0 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA Fernanda Jabur Cipriano EFICÁCIA DA INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA RECUPERAÇÃO DA FUNÇÃO ERÉTIL PÓS-PROSTATECTOMIA RADICAL – ESTUDO CLÍNICO RANDOMIZADO Tese apresentada à Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de Botucatu, para obtenção do título de Doutor(a) em Bases Gerais da Cirurgia. Orientador (a): Prof(a). Dr(a). Hamilto Akihissa Yamamoto Botucatu 2017 1 Fernanda Jabur Cipriano EFICÁCIA DA INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA RECUPERAÇÃO DA FUNÇÃO ERÉTIL PÓS-PROSTATECTOMIA RADICAL – ESTUDO CLÍNICO RANDOMIZADO Tese apresentada à Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de Botucatu, para obtenção do título de Doutor(a) em Bases Gerais da Cirurgia. Orientador (a): Prof(a). Dr(a). Hamilto Akihissa Yamamoto Botucatu 2017 2 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais, Olga e Antônio, que são base da minha vida, sinônimo de amor, compreensão, dedicação e pelos bons exemplos que sempre me transmitiram e esforços para a realização dos meus sonhos. Ao meu irmão Marco Antônio, sua esposa Fabiana e meus sobrinhos João Paulo e Arthur, pelo apoio e carinho. 4 AGRADECIMENTOS Aos pacientes do Hospital de Câncer de Barretos, que gentilmente, aceitaram participar deste estudo, pois sem eles a concretização deste estudo não seria possível. Ao Prof. Dr. Hamilto Akihissa Yamamoto, meu orientador, pela oportunidade, confiança, apoio, exemplo como profissional, auxílio na elaboração e na realização deste estudo sempre com muita paciência e competência. Ao Prof. Dr. João Luiz Amaro, por acreditar em mim e no meu trabalho, pelos ensinamentos transmitidos . Aos amigos Dr. Wesley Magnobosco e a fisioterapeuta Carla Elaine Laurienzo da Cunha Andrade, pelo apoio e companheirismo em todas as horas, sou grata por acreditarem e confiarem em meu trabalho, pelas oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Ao Prof. Dr. Eliney Ferreira Faria pelo empenho, apoio, exemplo como profissional, dedicação e incentivo à pesquisa. À Fisioterapeuta Mônica Orsi Gameiro, pelo apoio, carinho e pela disponibilidade em auxiliar no desenvolvimento deste estudo sempre que precisei. À equipe do núcleo de apoio ao pesquisador (NAP) por ter feito a organização do banco de dados e ao Cleyton Zanardo de Oliveira pela dedicação, atenção e empenho na análise estatística deste estudo. 5 Aos funcionários do serviço de arquivo médico (SAME) e da biblioteca do Hospital de Câncer de Barretos, pela separação dos prontuários e ajuda conseguindo artigos. À equipe da Urologia e Fisioterapia do Hospital de Câncer de Barretos, pela atenção e disponibilidade de ajudar-me sempre que precisei e pelo constante apoio para a realização deste estudo. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo auxílio financeiro concedido para a realização desta pesquisa (nº processo: 2011/12154-7). À equipe da secretaria da Pós Graduação em Bases Gerais da Cirurgia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) pela competência e organização dos serviços prestados. A DEUS, por me abençoar e por me dar força para percorrer o meu caminho. 6 SUMÁRIO DEDICATÓRIA AGRADECIMENTOS LISTA DE ANEXOS LISTA DE TABELAS, GRÁFICOS E FLUXOGRAMA LISTA DE ABREVIATURAS, SÍMBOLOS E SIGLAS RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO........................................................................................ 13 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................... 15 METODOLOGIA ESTATÍSTICA......................................................... 21 RESULTADOS....................................................................................... 23 DISCUSSÃO........................................................................................... 30 CONCLUSÃO........................................................................................ 36 REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS....................................................... 38 7 Lista de Anexos ANEXO 1. Questionário de Avaliação Clínica 43 ANEXO 2. Índice Internacional de Função Erétil (IIEF-5) 45 ANEXO 3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 46 8 Lista de Tabelas , Gráficos e Fluxograma FIGURA 1 Fluxo de inclusão de pacientes no estudo 15 FIGURA 2 IIEF-5 no Pré-operatório Total 25 FIGURA 3 Categorização do IIEF-5 no pré-operatório dividido por grupos 25 FIGURA 4 Valores médios do IIEF-5 em relação ao tempo (meses) entre os grupos 26 TABELA 1 Comparação entre os grupos segundo as variáveis 24 TABELA 2 Relação dos valores entre os grupos no decorrer do tempo 27 TABELA 3 Correlação entre IIEF-5, registro elétrico da atividade muscular e força de contração muscular do assoalho pélvico 28 9 Lista de abreviaturas, símbolos e siglas % Porcentagem CaP Câncer de Próstata PR Prostatectomia Radical CR Contração Rápida CS Contração Sustentada DE Disfunção Erétil DM Diabetes Mellitus DPOC Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica DP Desvio Padrão