de dados 4: CINAHL (Busca avançada) (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 18 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 2 Base de dados 5: Scopus (Elsevier) (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 4 (Validation study AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 Base de dados 6: Embase (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 8 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support)=2 Base de dados 7: Cochrane (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 0 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education) = 0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 1 Base de dados 8: Web of Science (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 5 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (vasic life support) = 5 Fonte: Elaborado pelos autores a partir das considerações do The Joanna Briggs Institute Reviewers’ Mannual 2014 Primeiramente, foram lidos os títulos e resumos dos 100 artigos encontrados. Setenta e nove foram excluídos por não se enquadrarem nos critérios de inclusão e cinco foram encontrados em mais de uma base de dados, portanto, contabilizados apenas uma vez. Restaram 16 artigos que foram avaliados criticamente. https://www-ncbi-nlm-nih-gov.ez87.periodicos.capes.gov.br/mesh/2016340 https://www-ncbi-nlm-nih-gov.ez87.periodicos.capes.gov.br/mesh/2016340 https://www-ncbi-nlm-nih-gov.ez87.periodicos.capes.gov.br/mesh/2016340 30 4.1.5 Quarto Momento - Avaliação dos estudos incluídos na revisão O processo de seleção dos estudos foi realizado com base na leitura inicial dos títulos e resumos e, aqueles que tinham relação com a temática, foram lidos em sua totalidade. Quando respondiam à questão da pesquisa, eram incluídos no estudo, segundo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta - Analyses (PRISMA). Assim, a amostra final constituiu-se de 16 artigos. Com a intenção de extrair todas as informações relevantes, minimizar os erros da transcrição e avaliar o nível de evidência, realizou-se a sumarização das informações de forma ordenada utilizando o instrumento proposto por Ursi (Ursi, 2005), conforme Anexo A. 4.1.6 Quinto e Sexto Momentos - Interpretação, síntese dos resultados e apresentação da revisão Foram realizadas interpretações, sínteses e discussões dos principais resultados da pesquisa. A análise dos artigos inclusos, nessa revisão, foi procedida de maneira descritiva, o que permitiu a identificação da necessidade de novas investigações com relação ao tema, com objetivo de oferecer fundamentos para a prática profissional e a avaliação dos níveis de evidências (Melnyk; Fineout- Overholt, 2011). 4.2 Resultados e Discussão: revisão integrativa da literatura O manuscrito referente à revisão integrativa foi submetido à revista Acta Enfermagem Paulista (Anexo C). Estratégias de ensino da simulação do Suporte Básico de Vida em Enfermagem Simone Buchignani Maigret(1) Rúbia de Aguiar Alencar(2) Michelle Cristine de Oliveira Minharro(3) 1-Departamento de enfermagem, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita, Botucatu, SP, Brasil; autor responsável pela concepção, análise dos dados, redação do artigo e aprovação da versão final a ser publicada 31 2-Departamento de enfermagem, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita, Botucatu, SP, Brasil. Responsável pela análise e interpretação dos dados, revisão crítica do conteúdo intelectual e aprovação da versão a ser publicada. 3-Faculdade Marechal Rondon, São Manuel, SP, Brasil. Revisão crítica do conteúdo intelectual Conflito de Interesse: nada a declarar Submissão: Submetido em.12 de abril de 2021 Autor correspondente Correspondência Simone Buchignani Maigret; Av. Prof. Montenegro, s/n; Botucatu - SP, Brasil; CEP 18618-687; sibuchignani@hotmail.com https://orcid.org/0000-0002-1189-0235 Resumo Objetivo: analisar a contribuição do uso da simulação clínica como estratégia para o ensino e aprendizagem do Suporte Básico de Vida na Graduação em Enfermagem. Método: revisão integrativa de 16 artigos na íntegra, disponíveis nas bases de dados LILACS, PubMed Central, SCOPUS, CINAHL, Web of Science, Embase, Cochrane e Scielo. Resultados: dos artigos avaliados, a maioria oriunda de pesquisas quase experimental (43,75%), foram desenvolvidos no Brasil (43,75%), com estratégias de ensino aprendizagem envolvendo simulações com robóticas (com simuladores de alta e média fidelidade), Role Play, palestras, jogo online, curso online, Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE), simulações cênicas (com pacientes padronizados), Aprendizagem baseada em Problema (PBL) e o Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico (ALMCT). O emprego destas estratégias mostra melhor aprendizagem, desenvolvimento das habilidades psicomotoras, autoconfiança, segurança e trabalho em equipe nos estudantes. Conclusão: a simulação clínica em Suporte Básico de Vida apresenta melhor reconhecimento da parada cardiorrespiratória, compressões torácicas efetivas, desfibrilação precoce, desenvolvimento de competências de manejo clínico avançado, incluindo habilidades de trabalho em equipe e tomada de decisão. mailto:sibuchignani@hotmail.com https://orcid.org/0000-0002-1189-0235 32 Descritores: Enfermagem; Reanimação cardiopulmonar; Simulação; Ensino em enfermagem; Suporte Básico de Vida Introdução A mortalidade por doença cardiovascular isquêmica é a primeira causa de morte no mundo, apesar das políticas de saúde de prevenção das doenças não transmissíveis e os avanços tecnológicos no tratamento (1). O atendimento e a realização precoce de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) à vítima em Parada Cardiorrespiratória (PCR) aumentam as taxas de sobrevivência. Uma RCP bem - sucedida depende da sequência de procedimentos