Fabŕıcio Ramos Silva Confinamento das Moléculas H2 e O2 como Modelo para o Estudo da Ligação Ligante-Śıtio Ativo em Macromoléculas Biológicas São José do Rio Preto - SP 2014 Fabŕıcio Ramos Silva Confinamento das Moléculas H2 e O2 como Modelo para o Estudo da Ligação Ligante-Śıtio Ativo em Macromoléculas Biológicas Tese apresentada como parte dos requisi- tos para obtenção do t́ıtulo de Doutor em Biof́ısica Molecular, junto ao Programa de Pós-Graduação em Biof́ısica Molecular, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de São José do Rio Preto. Orientador: Prof. Dr. Elso Drigo Filho São José do Rio Preto - SP 2014 Fabŕıcio Ramos Silva Confinamento das Moléculas H2 e O2 como Modelo para o Estudo da Ligação Ligante-Śıtio Ativo em Macromoléculas Biológicas Tese apresentada como parte dos requisi- tos para obtenção do t́ıtulo de Doutor em Biof́ısica Molecular, junto ao Programa de Pós-Graduação em Biof́ısica Molecular, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho”, Câmpus de São José do Rio Preto. Comissão Examinadora Prof. Dr. Elso Drigo Filho UNESP - São José do Rio Preto Orientador Prof. Dr. Marinônio Lopes Cornélio UNESP - São José do Rio Preto Prof. Dr. Marcelo de Freitas Lima UNESP - São José do Rio Preto Prof. Dr. Nelson Augusto Alves USP - Ribeirão Preto Prof. Dr. Herculano da Silva Martinho Universidade Federal do ABC São José do Rio Preto - SP 24 de Outubro de 2014 Dedico este trabalho à minha maravilhosa esposa Michele. “Tudo na vida é muito fácil para quem não faz...” Agradecimentos Desde a elaboração da dedicatória da minha Dissertação de Mestrado, o número de pessoas a agradecer sofreu um decréscimo. No entanto, não considero esse decréscimo muito relevante. Vamos aos agradecimentos: À Deus, que “ainda” me proporciona o sopro de vida a cada dia. À minha mãe, “mãezinha”, Versilei. Sempre me incentivou e nunca desistiu de mim, apoiou-me e deu-me todo o aux́ılio financeiro que necessitava para ingressar em uma universidade pública. Era indispensável mencionar sua contribuição. À Michele, minha esposa e grande incentivadora/inspiradora. Não acredito em destino, mas essa é a pessoa que era pra ser minha companheira. Aos amigos do Departamento de F́ısica do IBILCE, alguns mais outros menos, com agradecimento especial ao meu companheiro de sala Gabriel (vulgo AMIGÃO). Sem dúvida foi o melhor amigo que fiz durante minha passagem pela pós-graduação. Ao Prof. Dr. Elso Drigo Filho, por toda a orientação deste trabalho e pelo incentivo nestes quatro longos anos. Muito obrigado por me compreender e me suportar! E por fim, à FAPESP por todo o suporte financeiro desta pesquisa. Resumo Este trabalho apresenta autovalores de energia para as ligações σ das moléculas de hi- drogênio, H2, e de oxigênio, O2, ambas confinadas em cavidades eĺıpticas. Esses sistemas também foram estudados sem confinamento. Os resultados foram obtidos através da as- sociação entre o Método Variacional e a Mecânica Quântica Supersimétrica, cabendo a supersimetria determinar as funções de onda dos orbitais atômicos constitúıntes dos or- bitais moleculares. A “aproximação de Hückel” é utilizada para explicar a estabilidade similar entre as ligações σ e π da molécula de oxigênio. Os resultados obtidos para as ligações qúımicas das moléculas (hidrogênio e oxigênio) apresentaram um valor para o volume de confinamento onde o sistema é mais estável. Por fim, são discutidas posśıveis aplicações para sistemas envolvendo śıtios ativos de protéınas. Palavras-chave: Molécula de hidrogênio; Molécula de oxigênio; Ligações qúımicas; Método Variacional; Mecânica Quântica Supersimétrica; Confinamento; Śıtio ativo de protéınas. Abstract This work presents the energy eigenvalues for the σ bonds of hydrogen and oxygen molecules, both confined in elliptical cavities. Those systems are also studied without confinement. The results are obtained through the Variational Method and Supersymmetric Quantum Mechanics. The supersymmetry permits to determine the atomic orbitals. The “Hückel approximation” is used to justify the similar stability between σ and π bonds in the oxygen molecule. The obtained results to the molecular chemical bonds (hydrogen and oxygen molecules) shown a stability region of energy interns of the confinement volum. Finally, possible applications for systems involving protein active sites are discussed. Keywords: Hydrogen molecule; Oxygen molecule; Chemical bonds; Variational Method; Supersymmetric Quantum Mechanics; Confinement; Protein active site. Sumário Agradecimentos Resumo Abstract Lista de Figuras Lista de Tabelas 1 Introdução 11 2 A Estrutura Molecular 14 2.1 Teoria do Orbital Molecular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.2 Teoria da Ligação de Valência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 2.3 Aproximação de Hückel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3 O Método Variacional e a Supersimetria 21 3.1 O Método Variacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 3.2 Mecânica Quântica Supersimétrica: O Método de Fatorização da Equação de Schrödinger . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 4 Energia Vibracional Molecular 26 4.1 O Potencial de Morse Confinado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4.2 Energia Vibracional da Molécula de Hidrogênio Neutra . . . . . . . . . . . 28 5 A Molécula de Hidrogênio (H2) 31 5.1 Molécula de Hidrogênio Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 5.2 Molécula de Hidrogênio Confinada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 6 A Molécula de Oxigênio (O2) 40 6.1 Molécula de Oxigênio Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 6.1.1 Ligação σ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 6.1.2 Ligação π . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 6.2 Molécula de Oxigênio Confinada - Ligações σ e π . . . . . . . . . . . . . . 43 7 Conclusão 46 Referências Bibliográficas 49 A Energia Eletrônica da Molécula de Hidrogênio (H2) 51 B Cálculo da Integral S 54 C Cálculo da Integral K 56 D Cálculo da Integral J 59 E Integrais de Dois-Centros 62 F Ortogonalidade: Orbitais Moleculares das Ligações σ e π 70 Lista de Figuras 2.1 Representação da função radial do orbital molecular ligante, em negrito, ao longo do eixo internuclear. Observe que há um crescimento da amplitude entre os núcleos, assim há um aumento da probabilidade de se encontrar os elétrons ligantes nesta região [12]. . . . . . . 16 2.2 Uma ligação σ é formada quando dois elétrons, em orbitais atômicos vizinhos, emparelham- se (a) e os orbitais se sobrepõem formando uma nuvem eletrônica com simetria ciĺındrica (b) [12]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 2.3 Os elétrons nos orbitais 2pz emparelham-se para formar uma ligação de simetria ciĺındrica enquanto os orbitais 2px e 2py, perpendiculares ao eixo z, formam ligações π [12]. . . . . . 18 4.1 Relação entre o autovalor de energia vibracional do estado fundamental da molécula hi- drogênio confinada, EM , em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ∆X, em múltiplos de xe a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 5.1 Representação espacial da molécula de hidrogênio neutra. Nesse sistema de coordenadas, A e B representam os núcleos dos átomos de hidrogênio e os números 1 e 2 representam os dois elétrons que compõem a molécula. Logo, os parâmetros R representam vetores posição relacionados aos núcleos dos átomos de hidrogênio. Por outro lado, os parâmetros r representam vetores posição relacionados aos elétrons consitúıntes da molécula. . . . . . 32 5.2 Representação geométrica da molécula de hidrogênio confinada em uma cavidade quântica elipsoidal definida pelo parâmetro de confinamento ξc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 5.3 Curvas dos orbitais atômicos hidrogenóides 1s, obtidos com e sem confinamento, em função da coordenada radial r (em bohr). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 5.4 Relação entre o autovalor de energia do estado fundamental da molécula hidrogênio confi- nada, em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ξc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 6.1 Relação entre o autovalor de energia do estado fundamental da molécula oxigênio confinada (ligação σ), em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ξc. . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Lista de Tabelas 4.1 Autovalores de energia (em hartrees) para diversos valores de ∆X (em múltiplos de xe a ) para a molécula de hidrogênio neutra considerando l = 0. O sistema livre é representado por ∆X =∞. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 4.2 Autovalores de energia (em hartrees) para diversos valores de l e ∆X = 0, 4 (em múltiplos de xe a ) para a molécula de hidrogênio neutra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 5.1 Resultados numéricos referentes ao autovalor de energia do estado fundamental (l = 0) da molécula de hidrogênio confinada, em hartrees, para diferentes valores de ξc. . . . . . . . . 38 6.1 Resultados numéricos referentes aos autovalores de energia do estado fundamental (l = 0) da ligação σ da molécula de oxigênio confinada, em hartrees, para diferentes valores de ξc. 44 Caṕıtulo 1 Introdução Sistemas confinados têm sido amplamente estudados devido sua importância tanto do ponto de vista acadêmico como do ponto de vista tecnológico (vide, por exemplo, as Refs. [1, 2]). Estudos teóricos relacionados aos ńıveis de energia de sistemas dessa natureza têm sido posśıveis através de métodos aproximativos. Em geral, os sistemas analisados representam part́ıculas sujeitas a potenciais de força central. Potenciais tipo Lennard- Jones (12,6) e Morse servem como exemplos [3, 4]. Um passo adicional nessa linha de estudo é a análise da estrutura eletrônica de moléculas. Por outro lado, sistemas biológicos apresentam comportamentos que sugerem a existência de confinamento, sendo particularmente sugestivo o estudo do śıtio ativo em protéınas. O śıtio ativo é associado a uma região espećıfica da macromolécula e pode ser considerado isolado do restante desta. Dados obtidos através do Protein Data Bank (PDB) permitem identificar uma cavidade, cujo o raio é da ordem de alguns angstroms, onde moléculas espećıficas são armadilhadas. Um exemplo clássico desse tipo de situação envolve a molécula de oxigênio e a hemoglobina. Atualmente, têm-se utilizado métodos computacionais h́ıbridos (QM/MM) no es- tudo de macromoléculas biológicas [5, 6]. Basicamente, a idéia do QM/MM (Quantum Mechanics/Molecular Mechanics) é proporcionar um tratamento clássico para os entornos pouco significativos da macromolécula em estudo e, na região do śıtio ativo, um trata- mento quântico. Por outro lado, um sistema modelo para o estudo de moléculas diatômicas ar- madilhadas no śıtio ativo de protéınas foi elaborado confinando uma molécula simples em uma cavidade quântica [7]. Nessa oportunidade, a molécula de hidrogênio ionizada foi CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO 12 estudada em regime de confinamento. Entretanto, moléculas mais complexas, que efetiva- mente participam em processos ligante/macromolécula, ainda necessitam ser analisadas em regime de confinamento. O principal objetivo desse trabalho é estudar a estabilidade da molécula de oxigênio (O2) sob confinamento e indicar um posśıvel papel desse confinamento no transporte dessa molécula pela hemoglobina. Objetivando a análise da molécula de oxigênio, inicialmente apresenta-se um estudo das propriedades dinâmicas da molécula de hidrogênio (H2) no estado fundamental. Como os núcleos são muito mais massivos em comparação aos elétrons, é razoável pensar que, para uma pequena perturbação na configuração nuclear, a nuvem eletrônica reorganiza-se instantaneamente. Esta é a idéia central da aproximação de “Bohr-Oppenheimer”[8], que permite