EA Eletroestimulação Anal FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo AP Assoalho Pélvico FE Função Erétil HAS Hipertensão Arterial Sistêmica Hz Hertz HAS Hipertensão arterial IMC Índice de Massa Corpórea IIEF-5 Internacional Índex of Erectile Function kg Quilogramas m2 Metros ao quadrado n Número de pacientes n° Número OMS Organização Mundial da Saúde EMG Eletromiografia SPSS Software Statistical Package for the Social Sciences TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 10 Resumo Proposta: O câncer de próstata é o tumor sólido mais comum em homens. A prostatectomia radical é importante forma curativa dessa doença, mas tem como uma das complicações mais temidas a disfunção erétil. Estudos prévios demonstram ação da fisioterapia como forma de tratamento dessa complicação, mas sua real importância ainda está por ser definida. Neste artigo foi proposta a avaliação da fisioterapia através de exercícios para reabilitação do assoalho pélvico e através de eletroestimulação no tratamento e reabilitação precoce da disfunção erétil após a prostatectomia radical.Materiais e métodos: Estudo clínico randomizado e controlado comparando três grupos: observação (G1), exercícios domiciliares do assoalho pélvico (G2) e eletroestimulação anal (G3). Os pacientes foram avaliados no pré- operatório e com 1, 3, 6 e 12 meses após a cirurgia através da perineometria (avaliar força do assoalho pélvico), eletromiografia (registro elétrico da atividade muscular) e o IIEF-5 (Índice Internacional de Função Erétil), somente o IIEF-5 foi realizado até 24 meses após a cirurgia.Resultados: Os grupos foram homogêneos quanto a presença de comorbidades, estadiamento clínico e preservação de feixes nervosos. A presença de disfunção erétil no pré-operatório foi alta (62% dos pacientes). Não houve correlação entre os tratamentos fisioterapêuticos e a recuperação da função erétil no pós-operatório. Conclusão: Não foi encontrado benefício da intervenção fisioterapêutica precoce na recuperação da função erétil pós prostatectomia radical nos primeiros 24 meses da cirurgia. No entanto, são necessários mais estudos com maiores casuísticas para avaliar a eficácia dessa intervenção. Palavras-chave: Fisioterapia, Prostatectomia radical, Reabilitação do assoalho pélvico, Disfunção erétil. 11 Abstract Proposal: Prostate cancer is the most common solid tumor in men. A radical prostatectomy is important curative form of this disease, but it has one of the most feared complications that is, erectile dysfunction. Previous studies have demonstrated the action of physical therapy as a treatment for this complication, but its real importance is yet to be defined. In this paper the evaluation of physiotherapy was proposed by rehabilitation exercises for the pelvic floor and through electrostimulation in the treatment and early rehabilitation of erectile dysfunction after radical prostatectomy.Materials and methods: a randomized controlled clinical study comparing three groups: observation (G1), home pelvic floor exercises (G2) and anal electrostimulation (G3). Patients were evaluated preoperatively and at 1, 3, 6 and 12 months after surgery by perineometry (assessing strength of the pelvic floor), Electromyography (electrical record of muscle activity) and the IIEF-5 (International Index of Erectile Function). Only the IIEF-5 was performed up to 24 months after surgery .Results: The groups were homogeneous regarding the presence of comorbidities, clinical staging and preservation of nerve bundles. The presence of erectile dysfunction preoperatively was high (62% of patients). There was no correlation between the physical therapy treatments and the recovery of erectile function postoperatively. Conclusion: No benefit was found of early physiotherapy intervention in the recovery of erectile function after radical prostatectomy in the first 24 months after surgery. However, more studies with larger cases are needed to evaluate the efficacy of this intervention. Keywords: Physiotherapy, radical prostatectomy, erectile dysfunction, pelvic floor muscle 12 Introdução 13 Introdução O câncer de próstata (CaP) é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Nos Estados Unidos, em 2017, ocorreram 161.360 novos casos (1). Estimam-se 61.200 casos novos de câncer da próstata no Brasil, em 2016. Estes valores correspondem a um risco estimado de 61,82 casos novos a cada 100 mil homens (2). A prostatectomia radical (PR) é uma importante modalidade terapêutica para o CaP. Entretanto, esta cirurgia tem morbidades consideráveis, principalmente a disfunção erétil (DE) e a incontinência urinária, que trazem prejuízo importante na qualidade de vida do paciente (3,4). Mesmo com o avanço da técnica cirúrgica de preservação nervosa e a experiência dos cirurgiões, estima-se que 20% a 90% dos pacientes submetidos à PR, desenvolvam DE (5,6). Exercícios para o assoalho pélvico (AP) têm sido utilizados para promover a recuperação da continência urinária após a PR, demonstrando bons resultados (7). Há evidências de que também possam melhorar a função erétil (FE) em homens com DE por outras etiologias (8). Para pacientes prostatectomizados, poucos estudos foram realizados, em geral, somente com a utilização de exercícios pélvicos e do biofeedback, mas apresentando resultados promissores (9). Neste cenário, nós propusemos um estudo, com o objetivo de investigar a eficácia da reabilitação do AP na recuperação da FE após a PR, usando eletroestimulação anal e exercícios. 