realizados na cadeia de sobrevivência, estabelecida pelo American Heart Association (AHA). O Suporte Básico de Vida (SBV) é considerado o atendimento base em casos de PCR e define a sequência primária de reanimação para salvar vidas(1). O atendimento a PCR, geralmente, é acompanhado de estresse ao profissional da saúde. A AHA enfatiza a importância da educação continuada como disseminação do conhecimento e rotinas adequadas ao atendimento em PCR, Além de constituir critério de avaliação de qualidade no ensino nas instituições(1). A simulação é uma das estratégias de ensino mais importante na capacitação dos profissionais da saúde em PCR. Atualizando, aprimorando e reduzindo a distância existente entre o que se ensina na teoria e sua prática(2). Por meio da simulação, pode-se imitar ou representar um ato ou processo, simples ou complexo. A simulação da prática clínica pode ser definida como estratégia, técnica, processo e ferramenta(3). Para implementação é preciso mais do que simuladores eficazes. É necessário que seu uso seja adequado à metodologia da simulação. E têm por finalidades a educação, a avaliação, a pesquisa e a segurança do paciente, experimentado pelo aluno antes da inserção aos cenários de prática. Além disso, contribui com a melhora da eficácia e da eficiência dos serviços de saúde(4). O conhecimento em Enfermagem e a forma de ensinar os estudantes têm evoluído ao longo dos anos. A evolução da ciência em geral e da tecnologia influenciam a Graduação em Enfermagem e seus docentes a prepararem os alunos 33 para o mercado de trabalho. Neste contexto, a simulação é uma ferramenta de ensino que tem sido difundida no mundo(5). A evidência científica em simulação demonstra que esta estratégia no ensino aumenta e promove o desenvolvimento de aprendizagens significativas nos estudantes, podendo atingir o seu expoente máximo se os participantes a encararem como legítima, autêntica e realista(6). Existe ainda forte evidência de que os estudantes apreciam a simulação por ser praticada em ambiente seguro e isento de riscos(7). No processo de formação das competências busca-se, dentre outros aspectos, desenvolver, no estudante, a capacidade de agir eficazmente no SBV. Assim, colaborar para a articulação dos vários saberes e utilizar o arsenal de conhecimentos na resolução de problemas, no manejo de situações de imprevisibilidade, mobilizando os recursos internos, para enfrentar os desafios do trabalho(8). Frente ao contexto apresentado, o objetivo deste trabalho é analisar a contribuição do uso da simulação clínica como estratégia para o ensino e aprendizagem do Suporte Básico de Vida na Graduação em Enfermagem. Método Foi desenvolvida uma revisão integrativa que consiste em um tipo de pesquisa que sintetiza resultados de estudos anteriores, fornece conhecimento profundo e abrangente para responder as questões focadas na prática clínica, possibilitando ao enfermeiro decidir pela melhor conduta a ser tomada(9). Ainda oferece o acesso rápido aos resultados relevantes que fundamentam as condutas ou a tomada de decisão, além de verificar lacunas do conhecimento(10). Seguindo as recomendações do Instituto Joanna Briggs (IJB)(11) foi elaborado o Quadro 1 com os itens: título, objetivo, questão de pesquisa, estratégias de busca, critérios de inclusão, extração e síntese dos dados. Dois pesquisadores realizaram as buscas separadamente e após essa etapa os resultados foram comparados, com o objetivo de minimizar divergências. Quadro 1 . Protocolo para realização da pesquisa de revisão integrativa: uso de simulação da prática clínica do Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem Título: Simulação da prática clínica do Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem: revisão integrativa 34 1) Objetivo: analisar a contribuição do uso da simulação clínica como estratégia do ensino e aprendizagem do Suporte Básico de Vida na Graduação em Enfermagem 2) Questão norteadora: Como a simulação da prática clínica tem sido utilizada no processo de ensino aprendizagem no Suporte Básico de Vida no Curso de Graduação em Enfermagem? 3) Estratégias para buscas 3.1. Base de dados Base de dados 1: LILACS Base de dados 2: Scielo Base de dados 3: PubMed Base de dados 4: CINAHL Base de dados 5: Scopus Base de dados 6: Embase Base de dados 7: Cochrane Base de dados 8: Web of Science 3.2. Busca pelos descritores e palavras - chave – realizada em março de 2020 Base de dados 1: LILACS (Validation studies OR estudios de validación OR estudos de validação) AND (nursing OR enfermería OR enfermagem) AND (cardiopulmonary resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (simulação OR simulation OR simulacion) = 1 artigo (Resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (education, nursing OR educación en enfermería OR educação em enfermagem) = 25 Base de dados 2: Scielo (Validation studies OR estudios de validación OR estudos de validação) AND (nursing OR enfermería OR enfermagem) AND (cardiopulmonary resuscitation OR reanimación cardiopulmonar OR reanimação cardiopulmonar) AND (simulação OR simulation OR simulacion) = 1 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 2 Base de dados 3: PubMed (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=1 (Validation studies) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (simulation)= 1 (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) =18 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support)=6 Base de dados 4: CINAHL (Busca avançada) (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 18 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 2 Base de dados 5: Scopus (Elsevier) (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 4 (Validation study AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 Base de dados 