o desacoplamento entre as dinâmicas eletrônica (onde os núcleos encontram-se fixos) e nuclear (onde considera-se um potencial efetivo, solução da dinâmica eletrônica, sob qual os núcleos vibram). Mesmo com a separação das partes eletrônica e nuclear, a complexibilidade existente na solução do problema molecular requer a utilização de métodos aproximativos, em particular o Método Variacional [9, 10], para proporcionar resultados referentes aos ńıveis de energia. Entretanto, para uma aplicação bem sucedida do Método Variacional, funções de onda adequadas devem ser determinadas. Tais funções são obtidas utilizando o formalismo ligado à Supersimetria em Mecânica Quântica [11]. Após estudar a molécula de hidrogênio, é analisada a molécula de oxigênio livre e em regime de confinamento. Devido a molécula de oxigênio ser estabilizada por uma dupla ligação qúımica, sendo uma ligação π e uma ligação σ, a “aproximação de Hückel” é utilizada de forma a tratar ambas as ligações de maneira independente. Por fim, como análise final, deseja-se obter um mı́nimo de energia que enfatize uma maior estabilidade da molécula de oxigênio sob determinado regime de confinamento. Tal estabilidade fornece um indicativo do motivo pelo qual o transporte da molécula de oxigênio pela hemoglobina ocorre sem que o este reaja com algum outro componente intermediário antes de chegar ao seu destino. O presentre trabalho está dividido conforme descrito a seguir. No caṕıtulo 2 são abordados os métodos para o cálculo de estrutura molecular que são utilizados no restante do trabalho. No caṕıtulo 3, o Método Variacional e conceitos acerca da Supersimetria (assim como a importante aliança entre ambos) são discutidos. Uma aplicação da base CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO 13 teórica abordada no caṕıtulo 3 é feita no caṕıtulo 4, onde a energia vibracional da molécula de hidrogênio é obtida. O caṕıtulo 5 é responsável pela descrição eletrônica da molécula de hidrogênio, livre e confinada. O caṕıtulo 6 analisa as ligações σ e π da molécula de oxigênio livre e em regime de confinamento. Por fim, o caṕıtulo 7 é reservado para as conclusões. Caṕıtulo 2 A Estrutura Molecular A hipótese da Teoria de Estrutura Molecular, a qual afirma que as moléculas são for- madas por átomos interagindo entre si através de forças interatômicas, é sem dúvida um dos maiores avanços realizados no âmbito da qúımica no século XIX. Entretanto, sem o ad- vento da Teoria Quântica não seria posśıvel responder questões importantes relacionadas a estrutura da matéria. Uma das aplicações mais relevantes da teoria quântica foi a realização de cálculos relacionados à estrutura atômica e à moléculas simples. Dentre estes cálculos destaca-se, historicamente, os estudos mecânico quânticos do átomo de hidrogênio e da molécula de hidrogênio ionizada (H+ 2 ), consolidando-se como marcos no avanço da compreensão de átomos polieletrônicos e estruturas moleculares mais complexas, respectivamente. Neste caṕıtulo, são discutidos aspectos teóricos importantes acerca de duas abor- dagens frequentemente utilizadas na descrição da estrutura molecular: a Teoria do Orbital Molecular e a Teoria da Ligação de Valência [10]. Abordamos com ênfase a descrição das ligações σ e π, enfatizando a aproximação de Hückel no estudo das ligações qúımicas do tipo π. O presente caṕıtulo é dividido em três seções. Na seção 2.1 abordamos a Teoria do Orbital Molecular, enquanto na seção 2.2 abordamos a Teoria da Ligação de Valência. Na seção 2.3 é abordada a aproximação de Hückel (utilizada na descrição das ligações π). CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 15 2.1 Teoria do Orbital Molecular A Teoria do Orbital Molecular [10] permite uma descrição das ligações qúımicas. Segundo tal abordagem, todos os elétrons de valência influenciam mais efetivamente a estabilidade molecular em relação aos elétrons presentes em ńıveis energéticos inferiores. Basicamente, os orbitais atômicos do ńıvel de valência são desconsiderados a partir do momento em que a molécula é formada. Esses orbitais são substitúıdos por um novo tipo de orbital, responsável por descrever os ńıveis de energia referentes às novas dis- tribuições da nuvem eletrônica. Esses novos orbitais são chamadas orbitais moleculares. As formas matemáticas dos orbitais moleculares são complexas, até para moléculas simples, como, por exemplo, a molécula de hidrogênio ionizada. Assim, muitos traba- lhos modernos constroem aproximações para o orbital molecular modelando-o através da combinação linear dos orbitais atômicos dos átomos componentes da molécula. Para a molécula de hidrogênio ionizada, o orbital molecular (Ψ) pode ser descrito por: Ψ ∝ ΨA ±ΨB, (2.1) onde ΨA(B) corresponde ao orbital atômico do átomo A(B) e, neste caso, o sinal +(−) indica que o orbital é ligante(anti-ligante). Uma atenção maior é dada aos orbitais ligantes devido suas energias serem menores em comparação com a dos orbitais anti-ligantes, fato que faz dos primeiros mais interes- santes para manter a coesão molecular. Podemos analisar essa propriedade explorando o caráter ondulatório dos orbitais atômicos. Na região internuclear, os orbitais ligantes tem interferência construtiva e a amplitude da função de onda molecular aumenta nessa região (Figura 2.1). Como a amplitude aumenta, a probabilidade de se encontrar o elétron em uma posição internuclear, ou seja, em uma posição favorável para interagir fortemente com os núcleos, também aumenta e consequentemente a energia da molécula é menor em relação a energia obtida no tratamento individual de um elétron interagindo com um único núcleo. 2.2 Teoria da Ligação de Valência Na Teoria da Ligação de Valência [10] pode-se considerar que uma ligação qúımica (ligação covalente) é formada quando um elétron em um orbital atômico da camada de valência CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 16 Figura 2.1: Representação da função radial do orbital molecular ligante, em negrito, ao longo do eixo internuclear. Observe que há um crescimento da amplitude entre os núcleos, assim há um aumento da probabilidade de se encontrar os elétrons ligantes nesta região [12]. emparelha seu spin com o de um elétron existente no orbital atômico da camada de valência de outro átomo, permitindo o aparecimento de um orbital molecular. Para iniciar a análise, consideremos uma estrutura molecular contendo um tipo simples de ligação qúımica, por exemplo a molécula de hidrogênio neutra. Quando os dois átomos (no estado fundamental) encontram-se demasiadamente afastados, podemos assumir que um dos elétrons (elétron 1) está no orbital 1s do átomo A e o outro elétron (elétron 2) encontra-se no orbital 1s do átomo B. Representando os orbitais dos átomos A e B por ΨA e ΨB, respectivamente, a função de onda responsável por descrever os dois elétrons, Ψ, é: Ψ ∝ ΨA(1)ΨB(2). (2.2) Por outro lado, quando a distância entre os átomos for mı́nima (distância de uma ligação qúımica), ainda pode ser verdade que o elétron 1 se encontre no orbital 1s do átomo A e o elétron 2 no orbital 1s do átomo B. Entretanto, devido a indistinguibilidade dos elétrons, é igualmente provável que o elétron 1 se encontre no orbital 1s do átomo B e o elétron 1 no orbital 1s do átomo A. Neste novo caso, a função de onda é: Ψ ∝ ΨA(2)ΨB(1). (2.3) De acordo com a teoria quântica, quando duas funções de onda podem ser usadas para descrever um sistema, a solução geral é obtida como sendo a combinação linear CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 17 de ambas. Portanto, a função de onda que representa a dinâmica dos dois elétrons na molécula de hidrogênio neutra, no estado fundamental, é: Ψ ∝ ΨA(1)ΨB(2) + ΨA(2)ΨB(1). (2.4) De acordo com o prinćıpio de exclusão de Pauli, a função de onda (2.4) somente é definida caso os elétrons encontrem-se emparelhados (com spins contrários). Logo, o emparelhamento dos spins dos elétrons permite a formação de ligações qúımicas e a sobreposição dos orbitais é que da origem as ligações. Como (2.4), no caso da molécula de hidrogênio neutra, é constrúıda através da superposição de orbitais hidrogenóides H1s, a distribuição eletrônica na molécula assume uma simetria ciĺındrica em torno do eixo internuclear (Figura 2.2). Uma função de onda que apresenta tais propriedades simétricas é chamada ligação σ. Figura 2.2: Uma ligação σ é formada quando dois elétrons, em orbitais atômicos vizinhos, emparelham- se (a) e os orbitais se sobrepõem formando uma nuvem eletrônica com simetria ciĺındrica (b) [12]. Para moléculas constitúıdas por átomos que contribuem com mais de um elétron para a ligação, podemos utilizar uma descrição semelhante. Por exemplo, para construir a descrição da ligação de valência da molécula de nitrogênio (N2), consideramos a configu- ração dos elétrons de valência de cada átomo, que é 2p1 x2p 1 y2p 1 z. Convencionando-se o eixo z como eixo internuclear podemos imaginar cada átomo como tendo um orbital 2pz apon- tando para um orbital 2pz do outro átomo, e com os orbitais 2px e 2py perpendiculares ao eixo (Figura 2.3). Cada um dos orbitais p está ocupado por um elétron, assim podemos CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 18 assumir a molécula como formada pela superposição de orbitais em átomos vizinhos e o emparelhamento dos elétrons que os ocupam. Figura 2.3: Os elétrons nos orbitais 2pz emparelham-se para formar uma ligação de simetria ciĺındrica enquanto os orbitais 2px e 2py, perpendiculares ao eixo z, formam ligações π [12]. Através da superposição dos dois orbitais 2pz e do emparelhamento de seus elétrons podemos observar uma ligação σ, porém, os orbitais p restantes não geram a mesma ligação devido a não existência de simetria ciĺındrica ao redor do eixo internuclear. Nesse caso, os orbitais 2px se sobrepõem e os dois elétrons emparelham para formar uma tipo diferente de ligação, chamada ligação π. De maneira semelhante, os orbitais 2py também se sobrepõem e os seus elétrons também formam uma ligação π. Em geral, uma ligação π surge da sobreposição de dois orbitais p que se aproximam lateralmente e do emparelhamento de seus elétrons. Portanto, segue-se que o padrão de ligação da molécula de nitrogênio é uma ligação σ mais duas ligações π, que é consistente com a estrutura de Lewis onde os átomos de nitrogênio estão unidos através de uma ligação tripla. CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 19 2.3 Aproximação de Hückel A Teoria do Orbital Molecular, discutida na seção 2.1 deste caṕıtulo, trata-se de uma abordagem eficiente na descrição de sistemas moleculares. Como exemplo, podemos en- fatizar os bons resultados obtidos para a energia do estado fundamental da ligação σ da molécula de hidrogênio ionizada, livre e confinada em uma cavidade quântica elipsoidal, na referência [7]. Entretanto, quando nos deparamos com moléculas estabilizadas por mais de uma ligação qúımica temos que considerar ligações do tipo π. Por exemplo, a molécula de oxigênio se mantém estabilizada por uma dupla ligação qúımica, sendo uma do tipo σ e outra do tipo π. Nestes casos, a aproximação proposta por Erich Hückel, em 1931, é de grande valia para se determinar o valor da ligação π independentemente da ligação σ [12]. As ligações π, segundo a aproximação de Hückel, são analisadas separadamente das ligações σ, sendo que as ligações σ são responsáveis por constituir um esqueleto ŕıgido (fixo) que determina a forma geral da molécula. Logo, para deteminar o valor da energia de uma ligação π devemos admitir algumas aproximações (dáı o termo aproximação de Hückel) propostas por Hückel. Tais aproximações para moléculas poliatômicas são: 1. Todas as integrais de sobreposição (Overlap) são nulas. 2. Todas as integrais de ressonância entre átomos que não sejam vizinhos são nulas. 