1 Marina de Toledo Tose Volume: Princípio de Cavalieri no Ensino Médio São José do Rio Preto 2017 2 Marina de Toledo Tose Volume: Princípio de Cavalieri no Ensino Médio Dissertação apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre, junto ao Programa de Pós- Graduação em Matemática em Rede Nacional - PROFMAT, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de São José do Rio Preto. Financiadora: CAPES Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Pavan Lamas. São José do Rio Preto 2017 3 Tose, Marina de Toledo. Volume : o Princípio de Cavalieri no ensino médio / Marina de Toledo Tose. -- São José do Rio Preto, 2017 71 f. : il. Orientador: Rita de Cássia Pavani Lamas Dissertação (Mestrado profissional) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas 1. Matemática (Ensino médio) - Estudo e ensino. 2. Geometria - Estudo e ensino. 3. Geometria sólida. 4. Formas. 5. Superfícies (Matemática) 6. Matemática - Metodologia. I. Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. II. Título. CDU – 51(07) Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do IBILCE UNESP - Câmpus de São José do Rio Preto 4 Marina de Toledo Tose Volume: Princípio de Cavalieri no Ensino Médio. Dissertação apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre, junto ao Programa de Pós- Graduação em Matemática em Rede Nacional - PROFMAT, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de São José do Rio Preto. Financiadora: CAPES Comissão Examinadora Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Pavan Lamas UNESP – São José do Rio Preto Orientadora Prof.ª Dr.ª Flávia Souza Machado da Silva UNESP – São José do Rio Preto Prof.º Dr.º Oyran Silva Rayzaro UEMS – Nova Andradina São José do Rio Preto 16 de Fevereiro de 2017 5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha família que sempre me apoiou e me incentivou durante os períodos difíceis. 6 AGRADECIMENTO Agradeço primeiramente aos meus familiares que sempre apoiaram minhas decisões e me deram forças para superar os obstáculos. Aos meus colegas de turma pelas horas de estudo em grupo e aos docentes que, durante esse tempo, me proporcionaram construir um conhecimento. A minha orientadora Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Pavan Lamas pela paciência e assistência na realização deste trabalho. E, à CAPES pelo incentivo financeiro. 7 RESUMO A geometria espacial é de suma importância na matemática e tem ampla aplicação na vida cotidiana. No entanto, para melhor compreensão de seus conceitos, observa-se a necessidade de formas alternativas para o seu ensino na escola básica. Neste trabalho é descrito os conceitos de polígonos, poliedros e não poliedros, bem como os procedimentos utilizados para o ensino e aprendizagem de volumes e o Princípio de Cavalieri, por meio de atividade experimental, na segunda série do ensino médio. Palavras-chave: Ensino de Matemática - Cálculo de Volumes - O Principio de Cavalieri. 8 ABSTRACT Spatial geometry is of paramount importance in mathematics and has wide application in everyday life. However, to better understand their concepts, there is a need for alternative ways of teaching in basic school. In this work the concepts of polygons, polyhedra and non-polyhedra are described, as well as the procedures used for teaching and learning of volume and the Cavalieri Principle, through experimental activity, in the second grade of high school. Keywords: Teaching of Mathematics - Calculus of Volumes - The Principle of Cavalieri. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Região Triangular. ......................................................................................... 15 Figura 2: Região Poligonal. .......................................................................................... 15 Figura 3: Ponto do interior de uma região poligonal, P, e ponto da fronteira, Q. . 16 Figura 4: Pentágono ABCDE. ...................................................................................... 17 Figura 5: Polígonos. ....................................................................................................... 17 Figura 6: Polígonos regulares. ..................................................................................... 17 Figura 7: Figuras planas não poligonais..................................................................... 18 Figura 8: Polígono convexo e não convexo. .............................................................. 19 Figura 9: Superfície poliédrica aberta, fechada e uma figura que não é superfície poliédrica. ........................................................................................................................ 20 Figura 10: Superfícies poliédricas convexas. ............................................................ 20 Figura 11: Superfície poliédrica não convexa. .......................................................... 