UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS Trabalho de Graduação Curso de Graduação em Geografia “Impacto da pandemia de COVID - 19 nas atividades dos agricultores familiares na Feira do Produtor Rural de Rio Claro - São Paulo, Brasil”. Luísa Damásio da Silva Prof. Dr. Diego Corrêa Maia Rio Claro (SP) 2022 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA Instituto de Geociências e Ciências Exatas Câmpus de Rio Claro LUÍSA DAMÁSIO DA SILVA IMPACTO DA PANDEMIA DE COVID-19 NAS ATIVIDADES DOS AGRICULTORES FAMILIARES NA FEIRA DO PRODUTOR RURAL DE RIO CLARO – SÃO PAULO, BRASIL Trabalho de Graduação apresentado ao Instituto de Geociências e Ciências Exatas - Câmpus de Rio Claro, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, para obtenção do grau de Licenciatura em Geografia. Rio Claro - SP 2022 S586i Silva, Luísa Damásio da Impacto da pandemia de COVID - 19 nas atividades dos agricultores familiares na Feira do Produtor Rural de Rio Claro - São Paulo, Brasil. / Luísa Damásio da Silva. -- Rio Claro, 2022 50 p. : tabs., fotos, mapas Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura - Geografia) - Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Rio Claro Orientadora: Diego Corrêa Maia 1. Pandemia COVID-19. 2. Feiras. 3. Agricultura familiar. I. Título. Sistema de geração automática de fichas catalográficas da Unesp. Biblioteca do Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Rio Claro. Dados fornecidos pelo autor(a). Essa ficha não pode ser modificada. LUÍSA DAMÁSIO DA SILVA Impacto da pandemia de COVID - 19 nas atividades dos agricultores familiares na Feira do Produtor Rural de Rio Claro - São Paulo, Brasil. . Trabalho de Graduação apresentado ao Instituto de Geociências e Ciências Exatas - Câmpus de Rio Claro, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, para obtenção do grau de Licenciatura em Geografia. Comissão Examinadora Diego Corrêa Maia (orientador) Prof. Murilo Henrique Rodrigues de Oliveira Profa. Ms. Nivea Massaretto Verges Rio Claro, 31 de outubro de 2022 Assinatura do(a) aluno(a) assinatura do(a) orientador(a) “Ó donos do agrobis, ó reis do agronegócio Ó produtores de alimentos com veneno Vocês que aumentam todo ano sua posse E que poluem cada palmo de terreno E que possuem cada qual um latifúndio E que destratam e destroem o ambiente De cada mente de vocês olhei no fundo E vi o quanto cada um, no fundo, mente E vocês desterram povaréus ao léu que erram E não empregam tanta gente como pregam Vocês não matam nem a fome que há na terra Nem alimentam tanto a gente como alegam É o pequeno produtor que nos provê” Canção de Chico César RESUMO No começo do ano de 2020, fomos surpreendidos pela pandemia da COVID-19, a qual foi responsável por alterar as dinâmicas da sociedade. Esta acentuou e expôs as vulnerabilidades socioeconômicas de parte considerável da população brasileira. Neste trabalho buscamos compreender como a pandemia da Covid-19 afetou os agricultores familiares que comercializam seus produtos na Feira do Produtor Rural no município de Rio Claro - SP. Para tanto, a metodologia elaborada utilizou-se de revisão bibliográfica e aplicação de formulários semiestruturados em conjunto aos produtores. Os resultados obtidos através do estudo revelam que em decorrência do fechamento da feira, em função das medidas sanitárias adotadas pelo poder público das cidades, ocorreu o esvaziamento da Feira do Produtor Rural e as vendas da agricultura familiar diminuíram. Esse quadro, fez com que alguns produtores mudassem de atividade ou procurassem outros empregos para acrescentar a renda familiar. Grande parte dos agricultores familiares da feira fazem parte de programas como PNAE e PAA, que mesmo com a redução de orçamento e o desmantelamento das políticas pública voltadas aos produtores, viabilizou eles se manterem na atividade agrícola. Dessa forma, é necessário que haja investimento em políticas públicas e estratégias locais, como divulgação em meios de comunicação por parte do poder público, para que os produtores familiares e as feiras possam permanecer em nossa sociedade. Palavras-chave: agricultura familiar, pandemia COVID-19, feiras. ABSTRACT At the beginning of 2020, we were surprised by the COVID-19 pandemic, which was responsible for changing the dynamics of society. This accentuated and exposed the socioeconomic vulnerabilities of a considerable part of the Brazilian population. In this work we seek to understand how the Covid-19 pandemic affected family farmers who sell their products at the Rural Producer Fair in the municipality of Rio Claro - SP. For that, the methodology developed used a bibliographic review and application of semi-structured forms together with the producers. The results obtained through the study reveal that as a result of the closing of the fair, due to the sanitary measures adopted by the public authorities of the cities, the Rural Producer Fair was emptied and the sales of family farming decreased. This situation made some producers change their activity or look for other jobs to increase the family income. Most of the family farmers at the fair are part of programs such as PNAE and PAA, which, even with the budget reduction and the dismantling of public policies aimed at producers, made it possible for them to remain in agricultural activity. In this way, it is necessary to invest in public policies and local strategies, such as publicity in the media by the public authorities, so that family producers and fairs can remain in our society. Keywords: family farming, pandemic COVID-19, fairs. LISTA DE FIGURA Figura 1. Foto do lado de fora de onde ocorre a Feira do Produtor Rural do Município de Rio Claro/ SP .................................................................................................................................. 22 LISTA DE MAPAS Mapa 1. Mapa do Município de Rio Claro/SP ....................................................................... 17 Mapa 2. Croqui da Central de Agronegócio, no antigo espaço livre da Vila Martins ............. 19 LISTA DE MOSAICOS Mosaico 1. Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Silvicultura durante o ano de 2013 ...................................... 20 Mosaico 2. Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Silvicultura de Rio Claro durante o ano de 2014 ................. 20 Mosaico 3. Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Central de Agronegócio, no antigo espaço livre da Vila Martins durante o ano de 2015 ..................... 21 Mosaico 4. Foto da Feira do Produtor Rural realizada na Central do Agronegócio em 2022.......................................................................................................................................... 21 LISTA DE GRÁFICO Gráfico 1 - Crédito rural para o Pronaf, o Pronamp e os grandes produtores (2019-2021) ..... 26 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CAF – Cooperativa de Agricultores Familiares de Rio Claro e Região. FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IICA - Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. PAA – Programa de Aquisição de Alimentos. PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar. Pronaf - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11 1.1 justificativas ........................................................................................................... 14 2. OBJETIVOS ....................................................................................................................... 14 2.1 Objetivo geral ......................................................................................................... 14 2.2 Objetivo específico ................................................................................................. 14 3. METODOLOGIA DE PESQUISA ................................................................................... 15 3.1 Metodologia ........................................................................................................... 15 3.2 Trabalho de Campo ................................................................................................ 16 3.3 Formulário ............................................................................................................. 16 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ............................................................. 16 4. 1 O Município de Rio Claro ...................................................................................... 16 4.2 Feira do Produtor Rural de Rio Claro ..................................................................... 17 5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 22 5. 1 Feiras Livres .......................................................................................................... 22 5. 2 Agricultura Familiar .............................................................................................. 23 5. 3 A pandemia de COVID-19 e seus impactos na agricultura familiar ..................... 25 6. RESULTADOS .................................................................................................................. 27 6. 1 Entrevistas semiestruturadas com produtores familiares da feira do produtor rural .................................................................................................................................................. 27 6. 2 Entrevistas com produtores familiares ................................................................... 30 6.2.1 Produtor 1 ............................................................................................................ 