I Sobre a Produção de Novas Rainhas e o Acasalamento em Synoeca surinama (Vespidae; Polistinae: Epiponini) Carlos Alberto dos Santos São José do Rio Preto 2015 II Carlos Alberto dos Santos Sobre a Produção de Novas Rainhas e o Acasalamento em Synoeca surinama (Vespidae; Polistinae: Epiponini) Tese apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Biologia Animal, junto ao Programa de Pós- Graduação em Biologia Animal, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de São José do Rio Preto. Orientador: Profº. Drº. Fernando Barbosa Noll São José do Rio Preto 2015 III Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do IBILCE UNESP - Câmpus de São José do Rio Preto Santos, Carlos Alberto dos. Sobre a produção de novas rainhas e o acasalamento em Synoeca surinama (Vespidae; Polistinae: Epiponini) / Carlos Alberto dos Santos. -- São José do Rio Preto, 2015 79 f. : il., tabs. Orientador: Fernando Barbosa Noll Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas 1. Ecologia animal. 2. Vespa. 3. Sociedades de insetos. 4. Vespa - Comportamento. 5. Vespa - Reprodução. 6. Acasalamento de animais. I. Noll, Fernando Barbosa. II. Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. III. Título. CDU – 595.798 IV Carlos Alberto dos Santos Sobre a Produção de Novas Rainhas e o Acasalamento em Synoeca surinama (Vespidae; Polistinae: Epiponini) Tese apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Biologia Animal, junto ao Programa de Pós- Graduação em Biologia Animal, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de São José do Rio Preto. Prof. Dr. Fernando Barbosa Noll UNESP – São José do Rio Preto Orientador Dr. Sidnei Mateus USP – Ribeirão Preto Dr. Eduardo Fernando dos Santos UNESP – São José do Rio Preto Profª. Drª. Sulene Noriko Shima UNESP – Rio Claro Prof. Dr. Edilberto Giannotti UNESP – Rio Claro Comissão Examinadora São José do Rio Preto 27 de março de 2015 V AGRADECIMENTOS A Deus por me permitir compreender um pouco sobre a grande maravilha que é a vida e me conceder mais uma grande conquista. Ao meu orientador Dr. Fernando Barbosa Noll, a quem cultivo grande admiração, não somente pelo pesquisador, mas pela grande pessoa que é, pela oportunidade, compreensão, amizade, confiança e pelos ensinamentos. Aos Dr. Sidnei Mateus, Dr. Eduardo Fernando dos Santos, Drª. Sulene Noriko Shima e Dr. Edilberto Giannotti, por terem aceitado os convites para participarem como membros da banca. À minha filha Thaís Cristina Borges dos Santos, pelo amor e por me proporcionar grande alegria. À minha família, em especial à minha mãe Célia Alves dos Santos, pela compreensão e ao meu irmão Sérgio Luiz dos Santos, pela grande ajuda e amizade. Aos colegas de laboratório pela amizade e ensinamentos. VI APRESENTAÇÃO Capítulo 1 RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Localidade, períodos de estudo e características gerais dos ninhos. 2.2. Desenho experimental para o teste de remoção de rainhas. 2.3. Análises comportamentais. 2.4. Morfometria comparativa entre rainhas originais, operárias, novas rainhas e novas operárias. 2.5. Definição dos grupos quanto ao desenvolvimento ovariano e idade relativa. 2.6. Catálogo comportamental. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1. Composição original e características reprodutivas das colônias antes do teste de remoção das rainhas. 3.2. Comportamentos e interações das rainhas originais com operárias antes do teste de remoção de rainhas. 3.3. A totipotência das fêmeas e os fatores envolvidos no estabelecimento dos grupos de novas rainhas nas colônias após o teste de remoção das rainhas. 3.4. Nível de agressões antes e após a remoção das rainhas e as interações no estabelecimento do grupo de novas rainhas. 3.5. Diferenças morfométricas entre novas rainhas e novas operárias. 3.6. Diferenças comportamentais entre novas rainhas e novas operárias. 3.7. Oviposições desempenhados pelas novas rainhas. 3.8. Rainhas inseminadas realizando funções de operárias. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES 5. REFERÊNCIAS VIII X XI 1 5 5 6 8 9 10 13 17 17 21 23 27 38 46 51 53 55 59 SUMÁRIO VII Capítulo 2 RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO 2. MATERIAL E MÉTODOS 3. RESULTADOS 3.1. Comportamentos, interações e permanência de jovens machos nas colônias. 3.2. Formação de agregação de machos e acasalamento de novas rainhas virgens. 4. DISCUSSÃO 5. CONCLUSÕES 6. REFERÊNCIAS 68 69 70 71 72 72 72 74 76 77 VIII APRESENTAÇÃO Nos himenópteros sociais, as sociedades são constituídas principalmente por fêmeas, sendo a maioria de operárias estéreis e um menor número de rainhas, que são as fêmeas com funções reprodutivas. Nas sociedades avançadas, as rainhas geralmente são morfologicamente diferentes e emergem destinadas à reprodução, no entanto, nas sociedades primitivas e mesmo em alguns grupos mais derivados, não ocorrem diferenças morfológicas entre operárias e rainhas, desta forma, uma fêmea emerge sem destino certo, podendo ser uma operária ou rainha, dependendo do contexto social. Este último cenário é verificado na maioria das espécies da subfamília Polistinae (Vespidae), onde os conflitos reprodutivos e o controle reprodutivo são ditos comportamentalmente controlados. A presente tese foi elaborada a partir da necessidade de estudos comportamentais que corroborem ou não o modelo comportamental proposto de controle da reprodução em vespas da tribo Epiponini (Polistinae). Para isso, nós trabalhamos com teste de remoção de rainhas em colônias de Synoeca surinama, criando artificialmente as condições onde novas rainhas são produzidas. Esperamos com este estudo entender melhor como a reprodução é controlada e como os conflitos são limitados nesta espécie. Nós dividimos a tese em dois capítulos, pois parte das colônias estavam produzindo machos, desta forma, o primeiro capítulo trata das informações referentes às fêmeas e aos fatores relacionados à produção de um novo grupo de rainhas e o segundo capítulo das informações referentes aos comportamentos de machos e o acasalamento. IX Capítulo 1 Fatores e Interações Comportamentais Envolvidos na Produção de Novas Rainhas em Synoeca surinama (Vespidae; Polistinae: Epiponini) X RESUMO A tribo Neotropical Epiponini apresenta espécies com dimorfismo de castas, provavelmente determinadas pré-imaginalmente por diferenças nutricionais das larvas, no entanto, na maioria das espécies não existe dimorfismo rainhas/operárias, sendo as castas determinadas pós- imaginalmente. Nesse caso, estudos sugerem que as castas são determinadas a partir de interações competitivas entre os membros da colônia, sendo o controle reprodutivo baseado em interações comportamentais. Em estudos realizados em Synoeca surinama, Metapolybia aztecoides e Parachartergus colobopterus, espécies que apresentam baixa diferenciação de castas, fêmeas recém-emergidas são suprimidas da reprodução por operárias e rainhas e se tornam operárias, mas se a colônia perde as rainhas, as agressões diminuem e elas se tornam rainhas. Em contraste, não observamos agressões na maioria das colônias de S. surinama aqui estudadas e fêmeas recém-emergidas não receberam agressões, porém, após removermos as rainhas, operárias iniciaram as agressões sobre recém-emergidas. Nas colônias sem recém- emergidas, operárias se agrediram, provavelmente por direitos reprodutivos. O grupo de novas rainhas veio das recém-emergidas que se encontravam nas colônias no período crítico de agressões e nas colônias sem emergência, novas rainhas vieram do grupo de operárias que participaram das agressões, como agredidas e agressoras, mostrando que operárias mais velhas também são totipotentes. As agressões sobre recém-emergidas pode ser uma forma de controle coletivo das operárias para evitar a produção de um maior número de novas rainhas que seria ótimo para a colônia. Nós não verificamos nenhuma tendência pré-imaginal morfométrica entre as novas rainhas e novas operárias (operárias da mesma geração que as novas rainhas). Apesar de não realizarmos bioensaios, nós encontramos evidências indiretas que a supressão de fêmeas recém-emergidas e operárias é realizada pelas rainhas por sinalização química: operárias reconheciam rainhas e fêmeas em desenvolvimento ovariano; recém-emergidas não desenvolveram seus ovários na presença de rainhas; novas rainhas foram as fêmeas que mais receberam agressões; operárias mais velhas, não forrageiras, também apresentaram totipotência e não observamos interações entre elas que expliquem a mútua supressão; ausência de desenvolvimento ovariano em fêmeas emergidas após o estabelecimento do novo grupo de rainhas; ocorrência de intermediárias em colônias com baixo número de rainhas. Parece provável que o controle da reprodução e supressão em operárias é realizado pelas rainhas a partir de sinalização química, no entanto, nada é conhecido sobre como as operárias distinguem fêmeas em desenvolvimento ovariano ou sobre o estímulo que desencadeia as agressões contra elas. Muitas hipóteses permanecem para serem demonstradas a respeito da natureza, fonte e ação desses supostos feromônios, se são inibidores ou sinais honestos na supressão de operárias. XI ABSTRACT The Neotropical tribe Epiponini presents species with caste dimorphism that may be determined pre-imaginally by larval nutritional differences, however, in most species there is no queen/worker dimorphism, being castes determined post-imaginally. In these cases, studies suggest that castes are determined from competitive interactions between the members of the colony, being the reproductive control based on behavioral interactions. In studies conducted in Synoeca surinama, Metapolybia aztecoides and Parachartergus colobopterus, species that present low caste differentiation, newly emerged females are suppressed reproduction by workers and queens and become workers, but if the colony loses all queens, the attacks to decrease and they become queens. These studies, however, are very restricted, with few colonies or a little time of observation. In this work, our studies did not demonstrate that aggressions in most colonies studied and newly emerged females did not received attacks, however, after we remove the queens, workers began the assault on newly emerged females. In the colonies without newly emerged, workers attacked each other, probably by reproductive rights. The group of new queens came from newly emerged who were in the colonies in the critical period of aggression and in the colonies without emergency, new queens came from the group of workers who participated in the assaults, as victims and perpetrators, showing that older workers are also totipotent. The attacks on newly emerged females can be a form of collective control of the workers to avoid the production of a larger number of new queens than it would be great for the colony. We did not see any preimaginal trend based on morphometrics among the new queens and new workers (wasps without ovarian development of the same generation to the new queens). Although we did not perform bioassays, we found indirect evidence that the suppression of newly emerged females and workers is held by queens by chemical signaling: workers recognized queens and females with ovarian development; newly emerged females did not have their ovaries developed in the presence of original queens; new queens were females which received more attacks; older workers, non-foraging, also presented totipotent and we did not observe interactions among them to explain the mutual suppression; absence of ovarian development in females emerged after the establishment of the new group of queens; occurrence of intermediates in colonies with low number of queens. It seems likely that reproduction control and suppression in workers is held by queens by chemical signals, however, nothing is known about how the workers are distinguished from females in ovarian development or about the stimulus that triggers the aggressions against them. Many questions need to be answered about the nature, source and action of these putative pheromones, if are inhibitors or honest signals in the suppression of workers.