134 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. INTERFERÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS SOBRE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E A PRODUTIVIDADE DE SETE CULTIVARES DE MILHO1 IVAN H. ROSSI2, JUAN A. OSUNAS, PEDRO L.C.A.ALVES4 e ALEXANDRE J. BEZUTTE5 RESUMO O presente trabalho teve por obje tivo estudar o comportamento de 7 cultivares de milho (Z ea mays L.) quanto à in te r fe rênc ia da comunidade de plantas daninhas. Para tanto, os 7 cultivares de milho (ESALQ VF-7, ESALQ VD-8, COMPOSTOS ARQUITETURA, FLINT e DENTADO, PIRA NÃO e o híbrido CARGILL 501) foram submetidos a duas condições de int er fe rên ci a: co m e sem , tot al iza nd o 14 tratamentos arranjados em esquema fatorial (7x2), instalados, no campo, em área experimental da FCAV/UNESP, Campus de Jaboticabal, seguindo o delineamento experimental de blocos ao acaso com 4 repetições. A comunidade infestante cujas espécies mais importantes foram SIDCO, BRAPL e ELEIN, estabeleceu -se a partir dos 14 dias após a semeadura, passando a interferir negativamente sobre a cultura a partir dos 35 dias. Os cultivares CD e CF apresentaram maior crescimento que os de ma i s . A in t e r f e r ênc i a da co mu nidade infestante reduziu a altura de inserção da primeira espiga; o com prime nto e a cir cun ferên cia das es pi gas, os pe so s da es pi gas e dos grão s e a pr odução es timada da cu ltura, in dependen te d o c u l t i va r . O s c u l t i v a r e s P IR e A R Q , independente da interferência, mostraram-se os menos produtivos. O cultivar Carg mostrou-se o mais produtivo mesmo quando sob int er fe rên ci a. O cu l t iv ar AR Q foi o ma is sen sível à int erf erênci a, enquan to PIR e VF-7 f o ra m o s men os s en s í ve i s , p od en do s e r ut il iz ad os em pr og ra ma s de me lh o ra me nt o genéti co visando tol erâ ncia a int erf erênci a de plantas daninhas. Pal av ra s ch av e: Ze a ma ys , pl an ta daninha, matointerferência. ABSTRACT Weed interference in seven corn cultivars. The present work had as an objective to study the behavior of seven corn cultivars, according to the interference of weed plants. So that, the seven corn cultivars (ESALQ VF-7, ESALQ VF-8, COMPOSTOS ARQUITETURA, FLINT E DENTADO, PIRANÃO and CARGILL 501) were submitted to 2 kinds of interference; with an without, totalizing fourteen treatments organized in a factorial plan (7x2), installed in the field as a experimental design of casual blocks with four replications. The infest community, that the most important species were SIDCO, BRAPL and ELEIN, already established fourteen days after the sowing, beginning competition after thirty five days. The cultivars CD and CF presented a higher plant height than the othercultivars. The weed interference decreased the weight of grain and ear yield, the ear length 1 Recebido para publicação em 29/05/96 e na forma revisada em 23/08/96. 2 Eng.°. Agr°. estagiário do Depto de Biologia Aplicada a Agropecuária da FCAVJ/UNESP. 3 Prof. Titular do Depto de Biologia Aplicada a Agropecuária da FCAVJlUNESP. 4 Prof. Assistente do Depto de Biologia Aplicada a Agropecuária da FCAVJ/UNESP. 5 Alun o de Pós -graduação , Depto d e Bi ologia Aplicada a Agropecuá ria da FCAVJ/UNESP, Rod . Ca rlos Tonnani, Km 05, CEP 14.870-000, Jaboticabal - SP. Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 135 I. H. Rossi el al. and circumference and the di stance from the so il t o f i r s t e a r . T h e c u l t i v a r s P I R a n d A R Q ind ependent of the interferenc e, showed to be the less producible. The cul tivar CARG showe d to be t he mo s t p ro d uc ib l e , e ve n wh e n wi t h we ed int erfe renc e. The cul t iva r ARQ wa s the mo st sensi tive in relation to the int erfer enc e, whi le PIR and VF- 7 were the le ss , sho win g tha t t hese cul t ivars present po tentia l i ty to be used in a ge ne tic imp ro ve pr ogr am , aimi ng tole ranc e to weed plants interference. Key words: Zea mays, weed competition. INTRODUÇÃO O milho é a principal cultura agrícola brasileira, com produção total de grãos de aproximadamente 25 milhões de toneladas. Nossa contribuição mundial é, porém, ainda bem inferior à dos países mais produtivos, o que é devido principalmente a baixa produtividade (Ramos, 1992). A cul tura de mi lho , apesar de ser considerada como de boa capacidade competitiva (Heemst, 1986) e ser enquadrada entre o grupo de culturas que mais sombreiam o solo (Keeley & Thullen, 1978), sof re intensa interferência das pl an ta s da ni nh as , co m sé ri os pr ej uí zo s no c r e s c i m e n t o , n a p r o d u t i v i d a d e e n a operacionalização de colheita (Ramos, 1992; Viswanath, 1977). Portanto, reduzir ou eliminar esta interferência consiste numa prática indispensável à produção de milho. Uma forma de reduzir os custos de produção é a utilização de cultivares de milho que competem mais efetivamente com as plantas daninhas pelos recursos do meio. Isto, pode ser alcançado buscando-se plantas com características de arquitetura que podem limitar a penetração de luz ao nível do solo, como altura, folhas largas e grande número de folhas orientadas horizontalmente (Ford & Pleasant, 1994). Reduzindo a incidência de luz na superfície do solo, haverá decréscimo na germinação de algumas espécies de plantas daninhas e no crescimento das plântulas (Duke, 1985). Contudo, são poucos os estudos comparando a competitividade entre cultivares de milho e destes com plantas daninhas. Em virtude do relatado, objetivou-se neste trabalho, avaliar o desenvolvimento e a produtividade de sete cu l t iva res de mi lho qu an do su bm et ido s à in te rf erência de uma comuni da de de plan ta s daninhas. MATERIAL E MÉTODOS Este trabalho foi conduzido sob condições de campo, no município de Jaboticabal (SP), num La to ss ol o Ve rmel ho Escu ro , te xt ur a médi a, di st ró fi co , A mo de ra do e de cl as se te xt ur al argilosa. Antes da instalação, o solo foi amostrado e de aco rdo co m a an ál ise quí mi ca (P r e s = 19µg/ml; M.O. = 2,3%; PH CaCl2 = 4,7; K = 0,37 meq /100 ml, Ca = 1,6 meq /100 ml; Mg = 0,8 meq/100 ml; H + Al = 3,4 meq/100 ml; SB = 2,77 meq/100 ml; T = 6,17 meq/100 ml; V = 45%), efetuou- se a sua correção. O preparo do solo adotado foi o convencional , com uma aração e duas gradagens, sendo que antes da aração foi adicionado calcário dolomítico em quantidade equivalente a 2,5 t/ha. A semeadura foi realizada no dia 12 de outubro de 1992, e o espaçamento adotado foi de 0,90 ni de entr e-linhas e as sementes espaçadas entre si em 0,20 m. Na ocasião da semeadura adicionou -se 200 kg/ha do adubo formulado 4- 3010 e 45 di as ap ós re al iz ou -se ad ub aç ão de cobertura adicionando-se 300 kg/ha de sulfato de amônio, quando as plantas de milho encontravam-se com 6-7 folhas. Os tr at am en to s ex pe ri me nt ai s fo ra m compostos por sete cultivares: ESALQ VF-7 (VF- 7) e ESALQ VD-8 (VD-8), de porte médio e ciclo sem iprecoce; COMPOSTO ARQUITETURA (ARQ), de folhas eretas, porte pequeno e ciclo semi pr eco ce; HÍB RID O CARGIL L - 501 (CARG), híb rido duplo do tipo meio den te, de porte médio e ciclo precoce; PIRANÃO (PIR), de 136 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 1nterferencia das plantas daninhas sobre algumas características agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. porte bai xo e ci cl o no rma l ; COM PO ST O DENTADO VII (CD), de porte alto e ciclo tardio e COMPOSTO FLINT VIII (CF), de porte