6: Embase (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 8 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education)=0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support)=2 Base de dados 7: Cochrane (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 0 (Validation study) AND (basic life support) AND (simulation training) AND (nursing education) = 0 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 1 Base de dados 8: Web of Science (Nursing education) AND (basic life support) AND (simulation training) = 5 (Undergraduate nursing student) AND (nursing) AND (cardiopulmonary resuscitation) AND (basic life support) = 5 4. Critério de inclusão População: artigos que utilizaram estratégias de ensino para o ensino - aprendizagem de Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem. Intervenção: utilização de estratégias de ensino para o ensino de Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem. Comparação: utilização de estratégias tradicionais para ensino - aprendizagem de Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem. Resultados: metodologias de ensino adequadas para o ensino - aprendizagem de Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem 4) Critérios de inclusão e exclusão: Artigos completos, com resumos disponíveis e relacionados ao objeto de pesquisa, nos idiomas Português, Inglês e Espanhol. Foram excluídos artigos oriundos de revisões, editoriais, resumo de anais, relato de experiência, e de ensino em outra área de atuação. e aqueles que não estavam disponíveis na íntegra nas bases 35 de dados, no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Os artigos que se repetiram, entre as bases foram considerados apenas uma vez. 5) Extração dos dados: Os trabalhos selecionados foram lidos na íntegra por dois pesquisadores, momento no qual foram extraídas informações relacionadas a estratégias de ensino e impacto no ensino - aprendizagem do Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem. As discordâncias entre os resultados extraídos foram resolvidas por consenso, com a presença de um terceiro pesquisador. As informações extraídas foram dispostas em um banco de dados. 6) Síntese das informações: Cada estudo foi analisado buscando identificar as estratégias de ensino e o impacto do ensino - aprendizagem do Suporte Básico de Vida a graduandos de enfermagem. Busca - se identificar as estratégias e os impactos do ensino de Suporte Básico de vida na graduação em Enfermagem. Fonte: Elaborado pelos autores a partir das considerações do The Joanna Briggs Institute, Reviewers Mannual 2014 (11) . O processo de seleção dos estudos foi realizado através da leitura dos títulos e resumos inicialmente, e, aqueles que tinham relação com a temática, foram lidos em sua totalidade. Quando respondiam à questão da pesquisa, foram incluídos no estudo, conforme ilustrado na figura 1. Figura 1 – Fluxograma da seleção dos estudos segundo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta - Analyses – PRISMA (12) 36 Resultados Nesta revisão integrativa foram analisados 16 artigos que atenderam aos critérios estabelecidos pelo protocolo. Todos de autoria de enfermeiros e publicados no período entre os anos de 2016 e 2021. Quanto à indexação dos artigos nas bases de dados, seis (37,5%) estão na LILACS, quatro (25%) na Pubmed, quatro (25%) na CINAHL, um na Scielo (6,25%), um na Scopus (6,25%). Nas demais bases, Embase, Cochrane Web of Science não foram encontrados artigos que respondessem à questão da revisão. Sobre o delineamento de pesquisa dos artigos selecionados encontrou - se um estudo de coorte (6,25%)(13), sete (43,75%) quase experimental(16,17,18,24,26,27,28), dois (12,5%)(14,25) de produção tecnológica, um experimental (6,25%)(15), um metodológico (6,25%)(21) e quatro (25%) randomizados e aleatorizados(19,20,22,23). O Quadro 2 apresenta uma síntese dos estudos incluídos na revisão. 37 Quadro 2 - Descrição dos estudos incluídos na revisão segundo autores, ano de publicação, delineamento, participantes, objetivo e contribuições NO Autor Delineamento Participantes Objetivo Contribuições 1 Roel S, Bjork, IT (13) 2020 Coorte Estudantes na graduação em ensino de enfermagem (N=142) Comparar o conhecimento e habilidade dos estudantes de enfermagem em CPR antes e depois de uma intervenção pedagógica. Os alunos que assistiram a uma simulação clínica apresentam notas maiores no pós-teste e melhor eficiência na compressão torácica. 2 Alves et al(14) 2019 Pesquisa aplicada, de produção tecnológica Profissionais experts da área de urgência e emergência (N=16) Desenvolver e validar um instrumento de exame clínico objetivo estruturado para o cenário de simulação sobre ressuscitação cardiopulmonar no adulto em suporte básico de vida com o uso do desfibrilador externo automático no ambiente hospitalar O exame clínico objetivo estruturado (OSCE) é uma atividade contemporânea e adequada ao ensino de ressuscitação cardiopulmonar em suporte básico de vida. 3 Smereka et al(15) 2019 Estudo experimental Estudantes de graduação de enfermagem (N= 94) Avaliar o papel do dispositivo TrueCPR™ no processo de ensinar CPR em estudantes de enfermagem A utilização do TrueCPR™,dispositivo de retorno de ressuscitação cardiopulmonar, permite medir a profundidade das compressões torácicas, é um instrumento que contribui na eficácia e conforto dos alunos durante a simulação clínica de RCP 4 Kose S, Akin S, Mendi O, Goktas S (16) 2019 Quase - experimental Estudantes de graduação de enfermagem (N= 65) Avaliar a eficácia do treinamento básico em suporte à vida sobre os conhecimentos e práticas dos estudantes de enfermagem Treinamento oferecido aos estudantes melhorou o conhecimento e as habilidades práticas relacionadas ao Suporte Básico à Vida no pós - teste. 