30 6.2.2 Produtor 2 ............................................................................................................ 31 6.2.3 Produtor 3 ............................................................................................................ 32 6.2.4 Produtor 4 ............................................................................................................ 33 6.2.5 Produtor 5 ............................................................................................................ 33 6.2.6 Produtor 6 ............................................................................................................ 34 6.2.7 Produtor 7 ............................................................................................................ 35 7. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 36 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 38 9. APÊNDICE ......................................................................................................................... 41 9. 1 Apêndice 1 ............................................................................................................. 41 9.2 Apêndice 2 ............................................................................................................. 44 11 1. INTRODUÇÃO Em março do ano de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o surto da doença respiratória causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) como pandemia de COVID -19. A partir de então, no Brasil e no mundo foram adotadas medidas sanitárias, a fim de conter o avanço do vírus. Tais medidas responderam ao alto índice de disseminação do SARS-CoV- 2, para qual até então não havia sido desenvolvida alternativas epidemiológicas e terapêuticas para além do isolamento social e medidas de higiene. Para tentar controlar o avanço do coronavírus, o Ministério da Saúde junto às autoridades de nível estadual e municipal buscaram adotar estratégias de prevenção e auxílio socioeconômico. Como exemplo podemos citar a obrigatoriedade do uso de máscaras, o fechamento das atividades não-essenciais, adoção do sistema online em escolas e empresas, criação do auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais) para famílias de baixa renda, entre outras medidas. Estas medidas foram necessárias para reduzir o número de contaminações e, consequentemente, o número de óbitos. Entretanto, quando analisamos o número de óbitos no país, constatamos que as medidas adotadas foram comprometidas pela ação do governo federal, vide que em outros países que adotaram as medidas de forma comprometida, houve diminuição considerável na curva de contágio e, por consequência, do número de óbitos, tendo em vista que entre os anos de 2020, 2021 e 2022, de acordo com a Secretarias Estaduais de Saúde foram registrados 688 mil óbitos no Brasil. Na questão econômica houve a criação do auxílio emergencial, como solução temporária, mas este não pode ser acumulado com benefícios previdenciários, como o antigo Bolsa Família (atual Auxílio Brasil) ou seguro-desemprego. O baixo valor concedido pelo auxílio emergencial – com variação do valor pago entre os anos de 2020, 2021 e 2022 – demonstrou ser insuficiente para cobrir as necessidades básicas da população, tais como: alimentação, moradia, higiene e entre outros, visto que pelo menos 26.447 pessoas foram morar nas ruas em 2022, essa população saltou de 158.191 em dezembro de 2021, para 184.638 no mês de julho de 2022 (CadÚnico) e a volta do Brasil no mapa da fome. A isso se soma a dificuldade da população em se inscrever no programa e obter efetivo acesso ao auxílio e, por fim, a diminuição e consequente fim do auxílio emergencial. Dessa forma, a pandemia intensificou e expôs as vulnerabilidades econômicas e sociais de parte considerável da população brasileira, visto o aumento das desigualdade e falta de investimento em políticas públicas. Além do mais, agravou-se em consequência do https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_respirat%C3%B3ria 12 negacionismo, ausência de preparo, má gestão e descaso do atual governo de Jair Messias Bolsonaro perante a população. Sabe-se que os agricultores familiares pertencem a um dos grupos sociais que mais sofreram com os impactos da pandemia, os quais se viram desamparados diante da ausência de programas específicos de assistência, bem como, o desmonte das políticas públicas de incentivo à agricultura familiar pelo atual governo. A agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos no Brasil, e somente em 2006, segundo (MACEDO, 2014, p. 8), foi determinado o que se caracteriza como uma produção agrícola familiar. De acordo com a Lei nº 11.326/2006, que estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar, para ser considerado como agricultor familiar é preciso que a propriedade tenha, no máximo, quatro módulos fiscais (que varia conforme o município e a maior ou menor proximidade com as zonas urbana e rural), onde seja utilizada predominantemente mão de obra da própria família, assim como a base de sustentação da renda familiar tenha origem nas atividades econômicas vinculadas ao próprio empreendimento. A pesquisa foi realizada na Feira do Produtor Rural, conhecida como “Feira do Corujão", sendo um dos locais utilizados para comercialização dos alimentos pelos produtores. Essa acontece às terças e sextas-feiras, das 17h30 às 20h30, na Vila Alemã, sendo um espaço excepcional de venda direta de produtos agrícolas, comidas prontas e artesanatos aos consumidores. De acordo com o Secretário municipal da agricultura, Valmir Pinton, em agosto de 2021 a feira contava com 68 feirantes, sendo que destes, 12 eram produtores rurais. Os demais feirantes atuam no segmento de artesanato, área de alimentação e plantas, já no mês de julho de 2022 foi constatado através do trabalho de campo que haviam aproximadamente 30 feirantes, onde oito deles são produtores rurais. O levantamento de informações foi obtido através da aplicação de formulários semiestruturados, em conjunto com sete produtores familiares da Feira do Produtor Rural, com a finalidade de reconhecer os problemas e dificuldades enfrentados na produção e distribuição de seus produtos durante a pandemia no ano de 2020, 2021 e 2022. A feira tem um papel importante na cooperação entre os agricultores, consumidores e o poder público, busca a valorização do produtor e da produção agrícola local, mostra a importância da sua realização como forma de identidade, fortificação e resistência comercial, pautada na relação direta com o consumidor já que não há intermediário no processo de comercialização, contribuindo para o fortalecimento e organização do pequeno agricultor familiar pela busca da sua manutenção no campo e para os consumidores que buscam produtos de qualidade com preços mais acessíveis, e contribuindo para o desenvolvimento rural local. (RODRIGO, 2016, p. 6). https://www.sinonimos.com.br/excepcional/ 13 De acordo Cardim (2018), no município de Rio Claro a produção familiar está inserida em um contexto desfavorável, caracterizada por um processo de forte urbanização e êxodo rural, com predomínio da monocultura canavieira e da atividade pecuária, com mudanças no estilo de vida e hábitos alimentares da população. Com isso, tais famílias produtoras desenvolvem um papel de resistência ao permanecer realizando a atividade agrícola, principalmente por serem responsáveis por assegurar a alimentação de suas famílias e da população. Assim, devido às modificações causadas na dinâmica da população, em virtude das medidas instauradas durante a pandemia, muitas pessoas pararam ou reduziram suas idas às feiras livres, a fim de concentrar sua compra em um só lugar e evitar a exposição ao vírus. Soma-se a isso, o fato de que as feiras tiveram que interromper suas atividades temporariamente devido ao decreto de isolamento social adotado por cada município. Assim, diminuiu-se o número de consumidores e, consequentemente, afetou-se diretamente a renda do agricultor, já que este não poderia estar nos espaços de comercialização. 14 1.1. Justificativas As feiras são locais de demasiada importância, tanto para os produtores rurais – como sendo uma forma de comercialização direta da produção local de alimentos –, quanto para os consumidores que obtém alimentos frescos, alguns orgânicos e com valores acessíveis – além de ser um espaço de vivência e valorização cultural. Com a restrição da circulação de pessoas e de horários de realização das feiras, decorrente da pandemia de COVID-19, a agricultura familiar foi largamente afetada. Diante disso, os produtores rurais adotaram novas condutas em sua vida cotidiana, com reflexos na economia e no espaço rural. É importante destacar a resiliência da agricultura familiar no período pandêmico e que essa forma de produção requer um olhar mais atento por parte da sociedade e das políticas públicas, devido à sua importância na garantia da soberania alimentar do país. (NEPOMOCENO, 2021). Sendo assim, este trabalho busca constatar quais foram os impactos e as dificuldades enfrentadas na produção e na comercialização, em decorrência da pandemia de Covid-19, pelas atividades dos agricultores presentes na feira do produtor rural “Feira do Corujão” no município de Rio Claro - SP no ano de 2020, 2021 e 2022. 