alto e ciclo tardio, submetidos a duas condições de interferência das plantas daninhas (com e sem), totalizando 14 tratamentos. A condição sem interferência das plant as daninhas fo i obtida mediante capinas manuais periódicas nas parcelas correspondentes. No campo, os tratamentos experimentais foram locados segundo o delineamento de blocos ao acaso, com quatro repetições e os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 7 x 2, onde constituíram variáveis principais as sete cultivares de milho e as duas condições de interferência, totalizando 56 parcelas. As parcelas experimentais apresentaram cinco linhas de semeadura e cinco met ros de comp rimento cada, perfazendo uma área de 22,5m2. Como área útil, considerou-se as três linhas centrais, desprezando-se 0,5m das extremidades, totalizando 10,80 m2. Em intervalos quinzenais , da semeadura até a colheita do milho, avaliou-se a comunidade infestante através de duas sub-amostragens de 0,25m2 cada, onde realizou-se a contagem e a identificação dos indivíduos. Aos 154 dias após a semeadura do milho, as plantas daninhas presentes na área amostral foram colhidas, separadas por espécie, contadas, postas a secar em estufa de c i r cu l ação fo rçada de a r (70 - 80 °C) e , posteriormente, pesadas. Concomitantemente às av al ia çõ es de de ns id ad e, for am re al iz ad as aval iaçõ es vi suai s de cobertura do so lo pe la comunidade infestante, segundo a escala de notas da ALAM, 1974. Por acasião das avaliações da comunidade infestante, avalia ram-se nas plantas de milho: altura e área foliar (obtida através do produto do comprimento total das folhas pela largura média destas e pelo fator de correção 0,75 definido por Car le ton & Foote (1975) para o mi lho) . Posteriormente, a planta foi separada em suas di fe rentes partes (col mo e fo lhas que fo ram separadas em lâminas e bainhas), e foram postas para secar em estufa com circulação forçada de ar (70 - 80°C) para a obtenção dos pesos da matéria sec a. Pa ra a av al ia çã o da s ca ra ct er ís ti ca s agr onô mic as, da pro dut ivi dad e e da pro duç ão es t ima da , fora m leva ntados os segu in tes parâmetros: altura das plantas e altura de inserção da espiga principal, para as quais foram escolhidas 10 pla nta s por parcel a; número de pla nta s por metro linear (estande); porcentagem de plantas ac am ad as ; nú me ro de es pi ga s po r pl an ta; porcentage m de espigas dani f icadas por Hel ico ver pa zea; comp r ime nto da espiga ; compr ime nto da pal ha; númer o de fi le iras de gr ão s po r es pi ga ; ci rc un fe rê nc ia da es pi ga ; compactação da palha; peso total das espigas por planta; peso dos grãos; peso médio por espiga e produção (estimada através do estande final e do peso total de grãos por planta). Os dados obtidos foram submet idos a análise de variância pelo teste F e as médias comp ar ad as pe lo tes te de Tuke y a 5% de probabilidade. RESULTADOS No transcorrer do período experimental, constatou-se que ocorreram 25 espécies de plantas d a n i n h a s n a á r e a e x p e r i me n t a l . H o u v e pr ed om in ân ci a de di co ti le dô ne as , co m 17 espécies, representando 68% na composição da flora encontrada. Em termos de família, a mais numer osa, ou sej a, aquel a com mai or rique za florís tica dent re as encontradas , foi a Poaceae, com 6 espécies, seguida pela Asteraceae, com 4 espécie. Estes resultados confirmam o inventário florístico de comunidades de plantas daninhas no Estado de São Paulo realizado por Blanco & Sa nt os (1 98 8) . De nt re as pl an ta s da ni nh as encontradas, as 12 espécies mais importantes visualmente, estão relacionadas na Tabela 1, com se us re sp ec ti vo s có di go s in te rn ac io na is de identificação adotados pela Internacional Weed Scien ce Socie ty, famí l ia e c lasse a qual pertencem. Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 137 I. H. Rossi et al. A po rc en ta ge m de co be rtur a do so lo da comunidade infestan te (Tabela 2) , fo i em média de 70% (dado não transformado) a partir d o s 2 8 d i a s a p ó s a s e me a d u r a ( D A S ) , independente do cultivar de milho em convivência. Ao s 4 2 D AS a s p a r c e l a s experimentais encontravam -se 90% cobertas pela comun idade infestant e e, a par ti r dos 70 DA S, es ta co be rt ur a fo i pr at ic am en te to ta l (100% ) . Em nenhuma das ava l iações fo i constatado efeito dos cultivares sobre a cobertura do solo. TABELA 2. Porcentagem1 de cobertura do solo proporcionada pela comunidade infestante, em função do cul tivar de milho e no dec orr er do per íod o experi mental . Méd ia de 4 rep eti çõe s. Jaboticabal, 1992/93. 138 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferencia das plantas daninhas sobre algumas características agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. As es pé ci es de pl an ta s da ni nh as da comunidade infestante foram agrupadas em três classes: monocotiledôneas, dicotiledôneas e totais. Na Tabela 3 encontram-se os dados referentes a densidade destas classes em função do cultivar de mi lho pl ant ado e no dec or rer do pe r íod o experimental. Não se observou, em nenhuma das épocas de avaliação, efeito do cultivar de milho sobre a densidade destas classes. Em todos os cul tivare s de milho tes tados, observou-se que t a n t o a d e n s i d a d e d e p l a n t a s d a n i n h a s monocotiledôneas quanto a de dicotiledôneas e, consequentemente, de totais, foi máxima ao redor dos 14 DAS, indicando que a partir desta época a comunidade infestante, independente da classe, encontrava-se plenamente estabelecida nas parcelas experimentais. Embora houvesse predominância no número de espécies de plantas daninhas dicotiledôneas constituindo a comunidade infestante, a densidade destas mostrou-se 45% menor que a de monocotiledôneas, independente do cultivar de milho e da época avaliada. Quando se considerou o cultivar e a época, observou-se que esta relação decresceu para 27% no cultivares CD e PIR aos 154 DAS, revelando supremacia das monocotiledôneas infestando estes cultivares no final do ciclo da cultura. Tabe la 3. Densidade (plantas /m2) de plantas daninhas monocoti ledôneas (M), dicotile dôneas (D) e tota is (T) exi stent es nas par celas refer ent es aos cul tivar es, no dec orrer do per íodo exp erime nta l. Média de 4 repetições. Jaboticabal, 1992/93. Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 139 I. H. Rossi et al. Uma vez que não se constatou efeito de cultivares sobre a densidade de plantas daninhas, os resultados referentes aos cultivares foram agrupados dentro de cada época de avaliação, permitindo, assim, a representação gráfica do comportamento da densidade das plantas daninhas ao longo do ciclo da cultura, conforme consta da Figura 1 . Nes ta pode- se observa r que a comunidade infestante encontrava-se estabelecida aos 14 DAS, com cerca de 225 plantas/m2, representando uma infestação de 2,25 milhões de plantas/ha. Esta infestação permaneceu pratica- mente constante até os 42 DAS, quando, então decresceu exponencialmente até a colhei ta - do milho (154 DAS), resultando em uma densidade final de aproximadamente 50 plantas/m2 (500 mil plantas/ha). Nesta ocasião, embora a densidade de plantas daninhas tenha se reduzido a 20% da inicial, o acúmulo de matéria seca destas era de aproximadamente 425g/m2 (4,25 t/ha). FIGURA 1. Densidade total de plantas daninhas ao longo do ciclo da cultura do milho, independente do cultivar plantado. Média de 28 