38 5 Barbosa GS, Bias CGS, Agostinho LS, Oberg LMCQ, Lopes ROP, Souza RMC (17) 2019 Quase experimental Estudantes de graduação de enfermagem (N=32) Verificar a eficácia da simulação na autoconfiança de estudantes de enfermagem para ressuscitação cardiopulmonar extra-hospitalar. A simulação do atendimento a uma parada cardiorrespiratória intra- hospitalar promoveu ganhos na autoconfiança dos estudantes de enfermagem para atuação em emergência. 6 Kim E(18) 2018 Quase experimental Estudantes de graduação de enfermagem (N=76) Investigar os efeitos do ensino de simulação na auto eficácia e pensamento crítico dos estudantes de enfermagem em situações de parada cardíaca de emergência Este estudo utilizou a dramatização em ambiente clínico e palestra. O grupo que passou primeiro por palestra e após simulação, teve melhor resultado após simulação. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada entre os dois grupos. 7 Carbogim et al(19) 2018 Randomizado Estudantes de graduação de enfermagem (N=108) Comparar a eficácia da Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) versus PBL associado ao Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico (ALMCT), para melhorar o pensamento crítico (CT) em estudantes de enfermagem em uma intervenção educacional no Suporte Básico de Vida (SBV). A associação de Aprendizagem baseada em Problema (PBL) e o Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico (ALMCT) em BLS mostra melhor aprendizagem. 8 Lapucci et al(20) Randomizado Estudantes de graduação de Avaliar a validade do método de duas etapas no caso da RCP Ensinado a ressuscitação cardiopulmonar com 4 minutos de 39 2018 enfermagem (N=60) prolongada. Verificar se dois segundos interrupções periódicas a cada trinta compressões torácicas permitem o socorrista manter uma massagem cardíaca eficaz por um longo tempo, independentemente das ventilações são realizados ou não. Verificar se um sistema de feedback sobre a eficácia das compressões torácicas (Habilidade - meter®) tem influência positiva sobre a eficácia da massagem. compressão torácica contínua e o grupo controle 4 minutos de compressões torácicas e com pausa de 2 segundos para frequência respiratória. Não há diferença significativa no ensino nos dois grupos. 9 Costa IKF, Tibúrcio MP, Dantas RAN, Galvão RN, Torres GV(21) 2018 Metodológico Juízes especialistas nas áreas de Enfermagem e Medicina (N=6) Validar o conteúdo de um objeto virtual de aprendizagem no formato de jogo educativo simulado, tipo Role Playing Game, sobre Suporte Básico de Vida para acadêmicos e profissionais de saúde O desenvolvimento de um jogo objeto virtual de aprendizagem (OVA) com as etapas sequenciais de atendimento ao BLS pode permitir vivencia em situação real. O jogo foi considerado excelente conteúdo como objeto de aprendizado virtual. 10 Coppens I, Verhaege S, Van Hecke A, Randomizado controlado Estudantes de graduação de enfermagem (N= 116) Investigar se integrar um curso sobre princípios de gestão em resolução de conflitos em equipe e debriefings no treinamento de simulação, aumenta a auto - A implementação de um curso de gestão de conflitos em equipe aumentou a auto - eficácia e a eficácia da atuação em equipe na RCP. 40 Beeckman D (22) 2017 eficácia, a eficácia da equipe e habilidades técnicas dos estudantes de enfermagem em cenários de ressuscitação; II - se as fases contribuem mais com esses resultados. 11 Tastan et al(23) 2017 Randomizado controlado Estudantes de graduação de enfermagem (N=75) Avaliar os efeitos da música no desempenho apropriado da taxa e profundidade da compressão torácica em estudantes de enfermagem. A utilização da música Stayin 'Alive' Bee Gees modificada com darbuka turco melhora a taxa de compressões torácicas. Com a presença da música os alunos mantem o ritmo (100 - 120) e até maior que 121 compressões por minuto. A memória musical contribui no ritmo das compressões torácicas. 12 Tobase L, Peres HC, Gianotto - Oliveira R, Smith N, Polastri TF, Timerman S (24) 2017 Quase experimental Estudantes de Enfermagem (N=62) Avaliar o aprendizado de estudantes no curso online sobre suporte básico de vida com dispositivos de retroalimentação imediata, em simulação de atendimento em parada cardiorrespiratória A realização de curso online SBV contribuiu no aumento da nota média no pós-teste, independentemente do ano de curso dos estudantes. Contribui para o acesso ao conhecimento, raciocínio clínico e tomada de decisão. 13 Tobase L, Peres HC, Almeida DM, Tomazini EAS, Ramos MB, Estudo descritivo de produção tecnológica Enfermeiros - (N=12) Estudantes de graduação de enfermagem- (N=60) Desenvolver e avaliar o curso online sobre Suporte Básico de Vida, norteado pelo modelo ADDIE como referencial metodológico no design instrucional, proposto para desenvolvimento de cursos presenciais e em ambientes Curso online sobre SBV utilizando o Analysis, Design, Development, Implementation, Evaluation (ADDIE Model), mostrou maior pontuação no pós-teste aos alunos que participaram do curso. Curso foi avaliado por especialistas e foi considerado de boa qualidade. Os alunos que realizaram o 41 Polastri TF (25) 2018 virtuais de aprendizagem curso relatam que se sentiam seguros para atender SBV após o curso. 14 Tobase L, Peres HC, Gianotto - Oliveira R, Smith N, Polastri TF, Timerman S. (26) 2017 Quase experimental Estudantes de graduação de enfermagem (N=62) Descrever os resultados de aprendizagem entre os estudantes de graduação em enfermagem, após um curso online de BLS (e - BLS). Alunos realizaram curso online de SBV e aplicaram na prática. 93,5 % dos alunos consideram autoconfiantes para atendimento de SBV. Os resultados do estudo mostram que os alunos foram capazes de desenvolver as diretrizes de RCP após o curso online. 