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 1 1. INTRODUÇÃO Sociedades de insetos estão entre os mais complexos sistemas da natureza. Na ordem Hymenoptera verificamos espécies eussociais nas famílias Apidae (abelhas), Crabronidae (Pemphredoninae: Microstigmus), Formicidae (formigas) e Vespidae (marimbondos), tendo a eussocialidade surgido independentemente nestas famílias (Hunt, 1999). Particularmente em Vespidae podemos encontrar diferentes níveis de socialidade, desde grupos com modo de vida solitário na maioria das espécies das subfamílias Euparagiinae, Masarinae e Eumeninae (Cowan, 1991) até grupos eussociais em Stenogastrinae (Turillazzi, 1991), Polistinae e Vespinae (Richards, 1978), sendo um táxon frequentemente usado para testar modelos evolutivos para a origem do comportamento social (West-Eberhard, 1978; Spradbery, 1991). Segundo a teoria da aptidão inclusiva de Hamilton (1964), as operárias não reprodutivas poderiam ser favorecidas compensando sua perda na reprodução direta pela reprodução indireta, ajudando a criar as filhas de suas parentes rainhas, desta forma, sua aptidão inclusiva seria alta o bastante para manter a sociedade. A teoria também previu potenciais conflitos reprodutivos dentro das sociedades, pois os indivíduos são geneticamente diferentes, tendo consequentemente diferentes interesses reprodutivos (Hamilton, 1964; Ratnieks, 1988; Queller e Strassmann, 1998). Em muitas sociedades primitivamente eussociais de Polistinae como Polistes Latreille, Mischocyttarus de Saussure e a maioria das espécies de Ropalidia Guérin-Méneville (Ropalidiini) não existem diferenças morfológicas entre as castas e ninhos são fundados independentemente por um pequeno grupo de fundadoras, onde uma hierarquia de dominância linear é estabelecida a partir de interações agressivas, com a fêmea mais dominante se tornando a principal ou a única a ovipositar no ninho, sendo a dominância reprodutiva baseada em comportamentos agressivos (Spradbery, 1991). Em Polistes as interações de dominância são mais frequentes que em Mischocyttarus (Spradbery, 1991) e em Ropalidia ocorrem poucas interações diretas ou são quase ausentes, sendo que o repertório de dominância neste grupo parece estar entre os mais modestos nos polistíneos (Spradbery, 1991; Kardile e Gadagkar, 2002; Bhadra et al., 2010). Após o estabelecimento da dominância é observada uma redução dos níveis de agressões (West-Eberhard, 1986; Hughes et al., 1987; Sledge e Boscaro 2001), sugerindo que em adição à agressão, a dominância reprodutiva pode ser mantida por sinais químicos (West- Eberhard, 1986; Dapporto et al., 2007; Bhadra et al., 2010), possivelmente por misturas de hidrocarbonetos de secreção do órgão de Van der Vecht (Dapporto et al., 2007) ou produtos da glândula de Dufour (Bhadra et al., 2010). Os fatores de controle endócrino e oogênese não estão 2 ainda claros, no entanto, somente comportamento de dominância parece insuficiente para manter o controle reprodutivo (Röseler, 1991). Nos Vespinae, uma única fêmea inseminada funda o ninho independentemente (Greene, 1991) e o controle da reprodução e supressão ovariana em operárias é mediado por feromônios (Spradbery, 1991), tendo um menor gasto de energia em relação ao controle físico, pois evita lutas e consequente perda de força operária (Downing, 1991). Em contraste, nas vespas Polistinae Neotropicais eussociais da tribo Epiponini a colônia é fundada por enxameio, onde rainhas e operárias, em sincronia, emigram do velho para o local do novo ninho, seguindo uma trilha química construída por escoteiras (Jeanne, 1981a; West-Eberhard, 1982; Mateus, 2011). Neste táxon existem evidências que as operárias exercem controle sobre a reprodução (Queller et al., 1993; Hastings et al., 1998; Herman et al., 2000), favorecendo a produção de rainhas em colônias com baixo número de rainhas e a produção de machos em colônias com alto número de rainhas (Queller et al., 1993). Adicionalmente, as operárias favorecem a produção dos machos pelas rainhas à produção de machos por outras operárias, pois são mais relacionadas geneticamente aos filhos das rainhas que aos filhos das outras operárias (Hastings et al., 1998). As atividades das rainhas, em Epiponini, resumem-se a botar ovos e não desempenham nenhuma tarefa na colônia, além de oviposições (Herman et al., 2000), diferente das sociedades menos derivadas de Polistinae, como Polistes e Mischocyttarus, onde as rainhas ativas controlam a reprodução e as ações das operárias na colônia, utilizando dominância física (Queller et al., 1997; Reeve, 1991; Noll e Wenzel, 2008). Muitos estudos genéticos (Strassmann et al., 1991; Queller et al., 1993; Strassmann et al., 1998; Hastings et al., 1998), demográficos (Strassmann et al., 1991; Strassmann et al., 1992; Strassmann et al., 1997; Strassmann et al., 1998), morfométricos e fisiológicos (Noll e Zucchi, 2000, 2002) em vespas Epiponini suportam o controle das operárias na reprodução e a ocorrência da oligoginia cíclica. Entretanto, estudos comportamentais são escassos, sendo estes de grande importância para a verificação das interações causais da ocorrência dos processos em questão. Epiponini é conhecida pela impressionante arquitetura de seus ninhos; colônias com muitas rainhas funcionais (poliginia); a ocorrência da oligonia cíclica (West-Eberhard, 1978), que é a diminuição do número de rainhas no decorrer do ciclo colonial; fundação de novas colônias por enxameio; a ocorrência de intermediárias (fêmeas não inseminadas com desenvolvimento ovariano) (Richards e Richards, 1951; Shima et al., 1998; Noda et al., 2003) e por apresentar grande variação de castas morfológicas (Noll e Wenzel, 2008), o que levaram Noll e colaboradores (2004) a propor quatro síndromes de diferenciação de castas: 1) sem castas; 2) castas fisiológicas somente; 3) rainhas maiores que as operárias, mas com a mesma forma; 4) rainhas com formas diferentes, indicando em suas análises que as castas em Epiponini evoluíram 3 de diferentes formas em diferentes linhagens, uma vez que devem existir diferentes estratégias reprodutivas. Nas espécies que apresentam castas morfológicas, estas são determinadas pré- imaginalmente, provavelmente por diferenças nutricionais durante o desenvolvimento larval (Hunt et al., 1996; Sakagami et al., 1996) ou mudanças no eixo longitudinal do corpo, devido, provavelmente, a diferentes programações nos parâmetros de desenvolvimento no estágio pré- adulto (Jeanne et al., 1995). No entanto, nas espécies com ausência de dimorfismo rainha/operária, o mais aceito é que as castas provavelmente são determinadas pós- imaginalmente, a partir de interações competitivas entre os membros da colônia, nestas, todas as fêmeas que emergem são potenciais rainhas, se a colônia já possui rainhas essas recém- emergidas são comportamentalmente suprimidas da reprodução por rainhas e operárias e se tornam operárias, mas se a colônia perde todas as suas rainhas elas desenvolvem seus ovários e se tornam rainhas (West-Eberhard, 1978, 1981; Strassmann et al., 2002), sendo a dominância e controle reprodutivo baseado em interações comportamentais, no entanto, pouco é conhecido sobre os conflitos, interações e comportamentos envolvidos. Controle da reprodução por sinalização química também foi sugerido para muitas espécies de Epiponini (Naumann, 1970; West-Eberhard, 1977; Forsyth, 1978; Jeanne, 1980; Spradbery, 1991), embora não comprovado. Em adição, é possível que a comunicação de fertilidade por posturas ritualizadas pelas rainhas possa ser reforçada por sinais químicos (West-Eberhard, 1978; Spradbery, 1991). No entanto, feromônios de rainha com efeito fisiológico na supressão do desenvolvimento ovariano de operárias foram definitivamente identificados somente em Apis mellifera Linnaeus (Le Conte e Hefetz, 2008). Strassmann e colaboradores (2002) verificaram que em colônias de Parachartergus colobopterus (Licht) novas rainhas surgem rapidamente após experimento de remoção de rainhas. Esses estudos suportam a ocorrência de determinação de castas pós-imaginal, porém, não mencionam como as novas rainhas são selecionadas e como a supressão é mantida em emergentes em colônias com rainhas e após reposição de rainhas. Em espécies apresentando dimorfismo rainha/operária, mesmo que as diferenças de tamanho e de formas sejam óbvias, isso não prova que a determinação das castas ocorre no estágio larval ou que os conflitos não são importantes (Strassmann et al., 2002). Diversos fatores podem afetar no dimorfismo entre rainhas e operárias, tais como o ciclo da colônia (Noll e Zucchi, 2002), o tamanho da colônia (Karsai e Wenzel, 1998) e diferenças nutricionais durante o desenvolvimento larval (Hunt et al., 1996), devido à abundância ou escassez de alimento (Strassmann et al., 2002). Se o desenvolvimento larval das rainhas de uma colônia ocorre em um 4 período de abundância de alimento, provavelmente, elas serão maiores em comparação a um grupo de operárias que eram larvas em um período de escassez de recursos. A maioria das evidências do controle da reprodução pelas operárias foi sugerida por estudos indiretos, por isso, trabalhando com experimento de remoção de rainhas nas colônias, analisando as interações antes e após a remoção, analisando a composição e estado fisiológico (desenvolvimento ovariano, idade relativa e inseminação) dos membros das colônias e comparando os resultados com morfometria comparativa entre novas rainhas e operárias que emergiram no mesmo período, minimizando assim os efeitos ambientais no dimorfismo das castas, é possível investigar como ocorre a produção de novas rainhas, seja o controle reprodutivo comportamental, químico ou uma combinação de ambos e melhorar o entendimento dos mecanismos sociais que operam na manutenção das sociedades de Epiponini. O objetivo geral deste trabalho é investigar os fatores envolvidos no processo de produção de novas rainhas em Synoeca surinama (Linnaeus), verificando como a reprodução é controlada pelas operárias mais velhas, se for o caso, e como os conflitos são limitados. Como objetivos específicos serão verificados:  Quais interações e conflitos estão envolvidos no surgimento de novas rainhas e como a supressão de jovens operárias é mantida em colônias com rainhas;  Se colônias com apenas uma ou algumas rainhas não removidas mantém a supressão em jovens fêmeas, como sugerido por West-Eberhard (1978, 1981) e Strassmann e colaboradores (2002);  Qual grupo de vespas se torna rainhas em colônias apresentando emergência de adultos após remoção de rainhas e qual grupo se torna rainhas, se for o caso, em colônias não apresentando emergência de indivíduos;  Como a supressão ovariana é mantida em fêmeas recém-emergidas após o estabelecimento de um novo grupo de rainhas;  Se ocorrem diferenças morfométricas ou comportamentais entre os grupos de novas rainhas e operárias que emergiram no mesmo período. 