repetições. Quando se avaliou o peso da matéria seca da parte aérea das plantas daninhas mono e di co ti le dô ne as qu e co nv iv ia m co m os se te cultivares de milho aos 150 DAS (Figura 2), observou-se que este foi muito superior nas monocotiledôneas, represen tando 89% do peso total da comunidade infestante, independente do cu l ti va r de mi lho co m que es ta s conviv ia m. Embora o peso da matéria seca da comunidade infestante mostrasse uma tendência de ser menor quando em convivência com os cultivares de milho VF-7, CARG e CF, não se constatou efeito de cultivares sobre o peso da matéria seca da parte aé rea ta nt o da s mo co ti led on ea s co mo da s dicot iledô nea s, con forme pod e ser con sta tado pelos valores de DMS encontrados. Os elevados valores de coeficiente de variação determinados par a o pe so da ma tér ia se ca de mo ns tram que as pl ant as da ninha s comp onentes da co mu ni da de in fe st an te en co nt ra va m-se em diferentes estágios de crescimento, principalmente as dicotiledôneas. 140 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferênciadas plantas daninhas sobre algumas características agronômicase a produtividade de sete cultivares de milho. FIGURA 2. Peso da matéria seca da parte aérea das plantas daninhas mono e dicotiledóneas infestando sete cultivares de milho aos 150 dias. As análises estatísticas dos parâmetros relacionados ao desenvolvimento da cultura não indicaram interações significativas entre os fatores cu lt iv ar es e in te rf er ên ci a. Se nd o as si m, a interferência da comunidade infestante sobre o d e s e n v o l v i me n t o d a c u l t u r a d o mi l h o , ind epe ndente do cul tivar ana lis ado , ou seja, o fator interferência isoladamente, encontra-se repre senta da na Figur a 3. A bar ra de err o em c ad a ép oca de a va l i aç ão c or r e sp on de a c o mp a r a ç ã o d a s méd i a s d e c o m e s e m interferência obtidas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A interferência da comunidade infestante sobre a altura das plantas de milho manifestou-se, significativamente, já aos 35 DAS (Figura 3A), sendo que a partir dos 42 dias esta interferência reduziu, em média, 10% a altura das plantas. Na Tabela 4, pode-se observ ar que aos 7 DAS o cultivar VD-8 foi o que apresentou maior altura, independente da interferência da comunidade infestante. Aos 21 DAS todos os cultivares apresentavam mesma altura. Mas, a partir dos 35 DA S, os cu lt iv ar es PI R e AR Q pa ss ar am a apresentar uma altura menor que os demais cultivares, resultado este que se manteve até os 84 D A S , q u a n d o o s c u l t i v a r e s C D e C F ap re se nt ar am -se ma is al to s, se gu id os pe lo s cultivares VD-8, CARG e VF-7. Pelos resultados, pode-se constatar que os cultivares VF-7 e PIR cresceram em altura até os 63 DAS, enquanto os demais cultivares continuaram a crescer até os 84 DAS, principalmente o CD e CF. Quanto a área foliar das plantas de milho (Figura 3B), pode-se observar que a interferência da comunidade infestante manifestou-se significativamente a partir dos 35 DAS, chegando aos 84 DAS com uma redução de 17%. Observou- se aos 7 DAS que o cultivar CARG (Tabela 4), apresentou maior área foliar que os demais . Aos 21 DA S, em bo ra es te cu lt iv ar ap re se nt as se tendência de maior área foliar, não se constatou d i f er enças en t re os cu l t i var es , o mesmo acontecendo aos 49 e 84 DAS. Mas aos 35 DAS, o cult ivar CAR G tinha maior área fo liar que os cultivares PIR e ARQ, enquanto aos 63 DAS os cultivares VD-8 e VF-7, apresentaram menor área foliar. Pode-se observar que a área foliar de todos o s c u l t i v a r e s f o i má x i ma a o s 6 3 D A S , in de pe nd en te da in te rf er ên ci a da s pl an ta s daninhas. Planta Daninha, v. 16, n. 2, 1996. 