14 Materiais e Métodos 15 Materiais e Métodos Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Câncer de Barretos sob o registro nº 473/2009. Todos os pacientes incluídos concordaram em participar do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi realizado um estudo clínico randomizado e controlado com pacientes com CaP, candidatos à PR em uma única instituição (Hospital de Câncer de Barretos), entre setembro de 2010 e agosto de 2013. Nesse período, 229 pacientes foram submetidos à PR, 95 deles preenchiam os critérios de inclusão e exclusão, sendo randomizados e apenas 66 completaram o estudo (Figura 1). 16 Figura 1 – Fluxo de inclusão de pacientes no estudo Este trabalho é parte de um trabalho, intitulado “Avaliação da Função do Assoalho Pélvico Pré e Pós Prostatectomia Radical e da Intervenção Fisioterapêutica”. Foram critérios de inclusão pacientes portadores de CaP localizado, com programação de PR, que residiam num raio de até 350 Km de distância do serviço (viabilizando assim o comparecimento às duas sessões semanais de fisioterapia, caso fossem alocados no grupo de intervenção). Os critérios de exclusão foram a 17 presença de doenças neurológicas associadas, síndromes demenciais e/ou outras condições que limitassem a realização das avaliações de seguimento, além de disfunção vesical importante antes da cirurgia. Foram excluídos do seguimento da avaliação final, pacientes que necessitaram de radioterapia adjuvante, que foram submetidos à outra cirurgia pélvica durante o seguimento ou que cursaram com estenose de colo vesical necessitando de uretrotomia interna (pois poderia afetar no resultado da continência urinária, inviabilizando assim, o estudo primário do qual esse foi derivado, cujo objetivo era de avaliar a ação da fisioterapia na recuperação da continência urinária). Os pacientes selecionados foram submetidos a PR por cirurgiões da equipe da uro-oncologia, conforme descrito previamente por Walsh (10). O cateter vesical foi retirado entre 10 e 14 dias após a cirurgia, quando os pacientes foram randomizados em três grupos: grupo controle (G1), no qual os pacientes não receberam tratamento específico, somente as orientações gerais habituais; o grupo de exercícios pélvicos (G2), no qual os pacientes foram orientados a realizar exercícios domiciliares diários (contração dos músculos do AP sustentada por 5 segundos, adutores de quadril usando travesseiro e elevação do quadril, 30 repetições de cada exercício); e o grupo da eletroestimulação anal (EA) (G3), no qual os pacientes, além de serem orientados a realizar os exercícios citados no G2, foram também submetidos à EA. A randomização foi feita por uma equipe de estatísticos externa à equipe de pesquisa, utilizando-se o método de randomização por blocos de três, que foram sorteados aleatoriamente. O grupo ao qual o paciente seria alocado foi informado aos pesquisadores apenas no momento da randomização, caso os pacientes preenchessem os critérios de inclusão e exclusão. 18 O protocolo de EA foi realizado por uma fisioterapeuta, durante sete semanas, duas vezes por semana, utilizando o aparelho Dualpex 961 Uro® Quark (Estimulador elétrico neuromuscular concebido especialmente para o tratamento uroginecológico), com registro na Anvisa n° 80079190018, com frequência de 35 Hz, sendo a intensidade determinada segundo a tolerância máxima do paciente, com duração de 20 minutos. Os seguintes dados clínicos foram avaliados: Índice de Massa Corporal (IMC), presença de comorbidades, estadiamento patológico e informações sócio- demográficas. Os pacientes foram avaliados nos momentos pré-operatório, e após um, três, seis, doze e vinte quatro meses da cirurgia, sendo que no vigésimo quarto mês somente foi aplicado o questionário IIEF-5. Nesses momentos foram submetidos a avaliação da força muscular do AP por uma única fisioterapeuta, utilizando-se perineômetro portátil modelo DM01 da Dynamed®, sendo realizadas três medidas consecutivas e utilizada sua média, diluindo assim possíveis erros de aferição. Posteriormente foi realizado o registro elétrico da atividade muscular, eletromiografia (EMG), os potenciais elétricos gerados foram analisados em repouso, durante a contração voluntária rápida e sustentada, utilizando o aparelho Myotrac Infiniti 3G®. A FE dos pacientes foi avaliada por um único urologista, utilizando o instrumento Índice Internacional de Função Erétil (IIEF-5), é um instrumento específico que avalia os parâmetros relevantes e, os resultados de um tratamento baseado na percepção do próprio individuo sobre a