21 Figura 12: Poliedros regulares. .................................................................................... 22 Figura 13: Prisma Hexagonal. ...................................................................................... 23 Figura 14: Secção de um prisma triangular. .............................................................. 24 Figura 15: Secção reta de um prisma triangular. ...................................................... 24 Figura 16: Prismas reto, oblíquo e Regular. .............................................................. 25 Figura 17: Paralelepípedo. ........................................................................................... 26 Figura 18: Paralelepípedo Retângulo. ........................................................................ 26 Figura 19: Cubo. ............................................................................................................. 27 Figura 20: Pirâmide de base pentagonal. .................................................................. 28 Figura 21: Secções de uma pirâmide pentagonal. ................................................... 28 Figura 22: Projeção ortogonal do ponto P sobre o plano π. ................................... 29 Figura 23: Altura de uma pirâmide pentagonal. ........................................................ 29 Figura 24: Apótema de uma face lateral de uma pirâmide de base pentagonal. 30 Figura 25: Tetraedro. ..................................................................................................... 30 Figura 26: Tetraedro Regular. ...................................................................................... 31 Figura 27: Circunferência de centro O e raio r. ......................................................... 32 Figura 28: Cilindro. ......................................................................................................... 33 Figura 29: Cilindro circular oblíquo e cilindro circular reto. ...................................... 34 Figura 30: Cilindro equilátero. ...................................................................................... 34 Figura 31: Cone. ............................................................................................................. 36 Figura 32: Cone de altura h. ......................................................................................... 36 Figura 33: Cone circular oblíquo e cone circular reto. .............................................. 37 Figura 34: Esfera. ........................................................................................................... 38 Figura 35: Paralelepípedo retângulo com medidas a, b e c. ................................... 40 Figura 36: Paralelepípedo P(a, b, h1) à esquerda e paralelepípedo P(a, b, h2) à direita, com h1 e h2 comensuráveis. .......................................................................... 41 Figura 37: Paralelepípedo P(a, b, h1) à esquerda e paralelepípedo P(a, b, h2) à direita, com h1 e h2 incomensuráveis. ....................................................................... 42 10 Figura 38: Cubo de aresta 1 justaposto no interior do paralelepípedo ABCDEFGH. ................................................................................................................... 43 Figura 39: Escada. ......................................................................................................... 44 Figura 40: Jarra. ............................................................................................................. 45 Figura 41: Secções do prisma hexagonal reto e paralelepípedo retângulo. ........ 46 Figura 42: Secções do prisma hexagonal obliquo e paralelepípedo retângulo. .. 46 Figura 43: Cilindro e paralelepípedo retângulo de alturas congruentes e bases equivalentes. ................................................................................................................... 47 Figura 44: Prisma de base triangular. ......................................................................... 48 Figura 45: Prisma Hexagonal de base regular. ......................................................... 49 Figura 46: Secção no tetraedro paralela a sua base. .............................................. 51 Figura 47: Tetraedros de mesma área da base e mesma altura. .......................... 53 Figura 48: Prisma triangular ABCDEF. ....................................................................... 54 Figura 49: Corte do prisma triangular ABCDEF através do plano (A, C, E). ........ 54 Figura 50: Corte da pirâmide quadrangular EACFD pelo plano (C, D, E). ........... 54 Figura 51: Octaedro regular de aresta a. ................................................................... 56 Figura 52: Pirâmide regular de base quadrada. ........................................................ 