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral O presente trabalho tem o intuito de investigar os impactos socioeconômicos causados pela pandemia de COVID-19 durante os anos de 2020, 2021 e 2022 na produção e distribuição de alimentos dos agricultores familiares localizados na feira do produtor rural “Feira Corujão” no município de Rio Claro – SP. 2.2 Objetivo específico ● Identificar os problemas e dificuldades enfrentadas na produção e distribuição dos agricultores familiares da Feira do Produtor Rural durante a pandemia da COVID-19 no município de Rio Claro-SP, entre os anos de 2020, 2021 e 2022; 15 ● Analisar o montante de produção e vendas dos agricultores familiares da Feira do Corujão, com intuito de verificar o comportamento temporal destas variáveis; ● Reunir quais são as soluções propostas pelos agricultores familiares que comercializam seus produtos na feira para atrair o público de volta a feira. 3. METODOLOGIA 3.1 Levantamento bibliográfico e de dados primários e secundários. Para construção deste trabalho foi realizado o levantamento de dados primários através da pesquisa bibliográfica constituída de artigos, monografias, dissertações, teses e notícias de jornais e sites oficiais de órgãos e instituições de pesquisa, com o propósito de investigar, reunir e retratar as informações relacionadas à agricultura familiar, feiras livres e os impactos da pandemia de Covid–19 durante os anos de 2020, 2021 e 2022. Os dados secundários foram obtidos através de trabalho de campo, onde foram realizadas entrevistas e aplicação de formulários com questões objetivas e dissertativas nos meses de junho e julho junto a sete de oito feirantes produtores que comercializam seus produtos na Feira do Produtor Rural do Município de Rio Claro/SP. Apenas um produtor negou participar da pesquisa alegando falta de tempo. O método de pesquisa será qualitativo, do tipo exploratório em função do tema proposto e o levantamento de dados será por meio da técnica de entrevista semiestruturada, no qual o pesquisador realiza o trabalho de campo para aplicação de formulários semiestruturados contendo questões objetivas e dissertativas a fim de dar um direcionamento, mas ainda deixando espaço aberto para o diálogo com o entrevistado, com a intenção de obter informações que agreguem à pesquisa. (PESSÔA, 2020). De oito produtores rurais, sete participaram da entrevista. A pessoa que não participou alegou falta de tempo e disposição. Ademais, foram contatados três produtores que participavam da feira, mas haviam saído nos últimos meses para fazer parte da pesquisa, todavia, negaram participar, justificando que não estavam mais no ramo e com tempo hábil para a entrevista. E por fim, a organização, transcrição das falas dos entrevistados, sistematização dos dados coletados através da ferramenta do Excel e análise dos resultados das entrevistas a fim de compreender quais foram as dificuldades dos agricultores familiares encontraram desde o 16 início da pandemia, em março de 2020, ao decorrer do ano de 2021 até julho do ano de 2022, e como estes impactos refletem na renda e na vida destes agricultores familiares localizados na Feira do Produtor Rural do município de Rio Claro/SP. 3.2 Trabalho de Campo Foram realizadas seis visitas no total entre o mês de junho e julho do ano de 2022, sendo três visitas às terças-feiras e três visitas às sextas-feiras, entre o horário das 19:00 horas e 20:00 horas. As duas primeiras visitas foram fundamentais para o contato inicial com os produtores, apresentado a proposta da pesquisa a ser desenvolvida e confirmando se aceitariam fazer parte desta. Esta etapa foi fundamental para definir os melhores dias e horários para eles responderem aos formulários e realização dos registros fotográficos da feira. 3.3 Formulário O formulário (Apêndice 1) foi aplicado somente aos produtores agrícolas presentes na feira, nenhum outro comerciante fora do nicho foi entrevistado. Haviam 42 questões no formulário, sendo separado em três eixos, o primeiro eixo estava classificado em perguntas gerais, o segundo eixo era referente a pandemia e o terceiro e último eixo era relativo a Feira do Produtor Rural. Em todos eixos haviam espaços disponíveis, caso eles quisessem acrescentar informações complementares. 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 4. 1 O Município de Rio Claro O município de Rio Claro (Mapa 1) ocupa uma área territorial de 498,422 km², localizado no interior do estado de São Paulo (centro-leste), à 173 km da capital de São Paulo. Faz limite com o município de Corumbataí ao norte, de Leme à nordeste, de Araras à leste, de Santa Gertrudes à sudeste; de Iracemápolis e Piracicaba ao sul; de Ipeúna à oeste, e; de Itirapina à noroeste. É formado por três distritos: Rio Claro (distrito-sede), Ajapi e Assistência. Compõe a Região Geográfica Intermediária de Rio Claro, e a recém-criada região metropolitana de Piracicaba. Tendo Ferraz, Itapé e Batovi como bairros rurais, é drenado pela bacia hidrográfica do rio Corumbataí, sendo os principais afluentes os rios Passa Cinco, Cabeça e Ribeirão Claro. 17 Mapa 01 - Mapa do Município de Rio Claro/SP No ano de 2021, o IBGE estimava sua população rio-clarense em cerca de 209.548 habitantes. De acordo com Rosa (2012) a população é distribuída de maneira desigual dentro dos limites territoriais do município, ocorrendo a concentração da população na área urbana, considerando que em 2010 a população nessa porção municipal era de 181.720 habitantes (97,6%) e de 4.533 habitantes (2,4%) na área rural. Apesar do distrito industrial criado em 1970, de acordo com o SEADE (2019), o setor de serviços é predominante no município, sendo responsável por 52,1% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, seguido pela atividade industrial com participação de 33,06% do PIB e, por último, a agropecuária, ocupando apenas 14,1 % do PIB. 4.2 Feira do Produtor Rural de Rio Claro A Feira do Produtor Rural, também conhecida como Feira do Corujão por acontecer no período noturno, foi criada no ano de 2012. Sua criação ocorreu no âmbito dos esforços reunidos pela Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Silvicultura e a 18 Associação dos Produtores Familiares de Rio Claro, que se tornou cooperativa em 2014, a Cooperativa de Agricultores Familiares de Rio Claro e Região (CAF). Surgiu com a demanda dos produtores familiares da região para escoar suas mercadorias, e assumindo o objetivo de valorizar o produtor e incentivar a produção agrícola local através da oferta de uma variedade de produtos, como frutas, verduras, legumes, cachaça artesanal, embutidos, pães, doces, lanches e tortas – lembramos, ainda, das peças de artesanato confeccionadas pelos empreendedores do Programa de Economia Solidária. Segundo Ferreira; Luciano (2021): A organização da feira, em sua origem, tinha como objetivo ser exclusivamente um local para comercialização de produtos agrícolas de origem familiar, entretanto, ela se transformou em um local de grande circulação de pessoas o que atraiu a atenção de produtores e vendedores de outros bens e a agricultura familiar passou a ter representação minoritária. (FERREIRA; LUCIANO, 2021, p. 347) Sobre a inserção do produtor rural na Feira, de acordo com Produtor 1 – entrevistado durante a pesquisa – para ter um espaço de venda na feira “É preciso ir a prefeitura entrar com um processo de pedir a licença, ver se não tem nenhuma outra pessoa do mesmo segmento que você deseja comercializar e assim você poderá entrar, e há também uma taxa entre os comerciantes para manutenção, como troca de lâmpadas" (2022). Em 2013 a feira era realizada na Secretaria Municipal de Agricultura, localizada no Jardim América, como podemos observar na Mosaico de Imagens 1 e 2. A partir de janeiro de 2015, a feira passou a ocorrer na Central do Agronegócio, antigo Espaço Livre da Vila Martins na Rua 3-A, nº 1155 com a Avenida 46-A, Vila Martins (Mosaico 3), às terças-feiras e sextas- feiras das 17h às 20h30 horas. Tal mudança foi motivada pela questão de o espaço proporcionar uma melhor infraestrutura para sua realização e melhor atender o público local (Mosaico 1 e 2). 19 Mapa 02 – Croqui da Central de Agronegócio, no antigo espaço livre da Vila Martins. Fonte: Luciano, W. R, 2017; Modificado: Silva, L. D, 2022 De acordo com o Secretário municipal da agricultura, Valmir Pinton, em agosto de 2021 a feira contava com 68 feirantes, sendo que destes, 12 eram produtores rurais. Os demais feirantes atuam no segmento de artesanato, área de alimentação e plantas. Em 2022, a Feira do Produtor Rural manteve-se no mesmo endereço, dias e horários (desde que mudou para a Central do Agronegócio em 2015). Em março do ano de 2020, a feira ficou mais de dois meses com as atividades paralisadas por conta do decreto estadual nº 64. 881, de 22 de março de 2020 que dispõe sobre a medida de quarentena que visava a prevenção ao coronavírus. 20 Mosaico 1 - Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Silvicultura durante o ano de 2013 Fonte: Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Silvicultura de Rio Claro, 2013. Mosaico 2 - Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Silvicultura de Rio Claro durante o ano de 2014. Fonte: Wilyan Rodrigo Luciano, 2014. 21 Mosaico 3 - Foto da Edição da Feira do Produtor da Agricultura Familiar realizada na Central de Agronegócio, no antigo espaço livre da Vila Martins durante o ano de 2015. Fonte: Wilyan Rodrigo Luciano, 2015. Mosaico 4 - Foto da Feira do Produtor Rural realizada na Central do Agronegócio em 2022. Fonte: Luísa Damásio da Silva, 2022. 