3. Todas as integrais de ressonância remanescentes são iguais entre si. As aproximações indicadas podem ser diretamente adaptadas para se estudar uma molécula diatômica homonuclear (constitúıda por átomos A e B) cujo orbital molecular é dado por Ψ = cAA + cBB, onde cA e cB são os pesos de cada orbital atômico dentro do orbital molecular. Assim, o valor esperado do operador Hamiltoniano do sistema, Ĥ, é dado por: 〈Ĥ〉 = E = ∫ V Ψ∗ĤΨ dV∫ V |Ψ|2 dV = c2 AαA + c2 BαB + 2cAcBβ c2 A + c2 B + 2cAcBS , (2.5) onde αA e αB são as integrais de Coulomb (dos tipos ∫ V A ∗ĤA dV e ∫ V B ∗ĤB dV ), β é a integral de ressonância (dos tipos ∫ V A ∗ĤB dV e ∫ V B ∗ĤA dV ) e S é a integral de sobreposição (dos tipos ∫ V A ∗B dV e ∫ V B ∗AdV ). O determinante secular da referida molécula é constrúıdo através do sistema de equações que surge da minimização da CAPÍTULO 2. A ESTRUTURA MOLECULAR 20 Eq. (2.5) em relação aos parâmetros cA e cB [12]. O determinante secular, neste caso, é: det  αA − E β − ES β − ES αB − E  = 0. (2.6) Utilizando a aproximação de Hückel, o que, nesse caso, equivale a fazer S = 0, o determinante secular da Eq. (2.6) resulta em: det  α− E β β α− E  = (α− E)2 − β2 = 0, (2.7) onde as ráızes desta equação são: E± = α± β, (2.8) onde αA = αB = α devido a molécula analisada ser do tipo homonuclear. Portanto, utilizando-se um orbital molecular adequado, a Eq. (2.8) fornece os au- tovalores de energia, ligante (+) e anti-ligante (-), para a ligação π. Caṕıtulo 3 O Método Variacional e a Supersimetria O formalismo supersimétrico [11], durante os últimos anos, vem sendo amplamente uti- lizado no contexto da mecânica quântica e, em particular, têm sido usado para resolver a equação de Schrödinger. Neste sentido, a supersimetria pode ser entendida como uma generalização do método de fatorização da equação de Schrödinger. Em problemas quânticos analiticamente solúveis, as autofunções e os autovalores podem ser determinados fazendo-se uso da superálgebra. Entretanto, quando o sistema quântico em estudo não apresenta solução anaĺıtica/exata, a superálgebra também mostra- se útil em abordagens aproximadas, como por exemplo, o Método Variacional [9, 10]. O Método Variacional têm sido amplamente explorado na determinação de auto- valores de energia (estados fundamental e excitado) de sistemas quânticos. A abordagem tradicional deste método consiste em determinar uma função de onda, chamada função teste, a ser utilizada na obtenção do autovalor de energia do sistema quântico estudado. Por mais trivial que pareça, determinar uma função de onda adequada não é uma tarefa simples. Um caminho para obter tal função é através do formalismo supersimétrico. O formalismo resultante da junção entre o Método Variacional e a supersimetria têm sido empregado com sucesso tanto na análise de problemas quânticos exatamente solúveis via equação de Schrödinger, quanto para aqueles cujo a solução anaĺıtica/exata não pode ser determinada [3, 4, 13]. O presente caṕıtulo é dividido em duas seções. Na seção 3.1 o Método Variacional é apresentado, enquanto na seção 3.2 o formalismo supersimétrico é abordado para a CAPÍTULO 3. O MÉTODO VARIACIONAL E A SUPERSIMETRIA 22 descrição de problemas envolvendo (ou não) confinamento. 3.1 O Método Variacional Afim de desenvolver o Método Variacional, consideramos um sistema quântico tridimen- sional não-relativ́ıstico composto por uma part́ıcula de massa m e sob influência de um potencial de força central V (r). Esse sistema pode ser descrito pela equação radial de Schrödinger independente do tempo: − h̄2 2m ( 2 r d dr + d2 dr2 ) Ψ(r) + Veff (r)Ψ(r) = EΨ(r), (3.1) onde Ψ(r) é a função de onda e E o autovalor de energia que descrevem o sistema. O potencial efetivo, Veff (r), é definido como a soma entre o potencial original V (r) e o termo de barreira de potencial que é proporcional a l(l+1) r2 , onde l representa o número quântico do momento angular. A função de onda Ψ(r) pode ser escrita como uma expansão em série de autofunções φε(r) relativas ao operador Hamiltoniano que descreve o sistema, ou seja: Ψ(r) = ∑ ε Aεφε(r), (3.2) onde Aε está relacionado a probabilidade de ocorrência do autoestado φε(r). Logo, calculando o valor esperado do operador Hamiltoniano fazendo uso da Eq. (3.2), temos: 〈Ĥ〉 = ∫ R3 Ψ∗(r)ĤΨ(r) d3r = ∑ ε ∑ ε′ A∗εAε′ ∫ R3 φ ∗ ε(r)Ĥφε′(r) d 3r. (3.3) Sendo φε(r) autofunção do operador Hamiltoniano, ela deve satisfazer a equação de Schrödinger independente do tempo (expressa por Ĥφε(r) = Eφε(r)). Substituindo este resultado em (3.3), obtemos: 〈Ĥ〉 = ∑ ε ∑ ε′ A∗εAε′E ′ ∫ R3 φ ∗ ε(r)φε′(r) d 3r. (3.4) A condição de ortonormalidade indica que a integral existente em (3.4) somente é diferente de zero se ε = ε′, onde ∫ R3 φ∗ε (r)φε′(r) d 3r = 1. Então, a Eq. (3.4) se reduz a: 〈Ĥ〉 = ∑ ε |Aε|2E. (3.5) CAPÍTULO 3. O MÉTODO VARIACIONAL E A SUPERSIMETRIA 23 Substituindo cada autovalor E em (3.5) pelo autovalor de energia do estado fun- damental E0, podemos estabelecer a seguinte desigualdade: ∑ ε |Aε|2E ≥ ∑ ε |Aε|2E0 = E0, (3.6) sendo ∑ ε |Aε|2 = 1, admitindo-se que a função de onda está normalizada. Portanto, levando em conta a Eq. (3.6), chegamos a seguinte equação:∫ R3 Ψ∗(r)ĤΨ(r) d3r ≥ E0. (3.7) Analisando o resultado obtido, podemos concluir que se uma função de onda qual- quer for usada para calcular o autovalor de energia, o resultado sempre será um limite superior da energia exata. Essa conclusão é a essência do Método Variacional. Caso a função de onda não for normalizada, a Eq. (3.7) toma a seguinte forma:∫ R3 Ψ∗(r)ĤΨ(r) d3r∫ R3 |Ψ(r)|2 d3r ≥ E0. (3.8) Para melhorar a eficiência do método, a função teste é geralmente escrita em termos de um conjunto de parâmetros {α}, chamados parâmetros variacionais, os quais permitem minimizar o valor de energia obtido e aproximá-lo ainda mais do valor exato. Vale ressaltar que embora o Método Variacional tenha sido utilizado amplamente para a determinação de autovalores de energia para o estado fundamental. Entretanto, não existe nenhuma restrição formal ao seu uso para determinar autovalores de energia de estado excitados. 3.2 Mecânica Quântica Supersimétrica: O Método de Fatorização da Equação de Schrödinger Como foi mencionado anteriormente, a principal dificuldade existente na aplicação do Método Variacional é a determinação de uma função de onda teste adequada. Uma maneira para obter uma função de onda apropriada é utilizar conceitos relacionados a Supersimetria, os quais são discutidos nesta seção. Um método alternativo para resolver a equação de Schrödinger pode ser introduzido reescrevendo-a em uma forma fatorada (assumindo, por simplicidade, h̄ = 2m) [14]:( − d dr + w(r) )( d dr + w(r) ) ψ(r) = 0, (3.9) CAPÍTULO 3. O MÉTODO VARIACIONAL E A SUPERSIMETRIA 24 que, após seu desenvolvimento, resulta em: −d 2ψ(r) dr2 + [w2(r)− w′(r)]ψ(r) = 0, (3.10) sendo w(r) chamado superpotencial e Ψ(r) = ψ(r) r (simplificação que elimina a derivada de primeira ordem em (3.1), possibilitando a comparação com a Eq. (3.10). A comparação entre (3.10) e a Eq. (3.1), resulta em uma equação de Riccati: w2(r)− w′(r) = Veff (r)− E. (3.11) Para determinar a função de onda basta analisar (3.9) e observar que, primeira- mente, é aplicado o termo ( d dr + w(r) ) à função de onda. Conseqüentemente, para manter- se a igualdade 3.9, é suficiente que: dψ(r) dr + w(r)ψ(r) = 0, (3.12) onde a solução desta equação diferencial de primeira ordem é: ψ(r) ∝ exp ( − ∫ w(r) dr ) . (3.13) É importante ressaltar que o problema para determinar a função de onda iniciou-se de uma equação diferencial de segunda ordem e transformou-se em uma equação diferencial de primeira ordem que, em geral, é mais simples de resolver. Assim, quando a equação de Riccati é resolvida, obtém-se uma função de onda para o estado fundamental do problema tratado. Infelizmente, a solução da equação de Riccati em termos de funções elementares somente é posśıvel para um número muito restrito de potenciais. Entretanto, mesmo sem obter uma solução exata, é posśıvel procurar uma solução aproximada, waprox(r), para o superpotencial. Essa solução gera uma função de onda, através da Eq. (3.13), que deve fornecer uma função teste apropriada para o Método Variacional. O uso do formalismo supersimétrico no estudo de problemas tridimensionais per- mite identificar várias funções teste para o problema tratado. De imediato, é posśıvel obter uma função de onda para cada valor do número quântico do momento angular. Até esse ponto, o formalismo matemático fornece um caminho para a descrição, com boa aproximação, de qualquer sistema quântico não-confinado e cuja solução anaĺıtica via equação de Schrödinger não é posśıvel de ser obtida. Entretanto, para inserir confinamento algumas adaptações devem ser consideradas. Uma adaptação, sugerida em [15], consiste CAPÍTULO 3. O MÉTODO VARIACIONAL E A SUPERSIMETRIA 25 em adicionar um termo ao superpotencial referente ao sistema não-confinado. Esse termo é Constante R−r , sendo R o raio de confinamento. Esse termo adicional cria, no potencial original, uma barreira infinita quando r → R, que é responsável pelo armadilhamento do sistema. Esse procedimento foi usado com sucesso para o confinamento dos potenciais de Lennard-Jones (12,6) [16] e de Morse [17]. É importante lembrar que, como teste de consistência, os resultados para o caso não-confinado devem ser re-obtidos quando se toma o limite R→∞. O termo constante, no numerador do termo de armadilhamento, representa um parâmetro variacional extra ao problema. Porém, seguindo a proposta sugerida em [18], definimos o termo constante no numerador como sendo igual a unidade. Tal aproximação pode ser feita devido a observação de que os resultados, considerando-se o termo cons- tante como um parâmetro variacional extra ou como a unidade, não apresentam grande discrepância dos resultados numéricos obtidos. Assim, seguindo o procedimento descrito aqui, o superpotencial para o sistema confinado, wconf (r), é escrito como sendo a soma entre o superpotencial sem confinamento, wnconf (r), e o termo de armadilhamento, 1 R−r , ou seja: wconf (r) = wnconf (r) + 1 R− r . (3.14) Caṕıtulo 4 Energia Vibracional Molecular Em 1929, foi proposta por P. M. Morse uma função, denominada potencial de Morse, que descreve o espectro vibracional em moléculas diatômicas [19]. Entretanto, para o potencial de Morse tridimensional, a equação de Schrödinger é analiticamente solúvel apenas quando o número quântico do momento angular é nulo. Nos demais casos, métodos aproximativos se mostram necessários para a obtenção de soluções da equação de Schrödinger [4, 20, 21, 22]. Devido a essas dificuldades matemáticas, o potencial de Morse muitas vezes é aproximado ao potencial harmônico. Diversos métodos aproximativos proporcionam soluções satisfatórias para a equação de Schrödinger, dentre os quais o Método Variacional [9, 10], que aliado a Mecânica Quân- tica Supersimétrica, vem sendo aplicado com sucesso nesse contexto [15, 16, 18]. Logo, a idéia deste caṕıtulo é utilizar a base teórica discutida nos caṕıtulos anteriores e obter valores para a energia vibracional da molécula de hidrogênio confinada. 