57 Figura 53: Cone reto. ..................................................................................................... 58 Figura 54: Cone oblíquo. ............................................................................................... 59 Figura 55: Cone e pirâmide com alturas congruentes e bases equivalentes. ...... 60 Figura 56: Cone reto com base inscrita na face de um cubo.................................. 61 Figura 57: Recipiente em forma de cone circular reto. ............................................ 62 Figura 58: Cilindro equilátero com dois cones em seu interior. .............................. 63 Figura 59: Clépsidra e anticlépsidra. ........................................................................... 63 Figura 60: Esfera e anticlépsidra seccionados por β. .............................................. 64 Figura 61: Esfera no interior de um cilindro de raio r. .............................................. 65 Figura 62: Construção das superfícies. ...................................................................... 67 Figura 63: Planificação das superfícies. ..................................................................... 67 Figura 64: Superfícies construídas pelos alunos. ..................................................... 68 11 SUMÁRIO Capítulo 1: INTRODUÇÃO ........................................................................................... 12 Capítulo 2: FIGURAS ESPACIAIS - POLIEDROS ................................................... 15 2.1 Prismas ................................................................................................................. 22 2.2 Pirâmide ................................................................................................................ 27 Capítulo 3: FIGURAS ESPACIAIS - NÃO POLIEDROS .......................................... 32 3.1 Cilindro .................................................................................................................. 33 3.2 Cone ...................................................................................................................... 36 3.3 Esfera .................................................................................................................... 37 Capítulo 4: CALCULO DE VOLUMES - PRINCÍPIO DE CAVALIERI ................... 39 4.1 Volume do Paralelepípedo Retângulo.............................................................. 40 4.2 Volume de Prisma e Cilindros ........................................................................... 45 4.3 Pirâmide ................................................................................................................ 51 4.4 Cone ...................................................................................................................... 58 4.5 Esfera .................................................................................................................... 62 Capítulo 5: VOLUME - ATIVIDADE EXPERIMENTAL ............................................ 66 5.1 Desenvolvimento e resultados .......................................................................... 66 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 72 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 73 12 Capítulo 1: INTRODUÇÃO A origem da matemática é difícil de ser definida, pois, segundo Boyer (1996), “... os primórdios do assunto são mais antigos que a arte de escrever”, no entanto as construções das pirâmides e templos pelas civilizações Egípcia e Babilônica são o registro mais antigo de um conhecimento ordenado de Geometria. Muitos outros povos antigos possuíam conhecimentos geométricos, como os Hindus e os Chineses, que também contribuíram para a geometria que conhecemos atualmente. Por volta do século VII a.C. a Geometria passou a ser vista como uma ciência dedutiva, mas somente no século III a.C. ela foi apresentada, por Euclides (323 – 285 a.C.), em forma de axiomas, o que originou o que conhecemos hoje por Geometria Euclidiana. Segundo Contador (2006), “Os mais antigos registros de uma atividade geométrica desenvolvida pelo homem datam de cerca 3000 a. C. com os sumérios”. No entanto, foi no Egito, há cerca de 2000 a. C., que surgiu os primeiros indícios do estudo da Geometria Espacial, com a descoberta dos papiros de Moscou e de Rhind, os quais têm origens egípcias. Segundo Boyer (1996):  “papiro de Moscou”: datado de 1850 a. C. Contém as soluções de 25 problemas de aritmética e geometria.  “papiro de Ahmes ou papiro de Rhind”: datado de 1650 a. C. e comprado em 1858 por um escocês, Henry Rhind, em uma cidade às margens do rio Nilo. Contém as soluções de 85 problemas de aritmética e geometria. Nos dias atuais existem inúmeras profissões que fazem uso indispensável dos conceitos geométricos, entre elas: arquitetura, engenharia, costureira, artista plástico, etc., ainda, situações como montar um brinquedo, jogar com amigos, determinar a quantidade de líquido que cabe em um determinado recipiente, entre outras, podem se transformar em um problema sem conhecimentos geométricos. Logo, fica explicita a importância da Geometria em nosso cotidiano e na formação de um indivíduo. A Geometria surgiu da necessidade de se determinar comprimentos, áreas e volumes, fato que deu origem ao seu nome: geos (terra) e metron (medida) e, 13 desde então, está presente em todo nosso cotidiano, em casa nos formatos das paredes, nas formas retas e curvas das ruas e estradas, nos móveis e objetos de decoração, na escola etc. Na natureza ela aparece, dentre inúmeros exemplos, na forma cilíndrica do caule das plantas, na simetria das folhas e flores e até mesmo nos animais. Segundo Contador, Não é possível datar o momento exato quando o homem passou a ter consciência do mundo à sua volta, mas é certo que foi a partir daí que passou a observar, perceber e comparar as diferentes formas de tudo que a Natureza lhe oferecia. Foi através dessas observações que inconscientemente, os conceitos geométricos foram se formando. (CONTADOR, 2006, p. 191) Há alguns anos o ensino da Geometria vem sendo proposto pelos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs) como substancial no desenvolvimento de competências matemáticas em todas as séries do ensino básico. Segundo a Proposta curricular do estado de São Paulo, Consideramos que a Geometria deve ser tratada, ao longo de todos os anos, em abordagem espiralada, o que significa dizer que os grandes temas podem aparecer tanto nas séries/anos do Ensino Fundamental quanto nas do Ensino Médio, sendo a diferença a escala do tratamento dada ao tema. (SÃO PAULO (ESTADO), 2010, p.39) Diante desta importância, vários questionamentos podem surgir a respeito da construção do conhecimento geométrico, como por exemplo: “de que forma ensinar os conceitos geométricos fundamentais nas escolas?”, “utilizar somente a contextualização ou realizar experimentos e/ou jogos didáticos?”. As metodologias de ensino e seus recursos são ferramentas valiosas no processo de ensino/aprendizagem, com elas é possível que professores e alunos interajam a fim de que o conhecimento seja transmitido e absorvido de forma significativa. Entretanto, este fato não anula a importância da exposição do conteúdo, no método tradicional, somente o complementa. Metodologias de ensino, em geral, utilizam esta exposição de conteúdo como uma de suas etapas. Segundo Petrossi (1988, p.28), “A rigor não existe o método absoluto e eficiente”, assim, a escolha da metodologia deve ser feita considerando-se os paradigmas socioculturais e educacionais do aluno e nem sempre apresenta êxito. 14 Porém há inúmeras pesquisas apresentando resultados positivos com relação a utilização das mesmas. O cálculo de volumes de alguns sólidos pode se tornar muito complexo e, por isso, muitos matemáticos, como o italiano Bonaventura Cavalieri, buscaram encontrar métodos que generalizassem este cálculo. Segundo texto encontrado no Caderno do Professor do estado de São Paulo, Para Cavalieri a linha era formada por pontos sem comprimento, a superfície por infinitas linhas sem largura, e os sólidos eram interpretados por uma reunião de superfícies sem profundidade. No seu entendimento, as figuras planas são como tecidos compostos por fios paralelos e os sólidos, como livros, pilhas de folhas paralelas. (SÃO PAULO, 2015, p. 69 e 70) O objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta, composta por atividades experimentais, as quais visam proporcionar aos alunos do ensino médio a oportunidade de observar os resultados e concluir propriedades matemáticas, entre elas o Princípio de Cavalieri. O conceito geométrico escolhido para este trabalho foi volume de poliedros e não poliedros, conforme capítulo 4, no entanto, a parte experimental proposta e desenvolvida junto aos alunos da 2° série do ensino médio se restringiu a volume de prismas, pirâmides e cilindros (Capítulo 5). Esta escolha foi motivada pelas dificuldades apresentadas pelos alunos, em experiências anteriores, na compreensão e aplicação destes conceitos. Nos capítulos 2 e 3 serão introduzidos os pré-requisitos fundamentais para o capítulo 4. 15 Capítulo 2: FIGURAS ESPACIAIS - POLIEDROS Neste capítulo vamos definir conceitos envolvendo poliedros e conhecer suas propriedades. Para isso, vamos, primeiramente, introduzir algumas definições sobre polígonos, as quais foram baseadas em Barbosa (2000). Definição 2.1: Uma região triangular é um conjunto de pontos do plano formado por todos os segmentos cujas extremidades estão sobre os lados de um triângulo (Figura 1). Ainda, o triângulo é chamado de fronteira da região triangular e, o conjunto de pontos desta região que não pertencem a fronteira é chamado de interior. Figura 1: Região Triangular. Definição 2.2: Uma região poligonal é a união de um número finito de regiões triangulares que, duas a duas, não tem pontos interiores em comum (Figura 2). Figura 2: Região Poligonal. 