8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental, Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano – ISSN 2176-9761 Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano: Campus de Ilha Solteira, Faculdade de Engenharia, Ciências Biológicas, leticiaramos1509@gmail.com. Bolsista PIBID. Eixo 1: “Direitos, Responsabilidades e Expressões para o Exercício da Cidadania" Resumo A adolescência é a etapa fundamental no processo de crescimento e formação do indivíduo, portanto deve-se tratar com atenção os nossos jovens. O mini curso realizado visou oferecer mais conhecimento e informação acerca dos temas, sexualidade, aborto e doenças sexualmente transmissíveis para alunos de 9º ano em uma escola da rede pública do estado de São Paulo. Percebeu-se uma grande defasagem dos alunos acerca dos assuntos, e como as informações errôneas são transmitidas de aluno para aluno, procurou-se passar conceitos corretos, bem como afirmar a importância do uso de preservativo. Os alunos tem consciência da importância do preservativo, porém pensando unicamente na gravidez indesejada, então é importante que saibam que esse não é o único risco de uma relação desprotegida. É tarefa da escola, da sociedade e dos pais, assegurar que os jovens tenham o devido conhecimento e informação sobre a sexualidade, já que nos tempos atuais, temos jovens cada vez mais novos com a vida sexual ativa. Assim é consideravelmente viável a realização de trabalhos na comunidade em geral que objetivem fornecer não só informações, mas discussões a cerca dos cuidados que todos devemos tomar na relação sexual. Palavras Chave: Sexualidade, DST, Ensino Fundamental. Abstract: Adolescence is a critical step in the growth process and training of the individual, so it must be treated carefully our young people. The mini course held aimed to provide more knowledge and information about the issues, sexuality, abortion and sexually transmitted diseases for 8th grade students in a public school in the state of São Paulo. It was noticed a large gap of students about the issues, and how the erroneous information is passed from student to student, tried to pass correct concepts and to affirm the importance of condom use. Students are aware of the importance of condoms, but thinking only in unwanted pregnancy, then it is important to know that this is not the only risk of unprotected intercourse. It is school work, society and parents, ensure that young people have adequate knowledge and information about sexuality, since nowadays, young people have more and more new with active sexual life. So it's pretty feasible to carry out work in the community in general that aim to provide not only information, but discussions about the care that we must all take on sex. Keywords: Sexuality, Sexually transmitted diseases, Elementary School. Introdução A adolescência é uma etapa fundamental no processo de crescimento e desenvolvimento humano, marcada por modificações físicas e comportamentais influenciadas por fatores socioculturais e familiares (SOARES et al., 2008). A sexualidade é elemento constitutivo do adolescente, já que é um atributo inerente ao ser humano, que se manifesta independentemente de qualquer ensinamento; ela representa a forma como o indivíduo se comporta, pensa ou age. Faz parte da construção e expressão da personalidade do indivíduo. Resulta da integração dos componentes biológico, psicológico, social e cultural (SOUSA; CAMURÇA, 2009). Portanto, faz parte de toda a vida, e por uma questão de crenças, valores e até mesmo de religião, o tema sexualidade não é abordado com frequência e de maneira eficiente, pois mesmo mailto:leticiaramos1509@gmail.com 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental, Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano – ISSN 2176-9761 sendo um assunto que ainda hoje tem restrições para ser falado, as crianças e jovens tem cada vez mais vontade e necessidade de saber várias questões relacionadas à sexualidade, visando isso pode se dizer que a Orientação Sexual como tema transversal do Ensino Fundamental pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1995), é de grande importância na vida de qualquer pessoa, inclusive na vida das crianças. Para algumas pessoas o tema é abordado com preconceito e restrições, já para outras é visto com naturalidade e com aceitação das diferentes visões. De acordo com Pascual (2002), a sexualidade é tão ampla que abarca e se expande por todos os componentes ou aspectos da pessoa sexuada. Não é algo pronto ou específico, visto que ainda nos tempos de