sua vida sexual. É confiável e autoaplicável para avaliação da função erétil e foi validado no Brasil em 1998 por Ferraz e Ciconelli (11). O questionário é composto de cinco questões com 5 e 6 19 alternativas, devendo o paciente escolher a alternativa que melhor se adequar à situação atual. Depois, os pontos relativos às questões são somados e ao final, verificando se o paciente tem e que grau de disfunção erétil. O grau de disfunção erétil é classificado da seguinte forma: disfunção erétil grave (1 a 7 pontos), disfunção erétil moderada (8 a 11 pontos), disfunção erétil de leve a moderada (12 a 16 pontos), disfunção erétil leve (17 a 21 pontos) e ausência de disfunção erétil (22 a 25 pontos). Ambos os pesquisadores que realizaram a coleta dos dados eram cegos para o grupo ao qual o paciente pertencia. Durante o seguimento, foi estimulada a reabilitação precoce da função erétil (após a retirada da sonda vesical). Para tanto, foi prescrito, para todos os pacientes, o uso de inibidores da Fosfodiesterase tipo 5 (IPDE5), utilizando-se a sildenafila 50 mg via oral sob demanda (pelo menos uma vez por semana), e enfatizando-se a necessidade do estímulo sexual frequente com um(a) parceiro(a) ou através da masturbação. Este estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), órgão governamental de fomento brasileiro, processo no 2011/12154-7. 20 Metodologia Estatística 21 Metodologia estatística Os dados foram avaliados por grupos, considerando a média, desvio padrão, mínimo, máximo e os quartis, tratando-se de variáveis quantitativas e tabelas de frequência para variáveis qualitativas. A fim de verificar a homogeneidade entre os grupos, as variáveis clínicas e os dados demográficos foram comparados utilizando-se o Teste de Qui-Quadrado (ou Teste Exato de Fisher). Para comparação do escore de IIEF-5, do registro elétrico da atividade muscular, da força e o tempo de contração do músculo do AP entre os grupos, foi utilizada a análise de variância (ANOVA) com delineamento misto. Foram considerados dois fatores: o tempo (momento da avaliação) como medidas repetidas e o Grupo. Para verificar a correlação entre o IIEF-5, do registro elétrico da atividade muscular e a contração do músculo do AP, calculou-se o coeficiente de correlação de Pearson. Em todo estudo, adotou-se o nível de significância de 0,05. Os dados foram analisados pelo Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 21. 22 Resultados 23 Resultados Foram analisados sessenta e seis pacientes, randomizados em três grupos, sendo vinte e quatro pacientes alocados no G1, vinte e um no G2 e vinte e um no G3. Não houve diferença, estatisticamente significativa, entre as médias de idade entre os grupos, sendo estas 56,8 anos, 57,7 anos, e 57,6 anos para G1, G2 e G3 respectivamente. Como observado na Tabela 1, os três grupos foram estatisticamente semelhantes quanto à escolaridade, ao estadiamento patológico, ao IMC e à presença de comorbidades, demonstrando a homogeneidade entre os grupos quanto a fatores de risco que possam influenciar na ocorrência de DE. Foi realizada cirurgia preservadora dos feixes nervosos em todos os pacientes analisados. No período pré-operatório foi encontrada a presença de DE em 62% dos pacientes, sendo mais predominante a DE leve (44%) (Figura 2). A Figura 3 demonstra essa categorização do IIEF-5 dividido entre os grupos. 24 Tabela 1. Comparação entre os grupos segundo as variáveis. Grupo p-valor G1 G2 G3 Total n % n % n % N % Escolaridade Baixa + 16 66,7% 17 81,0% 13 61,9% 46 69,7% 0,374 Alta ++ 8 33,3% 4 19% 8 38,1% 20 30,3% Estadiamento patológico I 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 0,605 II 22 91,7% 18 85,7% 17 81% 57 86,4% III 2 8,3% 3 14,3% 4 19% 9 13,6% Escore de Gleason em Categorias <7 5 20,8% 6 28,6% 7 33,3% 18 27,3% 0,560 =7 18 75% 14 66,7% 11 52,4% 43 65,2% >7 1 4,2% 1 4,8% 3 14,3% 5 7,6% HAS Sim 9 37,5% 7 33,3% 7 33,3% 23 34,8% 0,943 Não 15 62,5% 14 66,7% 14 66,7% 43 65,2% DM Sim 2 8,3% 1 4,8% 1 4,8% 4 6,1% 0,999 Não 22 91,7% 20 95,2% 20 95,2% 62 93,9% DPOC Sim 3 12,5% 2 9,5% 2 9,5% 7 10,6% 0,999 Não 21 87,5% 19 90,5% 19 90,5% 59 89,4% Cardiopatia Sim 0 0,0% 2 9,5% 0 0,0% 2 3% 0,196 Não 24 100,0% 19 90,5% 21 100% 64 97% Depressão Sim 3 12,5% 1 4,8% 1 4,8% 5 7,6% 0,609 Não 21 87,5% 20 95,2% 20 95,2% 61 92,4% IMC <=24.9 11 45,8% 6 28,6% 7 33,3% 24 36,4% 0,611 >25 e <=29,9 9 37,5% 9 42,9% 11 52,4% 29 43,9% >=30 4 16,7% 6 28,6% 3 14,3% 13 19,7% +: Escolaridade baixa = Analfabeto, Primeiro Grau Incompleto ou Completo; ++: Escolaridade alta = Segundo Grau Incompleto ou Completo, Superior Incompleto ou Completo. 25 Figura 2. IIEF-5 no Pré-operatório Total. Figura 3. Categorização do IIEF-5 no pré-operatório dividido por grupos. 