5 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Localidade, períodos de estudo e características gerais dos ninhos O estudo foi conduzido em propriedades rurais nas proximidades do município de Indiaporã, Estado de São Paulo, Brasil (19° 59’ S; 50° 18’ O). Nós manipulamos e observamos, em diferentes épocas do ano e por variados períodos, nove colônias de S. surinama, com diferentes características gerais, mas todas as colônias apresentando pupas no favo (Tab. 1). Synoeca surinama é uma espécie de Epiponini de grande porte, com o corpo todo escuro, apresentando uma ligeira iridescência azul metálica. O ninho é do tipo astelocítaro (Richards e Richards, 1951), com seu único favo fixado diretamente ao substrato, coberto por um envelope com típicas corrugações e com a entrada na parte superior (Fig.1). São popularmente conhecidos como “marimbondo tatu” devido ao envelope do ninho ser parecido à couraça de um tatu (Dasypus sp.) (Richards, 1978). Colônia Período das observações Dias de observações Coleta da colônia após as observações (dias) Altura do ninho com relação ao solo (m) Comprimento do ninho (cm) A 06/02/2010 a 23/02/2010 17 0 2 50 B 21/03/2010 a 14/04/2010 24 82 3 30 C 22/03/2010 a 15/04/2010 24 50 4 60 D 01/04/2012 a 02/05/2012 31 0 6 85 E 11/04/2012 a 02/05/2012 21 0 3 50 F 02/06/2012 a 06/07/2012 34 0 5 30 G 10/09/2012 a 10/10/2012 30 0 3 50 H 18/11/2012 a 08/12/2012 20 0 3 30 I 12/01/2013 a 03/02/2013 22 0 2 30 Tabela 1. Data do início e término das observações. Tempo em dias investidos nas observações. Tempo entre o final das observações e a coleta das colônias. Altura do ninho com relação ao solo e comprimento dos ninhos estudados de Synoeca surinama. 6 2.2. Desenho experimental para o teste de remoção de rainhas Como não existe diferenças morfométricas entre rainhas (fêmeas apresentando ovários desenvolvidos e inseminação) e operárias (fêmeas sem desenvolvimento ovariano) de S. surinama (Noll et al., 2004) e rainhas desempenham exclusivamente funções reprodutivas na colônia (Herman et al., 2000), após removermos grande parte do envelope do ninho, para expor o favo e estimular atividade de forrageio e construção, as operárias foram capturadas com pinça e marcadas com tinta de secagem rápida não tóxica, de acordo com as atividades desempenhadas, utilizando um código de cores, no mesoescuto e asas. As rainhas foram capturadas para a marcação quando em posição de postura dos ovos e as recém-emergidas no momento da emergência. Após marcação da maioria das vespas da colônia, nós observamos as colônias a olho nu e a partir de seções diárias (2 a 3 horas) de filmagens por quatro dias (filmadora digital Sony Handycam DCR-SR 85), para levantamento dos comportamentos e Figura 1. Ninho de Synoeca surinama. Setas indicando a entrada, o favo e o envelope do ninho. 7 interações entre operárias, rainhas e recém-emergidas. Após este período as rainhas marcadas e todos os indivíduos não marcados foram removidos. Este procedimento potencialmente assegurou que nenhuma rainha permanecesse no ninho e ainda produziu uma amostra de operárias para servir de controle para comparação do nível de desenvolvimento ovariano com as novas rainhas. Em quatro das nove colônias estudadas algumas rainhas não foram removidas (Tab. 4). Na colônia H, as rainhas não removidas estavam realizando funções de operárias (rainhas operárias) e foram marcadas como operárias. Nas colônias I e G uma e duas das rainhas, respectivamente, não puderam ser removidas e na colônia A, nós removemos 46 rainhas no dia da remoção, mas no terceiro, quarto e quinto dias após remoção, nós removemos mais quatro, 12 e 9 rainhas, respectivamente, ovipondo. Mesmo assim, 9 rainhas não foram removidas até a coleta da colônia, 10 dias após a remoção das rainhas. Este procedimento, apesar de acidental, testou se a presença de uma ou algumas rainhas não removidas foi suficiente para suprimir o desenvolvimento ovariano em fêmeas recém-emergidas ou operárias, como sugerido por West- Eberhard (1978) e Strassmann e colaboradores (2002). Nós procedemos ao teste de remoção de rainhas em três colônias não apresentando emergência, para verificar se operárias mais velhas, desempenhando atividades no ninho (construção ou forrageio) são ou não totipotentes, podendo constituir um novo grupo de rainhas funcionais. Nos dias subsequentes à remoção das rainhas, todas as vespas que foram vistas sem marca foram capturadas e marcadas como recém-emergidas. A certeza de estar marcando recém- emergidas se deu pelo fato de que, quando soltas, elas não apresentam habilidade de voo, pelo menos em S. surinama (observação pessoal). Nós registramos as atividades das vespas marcadas individualmente em seções diárias (duas horas de observação), como construção e forrageio (água, polpa e presa). Seções de filmagens seguiram diariamente para o levantamento das interações relacionadas ao estabelecimento do novo grupo de rainhas. Neste período, amostras de vespas em posição de postura (prováveis novas rainhas) foram coletadas para dissecação (condição ovariana e inseminação). As idades das recém-emergidas marcadas foram definidas em dias (idade absoluta) e dos outros indivíduos foram definidas as idades relativas, a partir do nível de pigmentação progressiva da borda oculta do 5º esternito metassomal (West-Eberhard, 1973). As coletas das colônias para dissecação (condição ovariana, inseminação e idade relativa de toda a colônia) foram realizadas em intervalos diferentes após a remoção das rainhas (Tab. 4), resultando assim em dados mais confiáveis em relação ao padrão de desenvolvimento ovariano e inseminação das novas rainhas. Nós consideramos novas rainhas as vespas que apresentaram 8 pelo menos um oócito maduro ou quase maduro. Todas as vespas que coletamos foram imediatamente fixadas em etanol 70%. Duas colônias controle de S. surinama foram coletadas e dissecadas para definição da composição, idade relativa e nível de desenvolvimento ovariano nos grupos e usadas neste estudo como controle do desenvolvimento ovariano em operárias. A primeira colônia estava na fase de produção de operárias segundo descrição de Noll e Zuccchi (2000) e era composta de aproximadamente 470 operárias, de variáveis idades relativas e 51 rainhas, todas inseminadas com ovários D1 e idade relativa P4 (ver seção 2.5. “Definição dos grupos quanto ao desenvolvimento ovariano e idade relativa”). A segunda estava no início da fase de estabelecimento de um novo ninho e era composta de aproximadamente 262 operárias e 14 rainhas inseminadas com ovários D1 e idade relativa P4. Nestas colônias nenhuma operária apresentou desenvolvimento ovariano, a não ser um muito baixo desenvolvimento (ovários B1) nas fêmeas com baixa pigmentação do 5º esternito metassomal (padrão de pigmentação P1). 2.3. Análises comportamentais As análises comportamentais foram realizadas a partir dos métodos de amostragem de todas as ocorrências, varredura, animal focal e amostragem por comportamento (“Ad libitum”, “Scan”, “Focal-animal” e “Behavior sampling”, respectivamente, sensu Altmann, 1974). O método de todas as ocorrências foi utilizado para qualificar os comportamentos antes e após a remoção das rainhas, sendo importante na tomada de decisões sobre quais comportamentos quantificar e o uso do melhor método de amostragem em cada caso. Para quantificar e comparar o nível de agressão total na colônia, antes e após a remoção das rainhas, nós utilizamos o método de amostragem por comportamento combinado com varredura (“scan”), com amostras de 5 minutos por varredura, com intervalos de 10 minutos para evitar problemas de dependência (pelo menos 5 amostras por dia). Durante as amostragens das agressões por varredura, nós registramos os indivíduos agressores e agredidos por suas marcas individuais ou grupais. Nós consideramos comportamentos agressivos aqueles onde a vespa agressora agarrava a agredida com mordidas nas asas, pernas e outras partes do corpo e tentativas de ferroar (Agr), mordiscar o abdome (Mordab) e investidas (Inv), que são comportamentos que levavam as agredidas a recuar, tentar escapar e fugir, correndo ou voando, ou ainda, causavam a eliminação delas do ninho. Os 9 comportamentos receber “Worker dance” de operárias (Rwd) e curvar o abdome (Curv) não foram considerados agressivos, pois são comportamentos ritualizados relacionados às rainhas (West-Eberhard, 1978) e novas rainhas, sem contato físico direto, além disso, não provocavam a fuga ou eliminação dos indivíduos que recebiam (ver seção 2.6. “Catálogo comportamental” para descrição dos comportamentos). Como na maioria das colônias a população inteira foi marcada individualmente, foi possível quantificar os comportamentos a partir do método de amostragem animal focal. Registramos comportamentos sequencialmente de aproximadamente 10 indivíduos de cada grupo em dias diferentes. As frequências foram corrigidas para produzir escores de frequência/30 minutos e plotadas em gráficos de barras para análise. O nível de desenvolvimento ovariano foi quantificado a partir da contagem dos oócitos maduros ou quase maduros presentes nas fêmeas. Como os dados apresentaram desvios de normalidade para aplicação de teste de correlação paramétrico, nós usamos o teste de correlação de postos de Spearman para investigar possíveis correlações entre nível de desenvolvimento ovariano e número de rainhas na colônia, desenvolvimento ovariano e idade relativa, bem como presença de intermediárias (fêmeas apresentando desenvolvimento ovariano e ausência de inseminação) (ver Shima et al., 1998; Noda et al., 2003) e número de rainhas originais. Em todas as análises estatísticas, nós aplicamos testes paramétricos quando possível, quando não, aplicamos equivalentes não paramétricos (programas R, Statistica 7.0 e Excel 2007). 2.4. Morfometria comparativa entre rainhas originais, operárias, novas rainhas e novas operárias Rainhas originais removidas, operárias, novas rainhas (fêmeas que apresentaram desenvolvimento ovariano após a remoção das rainhas) e novas operárias (operárias que emergiram no mesmo período das novas rainhas) foram comparadas morfometricamente. Seguindo os protocolos estabelecidos por Noll e colaboradores (2004), foram tomadas oito medidas (Fig. 2): Cabeça- largura da cabeça (HW), diâmetro máximo inter-orbital (IDX), diâmetro mínimo inter-orbital (IDm), largura da gena (GW); Mesossoma- comprimento do mesossoma (AL) e largura do mesoescuto (MSW); Metassoma- largura dorsal basal do segundo tergito metassomal (T2BW); Asa- comprimento da primeira célula discal da asa anterior (WL). As medidas obtidas foram transformadas (logaritmo natural) e analisadas estatisticamente segundo One Way ANOVA, com teste a posteriori de Tukey, e Análise Discriminante (programas Statistica 7.0). Estas análises investigaram diferenças de castas (entre rainhas e operárias), e se ocorre alguma tendência pré-imaginal na determinação de quais fêmeas se tornam novas rainhas. 10 2.5. Definição dos grupos quanto ao desenvolvimento ovariano e idade relativa A partir de uma adaptação da classificação usada por Noda e colaboradores (2003), os seguintes tipos de ovários quanto ao nível de desenvolvimento foram distinguidos; tipo A: ovários com ovaríolos filamentosos sem nenhuma granulação; tipo B1: ovaríolos apresentando granulação, mas sem oócitos jovens; tipo B2: ovaríolos com oócitos jovens; tipo C: apresentando um ou dois oócitos maduros ou quase maduros em cada ovário; tipo D1: ovários bem desenvolvidos, apresentando de três a sete oócitos maduros ou quase maduros em cada; tipo D2: ovários muito desenvolvidos com mais de sete oócitos maduros ou quase maduros em cada (Fig. 3). Os ovários apresentaram oócitos em estágios decrescente de desenvolvimento partindo da base. O comprimento dos ovários foi de 10 a 12 mm para os tipos de A, B1 e B2; de 13 a 14 mm para C e D1, sendo muito mais longos nos ovários tipo D2 (aproximadamente 23 mm). O tipo ovariano A foi predominantemente encontrado nas operárias mais velhas e o tipo B1 na maioria das fêmeas recém-emergidas e algumas operárias mais jovens (idade relativa P1 e P2, respectivamente; ver a seguir nesta seção). Os tipos ovarianos B2 e C foram encontrados nas intermediárias, que foram as fêmeas não inseminadas apresentando desenvolvimento ovariano Figura 2. Medidas de oito variáveis morfométricas de rainhas originais removidas, operárias, novas rainhas e novas operárias, usadas na análise morfométrica comparativa. Cabeça- largura da cabeça (HW), diâmetro máximo inter-orbital (IDX), diâmetro mínimo inter-orbital (IDm), largura da gena (GW); Mesossoma- comprimento do mesossoma (AL) e largura do mesoescuto (MSW); Metassoma- largura dorsal basal do segundo tergito metassomal (T2BW); Asa- comprimento da primeira célula discal da asa anterior (WL). 