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Avaliação da produção de leite e contagem de células somáticas em bovinos leiteiros suplementados com Saccharomyces cerevisiae...
Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 28, n. 4, p. 685-694, out./dez. 2007
Recebido para publicação 05/02/07 Aprovado em 05/07/07
Avaliação da produção de leite e contagem de células somáticas em
bovinos leiteiros suplementads com Saccharomyces cerevisiae como
fonte de zinco orgânico1
Evaluation of milk production and somatic cell count of dairy cow
supplemented with Saccharomyces cerevisiae as a source of organic zinc
Luiz Fernando Coelho da Cunha Filho2*; Simone Biagio Chiacchio3;
Roberto Calderon Gonçalves3; Paulo Eduardo Pardo4;
Laurenil Gaste5; Werner Okano2; Adalberto José Crocci6
Resumo
Com o objetivo de avaliar a produção de leite e a contagem de células somáticas de bovinos leiteiros,
suplementados com Saccharomyces cerevisiae, como fonte de zinco orgânico, por 180 dias, foram
separadas aleatoriamente 25 vacas holandesas, em um rebanho de 189 vacas em lactação. Os animais
foram distribuídos em dois grupos, sendo grupo 1 (G1) composto por 10 vacas suplementadas e grupo
2 (G2) 15 animais sem suplementação. A produção de leite foi mensurada pelo controle leiteiro oficial da
Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa em sete momentos durante os 180
dias. As amostras de leite foram coletadas de cada animal, sendo submetidas à contagem eletrônica de
células somáticas. Os resultados demonstram que a suplementação de zinco orgânico não alterou a
produção de leite, contudo foi capaz de manter baixa a contagem de células somáticas. Os dados do
presente trabalho sugerem que utilizar suplementação de zinco orgânico na dieta de vacas leiteiras,
aumente a qualidade do leite produzido e conseqüentemente a remuneração para o produtor.
Palavras-chave: Bovinos de leite, células somáticas, Saccharomyces cerevisiae, zinco
Abstract
The aim of the evaluation of milk production and somatic cell count of dairy cow supplemented with
Saccharomyces cerevisiae as a source of organic zinc for 180 days, 25 Holstein cows were selected,
randomly chosen from a flock of 189 lactating cows. The animals were distributed in two groups, namely
group 1 (G1) which holded 10 cows supplemented and group 2 (G2) with 15 animals without
supplementation. The production of milk was measured by the control official milkman of the Assocition
Paranaense of Creators of Bovine of the Holstein in seven moments during the 180 days. The samples of
1 O presente artigo foi redigido como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor, junto ao Programa de Pós-Graduação
em Medicina Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP.
2 Departamento de Clínica Médica de Ruminantes, Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), Arapongas, PR. E-mail:
luiz.cunha@unopar.br.
3 Departamento de Clínica Veterinária, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP.
4 Departamento de Clínica Veterinária, Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE), Presidente Prudente, SP.
5 Departamento de Clínicas Veterinárias, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR.
6 Departamento de Bioestatística, Instituto de Biociências, UNESP, Botucatu.
* Autor para correspondência
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Cunha Filho, L. F. C. da et al.
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milk were collected of each animal, being submitted to the electronic counting of somatic cells. The
results demonstrate that the supplemented of organic zinc didn’t alter the production of milk, however it
was capable to maintain low the counting of somatic cells. The data of the present work suggest that to
use supplemented of organic zinc in the diet of cows milk, increase the quality of the produced milk and
consequently the remuneration for the producer.
Key words: Dairy cow, somatic cell, Saccharomyces cerevisiae, zinc
Introdução
O Brasil é o sexto maior produtor em volume de
leite do mundo, cerca de 21 bilhões de litros em 2001
(UNITED STATES OF AMERICA, 2002). O
agronegócio do leite e de seus derivados desempenha
um papel relevante no suprimento de alimentos e na
geração de emprego e renda. Para cada real de
aumento na produção no sistema agroindustrial do
leite há um crescimento de, aproximadamente, cinco
reais no PIB, o que coloca o agronegócio do leite à
frente de setores importantes como o da siderurgia e
o da indústria têxtil (VILELA, 2002).
Entretanto, com o aumento da demanda mundial
por produtos de origem animal, foi intensificada a
produção animal, e conseqüentemente ocorreu
diminuição no bem-estar animal, conduzindo a uma
freqüência maior de doenças (SILVA et al., 2005).
Dessa forma, a busca de soluções para este
problema é uma constante entre os buiatras, tornando-
se uma importante linha de pesquisa na pecuária
leiteira moderna.