38% 44% 12% 3% 3% Ausência de DE DE leve DE de leve a moderada DE moderada DE grave 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Ausência de DE DE leve DE de leve a moderada DE moderada DE grave Orien. Cont. Eletro 26 Como pode ser observado na Tabela 2 e na Figura 4, em relação aos valores médios do IIEF-5 de acordo com o tempo, observou-se uma variação estatisticamente significativa (p<0,001), havendo uma redução importante no primeiro mês após a cirurgia, com recuperação progressiva no decorrer do tempo. Porém, essa variação foi semelhante entre os grupos em todos os momentos avaliados (p=0,751). Figura 4. Valores médios do IIEF-5 em relação ao tempo (meses) entre os grupos. Quando relacionados a FE , registro elétrico da atividade muscular e contração do assoalho pélvico entre os grupos nos diferentes momentos de avaliação, não foi observada correlação estatisticamente significativa (Tabela 3). 0 5 10 15 20 25 Pré 1M 3M 6M 12M 24M II E F -5 G1 G2 G3 27 Tabela 2- Relação dos valores entre os grupos no decorrer do tempo. EMG.CR-Eletromiografia contração rápida; EMG.CS - Eletromiografia contração sustentada;IIEF-5-Internacional Índex of Erectile Function;p1Grupo*Momentos; p2 Momentos; p3Grupo. Pré 1m 3m 6m 12m 24m Variável Grupos Média (DP) Média (DP) Média (DP) Média (DP) Média (DP) Média (DP) p1 p2 p3 G1 45,8(19,88) 45,84(21,47) 54,89(20,05) 55,66(23,94) 50,87(24,85) EMG.CR G2 53,97(21,95) 50,49(20,98) 65,72(26,66) 63,57(24,39) 55,52(21,44) 0,092 <0,001 0,444 G3 46,56(20,88) 48,72(21,04) 60,49(24,18) 57,48(18,97) 65,86(29,45) G1 28,51(16,16) 27,24(15,12) 31,42(15,40) 30,76(13,33) 35,46(18,64) EMG.CS G2 34,73(14,83) 33,30(14,58) 40,06(21,54) 40,23(18,05) 35,54(19,58) 0,66 <0,001 0,374 G3 30,03(13,67) 30,10(14,33) 36,48(19,87) 35,06((15,85) 37,79(22,04) G1 19,42(5,32) 3,96(5,32) 8,5(5,77) 10,38(7,78) 10,14(7,88) 15,1(8,74) IIEF-5 G2 18,62(4,92) 2,81(0,93) 6,33(5,91) 7,50(5,00) 10,15(7,37) 9,77(7,24) 0,751 <0,001 0,263 G3 19,86(3,57) 3,95(2,63) 10,35(8,02) 10,38(8,16) 12,65(8,36) 12,61(9,77) G1 58,65(32,62) 42,22(24,39) 55,09(20,92) 55,28(22,38) 54,74(25,56) Perineometria.contração G2 43,48(23,38) 47,48(20,26) 52,14(21,01) 59,56(30,18) 53,22(25,60) 0,309 0,009 0,377 G3 64,27(27,01) 52,19(26,07) 59,40(34,70) 63,86(31,15) 56,77(22,76) G1 8,09(2,01) 8,43(2,56) 8,74(4,57) 7,96(2,93) 8,23(5,79) Perineometria.tempo de contração G2 8,73(1,68) 8,54(5,67) 9,16(3,15) 8,73(4,68) 8,00(2,18) 0,922 0,874 0,814 G3 8,92(2,56) 9,16(3,50) 7,94(1,43) 8,51(2,37) 8,17(1,74) 28 TABELA 3- Correlação entre IIEF-5, registro elétrico da atividade muscular e força de contração muscular do assoalho pélvico. IIEF-5 * Força muscular IIEF-5 * EMG-CR IIEF-5 * EMG-CS Grupo Momento r(p-valor) r(p-valor) r(p-valor) Pré 0,198(0,343) -0,184 (0,401) -0,007(0,976) 1m -0,058(0,778) 0,322(0,125) 0,352(0,091) G1 3m 0,069(0,747) 0,327(0,138) 0,388(0,074) 6m 0,131(0,522) 0,002(0,992) -0,09 (0,968) 12m 0,054(0,803) 0,000(1,00) 0,209(0,364) Pré -0,138(0,469) -0,056(0,808) -0,056(0,794) 1m 0,024(0,901) -0,096(0,678) 0,141(0,542) G2 3m 0,135(0,484) 0,164(0,477) 0,291(0,200) 6m 0,222(0,247) -0,262(0,265) -0,122(0,608) 12m -0,104(0,593) -0,038(0,875) 0,030(0,901) Pré -0,001(0,991) -0,382(0,087) -0,450(0,041) 1m -0,081(0,482) -0,027(0,909) 0,080(0,738) G3 3m 0,107(0,358) -0,001 (0,997) -0,045(0,851) 6m 0,062(0,588) 0,035(0,886) 0,073(0,768) 12m 0,014(0,903) -0,092(0,707) 0,145(0,554) 29 Discussão 30 Discussão A DE é considerada, na prática clínica, uma das complicações mais temida pelos homens que serão submetidos a PR. Sua prevalência é discrepante na literatura (20% a 90%) (5,6). Isso se deve ao fato de que muitos homens já apresentam essa condição previamente à cirurgia, tornando-se difícil sua real avaliação como complicação pós-operatória PO (12), além das diferentes formas de avaliação da função erétil, modificando os resultados (13). No presente estudo a FE foi avaliada por meio do IIEF-5, questionário de fácil aplicação e amplamente utilizado como instrumento de avaliação da recuperação da função sexual (14), além de ser validado para pacientes brasileiros (11). Embora seja autoaplicável, devido à baixa escolaridade da maioria dos pacientes (69,7%), preferiu-se a sua aplicação através de entrevista, realizada de forma imparcial por um único urologista. A etiologia da DE depois da cirurgia para câncer de próstata é provavelmente multifatorial (vascular e neurogênica), podendo ser afetada por diversas condições como a presença de Diabetes Mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS), cardiopatias, depressão, IMC e qualidade das ereções pré-operatória, além de ter associação inversa com nível educacional elevado (8, 15, 16, 17). Neste trabalho, os grupos foram homogêneos quanto à escolaridade, ao IMC e à presença de comorbidades, descartando assim essas causas de confusão. 