22 Figura 1. Imagem do lado de fora de onde ocorre a Feira do Produtor Rural do Município de Rio Claro/ SP Fonte: Google Maps, 2022. Nos meses de julho de 2022, após a realização do trabalho de campo para construção deste trabalho constatou-se que haviam no total em média de 30 feirantes, onde apenas 8 deles eram produtores rurais. Através do Mosaico 5 e do relato dos feirantes entrevistados, constatou- se a diminuição significativa da quantidade de feirantes de modo geral, bem como dos consumidores após o período de pandemia – díspar, registra-se a grande presença de feirantes no ramo do artesanato. 5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Nos próximos capítulos serão tratados a revisão bibliográfica, que é considerada um passo inicial para qualquer pesquisa científica. Sendo desenvolvida com base em material já elaborado como livros, artigos e teses. (CONFORTO e AMARAL, 2011, p. 1) 5. 1 Feiras Livres Na Antiguidade, as feiras tinham o objetivo de promover trocas de mercadorias entre pessoas de diferentes lugares e com diferentes itens, o que predominou mesmo no Feudalismo até o surgimento do capitalismo. A feira ganhou força e importância econômica impulsionada pelas Cruzadas e pelas chamadas Grandes Navegações. Naquela época, as atividades comerciais deveriam atender às necessidades dos viajantes e com o tempo foram aumentando e se diversificando (MENEZES e ALMEIDA, 2021, p. 15). 23 No Brasil encontram-se registros de que as feiras tenham surgido com influência dos colonizadores portugueses (MENEZES e ALMEIDA, 2021, p. 16), como um espaço de troca e venda de objetos e alimentos. Entretanto, as feiras ganham força com o desenvolvimento e estabilização das cidades, sendo responsáveis pelo escoamento da produção agrícola e fornecimento de alimentos para a população durante muito tempo. São espaços que propiciam a diversidade de atividades em um só local, bem como, a circulação de pessoas, pluralidade cultural e alimentar, e que fomentam as trocas sociais e econômicas, possibilita, desse modo, a aquisição de alimentos de melhor qualidade e valor para a população, ao viabilizar o contato direto com os produtores e artesãos, sem que haja intermediários – fazendo com que a diminuía a circulação da mercadoria entre a produção e sua comercialização, sendo um dos pilares da soberania e segurança alimentar, pois o consumidor pode questionar como e onde os alimentos foram produzidos e tendo acesso ao alimento mais fresco, saudável e com menor valor agregado. As feiras livres figuram como espaços onde várias territorialidades se articulam com a participação de diversos sujeitos: o horticultor urbano, o produtor rural, o artesão, o comerciante, o atravessador, o comprador/consumidor, às vezes, o artista popular, cada um desses constituindo territorialidades, portanto, com sua própria sensação de pertencimento e sentido territorial. Assim, é possível notar que estes constituem, muitas vezes, microterritorialidades nas feiras e nas cidades, por meio de trocas financeiras, culturais, pessoais e simbólicas. (AZEVEDO; PEREIRA, 2021, p. 166) Atualmente em muitas cidades as feiras simbolizam a resistência das pessoas que a compõem, pois com o crescimento de supermercados, deliverys e sacolões que estão todos os dias disponíveis e abertos quase 24 horas por dia, as feiras livres de alimentos vêm sofrendo consequências e tentam sobreviver em meio ao modo de vida moderno. Desse modo, a feira livre tem um papel fundamental para impulsionar a agricultura familiar, sendo um espaço fundamental de fomento ao consumo de produtos locais, dando suporte à reestruturação e sustentabilidade de sistemas alimentares locais, por meio de escoamento de produtos, além de trocas materiais e imateriais. 5. 2 Agricultura Familiar De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Agricultura Familiar é a principal responsável pela produção dos alimentos que são disponibilizados para o consumo da população brasileira. É definida pela composição de pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. Sendo a gestão da propriedade compartilhada pela família e a 24 atividade produtiva agropecuária é a principal fonte geradora de renda. Além disso, o agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, seu local de trabalho e moradia. A diversidade produtiva também é uma característica marcante desse setor, pois muitas vezes alia a produção de subsistência a uma produção destinada ao mercado. Embora a agricultura familiar tenha uma grande importância tanto na produção de alimentos, preservação das tradições e da natureza, ela somente se tornou pauta governamental a partir da década de 1990, quando foi promulgada a Lei n. 11.326, de 24.06.2006, que traz as diretrizes básicas para a formulação da Política Nacional de Agricultura Familiar e Empreendimentos Rurais. No mesmo ano, o Censo Agropecuário passou a sistematizar os resultados referentes à agricultura familiar, recorrendo à referida Lei como base legal (BRASIL, 2006). No Censo Agropecuário 2017, o resultado foi de que 77% dos estabelecimentos agrícolas do país foram classificados como da agricultura familiar. Em extensão de área, a agricultura familiar ocupava no período da pesquisa 80,9 milhões de hectares, o que representa 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Um dos desafios dos agricultores familiares é que há reduzidas margens de escolha na comercialização de seus produtos, na obtenção de financiamentos, na compra de insumos e no acesso à informação. Nos poucos casos em que o crédito agrícola formal chega a estas famílias, não só a resposta em termos de produção é imediata, como também - mesmo nos produtos convencionais - é nítida a elevação da renda: é que neste caso, a família consegue emancipar- se do círculo de dependência clientelista a que está ligada e, por aí, abre a via para inserir-se em mercados competitivos - mesmo que sejam nos produtos que vinham praticando até então. (ABRAMOVAY, 1999, p. 14) A modernização da agricultura no século XX provocou o aprofundamento das desigualdades produtivas e espaciais da atividade agropecuária, fomentando a formação dos Complexos Agroindustriais que, mais recentemente, sobretudo a partir da década de 1990, com o advento da agenda neoliberal, assume as características do que conhecemos como agronegócio. Nessa perspectiva, agricultura familiar representa uma outra racionalidade de uso e ocupação da terra, a partir de diferentes lógicas produtivas que possuem a unidade familiar como referência analítica. 25 5. 3 A pandemia de COVID-19 e seus impactos na agricultura familiar No dia 11 de março de 2020, a OMS (2020) declarou o início da pandemia da Covid- 19 no mundo. Em função disso, houve a suspensão temporária de atividades educacionais, culturais e econômicas – entre elas as feiras livres – com intuito de evitar e diminuir o contágio pela doença. Grande parte dos agricultores familiares fazem parte de programas sociais como o PNAE ou PAA e vendem o excedente de suas produções em feiras livres. Visto que as escolas estavam fechadas e as feiras suspensas, as fontes de rendimentos de boa parte dos agricultores foram temporariamente interrompidas. Criou-se, dessa forma, um contexto de insegurança socioeconômica entre os produtores rurais, o que dificultou a manutenção das atividades desses agricultores. Schneider (2020) identificou que, no mês de julho de 2020, metade dos agricultores familiares do país (51%) haviam sido impactados pela diminuição de suas receitas, com uma perda média de 35% da renda bruta familiar mensal habitualmente auferida. Com a pandemia, a queda dos rendimentos dos trabalhadores, o aumento dos preços e a inflação sobre os alimentos apresentaram-se como problemas de urgente resolução. Soma-se aos efeitos da pandemia, um ambiente político-institucional que já convivia nos últimos anos com mudanças e cortes de gastos governamentais nos programas voltados para agricultura familiar. Desde 2015, a trajetória das políticas públicas para a agricultura familiar e para a reforma agrária vem sendo marcada por sensível perda de institucionalidade e pela gradual constrição orçamentária dos programas existentes (IPEA, 2021). Em 2019, além da continuidade dessa tendência, observou-se a consolidação de um projeto de integração subordinada da agricultura familiar ao agronegócio (IPEA, 2021). Esse projeto, já hegemônico em virtude do poder econômico e político do agronegócio, passou a ter um protagonismo indiscutível que, pouco a pouco, consolidou sua posição de “caminho único” para a agricultura brasileira. (IPEA, 2021, p. 303). Com o apagamento da distinção entre a agricultura familiar e a patronal, reduziu-se suas diferenças essenciais a uma questão de escala fundiária ou tecnológica, significando o não reconhecimento socioeconômico da agricultura familiar como modelo produtivo dotado de características próprias. Isso é importante porque termina por deslegitimar as políticas públicas especificamente destinadas a determinado grupo socioprodutivo e sinaliza para um eventual esvaziamento institucional e orçamentário desta agenda. (IPEA, 2021, p. 304) 26 De acordo com Agência Senado, há um auxílio que está previsto no Projeto de Lei (PL) 823/2021, criado devido às medidas emergenciais de amparo à agricultura familiar, para mitigar os impactos socioeconômicos da Covid-19. Entretanto este foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro, sob alegação de que (Veto 51/2021) era necessário cumprimento de normas orçamentárias e financeiras. De acordo com a Secretária-geral da Presidência da República, a orientação era evitar a sobreposição com outras medidas existentes, no entanto, o Congresso Nacional acabou derrubando o veto presidencial. O texto vetado — agora restaurado pelos parlamentares — prevê o suporte à agricultura familiar até 2022, através de prorrogações, descontos e renegociação de