15 Johnson M, Peat A, Boyd L, Warren T, Eastwood, K, Smith G (27) 2016 Quase experimental Pessoal de Enfermagem, alunos de enfermagem e medicina (N=150) Investigar o uso de um manequim automatizado em treinamento que fornece feedback imediato sobre os vários aspectos de RCP, incluindo a taxa de compressão no peito e a profundidade e a taxa de ventilação e de volume em certificação de RCP hospitalar. E determinar se o feedback deste dispositivo pode trazer a equipe a um nível considerado competente em um curto treinamento em habilidades psicomotoras. Treinamento de curta duração em compressão torácica, utilizando o manequim Laerdal Resusci - Anne QCPRTM, contribui para habilidades psicomotoras, mostra melhor preparo dos participantes. 16 Partiprajak et al(28) Quase experimental Estudantes de graduação de Examinar a retenção do conhecimento BLS, auto eficácia Aplicação de palestra de 1 hora de teoria sobre BLS melhora a 42 2016 enfermagem (N= 30) e desempenho em compressão torácica de estudantes de graduação em enfermagem tailandeses ao realizar um curso de BLS em três fases, pré - teste, imediatamente pós - teste e pré - teste em 3 meses após o treino compressão torácica dos estudantes no pós-teste. Após 3 meses, não houve mudança significativa no pré- teste. Há necessidade de treinamento e aplicação constante das habilidades. Fonte: autor 43 A maior concentração de artigos (68,75%) foi em revistas da área clínica e de emergência em medicina e enfermagem, seguida de publicação na área de educação (31,25%). A simulação foi empregada para ensino e avaliação das habilidades específicas do SBV. Empregaram simulações com robóticas (com simuladores de alta e média fidelidade) em 75% dos estudos, Role Playing, palestras, jogo online, curso online, Exame Clínico Objetivo Estruturado, simulações cênicas (com pacientes padronizados), Aprendizagem baseada em Problema (PBL) e o Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico (ALMCT). Ainda, em relação ao referencial teórico de SBV, dez artigos usaram fundamentação teórica baseada nas diretrizes do American Heart Association (62,5%); dois artigos europeus basearam no European Resuscitation Council e, dois artigos australianos utilizaram as diretrizes do Australian Resuscitation Council. Quanto às estratégias utilizadas nas simulações, seis (37,5%) artigos utilizaram manequins, sendo três de alta fidelidade. Três estudos recorreram ao uso de curso online. A maioria das simulações foi avaliada a partir do comparativo entre pré e pós- teste. Um estudo utilizou o equipamento TrueCPR™ que mensura as compressões torácicas(15). Outro estudo sobre autoconfiança no atendimento a PCR, mostra que os alunos são mais confiantes após cenário clínico simulado(17). Um artigo resulta em maior raciocínio crítico e auto eficiência após simulação(18). Ainda, uma pesquisa mostra melhora do conhecimento cognitivo com associação de Aprendizagem baseada em Problema (PBL) e o Modelo de Aprendizagem Ativa para o Pensamento Crítico (ALMCT)(19). Três artigos foram desenvolvidos com curso teórico online e submetido à simulação clínica, mostrando resultados de maior conhecimento, autoconfiança no atendimento no SBV(22, 24, 25). Também, os artigos apontam o uso do Exame Clínico Objetivo Estruturado, vídeos contribuem significativamente no aprendizado de SBV(15,21). As contribuições da simulação para SBV, entre os estudos analisados, foram relacionadas ao aumento do conhecimento; desenvolvimento das habilidades cognitivas, aperfeiçoamento da compressão torácica, do julgamento clínico e resolução de conflito no trabalho em equipe. 44 Discussão Os artigos estudados destacaram a simulação clínica como uma estratégia eficaz para o ensino e aprendizado do SBV em Enfermagem, nos últimos cinco anos. Esta estratégia permite que o indivíduo vivencie uma situação similar à prática por meio de cenários ou simuladores, estimula o uso do raciocínio clínico, a tomada de decisão, gerenciamento de equipe e desenvolvimento de habilidades psicomotoras(18,24,27). Estudos mostram resultados satisfatórios no emprego combinado de suporte teórico, baseado no American Heart Association, European Resuscitation Council e Australian Resuscitation Council e uso de simuladores(16,19,20,22,23). Corroborando com a utilização da tecnologia no manejo da PCR, visando a ação rápida, a valorização da formação adequada e de esforços coordenados para aumentar as chances de sobrevivência pós-parada(2). Um estudo realizado com alunos de enfermagem, implementou um curso de gestão de conflitos para equipe com intenção de avaliar a auto eficácia, a eficácia da equipe e habilidades técnicas com a simulação. O estudo encontrou que o estudante é capaz de perceber a auto eficácia, ter melhor desempenho nas habilidades e ser mais eficaz no trabalho em equipe(22). Ainda ressalta que a combinação de debrifieng e gestão de conflitos torna o trabalho em equipe mais eficaz. Fato que pode ser aplicado na prática clínica, contribuindo com trabalho interdisciplinar e segurança do paciente. Além disso, o uso da simulação de alta fidelidade proporciona maior segurança aos pacientes e favorece o ensino da prática avançada em enfermagem(25). Junto com a simulação clínica, a ferramenta do Objective and Structured Clinical Examination (OSCE) foi uma estratégia utilizada como método de avaliação para garantir o processo de ensino aprendizado do SBV. Os alunos desenvolveram competências necessárias para o ensino e avaliação, comumente usadas na enfermagem(14). Estudo relata que o emprego do OSCE em SBV foi uma estratégia importante para o ensino, permitindo organização, clareza e objetividade(29). Ressalta-se também que a simulação deve ser empregada para ensino de habilidades do (SBV), assim como para efetividade da compressão torácica, pois quando efetiva aumenta a sobrevida(1). Dois estudos