A levedura Saccharomyces cerevisiae,
crescendo em meio contendo uma elevada
quantidade de cátions metálicos (zinco), pode
acumular esses metais em suas células (VOLESKY,
1990), e, portanto transformar uma fonte inorgânica
de metal, em uma fonte orgânica.
O zinco acelera a cicatrização das feridas, aumenta
a velocidade de reparação do tecido epitelial e mantêm
a integridade celular. O zinco também é necessário para
a síntese e maturação da queratina (WHITAKER et
al., 1997; SMART; CILBALUK, 1997).
A alimentação de vacas com zinco orgânico, teve
impacto positivo na produção de leite, e reduziu
significativamente a contagem de células somáticas
(POPOVIC, 2004).
A absorção do zinco pelo animal está diretamente
relacionada com as suas necessidades (BOOTH;
McDONALD, 1992; PEIXOTO; MOURA; FARB,
1995). Um animal com alta produção de leite absorve
mais zinco do que aquele com requerimentos mais
baixos. Na lactação a vaca excreta pelo leite cerca
de 4 mg de zinco por quilograma de leite produzido.
A absorção é menor no animal pré-ruminante
alimentado com farelo de soja devido à presença do
ácido fítico (PEIXOTO; MOURA; FARB, 1995).
A excreção de zinco ocorre na maior parte através
das fezes, também ocorre excreção pela urina, leite,
sêmen, suor, pêlo e descamação da pele (MAHAN;
STUMP, 1998; WAITZBERG, 2004).
A deficiência de zinco resulta em uma variedade
de “defeitos imunológicos”, como a atrofia tímica,
linfopenia, resposta proliferativa de linfócitos reduzida
a mitógenos, diminuição seletiva de linfócitos T
auxiliares e atividade celular diminuída das células
NK e atividade hormonal tímica deficiente (SMART;
GUDMUNDSON; CHRISTENSEN, 1981;
MAHAN; STUMP, 1998; AMORIM, 2002).
A cicatrização das feridas está prejudicada na
deficiência de zinco, devido ao papel básico do zinco
na síntese do RNA (BOOTH; McDONALD, 1992).
Na falta de níveis adequados de zinco as células
epiteliais e fibroblasto, podem migrar normalmente,
porém sem se multiplicar, prejudicando a epitelização
e a síntese de colágeno, acarretando em inadequada
cicatrização (PROBST, 1999).
Moraes (1998) avaliou as concentrações de zinco
no fígado de bovinos e ovinos de várias regiões do
Brasil, observou que as concentrações estavam
dentro dos parâmetros de normalidade (101 a 200
ppm), sendo que somente em algumas regiões
apresentaram valores um pouco abaixo. Armelin,
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Piasentin e Primaesi (2002) realizaram um estudo
no Brasil com diversos tipos de forragens, e
concluíram que quando forragens tropicais forem
utilizadas na alimentação de vacas de leite, a dieta
geralmente deve ser completada com a adição do
elemento zinco.
Há grande margem de segurança entre o
consumo normal e a quantidade tóxica de zinco, sendo
o nível máximo estimado na dieta de 1000 mg para
bovinos adultos (ANDRIGUETTO et al., 1990).
Mahan e Stump (1998) enfatizam que o excesso da
ingestão oral de zinco ao ponto de toxicidade é raro.
Rebhun (2000) descreve que a intoxicação por
zinco pode ocorrer em bezerros de corte alimentados
com substitutos de leite e bovinos adultos que
receberam água contaminada com o mineral.
As principais fontes adicionadas à dieta são os
óxidos, sulfatos, cloretos, acetatos, denominados
como fonte de zinco inorgânico. Quelatos,
transquelatos e a levedura viva de cerveja são fontes
orgânicas de zinco (McDOWELL, 1996;
MACHADO, 1997; HATFIELD et al., 2001).
As fontes minerais orgânicas são biodisponíveis
e mais facilmente absorvidas que as fontes minerais
inorgânicas (ECKERT; GREENE; CARSTENS,
1999). O zinco derivado de fontes orgânicas mostrou-
se duas vezes mais biodisponível que o elemento
associado a uma fonte inorgânica, e ainda demonstrou
uma redução na contagem das células somáticas e
da mastite clínica (CLOSE, 1998).
A Agência de Inspeção de Alimentos Canadense
(Canadian Food Inspection Agency – CFIA)
apresenta na sua classificação uma forma de mineral
denominada de metal levedura desidratada (levedura
enriquecida com mineral), que consiste de um produto
seco composto de levedura produzida de um gênero
não modificado de Saccharomyces e o meio no qual
ela cresceu. Este meio não deve ser enriquecido com
níveis de minerais acima da exigência para o
crescimento da levedura com a exceção do metal
em questão (LANGWINSKI; PATIÑO, 2001).