dívidas dos produtores e a flexibilização no crédito rural. Entre as medidas previstas estão o pagamento de um auxílio no valor de R$ 2,5 mil por família, para produtores em situação de pobreza e extrema pobreza. No gráfico 1, é possível observar os recursos para crédito rural do Plano Safra relativos aos períodos 2019-2020 e 2020-2021 para o Pronaf, médios produtores (por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural –Pronamp) e grandes produtores. Gráfico 1: Crédito rural para o Pronaf, o Pronamp e os grandes produtores (2019-2021) Fonte: IPEA, 2021 Essa falta de atenção à agricultura familiar gera uma pressão sobre a oferta dos alimentos produzidos. Temos a diminuição da renda dos consumidores e a falta de incentivos para a produção e/ou de um auxílio emergencial/assistencial à categoria, fragilizando, desse modo, sua situação ante a pandemia. Por fim, soma-se a isso o fato de que a reabertura dos mercados locais não foi acompanhada da retomada do número de consumidores. Por diferentes razões, a população tem evitado deslocar-se para feiras, o que tem levado os agricultores a readequar os volumes de produção e a adotar novas dinâmicas de comercialização por meio de http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/149406 http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/149406 http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/149406 http://www.congressonacional.leg.br/materias/vetos/-/veto/detalhe/14626 27 plataformas digitais e do uso de redes sociais, gerando um aumento expressivo nas compras virtuais (SCHNEIDER, 2020, p. 178). A agricultura familiar depende não só do comercio local, mas de políticas públicas, e a falta de investimentos desestimula a atividade, que é essencial para manutenção das tradições, da preservação do meio ambiente, da segurança alimentar e permanência dos pequenos agricultores no campo. 6. RESULTADOS Neste capítulo serão expostos os resultados e análises obtidas a partir da realização do trabalho de campo, onde foram aplicados os formulários semiestruturados junto aos agricultores familiares que comercializam seus produtos na Feira do Produtor Rural de Rio Claro/SP. 6. 1 Entrevista semiestruturada com produtores familiares da Feira do Produtor Rural Os resultados alcançados através da realização do trabalho de campo e análise dos formulários semiestruturados (Apêndice 1) aplicados junto aos produtores rurais que comercializam seus produtos na Feira do Produtor Rural de Rio Claro, assumiu o objetivo de compreender como a pandemia afetou o espaço da feira, no tocante da produção e vendas de alimentos. Dessa forma, na primeira etapa da entrevista foram realizadas perguntas com o intuito de obter informações gerais referentes a faixa etária, nível escolar, local de moradia, a fim de criar uma relação de proximidade nesse primeiro momento. Na segunda etapa foram abordadas perguntas específicas referente aos impactos da pandemia na produção agrícola e na participação do agricultor na feira. Diante disso, na Tabela 1 referente as informações preliminares, quatro (57,1%) dos entrevistados eram homens e três (42,8%) mulheres, sendo uma (14,3%) pessoa entre 30 e 40 anos, três (42,8%) pessoas na faixa etária de 41 e 50 anos, duas (28,6%) pessoas entre 61 e 70 anos e uma (14,3%) pessoa entre 71 e 80 anos. A Tabela 2 revela que cinco (71,5%) produtores além de venderem sua própria mercadoria na feira, vendem mercadorias de outros produtores para acrescentar nos produtos 28 expostos e dois (28,6%) produtores têm a mercadoria vendida na feira exclusivamente de sua própria produção. A Tabela 3 relata que cinco (71,5%) dos entrevistados são proprietários da terra em que plantam e dois (28,6%) deles são arrendatários. Quando questionados há quanto tempo a propriedade pertence à família ou no caso dos que arrendam a terra (Tabela 4), dois (28,6%) entrevistados alegaram que a propriedade pertence há mais de 100 anos a família, uma (14,3%) pertence há 80 anos, uma (14,3%) há vinte anos, uma (14,3%) há 10 anos e duas (28,6%) famílias estão na propriedade há menos de um ano. Entre as sete (7) famílias entrevistadas nenhuma utiliza mão de obra contratada nas atividades agrícolas desenvolvidas, apenas a própria família trabalha na propriedade (Tabela 5). Quanto as principais atividades desenvolvidas nas propriedades, em seis (85,7%) delas cultivam-se hortaliças e uma (14,3%) trabalha na produção de ovos para comercialização, mas todas elas criam animais somente para sua subsistência (Tabela 6). De acordo com a Tabela 7, duas (28,6%) famílias utilizam algum tipo de agrotóxicos ou pesticidas sua produção e cinco (71,4%) delas não utilizam estes produtos, quando necessários utilizam técnicas associadas ao controle biológico ou defensivos naturais. A Tabela 8 diz respeito a quanto tempo o produtor está comercializando seus produtos na Feira do Produtor Rural de Rio Claro. Nesse sentido, encontramos um (14,3%) produtor que participa há 16 anos da Feira e dois (28,6%) há dez anos, eles são os comerciantes pioneiros na feira, visto que começou a ocorrer no antigo Espaço Livre da Vila Martins a partir de 2017, um (14,3%) há sete anos, um (14,3%) há quatro anos, um (14,3%) há um ano e um (14,3%) há menos de seis meses, considerando que a pesquisa foi realizada em junho e julho de 2022. Quando perguntados quais são os principais locais ou meios de comercialização de seus produtos (Tabela 9), seis (85,7%) deles afirmam que a feira é o principal local de comercialização e apenas um (14,3%) cita o PNAE como principal, nenhum deles considera os mercados ou cestas como principal fonte de comercialização. A Tabela 10 expõe que cinco (71,5%) produtores participam do PNAE e dois (28,6%) não fazem parte, consequentemente cinco (71,5%) produtores participam da CAF e dois (28,6%) produtores não fazem parte (Tabela 11). Referente a qual o peso da renda obtida na Feira na composição da renda familiar, (42,8%) dos entrevistados disseram que é de 100%, (28,6%) dos entrevistados disseram ser de 25%, uma (14,3%) disse ser de 10% e uma (14,3%) disse ser de menos de 10% (Tabela 12), 29 nenhum dos entrevistados recebe assistência ou financiamento de algum órgão ou programa governamental (Tabela 13). Como visto na Tabela 8, dois produtores estão há um ano ou menos de um ano na feira, então entraram após o período mais rígido de isolamento e medidas sanitárias, por isso não estão presentes na Tabela 14 referente ao tempo ficaram ausentes da feira devido a pandemia. Sobre essa questão, dois (40%) responderam que ficaram entre um e três meses ausentes, dois (40%) responderam de quatro a seis meses e um (20%) ficou um ano ausente. Na Tabela 15 observamos que três (60%) produtores responderam que perderam mercadoria por não venderem devido ao fechamento da feira no começo da pandemia, enquanto dois (40%) disseram que não perderam mercadoria. Em relação a diminuição da produção agrícola (Tabela 16), quatro (80%) disseram que diminuíram a produção e um (20%) relatou que não precisou diminuir. Todos os cinco (100%) agricultores concordaram que houve aumento do preço dos insumos e sementes (Tabela 17), consequentemente houve o aumento dos valores das mercadorias repassadas aos consumidores da Feira (Tabela 18), e os cinco (100%) produtores negaram que houve qualquer tipo de ajuda ou incentivo por parte do poder público para se manterem comercializando em determinado espaço (Tabela 19). Quatro (80%) produtores afirmaram que começaram a oferecer serviços de cestas ou entregas de mercadoria durante a pandemia, enquanto apenas um (20%) produtor não (Tabela 20). Atualmente três (60%) estão oferecendo estes serviços e dois (40%) não estão (Tabela 21). Três (60%) famílias começaram a usar os meios de comunicação (WhatsApp, Facebook e Instagram) para oferecer seus produtos, enquanto dois (40%) não utilizam. (Tabela 22). Quando questionados se acreditam que as vendas na feira estão melhorando depois de dois anos de pandemia, as respostas da Tabela 23 resulta em três (60%) produtores afirmando que sim, as vendas estão melhorando e dois (40%) não acreditam. Na Tabela 24, dois (40%) produtores disseram que os antigos clientes permaneceram comprando na feira com eles e três (60%) deles disseram que não. Na Tabela 25, os cinco (100%) produtores afirmam que houve redução na quantidade de alunos da UNESP Rio Claro por causa da pandemia e as aulas online. Todos os cinco (100%) produtores afirmam que as vendas estão melhorando em comparação com o começo da pandemia (Tabela 26) e quando questionados se acreditam, que a feira, do jeito que está atualmente irá continuar por muitos anos, cinco (71,5%) afirmam que sim e dois (28,6%) disseram que não. A primeira parte das entrevistas teve como objetivo entender o perfil dos agricultores familiares que trabalham na Feira do Produtor de Rio Claro, observamos que todos eles 30 possuem média de idade acima de 30 anos, a maioria são agricultores há muitos anos, a terra é herdada de seus antepassados e eles continuam resistindo como agricultores nos dias de hoje. Ainda, a maior parte participa da CAF, onde grande parte da sua produção é comprada e utilizam o espaço da Feira como mais um meio de escoamento da produção. 6. 