11 encontradas nas colônias com a presença de rainhas originais. As rainhas originais apresentaram ovários tipos D1 e D2. A verificação da inseminação das fêmeas foi realizada a partir da observação em microscópio de luz da presença (inseminada) ou ausência (não inseminada) do saco de esperma na espermateca. Foram definidas cinco categorias de idade relativa, de acordo com o nível de pigmentação abaixo de uma linha longitudinal que corta toda a extensão da borda oculta do quinto esternito metassomal, bem como a espessura dessa linha: borda sem pigmentação escura apresentando uma linha longitudinal muito fina e pouco perceptível na parte mediana da borda (P1) para recém-emergidas; borda com pouca pigmentação escura com uma linha fina perceptível em toda sua extensão (P2); borda parcialmente pigmentada, com uma linha grossa nas extremidades e fina na parte mediana (P3); borda parcialmente pigmentada, com uma linha grossa em toda sua extensão (P4); borda totalmente pigmentada, com uma linha muito grossa (P5) para as vespas mais velhas (Fig. 4). 12 Figura 3. Definição dos tipos de ovários quanto ao nível de desenvolvimento (A, B1, B2, C, D1 e D2) para fêmeas de Synoeca surinama. Modificado de Noda e colaboradores (2003). 13 2.6. Catálogo comportamental A partir das observações a olho nu e filmagens nós geramos um catálogo comportamental de S. surinama usado no estudo. As descrições dos diferentes atos comportamentais do catálogo se seguem: 1. Inspeção de célula (IC): Operária, rainha ou macho inserem a cabeça em células quando caminham no favo. 2. Umedecer opérculo (Uop): Operária regurgita água no opérculo (tampão das pupas) quando a luz solar incide sobre o favo, controlando a temperatura. 3. Revestir opérculo (Rop): operária adiciona polpa sobre o opérculo. Figura 4. Categorias de idade relativa (de cima para baixo: P1, P2, P3, P4 e P5) definidas para fêmeas de Synoeca surinama. P1 P3 P5 P4 P2 14 4. Aumentar célula (Acel): Operária adiciona polpa nas paredes da célula para aumentar sua altura. 5. Construir (Const): Operária adiciona polpa nas bordas do envelope, modelando com as mandíbulas. 6. Receber polpa (Rpol): Operária recebe polpa macerada ou não de outra operária. 7. Macerar polpa (Mpol): Operária recebe polpa e adiciona saliva e água trabalhando a polpa com as mandíbulas e pernas anteriores. 8. Dividir polpa (Dpol): Operária forrageira ou não divide parte ou toda a polpa que carrega com outra operária. 9. Forragear (For): Operária sai do ninho voando e algum tempo depois volta com uma carga líquida, polpa vegetal para construção e reparo do ninho ou presa. A forrageira que pousa no ninho com carga líquida comumente procura imediatamente uma companheira ou é solicitada por uma, onde ela expõe uma gota passando a carga líquida por trofalaxia para uma ou mais companheiras. 10. Autolimpeza (Limp): Na limpeza de cabeça e mesossoma a operária, rainha ou macho passa as pernas anteriores no mesossoma, base da asa, cabeça, antenas e entre as mandíbulas, logo após, passa contra as pernas médias. Para a limpeza do metassoma e asas, ela usa as pernas posteriores e depois limpa as pernas atritando umas contra as outras e também com as pernas médias. 11. Limpeza social (Limpso): Operária limpa outra operária, rainha ou macho, mordiscando seus corpos. 12. Solicitar (Sol): Operária, rainha ou macho caminha em direção a outro indivíduo com as mandíbulas abertas e glossa exposta, solicitando recursos. 13. Receber solicitação (Rsol): Operária, rainha ou macho rebebe solicitação de recursos de outros indivíduos. 14. Trofalaxia (Tro): Contato bucal entre dois indivíduos, onde ocorre fluxo de recurso alimentar ou água. 15. Antenação (Ant): Um indivíduo agita suas antenas de cima para baixo sobre a cabeça de outro indivíduo. O comportamento pode ser recíproco ou não. Rainhas raramente são vistas antenando. 15 16. Receber antenação (Rant): Um indivíduo recebe antenação de outro. 17. Ventilação (Vent): Operária ou macho eleva a cabeça e mesossoma sobre as pernas médias e posteriores e agita as asas continuamente por alguns segundos ou mais de um minuto, o que contribui para o controle da temperatura no ninho. É mais frequente nos períodos mais quentes do dia. 18. Curvar o abdome (Curv): “Bending display” sensu West-Eberhad,1978. Rainha curva o abdome lateralmente para outras rainhas ou operárias. 19. Receber curvar o abdome (Rcurv): Operária ou rainha recebe curvar o abdome de rainha. 20. “Worker dance” sensu West-Eberhard, 1978 (Wd): Operária investe em rainha com as mandíbulas abertas e com o corpo e antenas vibrando. Parece um tipo de forte solicitação. 21. Receber “Worker dance” (Rwd): Rainha recebe “Worker dance” de operária. 22. Solicitação agressiva (Solagr): Operária solicita agressivamente, parecendo morder outro indivíduo, geralmente rainhas em episódios de eliminação de rainhas, machos, recém-emergidas ou outras operárias após remoção de rainhas. Geralmente precede agressão. 23. Receber solicitação agressiva (Rsolagr): Um indivíduo recebe solicitação agressiva de operária. 24. Agressão (Agr): Um ou mais indivíduos agarram e mordem pernas, asas e outras partes do corpo de outro indivíduo. Geralmente as operárias foram as agressoras e as agredidas foram rainhas, recém-emergidas ou outras operárias após remoção de rainhas. 25. Receber agressão (Ragr): Um indivíduo recebe agressão de outro indivíduo. 26. Mordiscar abdome (Mordab): Um indivíduo mordisca o abdome de outro. Geralmente operárias desempenharam esse comportamento em recém-emergidas ou operárias após a remoção de rainhas, mas observamos operárias mordicando o obdome de rainhas em episódios de eliminação de rainhas. Novas rainhas também foram vistas desempenhando esse comportamento em outras novas rainhas no estabelecimento do novo grupo de rainhas em colônias não apresentando emergência e que foram submetidas ao teste de remoção de rainhas. Provavelmente está relacionado ao reconhecimento do Status ovariano nestas fêmeas. 27. Receber mordiscar abdome (Rmordab): Um indivíduo recebe mordiscar abdome de outro. 16 28. Investir (Inv): Operária caminha rapidamente em direção a outro indivíduo (rainha, recém- emergida, operária ou macho), parecendo morder ou tocar, no entanto, não ocorre agressão. 29. Receber investida (Rinv): Um indivíduo recebe investida de operária. 30. Rápida vibração (Rav): Operária levanta e abaixa o corpo rapidamente e repetidamente, com o abdome curvado para baixo, batendo no substrato a cada repetição. Cada movimento é acompanhado de forte agitação das asas. Os movimentos são rápidos, breves e repetitivos. Foi frequentemente observado sobre rainhas ou recém-emergidas, após a remoção de rainhas, quando estas caminhavam no favo e passavam próximo às operárias. 31. Receber rápida vibração (Rrav): Quando rainha ou recém-emergidas recebe rápida vibração de operária. 32. Recuar ou desviar (Recuar): Quando rainhas, recém-emergidas ou operárias após remoção das rainhas recuam, desviam ou recuam quando recebem “Worker dance”, mordiscar abdome ou investidas. 33. Postura do ovo (Ov): Geralmente após inspecionar várias vezes a mesma célula, a rainha introduz seu abdome na célula, ficando com o mesossoma para fora e com as asas semiabertas, então ovipõe. 34. Lamber o ovo (Lamb): A rainha, após a postura do ovo, introduz sua cabeça na célula e toca o ovo com antenas e aparelho bucal. 35. Vigilância do ovo (Vig): A rainha após lamber o ovo, permanece com a cabeça na entrada da célula de postura por tempo variável, não permitindo assim, que outra vespa introduza sua cabeça na célula. Em vigilância a rainha pode introduzir novamente a cabeça dentro da célula e lamber o ovo novamente. 17 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1. Composição original e características reprodutivas das colônias antes da remoção das rainhas Procedendo ao teste de remoção de rainhas nós removemos um número variável de rainhas, juntamente com um grupo de operárias nas nove colônias estudadas. A partir da dissecação desses indivíduos, nós verificamos uma significativa correlação entre dados demográficos e desenvolvimento ovariano (Tab. 2). O número médio de oócitos maduros ou quase maduros por rainha foi negativamente correlacionado com o número de rainhas presentes na colônia (Correlação de Spearman rs= - 0,73; N=9; p=0,03), tendo uma mais significativa correlação quando usamos a razão entre o número de rainhas e o número de operárias (Correlação de Spearman rs= - 0,85; N=9; p=0,006). Esses resultados mostraram que rainhas, em nossas colônias oligogínicas, apresentaram ovários mais bem desenvolvidos que nas colônias poligínicas. Essa mesma tendência foi encontrada em outras espécies de Epiponini, como Polybia emaciata Lucas (Strassmann et al., 1992), P. colobopterus (Strassmann et al., 2002), Synoeca cyanea (Fabricius) (Noda et al., 2003), Asteloeca ujhelyii (Ducke) (Nascimento et al., 2004) e espécies de outros gêneros (Noll e Zucchi, 2000, 2002), sugerindo que o maior desenvolvimento ovariano em rainhas de colônias oligogínicas é o resultado da maior taxa de oviposição por rainha, necessária para suprir a necessidade da colônia por ovos, visto que a taxa oviposição nas colônias parece ser independente do número de rainhas presentes (Jeanne, 1991) e nas vespas sociais, a persistente oviposição leva ao desenvolvimento ovariano (Pardi, 1948). Ainda, em A. ujhelyii o número de oócitos por rainha correlacionou positivamente com a idade (Nascimento et al., 2004), em contraste, em S. surinama não ocorreu correlação (Correlação de Spearman rs= 0,31; N=9; p=0,4), mostrando que em colônias com um menor grupo de rainhas jovens e baixa razão rainhas/operárias os ovários são mais desenvolvidos que em colônias com maior grupo de rainhas mais velhas e maior razão rainhas/operárias (Tab. 2). Nas amostras de operárias removidas juntamente com as rainhas originais verificamos que nas colônias C, D, E e I algumas fêmeas jovens (a maioria com idade relativa P2), na presença de rainhas originais, apresentaram desenvolvimento ovariano (ovários B2 e C), mas sem inseminação, sendo consideradas intermediárias (Richards, 1971; Noda et al., 2003) (Tab. 3). O número de intermediárias foi correlacionado negativamente com o número de rainhas 18 presentes (Correlação de Spearman rs= - 0,84; N=9; p=0,004) e mais significativamente com a razão rainhas/operárias na colônia (Correlação de Spearman rs= - 0,89; N=9; p=0,001). Sendo assim, a presença delas parece estar relacionada ao baixo número de rainhas, em colônias próximas da produção de um novo grupo de rainhas. A maioria das operárias recém-emergidas apresentaram ligeiro desenvolvimento ovariano (ovário B1) e com o passar do tempo os ovários regridem até ficarem totalmente filamentosos nas mais velhas (ovário A). Somadas as amostras de operárias removidas com as rainhas, nas colônias D e E, 134 das 151 operárias com idade relativa P1 (88,7%), apresentaram baixo desenvolvimento ovariano (ovário B1 em sua maioria), enquanto somente 15 das 46 com idade relativa P2 (32,6%) apresentaram (x²= 57,27; gl=1; p<0,0001). Comparando as operárias de idade relativa P1 e P2 somadas (operárias jovens) com as P3, P4 e P5 (operárias mais velhas), as diferenças foram mais altamente significativas (x²= 164,65; gl=1; p<0,0001), pois somente uma operária entre 122 apresentou ovário B1 no grupo das mais velhas, sendo filamentoso nas demais, sem nenhum desenvolvimento ovariano (ovário A). Em muitas outras espécies de Epiponini, recém-emergidas também apresentam ligeiro desenvolvimento ovariano (ver West- Eberhard, 1978; Noll e Zucchi, 2002), inclusive em vespas primitivamente eussociais como Polistes (Pardi, 1948) e Mischocyttarus (Jeanne, 1972), que evidencia uma possível totipotência em espécies sem um claro dimorfismo de castas. 