31 Os três fatores prognósticos mais importantes na determinação da função sexual após PR são: idade, função sexual prévia à cirurgia e grau de preservação intraoperatória dos feixes neurovasculares (16). Independentemente da realização da cirurgia, ocorre aumento exponencial na prevalência de DE com a idade, afetando cerca de 30% dos homens dos 40 aos 70 anos e aproximadamente 75% dos homens de 80 anos (18). Esse fato se deve ao processo natural de envelhecimento, alterando também a fisiologia gênito-urinária. A semelhança estatística entre os grupos quanto à idade também afasta esse viés de avaliação. É importante frisar a elevada incidência encontrada de DE antes do procedimento (62% dos pacientes). Esse fato é importante, pois caso a FE não seja questionada antes da cirurgia, essa pode ser considerada como única causa da DE, o que pode gerar até mesmo implicações legais. Na avaliação dos resultados do trabalho, essa elevada incidência de DE pré-operatória pode indicar uma tendência geral ou ter representado um viés de seleção, podendo ter atrapalhado a real avaliação da ação da fisioterapia no tratamento da DE. Quando categorizados os resultados do IIEF-5 em relação aos grupos, não foi observada a presença de DE moderada e nem grave no grupo da eletroestimulação, o que também poderia significar um viés. Na tentativa de minimizar esse fator, foi realizada a avaliação do comportamento das médias do IIEF-5 no decorrer do tempo, comparando-se as evoluções dessas médias dentro dos grupos. Mesmo assim não foi observada diferença estatística entre essas evoluções. Dentre os fatores prognósticos para DE pós PR, a lesão neurogênica é apontada como o mais importante. Esta provoca a redução da quantidade de óxido 32 nítrico liberado pelas terminações nervosas durante a atividade sexual, reduzindo assim a FE. O impacto na DE baseia-se no grau de preservação dos feixes neurovasculares, que depende da extensão tumoral (estadiamento patológico) e do grau de Gleason, tornando-se esses, fatores prognósticos para preservar a função sexual. A alteração da inervação dos corpos cavernosos leva o músculo liso cavernoso e outros tecidos envolvidos na ereção à hipóxia e fibrose, comprometendo a recuperação da função erétil (16,19,20). O fato dos grupos serem estatisticamente semelhantes em relação ao escore de Gleason, ao estadiamento patológico e a preservação nervosa em todos os pacientes avaliados, também colabora para a homogeneização entre os grupos estudados. Para se evitar efeitos deletérios das estruturas eréteis após a cirurgia, devido ao tempo da recuperação da FE, vários autores referem-se à importância de ações terapêuticas precoces (27). Para tanto, neste trabalho, foi enfatizada a necessidade precoce do estímulo sexual e da utilização de i-PBE5. A ereção peniana é um importante e complexo processo, que envolve múltiplas interações entre o sistema nervoso periférico, o sistema nervoso central e o sistema vascular. O pênis recebe inervação autonômica (simpático e parassimpático) e somática (sensorial e motora). O componente somático, formado pelo nervo pudendo, é responsável pela sensibilidade do pênis e pela contração dos músculos isquiocavernoso e bulbocavernoso (21). Alguns estudos têm demonstrado que a atividade muscular dos músculos isqueocavernoso e bulbocavernoso aumenta durante a ereção peniana (22, 23). É sabido que esses músculos agem tanto no início quanto na manutenção da ereção (24). Além disso, sabe-se também que a contração do músculo isquiocavernoso induz maior rigidez peniana devido à compressão dos corpos cavernosos congestionados e consequente aumento da 33 pressão intracavernosa (22, 25, 26). A fraqueza desta musculatura pode estar envolvida na dificuldade de ereção após a PR. Os músculos do AP perdem força e trofismo após um período de imobilismo. Segundo Colpi et al (26), o reforço muscular (obtido pela fisioterapia), principalmente do isqueocavernoso, está relacionado à recuperação da FE. Observam-se na literatura, poucos estudos que avaliam a reabilitação do assoalho pélvico como forma de tratamento e de reabilitação precoce para pacientes com DE (29-31). Embora eles sugiram uma melhora da FE utilizando-se exercícios do AP, apresentam uma série de inadequações metodológicas (inclusão de pacientes com diversas etiologias de DE, submissão dos pacientes a diferentes métodos de intervenção e utilização de métodos não validados para avaliar a FE), prejudicando assim a validação dessa forma terapêutica. Um estudo randomizado, avaliando a ação da fisioterapia na melhora da FE em pacientes submetidos a PR, foi realizado por Prota et al (9). Para tanto, compararam o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, utilizando-se o biofeedback, com um grupo de pacientes que receberam somente instruções verbais para contração do AP. Observaram um impacto significativo da recuperação da FE com a intervenção precoce através do biofeedback. No presente estudo, foi avaliada a relação entre a força muscular do AP, registro elétrico da atividade muscular e sua reabilitação através da intervenção fisioterapêutica precoce, tanto com de exercícios domiciliares, quanto a eletroestimulação anal (outra modalidade de intervenção fisioterapêutica) e a recuperação da FE após a cirurgia para CaP. No entanto, não foi observada melhora da força muscular, do registro elétrico da atividade muscular e nem na função erétil, 34 com nenhuma das intervenções avaliadas. Esses achados podem ser resultado da pequena casuística, à elevada incidência de DE no pré-operatório. A recuperação da função erétil pode ser retardada e pode continuar mesmo após dois anos (27,28). Assim, faz-se necessária a realização de novos ensaios clínicos randomizados e controlados com grandes casuísticas para confirmar a real importância da intervenção fisioterapêutica e da reabilitação do assoalho pélvico no tratamento da disfunção erétil após a prostatectomia radical. 