hoje, muitos adultos desconhecem questões sobre a própria sexualidade. Segundo Santos e Rubio (2013) o risco de uma vida sexual imatura e sem conhecimento não se refere apenas a uma gravidez indesejada que se conclui ou não, mas sim devido às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) que são doenças cuja transmissão mais frequente se dá pela relação sexual, embora normalmente existam outras formas comuns de contaminação. A saúde está diretamente ligada à educação, no sentido de que estes são dois pilares da sobrevivência humana, que se encontram em constante construção. De acordo com Rena (2006), apesar de se acreditar que temas relacionados à sexualidade, estão sendo mais falados, muitos jovens ainda não se sentem a vontade para expor dúvidas e sentimentos. É importante trabalhar sexualidade de forma mais ampla na escola utilizando a multi, a inter e a transdisciplinaridade, considerando as dimensões biológica, psicológica, social, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e da identidade pessoal. O desafio do professor ao trabalhar o tema na escola, exige que este considere inicialmente as concepções dos alunos, e que este se sinta seguro e preparado para desenvolver as atividades relativas à sexualidade (OLIVEIRA, 2009). A adolescência é a etapa fundamental, para o crescimento e o desenvolvimento da personalidade do ser humano, considerando a importância do tema mediante ao fato de que a adolescência é um período que exige muita atenção por parte dos pais, profissionais de saúde e da escola, pois muitas vezes, os jovens não têm consciência dos problemas que uma relação sexual “inconsequente” pode acarretar (gravidez indesejada, jovens infectados por alguma DST, etc), é clara a necessidade de abordar esse tema com os adolescentes, no sentido de assegurar a estes, a vivência responsável da sexualidade. Objetivos O principal objetivo do presente estudo foi contextualizar a temática Sexualidade, conhecendo algumas abordagens de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental público acerca dos temas: DST's (Doenças sexualmente transmissíveis) e métodos contraceptivos. Material e Métodos Participaram do mini curso ao todo 35 adolescentes pertencentes à uma turma do 9º ano do EF participaram do mini curso. Pensando na melhor metodologia para trabalhar a temática sexualidade, resolvemos aplicar um mini curso, que consistiu na aplicação de: i) um questionário prévio com 02 questões (discursivas) em relação às DST's e métodos contraceptivos, com tempo estimado de aplicação de 10 minutos; ii) um bate papo para análise prévia do conhecimento dos alunos sobre o tema, com tempo estimado de 10 min; iii) uma aula de 60 (minutos), introduzindo conceitos, exemplos e discussões acerca de sexualidade, DST e métodos contraceptivos (menos seguros e mais seguros) e aborto. iv) aula demonstrativa, com duração de 30 minutos, nesta aula os alunos aprenderam a manusear camisinha, bem como manusearam dispositivos contraceptivos. v) relatório pós-minicurso: sendo elaborado em sala de aula, e entregue posteriormente ao professor; Os alunos tiveram que responder a duas perguntas antes de iniciarmos o mini curso, P1) Você sabe quais são os órgãos que compõem sistema reprodutor masculino e feminino? P2) O que são DST? Como se previne das DST? A aula foi expositiva, realizada na sala de vídeo da escola (anfiteatro), já que o mesmo nos fornecia um espaço amplo para o desenvolvimento de todo o mini curso - utilizamos folha de papel sulfite, lápis ou caneta, multimídia e computador para passarmos os slides e os vídeos. Também foi utilizado um quadro (fornecido pela própria escola) com alguns métodos contraceptivos exemplificados, além de preservativos e géis 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental, Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano – ISSN 2176-9761 lubrificantes fornecidos pela prefeitura, apresentados na Figura 3. Resultados e Discussão Foi sem dúvida gratificante desenvolver esse trabalho com os alunos do último ano do Ensino Fundamental, não somente por se tratar de um tema transversal importante e de base informativa relativamente fácil de ser preparada, mas principalmente pelo acolhimento da instituição, da professora responsável, que nos deixou inteiramente à vontade para realizar as atividades elaboradas, e pelo interesse de boa parte dos alunos, permitindo-nos contextualizar todo o conhecimento que já possuíamos sobre os temas, e ao mesmo tempo nos ensinar mais sobre como abordar os alunos dessa faixa etária, porque é um assunto pouco falado com alunos dessa