comprovaram a efetividade do treinamento nas compressões torácicas junto aos alunos de graduação, através da 45 simulação. Com resultados positivos com ou sem dispositivo de avaliação das compressões(15,20,21,23). O mesmo aconteceu em outro estudo realizado na Turquia, que observou que o treinamento das compressões torácicas na presença da música Stayin 'Alive' (Bee Gees) modificada com Darbuka turca, foi significativamente maior no grupo intervenção, em comparação com o grupo controle. Ao som da música, os alunos mantiveram o ritmo entre 100 -120 compressões torácicas/minutos. Os autores ressaltaram que ouvir música durante a educação em RCP ajuda no desenvolvimento da memória mental e também ajuda a encontrar o ritmo durante a RCP(23). O que corrobora com as diretrizes do AHA que compressões torácicas efetivas melhoram a sobrevida(2). Estudos comprovam que o emprego das tecnologias no ensino ao SBV sustenta o conhecimento para aplicação em simulação real, através de jogo objeto virtual de aprendizagem (OVA) e curso online(21,24,25,26). A educação à distância se destaca na atualidade como modalidade alternativa e diferenciada. Também possui características, linguagem e formato próprios, necessitando de administração, desenho, acompanhamento, avaliação, tecnologia e recursos pedagógicos condizentes para potencializar o processo educativo, ampliando o alcance e a abrangência da educação(19). Frente à complexidade da parada cardiorrespiratória, a simulação mostra-se como ferramenta adequada para o ensino destas habilidades, por ser dinâmica, fornecendo uma visão real das situações clínicas dentro de um ambiente protegido e controlado. A presente revisão teve como limitações a dificuldade de encontrar os descritores que combinados apresentassem resultados de simulação em Cursos de Graduação em Enfermagem e o restrito número de estudos com delineamento de pesquisa que resultam em resultados com forte evidência. No entanto, os achados apresentados responderam à questão norteadora, que era de conhecer como a simulação da prática clínica tem sido utilizada para o ensino aprendizado do SBV no Curso de Graduação de Enfermagem. 46 Conclusão A simulação da prática clínica em SBV contribui no processo de ensino aprendizagem para os alunos dos Cursos de Graduação em Enfermagem, através do melhor reconhecimento da parada cardiorrespiratória, compressões torácicas efetivas, desfibrilação precoce, desenvolvimento de competências de manejo clínico avançado, incluindo habilidades de trabalho em equipe e tomada de decisão. Além de impactar no preenchimento de lacunas do aprendizado, estimula o uso das evidências científicas e o desenvolvimento do raciocínio clínico. Foi evidenciado que a simulação da prática clínica é uma ferramenta eficaz para ensino de SBV, favorecendo o ensino da prática em enfermagem e proporcionando maior segurança aos alunos durante a assistência. Referências 1. Bhanji F et al. American Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular. Circulation. 2015;S561–S573. 2. Olasveengen TM, Mancini ME, Perkins GD, Avis S, Brooks S, Castrén M, et al. Adult basic life support. 2020. International consensus on cardiopulmonary resuscitation and emergency cardiovascular care science with treatment. recommendations. Circulation. 2020;142(suppl 1):S41–S91. 3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449–663. 4. Ribeiro VS, Garbuio DC, Zamariolli CM, Eduardo AHA, Carvalho EC. Simulação clínica e treinamento para as Práticas Avançadas de Enfermagem: revisão integrativa. Acta Paul Enferm. 2018; 31(6):659- 666.DOI:10.1590/1982-0194201800090. 5. Hawkins K, Todd M, Manz J. A unique simulation teaching method. J Nurs Educ. 2008; 47(11):524-527.DOI:10.3928/01484834-20081101-04. 6. Leigh GT. High-fidelity patient simulation and nursing students' self-efficacy: a review of the literature. Int J Nurs Educ Sch. 2008; 5(1):1-17 7. Dillard N, Sideras S, Ryan M, Carlton KH, Lasater K Siktberg L. A collaborative project to apply and evaluate the clinical judgment model through simulation. Nurs Educ Perspect. 2009; 30(2):99–104. 47 8. Brasil. RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 3, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Diário Oficial da União. 2001 Nov 9; seção 1-6. 9. Broome ME. 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O roteiro de simulação foi construído após levantamento dos conteúdos a partir da revisão de literatura, e foi baseado no julgamento de juízes especialistas, que realizaram a validação de conteúdo (Polit, et al., 2011). O estudo metodológico visa à investigação de métodos que permite a coleta e organização dos dados, como: desenvolvimento, validação e avaliação de ferramentas e métodos de pesquisa, favorecendo a execução de pesquisas com rigor científico acentuado (Polit, et al., 2011). O roteiro é considerado válido quando a construção e aplicabilidade dele permitem uma descrição que se aproxime de um ambiente real. Ao se falar em validação, as técnicas mais conhecidas são: validade de conteúdo; validade de aparência; validade de critério e validade de constructo. Para o estudo, foi realizada a validação de conteúdo. A validade de conteúdo previu a avaliação dos itens, segundo clareza, relevância, pertinência e abrangência (Polit, et al., 2011). A clareza avalia se a construção dos itens do instrumento, quanto à forma escrita, permite a leitura adequada e favorece a compreensão do conteúdo avaliado. Avaliar a redação dos itens, ou seja, se os itens estão redigidos de forma que o conceito esteja compreensível e se expressa adequadamente o que se espera medir. A relevância indica quanto o item representa o conteúdo que está sendo medido, são adequados para atingir os objetivos propostos (Coluci et al, 2015). A pertinência considera se os itens do instrumento são adequados e específicos para o conteúdo em avaliação. Avaliar se os itens realmente refletem os conceitos envolvidos, se são relevantes e adequados para atingir os objetivos propostos. O item pode ser relevante dentro do conceito/da temática, mas não pertinente especificamente dentro da avaliação proposta (Coluci et al, 2015). 