35 Conclusão 36 Conclusões Não foi encontrado benefício da intervenção fisioterapêutica precoce através de exercícios de reabilitação do assoalho pélvico e nem do uso de eletroestimulação anal na recuperação da função erétil pós prostatectomia radical nos primeiros 24 meses. No entanto, é necessária a realização de novos estudos, com maiores casuísticas , para melhor definição do real papel dessa modalidade terapêutica no tratamento da DE, pós-tratamento cirúrgico para o câncer de próstata. Conflito de Interesses Nenhum conflito de interesse declarado. 37 Referências Bibliográficas 38 Referências Bibliográficas 1. Siegel, R. L., Miller, K. D. and Jemal, A. (2017), Cancer statistics, 2017. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 67: 7–30. doi:10.3322/caac.21387 2. Instituto Nacional do Câncer – INCA. Estimativa 2016 de incidência de câncer no Brasil. Disponível em http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/sintese-de- resultados-comentarios.asp 3. Talcott JA, Rieker P, Clark JA, Propert KJ, Weeks JC, Beard CJ, et al: Patient- reported symptoms after primary therapy for early prostate cancer: results of a prospective cohort study. J Clin Oncol. 1998; 16:275-83. 4. Van Kampen M, De Weerdt W, Van Poppel H, De Ridder D, Feys H, Baert L: Effect of pelvic-floor re-education on duration and degree of incontinence after radical prostatectomy: a randomised controlled trial. Lancet. 2000; 355(9198):98-102. 5. Burnett AL: Erectile dysfunction: a practical approach for primary care. Geriatrics. 1998; 53:34-5, 9-40, 6-8. 6. 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Br J Gen Pract. 2004; 54:819-25. https://www.uptodate.com/contents/radical-prostatectomy-for-localized-prostate-cancer/abstract/34 https://www.uptodate.com/contents/radical-prostatectomy-for-localized-prostate-cancer/abstract/34 https://www.uptodate.com/contents/radical-prostatectomy-for-localized-prostate-cancer/abstract/34 42 30. Claes H, Baert L: Pelvic floor exercise versus surgery in the treatment of impotence. Br J Urol. 1993; 71:52-7. 31. Van Kampen M, De Weerdt W, Claes H, Feys H, De Maeyer M, Van Poppel H: Treatment of erectile dysfunction by perineal exercise, electromyographic biofeedback, and electrical stimulation. Phys Ther. 2003; 83:536-43. 43 Anexo 1.Questionário de Avaliação Clínica ID _______ GRUPO: NOME R.H. TELEFONE CELULAR ENDEREÇO Nº BAIRRO CEP CIDADE UF PROFISSÃO 1 Data de Nascimento DD-MM-AAAA 2 Data Avaliação Pré Operatória DD-MM-AAAA 3 Data Urodinâmica DD-MM-AAAA 4 Data Marcada Da Cirurgia DD-MM-AAAA 5 Peso KG 6 Altura METROS 7 Cirtometria Abdominal CM 8 Urgência Miccional 0- Não; 1- Sim 9 Noctúria 0- Não; 1- Sim 10 Número Micções Diárias VEZES/DIA 11 Tem I.U. hoje? 0- Não seco; 1- Grandes esforços (tosse, espirro); 2- Médios esforços (andar, escadas); 3- Pequenos esforços (decúbitos) 12 Infecções Urinárias - Anteriores 0- Não; 1- Sim 13 Infecções Urinárias - Repetição 0- Não; 1- Sim 14 Infecções Urinárias - Atual 0- Não; 1- Sim 15 Dificuldade Para Urinar 0- Não; 1- Sim 16 Hematúria 0- Não; 1- Sim 17 Intestino Obstipado 0- Não; 1- Sim 18 Uso De Forros 0- Não Faz Uso; 1- Diários; 2- Noturnos; 3- Coletor 19 HA 0- Não; 1- Sim 20 DM 0- Não; 1- Sim 21 DPOC 0- Não; 1- Sim 22 Cardiopatia 0- Não; 1- Sim 23 Depressão 0- Não; 1- Sim 24 Cirurgias Anteriores: _________________________________________________________________________________________________________________ _____ 44 25 VIAS 1- Abdominal; 2- Perineal 26 Medicação Atual: _________________________________________________________________________________________________________________ _____ 27 Faz Uso De Diuréticos 0- Não; 1- Sim 28 Faz Uso De Antidepressivos 0- Não; 1- Sim 45 Anexo 2.Índice Internacional de Função Erétil NOME R.H. DATA ____/____/____ Escolha somente uma resposta para cada uma das perguntas abaixo. Durante os últimos 6 meses: 1. Como você classifica sua confiança em manter uma ereção? ( ) Muito baixa ( ) Baixa ( ) Moderada ( ) Alta ( ) Muito alta 2. Quando você tem ereções com estímulo sexual, com que freqüência suas ereções atingem a rigidez para penetração (penetrar sua parceira)? ( ) Sem atividade sexual nos últimos 6 meses ( ) Quase nunca ou nunca ( ) Poucas vezes (muito menos que a metade das vezes) ( ) Algumas vezes (cerca de metade das vezes) ( ) A maioria das vezes (muito mais que a metade) ( ) Quase sempre ou sempre 3. Durante a relação sexual, com que freqüência você conseguiu manter sua ereção após ter penetrado sua parceira? ( ) Sem atividade sexual nos últimos 6 meses ( ) Quase nunca ou nunca ( ) Poucas vezes (muito menos que a metade das vezes) ( ) Algumas vezes (cerca