19 Colônia Número de rainhas originais Oócitos/rainha (Média±DP) Idade relativa (rainhas) Operárias Ovos % Larvas % Pupas % Células vazias % Fase do ciclo A 80 11,04±2,03 P4 650 40 5 40 15 Prod. de operárias B 29 8,6±0,56 P3 145 50 5 12 33 Pré-emergência C 3 25±1 P4 600 60 3 8 29 Prod de operárias D 15 21±5,4 P3 1374 15 10 70 5 Produção de machos E 18 24,88±3,9 P3 812 40 2 50 8 Produção de machos F 55 8,8±2,26 P3 234 15 5 75 5 Pré-emergência G 28 16,42±2,3 P3 571 30 10 50 10 Produção de machos H 49 9,02±1,71 P2 173 3 84 10 3 Pré-emergência I 5 14,6±0,54 P4 327 25 40 30 5 Pré-emergência Tabela 2. Composição de adultos e imaturos das colônias no início das observações, a média de oócitos por rainha e a fase do ciclo, segundo Noll e Zucchi (2000), em que se encontravam as colônias estudada de Synoeca surinama. 20 Colônia Grupo Tipo de ovário Idade relativa A B1 B2 C D1 D2 P1 P2 P3 P4 P5 A Rainhas - - - 5 41 - - - 15 31 - Operárias 9 13 - - - - 9 8 - 5 - B Rainhas - - - - 20 - - - 14 6 - Operárias 4 - - - - - - - 2 2 - C Rainhas - - - - - 3 - - - 3 - Operárias 32 9 6 2 - - 5 7 31 6 - D Rainhas - - - - - 15 - - 15 - - Operárias 119 98 3 7 - - 107 26 17 42 35 E Rainhas - - - - - 18 - - 18 - - Operárias 30 54 1 1 - - 52 6 9 10 9 F Rainhas - - - - 55 - - - 53 2 - Operárias 28 2 - - - - 2 - 7 7 14 G Rainhas - - - - - 26 - - 26 - - Operárias 87 - - - - - - - 23 63 1 H Rainhas - - - - 46 - - 29 17 - - Operárias 15 2 - - - - 5 - 3 7 2 I Rainhas - - - - - 4 - - - 4 - Operárias 42 9 2 - - - - 7 8 24 15 Tabela 3. Número de rainhas, intermediárias (ovários B2 e C) e operárias removidas nas colônias de Synoeca surinama quanto ao desenvolvimento ovariano e categoria de idade relativa. 21 3.2. Comportamentos e interações das rainhas originais com operárias antes do teste de remoção de rainhas As rainhas de S. surinama foram distinguíveis das operárias por apresentarem diferenças comportamentais. Caminhavam mais lentamente comparadas às operárias; recebiam “Worker dance” (Rwd) de operárias; foram as únicas vespas a realizarem oviposições; geralmente curvavam o obdome (Curv) para, principalmente, operárias que se aproximavam (Fig. 5) e permaneciam a maior parte do tempo nas periferias do ninho (entre o favo e a parede interna do envelope), agrupadas juntamente com outras rainhas e jovens recém-emergidos, saindo raramente do ninho em voos nas proximidades. Entre rainhas de todas as colônias não ocorreram antenações (Ant) ou trofalaxias (Tro), mas, nas colônias B e E, geralmente quando caminhavam no favo e passavam lado a lado, elas ficavam mais lentas e abriam parcialmente as asas em “V”, curvando o abdome (Curv). Nas outras colônias nenhuma interação ocorreu no encontro entre rainhas. Nós manipulamos as colônias para marcação e observação (direta e filmagens) por mais de uma semana antes de procedermos à remoção das rainhas. Neste período não observamos nenhuma agressividade nas colônias, exceto na colônia B, onde ocorreu um episódio de eliminação de rainhas, relacionado ao processo de oligoginia cíclica (West-Eberhard, 1978), que é a diminuição do número de rainhas no decorrer do ciclo, antes da produção de novas fêmeas reprodutivas, mantendo assim altos os níveis de relacionamento genético intra-colonial verificados nas espécies de Epiponini (Queller et al., 1993; Hastings et al., 1998; Strassmann et al., 1998). Neste episódio de eliminação, as rainhas ocasionalmente recebiam mordiscar o abdome (Rmordab) de operárias antes de serem agarradas e agredidas com mordidas e tentativa de ferroadas por uma, duas ou mais operárias, até serem expulsas do ninho. Quando voltavam eram novamente agredidas. Não observamos agressões entre rainhas e não observamos nenhum teste de dominância antes das operárias iniciarem as agressões, como sugerido por West- Eberhard (1978), pois as rainhas geralmente eram imediatamente agredidas, principalmente quando retornavam ao ninho após expulsão, sugerindo que elas eram reconhecidas quimicamente. As outras rainhas permaneciam agrupadas muito próximo umas das outras em um único grupo, mostrando um padrão comportamental conspícuo, com as asas semiabertas (asas em “V”) e frequentemente curvavam o abdome umas para as outras e também para as operárias que se aproximavam, provavelmente em uma postura dominante para evitar agressões. Das 29 rainhas existentes na colônia, 9 foram expulsas e não foram mais vistas e 6 foram coletadas 22 quando recebiam fortes agressões. Comparando o número de oócitos maduros e quase maduros dessas 6 rainhas agredidas (média=8,33) com as 14 rainhas que permaneceram no ninho até o teste de remoção (média=8,71), não encontramos nenhuma diferença significativa (t= -0,48; gl=18; p=0,63), sugerindo que a seleção de rainhas não dependeu do nível de desenvolvimento ovariano. Nós observamos outros dois episódios de eliminação de rainhas em outras duas colônias na fase de estabelecimento (observação pessoal). West-Eberhard (1978) observou similares episódios de eliminação de rainhas em Metapolybia aztecoides, onde a frequência de “Worker dance” de operárias em rainhas aumentou nestes períodos. Em contraste, as rainhas da colônia B, que passaram pelo episódio de eliminação, foram as que menos receberam “Worker dance” de operárias (Fig. 5), talvez por ficarem agrupadas em postura de defesa, no entanto, foi a colônia que as rainhas apresentaram maior frequência de curvar o abdome (Curv) (Fig. 5). Em Parachartergus fraternus (Gribodo), Mateus (2005) também observou episódios de eliminação de rainhas por agressões de operárias em duas colônias, principalmente na fase de estabelecimento, no entanto, ele observou gradual eliminação de rainhas no decorrer do ciclo 78 dias após o estabelecimento em outra colônia em que não foram observadas agressões no estabelecimento. As agressões foram realizadas sem testes prévios de operárias (Mateus, 2005), semelhante ao observado em S. surinama, o que difere dos resultados observados por West- Eberhard (1978), que observou operárias e rainhas testando rainhas antes de agredir e expulsar as que respondiam submissivamente. Em A. ujhelyii (Nascimento et al., 2004), Metapolybia miltoni (Andena e Carpenter) e Chartergellus golfitensis West-Eberhard (Chavarría, 2013) foi verificado a diminuição do número de rainhas nas colônias no decorrer do ciclo, no entanto, não foram observadas interações agonísticas, como mordidas, tentativas de agarrar e ferroar, que provocavam claras eliminações. Além disso, Nascimento e colaboradores (2004) sugeriram que rainhas são eliminadas por outras rainhas em conflitos de dominância não agonísticos, mostrando que podem existir diferentes estratégias na forma como as rainhas são eliminadas no decorrer do ciclo das colônias. 23 3.3. A totipotência das fêmeas e os fatores envolvidos no estabelecimento dos grupos de novas rainhas nas colônias após o teste de remoção das rainhas Em todas as colônias ocorreu o estabelecimento de um novo grupo de rainhas (Tab. 4 e 5), ou seja, uma parcela da colônia (proporção média=0,12±0,04) apresentou desenvolvimento ovariano, que foi maior que das intermediárias encontradas nas colônias C, D, E e I (Teste U de Mann-Whitney, p<0,0001), comparando o número de oócitos maduros e quase maduros das novas rainhas e intermediárias somente nas colônias que apresentaram intermediárias. No entanto, o nível de desenvolvimento ovariano foi maior nas colônias onde todas as rainhas foram removidas, sendo o nível de desenvolvimento ovariano correlacionado negativamente com o número de rainhas não removidas (Correlação de Spearman rs= - 0,85; N=9; p=0,003). O intervalo em dias entre o teste de remoção e a coleta da colônia não correlacionou com o nível de 0 20 40 60 80 100 120 140 160 IC Rsol Tro Sol Rant Limp Recuar Curv Rwd Rsolagr Fr e q u ê n ci a / 3 0 m in Comportamentos Rainhas originais B D E F H Figura 5. Frequência dos atos comportamentais das rainhas originais das colônias B, D, E, F E H de Synoeca surinama observadas antes do teste de remoção de rainhas (IC= inspeção de célula, Rsol= receber solicitação, Tro= trofalaxia, Sol= solicitar, Rant= receber antenação, Limp= autolimpeza, Recuar= recuar ou desviar, Curv= curvar o abdome, Rwd= receber “Worker dance” de operárias, Rsolagr= receber solicitação agressiva). 24 desenvolvimento ovariano em novas rainhas (Correlação de Spearman rs=0,55; N=9; p=0,13), indicando que o número de rainhas não removidas foi a variável mais importante no nível de desenvolvimento ovariano apresentado pelas novas rainhas (Tab. 4). Colônia Intervalo entre a remoção das rainhas e a coleta das colônias (dias) Número de rainhas removidas Número de rainhas não removidas Operárias presentes na coleta Novas rainhas Oócitos/nova rainha (Média±DP) Idade relativa (novas rainhas) Novas rainhas inseminadas (%) Emergência de machos após remoção de rainhas A 10 46 34 267 51 0,15±0,64 P2 0 não B 97 20 0 68 12 9±2,45 P4 100 não C 64 3 0 179 39 11±1,58 P3-P4 79,5 não D 25 15 0 844 84 8,77±2,49 P3 47,6 sim E 12 18 0 526 56 9,6±3,87 P1-P2 0 sim F 21 55 0 220 42 7,69±2,59 P2 0 não G 23 26 2 656 38 2,47±1,76 P2 0 sim H 13 46 3 113 9 2,44±1,66 P3 0 não I 15 4 1 78 15 7,73±4,43 P3-P4 0 não Tabela 4. Tempo em dias entre a remoção de rainhas e coleta das colônias, número de rainhas removidas e não removidas, número de operárias e novas rainhas presentes na coleta da colônia, número de oócitos desenvolvidos, idade relativa e inseminação das novas rainhas e presença de emergência de machos nas colônias de Synoeca surinama submetidas ao teste de remoção de rainhas. 25 Colônia Grupo Tipo de ovário Categoria de idade relativa A B1 B2 C D1 D2 P1 P2 P3 P4 P5 A Novas rainhas - - - 3 - - - 3 - - - Operárias 212 7 48 - - - 47 10 31 54 125 B Novas rainhas - - - 1 11 - - - 1 11 - Operárias 32 14 22 - - - 27 13 4 5 19 C Novas rainhas - - - 1 38 - - - 29 10 - Operárias 172 4 3 - - - - 1 9 78 91 D Novas rainhas - - - 5 83 - - 3 85 - - Operárias 757 83 4 - - - 130 99 379 206 30 E Novas rainhas - - - 20 36 - 30 19 7 - - Operárias 409 83 34 - - - 129 24 167 161 45 F Novas rainhas - - - 8 34 - - 37 5 - - Operárias 179 40 1 - - - 70 24 11 50 65 G Novas rainhas - - - 22 16 - 4 25 9 - - Operárias 352 297 7 - - - 201 122 140 187 6 H Novas rainhas - - - 9 - - - 1 7 1 - Operárias 94 12 7 - - - - - 20 73 20 I Novas rainhas - - - 5 10 - - - 6 9 - Operárias 58 15 5 - - - - - 14 37 27 Tabela 5. Número de fêmeas de Synoeca surinama quanto ao desenvolvimento ovariano e categoria de idade relativa após a remoção das rainhas. 