16 Um ponto P é interior a uma região poligonal se existir alguma região triangular contida na região poligonal contendo o ponto P. O interior de uma região poligonal é o conjunto de pontos interiores da região. A fronteira de uma região poligonal é formada pelos pontos da região que não pertencem ao seu interior. Exemplo 2.1: O ponto P e Q, representados na Figura 3, são pontos pertencentes ao interior e a fronteira da região poligonal, respectivamente. Figura 3: Ponto do interior de uma região poligonal, P, e ponto da fronteira, Q. Os segmentos de retas que determinam a fronteira de uma região poligonal são chamados de lados desta região poligonal e os pontos onde estes segmentos se encontram são chamados de vértices. Definição 2.3: Uma poligonal é uma figura formada por uma sequência de pontos A1, A2, ...,An e pelos segmentos A1A2, A2A3, ..., An-1An. Os pontos A1, A2, ...,An são vértices da poligonal e os segmentos A1A2, A2A3, ..., An-1An são os seus lados. Definição 2.4: Um polígono é uma poligonal em que as seguintes quatro condições são satisfeitas:  An = A1;  Os lados da poligonal se interceptam somente em suas extremidades;  Cada vértice é extremidade de dois lados;  Dois lados com mesma extremidade não pertencem a uma mesma reta. Chamamos de polígono regular um polígono com lados congruentes (de mesma medida). 17 Pela Definição 2.3, a fronteira de uma região poligonal é um polígono. Exemplo 2.2: Um pentágono é um polígono de cinco lados e cinco vértices (Figura 4). Figura 4: Pentágono ABCDE. Exemplo 2.3: A Figura 5 apresenta exemplos de polígonos. Figura 5: Polígonos. Exemplo 2.4: A Figura 6 apresenta exemplos de polígonos regulares, ou seja, polígonos cujos lados têm mesma medida. Figura 6: Polígonos regulares. 18 Figuras planas limitadas por curvas, como, por exemplo, o círculo, não são polígonos. Exemplo 2.5: As figuras planas, representadas na figura 7, não são polígonos porque não são formadas apenas por segmentos e desta forma não satisfazem a definição 2.3. Figura 7: Figuras planas não poligonais. A nomenclatura dos polígonos é dada de acordo com a quantidade de lados do mesmo. Segue o nome de alguns polígonos com o número de lados de cada um:  Triângulo: 3 lados;  Quadrilátero: 4 lados;  Pentágono: 5 lados;  Hexágono: 6 lados;  Heptágono: 7 lados;  Octágono: 8 lados;  Eneágono: 9 lados;  Decágono: 10 lados;  Undecágono: 11 lados;  Dodecágono: 12 lados;  Pentadecágono: 15 lados;  Icoságono: 20 lados. Por abuso de linguagem uma região poligonal também é chamada de polígono simplesmente. Por exemplo, é utilizado triângulo para região triangular. 19 Definição 2.5: Um polígono é dito convexo se ele está contido num mesmo semiplano em relação à reta suporte de qualquer de seus lado, caso contrário, o polígono é dito não convexo. Exemplo 2.6: Na Figura 8 o polígono da esquerda é um polígono convexo e o da direita é um polígono não convexo. Figura 8: Polígono convexo e não convexo. Definição 2.6: Uma figura poliédrica é a reunião de um número finito de polígonos planos tais que: i. A interseção de dois polígonos quaisquer ou é vazia, ou é um vértice ou é um dos lados dos polígonos; ii. Dois polígonos contendo um lado em comum não são coplanares; iii. Cada lado de cada polígono não pertence a mais do que dois polígonos. Os lados e vértice dos polígonos são denominados arestas e vértices da figura poliédrica, respectivamente. Definição 2.7: Uma superfície poliédrica é uma figura poliédrica reunida com as regiões poligonais (não necessariamente todas) determinadas pelos polígonos, denominadas faces da superfície poliédrica com a seguinte condição adicional na definição 2.6: iv. Existindo arestas que pertençam a uma só face elas devem formar uma única poligonal fechada denominada contorno. 20 Quando uma superfície não tiver contorno é dita fechada, caso contrário ela será dita aberta. Exemplo 2.7: Uma caixa destampada é uma superfície poliédrica aberta, se estiver tampada é uma superfície poliédrica fechada e, se não tiver tampa e nem fundo não será uma superfície poliédrica (Figura 9). Figura 9: Superfície poliédrica aberta, fechada e uma figura que não é superfície poliédrica. Definição 2.8: Uma superfície poliédrica é convexa quando satisfizer a seguinte condição adicional: v. O plano de cada polígono deixa todos os outros polígonos num mesmo semiespaço. Exemplo 2.8: As figuras espaciais abaixo são exemplos de superfícies poliédricas convexas (Figura 10) e superfícies poliédricas não convexas (Figura 11). Figura 10: Superfícies poliédricas convexas. 