idade já que se pressupõe e espera-se que eles não tenham ainda relações sexuais. Entretanto, fomos surpreendidas ao saber que mais da metade desses alunos já possuía vida sexual ativa. Dificuldades em relação ao comportamento dos alunos sempre existirão, por isso é importante ressaltar que tivemos que em alguns momentos chamar a atenção dos mesmos, ainda mais quando passadas imagens sobre algumas doenças, porem nada disso causou algum problema ou transtorno durante a aplicação do mini curso, ao contrário, todas as vezes que tivemos que chamar a atenção era porque estavam tão surpresos com as informações que tinham que se expressar mais. Na primeira questão (P1), 20% dos alunos disseram não saber quais órgãos compõem o sistema reprodutor, seja masculino ou feminino, e responderam simplesmente, “Não” (Figura 1). Os outros 80% dos alunos, disseram saber quais seriam os órgãos, porém na hora de descreve-los, 31,42% destes disseram que apenas eram órgãos reprodutores, pênis e vagina. (Figura 2). Ainda na primeira questão verificou-se que 37,14%, disseram ser partes do sistema reprodutor, “Seios, anus, espermatozoide ou ovulo”. Na segunda questão (P2), verificamos que todos os alunos sabiam o que era DST, e que para sua prevenção era necessário usar preservativos, tivemos poucos alunos que citaram remédios como prevenção a DST. Diante desse quadro tivemos um bate papo com os alunos, perguntando sobre DST, quais eles conheciam e como se preveniam, e percebemos que eles sabem apenas o significado do sigla DST, mas 90% da turma não sabe exatamente o que são doenças sexualmente transmissíveis. Uma das alunas disse “professora, pra não ter DST é só toma pílula anticoncepcional” Mais de um terço dos jovens afirma que não tem conhecimento suficiente sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST's) e a grande maioria não pergunta nada a respeito para os professores (NASCIMENTO et al., 2004). Continuamos mais um pouco com o bate papo estilo mesa redonda, para sabermos o nível de conhecimento dos alunos, alguns foram se soltando e fazendo algumas perguntas, ou apenas contando “histórias de amigos”, várias perguntas foram feitas, e algumas perguntas básicas despertaram surpresa, porque são informações de caráter essencial, informações básicas sobre gravidez, DST e métodos contraceptivos. Algumas perguntas como: “Professora sexo oral engravida?” “Se a minha namorada toma anticoncepcional eu preciso usar camisinha?” “Pode usar duas camisinha para ser 100% seguro?” Inclusive algumas afirmações importantes foram feitas pelos alunos: “Não sou virgem, mas minha mãe não sabe por isso não posso ir no ginecologista” Encerramos essa conversa prévia e depois de aplicado o mini curso começamos com a mesma abordagem e foi muito mais positivo, os alunos estavam mais desinibidos e com mais curiosidade de saber sobre o assunto, porém as dúvidas básicas já não existiam mais. Durante a explanação e exemplificação do tema DST, alguns questionamentos referentes a gravidade de algumas doenças foram feitas pelos alunos, demonstrando certa preocupação em relação às doenças apresentadas nos slides, porque foram utilizados muitas imagens e a maioria delas eram chocantes, o que despertou repulsa nos alunos e eles preocuparam-se em saber como funcionam e como saber se contraíram ou não alguma daquelas doenças. Percebemos que a preocupação dos alunos era que, “Se a menina/menino que eu fiquei já teve alguma dessas doenças como eu vou saber” aproveitávamos essas dúvidas e fortalecemos a importância do preservativo, porque com dúvida ou não se seu parceiro teve ou tem alguma das doenças eles deveriam usar camisinha. Observamos que os alunos sabem mais a respeito da camisinha masculina, possivelmente por ser o método mais utilizado no ato sexual, entre os jovens, porque eles dizem ser “mais normal” o 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental, Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano – ISSN 2176-9761 homem sempre ter uma camisinha com ele. Quase todos os alunos disseram saber utilizar a camisinha masculina, mas quando perguntados sobre a feminina nenhum aluno sabia como manusear. Portanto foi importante a atividade pratica onde os alunos que quiseram, puderam aprender a manusear e colocar a camisinha feminina em um modelo de acrílico que foi levado para exemplificação. Sabe-se hoje que inúmeras mulheres são contaminadas por algum tipo de HPV. Muitas dessas lesões regridem, porém elas representam um fator contribuinte para o câncer cérvico-uterino, constituindo-se como um fator predisponente para a