26 As fêmeas que se estabeleceram como novas rainhas nas colônias que apresentavam emergência de fêmeas no período do experimento de remoção das rainhas (colônias A, C, D, E, F e G) vieram do grupo das recém-emergidas ou de fêmeas que emergiram logo após o teste de remoção de rainhas. Nas colônias que não havia fêmeas emergindo (colônias B, H e I), novas rainhas vieram do grupo das operárias mais jovens presentes nas colônias. Uma exceção ocorreu na colônia I, onde a maioria das fêmeas que desenvolveu os ovários foram as de idade relativa P4, sendo que havia muitas de idade relativa P3 que não desenvolveram. Em nossos registros de atividades diárias de construção e forrageio, nenhuma operária desempenhando atividade de forrageio apresentou qualquer desenvolvimento ovariano (ovário A). Para não enviesar os resultados das análises, na colônia A as fêmeas recém-emergidas que desenvolveram ovários tipo B2 foram consideradas novas rainhas (Tab. 4 e 5), pois quase a metade das rainhas originais não foram removidas nesta colônia e o intervalo de tempo entre a remoção das rainhas e a coleta da colônia foi de apenas 10 dias. Os resultados são consistentes com a totipotência de fêmeas recém-emergidas, que podem desenvolver seus ovários na ausência de rainhas na colônia (West-Eberhard, 1978, 1981; Strassmann et al., 2002) e ampliamos o conhecimento mostrando que a flexibilidade de castas em espécies sem dimorfismo rainha/operária é mais plástica do que anteriormente pensado, pois, operárias mais velhas, realizando tarefas no ninho, exceto forrageio, também são totipotentes e podem formar um novo grupo de rainhas funcionais na ausência de fêmeas recém-emergidas. Na colônia B, por exemplo, o grupo de novas rainhas que substituíram as rainhas removidas era de operárias desempenhando tarefas no ninho, no entanto, essas novas rainhas foram todas inseminadas e produziram pelo menos uma geração de operárias no período entre a remoção das rainhas e a coleta da colônia (97 dias). Similares resultados foram obtidos recentemente por Kelstrup (2012) e Chavarría (2013), parecendo existir um consenso que operárias mais velhas também podem desenvolver os ovários e substituírem o grupo de rainhas originais. De fato, em muitas espécies, incluindo S. surinama, recém-emergidas apresentam ligeiro desenvolvimento ovariano (West-Eberhard, 1978; Noll e Zucchi, 2002) e esta pode ser a provável causa delas serem prioritariamente as substitutas das rainhas. Como ocorre uma redução no número de rainhas no decorrer do ciclo (oligoginia cíclica) nas colônias de vespas da tribo Epiponini (West-Eberhard, 1978; Strassmann et al., 1998; Hastings et al., 1998) e a produção de novos ninhos (enxameio) não está ligada a produção de novas rainhas (Strassmann et al., 1998), em termos adaptativos, no caso de um enxameio de fuga, por exemplo, uma colônia com número reduzido de rainhas ou mesmo sem rainhas (Strassmann et al., 1998), terá uma chance de produzir um novo grupo de rainhas e evitar o 27 declínio, visto que o estabelecimento de um novo grupo de rainhas é rápido, pois em S. surinama, nós observamos novas rainhas com desenvolvimento ovariano compatível com rainhas originais em apenas 12 dias após a remoção das rainhas (colônia E) e oviposições de novas rainhas a partir de 11 dias após a remoção (colônia D). Em P. colobopterus uma semana após a remoção das rainhas, a colônia apresentou fêmeas jovens com oócitos maduros (Strassmann et al., 2002). Em S. surinama a presença de uma (colônia I) ou mais rainhas não removidas (colônias A, G e H) não foram suficientes para suprimir o desenvolvimento ovariano em recém-emergidas ou operárias, no entanto, em Metapolybia aztecoides Richards recém-emergidas desenvolveram os ovários e se tornaram novas rainhas somente após a morte da única rainha original na colônia (West-Eberhard, 1978) e em P. colobopterus, Strassmann e colaboradores (2002) removeram oito rainhas e apenas uma rainha não removida foi suficiente para manter a supressão do desenvolvimento ovariano em operárias. O mais aceito é que as operárias mais velhas em Epiponini, sendo a casta mais numerosa, exercem o controle da reprodução (Queller et al., 1993), suprimindo fêmeas recém-emergidas do desenvolvimento ovariano através de comportamentos agressivos, servindo como um mecanismo de controle na produção de novas rainhas (West- Eberhard, 1978, 1981; Herman et al., 2000; Strassmann et al., 2002; Platt et al., 2004). Se a colônia perde todas as suas rainhas, o nível de agressão diminui e um novo grupo de rainhas surge (West-Eberhard, 1978, 1981; Strassmann et al., 2002). Ao contrário, nossos resultados mostraram que ocorreu um aumento no nível de agressões nas colônias e que fêmeas recém- emergidas não foram agredidas antes da remoção das rainhas, mas sim após, como será visto a seguir. 3.4. Nível de agressões antes e após a remoção das rainhas e as interações no estabelecimento do grupo de novas rainhas Em todas as colônias, todos os atos agressivos foram desempenhados por operárias mais velhas. Interessante é que as operárias reconheciam as recém-emergidas ou mesmo as operárias mais velhas que, provavelmente estavam iniciando o desenvolvimento ovariano. As operárias geralmente tocavam o abdome da agredida com o aparelho bucal e antenas ou mesmo mordiscavam (Mordab), antes de desempenhar “Worker dance” (Wd), solicitar agressivamente (Solagr) ou investir diretamente (Inv) com mordidas, tentativa de ferroar, ao mesmo tempo em que tentavam agarrar as agredidas (Agr). Em muitas ocasiões, agressora e agredida caíam do 28 ninho agarradas e depois se soltavam no solo. A agredida tentava escapar lutando e quando conseguia, voava e caia no solo ou corria para longe da agressora e em muitas ocasiões eram perseguidas. Mais de uma operária podiam atacar à agredida e muitas delas foram eliminadas do ninho. O comportamento mordiscar o abdome (Mordab) foi desempenhado por operárias em quase todas as colônias e nós consideramos como uma forma da operária sentir algum odor e, assim, auxiliar na identificação dos indivíduos que estavam em início de desenvolvimento ovariano. A agredida geralmente evitava esse contato com seu abdome (Rmordab), recuando (Recuar), curvando o abdome (Curv) ou se virando rapidamente de frente com a operária, solicitando (Sol) ou possivelmente oferecendo algum recurso. As recém-emergidas marcadas antes do teste de remoção não receberam agressões neste período, mesmo quando ocasionalmente caminhavam no favo, no entanto, elas passavam a maior parte do tempo agrupadas nas periferias do ninho, juntamente com rainhas e jovens machos (colônias D e E). Após o teste de remoção elas foram alvos de agressões de operárias (Fig. 6). Na maioria das colônias nós observamos um aumento no nível de agressões após o teste de remoção das rainhas (Fig. 7). Nas colônias que apresentavam emergência de fêmeas antes e após a remoção das rainhas (colônias D e E), as agressões iniciaram no dia posterior ao teste de remoção. As agredidas na colônia D foram as fêmeas recém-emergidas marcadas antes da remoção (N=103), recém-emergidas marcadas nos primeiros cinco dias após a remoção (N=84) e também operárias jovens. As recém-emergidas marcadas no sexto dia em diante após remoção não foram vistas recebendo comportamentos agressivos (N=171). As recém-emergidas após a remoção das rainhas, que sofreram agressões, foram em sua maioria eliminadas do ninho em comparação com as que não sofreram (x²= 20,44; gl=1; p<0,0001). Muitas foram vistas no solo, pois observamos que recém-emergidas tem baixa habilidade em voar e quando colocávamos algumas de volta ao ninho, elas eram imediatamente agredidas. No entanto, das 18 que permaneceram até a coleta da colônia, somente uma não desenvolveu seus ovários, dessa forma, ocorreu uma maior frequência de recém-emergidas que se tornaram novas rainhas neste grupo que no grupo que não sofreu agressões (x²= 18,34; gl=1; p<0,0001). As recém-emergidas marcadas antes da remoção de rainhas foram igualmente agredidas e eliminadas do ninho em comparação às que sofreram agressões que emergiram após a remoção (x²= 0,03; gl=1; p=0,86), no entanto, nenhuma das marcadas antes do teste de remoção, que não foram eliminadas (N=22), apresentou desenvolvimento ovariano. Na colônia E as agredidas foram as recém-emergidas marcadas antes da remoção (N=33) e as recém-emergidas marcadas até o quarto dia após a remoção (N=38). A partir do quinto dia 29 cessaram as agressões. As recém-emergidas antes da remoção foram similarmente eliminadas em relação às que emergiram após a remoção (x²=0,01; gl=1; p=0,88), no entanto, o número de novas rainhas foi mais frequente no grupo das que emergiram após a remoção (x²=11,02; gl=1; p<0,001). Além disso, o número de novas rainhas neste grupo (emergiram até o quarto dia após a remoção) foi maior que no grupo das que emergiram após o período de agressões (x²= 71,67; gl=1; p<0,0001). As colônias F e G não apresentavam emergência no dia do teste de remoção de rainhas. Na colônia F, as primeiras emergentes surgiram no 10º dia após a remoção. Neste dia teve início as agressões, embora até o 15º dia após a remoção, as agredidas e agressoras foram operárias e a metade das operárias agredidas amostradas nos “Scans” (N=10), também foram agressoras. Desta forma, provavelmente, estavam ocorrendo conflitos entre operárias em relação a direitos reprodutivos. Com uma pausa de três dias sem agressões nas amostragens, provavelmente devido a crescente presença de recém-emergidas na colônia, do 19º até 22º dia após a remoção, as agredidas foram as recém-emergidas. Neste período muitas foram encontradas no solo, pois eram agarradas no favo por operárias e caíam juntas, principalmente no primeiro dia em que as recém- emergidas foram agredidas. A maioria delas ficava agrupada na borda inferior do envelope no lado de fora do ninho. As fêmeas que emergiram nos primeiros seis dias após o início da emergência (N=42), das que não foram eliminadas (N=34), todas desenvolveram seus ovários, sendo 32 (94%) ovário D1 e 2 (6%) ovário tipo C. Das que emergiram no 7º dia (N=16), as que viveram (N=13), 10 (77%) desenvolveram ovário C e 3 (23%) apresentaram ovário A ou B1 e as que emergiram do 8º dia em diante após o início das emergências (N=60), todas apresentaram ovários A ou B1, tendo estas recém-emergidas idade absoluta entre 5 e 9 dias no dia da coleta, idade suficiente para apresentarem pelo menos 1 oócito maduro se fosse o caso de elas desenvolverem seus ovários. As operárias que participaram dos primeiros dias de agressões (agredidas e agressoras), todas apresentaram ovário A. O grupo de recém-emergidas que estavam na colônia no período de agressões teve seu número diminuído em igual frequência comparado às recém-emergidas que emergiram após as agressões (x²= 0,03; gl=1; p=0,85). Esses resultados sugerem que após a remoção das rainhas na colônia F, algumas operárias iniciaram desenvolvimento ovariano e entraram em conflitos agonísticos por direitos reprodutivos, como ocorreu na colônia I (a seguir nesta seção). Com o início da emergência de fêmeas, as primeiras que emergiram iniciaram o desenvolvimento ovariano devido à orfandade e suprimiram quimicamente as operárias em desenvolvimento ovariano, que tiveram seus ovários regredidos, bem como suprimiram quimicamente também as posteriores fêmeas recém-emergidas após o estabelecimento do novo grupo de rainhas. 