141 I. H. Rossi et al. FIGURA 3. Efeito da interferência da comunidade infestante sobre a altura (A) e área foliar (B) da planta de milho, independentemente de seu cultivar. Média de 28 repetições. 142 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferência das plantas daninhas sobre algumas características agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. TABELA 4. Altura das plantas e área foliar de sete cultivares de milhõ, independente da interferência da comunidade infestante, Jaboticabal, 1993. Com relação ao peso de matéria seca das fol ha s da s pl an tas de mi lho (Fi gu ra 4A ), verificou-se que a interferência da comunidade infestante manifestou-se a par tir dos 35 DAS, se ndo que es ta in te rf erên ci a re duziu em at é 26% o peso da biomassa seca . Aos 7 DAS o cu lt ivar CARG fo i o quer ap re se nt ou maio r pe so de ma té ri a se ca de fo lh as (T ab el a 5) . Cont udo, ao s 21 DAS, os de mais cu lt ivar es igualaram ao CARG, à exceção do VD-8 e ARQ que tinham menor peso de matéria seca das fo lhas . Dos 35 aos 84 DAS não ma i s se co ns ta to u di fe re nç as en tr e os cu lt ivar es . Na última aval iação, os cult ivares CD e CF tinham maior peso de biomassa seca das folhas que os cultivares VF-7, VD-8 e ARQ. Os resultados demonstram que o acúmulo de matéria seca nas folhas dos cu lt ivares PIR, VD -8 e CARG foi máxima aos 63 DAS, enquanto no VF-7 e ARQ foi aos 84 DAS e no CD e CF foi aos 105 DAS, in de pe nd en te da in te rf er ên ci a da s pl an ta s daninhas. Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996 143 I. H. Rossi et al. FIGURA 4. Efeito da comunidade infestante sobre o peso da matéria seca de folhas (A), bainhas (B) e colmo (C) da planta de milho, independentemente de seu cultivar. Média de 28 repetições. Para o peso de biomassa seca de bainhas (Figura 4B), a comunidade infestante passou a interferir negativamente, a partir dos 49 DAS, provocando reduções da ordem de 23%. Não se constatou diferença entre os cultivares até os 63 DA S (T ab el a 5) . A pa rti r do s 84 DA S, os cultivares CD e CF tinham maior peso que o VF-7 e V D-8 , enquan to os de mai s c u l t i va r e s apresentaram valores intermediários. O acúmulo de biomassa seca nas bainhas foi máximo aos 63 Das para os cultivares VF-7, PIR, VD-8 e CARG, enquanto para CD, ARQ e CF foi aos 105 DAS. 144 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferência das plantas daninhas sobre algumas características agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. TABELA 5. Peso da biomassa seca de folhas, bainhas e colmos de sete cultivares de milho, independente da interferência da comunidade infestante, Jaboticabal, 1992/93. Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 145 1. H. Rossi et al. Quando verificamos a interferência da comunidade infestante sobre a biomassa seca do colmo das plant as de milho, obser vam os que oco rreu a par tir dos 35 DAS , propo rci ona ndo reduções de até 39%. 0 peso da biomassa seca dos colmos dos cultivares variou muito nas avaliações reali zad as dos 21 aos 29 DAS, mas , de mod o geral, este tendeu a ser menor nos cultivares PIR e ARQ (Tabela 5), Aos 63 DAS não se constatou di fe re nç a en tr e os cu lt iv ar es qu an to a es te par âmetro , mas , a par tir de 84 DAS o pes o da matéria seca de colmos dos cultivares CD e CF mostraram-se maiores que dos demais cultivares, qu e nã o de fe ri ra m en tre si . O ac úm ul o de bio massa sec a nos col mos do cul tivar PIR foi máximo aos 63 DAS, para os cultivares VF-7 e ARQ foi aos 84 DAS e para os demais foi aos 105 DAS. Na Tabela 6, encontram-se os dados ref er en tes a int er fe rên ci a da co mu ni da de infes tan