21 Figura 11: Superfície poliédrica não convexa. Elementos da Superfície Poliédrica:  Faces: os polígonos;  Arestas: os lados dos polígonos;  Vértices: os vértices dos polígonos. Por abuso de linguagem as superfícies poliédricas recebem os mesmos nomes dos poliedros. Esses nomes são introduzidos ao longo dos próximos capítulos. Definição 2.9: Chamamos de poliedro toda região do espaço delimitada por um conjunto de regiões poligonais, que satisfazem as seguintes condições: i. A interseção de duas regiões poligonais quaisquer ou é vazia, ou é um vértice ou é um dos lados; ii. Duas regiões poligonais contendo um lado em comum não são coplanares; iii. Cada lado de uma região poligonal não pertence a mais do que duas regiões. Os lados e vértices das regiões poligonais são denominados arestas e vértices da figura poliédrica, respectivamente. As regiões poligonais são chamadas faces do poliedro. Pela Definição 2.9, a fronteira do poliedro é exatamente sua superfície poliédrica. Se a superfície for convexa, então o poliedro é convexo. Neste trabalho, daremos ênfase aos poliedros convexos. 22 Observamos que a reunião de uma superfície poliédrica limitada convexa com seu interior determina um poliedro convexo, ainda, a reunião de todas as faces de um poliedro determina a sua superfície poliédrica. Em outras palavras, uma superfície poliédrica é apenas a “casca” do poliedro, com interior oco. Definição 2.10: Um poliedro convexo é regular quando todas as faces são polígonos regulares congruentes e em todos os vértices concorrem o mesmo número de arestas. Exemplo 2.9: O octaedro, representado à esquerda na Figura 12, e o paralelepípedo, à direita, são exemplos de poliedros convexos regulares. Figura 12: Poliedros regulares. A seguir descrevemos alguns poliedros convexos. 2.1 Prismas Definição 2.1.1: Sejam A1A2...An vértices de uma região poligonal convexa situado no plano α e um segmento de reta , cuja reta suporte r, que contém , intercepta o plano α. Chamamos de prisma a reunião de todos os segmentos paralelos e congruentes a , com uma extremidade nos pontos da região poligonal e situados num mesmo semiespaço dos determinados por α. 23 A denominação de um prisma depende da quantidade de lados que determina o polígono de sua base, ou seja, um prisma será triangular, quadrangular, etc., se suas bases forem triângulos, quadriláteros, etc. Ainda, um prisma possui os seguintes elementos:  Bases: um prisma possui 2 bases determinadas por polígonos congruentes pertencentes a planos paralelos;  Faces laterais: os paralelogramos (região quadrangular) determinados pelos vértices dos polígonos das bases;  Arestas: os lados das regiões poligonais;  Vértices: os vértices das regiões poligonais. Exemplo 2.1.1: Um prisma cuja base é uma região poligonal de seis lados é chamado de prisma hexagonal (Figura 13). Figura 13: Prisma Hexagonal. Definição 2.1.2: Secção de um prisma é uma região poligonal plana obtida da interseção do prisma com um plano que intercepta todas as arestas laterais. Secção reta é uma secção cujo plano é perpendicular às arestas laterais. Exemplo 2.1.2: A secção de um prisma triangular é um triângulo (Figura 14). 24 Figura 14: Secção de um prisma triangular. Observemos que a secção é uma região triangular com um só vértice em cada aresta lateral do prisma. Exemplo 2.1.3: O plano que determina a secção reta do prisma triangular é paralelo a base, neste caso, a secção é congruente à base (Figura 15). Figura 15: Secção reta de um prisma triangular. Definição 2.1.3: A superfície lateral de um prisma é a reunião de suas faces laterais e a superfície total de um prisma é a reunião de sua superfície lateral com suas bases. Definição 2.1.4: O prisma pode ser classificado como: i. Prisma Reto é aquele cujas arestas laterais são perpendiculares aos planos das bases; 25 Uma reta r é perpendicular a um plano quando é ortogonal a todas as retas desse plano. Uma aresta lateral será perpendicular ao plano da base do prisma quando a sua reta suporte for perpendicular a esse plano. ii. Prisma Oblíquo é aquele cujas arestas são oblíquas aos planos das bases; iii. Prisma Regular é um prisma reto cujas bases são polígonos regulares. Exemplos desses prismas podem ser observados na Figura 16. Uma outra forma de verificar que uma reta r é perpendicular a um plano é analisando se r é ortogonal a um par de retas concorrentes deste plano. A prova deste Teorema pode ser encontrada em Carvalho (2005). Figura 16: Prismas reto, oblíquo e Regular. Proposição 2.1.1: As faces laterais de um prisma reto são retangulares. Demonstração: Sejam A1...An e B1...Bn vértices dos polígonos que determinam as bases de um prisma reto. Pela Definição 2.1.4 (i) temos que as arestas laterais do prisma são perpendiculares aos planos das bases e, consequentemente, às arestas das bases, ou seja, AiBi é perpendicular a AiAi+1 e também a BiBi+1, com 1 ≤ i ≤ n. Daí, AiBi é paralelo a Ai+1Bi+1 e AiAi+1 é paralelo a BiBi+1. Logo AiBiAi+1Bi+1 é um paralelogramo. 