Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente ISSN: 2675-813X V. 4, Nº 1, 2023 DOI: 10.51189/conasust/19513 ARBORIZAÇÃO E ESTRUTURAS VERDES – COMO PRÁTICAS PERMACULTARAIS NA ELABORAÇÃO DE JARDINS DRENANTES NO AUXÍLIO DA CAPTAÇÃO DE ÁGUAS PLUVIAIS: ESTUDO DE CASO DA CIDADE DE TEODORO SAMPAIO/SP ALEX SANDRO DA SILVA; DANIEL LOURENÇO EMMERICH; ROBSON IVANI DE OLIVEIRA RESUMO As cidades foram crescendo, na maioria das vezes de forma muito rápida e desordenada, sem um planejamento prévio adequado, ocasionando, com isso, uma série de problemas que interferem significativamente na vida dos seus habitantes. Essa realidade demanda ao meio urbano necessidades de criar condições que venham melhorar a convivência dentro de um ambiente cada vez mais adverso e insalubre, com uma variedade de atividades que nesses lugares se desenvolvem. O regime de chuva e a temperatura podem sofrer alterações, devido a atividade humana desenvolvida que tem causado profundas mudanças no clima local. À medida que uma cidade cresce, está se torna cada vez mais complexa devido o número crescente de modificações no ambiente. A qualidade de vida dos habitantes de uma cidade é interferida com o processo de mudanças ocorrido com a sua urbanização. Tais mudanças têm relação principalmente com a qualidade do ar, nas quais têm provocado alterações de sua umidade relativa, temperatura e movimento, como também a dispersão de poluentes. Toda essa transformação decorre da necessidade insatisfeita de um prévio planejamento urbano, que possa contemplar os espaços destinados às áreas verdes, onde a sua ausência neste ambiente é sentido com eminente desconforto, principalmente térmico. Essa consequência que tem como causa principal as mudanças realizadas pela ação antrópica no uso do solo que afetam o clima local de diversas formas, como inversões térmicas, chuvas ácidas e aumento do calor. Este projeto tem como objetivo, trazer melhorias socioambientais para os munícipes de Teodoro Sampaio, por meio do plantio de arvores em ruas e avenidas. Assim, trazendo mais beleza ao munícipio e qualidade de vida aos moradores. Um dos grandes problemas enfrentados pelas gestões públicas de pequenas, médias e grandes cidades é a falta de planejamento na captação de águas pluviais, ou seja, a falta de galerias (bocas de lobo) para o recebimento de águas da chuva, com o crescimento populacional e a expansão desenfreada das cidades este problema vem afetando diretamente a população, não havendo destinação correta para a drenagem das águas a mesma tende a aumentar seu volume causando enchentes e invadindo prédios e casas trazendo assim grande prejuízo. Palavras-chave: Temperatura; Calor; Drenagem; Água; Cidade. 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento das cidades trazem diversas alterações para o ambiente em que ela se insere. Dentre essas alterações, uma de grande importância para a população é a climática, que gera características próprias no interior da cidade, devido às transformações de ambientes Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente ISSN: 2675-813X V. 4, Nº 1, 2023 DOI: 10.51189/conasust/19513 naturais em artificiais ou antropizados e construídos para o desenvolvimento das atividades humanas em aglomerações. De acordo com Lombardo (2009, p. 119): Essa transformação resulta em mudanças dos ventos regionais, na geometria da radiação solar e da insolação e emissão de poluentes, propiciando as temperaturas mais elevadas nas zonas urbanas consolidadas em comparação com as zonas periféricas ou rurais. As cidades, assim, trazem consigo diversas modificações na atmosfera local, que se inter- relacionam com a própria estrutura geomorfológica, hidrológica, pedológica, com a fauna e a flora, acarretando em ações intensas que interferemnos processos naturais e muitas vezes ultrapassam a capacidade humana em planejar e adequar o sítio urbano para que a população que a habita possa conviver com as intempéries que surgem. Isto porque, de acordo com Sant’Anna Neto (2011, p. 52): Se a cidade é o habitat da modernidade, se os sistemas urbanos sãoaltamente complexos e desiguais e, se a atmosfera urbana é o produto da interação entre as variáveis do clima e as intervenções socioeconômicas, então os diversos grupos sociais não experimentam e nem se relacionam com o tempo e com o clima urbano da mesma forma. Espaços desiguais potencializam os efeitos do clima, que se manifestam, também de forma desigual. Nesta