50 A abrangência mostra se o instrumento engloba todos os itens relacionados ao que se deseja mensurar14. Avaliar se cada domínio ou conceito foi adequadamente coberto pelo conjunto de itens e se todas as dimensões foram incluídas (DeVellis, 2012; Coluci et al, 2015). Cada item do instrumento foi avaliado considerando a clareza, relevância, pertinência e abrangência, pontuando cada item de acordo com a escala do Tipo Likert. De acordo com a escala, cada item do protocolo foi pontuado de 1 a 4, corresponte a: (4) relevante, (3) necessita de pequena revisão, (2) necessita de grande revisão e (1) não é relevante. A validade de conteúdo evidencia o que se pretende medir através de um domínio específico. Diz respeito à adequação dos itens e até que ponto, o conjunto de itens específicos, reflete o domínio do conteúdo (DeVellis, 2003). O constructo deve conter elementos relevantes e representativos com propósitos de avaliação (Sampieri et al, 2013; Alexandre & Coluci, 2011). Pode ser realizada por diferentes abordagens: 1) o desenvolvimento do instrumento, com a revisão de como a variável foi medida por outros pesquisadores e em seguida, com base nisto, elaborar um universo de possíveis itens para medir a variável e suas dimensões, devendo ser o universo o mais abrangente possível; e 2) avaliação de especialistas sobre o instrumento (Sampieri et al, 2006; Alexandre & Coluci, 2011). Para a avaliação de especialistas deve se constituir um grupo de no mínimo cinco juízes selecionados pelas características do instrumento e suas formações, qualificações, experiências e disponibilidades, para realizar cuidadosa avaliação e seleção dos itens. Recomenda-se que os critérios de seleção dos especialistas sejam descritos, destacando-se: ter experiência clínica, publicar e pesquisar sobre o tema; ser perito na estrutura conceitual e ter conhecimento metodológico sobre a construção de instrumentos de medida (Sampieri et al, 2006; Alexandre & Coluci, 2011). Etapas e métodos padronizados e sistemáticos deveriam ser usados na validação de conteúdo para melhorar a qualidade dos instrumentos de medida. A avaliação pelos juízes pode envolver procedimentos qualitativos e quantitativos, por exemplo: convite aos membros do comitê, através de carta explicativa, fornecendo as bases conceituais e teóricas do instrumento, considerando também um questionário especifico para avaliação, breve caracterização dos especialistas; e 51 avaliação dos juízes sobre a abrangência do instrumento (se cada domínio foi adequadamente coberto pelo conjunto de itens), seguida da avaliação de clareza, pertinência e relevância de cada item (Alexandre & Coluci, 2011). A concordância entre os especialistas é realizada através de medidas quantitativas para avaliar a validade de conteúdo. Destacam-se: a porcentagem simples de concordância, como útil na fase inicial para auxiliar na determinação dos itens e o índice de validade de conteúdo (IVC) para medir a proporção de juízes que estão em concordância sobre determinados aspectos do instrumento e seus itens. Sendo que este último, utilizando-se de escala do tipo Likert para avaliação da relevância, como por exemplo, de 1 = irrelevante a 4 = relevante, é calculado pela soma de concordância em itens considerados “3” ou “4”, dividida pela quantidade total de juízes. Itens com baixo IVC devem ser revisados ou excluídos (Alexandre & Coluci, 2011). 5.1.2 Participante da pesquisa Os participantes deste estudo foram os profissionais que constituíram o comitê de especialistas para a realização da validação de conteúdo do roteiro pedagógico de simulação clínica do SBV. Conforme recomendado, este comitê foi formado por um grupo de no mínimo cinco juízes selecionados pelas características do instrumento, suas formações, qualificações, experiências e disponibilidades (Sampieri et al, 2006; Alexandre & Coluci, 2011; Coluci et al, 2015). A seleção dos juízes foi realizada por meio da Plataforma Lattes do currículo de pesquisadores, disponível no portal do Conselho Nacional Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com a utilização de filtros disponíveis na plataforma de acordo com a categoria a ser encontrada; bem como por meio da técnica de amostragem do tipo Bola de Neve (Snowball), abordagem adequada para selecionar participantes sobre determinado assunto, solicitando-lhes a indicação de outros profissionais com as mesmas características estabelecidas, que aceitaram participar da pesquisa (Polit, et al., 2011). Os critérios de seleção dos especialistas incluíram: ter experiência clínica, publicar e pesquisar sobre o tema; ser perito na estrutura conceitual e ter conhecimento metodológico sobre a construção de instrumentos de medida (Sampieri et al, 2006; Alexandre & Coluci, 2011; Coluci et al, 2015). Não foram incluídos profissionais ligados ao ambiente acadêmico da pesquisadora responsável. 52 5.1.3 Procedimentos de coleta de dados Os juízes foram convidados por e-mail, mediante contato formal por meio de uma carta convite (Apêndice 1) que expôs o motivo da escolha, o objetivo do estudo e sobre a forma pela qual se daria a participação. Também foi informado o link de acesso para o formulário, criado com auxílio da ferramenta Lime Survey e dividido em três partes. Na primeira parte do formulário, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice 2). Ao declarar estar de acordo, o participante foi direcionado à segunda parte do formulário, que continha perguntas fechadas sobre a caracterização dos juízes: idade, sexo, estado civil, ano de formação, experiência assistencial na área, experiência docente, publicação na área de saúde do adulto, cardiologia, urgência/emergência e/ou simulação clínica, ministrou capacitações em cardiologia, urgência/emergência, SBV, simulação clínica e público alvo, participou como ouvinte em capacitações sobre o tema (Apêndice 3). Na terceira parte foi exposto o roteiro para validação de conteúdo (Apêndice 4). 