26 Como AiBi é perpendicular a AiAi+1 e também a BiBi+1 e, ainda, AiBi é paralelo a Ai+1Bi+1 (por construção), segue que Ai+1Bi+1 também é perpendicular a AiAi+1 e também a BiBi+1. Assim os ângulos internos do paralelogramo AiBiAi+1Bi+1 são congruentes e medem 90º, ou seja, AiBiAi+1Bi+1 é um retângulo. Portanto, as faces de um prisma reto são retangulares. Definição 2.1.5: Paralelepípedo é um prisma cujas bases são paralelogramos (Figura 17). Figura 17: Paralelepípedo. Definição 2.1.6: Paralelepípedo Retângulo é um prisma reto cujas bases são retangulares (Figura 18). Figura 18: Paralelepípedo Retângulo. Definição 2.1.7: Um Cubo é um paralelepípedo retângulo regular (Figura 19). 27 Figura 19: Cubo. 2.2 Pirâmide Definição 2.2.1: Sejam A1A2...An vértices de uma região poligonal convexa situados no plano α e um ponto V não pertencente a esse plano. Chama-se pirâmide de base A1A2...An e vértice V à reunião dos segmentos com uma extremidade em V e outra nos pontos da região. Uma pirâmide possui os seguintes elementos:  Base: a região pertencente ao plano α;  Faces laterais: As regiões triangulares determinadas pelos vértices da base e o vértice V;  Arestas: os lados das regiões poligonais;  Vértices: os vértices das regiões poligonais. É importante notar que a natureza de uma pirâmide será determinada pela quantidade de lados de sua base, ou seja, uma pirâmide será triangular, quadrangular, etc., se suas bases forem regiões triangulares, quadrangulares, etc. Exemplo 2.2.1: Na Figura 20 temos uma pirâmide cuja base é formada por uma região poligonal de cinco lados, A1A2A3A4A5. Essa é uma pirâmide pentagonal. 28 Figura 20: Pirâmide de base pentagonal. Definição 2.2.2: Secção de uma pirâmide é uma região poligonal plana com apenas um vértice em cada aresta. Na Figura 21 as secções foram obtidas ao seccionar a pirâmide com um plano não paralelo e outro paralelo à base. Figura 21: Secções de uma pirâmide pentagonal. Pode ser observado que a secção de uma pirâmide é uma região poligonal de mesmo número de lados que a base desta pirâmide. No caso da pirâmide a direita na Figura 21, os lados da secção são paralelos aos lados da base da pirâmide. Definição 2.2.3: A superfície lateral de uma pirâmide é a reunião das faces laterais da pirâmide. A superfície total de uma pirâmide é a reunião de sua superfície lateral com a região poligonal que determina sua base. Se a região poligonal que determina a base de uma pirâmide é convexa, então esta pirâmide também é convexa. 29 Definição 2.2.4: Chamamos de projeção ortogonal de um ponto P sobre um plano π o ponto P’, ponto de intersecção entre o plano e a reta que passa por P, tal que o segmento PP’ é perpendicular ao plano. Exemplo 2.2.2: Projeção ortogonal do ponto P sobre o plano π (Figura 22). Figura 22: Projeção ortogonal do ponto P sobre o plano π. Definição 2.2.5: Chamamos altura de uma pirâmide o segmento, de medida h, determinado pela projeção ortogonal H, do vértice V da pirâmide sobre o plano que contém a sua base. Exemplo 2.2.3: Na Figura 23 está representada a altura VH, de medida h, de uma pirâmide de base pentagonal. Figura 23: Altura de uma pirâmide pentagonal. 30 Definição 2.2.6: Uma pirâmide cuja base é um polígono regular e a projeção ortogonal do vértice sobre o plano da base é o centro da base é chamada de pirâmide regular. Numa pirâmide regular as arestas laterais são congruentes e as faces laterais são triângulos isósceles congruentes. A altura de uma face lateral relativa ao lado da base de uma pirâmide regular é denominada apótema. Exemplo 2.2.4: Na figura 24 está representado a apótema a de uma das faces laterais de uma pirâmide de base pentagonal. Figura 24: Apótema de uma face lateral de uma pirâmide de base pentagonal. Definição 2.2.7: Tetraedro é uma pirâmide triangular (Figura 25). Figura 25: Tetraedro. 31 Pela Definição 2.10, o Tetraedro regular é um tetraedro que tem todas as faces congruentes (Figura 26). Figura 26: Tetraedro Regular. 32 Capítulo 3: FIGURAS ESPACIAIS - NÃO POLIEDROS Neste capítulo vamos introduzir conceitos envolvendo figuras espaciais classificadas como não poliedros, de acordo com a Definição 2.9 e conhecer suas propriedades. Para isso, vamos, primeiramente, recordar algumas definições importantes sobre circunferência. Definição 3.1: Chamamos de Circunferência o conjunto dos pontos de um plano que equidistam de um ponto fixo desse plano. O ponto fixo e a distância r que determinam uma circunferência são chamados, respectivamente, de centro e raio. Exemplo 3.1: Na Figura 27 abaixo temos uma circunferência de centro O e raio r. Figura 27: Circunferência de centro O e raio r. Vamos considerar um círculo de centro O e raio r como sendo a região determinada pelos pontos do plano com distância menor ou igual a r de O, ou seja, a reunião da circunferência de centro O e raio r e seus pontos interiores. 