perspectiva, tem-se que admitir que o clima urbano possa ser interpretado como uma construção social. Sendo assim, os estudos de clima urbano podem ter extrema importância para o planejamento ambiental, já que muitos problemas das cidades, no geral,estão relacionados à poluição, às tempestades, às enchentes, às inundações, às construções em áreas de riscos, etc., que causam prejuízos materiais e humanos noperíodo de chuvas intensas, por exemplo. Além disso, um dos grandes problemas das cidades é o excesso de calor que está relacionado aos materiais construtivos e à falta de vegetação, que provocam as chamadas ilhas de calor, o que contribui para o desconforto térmico das pessoas. Neste sentido, os estudos de clima urbano são realizados para a análise da geração de ilhas de calor e outros elementos, como poluição do ar e precipitações, que, no Brasil, tem como uma das principais teorias o Sistema Clima Urbano (S. C. U), de Monteiro (1976). A arborização urbana contribui para obtenção de um ambiente urbano agradável e tem influência decisiva na qualidade de vida nas cidades e, portanto, na saúde da população. A cobertura vegetal das cidades, exerce ainda diversas outras melhorias na qualidade do ambiente urbano, purificando o ar pela fixação de poeira, gases tóxicos e pela reciclagem de gases através dos mecanismos fotossintéticos, em que absorve o gás carbônico gerado por várias atividades humanas, em especial a queima de combustíveis fósseis pelos veículos e indústrias e, além disso os vegetais também liberam oxigênio para a atmosfera, auxiliam na manutenção da temperatura e umidade, pois através de suas folhas evaporam grandes volumes de água. Cerca de 97% da quantidade absorvida pelas raízes, pelo processo de transpiração. As sombras dos edifícios se alongam pelas calçadas. Os prédios se apresentam em diversas cores, quase nenhuma verde. As árvores, conhecidas por sua patente desta cor, são poucas nos centros urbanos. Por isso nos servimos das sombras das construções verticais, frutos concretos de nossa urbanização, para aliviar o calor potencializado pelo asfalto. No entanto, a arborização urbana ultrapassa o papel estético de suprir a carência de nossas retinas (já um tanto acostumadas) pelo verde e o papel de resfriamento ao sombrear nossas acaloradas avenidas e calçadas. As árvores são plurais em suas funções urbanas, mas já não sabemos tanto sobre elas. Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente ISSN: 2675-813X V. 4, Nº 1, 2023 DOI: 10.51189/conasust/19513 2 MATERIAIS E MÉTODOS Foi criado um questionário por meio da plataforma Google Forms, disponibilizada à população, com o intuito de saber a opinião dos mesmos sobre o assunto tratado no projeto. Resultado da pesquisa popular: Foi aferida a temperatura de três locais para termos noção da sensação térmica: um com mais arborização no decorrer das ruas, um com pouca arborização e pouco trafego de veículos e outro com pouca arborização e grande trafego de veículos. Tivemos os seguintes resultados: Durante um trabalho de campo no dia 19/05/2021, foi estudado e coletado 3 pontos específicos no perímetro urbano do município de Teodoro Sampaio, onde: P1: ponto coletado da Vila São Paulo, local bem arborizado e com pouco trafego de veículos, apresentando uma temperatura de 23,3 °C. P2: ponto coletado no Bairro Vitória, local pouco arborizado por se tratar de um novo loteamento (Espécies não oferecem o conforto climático ideal), local com pouco trafego de veículos, apresentando uma temperatura de 26,3 °C. P3: ponto coletado na Avenida Cuiabá, Avenida esta que liga o estado de São Paulo com o estado do Mato Grosso, local pouco arborizado e com muito trafego de veículos (veículos leves e pesados), apresentando uma temperatura de 29 °C. Segue a carta georreferenciada dos pontos coletados no município: Fonte: Coordenadoria de Políticas Ambientais, 2021. Para a coleta de dados foram utilizados um GPS Garmin (GPSmap 62stc) e um Dosímetro THDL- 400 Environment Meter. Foto 01 e 02: Equipamentos utilizados para coleta dos dados. Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente ISSN: 2675-813X V. 4, Nº 1, 2023 DOI: 10.51189/conasust/19513 Fonte: Coordenadoria de Políticas Ambientais, 2021 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Sabemos que as áreas verdes das cidades ficam restritas aos parques, jardins botânicos e algumas ruas e avenidas distintas – Teodoro Sampaio. Visitas aos espaços verdes das cidades, como praças e parques, são imediatamente associadas ao relaxamento, à fuga da rotina da qual precisamos para manter nossa espiritualidade em nível razoável. Hoje mais da metade da população mundial mora nas cidades. Até 2050 estima-se que este total chegará aos 70% da população mundial. Além desse fator, os impactos mais latentes são os que falam sobre a temperatura, sensação térmica e a umidade relativa do ar. O microclima do ambiente urbano é naturalmente muito elevado. Dessa forma, o calor se torna insuportável, pois “é refletido pelo material usado nas construções urbanas e produzido pelas atividades humanas associadas ao uso de combustíveis. A menor troca de ar causada pela restrição dos ventos contribui para manter o calor prolongado”. As árvores tornam o ambiente mais agradável ao proteger as pessoas da radiação solar direta (UVA) e da radiação de ondas longas emitidas pelos prédios. Da radiação solar captada pela copa das árvores, de “10% a 25% é refletida de volta para o espaço, grande parte é usada para transpiração das plantas e uma pequena parte aquece o ar ou aquece as partes das árvores”. Temos exemplos latentes de como nossas cidades não foram planejadas de maneira a beneficiar o bem-estar das pessoas. Contudo, estamos, cada vez mais, em busca da harmonia entre crescimento urbano e meio ambiente. Assim como qualquer setor urbano, a arborização das ruas e avenidas está condicionada à qualidade e dedicação ao planejamento. Encaixar as árvores dentro da disposição atual de cidades é uma tarefa complicada, mas é preciso estuda- la. O benefício da arborização urbana aliado ao crescimento da população nas cidades é implícito. A pontualidade do tema gira em torno de tópicos atuais como o aquecimento global e os objetivos do desenvolvimento sustentável. “Ficamos meio analfabetos. Não sabemos ler o ambiente no nosso entorno e por isso jogamos uma habilidade espetacular fora. Também é verdade que parece que precisamos cada vez menos saber distinguir entre espinafres e rúculas. O mundo no qual você nasceu é dominado de cinza, e dominado por pessoas que produzem os alimentos, os cosméticos, os remédios, as fibras do vestuário e uma infinidade de outros produtos vegetais para nós. É bem Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente ISSN: 2675-813X V. 4, Nº 1, 2023 DOI: 10.51189/conasust/19513 fácil nunca termos tido a chance desse aprendizado. Somos os meninos bobos da cidade grande.” O Desenvolvimento Sustentável se apresenta como um modelo de reversão da atual sistemática de produção e consumo. Alterar o modo de exploração do meio ambiente e como respondemos por nossos problemas é um dos objetivos de nosso tempo. 4 CONCLUSÃO O princípio deste estudo tem como objetivo ajudar no clima, ambiente, entre outros; e até mesmo no asfalto de ruas e avenidas para que não ocorra processos de intemperismo prejudicando assim a pavimentação destes percursos podendo acarretar buracos, afundamentos, fissuras, etc. Além de evitar desgastes nos passeios da cidade, o plantio de arvores no percurso urbano, aumenta a qualidade de vida em um nível muito elevado colaborando principalmente na diminuição do calor (sensação térmica) e na qualidade do ar que respiramos. Dentre os benefícios da arborização, pode-se citar também, a diminuição de forma notória da poluição sonora, visual e ambiental. Ruas mais arborizadas chamam a atenção e enriquecem a imagem do município, visto que nossa Avenida Cuiabá também é a rodovia Arlindo Bétio. Desta forma, conclui-se que o Projeto de Arborização e estruturas verdes – como práticas permacultarais na elaboração de jardins drenantes no auxílio da captação de águas pluviais: estudo de caso da cidade de Teodoro Sampaio/sp, é algo de suma importância para nosso município. Tanto para a imagem da cidade, quanto para a qualidade de vida dos moradores. REFERÊNCIAS ABREU, M. A. Cidade brasileira: 1870-1930. In: SPOSITO, M. E. B. (org.). Urbanização e cidades: perspectivas geográficas. Presidente Prudente, [s.n.],2001. AMORIM, M. C. C. T. O clima urbano de Presidente Prudente/SP. 2000. 378 f. Tese (Doutorado em Geografia). – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000. CARLOS, A.F. A. A Cidade. São Paulo: Contexto, 1992. DALTOZO, J. C. Nos trilhos da história: a estrada de ferro Sorocabana em Martinópolis – SP - 90 anos – 1917-2007. Presidente Prudente: IMPRESS Gráfica e Editora, 2007. GARTLAND, L. 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