A mastite é de caráter infeccioso, podendo ser
classificada como clínica ou subclínica (BLOOD;
RADOSTITS, 1994; RIBEIRO et al., 2003). Na
forma subclínica não se observam alterações
macroscópicas e sim alterações na composição do
leite; portanto não apresenta sinais visíveis de
inflamação do úbere (CULLOR; TYLER; SMITH,
1994), porém o leite apresenta alta contagem de
células somáticas (CCS).
A forma subclínica é responsável por
aproximadamente 70% das perdas por mastite
(PHILPOT, 1984), podendo reduzir a produção de
leite em níveis que variam de 10 a 26% do total da
produção de acordo com grau de intensidade do
processo inflamatório, da prevalência da doença, do
agente infeccioso, da patogenicidade e do estágio da
lactação (RATNAKUMAR; HAMZA;
CHOUDHURI, 1996).
A adição de um ou mais minerais traço orgânicos
na dieta de bovinos, tem aumentado a produção de leite
e a resposta imune em alguns estudos (SPEARS, 1996).
Comparativamente aos outros oligoelementos
minerais, o zinco é encontrado em taxas relativamente
altas no leite de bovinos, de 3,0 a 5,0 mg/ L (LUCCI,
1997; ANDRIGUETTO et al., 1990; MILLER;
JARVIS; McBEAN, 2000). Etcheverry et al. (2004)
avaliaram que o colostro e o leite possuem a mesma
biodisponibilidade de minerais, não havendo portanto,
diferenças entre eles. Entretanto, Maynard et al.
(1984) afirmaram que o colostro possui maior
concentração de zinco.
Aumento na produção de leite e a diminuição na
contagem de células somáticas, foram observadas
na lactação de vacas leiteiras alimentadas com zinco
orgânico (AGUILAR; KUJAWA; OLSON, 1988;
KELLOG; RAKES; GLIEDT, 1989; HERRICK,
1989; GALTON, 1990; AGUILAR; JORDAN, 1990;
SPEARS, 1996; NOCEK; PATTON, 2002).
O papel do zinco na manutenção da integridade
epitelial dos tecidos é evidente (MILLER; RAMSEY;
MADSEN, 1988). O zinco também diminui a invasão
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de patógenos na mama por seu papel na produção
da queratina do teto. A queratina de revestimento do
canal do teto atrai as bactérias e previne a penetração
delas para dentro da mama (CRAVEN; WILLIAMS,
1985; NICKERSON, 1990). Aproximadamente 40%
da queratina de revestimento do canal do teto das
vacas holandesas é removida no processo de
ordenha, assim ela requer contínua regeneração
(CAPUCO et al., 1992).
Hardin e Thorne (1993) ao contrário de outros relatos,
não observaram mudanças na produção de leite e na
contagem de células somáticas nos animais
suplementados com zinco. Determinaram que havia
uma variação semanal muito grande na contagem de
células somáticas dentro dos grupos tratados, e que esse
é um comportamento típico em dados de CCS.
O objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito da
suplementação com Saccharomyces cerevisiae,
como fonte de zinco orgânico, na dieta de vacas
leiteiras, sobre a produção de leite e contagem de
células somáticas.
Material e Métodos
O estudo foi realizado entre novembro de 2003 a
maio de 2004, em colaboração com o Departamento
de Clínica Veterinária da Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia da UNESP - Campus de
Botucatu – SP, Centro Diagnóstico da Universidade
Norte do Paraná – Campus Arapongas – PR, Alltech
do Brasil e a propriedade “Sítio Yamamoto”, município
de Rio Bom – PR.
A propriedade de 134 ha possui solo latossolo
vermelho, com altitude média de 480 m, latitude 23º
45‘ 10“ S e longitude 51º 24‘ 50“ W, clima subtropical
úmido mesotérmico, com regime pluvial de setembro
a abril e período seco e frio de maio a agosto.
Formação dos Grupos de Animais
Os animais utilizados pertenciam a um plantel de
criação intensiva e produtora de leite do tipo B,
formado por vacas da raça Holandesa variedade
preto e branco, pura de origem, entre o 1º e o 3º mês
de lactação, produzindo em média, 23 kg/leite/dia,
com idade entre 2,5 e 6 anos, peso médio corporal
de 500 kg. Os animais foram identificados por meio
de brincos (PVC). O rebanho foi mantido em regime
de confinamento (free-stall), em piso de concreto.