4.1 O Potencial de Morse Confinado Para uma molécula diatômica, o potencial de Morse tridimensional pode ser escrito da seguinte forma [19]: VM(r) = D {exp [−2a (r − re)]− 2 exp [−a (r − re)]} , (4.1) sendo D a energia de dissociação, re a distância internuclear de equiĺıbrio e a é um parâmetro relacionado com a frequência vibracional de uma molécula diatômica. Escrevendo a equação de Schrödinger tridimensional para o potencial de Morse em termos de uma nova variável (x = ar) e substituindo a função de onda original, ψ(r), por CAPÍTULO 4. ENERGIA VIBRACIONAL MOLECULAR 27 ψ(r) = φ(r) r , obtem-se [4]: −−d 2φ(x) dx2 + λ2 {exp [−2 (x− xe)]− 2 exp [− (x− xe)]}φ(x) + l(l + 1) x2 φ(x) = εφ(x), (4.2) onde as constantes são: λ2 = 2µD a2h̄2 ; ε = 2µEM a2h̄2 , (4.3) sendo xe = are e µ corresponde à massa reduzida da molécula em estudo. Assim, o operador Hamiltoniano para um sistema descrito pelo potencial de Morse somado ao termo de barreira de potencial pode ser escrito como: ĤM(x) = − d2 dx2 + λ2 {exp [−2 (x− xe)]− 2 exp [− (x− xe)]}+ l(l + 1) x2 . (4.4) O problema envolvendo o potencial de Morse sem confinamento já foi tratado utilizando o Método Variacional aliado à Supersimetria [4]. Neste caso, o superpotencial sugerido foi: wM,nconf (x) = λ exp [− (x− xe)]− l + 1 x + γ, (4.5) sendo γ o parâmetro variacional. Conhecendo o superpotencial para o sistema livre, podemos obter o superpotencial para o sistema confinado utilizando uma analogia da prescrição dada na Eq. (3.14). Tal analogia toma por base a inserção do confinamento tanto para valores grandes quanto para valores pequenos da variável restritiva de espaço, preservando o mı́nimo do potencial dentro da região de confinamento. Logo, propomos a inserção de um segundo termo de armadilhamento na Eq. (3.14). Tal termo é − 1 r−R′ . Esse termo proporciona uma segunda barreira infinita para valores pequenos de r. Assim, o superpotencial resultante é: wM,conf (r) = wM,nconf (r) + 1 R− r − 1 r −R′ , (4.6) onde R′ corresponde ao raio mı́nimo de confinamento e seu valor mı́nimo pode variar de zero até o valor da distância internuclear de equiĺıbrio. Assim, o superpotencial para o sistema confinado é: wM,conf (r) = λ exp [− (x− xe)]− l + 1 x + γ + 1 X − x − 1 x−X ′ , (4.7) onde X = aR e X ′ = aR′. CAPÍTULO 4. ENERGIA VIBRACIONAL MOLECULAR 28 De acordo com a Eq. (3.13), utilizando o superpotencial para o sistema confinado, Eq. (4.7), a função teste a ser utilizada no Método Variacional é: φM,γ(x) ∝ x(l+1)(X − x)(x−X ′) exp {exp [− (x− xe)]− γx} . (4.8) Da forma como foi desenvolvido o problema, observa-se que a função teste sugerida, Eq. (4.8), depende apenas de um parâmetro variacional, γ. Assim, a energia variacional é obtida através da minimização do valor esperado da energia com relação a esse parâmetro. A expressão da energia para o sistema, a ser minimizada, é dada por: ε = ∫X X′ φM,γ(x)∗(r)ĤM(x)φM,γ(x) dx∫X X′ |φM,γ(x)|2 dx . (4.9) O próximo passo é obter resultados numéricos para a energia vibracional da molécula de hidrogênio neutra, os quais são apresentados na próxima seção. 4.2 Energia Vibracional da Molécula de Hidrogênio Neutra Como mencionado ao final da seção anterior, a molécula diatômica a ser tratada como exemplo da abordagem introduzida é a molécula de hidrogênio neutra. Os parâmetros do potencial de Morse para esta molécula são: D = 4, 7446 eV , a = 1, 9426, re = 0, 7416 Å e m = 0, 50391 u.m.a [4]. Os autovalores de energia, obtidos pela minimização da Eq. (4.9) com respeito ao parâmetro variacional, para a molécula de hidrogênio neutra estão expostos nas Tabelas 4.1 e 4.2. Na Tabela 4.1 estão apresentados os resultados para valores distintos para o raio de confinamento e l = 0, enquanto na Tabela 4.2 são mostrados valores obtidos para ∆X = 0, 4 (valor escolhido sem um motivo espećıfico) com valores variados de l. Considerando a estrutura da superálgebra, são determinados pela função de onda sugerida apenas o ńıvel de mais baixa energia para cada valor de l. Construindo um gráfico (Figura 4.1) com os valores apresentados na Tabela 4.1, observamos o comportamento usual de sistemas confinados, ou seja, observa-se que quanto maior são os valores para o parâmetro de confinamento, representado por ∆X, os auto- valores de energia tendem ao valor obtido para o caso livre (não-confinado) e para valores CAPÍTULO 4. ENERGIA VIBRACIONAL MOLECULAR 29 Tabela 4.1: Autovalores de energia (em hartrees) para diversos valores de ∆X (em múltiplos de xe a ) para a molécula de hidrogênio neutra considerando l = 0. O sistema livre é representado por ∆X =∞. X −X ′ = ∆X γ EM 0,10 18,81 0,11757 0,20 18,78 -0,10126 0,40 18,46 -0,15359 0,80 17,34 -0,16344 1,20 17,37 -0,16428 1,60 17,46 -0,16442 2,00 17,51 -0,16445 ∞ — -0,16448 pequenos deste mesmo parâmetro os valores de energia tendem a crescer, evidenciando a instabilidade do sistema em estudo. Figura 4.1: Relação entre o autovalor de energia vibracional do estado fundamental da molécula hidrogênio confinada, EM , em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ∆X, em múltiplos de xe a . CAPÍTULO 4. ENERGIA VIBRACIONAL MOLECULAR 30 O valor para o sistema livre (indicado por ∆X =∞ na Tabela 4.1) obtido usando a função de onda dada pela Eq. (4.8) está muito próximo ao resultado obtidos através de outros métodos [4, 21, 24], por exemplo, o resultado obtido através do método de expansão 1 N modificada é EM = −0, 164489 [21]. Outra comparação pode ser feita utilizando os valores obtidos pelo Método Variacional no estudo do sistem livre (não-confinado), onde se observa que os resultados concordam com os expostos na Tabela 4.1 para ∆X = ∞ [4], com diferenças ı́nfimas que podem ser atribúıdas a erros numéricos da integração da Eq. (4.9). Tabela 4.2: Autovalores de energia (em hartrees) para diversos valores de l e ∆X = 0, 4 (em múltiplos de xe a ) para a molécula de hidrogênio neutra. l γ EM 5 18,19 -0,14481 10 17,50 -0,12167 15 16,51 -0,08484 20 15,36 -0,03512 25 14,20 -0,02679 Dos resultados mostrados na Tabela 4.1, observa-se que a energia do estado fun- damental decresce conforme o valor do parâmetro de confinamento cresce, até atingir o valor de energia do sistema livre. Caṕıtulo 5 A Molécula de Hidrogênio (H2) 5.1 Molécula de Hidrogênio Livre A molécula de hidrogênio neutra, (H2), é uma molécula diatômica homonuclear composta por dois elétrons e dois prótons que interagem eletricamente entre si através de forças coulombianas. Além disso, a estabilidade da molécula é proporcionada por uma ligação qúımica do tipo σ oriunda da interação entre os dois elétrons que compõem a molécula. A Figura 5.1 representa o sistema de coordenadas molecular em questão e suas respectivas distâncias relativas. Em geral, para determinar o espectro de energia de uma molécula é necessário definir seu operador Hamiltoniano, responsável pela dinâmica do sistema. No caso da molécula de hidrogênio neutra, em unidades atômicas, temos: Ĥ = −1 2 ∇2 1− 1 2 ∇2 2− 1 2mA ∇2 A− 1 2mB ∇2 B− 1 rA(1) − 1 rA(2) − 1 rB(1) − 1 rB(2) + 1 r12 + 1 RAB , (5.1) sendo mA,B a massa dos prótons A e B, respectivamente, os outros śımbolos seguem a indicação da Figura 5.1. Vale ressaltar que, em unidades atômicas, a massa do elétron, a constante de Planck dividida por 2π (h̄) e a carga elementar assumem valores unitários. Logo, a equação de Schrödinger independente do tempo para a molécula de hidrogênio neutra é representada através da seguinte equação de autovalor: ĤΨe,n = EΨe,n, (5.2) onde Ψe,n = Ψe,n({r} , {R}) representa a função de onda molecular, E corresponde a energia total da molécula, {r} representa o conjunto de coordenadas eletrônicas e {R} o conjunto de coordenadas nucleares. CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 32 Figura 5.1: Representação espacial da molécula de hidrogênio neutra. Nesse sistema de coordenadas, A e B representam os núcleos dos átomos de hidrogênio e os números 1 e 2 representam os dois elétrons que compõem a molécula. Logo, os parâmetros R representam vetores posição relacionados aos núcleos dos átomos de hidrogênio. Por outro lado, os parâmetros r representam vetores posição relacionados aos elétrons consitúıntes da molécula. Devido a complexidade do problema, a equação de Schrödinger, Eq. (5.2), é anaĺıti- camente insolúvel. Assim, faz-se necessária uma aproximação que permita a separação entre a parte eletrônica (que, na aproximação de Born-Oppenheimer, considera-se am- bos os núcleos parados) e a parte nuclear (onde considera-se um potencial efetivo para simular as vibrações nucleares). Isso pode ser feito levando-se em consideração o fato dos núcleos atômicos serem muito mais massivos em comparação ao elétron (um próton tem massa aproximadamente 1836 vezes superior a massa do elétron). Então, para uma pequena perturbação na configuração nuclear, é razoável pensarmos em uma reorganiza- ção instantânea da nuvem eletrônica. Esta situação é conhecida como “aproximação de Born-Oppenheimer”[8]. Utilizando-se a“aproximação de Born-Oppenheimer”, a Eq. (5.2) pode ser reescrita em duas partes: ĤeΨe({r} ; {R}) = V ({R})Ψe({r} ; {R}) (5.3) ĤnΨn({R}) = EΨn({R}), (5.4) onde Ψe({r} ; {R}) corresponde a função de onda eletrônica, Ψn({R}) a função de onda CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 33 nuclear e V ({R}) = V (RAB) corresponde a energia eletrônica para uma determinada configuração nuclear, considerando o potencial efetivo ao qual os núcleos estão submetidos. Na aproximação adotada, a função de onda eletrônica é explicitamente dependente das coordenadas eletrônicas e parametricamente das coordenadas nucleares. Portanto, a Eq. (5.3) deve ser resolvida para alguns valores de distância internuclear obtendo-se um conjunto finito de energias eletrônicas e, a partir da interpolação destes valores, a função V (RAB) é gerada. O operador Hamiltoniano eletrônico, referente a Eq. (5.3), é dado por: Ĥe = −1 2 ∇2 1 − 1 2 ∇2 2 − 1 rA(1) − 1 rA(2) − 1 rB(1) − 1 rB(2) + 1 r12 + 1 RAB , (5.5) enquanto a Eq. (5.4) descreve o movimento nuclear, cujo operador Hamiltoniano nuclear é: Ĥn = − 1 2mA ∇2 A − 1 2mB ∇2 B + V (RAB). (5.6) O interese, a priori, é a análise da equação que descreve o movimento eletrônico e, portanto, a ligação qúımica σ. A parte nuclear pode ser simulada pelo potencial de Morse, e sua análise já foi feita no caṕıtulo anterior. Logo, o caminho usual para resolver problemas de estrutura eletrônica molecular é escrever a função de onda Ψe({r} ; {R}) como combinação linear dos orbitais atômicos referente aos átomos da molécula. Esse procedimento foi discutido com detalhes no caṕıtulo 2. Utilizando-se a“Teoria do Orbital Molecular”em conjunto com a“Teoria do Orbital de Valência”, definiremos a função de onda (orbital molecular) como a combinação linear do produto de dois orbitais hidrogenóides 1s (já normalizados), ou seja: Ψe({r} ; {R}) = N [ΦA(1)ΦB(2)± ΦA(2)ΦB(1)] , (5.7) sendo N a constante de normalização do orbital molecular e Φi(j) = 1√ πa30 exp ( − ri(j) a0 ) correspondem aos orbitais atômicos, onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O sinal +(−) indica que o orbital molecular é ligante(anti-ligante). Neste trabalho é considerado somente o “Orbital Ligante”, por este proporcionar uma maior estabilidade à ligação qúımica e, conseqüentemente, à molécula. Portanto, vamos desconsiderar o sinal negativo na Eq. (5.7) referente ao Orbital Molecular Anti- ligante. CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 34 A expressão do valor esperado do Hamiltoniano, referente a parte eletrônica da molécula, é dada por: 〈Ĥe〉 = ∫ V Ψ∗e({r} ; {R})ĤeΨe({r} ; {R}) dV∫ V |Ψe({r} ; {R})|2 dV , (5.8) que após um pouco de manipulação algérica (vide Apêndice A) resulta em: 〈Ĥe〉 = 2EH1s + J +K 1 + S + 1 RAB , (5.9) onde EH1s corresponde ao autovalor de energia do átomo de hidrogênio e: J = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)Ĥ ′ΦA(1)ΦB(2) dV = ∫ V ΦA(2)ΦB(1)Ĥ ′ΦA(2)ΦB(1) dV (inte- gral de Coulomb), K = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)Ĥ ′ΦA(2)ΦB(1) dV = ∫ V ΦA(2)ΦB(1)Ĥ ′ΦA(1)ΦB(2) dV (inte- gral de Troca), S = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) dV = ∫ V ΦA(2)ΦB(1)ΦA(1)ΦB(2) dV (integral de Overlap), sendo Ĥ ′ = − 1 rB(1) − 1 rB(2) + 1 r12 . As integrais J , K e S podem ser calculadas analiticamente para a molécula de hidrogênio livre [12]. Entretanto, para solucioná-las devemos adotar um sistema de coor- denadas apropriado, isto é, que leve em consideração a simetria da molécula. Assim, em primeiro lugar, nota-se que o problema referente à uma molécula diatômica possui simetria axial. Dessa forma, um sistema de coordenadas apropriado para a descrição molecular é o