te sobr e al gu ma s carac te rí st i ca s agronômicas e produtivas de plantas de milho, independente dos - cultivares estudados. Nesta pode- se ver i f i car que a in te r fe rênc ia da comunidade infestante reduziu em 5% a altura de inserção da primeira espiga; em 15 e 13% o comprimento e a circunferência das espigas, respectivamente; em 23 e 28% os pesos da espigas e dos grãos e em 32% a pro dução est imada da cultura, resu ltados semelhantes aos obtidos por Sales (1991) e Young et al. (1984). Os outros parâmetros avaliados: estande final, porcentagem de acamamento, número de espigas por planta, núme ro de f i l e i r as de grãos por esp iga , comprimento da palha, compa ctação da palha e da no causad o por Heli coverpa zea não fora m af et ad os pe la in te rf er ên ci a da co mu ni da de infestante, por isso não constam desta tabela. TABELA 6. Algumas características agronômicas e produtivas de sete cultivares de milho, e efeito da interferência da comunidade infestante sobre estas. Jaboticabal, 1993. 146 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferência das plantas daninhas sobre algumas características agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. Se co ns ide rar mo s as co nd içõ es de in te r fe rê nc ia (com e sem) como fa tores dependentes dos cultivares, desprezando-se a inexistência de interação entre eles, pode-se isolar o compor tamento de cada cult ivar dent ro da co nd iç ão de in te rf er ên ci a. Pa ra a pr od uç ão estimada, considerada a característica agronômica de maior interesse, observou-se que, quando os cul t iva res não sofr era m inter fe rê nci a da comunidade infestante, esta foi maior no cultivar CARG, que não diferenciou dos cultivares VD-8 e CF. Os de mais cu lt ivares apresentaram uma produção decrescente na seguinte ordem: VF-7, CD , AR Q e PI R. A pr od uç ão do PI R ne st as condições, fo i cerca de 47% men or que a do CARG (Tabela 7). TABELA 7. Efe ito da int erferência da comunidade infestante sobre a produção est imada de sete cultivares de milho.Jaboticabal, 1993. Analisando a produção dos cultivares sob a interferência das comunidades infestantes, verificou-se que esta manteve-se maior no cultivar CARG, que por su a ve z nã o di fe renc iou dos cultivares VF-7 e VD-8. Os demais cultivares apresentaram produção significativamente menor (45%, em média) que a do cultivar CARG. A redução na produção dos cultivares em de co rr ên ci a da in te rf er ên ci a im po st a pe la comunidade infestante foi bem maior no cultivar ARQ que nos outros cultivares. Talvez este fato possa ser atribuído a tendência deste cultivar em ap re se nt ar po rt e ba ix o, me no r ár ea fo li ar e biomassa seca das folhas. Além disto, este cultivar apresenta outra caracter ística genética marcante, ou seja, folhas eretas. Estes fatores favorecem a penetração da luz, contribuindo para um melhor desenvolvimento das plantas daninhas, o que pode ser co nfi rma do pel a ma ior b ioma sssa da comunidade infestante quando conviveu com este cultivar. Santos et al. (1987) e Mundstock (1977) constataram que cultivares de milho de porte mais ba ix o, permit ia m um maior cresci mento das plantas daninhas. Os autores atribuíram este fato a maior incidência de radiação solar. Marais (1985) e Beale (1986), observaram correlações negativas entre a produtividade de milho e a biomassa seca acumulada pela comunidade infestante. Os outros cu lt iv ar es ta mb ém ti ve ra m um a re du çã o na produção em decorrência da interferência, sendo eles, em ordem decrescente, os cultivares CF, CD, VD-8, CARG, PIR e VF-7. Es te s re su lt ad os de mons tr aram que o cultivar CARG foi o mais produtivo em qualquer situação e que o cultivar PIR embora tenha sido o menos pr odut ivo, fo i o que menos se nt iu os efeitos da interferência, ssim como o VF-7, contrastando com os cultivares ARQ, CF e CD Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. 