Durante o transcorrer do experimento, todos os
animais receberam o mesmo manejo e a mesma
alimentação, distribuída em duas porções iguais
diárias, constituídas no total por 35kg de silagem de
milho, acrescidos de 8 kg de concentrado7, e mistura
mineral8 e água ad libitum. A dieta básica atende as
exigências nutricionais, conforme o (NATIONAL
RESEARCH COUNCIL, 2001).
Do plantel de 189 vacas em lactação, foram
selecionados, dentre os animais que estavam no início
da lactação, 25 animais aleatoriamente escolhidos,
de modo a formarem dois grupos, o grupo G1 com
10 animais e o grupo G2 com 15 animais.
Suplementação de Zinco
O período experimental foi dividido em dois, um
de 25 dias, no qual os animais se adaptaram ao manejo
(free-stall) e a alimentação (dieta basal), seguido de
outro de 180 dias, no qual foi fornecido além da dieta
basal uma suplementação de 5g de levedura de S.
cerevisae9, como fonte de zinco, representando uma
suplementação de 750 mg/vaca/dia.
Os dois grupos ficaram assim dispostos quanto à
dieta: Grupo 1, animais que receberam suplementação
de 5g/dia de levedura de S. cerevisiae e Grupo 2 que
não receberam suplementação de zinco.
7 Colari 20%®
8 Fosbov 20 Tortuga®
9 Bioplex Zinco Alltech®
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Determinação da Produção de Leite e da
Contagem de Células Somáticas
O rebanho da propriedade é submetido
mensalmente ao controle leiteiro oficial pela
Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da
Raça Holandesa (APCBRH). Os animais do
experimento também foram submetidos ao controle
leiteiro, e através da análise do relatório de número 2
da APCBRH, sumário de células somáticas e
produção, foram determinadas a produção leiteira e
a CCS, em sete momentos, de novembro de 2003 a
maio de 2004.
Foram coletados para a CCS em frascos
padronizados de 40 mL, contendo conservante
Bronopol®, leite de todos os quartos de cada vaca da
ordenha da manhã e tarde, identificados,
homogeneizados e acondicionados em caixas
apropriadas. As amostras foram encaminhadas ao
laboratório central de análises do programa de análise
de rebanhos leiteiros do Paraná (APCBRH), onde
foram submetidas ao método de contagem eletrônica
de células somáticas10.
Análise Estatística
Para a variável produção de leite, os grupos foram
comparados pela análise multivariada de perfil
(MORRISON, 1990) com avaliações, em média, nos
vários momentos estudados. O delineamento foi
inteiramente ao acaso. A comparação estatística dos
resultados obtidos das mensurações da produção de
leite foi submetida à análise de variância (ANOVA),
seguida pelo teste de Tukey, para comparação de
médias (P £ 0,05).
Para a contagem de células somáticas foi utilizada
a análise não paramétrica com aplicação do teste de
Friedman para comparação dos momentos, em cada
grupo, e teste de Kruskal-Wallis para comparação
de grupos em cada momento (ZAR, 1996).
Resultados e Discussão
Produção de leite em vacas suplementadas
A produção média de leite dos 2 grupos, durante
os 180 dias do experimento, não apresentou
diferenças significativas estatisticamente, conforme
a tabela 1. Assim sendo, a suplementação oral de
levedura viva como fonte de zinco não alterou a
produção de leite, conforme ilustra a figura 1.
10 Bentley Somacount 500
Momentos
Grupos M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6
G1 30,6a 27,7 29 27,2 27,6a 25,6 24,7
G2 25,3b 23,7 23,5 22,7 21,2b 19,8 19,7
Tabela 1. Médias da produção de leite em litros por vaca dia, nos grupos tratados (G1) e controle (G2), em 7 momentos
(M) mensais nos 180 dias do experimento.
Letras minúsculas comparam médias entre grupos. Médias seguidas de pelo menos uma letra igual não diferem significativamente (P > 0,05).
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A busca de maior produtividade utilizando
microminerais na dieta vem de longa data, Galvão,
Mello e Silva (1973) forneceram zinco via oral para
vacas em lactação e não obtiveram resultados
positivos para produção de leite, resultado que também
foi confirmado neste estudo. A justificativa para a
suplementação com zinco é baseada em três
hipóteses: na melhora da resposta imunológica da
glândula mamária frente à quadros de mastite; na
mais rápida e melhor queratinização do canal do teto;
na maior excreção de zinco pelo leite em vacas de
alta produção.