5.1.4 Protocolo do estudo Para construção do roteiro foi realizado busca na literatura de livros específicos sobre a temática, artigos científicos, recomendações da AHA e SBC em SBV (AHA, 2020; AHA, 2015; SBC, 2019). Para elaboração textual do roteiro teórico-prático para simulação da prática clínica foi adaptado o referencial de Fabri et al. (2017), que realizaram estudo qualitativo que culminou na construção de um roteiro teórico-prático para simulação da prática clínica. Essa construção originou três fases dos componentes principais do cenário simulado: prévios, preparo e finais, que deu origem às sete unidades de significância, e posteriormente, as subunidades de significância, conforme pode ser observado no Quadro 3. 53 Quadro 3 - Roteiro teórico - prático a ser utilizado no ensino clínico simulado Componentes Unidade de Significância Subunidades de significância Prévios ao cenário 1. Conhecimento prévio do aprendiz Identificar fundamentação teórica do assunto/ conhecimento prévio 2. Objetivos da aprendizagem Objetivos da aprendizagem/primários/secundários 3.Fundamentação teórica Referências Envio do material pré e pós-treinamento Preparo do cenário 4. Preparo do cenário Nome do responsável pela elaboração Complexidade do cenário (intervenções esperadas/resultados esperados, nível complexidade/fidelidade) Documentação (check-list, data elaboração e revisão, descrição do cenário para o instrutor, descrição do roteiro para os atores, diagnóstico médico, estrutura do caso proposto/resumo, roteiro/ instruções) Recursos Materiais (Recursos disponíveis, Equipamentos e programação, Som e imagem, Recursos materiais e simuladores, Medicamentos em uso) Caracterização dos simuladores/atores Espaço físico/ambiente Recursos humanos (Público- alvo, Docentes/Facilitadores/ Instrutores/ Técnicos, Formação de facilitadores, Atores, Colaboradores) Treino da equipe para a atividade Validar cenário Finais do cenário 5. Desenvolvimento do cenário Evolução da situação Fator crítico do cenário Pistas Tempo estimado do cenário/deve ser curto 6. Debriefing Fundamentação teórica Debriefing/planejar Pontos a serem discutidos no debriefing/pontos críticos Tempo estimado do debriefing 7. Avaliação Avaliação da atividade Fonte: Fabri et al., 2017 No Quadro 4 é possível observar o detalhamento das Unidades de Significância Quadro 4 – Detalhamento das Unidades de Significância 1. Conhecimento prévio do aprendiz 1.1 Conhecimento teórico aplicado Identificar fundamentação teórica do assunto antes com o aprendiz Conteúdo teórico antes/conhecimento prévio Estabelecer objetivos da aprendizagem: primários e secundários (3 a 4 objetivos, no máximo) Estabelecer tempo: máximo 10 minutos de simulação 1.2 Fundamentação Teórica Utilizar referências baseadas em melhores evidencias Enviar material pré e pós - treinamento 2. Preparo do cenário 2.1 Tema estabelecido pelo professor/facilitador Nome do responsável pela elaboração: professor/facilitador Estabelecer as intervenções esperadas Identificar os resultados esperados Realizar a simulação em nível crescente de complexidade/fidelidade 2.2 Construção da documentação Data elaboração e revisão 54 Descrição do cenário para o instrutor atual Descrição do roteiro para os atores Estrutura do caso proposto: Diagnóstico médico, motivo da internação, história pregressa, sinais vitais, exames e outros, conforme complexidade Roteiro tipo checklist com ações para professor/facilitador Roteiro tipo checklist para alunos na sala de observação, para facilitar o debriefing Caracterização dos simuladores: descrição dos parâmetros e intervenções com o tempo Roteiro para encenação Espaço físico/ambiente: criar similaridade com a prática clinica 2.3 Recursos humanos Estabelecer professor/docente Estabelecer participantes da simulação (número de alunos e habilidades) Estabelecer número de atores (paciente, familiares, outros profissionais) Envolver outros colaboradores da instituição na simulação (familiares, outros profissionais) Definir vestimentas, manequim, maquiagem, perucas e outros, para garantir semelhanças com situação real Instrutores do núcleo de simulação Docentes/ facilitadores: receber treinamento e reuniões para trocas de experiências 2.4 Treinamento da equipe Treinar a equipe para a atividade Validar cenário: certificar se está preparado Realizar ensaio prévio da simulação Conhecer a evolução da situação (melhora, piora, morte) Oferecer pistas para que os alunos consigam elucidar o caso Tempo estimado do cenário, deve ser curto: máximo de 10 minutos. Encerrar simulação mesmo se não atingir o objetivo. 2.5 Recursos materiais Estabelecer recursos áudio e vídeo Simulador Materiais médicos hospitalares Medicamentos 3. Componentes finais do cenário 3.1 Evolução do cenário Estabelecer desenvolvimento do cenário com evolução clínica (alunos devem conhecer) Definir o tempo de simulação: 8 a 10 minutos para execução e 20 minutos para debriefing Cumprir o tempo proposto. Encerrar cenário, mesmo se as intervenções não forem alcançadas. 3.2 Debriefing Desenvolver raciocínio e habilidades de julgamento. Garantir a aprendizagem reflexiva 3.3 Avaliação Objetivo: fornecer o desenvolvimento atitudinal e nível de conhecimento, habilidades e atitudes propostas da simulação clínica. Implementar um formulário de avaliação pa