eliptico confocal. A origem deste sistema de coordenadas é, apropriadamente, colocada sobre o eixo internuclear, entre os núcleos. Assim, o eixo de simetria axial z coincide com o eixo internuclear e ϕ é caracterizado como o ângulo de rotação dos elétrons em torno do eixo de simetria axial. Levando em conta a simetria do problema, o sistema de coordenadas eĺıptico con- focal é definido a partir das relações [10]: ξj = rA(j) + rB(j) RAB ; ηj = rA(j) − rB(j) RAB ;ϕ = ϕ, (5.10) onde j = 1, 2 e ϕ é o ângulo azimutal. O elemento de volume neste sistema de coordenadas é dado por: dVj = R3 AB 8 ( ξ2 j − η2 j ) dξjdηjdϕ, (5.11) sendo que os limites de integração para as variáveis são 1 ≤ ξj ≤ ∞, −1 ≤ ηj ≤ 1 e 0 ≤ ϕ ≤ 2π. CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 35 Portanto, conhecendo-se os valores numéricos para as integrais J , K e S (vide apêndices B, C e D), tomando RAB ≈ 1, 4 bohrs e sabendo que, para o estado fundamental, EH1s = −0, 5 hartree, o autovalor de energia eletrônica do estado fundamental da molécula de hidrogênio neutra é, em hartrees, aproximadamente: 〈Ĥe〉 = 2EH1s + J +K 1 + S + 1 RAB ≈ −1, 1035. (5.12) Este é um resultado próximo ao valor obtido via o método de Monte Carlo Quân- tico [26], que fornece o valor aproximado de −1, 16367 hartrees para a energia do estado fundamental da molécula de hidrogênio neutra. A diferença entre os resultados, de apro- ximadamente −0, 06 hartrees, pode ser atribúıdo a outras contribúıções como a energia vibracional e rotacional da molécula. Vale ressaltar que a contribuição vibracional foi calculada no caṕıtulo 4. Por fim, é importante mencionar que para a molécula de hidrogênio optou-se por não introduzir parâmetros variacionais no orbital molecular. Tal decisão baseou-se em dois pontos principais: 1) Já foi observado que o orbital molecular escrito como combinação linear de orbitais atômicos hidrogenóides já foi adotado com sucesso na descrição da molécula de hidrogênio ionizada [7] e 2) a introdução de parâmetros variacionais no orbital molecular aumenta radicalmente a complexidade dos cálculos numéricos envolvidos, de tal forma que se torna inviável computacionalmente em vista de um refinamento pequeno nos resultados. 5.2 Molécula de Hidrogênio Confinada Após o estudo da molécula de hidrogênio livre utilizando a abordagem referida nos caṕıtu- los 2 e 3, temos o suporte necessário para estudá-la em regime de confinamento. Analoga- mente ao procedimento adotado para o tratamento da molécula livre, levando em conside- ração a simetria eĺıptica apresentada, o confinamento é inserido através do aprisionamento da molécula no interior de uma cavidade quântica com geometria elipsoidal. Por isso, de- vemos definir um parâmetro para restringir espacialmente o sistema, sendo responsável, efetivamente, pelo apriosionamento da molécula. Neste caso, a variável restritiva encar- regada desta tarefa é a variável eĺıptica ξ, sendo o parãmetro de confinamento indicado por ξc. O parâmetro de confinamento determina o tamanho da cavidade, uma vez que os eixos maior e menor da elipse se relacionam com ele pelas relações: CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 36 Figura 5.2: Representação geométrica da molécula de hidrogênio confinada em uma cavi- dade quântica elipsoidal definida pelo parâmetro de confinamento ξc. Para ilustrar o sistema molecular confinado em estudo, a geometria do sistema é mostrada na Figura 5.2. Analogamente ao orbital molecular livre, o orbital molecular confinado também deve ser constrúıdo através da combinação linear de orbitais atômicos hidrogenóides do tipo 1s. O superpotencial para o átomo de hidrogênio livre é dado por wnconf (r) = − 1 a0 [13]. Entretanto, seguindo a proposta descrição na seção 3.2, ou seja, adicionando o termo 1 R−r ao superpotencial do problema livre, os orbitais atômicos com confinamento apresentam a seguinte forma: Φi(j) ∝ ( R− ri(j) ) exp ( − ri(j) a0 ) , (5.13) onde R é o parâmetro de confinamento. Assim, convertendo a Eq. (5.13) para coordenadas eĺıpticas confocais temos: Φi(j) ∝ ( ξc − ξi(j) ) exp [ −RAB 2a0 ( ξi(j) + ηi(j) )] , (5.14) onde i = A,B, j = 1, 2 e ξc é o parâmetro de confinamento neste novo sistema de coordenadas. Assim, em todas as integrais já introduzidas para o caso livre, o limite de integração da variável restritiva passa a obedecer a restrição 1 ≤ ξ ≤ ξc para o caso confinado. Entretanto, devido a alteração proposta para a variável ξ as integrais, outrora resolvidas analiticamente para o caso livre, são resolvidas numéricamente para o caso confinado. CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 37 Figura 5.3: Curvas dos orbitais atômicos hidrogenóides 1s, obtidos com e sem confina- mento, em função da coordenada radial r (em bohr). Antes de prosseguir na solução da molécula de hidrogênio neutra, uma análise importante a se fazer diz respeito ao orbital atômico hidrogenóide 1s na fronteira de confinamento. Através dessa análise é posśıvel perceber a adequação do orbital molecular proposto para descrever o problema. Para isso, foi constrúıdo um gráfico (Figura 5.3) relacionando o orbital atômico hidrogenóide 1s e a sua coordenada radial, Eq. (5.13). Analisando as curvas apresentadas na Figura 5.3, podemos observar um comporta- mento análogo entre os orbitais atômicos (livre e confinado). Entretanto, como esperado, o orbital atômico, quando confinado, apresenta valor nulo sobre a superf́ıcie que delimita o sistema. Esse comportamento indica que a função sugerida para o orbital atômico hidro- genóide 1s confinado, Eq. (5.13), é um ansatz apropriado para compor o orbital molecular confinado da molécula de hidrogênio neutra. Construindo o orbital molecular da molécula de hidrogênio neutra utilizando a forma dada na Eq. (5.7), utilizando os orbitais atômicos hidrogenóides 1s confinados, Eq. (5.14), obtemos a solução numérica da Eq. (5.12), considerando diferentes valores para o parâmetro de confinamento. Utilizando tais resultados numéricos, constrúımos CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 38 uma tabela com esse valores (Tabela 5.1). Tabela 5.1: Resultados numéricos referentes ao autovalor de energia do estado fundamental (l = 0) da molécula de hidrogênio confinada, em hartrees, para diferentes valores de ξc. 〈Ĥe〉conf ξc -1,112032355 100 -1,118240252 50 -1,121281166 40 -1,126230030 30 -1,135531438 20 -1,154417231 10 -1,155511747 9 -1,154448895 8 -1,148137877 7 -1,128675430 6 -1,073752083 5 -0,910675988 4 -0,339899292 3 2,649424952 2 Analisando os dados da Tabela 5.1, é posśıvel, de maneira mais clara, evidenciar o comportamento esperado para sistemas confinados, ou seja, que para grandes valores do parâmetro de confinamento o autovalor de energia tende ao valor obtido para a molécula livre (≈ −1, 1035 hartrees) e para pequenos valores a energia cresce, chegando a um valor positivo para ξc = 2. No entanto, através da construção de um gráfico com os valores da Tabela 5.1 é posśıvel evidenciar um mı́nimo de energia (Figura 5.4). Analisando o gráfico da Figura 5.4, pode-se observar que, para valores próximos a ξc ≈ 9, encontra-se um mı́nimo de energia. Tal mı́nimo, como evidenciado para a molécula de hidrogênio ionizada (H+ 2 ) [7], indica uma maior estabilidade para a molécula nessa região de confinamento. Por fim, é posśıvel estimar o volume da cavidade quântica em que a molécula apresenta maior estabilidade, o qual é dado pela expressão: V = 4 3 πMm2, (5.15) CAPÍTULO 5. A MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2) 39 Figura 5.4: Relação entre o autovalor de energia do estado fundamental da molécula hidrogênio confinada, em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ξc. onde M = ξcRAB 2 corresponde ao semi-eixo maior e m = RAB 2 √ ξ2 c − 1 corresponde ao semi- eixo menor do elipsóide [23]. Logo, para a molécula de hidrogênio a cavidade quântica de confinamento possui um volume de, aproximadamente, 154 Å3. Caṕıtulo 6 A Molécula de Oxigênio (O2) Diferentemente da molécula de hidrogênio, (H2), a molécula de oxigênio, (O2), é composta por uma dupla ligação qúımica, sendo uma ligação σ e uma ligação π. Logo, a descrição da molécula de oxigênio é uma tarefa mais complexa do que aquela realizada na modelagem da molécula de hidrogênio. Frente à complexidade inerente à modelagem da molécula de oxigênio, algumas aproximações , foram adotadas para a obtenção de resultados. Dessa forma, apesar de cada átomo de oxigênio possuir seis elétrons, são considerados apenas os elétrons da camada de valência (ou seja, consideremos apenas os elétrons que contribuem na composição da ligação qúımica). No entanto, mesmo adotando a simplificação mencionada na parágrafo anterior, o problema ainda permanece altamente complexo. Assim, devemos descrever ambas as ligações (σ e π) de maneira independente utilizando a“aproximação de Hückel”, reduzindo substancialmente a complexidade do problema de forma que a análise consiga ser realizada mais facilmente. A energia total, 〈ĤO2〉, da molécula livre é a soma de, pelo menos, três termos: 〈ĤO2〉 = 〈Ĥσ O2 〉+ 〈Ĥπ O2 〉+ Einteriores, (6.1) onde 〈Ĥσ O2 〉 corresponde a energia referente à ligação σ, 〈Ĥπ O2 〉 corresponde e energia referente à ligação π e o termo Einteriores refere-se à contribuição dos elétrons mais internos da molécula de oxigênio. CAPÍTULO 6. A MOLÉCULA DE OXIGÊNIO (O2) 41 6.1 Molécula de Oxigênio Livre 6.1.1 Ligação σ Iniciando pelo estuda ligação σ da molécula de oxigênio, o problema envolvendo a interação de dois átomo de Oxigênio com quatro elétrons resume-se a apenas interação dos dois átomos de oxigênio com dois elétrons constituintes da referida ligação qúımica. Logo, esse problema assemelha-se ao problema analisado para a ligação σ da molécula de hidrogênio. Como feito no caṕıtulo 5, através da utilização da Teoria do Orbital Molecular em conjunto com a Teoria do Orbital de Valência, a função de onda (orbital molecular) é definida como a combinação linear do produto de dois orbitais atômicos hidrogenóides. Entretanto, diferentemente do orbital utilizado no tratamento da molécula de hidrogênio, os orbitais utilizados são do tipo 2px devido estes serem os orbitais que constituem a ligação σ da molécula de oxigênio. Logo, o orbital molecular é: Ψσ O2 ({r} ; {R}) = N [Φσ A(1)Φσ B(2)± Φσ A(2)Φσ B(1)] , (6.2) sendoN a constante de normalização do orbital molecular e Φσ i (j) ∝ ri(j) cos(θj) exp ( − ri(j) 2a0 ) correspondem aos orbitais atômicos, onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O sinal +(-) indica que o orbital molecular é ligante(anti-ligante). Assim, seguindo o procedi- mento adotado no caṕıtulo 5, o autovalor de energia da ligação σ da molécula de oxigênio é: 〈Ĥσ O2 〉 = 2EO2px + J ±K 1± S + 1 RAB , (6.3) onde EO2px corresponde ao autovalor de energia do orbital 2px do átomo de oxigênio e J , K e S correspondem a integrais semelhantes àquelas mencionadas no caṕıtulo 5. Portanto, calculando-se os valores numéricos para as integrais J , K e S, e a energia do orbital 2px da molécula de oxigênio, o autovalor de energia da ligação σ (ligante e anti- ligante) é, em hartrees, aproximandamente: 〈Ĥσ O2 〉ligante = 2EO2px + J +K 1 + S + 1 RAB ≈ −0, 2091 (6.4) 〈Ĥσ O2 〉anti−ligante = 2EO2px + J −K 1− S + 1 RAB ≈ −0, 1126, (6.5) onde foi adotado para a molécula de oxigênio RAB ≈ 2, 275 bohrs [25]. Os valores obtidos, Eqs. (6.4) e (6.5), são coerentes uma vez que o autovalor de energia ligante é menor que o anti-ligante. CAPÍTULO 6. A MOLÉCULA DE OXIGÊNIO (O2) 42 6.1.2 Ligação π De forma análoga àquela utilizada para a modelagem da ligação σ, o estudo da ligação π segue a mesma linha. Entretanto, para o estudo dessa ligação, utilizamos um orbital molecular constrúıdo por orbitais atômicos hidrogenóides do tipo 2py. Logo, o orbital molecular nesse caso é: Ψπ O2 ({r} ; {R}) = N [Φπ A(1)Φπ B(2)± Φπ A(2)Φπ B(1)] , (6.6) sendoN a constante