2 Entrevistas com produtores familiares 6.2.1 Produtor 1 O produtor 1 é arrendatário da propriedade que está localizada no bairro de Ajapi desde 2010, possui aproximadamente dois hectares, somente ele e o sogro trabalham na propriedade. Faz parte da diretoria da CAF, onde o PNAE compra a produção e comercializa seus produtos na feira do produtor rural desde o início dela, em 2014, comentou que a feira foi criada para escoar o restante da produção que era vendida para a prefeitura. Atualmente, comercializa ovos e repassa o café em pó, que é de outro produtor, além da feira do produtor rural, vende seus produtos em alguns mercados da cidade de Rio Claro e participa do PNAE, afirma que a feira se refere apenas 30% na sua renda. Antigamente participava de financiamento para pequeno produtor rural, mas que hoje não participa por ser muito burocrático. Relatou que antes da pandemia tinha 2 hectares de horta e dois funcionários que o ajudavam, mas no auge da pandemia teve que demitir os funcionários, por um tempo recebeu o auxílio do pequeno produtor rural, mas foi cortado e o valor não supriu seus gastos. Por causa do isolamento causado pela pandemia, ficou sete meses afastado da feira e com as escolas fechadas não havia o PNAE. No começo ele tentou fazer entrega porta a porta, mas era inviável, pois havia muitos produtores oferecendo o mesmo serviço, ele contou que tentou fazer doações dos alimentos, mas não conseguiu e acabou perdendo tudo por falta de escoamento e não recebendo nada por isso. Depois deste acontecimento resolveu parar com a produção de vegetais e hortaliças, disse que não tem vontade de voltar a produzir, pois, tem medo e insegurança, portanto optou por ficar somente com a produção de ovos, no local que era a horta ele plantou limão para não ficar com a área parada. Além dos prejuízos da perda de produção, dívidas e diminuição brusca de sua renda familiar, o produtor precisou começar a trabalhar como caminhoneiro de entregas para 31 complementar a renda de sua família, atividade que começou durante a pandemia e permanece atualmente. Para continuar na feira optou por parar de produzir hortaliças e focou em uma atividade, é uma parceria com seu sogro, onde seu sogro é responsável pelas galinhas e ele revende os ovos, mas também teve que diminuir a quantidade de galinhas para reduzir os custos. O produtor afirma que a feira não poderia ter ficado fechada nos primeiros meses de pandemia, já que os grandes mercados estavam funcionando, e também que a demora para retomar as atividades da feira acabou com a rotina e vínculo com os clientes, fazendo com que muitas famílias mudassem suas atividades, deixando de ser produtora rural. Contou que do lado esquerdo da feira era só de produtor rural, agora restam poucos e muitos não quiseram retornar, por isso outras atividades, como o artesanato prevalece em detrimento dos produtores rurais, ocorrendo uma descaracterização da Feira do Produtor Rural. Acredita que a feira irá continuar por muitos anos, mas é preciso trabalhar para retomar aos poucos, falta divulgação nas rádios da região e que o atual governo municipal não tem muito empenho em fortalecer a Feira do Produtor Rural e nem o pequeno produtor rural, em outras gestões haviam pessoas que trabalhavam para o desenvolvimento da feira. A feira para o produtor 1 representa esperança, foi através dela que ele conseguiu muita coisa, que lá é um espaço em que as pessoas vão com esperança de crescer e melhorar. 6.2.2 Produtor 2 O produtor 2 possui uma propriedade arrendada de aproximadamente oito mil metros quadrados no Bairro dos Lopes, área rural de Rio Claro, onde está há um ano e meio, contou que já esteve em outras propriedades, mas quando o aluguel vence ele precisa mudar. Comentou que entrou na feira com ajuda de um professor da UNESP Rio Claro, que o ajudou com análise do solo para conseguir os certificados orgânicos, atualmente não têm mais os certificados, entretanto continua sem uso de agrotóxicos, apenas com adubos biológicos e naturais. Está na feira desde 2014, assim como o Produtor, apenas comercializa seus produtos, não repassa de outros produtores, além da feira seus produtos vão para a CAF e para o PAA, sendo o ganho da feira apenas 15% na sua renda familiar. Durante a pandemia, a feira ficou parada por uns meses, quando voltou ficou do lado de fora do galpão e poucos produtores retomaram suas atividades. Teve que diminuir sua produção, pois com a feira e escolas fechadas, não tinha escoamento de mercadoria, além dos 32 valores dos insumos e sementes necessários para plantar aumentou muito, o valor do adubo que era 90 reais passou para 300 reais, justificando os valores que são repassados aos clientes, mas que é repassado o mínimo para conseguir vender e não perder a mercadoria. Não recebeu nenhum incentivo ou ajuda de programas do governo, somente a ajuda da CAF e não exerceu nenhuma outra atividade para complementar sua renda. Para se manter durante a pandemia começou a usar meios de comunicação como Facebook e Instagram para divulgar suas mercadorias e oferecer cestas e entregar em condomínios de luxo em Rio Claro, mas não faz mais, pois as pessoas são cansativas e não o pagavam. Muitos de seus colegas de trabalho, que participavam há anos da feira não conseguiram se manter e acabaram saindo, buscando outras atividades para desenvolver. Após a retomada da feira, o produtor 1 acredita que as vendas estão melhorando devagar, mas que muitas pessoas deixaram de vir à feira, principalmente os idosos e universitários. Acrescenta que antes apenas quem era produtor rural podia comercializar seus produtos na feira, hoje quem revende pode participar também e que as bancas de artesanato estão tomando conta da feira, queriam que ela durasse até as 22:00, mas é inviável para o trabalhador do campo que acorda cedo. Supõe que a causa do esvaziamento da feira seja a localização próxima do varejão Banana’s e a pandemia, por isso é preciso atrair mais o público, para que os agricultores possam aumentar suas produções e a feira se mantenha pelos próximos anos. 6.2.3 Produtor 3 A produtora 3 e seu marido são agricultores e comandam a propriedade e a venda da produção juntos, o local pertence à família de seu marido há aproximadamente 100 anos, foi adquirido por seu sogro refugiado da Guerra, o terreno que possui uma média de 2,72 hectares. Antes de ir para a Feira do Produtor de Rio Claro faziam feira em Araras, mas o movimento ficou fraco e um amigo indicou pra eles irem para Rio Claro e assim estão na feira do produtor rural faz sete anos, sendo 40% dos produtos vão para a CAF e para o PAA, apenas o milho e a laranja são vendidos para mercados da cidade e utiliza agrotóxicos na sua plantação. Ficaram ausentes da feira durante o ano inteiro de 2020, perderam aproximadamente 5.000 kg de banana e tiveram que jogar fora, pois não conseguiram doar, depois do ocorrido diminuíram muito a produção e durante a pandemia faziam entrega de cestas, atualmente não 33 fazem mais. Os valores de insumos e sementes aumentou muito durante a pandemia, por isso o valor dos legumes e verduras aumentam, mas se subir o preço não vende, o pessoal acha caro. Há bastante propaganda da feira, mas o povo não vem, não acredita que as coisas estão melhorando depois de dois anos, o movimento está muito fraco, as vezes pensa que a feira vai acabar em breve, pois está saindo muito produtor. 6.2.4 Produtor 4 O produtor 4 é um casal que são aposentados e moram em uma chácara de aproximadamente 1.200 m². Entraram na feira do produtor rural em julho de 2022, pois sua nora estava desempregada e vendia artesanato, então foram na prefeitura verificar como funcionava para ter um espaço de venda na feira, mas como já tem muito artesanato a prefeitura não autorizou, decidiram ter um espaço deles até sua nora conseguir trabalhar na feira, e então revendem a mercadoria de outros produtores para incrementar a banca o excedente dos alimentos produzidos na chácara que é de próprio consumo para a venda, não utilizam agrotóxicos ou pesticidas em seus alimentos, também possuem ovos para vender, mas não podem colocar na banca, pois já possui um produtor que vende ovos na feira. Trabalham somente nesta feira, não fazem parte da CAF ou outra associação de produtores rurais e como não vendiam suas mercadorias ou estavam presentes antes e durante o período de isolamento social não sabem dizer como a feira e suas produções foram afetadas pela pandemia. 6.2.5 Produtor 5 O Produtor 5 está na feira desde junho de 2021, entrou durante a pandemia pois estava expandindo seus negócios e a feira era mais um local de venda, por ser um espaço ocupado por produtores, têm a possibilidade de conhecer pessoas e alunos da UNESP, além da feira vende na rua, de porta em porta e em condomínios, as mercadorias vendidas na feira são repassadas de outros produtores e algumas são de sua própria produção. Disse que perdeu muitos clientes durante a pandemia, que eles preferem o varejão. A propriedade pertence ao seu pai há 12 anos, tem aproximadamente 36.000 m², somente os dois trabalham na produção, não utilizam agrotóxico na produção, mas também 34 não tem certificado de orgânicos pois é muito burocrático. Não exercem outra atividade para complementar a renda. Não faz parte do PAA, mas faz parte da CAF, diz que abre o leque de opções, de compras de insumos juntos, fica mais barato e acessível. Faz sua divulgação pelas redes sociais, mas gostaria de propor que a divulgação seja feita em carro de som, em escolas e faculdade também seria bom se a prefeitura colocasse brinquedos para crianças, para atrair mais consumidores. Como entrou na feira após a pandemia, diz que não pode falar muito, mas que se lembre teve alguns prejuízos em sua produção em relação a geadas e infestação de animais, o que prejudicou sua plantação. Em decorrência da pandemia, os valores de insumos e sementes aumentaram entre 30% e 40% e o valor do combustível aumentou, fazendo com que os produtos passados para os consumidores aumentem. Diz que o governo só atrapalhou, atrasou a vacinação, é contra a ciência, se tivesse começado a vacinação antes não teria morrido tanta gente. Conhece pessoas que saíram da feira após sua entrada pois não estavam obtendo lucro, como o macarrão na chapa, mas acredita que o fluxo de pessoas está voltando aos poucos, quando tem show, festas na feira atrai mais clientes, espera que a feira continue por muito tempo, que abra novas vendas. 