Os resultados desta pesquisa confirmam os
achados de Smith, Amos e Froetschel (1997), que
também não observaram aumento na produção de
leite em vacas suplementadas com zinco orgânico
por 180 dias. Neste aspecto, é interessante salientar
que a variabilidade na produção de leite entre
rebanhos, é muito grande, devido a fatores como a
resistência individual dos animais à mastite, a
conversão alimentar de cada animal, a idade do
animal, o número de lactações, a resposta ao estresse
térmico, entre outros.
Por outro lado, os dados do presente estudo
discordam dos resultados obtidos por Aguilar, Kujawa
e Olson (1988), Kellogg, Rakes e Gliedt (1989) e
Popovic (2004), que constataram aumento na
produção de leite de vacas alimentadas com zinco
orgânico. Contudo Kellogg, Rakes e Gliedt (1989)
consideraram como significância estatística entre os
grupos um intervalo muito amplo, onde o valor de
“P” foi menor ou igual a 0,10.
Contagem de células somáticas no leite de vacas
suplementadas
A CCS no leite dos animais do grupo 2 (G2 –
controle) apresentou aumento significativo
estatisticamente, conforme a tabela 2. Portanto, pode-
se atribuir a suplementação oral de levedura viva
como fonte de zinco, o fato da contagem de células
somáticas nos animais manter-se baixa, conforme
ilustra a figura 2.
Figura 1. Médias da produção de leite em litros por vaca
dia, nos grupos tratados (G1) e controle (G2), em 7
momentos (M) mensais nos 180 dias do experimento.
Momentos
Grupos M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6
G1 47 50 30 62,5 63,5 66,5 73
G2 44A 94B 116B 115B 97B 109B 155B
Tabela 2. Mediana da contagem de células somáticas (1000/mL) por vaca, nos grupos tratado (G1) e controle (G2) em
7 momentos (M) mensais nos 180 dias do experimento.
Letras maiúsculas comparam médias dentro de cada grupo.
Médias seguidas de pelo menos uma letra igual não diferem significativamente (P > 0,05).
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��
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��
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Produção de leite
15
19
23
27
31
35
M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6
momentos
m
éd
ia
d
e
lit
ro
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de
le
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G1
G2
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Figura 2. Mediana da contagem de células somáticas (1000/
mL) por vaca, nos grupos tratado (G1) e controle (G2) em 7
momentos (M) mensais nos 180 dias do experimento.
A diminuição na CCS de vacas leiteiras em
lactação, alimentadas com zinco orgânico, foi
observada por Aguilar, Kujuwa e Olson (1988),
Kellogg, Rakes e Gliedt (1989), Galton (1990), Aguilar
e Jordan (1990), Hansen (1992), Spears (1996),
Popovic (2004), Kellogg et al. (2004) e Pereira et al.
(2005), confirmando os resultados do presente
trabalho.
A manutenção da CCS das vacas suplementadas
neste experimento pode ser explicada pelos trabalhos
de Craven e Williams (1985) e Nikerson (1990), que
demonstraram o aumento na produção de queratina
no canal do teto de vacas suplementadas com zinco
mais biodisponível, prevenindo a penetração de
bactérias para entro da mama.
Corrobora com esse entendimento as afirmações
de Fonseca e Santos (2000) quando asseveram que
o zinco possui função essencial na integridade da pele,
em especial da glândula mamária e na proteção das
membranas celulares contra a ação oxidativa dos
radicais livres.
Sabe-se que a mastite subclínica é responsável
pela redução da produção de leite (REBHUN, 2000)
em níveis que variam de 10 a 26%
(RATNAKUMAR; HAMZA; CHOUDHURI,
1996), entretanto neste estudo apesar da
suplementação de zinco orgânico manter baixa a
contagem de células somáticas (tabela 2), este fator
não foi suficiente para influenciar a produção de leite
(tabela 1).
Hardin e Thorne (1993) ao contrário deste relato,
não observaram mudanças na CCS nos animais
suplementados com zinco orgânico. Todavia,
determinaram que havia uma variação semanal muito
grande na CCS dentro dos grupos tratados, e que
esse comportamento típico das células somáticas
poderiam influenciar os resultados.
Conclusão
A suplementação oral de 750 mg de zinco orgânico
para vacas em lactação por 180 dias não alterou a
produção de leite, entretanto a suplementação
manteve baixa a contagem de células somáticas.
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Contagem de Células Somáticas
30
45
60
75
90
105
120
135
150
M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6
momentos
N
º
cé
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G1
G2
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