evolução de uma lesão benigna para uma maligna (BRANDÃO, 2004). Diante disso é obrigação da sociedade fornecer o mínimo de conhecimento sobre a sexualidade aos nossos alunos. Foi explicado detalhadamente sobre todos os métodos contraceptivos, DIU (dispositivo intrauterino), tabelinha, anticoncepcional, camisinha masculina e feminina, todas as dúvidas dos alunos foram sanadas durante e após mini curso, e o resultado foi muito satisfatório, a professora pediu que eles fizessem uma dissertação com tudo o que aprenderam durante o mini curso, para entregarem posteriormente e ao lermos essas dissertações percebemos a evolução dos alunos em relação a DST , essa é a parte mais gratificante do trabalho. São alunos de 9º ano que já tem sexual ativa, e dentre esses 90% não faziam ideia dos riscos que uma relação sexual sem proteção pode trazer, faze- los entender que a gravidez não é a única consequência de uma relação desprotegida é uma tarefa que exige comprometimento dois pais, da escola, da sociedade e dos professores. As nossas crianças já cresceram e precisamos trata-los como tais, dar mais conhecimento e informações, a esses jovens que cada vez mais cedo estão tendo vidas sexuais ativas. Figura 2. Gráfico da P1, Respostas Erradas. Figura 3. Alunos manuseando, órgãos anatômicos e métodos contraceptivos. Conclusões É preocupante ver que ainda encontramos atitudes e pensamentos alienados acerca dos problemas relacionados aos riscos de transmissão e contágio de uma DST ou aos problemas decorrentes de uma gravidez indesejada na adolescência. Os jovens ainda não possuem todos os conhecimentos necessários sobre sexualidade, aborto ou DST, mesmo com campanhas de prevenção, seja na televisão, nas escolas, ou em casa, o que temos ainda não é o suficiente, para que esses jovens estejam aptos e tomar decisões, a cerca de começar a vida sexual ativa. É necessário que se tenha uma abordagem mais eficaz para com esses jovens, para que possamos direcioná-los a uma vida sexual saudável e protegida. Os adolescentes veem como consequência de uma relação desprotegida, apenas a gravidez, essa é a única preocupação que eles possuem, mas é 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Trabalhando o tema Sexualidade com alunos do Ensino Fundamental, Letícia Alves Ramos, Lucivânia da Silva Mendes, Larissa de Oliveira Rezende, Ângela Coletto Morales Escolano – ISSN 2176-9761 necessário que a problemática desse ato seja expandida e que a gravidez passe a ser uma das preocupações e não a única, já que temos uma enormidade de doenças sexualmente transmissíveis, das quais eles não fazem ideia que existem, ou não dão tanta relevância perante esse problema. Esses adolescentes sabem das consequências, mas muitas vezes não dão abertura para discussões em sala de aula e para o esclarecimento de possíveis dúvidas. Essas informações são passadas de colega para colega, transmitidas pela mídia e internet, mas deslocadas da realidade de cada comunidade, no seu âmbito social e escolar. Por isso, é consideravelmente viável a realização de trabalhos na comunidade em geral por meio de campanhas pelo poder público local ou pelas vias de comunicação em geral (mídia, jornais etc.); nas escolas, promovendo debates e minicursos que objetivem inserir informações, imagens, estabelecendo a preocupação dos jovens para com os cuidados na relação sexual e com sua identidade corporal e emocional. Agradecimentos ____________________ BRANDÃO, C. R. Que é método Paulo Freire. 25 ed. São Paulo (SP): Brasiliense; 2004. BRASIL. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos Temas Transversais e Ética. V.8. Brasília: MEC/ SEF, 1998 NASCIMENTO, N; FONSECA, D. P; POSSARI, D. V; SANTOS, P. C; MOURA, Y. W. Sexualidade na adolescência. Rev. UNICiências, v. 8, p. 79-98, 2004. OLIVEIRA, V. L. B. Sexualidade no Contexto Contemporâneo um Desafio aos Educadores. Educação Sexual: múltiplos temas, compromisso comum. Londrina: UEL, 2009. PASCUAL, C. P. A sexualidade do idoso vista com novo olhar. São Paulo: Editora Loyola, 2002. 168p. SOARES, Sônia Maria et al. Oficinas sobre sexualidade na adolescência: revelando vozes, desvelando olhares de estudantes do ensino médio. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, Set. 2008. Disponível em . Acesso em: 19 mai. 2014. SOUSA, V. M.; CAMURÇA, A. M. Discutindo saúde sexual com adolescentes de uma escola estadual de Fortaleza – CE. Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2014. Anexo 1 Figura 1. Gráfico da P1 Você sabe quais órgãos compõe o sistema reprodutor feminino e masculino? 20% Não 80% Sabe P1