de normalização do orbital molecular e Φπ i (j) ∝ ri(j) sin(θj) exp ( − ri(j) 2a0 ) correspondem aos orbitais atômicos, onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O autovalor de energia da ligação π da molécula de oxigênio é: 〈Ĥπ O2 〉 = 2EO2py + J ±K 1± S + 1 RAB , (6.7) onde EO2py corresponde ao autovalor de energia do orbital 2py do átomo de oxigênio e J , K e S correspondem a integrais semelhantes às mencionadas anteriormente. Portanto, calculando-se os valores numéricos para as integrais J , K e S, e a energia do orbital 2py da molécula de oxigênio, o autovalor de energia da ligação π (ligante e anti- ligante) é, em hartrees, aproximadamente: 〈Ĥπ O2 〉ligante = 2EO2py + J +K 1 + S + 1 RAB ≈ −0, 2085 (6.8) 〈Ĥπ O2 〉anti−ligante = 2EO2py + J −K 1− S + 1 RAB ≈ −0, 1164, (6.9) onde, para a molécula de oxigênio, RAB ≈ 2, 275 bohrs. Podemos observar que apesar de resultados próximos entre os valores de energia das ligações σ, Eqs. (6.4) e (6.5), e π, Eqs. (6.8) e (6.9). Entretanto, espera-se que eles não descrevam o mesmo estado. Tal conclusão está embasada no fato dos orbitais moleculares utilizados para descrever as ligações σ e π, Eqs. (6.2) e (6.6), serem ortogonais entre si, ou seja: ∫ Ψσ O2 ({r} ; {R})Ψπ O2 ({r} ; {R}) dV = 0. (6.10) No Apêndice F é apresentado o programa usado no Maple para obter a solução da Eq. (6.10) e comprovar a ortogonalidade dos orbitais moleculares referentes às ligações σ e π. Neste caso, a proximidade dos resultados deve estar relacionada as aproximações bastante restritivas adotadas no decorrer dos cálculos, particularmente a aproximação de CAPÍTULO 6. A MOLÉCULA DE OXIGÊNIO (O2) 43 Hückel. Nessas condições, espera-se que o comportamento da ligação π acompanhe o comportamento da ligação σ. Assim, dentro das aproximações adotadas, a estabilidade da molécula de oxigênio pode ser analisada apenas estudando a ligação σ. 6.2 Molécula de Oxigênio Confinada - Ligações σ e π Após o estudo das ligações σ e π da molécula de oxigênio livre, temos o suporte necessário para estudar as mesmas ligações sob regime de confinamento. Analogamente ao proce- dimento adotado para o tratamento das ligações livres e para o estudo da molécula de hidrogênio, utilizando o sistema de coordenadas eĺıptico, o confinamento também é in- serido através do aprisionamento da molécula no interior de uma cavidade quântica com geometria elipsoidal. Logo, a variável restritiva também é a variável eĺıptica ξ. Os orbitais moleculares confinados referentes às ligações σ e π também devem ser constrúıdos baseados nas Eqs. (6.2) e (6.6). Inserindo o termo de confinamento, os orbitais atômicos apresentam, para a ligação σ, a seguinte forma: Φσ i (j) ∝ ( R− ri(j) ) ri(j) cos(θj) exp ( − ri(j) 2a0 ) , (6.11) onde R é o parâmetro de confinamento. Assim, convertendo a Eq. (6.11) para coordenadas eĺıpticas confocais, temos: Φσ i (j) ∝ ( ξc − ξi(j) ) ξi(j)ηi(j) exp [ −RAB 4a0 ( ξi(j) + ηi(j) )] . (6.12) De maneira análoga, para a ligação π, os orbitais atômicos apresentam as formas: Φπ i (j) ∝ ( R− ri(j) ) ri(j) sin(θj) exp ( − ri(j) 2a0 ) , (6.13) onde R é o parâmetro de confinamento. Logo, em coordenadas eĺıpticas confocais, temos: Φπ i (j) ∝ ( ξc − ξi(j) )√ ξ2 i(j) − 1 √ 1− η2 i(j) exp [ −RAB 4a0 ( ξi(j) + ηi(j) )] . (6.14) Nas Eqs. (6.12) e (6.14), temos que i = A,B, j = 1, 2 e ξc é o parâmetro de confinamento no sistema de coordenadas eĺıpticas. Analogamente ao caso livre, os autovalores de energia referentes às ligações σ e π confinadas são obtidos através da solução numérica (pois, como discutido no caṕıtulo 5, a restrição da variável eĺıptica ξ inviabiliza a solução exata) das seguintes equações: 〈Ĥσ O2,conf 〉 = 2EO2px + J ±K 1± S + 1 RAB (6.15) CAPÍTULO 6. A MOLÉCULA DE OXIGÊNIO (O2) 44 〈Ĥπ O2,conf 〉 = 2EO2py + J ±K 1± S + 1 RAB , (6.16) onde EO2px corresponde ao autovalor de energia do orbital 2px do átomo de oxigênio confinado, EO2py corresponde ao autovalor de energia do orbital 2py do átomo de oxigênio confinado e J , K e S correspondem às mesmas integrais já mencionadas no caṕıtulo 5 e na seção anterior. A solução numérica da Eq. (6.15), utilizando o orbital molecular composto pelo orbitais atômicos da Eq. (6.12), proporciona os resultados expostos na Tabela 6.1. Tabela 6.1: Resultados numéricos referentes aos autovalores de energia do estado fundamental (l = 0) da ligação σ da molécula de oxigênio confinada, em hartrees, para diferentes valores de ξc. 〈Ĥσ O2,conf 〉 ξc -0,2184186186 100 -0,2284328533 50 -0,2337227250 40 -0,2429755537 30 -0,2631712210 20 -0,3351830416 10 -0,3520929120 9 -0,3726190016 8 -0,3969628329 7 -0,4237068998 6 -0,4455551258 5 -0,4473530026 4,5 -0,4461341320 4,4 -0,4441715340 4,3 Analisando os dados da Tabela 6.1, é posśıvel evidenciar o comportamento esperado para sistemas confinados, ou seja, para grandes valores do parâmetro de confinamento o autovalor de energia tende ao valor obtido para a ligação σ livre (≈ −0, 2091 hartrees) e, para pequenos valores deste mesmo parâmetro os autovalores de energia crescem. No entanto, através da construção de um gráfico com os valores da Tabela 6.1, é posśıvel evidenciar um mı́nimo de energia (Figura 6.1). Analisando o gráfico da Figura 6.1, pode-se observar que para valores aproximados CAPÍTULO 6. A MOLÉCULA DE OXIGÊNIO (O2) 45 Figura 6.1: Relação entre o autovalor de energia do estado fundamental da molécula oxigênio confinada (ligação σ), em hartrees, e o parâmetro de confinamento, ξc. à 5 do parâmetro de confinamento, ξc, encontra-se um mı́nimo de energia. Tal mı́nimo, como já evidenciado para o ı́on de hidrogênio molecular [7] e para a molécula de hi- drogênio, indica uma maior estabilidade para a ligação σ nessa região de confinamento. Analogamente ao estudo da molécula de hidrogênio confinada, é posśıvel estimar o vo- lume dessa cavidade quântica de confinamento, dado através da Eq. (5.15), cujo valor é de, aproximadamente, 110 Å3. Por fim, é oportuno ressaltar que os cálculos para os autovalores de energia da ligação π não apresentam diferenças significativas quanto à região de estabilidade. Essa condição parece estar associada à aproximação de Hückel, que implica em uma estabilidade para a ligação π similar àquela obtida para a ligação σ. deve-se lembrar que a ligação σ é tomada como base para descrever a ligação π na aproximação de Hückel. Caṕıtulo 7 Conclusão Autovalores de energia para a molécula de hidrogênio e para a molécula de oxigênio (lig- ações σ e π) foram determinados para o estado fundamental. Ambos os sistemas foram confinados em cavidades eĺıpticas, também proporcionando resultados de autovalores de energia. Considerando o confinamento, algumas propriedades puderam ser observadas. Em especial, observamos que, para ambos os sistemas, a energia eletrônica indica a exis- tência de uma região de maior estabilidade. Entende-se por estabilidade quando o sistema possui o menor valor de energia, isto pode ser percebido na região onde o parâmetro de confinamento proporciona uma energia menor para o sistema em comparação ao sistema livre. A Figura 5.4 indica uma maior estabilidade da molécula de hidrogênio para um parâmetro de confinamento da ordem de ξc ≈ 9, cujo volume estimado da cavidade de confinamento é, aproximadamente, 154 Å3. Já a Figura 6.1 indica uma maior estabilidade da ligação σ da molécula de oxigênio para um parâmetro de confinamento da ordem de ξc ≈ 5, com valor estimado para o volume da cavidade de confinamento de, aproximada- mente, 110 Å3. A análise da energia vibracional para a molécula de hidrogênio (Caṕıtulo 4) mostra que a energia devido a este tipo de movimento cresce continuamente com o aumento do raio de confinamento, não afetando a estabilidade encontrada para a energia eletrônica. Isso pode ser evidenciado observando que a região onde o confinamento afeta a energia vi- bracional ocorre, tipicamente, para R ≈ 1, 5 Å(∆X ≈ 2) (Tabela 4.1) enquanto o mı́nimo de energia eletrônica ocorre para um valor do semi-eixo maior do elipsóide aproximada- mente igual à 3,33 Å, sendo o semi-eixo maior dado pela expressão M = ξcRAB 2 . O Método Variacional aliado à Mecânica Quântica Supersimétrica se mostrou CAPÍTULO 7. CONCLUSÃO 47 útil para o estudo de sistemas que não possuem solução anaĺıtica/exata da equação de Schrödinger, como é o caso da molécula de hidrogênio ionizada [7]. Nesse caso, a superál- gebra forneceu elementos para determinar orbitais moleculares adequados para serem uti- lizados no Método Variacional para a determinação do autovalor de energia para o estado fundamental em função do confinamento, mesmo sem a introdução de parâmetros varia- cionais. Seguindo a mesma linha, para o estudo de moléculas mais complexas (moléculas de hidrogênio e oxigênio) utilizamos a mesma abordagem empregada com sucesso no es- tudo da molécula de hidrogênio ionizada. Assim, assumir o orbital molecular como combinação linear de orbitais atômicos hidrogenóides 1s [10] permite a obtenção do autovalor de energia eletrônica do estado fundamental da molécula de hidrogênio. Para a molécula livre, o valor determinado foi de, aproximadamente, -1,1035 hartrees. O erro obtido neste caso é, aproximadamente, 5,2 % em relação aos valores encontrados numéricamente por simulação de Monte Carlo Quântico [26], o qual é de -1,16367 hartrees. Essa diferença pode ser entendida se obser- varmos que foi desconsiderada a energia vibracional e rotacional nos cálculo feitos nesse trabalho. Como esperado, foi observado que, utilizando o orbital molecular inspirado pela superálgebra, os autovalores de energia para a molécula de hidrogênio confinada se aproximam do valor obtido analiticamente para o caso livre quando se considera valores grandes para o parâmetro de confinamento. A abordagem proposta para a molécula de oxigênio baseou-se na análise indepen- dente das ligações que compõem a referida molécula. Dessa forma, a análise de cada ligação foi posśıvel utilizando toda a abordagem proposta para a molécula de hidrogênio. Entretanto, foi preciso tomar cuidado na construção dos orbitais moleculares, uma vez que para a ligação σ se utilizou orbitais atômicos hidrogenóides do tipo 2px e para a ligação π se utilizou orbitais atômicos hidrogenóides do tipo 2py. Os resultados obtidos para ambas as ligações são consistentes com as aproximações adotadas, observa-se que os autovalores de energia crescem à medida que o regime de confinamento aumenta. É oportuno destacar que os orbitais moleculares referentes às ligações σ e π são ortogonais entre si. Em termos de sistemas biológicos, os resultados obtidos apontam para uma posśıvel aplicação de confinamento quântico na descrição de propriedades de protéınas. O śıtio ativo de protéınas pode ser entendido como uma cavidade, isolando o composto em seu interior do meio circundante. De acordo com a Ref. [27], o volume médio das cavidades CAPÍTULO 7. CONCLUSÃO 48 que constituem os śıtios ativos em protéınas varia entre 100 - 1000 Å3. Como pudemos observar, os resultados obtidos para as moléculas estudadas proporcionaram valores de volume das cavidades quânticas de confinamento dentro do limite estabelecido, 154 Å3 para a molécula de hidrogênio confinada e 110 Å3 para a molécula de oxigênio confinada. Como são molécula diatômicas e, portanto, pequenas se comparadas a outras moléculas presentes no sistema vivo, é compreenśıvel que os volumes envolvidos estejam próximos ao limite inferior do tamanho dessas cavidades. Concluindo, vale ressaltar que, diante dos resultados obtidos neste trabalho, o con- finamento pode ter um papel importante no transporte de substâncias por protéınas. No caso da hemoglobina, o confinamento pode servir para dar maior estabilidade à molécula de oxigênio durante seu transporte no sistema biológico, evitando reações indesejáveis dessa molécula altamente reativa durante tais processos. Referências Bibliográficas [1] S. Y. Ren, Solid State Comn. 102, 479 (1997). [2] C. S. Cundy and P. A. Cox, Chem. Rev. 103, 663 (2003). [3] G. R. P. Borges and E. Drigo Filho, Int. J. Mod. Phys. A16, 4401 (2001). [4] E. Drigo Filho and R. M. Ricotta, Phys. Lett. A269, 269 (2000). [5] H. M. Senn and W. Thiel, Angew. Chem. Int. 48, 1198 (2009). [6] M. W. van der Kamp and A. J. 