147 lnterferência das plantas daninhas sobre algumas características agronómicas e a produtividade de sete cultivares de milho. que se mostraram muito sensíveis a interferência. Ferreira (1982), trabalhando com oito variedades diferentes de milho também verificou que estes apresentavam diferenças na suscetibilidade em relação à interferência das plantas daninhas. LITERATURA CITADA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANO DE MA LE ZA S. Re co me nd ac io ne s so br e unificación de los sistemas de evaluacion en ensayos de control de malezas. ALAM, Bogotá, v.1, n.1, p.35-8, 1974. BEALE, M.W. Fall panicum interference in corn (Zea mays). New Brunswick, 1986. In: Dissertation Abstracts Internacional Bulletin, Ann Arbor , v.46, n.7, p.2129B, 1986. BLANCO, H.G., SANTOS, A.L. dos. Plantas d a n i n h a s p r e d o mi n an t e s e m á r e a s cul tivadas com mil ho no Est ado de São Paulo. Biológico. São Paul o, v.54 , p.1-7, 1988. CARLETON, A.E., FOOTE, A. Comparison of methods for est imatin g tot al lea f area of ba rley plan t. Crop Sci. , Madison, v.5, p.603, 1975. EGLEY, G.H., DUKE, S.O. Physiology of weed seed dormancy and germination. In: DUKE, S . O . ( E d . ) W e e d p h y s i o l o g y : Reproduction and ecophysiology. Boca Raton: CRC Press, Inc., v.1, 1987. p.27-64. HE EM ST , H. D. G. Th e inf lue nc e of we ed competition on crop yield. Agric. Syst., Wageningem, v.18, n.2, p.81-83, 1986. FERREIRA, E.G. Influênciada matocompetição sobre cultivares de milho. Jaboticabal, 198 2. 46 p. (Trab al ho apr es en tado a F a c u l d a de d e C i ê n c i a s A gr á r i a s e V e t e r i n á r i a s , U N E S P , C a mp u s d e Jaboticabal para graduação em Agronomia). FORD, G.T., PLEASANT, J.MT. Compet itive abilities of six corn (Zea mays L.) Hybrids wi th fo ur weed co ntro l prac ti es . Weed Technol. Champaign, v.8, p.124-8, 1994. K E E L E Y , P . E . , T HU L L E N , R . J . L i g h t requirements of yellow nutseage and light i n t e r cep t i on by c rop s . Weed Sc i . , Champaign, v.26, n.1, p.10-6, 1978. MARAIS, J.N. Weed competition in maize with reference to peasant farming. Fort Hare Papers, Johannesburgh, v.8, n.1, p.63-82, 1985. MUNDSTOCK, C.M. Milho: distribuição entre- linhas. Lavoura arrozeira , Porto Alegre, v.30, n.229, p.28-9, 1977. RAMOS, L.R.M. Efei to de períodos de convivência da comunidade infestante sobre o crescimento, nutrição mineral e produtividade da cultura do milho (Zea mays L.). Jaboticabal, UNESP, 1992, 100 p. Dissertação (Doutorado em Agronomia). SALES, J.C. Determinação dos períodos de interferência e integração de práticas culturais com herbicidas no controle de pla ntas dan inhas na cul tur a do mil ho (Z ea ma ys L. ). Pi ra ci ca ba : De pt o de Horticultura, USP, 1991, 161p. Dissertação (Doutorado em Agronomia). S A N T O S , J . A . C . , A N D R A D E , M . A . , ANDRADE, L.A.B. , ABREU, A.R. Influência de portes de cultivares, número de capinas e épocas de colheita sobre a 148 Planta Daninha, v. 14, n. 2, 1996. Interferência das plantas daninhas sobre algumas caracteristicas agronômicas e a produtividade de sete cultivares de milho. incidência de plantas daninhas e produção de grãos de mi lh o. Pe squi. Agro pecu . Bras., Brasília, v.22, n.5, p.501-3, 1987. VI SW AN AT H, H. We ed co nt ro l an d efficient use of fertilizer in mayse (Zea mays L.). Bangalore, Un. of Agricultural Sci., 1977. YOUNG, F.L., WISE, D.L., JONES, R.J. Quackgrass (Agropyron repens) interference on corn. Weed Sci.,, Champaign, v.32, n.2, p.226-34, 1984.