6.2.6 Produtor 6 A família 6 é composta por cinco irmãos, todos trabalham na propriedade junto com seus cônjuges e apenas no verão contratam mão de obra temporária, pois cresce muito mato. A propriedade está localizada em Ajapi, distrito de Rio Claro, está na família desde a época de seu bisavô e possui 3 hectares. Criam alguns animais como porco, galinha e vaca para consumo próprio, sendo as hortaliças a principal produção, às vezes utilizam agrotóxicos, mas é difícil. Estão na feira há quatro anos, dizem que além de acrescentar em sua renda, a feira possibilita que conheçam novas pessoas e façam amigos, além da feira fazem delivery em casas, alguns supermercados e participam do CAF, onde o PNAE atua. Durante a pandemia, ficaram três meses parados e começaram a fazer delivery, coisa que não fazia antes e prevalece até hoje, não perderam mercadoria pois fizeram doação em bairros periféricos, foram atrás das pessoas, mas a venda na feira caiu muito e aumentou os preços dos produtos, pois os insumos e sementes estão mais caros. Começaram a divulgar mais 35 seus produtos e a feira pelas redes sociais, Instagram, Facebook e WhatsApp. Não recebem nenhuma assistência financeira ou técnica de programas do governo e nem exercem outra atividade para complementar a renda. Relatam que saiu muitos produtores e bancas de outros serviços saíram da feira durante a pandemia, acreditam que as vendas estão melhorando aos poucos, que a maioria dos clientes fixos permanecem indo à feira, mas que muitos alunos da UNESP e idosos deixaram de ir, falta público, antigamente não levavam nada embora, hoje levam. É preciso divulgação, outdoors pela cidade e diversificar produtos, colocar banca de peixe para atrair mais pessoas. 6.2.7 Produtor 7 A família do produtor é proprietária da terra, faz aproximadamente 80 anos que a propriedade pertence à família, era de seu avô, e foram um dos primeiros produtores a começarem na feira, todos os legumes, verduras e frutas são eles que produzem, às vezes usam agrotóxicos quando precisa, mas em pequena escala, a maior parte do tempo é a própria família que trabalha na produção de alimentos, as às vezes contratam mão de obra temporária. Além de legumes, frutas e hortaliças Criam animais como porcos, galinhas e vaca para próprio consumo Vende seus produtos para o CEASA, aproximadamente 60% da sua produção vai para o PAA, PNAE. A Secretaria do meio ambiente tem ajudado a fornecer informações sobre herbicidas, serviço e na parte do PAA e PNAE é de responsabilidade deles. Mas é preciso que a prefeitura dê mais apoio, traga mais pessoas para comprar seus produtos na feira. Em relação a assistência técnica e financiamento do governo, o produtor 7 diz que está difícil e nem com bancos estão conseguindo empréstimos. Na pandemia, uma pessoa da família ficou internada por 11 dias, se ausentaram da feira por aproximadamente dois meses, a maior dificuldade foi vir para feira no meio da pandemia, como tinha pego covid e ficado internado, tinha muito medo e se sentia amarrado, sem vontade de vir mas tinham que enfrentar. Os preços dos insumos subiram muito, mas eles não podem subir o preço dos produtos vendidos na feira, por que não vendem, e ficam com margem pequena de lucro, perderam mercadoria por não terem para onde vender, teve redução de 30% da produção, mas ao longo 36 prazo voltaram a produzir o mesmo. A CAF durante a pandemia fez um plano para cestas das escolas e ajudou a escoar muitos produtos, antes da pandemia não existia. Começou a usar as redes sociais para divulgar seus produtos e alcançar mais consumidores, conhece bastante produtor que deixou de trabalhar na feira, ou porque mudou de ramo ou porque a venda caiu muito e como tinha outros lugares de venda acharam melhor parar de vir aqui. No meio do ano de 2022 a freguesia ainda está fraca, mas está voltando aos poucos, antes eles vendiam dez cachos de bananas, agora vende apenas três. Diminuiu muito a quantidade de alunos da UNESP, ajudava bastante nas contas, pois eles gostam de coisas naturais e caseiras. Atualmente pretendem continuar na feira, têm um ganho razoável para continuarem a produzir, o ponto positivo da feira é que eles mantêm as amizades e estão trabalhamos, o ponto negativo é são as pessoas que tomam frente da freira, querem fazer mudanças sem pé nem cabeça, querem exigir que quem falta na feira traga atestado médico ou justifique sua ausência, o que é desagradável, diz estar magoado. Gostaria de ser mais bem visto e valorizado pela prefeitura como produtor, para que eles incentivem o consumo da população, fizessem mais propagandas, trouxesse mais pessoas e mais produtores para feira. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista os aspectos observados no trabalho, por meio dos resultados das entrevistas semiestruturadas, estivemos em condição de compreender as consequências e dificuldades enfrentadas pelos produtores familiares que comercializam suas mercadorias na Feira do Produtor Rural, localizada no município de Rio Claro-SP, durante a pandemia de COVID-19 no ano de 2020. Visto que Rio Claro não é um município que valoriza e investe na agricultura familiar, antes da pandemia este grupo socioprodutivo já sofria as consequências do descaso de políticas públicas e ações governamentais, - sendo estas essenciais para assegurar o desenvolvimento de sua atividade, a fim de preservar suas identidades, tradições e costumes. Durante a pandemia estes sofreram consequências ainda mais rigorosas, com a falta de apoio financeiro e descaso do governo, como o veto total que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro havia feito ao auxílio destinado aos pequenos produtores rurais afetados pela pandemia de covid-19 37 (Veto 51/2021), a alta dos preços dos insumos e alimentos, acompanhada da alta inflação que impacta no poder de compra dos sujeitos. A maior parte dos produtores participam da CAF, sendo o principal meio de venda de suas mercadorias, e a Feira serve como um complemento de escoamento e incremento para sua renda, além de ser citado como um local de troca, amizades e afeto. No começo da pandemia houve o fechamento da Feira, por conta das medidas sanitárias instauradas, que consequentemente afetou a venda de produtos dos agricultores familiares no referido espaço de comercialização e contribuiu para o esvaziamento desta, diante da falta de consumidores. Esse quadro levou a perda de mercadorias por falta de escoamento, a redução de sua produção e a diminuição da sua renda familiar, fazendo com que os agricultores buscassem outros empregos para complementar a renda ou até mesmo a sua saída da feira, uma vez que tal atividade não estava sendo viável financeiramente. De acordo com o IICA (2020), os efeitos da pandemia sobre agricultura podem ser divididos em três dimensões principais e interligadas para sua compreensão: a) dificuldades de manutenção da dinâmica produtiva e comercial; b) impactos nos volumes de produção; c) efeitos nos preços recebidos e queda na renda dos agricultores familiares nos últimos meses. Os consumidores acabaram perdendo o costume de ir à feira e buscando satisfazer suas demandas através das compras em supermercados, pois já compravam tudo em um mesmo local. Destacamos que a presença de sacolões e supermercados ao redor da Feira, contribui para que as pessoas tenham acesso às mercadorias não apenas em horários específicos, como ocorre na realização da feira, mas assim todos os dias e horários diversos, facilitando com que as pessoas prefiram ir a esses locais ao invés das barracas dos agricultores., A Feira do Produtor Rural vem se modificando, a presença cada vez mais forte de outras atividades como o artesanato descaracteriza seu próprio nome. À vista disso, a falta de consumidores, políticas públicas e suporte da do município desmotiva os produtores familiares, que resistem e permanecem na Feira. Esses, por sua vez, buscam por mais apoio e reconhecimento quanto ao desenvolvimento de sua atividade socioprodutiva por parte dos poderes públicos. Nos relatos dos agricultores da Feira do Produtor Rural, eles afirmam a necessidade em melhorar a divulgação da Feira com outdoors pela cidade, nas rádios da região e carros de som, bem como, a promoção de shows nos dias em que acontecem a Feira, a diversificação de produtos agrícolas e alimentícios para atrair mais consumidores, para que a Feira possa existir por muitos anos. http://www.congressonacional.leg.br/materias/vetos/-/veto/detalhe/14626 38 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVAY, Ricardo. Agricultura familiar e desenvolvimento territorial. Reforma agrária, v. 28, n. 1, p. 2, 1998. ALTIERI, Miguel A. Agroecologia, agricultura camponesa e soberania alimentar. Revista NERA, n. 16, p. 22-32, 2012. Afinal, o que é agricultura familiar? Acesse para conhecer essa atividade, responsável por boa parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 26/08/2019. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt- br/assuntos/agricultura-familiar/agricultura-familiar-1. Acesso 30/10/2022 Aumenta o número de pessoas em situação de rua no Brasil, diz pesquisa. Jornal Hoje G1, 09/06/2022. Disponível em: . Acesso 28/10/2022. BRASIL. Lei n. 