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Apêndice A Energia Eletrônica da Molécula de Hidrogênio (H2) O valor esperado do operador Hamiltoniano eletrônico referente a molécula H2 é expresso por: 〈Ĥe〉 = ∫ V Ψ∗e({r} ; {R})ĤeΨe({r} ; {R}) dV∫ V |Ψe({r} ; {R})|2 dV , (A.1) onde a função de onda eletrônica, definida de acordo com a “Teoria da Ligação de Valência”[10], é Ψe({r} ; {R}) = N [ΦA(1)ΦB(2)± ΦA(2)ΦB(1)] e o operador Hamilto- niano eletrônico, em unidades atômicas, é Ĥe = −1 2 ∇2 1− 1 2 ∇2 2− 1 rA(1) − 1 rA(2) − 1 rB(1) − 1 rB(2) + 1 r12 + 1 RAB . Definamos os produtos de orbitais atômicos ΦA(1)ΦB(2) e ΦA(2)ΦB(1) por f1 e f2, respectivamente. Tal atribuição visa proporcionar uma redução no tamanho das inte- grações que serão apresentadas. Inicialmente, calculemos a integral referente a normalização da função de onda molecular eletrônica, a qual se encontra no denominador da Eq. (A.1) e deve ser igual a unidade: ∫ V |Ψe({r} ; {R})|2 dV = N2 (∫ V f 2 1 dV + ∫ V f1f2 dV + ∫ V f2f1 dV + ∫ V f 2 2 dV ) = 1. (A.2) Considerando os orbitais atômicos normalizados, consequentemente f1 e f2 tam- bém o são. Assim, as integrais ∫ V f 2 1 dV e ∫ V f 2 2 dV possuem valores unitários. As duas integrações restantes, ∫ V f1f2 dV e ∫ V f2f1 dV , são iguais e são denominadas integrais de APÊNDICE A. ENERGIA ELETRÔNICA DA MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2)52 Overlap, ou seja, medem o quanto uma função está sobreposta a outra. Logo, após um pouco de manipulação algébrica, a constante de normalização do orbital molecular é: N = 1√ 2 + 2S , (A.3) onde S representa a integral de Overlap. Desenvolvendo a integração referente ao numerador da Eq. (A.1), temos: ∫ V Ψ∗e({r} ; {R})ĤeΨe({r} ; {R}) dV = N2 ∫ V (f1 ± f2) Ĥe (f1 ± f2) dV, (A.4) onde podemos separar a integração resultante em quatro partes através da distributiva dos termos: ∫ V (f1 ± f2) Ĥe (f1 ± f2) dV =∫ V f1Ĥef1 dV ± ∫ V f1Ĥef2 dV ± ∫ V f2Ĥef1 dV + ∫ V f2Ĥef2 dV. (A.5) Particionando o operador Hamiltoniano eletrônico como: Ĥe = ĤA(1) + ĤB(2) + Ĥ + 1 RAB , sendo Ĥi(j) = −1 2 ∇2 j − 1 ri(j) e Ĥ ′ = − 1 rA(2) − 1 rB(1) + 1 r12 , podemos separar cada uma das integrais da Eq. (A.5) em mais quatro: ∫ V f1Ĥef1 dV =∫ V f1ĤA(1)f1 dV + ∫ V f1ĤB(2)f1 dV + ∫ V f1Ĥ ′f1 dV + ∫ V f 2 1 RAB dV, (A.6) ∫ V f2Ĥef2 dV = ∫ V f2ĤA(1)f2 dV + ∫ V f2ĤB(2)f2 dV + ∫ V f2Ĥ ′f2 dV + ∫ V f 2 2 RAB dV, (A.7) ∫ V f1Ĥef2 dV = ∫ V f1ĤA(1)f2 dV + ∫ V f1ĤB(2)f2 dV + ∫ V f1Ĥ ′f2 dV + ∫ V f1f2 RAB dV, (A.8) ∫ V f2Ĥef1 dV = APÊNDICE A. ENERGIA ELETRÔNICA DA MOLÉCULA DE HIDROGÊNIO (H2)53∫ V f2ĤA(1)f1 dV + ∫ V f2ĤB(2)f1 dV + ∫ V f2Ĥ ′f1 dV + ∫ V f2f1 RAB dV. (A.9) Por simetria, as integrais referentes às Eqs. (A.6) e (A.7) são iguais, assim como as integrais nas Eqs. (A.8) e (A.9) também são iguais. Portanto, basta resolvermos apenas duas, das quatro integrais acima, para obtermos o valor esperado do operador Hamilto- niano eletrônico para a molécula H2. Inicialmente, resolvamos a integral referente à Eq. (A.6). As duas primeiras inte- grais, ∫ V f1ĤA(1)f1 dV e ∫ V f1ĤB(2)f1 dV são facilmente resolvidas utilizando as equações de autovalor ĤA(1)ΦA(1) = EH1sΦA(1) e ĤB(2)ΦB(2) = EH1sΦB(2), respectivamente. Portanto, devido os orbitais atômicos serem normalizados, a integral da Eq. (A.6) resulta em: ∫ V f1Ĥef1 dV = 2EH1s + J + 1 RAB , (A.10) onde EH1 corresponde ao autovalor de energia do estado fundamental para o átomo de hidrogênio e J = ∫ V f1Ĥ ′f1 dV é chamada de integral de Coulomb. Analogamente, a integral referente à Eq. (A.8) também é resolvida utilizando as mesmas equações de autovalor mencionadas no parágrafo anterior. Entretanto, neste caso, o resultado fica dependente da integral de Overlap: ∫ V f1Ĥef2 dV = 2EH1sS +K + S RAB , (A.11) onde K = ∫ V f1Ĥ ′f2 dV é chamada de integral de Troca. Finalmente, após todos os cálculos efetuados, a integral do numerador da Eq. (A.1) é: ∫ V |Ψe({r} ; {R})|2 dV = N2 [ 4EH1s (1± S) + 2 (J ±K) + 2 RAB (1± S) ] , (A.12) onde, substituindo a Eq. (A.3), obtemos a expressão final referente ao valor esperado do operador Hamiltoniano eletrônico para a molécula H2: 〈Ĥe〉 = 2EH1s + J ±K 1± S + 1 RAB . (A.13) Apêndice B Cálculo da Integral S O objetivo deste apêndice é resolver analiticamente, para a molécula H2, a integral de Overlap S definida no apêncice A. Como já foi discutido no caṕıtulo 5, a função de onda eletrônica é definida como combinação linear dos orbitais atômicos moleculares em acordo com a “Teoria da Ligação de Valência”, os quais foram definidos da seguinte forma: Φi(j) = 1√ πa3 0 exp ( − ri(j) a0 ) , (B.1) onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O sistema de coordenadas a ser utilizado devido a geometria da molécula é o eĺıptico confocal, o qual é definido a partir das relações contidas na Eq. (5.10). Logo, podemos resolver a integral S sem maiores problemas. A primeira integral de Overlap pode ser separada no produto de duas integrais como mostrado abaixo: S = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) dV = ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1 ∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) dV2. (B.2) Cada uma das integrais no produto acima possuem valores iguais, e portanto, basta que resolvamos apenas uma delas. Reescrevendo uma destas integrais em função das coordenadas eĺıpticas confocais, temos: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1 = 1 πa30 ∫ V1 exp [ − (rA(1)+rB(1)) a0 ] dV1 = 1 πa3 0 ∫ 2π 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ1 a0 ) R3 AB 8 ( ξ2 1 − η2 1 ) dξ1dη1dϕ. (B.3) A integral em ϕ vale 2π, e as duas restantes são dependentes entre si. Logo, resolvamos primeiro a integral em η1 (integração de polinômio) e posteriormente a integral APÊNDICE B. CÁLCULO DA INTEGRAL S 55 em ξ1 (integração por partes): ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1 = R3 AB 4a3 0 ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ1 a0 ) [∫ 1 −1 ( ξ2 1 − η2 1 ) dη1 ] dξ1. (B.4) A solução da integral em η1 é: ∫ 1 −1 ( ξ2 1 − η2 1 ) dη1 = 2ξ2 1 − 2 3 . (B.5) Assim, a integral em ξ1 é: ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ1 a0 ) ( 2ξ2 1 − 2 3 ) dξ1, (B.6) cujo a solução, integrando por partes, é: ∫∞ 1 exp ( −RABξ1 a0 ) ( 2ξ2 1 − 2 3 ) dξ1 =[ 2a3 0 ( 1 a2 0RAB + 2 a0R2 AB + 2 R3 AB ) − 2 3 a0 RAB ] exp ( −RAB a0 ) . (B.7) Substituindo a Eq. B.7, o valor da integral na Eq. B.4 é: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1 = [ 1 + RAB a0 + 1 3 ( RAB a0 )2 ] exp ( −RAB a0 ) , (B.8) e, portanto, a integral de Overlap vale: S = [ 1 + RAB a0 + 1 3 ( RAB a0 )2 ]2 exp ( −2 RAB a0 ) ≈ 0, 5668, (B.9) onde a0 = 1 e, para a molécula de Hidrogênio, RAB ≈ 1, 4, ambos os valores dados em bohr. Apêndice C Cálculo da Integral K O objetivo deste apêndice é resolver analiticamente, para a a molécula de Hidrogênio, a integral K definida no apêncice A. Como já foi discutido no caṕıtulo 5, a função de onda eletrônica é definida como combinação linear dos orbitais atômicos moleculares em acordo com a “Teoria da Ligação de Valência”, os quais foram definidos da seguinte forma: Φi(j) = 1√ πa3 0 exp ( − ri(j) a0 ) , (C.1) onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O sistema de coordenadas a ser utilizado devido a geometria da molécula é o eĺıptico confocal, o qual é definido a partir das relações contidas na Eq. (5.10). Logo, podemos resolver a integral K sem maiores problemas. O procedimento para a solução da integral K é análogo ao efetuado no apêndice B na solução da integral de Overlap. Logo, antes de resolvê-la, definamos a integral K: K = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)Ĥ ′ΦA(2)ΦB(1) dV, (C.2) onde Ĥ ′ = − 1 rA(2) − 1 rB(1) + 1 r12 . Assim, podemos separar a integral da Eq. (C.2) nas três integrais a sequir, as quais resolveremos separadamente: K = − ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rA(2) dV − ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rB(1) dV+ ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) r12 dV. (C.3) (1) Resolvendo a integral ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rA(2) dV : ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rA(2) dV = ∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1. (C.4) APÊNDICE C. CÁLCULO DA INTEGRAL K 57 A integral ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) dV1 não precisa ser analisada, pois já foi calculada no apêndice B. Entretanto, a integral ∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 deve ser calculada: ∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 = 1 πa3 0 ∫ V2 exp [ − (rA(2)+rB(2)) a0 ] rA(2) dV2. (C.5) Reescrevendo a integral acima em função das coordenadas eĺıpticas confocais, temos: ∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 = 1 πa3 0 ∫ 2π 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ2 a0 ) RAB 2 (ξ2 + η2) R3 AB 8 ( ξ2 2 − η2 2 ) dξ2dη2dϕ. (C.6) Análogamente ao caso anterior, a integral em ϕ vale 2π e as duas restantes são dependentes entre si. Logo, resolvamos primeiro a integral em η2 (integração de polinômio) e posteriormente a integral em ξ2 (integração por partes):∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 = R2 AB 2a3 0 ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ2 a0 ) [∫ 1 −1 (ξ2 − η2) dη2 ] dξ2. (C.7) A solução da integral em η2 é:∫ 1 −1 (ξ2 − η2) dη2 = 2ξ2. (C.8) Assim, a integral em ξ2 é: ∫ ∞ 1 exp ( −RABξ2 a0 ) 2ξ2dξ2, (C.9) cujo a solução, integrando por partes, é:∫ ∞ 1 exp ( −RABξ2 a0 ) 2ξ2dξ2 = [ 2 ( a0 RAB )2 + 2a0 RAB ] exp ( −RAB a0 ) . (C.10) Substituindo a Eq. (C.10), o valor da integral na Eq. (C.7) é:∫ V2 ΦA(2)ΦB(2) rA(2) dV2 = ( 1 a0 + RAB a2 0 ) exp ( −RAB a0 ) , (C.11) e, portanto, a solução da integral ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rA(2) dV é: ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rA(2) dV = ( 1 a0 + 2 RAB a2 0 + 4 3 R2 AB a3 0 + 1 3 R3 AB a4 0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (C.12) (2) Por simetria, a integral ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rB(1) dV é igual a resolvida em (1). Logo:∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) rB(1) dV = ( 1 a0 + 2 RAB a2 0 + 4 3 R2 AB a3 0 + 1 3 R3 AB a4 0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (C.13) APÊNDICE C. CÁLCULO DA INTEGRAL K 58 Quanto a integral ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) r12 dV (chamada integral de dois-centros K), devido sua complexidade, é resolvida em detalhes no Apêndice E. O valor da integral∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) r12 dV é: ∫ V ΦA(1)ΦB(2)ΦA(2)ΦB(1) r12 dV = 1 5a0 ( 25 8 − 23 4 RAB a0 − 10 3 R2 AB a20 ) exp ( −2RAB a0 ) + 6 5 1 RAB [ S ( C + ln RAB a0 ) + S ′2Ei ( −4 RAB a0 ) − 2 √ SS ′Ei ( −2 RAB a0 )] , (C.14) onde C é a constante de Euler, S ′ = [ 1− RAB a0 + 1 3 ( RAB a0 )2 ] exp ( RAB a0 ) , S corresponde a integral calculada no apêndice B, e Ei (−x) = − ∫∞ x exp (−t) t dt, com x > 0, corresponde a um fator chamado “Integral Logaritmica”. Portanto, o valor aproximado da integral K é: K ≈ −0, 5646, (C.15) onde foi usado que C ≈ 0, 5772, Ei ( −4RAB a0 ) ≈ −0, 0006, Ei ( −2RAB a0 ) ≈ −0, 0168, a0 = 1 e, para a molécula H2, RAB ≈ 1, 4 (os dois últimos valores dados em bohr). Apêndice D Cálculo da Integral J O objetivo deste apêndice é resolver analiticamente, para a a molécula H2, a integral J definida no apêncice A. Como já foi discutido no caṕıtulo 5, a função de onda eletrônica é definida como combinação linear dos orbitais atômicos moleculares em acordo com a “Teoria da