de metade das vezes) ( ) A maioria das vezes (muito mais que a metade) ( ) Quase sempre ou sempre 4. Durante a relação sexual, qual o nível de dificuldade para manter sua ereção até o final da relação sexual? ( ) Sem atividade sexual nos últimos 6 meses ( ) Extremamente difícil ( ) Muito difícil ( ) Difícil ( ) Pouco difícil ( ) Nada difícil 5. Quando você teve a relação sexual, com que freqüência ela foi satisfatória para você? ( ) Sem atividade sexual nos últimos 6 meses ( ) Quase nunca ou nunca ( ) Poucas vezes (muito menos que a metade das vezes) ( ) Algumas vezes (cerca de metade das vezes) ( ) A maioria das vezes (muito mais que a metade) ( ) Quase sempre ou sempre 46 ANEXO 3 - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu,___________________________________________________________ ____, portador de RG nº___________________ pelo presente instrumento, declaro estar participando espontaneamente da pesquisa “AVALIAÇÃO FUNCIONAL DO ASSOALHO PÉLVICO PRÉ E PÓS PROSTATECTOMIA RADICAL”, cujos autores são Carla Elaine Laurienzo da Cunha Andrade, Fernanda Jabur e Wesley J. Magnabosco. Fui informado de forma clara e detalhada sobre os objetivos e a justificativa da pesquisa, que visa avaliar a função do assoalho pélvico antes e depois da cirurgia de retirada do câncer de próstata. Serão realizados questionário clínico, de qualidade de vida, de função erétil e avaliação do IPSS, além de exames para verificar a força dos músculos do assoalho pélvico. Nesses exames o senhor deverá ficar deitado de lado, sem roupa da cintura para baixo e coberto com um lençol e será usado o equipamento “perineômetro” com sonda anal e o equipamento de eletromiografia, com eletrodos adesivos na barriga e após a introdução da sonda será solicitada contração ou força contra o balão, nesse momento a força e o tempo serão registrados. Esses exames serão feitos antes da cirurgia e depois da cirurgia (após 01, 03, 06 e 12 meses da cirurgia). Nesses mesmos momentos, será medida também a quantidade de urina perdida nas atividades do dia a dia. Para isso o senhor deverá colocar um absorvente masculino, beber 300 ml de água, aguardar 30 minutos e fazer uma série leve de exercícios, assim saberemos como ocorre a perda e pesando o absorvente teremos a quantidade de urina perdida. Será realizado também antes da cirurgia um exame chamado “Exame Urodinâmico”, que avalia a função do trato urinário. Este exame é feito por um médico urologista, com sonda uretral e sonda retal. Tratam-se de métodos de avaliação muito utilizados, que apresentam riscos mínimos, porém poderão ocorrer desconfortos. 47 Os pacientes participantes dessa pesquisa serão divididos, aleatoriamente, em três grupos: Um grupo (denominado grupo controle), não realizará nenhum tratamento de fisioterapia após a cirurgia. Outro grupo (denominado grupo exercícios), fará exercícios de fortalecimento para os músculos pélvicos em casa após a cirurgia de retirada da próstata. E o outro grupo (denominado grupo tratamento) fará fisioterapia aqui no hospital, duas vezes por semana, através de exercícios, e mais um outro recurso de fisioterapia, que se chama eletroestimulação retal. A eletroestimulação retal serve para fortalecer os músculos da região pélvica e é feita pela colocação de um eletrodo, via retal. Esse eletrodo é colocado com um gel condutor e fará meus músculos pélvicos se fortalecerem. Terá duração de 15 minutos. Entendi que essa pesquisa tem como objetivo melhorar os tratamentos para incontinência urinária pós prostatectomia radical. Sei que receberei resposta a qualquer dúvida sobre o procedimento que compreende a pesquisa, assinatura do consentimento livre e esclarecido, além de outros assuntos relacionados com a pesquisa, com a monitorização constante dos pesquisadores, sendo o procedimento interrompido ante qualquer intercorrência adversa. Se eu sentir qualquer desconforto durante o protocolo de fisioterapia, está poderá ser suspensa, não havendo necessidade de completá-la. Compreendi que não haverá nenhum tipo honorário para mim, assim como para meu convênio ou para o sistema único de saúde. Concordo com a divulgação dos dados obtidos durante a pesquisa, bem como entendo que em momento algum serei identificado e que o tempo todo se manterá o caráter sigiloso das informações. Também sei que os dados obtidos serão arquivados e futuramente a pesquisa, se possível, publicada para fornecer a outros profissionais esses dados mensurados. 48 Sei que terei total liberdade para retirar meu consentimento e deixar de participar do estudo a qualquer momento, sem que isso me traga prejuízo ou implicações. Estou ciente de que em caso de qualquer necessidade poderei entrar em contato com os pesquisadores através do telefone: (17) 8814-7533 ou (17) 9979- 4070. Se os pesquisadores responsáveis não fornecer as informações/esclarecimentos suficientes, por favor, entre em contato com o Coordenador do Comitê de Ética do Hospital de Câncer de Barretos, pelo telefone: (17)3321-6600 . _____________________ Assinatura do Paciente