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 143, n. 141, p. 1-2, 25 jul. 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2004-2006/2006/lei/l11326.htm. Acesso: 30/20/2022. CARDIM, Isabella Henriques Gomes. Sistemas alimentares de pequena escala: análise da cadeia de produção de agricultores familiares do município de Rio Claro-SP. 2018. CENSO agropecuário 2017. IBGE, Sidra: sistema IBGE de recuperação automática. Rio de Janeiro. Disponível em: . 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APÊNDICE 9.1 Apêndice 1 - Formulário aplicado junto aos produtores rurais da Feira do Produtor Rural ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA APLICADA JUNTO AOS COMERCIANTES DE PRODUTOS AGRÍCOLAS DA FEIRA DO PRODUTOR RURAL DO MUNICÍPIO DE RIO CLARO/SP. DATA: ____/___/_____ Dia da entrevista: 3 ª feira ou 6ª feira Identificação do estande: ____________ Perguntas gerais 42 1. Nome: 2. Sexo: 3. Idade: 4. Cidade: 5. Bairro: 6. Entrevistado é () proprietário () membro da família () empregado () outros _______ 7. Vende ou repassa a mercadoria de outros produtores? 8. Há quanto tempo a propriedade pertence à família? 9. Qual é a média de tamanho da propriedade? 10. A mão de obra utilizada na produção é só familiar? Se não, quantas pessoas trabalham com você? 11. E qual é a atividade principal? 12. Aproximadamente qual o peso da renda da feira na sua renda familiar? 13. Existe alguma outra atividade que acrescenta na renda da família? 14. Uso de agrotóxicos ou outro pesticida? Se não, tem algum certificado orgânico? 15. Há quanto tempo está na feira? 16. Trabalha em alguma outra feira? Ou em outra cidade? Ou no mercado da cidade? 17. Faz parte do Programa Nacional de Alimentação Estudantil (PNAE) ou PAA para comercialização dos produtos? Ou algum outro programa? 18. Você participa da CAF - Cooperativa dos Agricultores Familiares de Rio Claro e Região? 19. Existe algum vínculo entre os agricultores e a Secretaria da Agricultura? 20. Você faz parte de alguma associação para produtores rurais? Se sim, acha que é importante? De qual forma? 21. Existe assistência técnica ou financiamento de algum órgão ou programa? Gostaria de acrescentar alguma coisa? Perguntas em relação a pandemia 1. No começo do isolamento, vocês perderam produtos por não venderem? Sabe a quantidade? 2. Teve que diminuir a produção? De algum produto em específico? https://www.fnde.gov.br/programas/pnae 43 3. Quais foram os prejuízos que você se lembra? 4. Em relação aos valores de insumos, sementes etc. Acredita que tenha aumentado? Como isso impacta a venda na feira? 5. Em relação aos valores dos produtos, houve um aumento dos preços? 6. Teve que demitir alguém por causa da pandemia? 7. Começou a oferecer os serviços de entregas ou cestas? Já oferecia antes da pandemia? Ainda continua? 8. Começou a usar outros meios de comunicação para oferecer seus produtos? Se sim quais? Facebook, WhatsApp, Instagram…? 9. Houve alguma ajuda ou incentivo por parte do poder público? Participou de algum programa do governo durante a pandemia? Se sim, qual? Foi suficiente? Ou teve que procurar outro emprego? Ou outras fontes de renda? 10. Pegou covid? Se sim como que ficou as vendas? Teve alguém para substituir ou só não foi presencialmente 11. Conhece algum comerciante que teve que sair da feira? Sabe os motivos? 12. Na sua percepção as coisas estão melhorando depois de dois anos? 13. Em relação aos clientes antigos, eles se mantiveram? 14. O que mudou antes e depois da pandemia em relação à feira? a produção, vendas, escoamento? 15. Dificuldades e desafios enfrentados? Acha que poderia ter sido diferente? Se sim, como? (Com apoio do governo.) 16. Em relação a antes da pandemia, como estão as vendas atualmente? Considera que está como antes da pandemia? Melhor ou pior? Gostaria de acrescentar mais alguma coisa? Perguntas sobre a feira: 1. Por que decidiu vender seus produtos na feira do produtor? 2. Você pretende continuar na feira pelos próximos anos? 3. Você acredita que a feira do jeito que está atualmente irá continuar por muitos anos? 4. Na sua opinião, o que precisa ser melhorado na Feira do Produtor Rural de Rio Claro? 5. Você acha que a divulgação da feira é feita de forma correta ou mudaria algo? O que poderia ser feito para atrair mais consumidores 44 Gostaria de acrescentar alguma coisa? 9.2 Apêndice 2 - Tabela 1 a Tabela 27 - contendo informações preliminares dos entrevistados. Tabela 1 – Informações preliminares dos entrevistados Sexo Quantidade Feminino 3 Masculino 4 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Idade Quantidade 30-40 1 41-50 3 51-60 0 61-70 2 71-80 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 2 - As mercadorias vendidas na feira são somente da produção da propriedade 45 Sim Não 2 5 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 3 - Se é proprietário ou arrendatário Proprietário 5 Arrendatário 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 4 - Há quanto tempo a propriedade pertence à família? < 2 anos 2 10 anos 1 20 anos 1 80 anos 1 >100 anos 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 5 - Mão de obra utilizada 46 Familiar Contratado 7 0 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 6 - Atividade principal desenvolvida na propriedade. Atividade Número de propriedade Cultivo de hortaliças 6 Ovos 1 Outras - Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 7 - Uso de agrotóxicos ou outros pesticidas na produção. Uso de agrotóxicos ou pesticidas Quantidade de agricultores Sim 2 Não 5 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 8 - Há quanto tempo está na Feira do Produtor Rural de Rio Claro 47 < 6 meses 1 1 ano 1 4 anos 1 7 anos 1 10 anos 2 13 anos 16 anos 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 9 - Principais locais de comercialização da produção do agricultor familiar Locais Quantidade de agricultores Feiras 6 PNAE 1 Cestas Mercados Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 10 - Agricultores que participam do PAA ou do PNAE 48 Agricultores que participam do PNAE. Quantidade de agricultores Sim 5 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 11 - Agricultores que participam da CAF - Cooperativa dos Agricultores Familiares de Rio Claro e Região Agricultores que participam da CAF Quantidade de agricultores Sim 5 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 12 - Peso da renda da feira na sua renda familiar Peso da renda da feira na renda familiar em porcentagem Quantidade de agricultores 100% 3 50% - 25% 2 10% 1 49 < 10% 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 13 - Recebe assistência técnica ou financiamento de algum órgão ou programa governamental Recebe assistência técnica ou financiamento Quantidade de agricultores Sim - Não 7 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 14 - Período que ficaram ausentes da feira devido a pandemia Meses Quantidade de agricultores 1 - 3 meses 2 4 - 6 meses 2 1 ano 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 15 - Se houve perda de mercadoria por não venderem devido ao fechamento da feira no começo da pandemia. Perda de Mercadoria Quantidade de agricultores 50 Sim 3 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 16 - Houve diminuição da produção agrícola Diminuição da produção agrícola Quantidade de agricultores Sim 4 Não 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 17 - Houve aumento no valor de insumos e sementes Aumento no valor de insumos e sementes Quantidade de agricultores Sim 5 Não 0 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 18 - Houve aumento em relação aos valores das mercadorias repassadas aos consumidores Aumento em relação aos valores das mercadorias Quantidade de agricultores 51 Sim 5 Não 0 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 19 - Houve alguma ajuda ou incentivo por parte do poder público Ajuda ou incentivo por parte do poder público Quantidade de agricultores Sim 0 Não 5 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 20 - Começou a oferecer os serviços de entregas ou cestas durante a pandemia Oferta de serviços de entregas ou cestas Quantidade de agricultores Sim 4 Não 1 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 21 - Atualmente ainda está oferecendo os serviços de entrega ou cestas? Oferta de serviços de entregas ou cestas atualmente Quantidade de agricultores 52 Sim 3 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 22 - Começou a usar meios de comunicação para oferecer seus produtos Uso de meios de comunicação para oferecer seus produtos Quantidade de agricultores Sim 3 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 23 - Acredita que as vendas na feira estão melhorando depois de dois anos de pandemia Melhora das vendas Quantidade de agricultores Sim 3 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 24 - Permanência dos antigos clientes Permanência dos antigos clientes Quantidade de agricultores 53 Sim 2 Não 3 Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 25 - Redução da quantidade de alunos da UNESP Rio Claro por causa da pandemia e aulas online. Redução da quantidade de alunos da UNESP Rio Claro Quantidade de agricultores Sim 5 Não - Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 26 - Houve melhora das vendas em comparação com o começo da pandemia Melhoria das vendas Quantidade de agricultores Sim 5 Não - Fonte: Trabalho de Campo (2022) Tabela 27 - Você acredita que a feira do jeito que está atualmente irá continuar por muitos anos? Continuidade da feira Quantidade de agricultores 54 Sim 5 Não 2 Fonte: Trabalho de Campo (2022)