Ligação de Valência”, os quais foram definidos da seguinte forma: Φi(j) = 1√ πa3 0 exp ( − ri(j) a0 ) , (D.1) onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. O sistema de coordenadas a ser utilizado devido a geometria da molécula é o eĺıptico confocal, o qual é definido a partir das relações contidas na Eq. (5.10). Logo, podemos resolver a integral J sem maiores problemas. O procedimento para a solução da integral J também é análogo ao efetuado no apêndice B na solução da integral de Overlap. Logo, antes de resolvê-la, definamos a integral J : J = ∫ V ΦA(1)ΦB(2)Ĥ ′ΦA(1)ΦB(2) dV, (D.2) onde Ĥ ′ = − 1 rA(2) − 1 rB(1) + 1 r12 . Assim, podemos separar a integral da Eq. (D.2) nas três integrais a sequir, as quais resolveremos separadamente: J = − ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rA(2) dV − ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rB(1) dV+ ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV. (D.3) (1) Resolvendo a integral ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rB(1) dV : ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rB(1) dV = ∫ V1 ΦA(1)2 rB(1) dV1 ∫ V2 ΦB(2)2 dV2. (D.4) APÊNDICE D. CÁLCULO DA INTEGRAL J 60 A integral ∫ V2 ΦB(2)2 dV2 vale a unidade devido os orbitais atômicos estarem nor- malizados. Entretanto, a integral ∫ V1 ΦA(1)2 rB(1) dV1 deve ser calculada: ∫ V1 ΦA(1)2 rB(1) dV1 = 1 πa3 0 ∫ 2π 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 exp [ −RAB(ξ1+η1) a0 ] RAB 2 (ξ1 − η1) R3 AB 8 ( ξ2 1 − η2 1 ) dξ1dη1dϕ. (D.5) Analogamente as integrais resolvidas anteriormente, a integral em ϕ vale 2π e as duas restantes são dependentes entre si. Logo, resolvamos primeiro a integral em ξ1 e posteriormente a integral em η1 (ambas utilizando integração por partes): ∫ V ΦA(1)2 rB(1) dV = R2 AB 2a3 0 ∫ 1 −1 exp ( −RABη1 a0 ) [∫ ∞ 1 exp ( −RABξ1 a0 ) (ξ1 + η1) dξ1 ] dη1. (D.6) A solução da integral em ξ1 é: ∫ ∞ 1 exp ( −RABζ1 a0 ) (ξ1 + η1) dξ1 = [ a0 RAB (η1 + 1) + ( a0 RAB )2 ] exp ( −RAB a0 ) . (D.7) Assim, a integral em η1 é: ∫ 1 −1 exp ( −RABη a0 ) [ a0 RAB (η1 + 1) + ( a0 RAB )2 ] exp ( −RAB a0 ) dη1, (D.8) cujo a solução é: ∫ 1 −1 exp ( −RABη a0 ) [ a0 RAB (η1 + 1) + ( a0 RAB )2 ] exp ( −RAB a0 ) dη1 = 2 ( a0 RAB )2 [ a0 RAB − ( 1 + a0 RAB ) exp ( −2 RAB a0 )] . (D.9) Substituindo a Eq. (D.9), o valor da integral na Eq. (D.6) é: ∫ V1 ΦA(1)2 rB(1) dV1 = 1 RAB − ( 1 RAB + 1 a0 ) exp ( −2 RAB a0 ) , (D.10) e, portanto, a solução da integral ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rB(1) dV é: ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rB(1) dV = 1 RAB − ( 1 RAB + 1 a0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (D.11) (2) Por simetria, a integral ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rA(2) dV é igual a resolvida em (1). Logo: ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 rA(2) dV = 1 RAB − ( 1 RAB + 1 a0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (D.12) Quanto a integral ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV (chamada integral de dois-centros J), analoga- mente a integral de dois-centros K definida no Apêndice C, trata-se de uma integral APÊNDICE D. CÁLCULO DA INTEGRAL J 61 complexa. Entretanto, seu método de solução é análogo ao utilizado para resolver a inte- gral de dois-centros K. O Apêndice E tem o papel de auxiliar na sua solução. Assim, o valor da integral ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV é: ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV = 1 RAB − ( 1 RAB + 11 8 1 a0 + 3 4 RAB a2 0 + 1 6 R2 AB a3 0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (D.13) Portanto, o valor da integral J , em unidades atômicas, é: J = − 1 RAB + ( 1 RAB + 5 8 1 a0 − 3 4 RAB a2 0 − 1 6 R2 AB a3 0 ) exp ( −2 RAB a0 ) ≈ −0, 7164, (D.14) onde a0 = 1 e, para a molécula de Hidrogênio, RAB ≈ 1, 4, ambos os valores em bohr. Apêndice E Integrais de Dois-Centros O objetivo deste apêndice é analisar e resolver as integrais de dois-centros K e J definidas nos Apêndices C e D, respectivamente. Como já foi discutido no caṕıtulo 4, a função de onda eletrônica é definida como combinação linear dos orbitais atômicos moleculares em acordo com a “Teoria da Ligação de Valência”, os quais foram definidos da seguinte forma: Φi(j) = 1√ πa3 0 exp ( − ri(j) a0 ) , (E.1) onde a0 é o raio de Bohr, i = A,B e j = 1, 2. Para resolver estas integrais, serão utilizados os sistemas de coordenadas esférico, comum no tratamento de problemas tridimensionais, e o eĺıptico confocal, o qual é definido a partir das relações contidas na Eq. (5.10). Devido sua menor complexidade, a integral de dois-centros J é escolhida para ser resolvida primeiro. Entretanto, é preciso definir a fração 1 r12 como uma expansão em coordenadas esféricas: 1 r12 = ∞∑ k=0 k∑ m=−k (k − |m|)! (k + |m|)! r (a)k r (b)k+1P |m| k (cos θ1)P |m| k (cos θ2) exp [im (ϕ1 − ϕ2)] , (E.2) onde r12 é a distância entre dois pontos no sistema de coordeandas esférico (r1, θ1, ϕ1) e (r2, θ2, ϕ2), r (a) e r (b) correspondem ao menores e maiores valores de r1 e r2, respectiva- mente, e as funções P |m| k (cos θ) são funções associadas de Legendre. Para facilitar a solução da integral de dois-centros J, esta é resolvida em duas partes, ou seja, será resolvida inicialmente a integral ∫ V1 ΦA(1)2 r12 dV1. É importante men- cionar que a solução desta integral em duas partes somente é posśıvel devido a inde- pendência entre as variáveis eletrônicas. APÊNDICE E. INTEGRAIS DE DOIS-CENTROS 63 O sistema de coordenadas adotado para a solução da integral ∫ V1 ΦA(1)2 r12 dV1 é o esférico. Devido a função ΦA(1) ser esfericamente simétrica, os ı́ndices k e m devem ser nulos uma vez que ∫ 2π 0 exp (imϕ) dϕ = 0 se m é um inteiro diferente de zero e∫ π 0 Pk (cos θ) sin θ dθ = 0 se k diferente de zero. Logo, a integração no ângulo sólido resulta em 4π e a integral desejada resulta em:∫ V1 ΦA(1)2 r12 dV1 = 4π ∫ ∞ 0 ΦA(1)2 r (b) r2 1 dr1. (E.3) Para resolver a integral na Eq. (E.3), temos que separá-la quebrando seu limite de integração. Ao aplicar este método, a função r (b) pode ser substituida por valores efetivos. Assim, temos:∫ ∞ 0 ΦA(1)2 r (b) r2 1 dr1 = 1 r2 ∫ r2 0 ΦA(1)2r2 1 dr1 + ∫ ∞ r2 ΦA(1)2r1 dr1. (E.4) Substituindo as Eqs. (E.1) e (E.4) na Eq. (E.3), através de métodos elementares de integração, obtemos que:∫ V1 ΦA(1)2 r12 dV1 = 1 r2 [ 1− ( 1 + r2 a0 ) exp ( −2 r2 a0 )] . (E.5) Para finalizar o cálculo da integral de dois-centros J, devemos multiplicar a ex- pressão da Eq. (E.5) por ΦB(2)2 e integrar sobre as coordenadas do elétron 2. Ao fazer isto, devemos lembrar que as quantidades que foram denotadas por r1 e r2 nas Eqs. (E.5) e (E.4) são na realidade rA(1) e rA(2), uma vez que estamos lidando com o sistema de coorde- nadas esféricos centrado no átomo A. Entretanto, ao considerar o outro átomo da molécula (átomo B) devemos mudar o sistema de coordenadas adotado para terminar o cálculo da integral de dois-centros J. Logo, o sistema de coordenadas adequado a este novo problema é o eĺıptico confocal (o qual é definido a partir das relações contidas na Eq. (5.10)), sendo o átomos centrados em seus focos. Portanto, reescrevendo a Eq. (E.5) em coordenadas eĺıp- ticas confocais, ou seja, 2 RAB(ξ+η) { 1− exp [ −RAB a0 (ξ + η) ] [ 1 + RAB 2a0 (ξ + η) ]} , e definindo esta por f (ξ, η), temos: ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV = 1 a30π × ∫ 2π 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 f (ξ, η) exp [ −RAB a0 (ξ − η) ] R3 AB 8 ( ξ2 − η2 ) dξdηdϕ. (E.6) Cada termo nas integrais da Eq. (E.6) pode ser fatorada em funções independentes de ξ e η, sendo necessários apenas métodos elementares para a resolução das respecti- vas integrais. Finalmente, resolvendo as integrais da da Eq. (E.6), obtemos o resultado APÊNDICE E. INTEGRAIS DE DOIS-CENTROS 64 anaĺıtico da integral de dois-centros J: ∫ V ΦA(1)2ΦB(2)2 r12 dV = 1 RAB − ( 1 RAB + 11 8 1 a0 + 3 4 RAB a2 0 + 1 6 R2 AB a3 0 ) exp ( −2 RAB a0 ) . (E.7) Para resolver a integral de dois-centros K, o procedimento que será utilizado na solução difere um pouco do adotado na solução apresentada para a integral de dois- centros J, ou seja, devido a independência entre as variáveis eletrônicas, está também será resolvida em duas partes. Neste caso, inicialmente devemos determinar a energia potencial eletrostática do elétron 1 no campo da distribuição não-esférica ΦA(1)ΦB(1) e integrar sobre as coordenadas deste mesmo elétron. Entretanto, diferentemente do caso anterior, o sistema de coordenadas adotado será, para as duas partes da resolução, o eĺıptico confocal [28]. Logo, devemos utilizar a expansão da razão 1 rAB em coordenadas eĺıpticas confocais (expansão de Neumann), que é definida como: 1 r12 = 2 RAB ∑∞ k=0 ∑k m=−k (−1)m (2k + 1)×[ (k − |m|)! (k + |m|)! ]2 P |m| k [ζ (a)]Q |m| k [ξ (b)]P |m| k (η1)P |m| k (η2) exp [im (ϕ1 − ϕ2)] , (E.8) onde as coordenadas dos dois elétrons são (ξ1, η1, ϕ1), e (ξ2, η2, ϕ2), ξ (a) é o menor e ξ (b) é o maior antre as quantidades ξ1 e ξ2. As funções P |m| k são funções associadas de Legendre e as funções Q |m| k são funções associadas de Legendre de segundo tipo. Portanto, para determinar a primeira parte da integral de dois-centros K, ou seja,∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) r12 dV1, deve-se subtituir a Eq. (E.8) e integrar sobre o elemento de volume eĺıptico. Devido a distribuição ΦA(1)ΦB(1) possuir simetria azimutal o ı́ndice m deve ser nulo. Assim, temos: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) r12 dV1 = R2 AB a30 1 4π ∑∞ k=0 (2k + 1)× ∫ 2π 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 exp ( −RAB a0 ξ1 ) Pk [ξ (a)]Qk [ξ (b)]Pk (η1)Pk (η2) ( ξ2 1 − η2 1 ) dξ1dη1dϕ1. (E.9) A integral em ϕ1 é elementar e vale 2π. Podemos simplificar integração da Eq. (E.9) utilizando a condição de ortogonalidade das funções de Legendre, ou seja: ∫ 1 −1 Pk (x)Pk′ (x) dx = δk,k′ . (E.10) Na Eq. (E.9), a menos do fator Pk (η1), existem termos independentes de η1 e termos proporcionais a η2 1. Logo, sendo P0 (η) igual à unidade, qualquer quantidade independente de η1 corresponde a uma constante multiplicando P0 (η1). Assim, a integração do seu APÊNDICE E. INTEGRAIS DE DOIS-CENTROS 65 produto com qualquer Pk (η1) para k 6= 0 resulta em um resultado nulo. Em outras palavras, na medida em que consideramos os termos que envolvem a quantidade η2 1 a partir do fator (ξ2 1 − η2 1), o único termo não nulo no somatório sobre k é quando k = 0. Análogamente, sendo P2 (η) = 3 2 ( η2 − 1 3 ) , temos que η2 = 1 3 P0 (η) + 2 3 P2 (η), ou seja, sendo η2 1 uma combinação linear de P0 (η1) e P2 (η1), os termos não nulos no somatório sobre k são aqueles para k = 0 e k = 2. Portanto, após as considerações acima, o somatório na Eq. (E.9) contém apenas os termos onde k igual a 0 e 2, ou seja, a primeira parte da integral de dois-centros K a ser resolvida é particionada em duas integrais: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) r12 dV1 = 1 2 R2 AB a30 ∫ 1 −1 ∫∞ 1 exp ( −RAB a0 ζ1 ) Q0 [ξ (b)] (ξ2 1 − η2 1) dξ1dη1+ 5 2 R2 AB a3 0 ∫ 1 −1 ∫ ∞ 1 exp ( −RAB a0 ξ1 ) P2 [ξ (a)]Q2 [ξ (b)]P2 (η1)P2 (η2) ( ξ2 1 − η2 1 ) dξ1dη1, (E.11) onde Q0 (x) = 1 2 ln ( x+1 x−1 ) e Q2 (x) = 3 4 ( x2 − 1 3 ) ln ( x+1 x−1 ) − 3 2 x. Resolvendo as integrais em η1, a Eq. (E.11) resulta em: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) r12 dV1 = R2 AB a30 ∫∞ 1 exp ( −RAB a0 ξ1 ) Q0 [ξ (b)] ( ξ2 1 − 1 3 ) dξ1− 2 3 R2 AB a3 0 P2 (η2) ∫ ∞ 1 exp ( −RAB a0 ξ1 ) P2 [ξ (a)]Q2 [ξ (b)] dξ1. (E.12) Para resolver as integrais em ξ1, devemos utilizar um método análogo ao utilizado para resolver a integral da Eq. (E.3), ou seja, devemos quebrar os limites de integração para substituir as funções Q0 [ξ (b)], P2 [ξ (a)] e Q2 [ξ (b)] por valores efetivos. Assim, a Eq. (E.12) resulta em: ∫ V1 ΦA(1)ΦB(1) r12 dV1 = R2 AB a30 1 2 ln ( ξ2+1 ζ2−1 ) ∫ ξ2 1 exp ( −RAB a0 ξ1 ) ( ξ2 1 − 1 3 ) dξ1+ R2 A