30 Nosso experimento de remoção de rainhas indicou que na ausência de rainhas em colônias com emergência ou iminente emergência de fêmeas, os grupos de novas rainhas foram, em sua maioria, constituído pelas primeiras fêmeas que emergiram, sendo isso mais evidente na colônia F. No entanto, na colônia G, as primeiras recém-emergidas começaram a emergir a partir do quinto dia após o teste de remoção das rainhas e, a partir do dia seguinte, foram alvos de agressões pelas operárias por um período de seis dias. As recém-emergidas que foram eliminadas (N=46) receberam comportamentos agressivos em igual frequência, comparado às que permaneceram no ninho (N=72), analisando os dados dos “Scans” sobre agressões (x²= 0,02; gl=1; p=0,89). Nesta colônia, nenhuma das recém-emergidas que emergiram no período das agressões apresentou desenvolvimento ovariano, com 87,5% das que permaneceram no ninho apresentando ovário A (N=63) e as demais ovário B1 (N=9). O grupo que apresentou desenvolvimento ovariano veio das fêmeas que emergiram após o período de agressões. Comparando a frequência de eliminação das recém-emergidas que sofreram agressões com as que emergiram nos seis dias posteriores às agressões (N=147), observamos uma eliminação altamente significativa no grupo das que sofreram agressões (x²=22,62 ; gl=1; p<0,0001). É possível que as primeiras recém-emergidas não desenvolveram seus ovários nesta colônia, por terem sido suprimidas quimicamente pelas duas rainhas originais não removidas. Outra possibilidade é que somente parte das recém-emergidas possui uma tendência pré-imaginal para desenvolverem seus ovários e as que emergiram com essa tendência foram eliminadas agressivamente pelas operárias. Nas colônias que não apresentaram emergência durante todo o período de observação (B, H e I), o padrão comportamental variou entre as colônias no estabelecimento das novas rainhas. Na colônia B, as agressões observadas antes do teste de remoção (Fig.7), foram devido a um episódio de eliminação de rainhas, sendo as agressões registradas somente de operárias em rainhas. Após o teste de remoção, o estabelecimento do novo grupo de rainhas foi pacífico. No entanto, as novas rainhas ficavam agrupadas com as asas parcialmente abertas (asas em “V”) e curvavam frequentemente o abdome umas para as outras e para as operárias que se aproximavam, semelhante às rainhas removidas que passaram pelo episódio de eliminação de rainhas antes da remoção. Na colônia H, foram registradas agressões somente no 8º dia após o teste de remoção e somente entre as fêmeas que apresentaram desenvolvimento ovariano. As agressões foram menos intensas, comparado às outras colônias, envolvendo somente duas fêmeas por agressão, agressora e agredida. As agredidas foram somente duas fêmeas nos “Scans”, uma nova rainha e uma rainha operária (rainha não removida desempenhando funções de operárias). Já na colônia I, as agressões iniciaram no dia seguinte ao teste de remoção e 31 perdurou por quatro dias (Fig.7). A colônia ficou muito agitada, com vespas andando rápido e correndo no favo, mas as atividades de construção e forrageio continuaram. O nível de agressões foi muito intenso nesta colônia e várias fêmeas foram vistas sendo agredidas ao mesmo tempo, por até quatro indivíduos simultaneamente. As fêmeas que desenvolveram os ovários foram vistas sendo agressoras e também agredidas, assim como outras vespas que não apresentaram desenvolvimento ovariano, por isso, a frequência de eliminação foi similar para os grupos de agressoras e agredidas (x²=1,39 ; gl=1; p=0,24). Como praticamente todos os indivíduos da colônia estavam se agredindo, a taxa de eliminação de vespas do ninho foi muito alta. Duas fêmeas, eliminadas cinco dias após a remoção das rainhas, foram coletadas quando pousadas em folhas, cinco metros de distância do ninho, e ambas apresentaram um oócito quase maduro em cada ovário e não estavam inseminadas, indicando que as fêmeas em desenvolvimento ovariano estavam se agredindo. Comparando a frequência de eliminação com a colônia H, que passou por similar período de tempo após o teste de remoção e apresentava similares características, verificamos uma altamente significativa maior taxa de eliminação na colônia I. Na colônia H, das fêmeas que permaneceram no ninho após a remoção das rainhas (N=156), 129 (83%) foram coletadas no final das observações, enquanto que na colônia I, das que permaneceram após a remoção (N=274), somente 99 (36%) foram coletadas (x²=84,65 ; gl=1; p<0,0001). 32 0 5 10 15 20 25 30 35 Fr e q u ê n ci a / 3 0 m in Colônia D Antes da remoção das rainhas Após a remoção das rainhas 0 10 20 30 40 50 60 Fr e q u ê n ci a / 3 0 m in Comportamentos Colônia E Antes da remoção das rainhas Após a remoção das rainhas (novas operárias) Após a remoção das rainhas (novas rainhas) Figura 6. Frequência dos comportamentos desempenhados pelas recém-emergidas marcadas antes do teste de remoção de rainhas nas colônias D e E de Synoeca surinama (IC= inspeção de célula, Rsol= receber solicitação, Sol= solicitar, Rant= receber antenação, Ant= antenação, Tro= trofalaxia, Rpol= receber polpa, Mpol= macerar polpa, Dpol= dividir polpa, Vent= ventilação, Limp= autolimpeza, Rmordab= receber mordiscar abdome, Rwd= receber worker dance, Rsolagr= receber solicitação agressiva, Ragr= receber agressão, Curv= curvar o abdome, Rcurv= receber curvar o abdome, Recuar= recuar ou desviar). 33 Nós verificamos que antes do teste de remoção das rainhas recém-emergidas não foram agredidas. Contudo, após a remoção elas foram as principais agredidas das operárias mais velhas, por um período aproximado de quatro a seis dias. Após este período crítico, as agressões cessaram e as subsequentes fêmeas emergidas não receberam agressões. Nas colônias que não apresentaram emergência de fêmeas no período das observações, o padrão comportamental no estabelecimento do grupo de novas rainhas variou de pacífico (colônia B) a uma intensa competição agonística entre as operárias por direitos reprodutivos provavelmente (colônia I). A maioria das fêmeas que desenvolveram os ovários veio do grupo das que eram recém-emergidas no período das agressões, exceto na colônia G. Em todas as colônias nenhuma nova rainha foi vista forrageando nos registros diários de atividades ou era forrageira antes da remoção das rainhas. Em S. surinama nós não encontramos evidências que agressões de rainhas ou operárias em fêmeas recém-emergidas causa a supressão do desenvolvimento ovariano em colônias com rainhas, como proposto para espécies de Epiponini sem dimorfismo de castas (West-Eberhard, 1978; Strassmann et al., 2002; Platt et al., 2004). Nenhuma rainha foi vista agredindo recém- emergidas ou qualquer outro indivíduo em todas as colônias observadas, além do mais, B G 0 2 4 6 8 10 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Fr e q u ê n ci a m é d ia d o s at o s ag re ss iv o s p o r sc an Dias B D E F G H I remoção das rainhas Figura 7. Frequência média dos atos agressivos observados nos “scans” nas colônias amostradas de Synoeca surinama antes e após o teste de remoção das rainhas (colônias B, D, E, F, G, H e I). 34 Chavarría (2013) observou em outras espécies, que recém-emergidas não são agredidas por rainhas ou operárias. Outro suporte é o fato de que as recém-emergidas agredidas por operárias após a remoção das rainhas desenvolveram seus ovários, no entanto, na colônia I muitas operárias que participaram das mútuas agressões não apresentaram desenvolvimento ovariano, sugerindo que agressões às suprimiram, mas, é mais provável que as que primeiro desenvolveram os ovários, sendo fisiologicamente mais dominantes, devem ter quimicamente causado a regressão dos ovários e posterior supressão dessas fêmeas. Um comportamento que poderia ser uma possível forma de supressão comportamental é “Worker dance”, que algumas recém-emergidas foram vistas receber de operárias antes da remoção das rainhas (colônias A e E). No entanto, recém-emergidas que desenvolveram seus ovários após a remoção das rainhas receberam “Worker dance” de operárias em mais alta frequência, além de agressões, o que descarta essa possibilidade. Rainhas em Epiponini comumente recebem “Worker dance” de operárias, geralmente quando caminham no favo (West-Eberhard, 1978, 1981; Nascimento et al., 2004; Chavarría, 2013; este estudo), sendo um comportamento que pode ser a resposta comportamental de operárias quando percebem algum feromônio contato cuticular liberado por rainhas ou fêmeas em início de desenvolvimento ovariano, como recém-emergidas e novas rainhas. Em Protopolybia acutiscutis (Cameron) operárias reconhecem rainhas e as lambe antes de iniciar o enxameio (Naumann, 1970), enquanto que operárias reconhecem rainhas por meio de alguma substância liberada da cabeça e distinguem rainhas desmembradas e esmagadas de outros membros da colônia em M. aztecoides, indicando que o reconhecimento da rainha pelo odor é provável em grandes colônias de Polistinae (West-Eberhard, 1977). Estudos experimentais mostraram que em diversas espécies de Polistes, fundadoras reconhecem as companheiras por odores específicos (Gamboa et al., 1986). Outro comportamento que, provavelmente está relacionado ao reconhecimento do “Status” reprodutivo de fêmeas por sinalização química é mordiscar o abdome (Mordab), neste comportamento, a operária realizava contatos bucais com o gaster das recém-emergidas ou fêmeas em provável desenvolvimento ovariano antes de agredi-las. O mesmo foi observado em rainhas originais em episódios de eliminação de rainhas nas colônias de S. surinama, o que nos leva a levantar a hipótese que rainhas e novas rainhas produziram alguns componentes químicos específicos de contato sobre a superfície da cutícula gastral que desencadearam os comportamentos agressivos das operárias. Como a maioria das novas rainhas veio do grupo de recém-emergidas que se encontrava no ninho no período crítico de agressões, nós consideramos que as agressões de operárias sobre recém-emergidas é uma forma de controle das operárias para evitar a produção de um maior 35 número de novas rainhas do que seria ótimo para a colônia, pois estas agressões levaram a uma alta taxa de eliminações. Por exemplo, na colônia D, das recém-emergidas após a remoção das rainhas que receberam agressões, somente 17,6% permaneceram no ninho e destas, 94,5% desenvolveram seus ovários e se tornaram novas rainhas. De fato, a proporção de novas rainhas produzidas em relação à população total não foi alta, limitando de 0,05 a 0,18 (média=0,12±0,05), dentro do limite observado nestas mesmas colônias antes das rainhas serem removidas (limite de 0,01 a 0,19; média=0,09±0,08). O fator causal para as agressões pode ser o excesso de feromônios de rainhas produzido pelas muitas fêmeas desenvolvendo seus ovários. Esta hipótese é corroborada pelo fato que ocorreu alta taxa de eliminação no período de agressões. Em Vespinae, o controle da reprodução e supressão de operárias é químico (Spradbery, 1991), neste grupo agressões foram observadas após orfandade em Vespula atropilosa (Sladen) (Landolt et al., 1977), onde operárias começaram ovipositar oito dias após a ausência da rainha. Em Vespa analis (Fabricius), após a perda da rainha, as operárias lutaram por dominância até uma se tornar a dominante ou única rainha na colônia, a partir disso, as agressões diminuíram (Matsuura, 1984) e em Polistes annularis (Linnaeus), a remoção da rainha provocou interações agressivas entre operárias, até o estabelecimento de uma hierarquia de dominância (Hughes et al., 1987). Apesar de não conduzirmos nenhum bioensaio, temos evidências indiretas que a supressão de fêmeas recém-emergidas e operárias mais velhas não forrageiras provavelmente é realizada pelas rainhas por sinalização química. Um controle da reprodução baseado em agressão, como verificado em vespas de fundação independente, como Polistes (Reeve e Gamboa, 1983; Reeve, 1991) e sugerido para espécies de Epiponini (West-Eberhard, 1978, 1981; Strassmann et al., 2002; Platt et al., 2004), não se aplica em S. surinama a partir de nossos resultados, pois novas rainhas surgiram nos períodos críticos de agressões na maioria das colônias. A mais óbvia evidência é que fêmeas recém-emergidas não desenvolvem seus ovários na presença de um grupo de rainhas. Elas permanecem agrupadas com rainhas no período entre a emergência e o início das atividades como operárias e isso pode intensificar a ação de possíveis componentes supressores produzidos por rainhas. Além disso, operárias mais velhas não forrageiras também apresentam totipotência (Kelstrup, 2012; Chavarría, 2013, este estudo) e não observamos agressões entre elas ou outras interações que expliquem a mútua supressão, no entanto, quando a razão rainhas/operárias esta baixa, esta supressão diminui e intermediárias surgem na colônia, como verificado neste estudo. Intermediárias são comumente encontradas em espécies com baixo dimorfismo de castas (Richards, 1978; Noll et al., 1996; Mateus et al., 1997; 36 Shima et al., 1998), no entanto, no clado compreendendo Synoeca de Saussure, Clypearia de Saussure, Metapolybia Ducke e Asteloeca Raw (Wenzel e Carpenter, 1994), intermediárias não são comuns (Noll et al., 2004). Em relação à dominância reprodutiva e supressão ovariana em operárias, podemos levantar a hipótese de que a presença de intermediárias nesse clado é resultado de baixa supressão química imposta pelo reduzido número de rainhas. Quando a razão rainhas/operárias esta baixa, esta supressão química diminui e intermediárias surgem na colônia. De fato, nós observamos que em todas as colônias apresentando intermediárias, a razão rainhas/operárias limitou de 0,005 a 0,02 (N=4) e nas colônias não apresentando, a razão limitou 0,05 a 0,28 (N=5). Esta hipótese é suportada pelo fato de que Richards (1971) e West-Eberhard (1978) verificaram que em colônias com poucas rainhas, as intermediárias têm maiores ovários e com muitas elas têm menores ovários, sendo provavelmente, o resultado da diminuição da supressão das rainhas em espécies que apresentam intermediárias durante todo o ciclo colonial (ver Shima et al., 1998; Noll et al., 2004) por, provavelmente, terem evoluído para uma incompleta supressão química por rainhas. Outro suporte é o mais baixo desenvolvimento ovariano nos grupos de novas rainhas nas colônias onde uma ou algumas rainhas não foram removidas (Tab. 4). Como a supressão provavelmente é mantida pelo grupo de rainhas, a permanência de uma ou algumas rainhas, mantém baixa a supressão, mas não impedindo com eficácia o desenvolvimento ovariano em operárias ou recém-emergidas. Isso nos leva a levantar a hipótese que a manutenção da supressão está relacionada ao nível de desenvolvimento ovariano das rainhas, ou seja, quanto maior os ovários, mais feromônios de supressão a rainha produz. Com a diminuição do número de rainhas na colônia no decorrer do ciclo, no processo de oligoginia cíclica (West-Eberhard, 1978), o nível de desenvolvimento ovariano por rainha aumenta (Strassmann et al., 1992; Noll e Zucchi, 2000, 2002; Strassmann et al., 2002; Nascimento et al., 2004, este estudo) e um menor número de rainhas mantém a supressão, até que o equilíbrio é quebrado e intermediárias começam a surgir e por fim, com a morte da última rainha (pequenas colônias) ou mesmo com uma ou algumas rainhas (grandes colônias), um novo grupo de rainhas surge. Esta hipótese pode explicar o fato de que três rainhas não removidas na colônia H, com ovários poucos desenvolvidos (média= 8,33 oócitos/rainha), não manterem a supressão de 173 operárias e na colônia C, com somente três rainhas originais, com maior nível de desenvolvimento ovariano (média= 25 oócitos/rainha), manterem a supressão de 600 operárias, com a ocorrência de apenas algumas intermediárias. Outra evidência de controle reprodutivo ser químico é a ausência de desenvolvimento ovariano em fêmeas emergidas após o período de agressões e estabelecimento do novo grupo de rainhas. É provável que as novas rainhas reestabeleceram a supressão ovariana das subsequentes 37 recém-emergidas e operárias quimicamente, da mesma forma como a dominância era mantida pelas rainhas removidas, visto que nenhuma interação agonística foi observada entre estas vespas que emergiram após o período crítico de agressões e operárias mais velhas ou entre elas e as novas rainhas. Como as rainhas desempenham poucas atividades, além de ovipositar (Herman et al, 2000), comunicação do “Status” por posturas ritualizadas, como curvar o abdome (“Bending display” sensu West-Eberhard, 1978), “Worker dance” e asas semiabertas em “V”, seria insuficiente na manutenção da supressão, principalmente em colônias com poucas rainhas. Existem evidências indiretas que controle químico da reprodução ocorra em outras espécies de Epiponini, como Pr. acutiscutis, Agelaia pallipes (Olivier) e Polybia occidentalis (Olivier) (Naumann, 1970; Forsyth, 1978), embora não tenham sido comprovadas. Na maioria das espécies de insetos, feromônios mediam atração sexual e cópula, mas nos insetos sociais, feromônios também podem regular uma lista maior de comportamentos, envolvendo até milhares de indivíduos (Kocher e Grozinger, 2011). Feromônios de rainha, com efeito fisiológico na supressão do desenvolvimento ovariano de operárias, foram definitivamente identificados somente em A. mellifera (Le Conte e Hefetz, 2008). Embora a fonte e natureza química desses supostos feromônios sejam desconhecidas em Vespidae, nos polistíneos primitivamente eussociais ocorre evidências do controle reprodutivo ser químico, pelo menos na manutenção da dominância, visto que são comuns múltiplas rainhas ovipositando em grandes colônias de espécies monogínicas de vespas sociais (West-Eberhard, 1977). Quanto maior se torna o grupo, maior é a probabilidade que mais de uma fêmea apresente ovários desenvolvidos (Strassmann, 1983), sugerindo que o controle reprodutivo baseado em agressões é eficiente somente em pequenos grupos. Em Ropalidia marginata (Lepeletier) interações de dominância direta são quase ausentes (Spradbery, 1991; Kardile e Gadagkar, 2002; Bhadra et al., 2010) e em Polistes é observada uma redução nas agressões após o estabelecimento da dominância (West- Eberhard, 1986; Hughes et al., 1987; Sledge e Boscaro 2001), sugerindo que o controle reprodutivo pode ser mantido quimicamente (West-Eberhard, 1986; Dapporto et al., 2007; Bhadra et al., 2010), possivelmente por misturas de hidrocarbonetos de secreção do órgão de Van der Vecht (Dapporto et al., 2007) ou componentes da glândula de Dufour (Bhadra et al., 2010). Em Epiponini, componentes provenientes do saco de veneno funcionam como sinal químico de alarme na defesa do ninho (Jeanne, 1981b) e produtos provenientes da glândula de Richards (Jeanne, 1981a) ou veneno (Mateus, 2011) são usados na produção de trilha química para coordenar a colônia no enxameio. Além do mais, apesar de nenhum feromônio sexual ter sido quimicamente caracterizado na família Vespidae (Ayasse et al., 2001) é provável que 38 feromônios sexuais voláteis de longo alcance são produzidos por novas rainhas virgens para atrair machos (Chavarría e Noll, 2014; segundo capítulo desse estudo). Assim, embora interações comportamentais sejam importantes na manutenção dessas sociedades, componentes químicos mediam muitos comportamentos envolvidos na organização da colônia e é provável que um controle reprodutivo químico ocorra neste grupo. Em S. surinama, Kelstrup e colaboradores (2014) mostraram que os níveis de hormônio juvenil são mais elevados em rainhas e novas rainhas (citado como “Benders”) do que em operárias, fêmeas suprimidas do desenvolvimento ovariano e recém-emergidas, mostrando que este hormônio possui função gonadotrópica, no entanto, eles observaram que recém-emergidas receberam agressões de operárias antes da remoção das rainhas e após o estabelecimento do novo grupo de rainhas, sugerindo supressão comportamental nestas jovens fêmeas, o que não foi observado no presente estudo, apesar do longo tempo de observações nestas e em outras colônias de S. surinama. Experimentos com aplicação de hormônio juvenil mímico (methoprene) em jovens fêmeas evidenciaram que esse hormônio não é necessário na expressão de comportamentos agressivos de dominância, no entanto, parece promover, além do desenvolvimento ovariano, mudanças nos perfis de hidrocarbonetos cuticulares em direção aos verificados em rainhas (Kelstrup et al., 2014). Essas alterações na cutícula pode ser a causa proximal do reconhecimento e das agressões de operárias recebidas pelas fêmeas recém- emergidas, após remoção das rainhas, verificadas no presente estudo, visto que todas as jovens tratadas com methoprene também receberam agressões de operárias mais velhas após a aplicação (Kelstrup et al., 2014). Hidrocarbonetos cuticulares parecem associados com a sinalização do “Status” reprodutivo em espécies sociais primitivas, como em Polistes satan Bequaert (Tannure- Nascimento et al., 2008) e em espécies sociais avançadas e, em alguns casos, funcionam como feromônios (Kocher e Grozinger, 2011), como é verificado na formiga de jardim Lasius Niger (Linnaeus), onde um único hidrocarboneto cuticular inibe a ativação ovariana em operárias (Holman et al., 2010). 3.5. Diferenças morfométricas entre novas rainhas e novas operárias Nós realizamos análises morfométricas comparativas entre rainhas originais, operárias, novas rainhas e novas operárias para verificar se existem diferenças de castas em S. surinama e 39 se novas rainhas e novas operárias apresentaram alguma diferença de tamanho, que revelasse alguma tendência pré-imaginal em novas rainhas em comparação com novas operárias. Nas colônias D, E e I a maioria dos caracteres não apresentou diferenças significativas entre os grupos testados, principalmente entre novas rainhas e novas operárias (Tab. 6). Já nas colônias F e G, a maioria dos caracteres apresentaram diferenças significativas entre os grupos em questão, com uma tendência das operárias serem maiores em relação aos outros grupos, principalmente na colônia G (Tab. 6). Entre novas rainhas e novas operárias pouca diferença foi observada em todas as colônias, não tendo um padrão, pois em algumas medidas novas rainhas eram maiores e em outras eram menores que novas operárias (Tab. 6). 40 Média (mm)±DP Teste de Tukey *P<0,05 # P<0,01 Colônia Caracteres Rainhas Operárias Novas Rainhas Novas Operárias ANOVA O/NO O/NR O/R R/NR R/NO NR/NO D (n=15) (n=30) (n=30) (n=30) (F) p AL 7,29±0,09 7,37±0,18 7,35±0,14 7,33±0,18 0,93 0,42 WL 9,78±0,14 9,88±0,22 9,93±0,20 9,88±0,29 1.40 0,24 GW 1,55±0.03 1,58± 0.04 1,57±0.04 1,58±0,05 1,71 0,16 IDX 5,16±0,04 5,22±0,09 5,18±0,08 5,16±0,11 2,87 0,056 IDm 2,68±0,03 2,68±0,06 2,66±0,06 2,64±0,06 2.47 0,06 HW 5,34±0,06 5,39±0,08 5,37±0,07 5,36±0,11 1,64 0,18 MSW 3,81±0,07 3,69±0,10 3,71±0,11 3,71±0,10 5,49 0,001 R>O# R>NR# R>NO# T2BW 2,75±0,12 2,69±0,11 2,73±0,10 2,68±0,08 1,97 0,12 E (n=18) (n=30) (n=30) (n=30) AL 7,3±0,12 7,34±0,14 7,35±0,18 7,37±0,14 0,93 0,43 WL 9,78±0,17 9,87±0,33 9,77±0,28 9,92±0,28 1,76 0,16 GW 1,65±0,04 1,65±0,05 1,64±0,09 1,65±0,06 0,28 0,84 IDX 5,16±0,06 5,1±0,54 5,21±0,09 5,21±0,08 0,9 0,44 IDm 2,7±0,04 2,69±0,06 2,74±0,07 2,72±0,05 3,36 0,02 NR>O* HW 5,43±0,09 5,43±0,10 5,46±0,11 5,36±0,55 0,65 0,58 MSW 3,64±0,06 3,6±0,12 3,67±0,12 3,64±0,10 1,78 0,15 T2BW 2,69±0,08 2,69±0,09 2,69±0,11 2,68±0,14 0,16 0,92 F (n=30) (n=30) (n=30) (n=25) AL 7,2±0,13 7,32±0,14 7,34±0,14 7,16±0,14 10,75 < 0,0001 O>NO# O>R# NR>R# NR>NO# WL 9,43±0,19 9,94±0,21 9,43±0,26 9,68±0,21 36,74 < 0,0001 O>NO# O>NR# O>R# NO>R# NO>NR# GW 1,56±0,05 1,57±0,06 1,59±0,05 1,54±0,06 3,32 0,02 NR>NO* IDX 5,07±0,08 5,17±0,10 5,14±0,10 5,09±0,08 7,52 0,0001 O>NO* O>R# NR >R* IDm 2,63±0,04 2,66±0,06 2,64±0,05 2,64±0,05 2,01 0,11 HW 5,3±0,07 5,38±0,11 5,35±0,09 5,31±0,08 4,85 0,003 O>NO* O>R# MSW 3,71±0,11 3,63±0,10 3,76±0,11 3,67±0,08 8,99 < 0,0001 NR>O# R>O* NR>NO# T2BW 2,75±0,10 2,73±0,13 2,72±0,10 2,67±0,14 2,03 0,11 Continua Tabela 6. Médias e valores observados de teste ANOVA e teste de Tukey, para oito caracteres usados para discriminar rainhas, operárias, novas rainhas e novas operárias nas colônias de Synoeca surinama. 41 Análise de função discriminante (Tab. 7) mostrou que nas colônias D e E, o poder de discriminação das variáveis no modelo foi baixo, visto que os valores de Lambda de Wilks foram acima de 0,60 na colônia D e acima de 0,78 na E. Os valores de Lambda de Wilks limita de 0 (perfeito poder de discriminação) a 1 (nenhum poder de discriminação). Os mais baixos valores de Lambda de Wilks apresentados pelas colônias F e G e confirmados pelos altos valores dos autovalores, que são as proporções das variâncias calculadas pela correlação entre as respectivas variáveis canônicas (Tab. 9), mostraram que o poder de discriminação das variáveis nestas colônias foi maior, com uma tendência de discriminação das operárias em relação ao grupo de rainhas e destas em relação aos grupos de novas rainhas e novas operárias na colônia G.