33 3.1 Cilindro Definição 3.1.1: Seja C um círculo de centro O e raio r pertencente a um plano π e seja PQ um segmento de medida não nula, não paralelo e não contido em π. Um cilindro é a reunião de todos os segmentos paralelos e congruentes a PQ, com uma extremidade nos pontos do círculo e situados num mesmo semiespaço dos determinados por π (Figura 28). Figura 28: Cilindro. Um cilindro possui os seguintes elementos:  Bases: um cilindro possui 2 bases determinadas por círculos congruentes localizados em planos paralelos;  Geratrizes: segmentos com uma extremidade em um ponto de uma das bases e outra extremidade no ponto correspondente da outra base. Definição 3.1.2: A altura de um cilindro é a distância h entre os planos que contém as bases. Definição 3.1.3: Chamamos de superfície lateral a reunião das geratrizes e de superfície total a reunião da superfície lateral com os círculos das bases. 34 Os cilindros podem ser classificados como cilindro circular oblíquo, quando as geratrizes são oblíquas aos planos das bases, ou cilindro circular reto, quando as geratrizes são perpendiculares aos planos das bases. Exemplo 3.1.1: Na Figura 29 temos, a esquerda, um cilindro circular oblíquo e, a direita, um cilindro circular reto. Figura 29: Cilindro circular oblíquo e cilindro circular reto. Definição 3.1.4: Um cilindro equilátero é um cilindro cuja medida de sua altura equivale ao dobro da medida do raio de sua base. Exemplo 3.1.2: Na Figura 30 o raio da base é r = 2cm e altura h = 4cm. Logo, é um cilindro equilátero. Figura 30: Cilindro equilátero. 35 36 3.2 Cone Definição 3.2.1: Seja C um círculo de centro O e raio r pertencente a um plano π e seja V um ponto não pertencente a π. Chama-se cone à reunião dos segmentos com uma extremidade em V e outra nos pontos do círculo (Figura 31). Figura 31: Cone. Um cone possui os seguintes elementos:  Base: círculo C de centro O e raio r;  Geratrizes: segmentos com uma extremidade no ponto V e outra extremidade nos pontos do círculo;  Vértice: o ponto V conforme definição 3.2.1. Definição 3.2.2: A altura de um cone é a medida h determinada pela projeção ortogonal do vértice V sobre o plano que contém sua base (Figura 32). Figura 32: Cone de altura h. 37 Definição 3.2.3: A superfície lateral de um cone é a reunião de todas suas geratrizes e a superfície total é a reunião da superfície lateral com o círculo da base. Os cones podem ser classificados como cone circular oblíquo, quando a reta que passa pelos pontos V e O é oblíqua ao plano da base, ou cone circular reto, quando a reta que passa pelos pontos V e O é perpendicular ao plano da base. Exemplo 3.2.1: Na Figura 33 temos, a esquerda, um cone circular oblíquo e, a direita, um cone circular reto. Figura 33: Cone circular oblíquo e cone circular reto. 3.3 Esfera Definição 3.3.1: Consideremos um ponto O e um segmento de medida r. Uma esfera de centro O e raio r é o conjunto de pontos P do espaço, tais que a distância OP seja menor ou igual a r (Figura 34). 38 Figura 34: Esfera. Definição 3.3.2: A superfície de uma esfera de centro O e raio r é o conjunto de pontos P do espaço, tais que a distância OP é igual a r. Estudaremos a seguir como determinar o volume dos poliedros e não poliedros apresentados nos capítulos 2 e 3. Da forma como definidos, essas figuras espaciais são também chamadas de sólidos geométricos. 39 Capítulo 4: CALCULO DE VOLUMES - PRINCÍPIO DE CAVALIERI De forma intuitiva, o volume de um sólido é o total de espaço que ele ocupa. No entanto, a definição segue: Definição 4.1: Volume de um sólido ou medida do sólido é um número real positivo associado ao sólido de forma que: i. Sólidos congruentes têm volumes iguais; ii. Se um sólido S é a reunião de dois sólidos S1 e S2 que não têm pontos interiores comuns, então o volume de S é a soma dos volumes de S1 e S2. A unidade de medida de volume de um sólido é, em geral considerado, o cubo de aresta 1 uc (unidade de comprimento). Neste caso, o seu volume é 1 uv (unidade de volume), conforme axioma 4.1.1.Para obter o volume de um sólido, o número real positivo pela Definição 4.1, compara-se o cubo com o sólido, de forma a determinar quantos cubos são necessários para obter o sólido, considerando também i e ii. O Princípio de Cavalieri é uma importante ferramenta para o cálculo de volumes. Com ele é possível solucionar de maneira simples problemas que requereriam técnicas avançadas de cálculo diferencial e integral. Axioma 4.1: (Princípio de Cavalieri) Dados dois sólidos S1 e S2, se existe um plano α tal que todo plano β paralelo a α determina secções planas em S1 e S2 com áreas iguais, então os volumes de S1 e S2 são iguais. Esta relação entre as áreas das secções planas e os volumes dos sólidos também é válida para aqueles com bases determinadas por figuras planas distintas, desde que tenham mesma área. Em outras palavras, o princípio de Cavalieri garante que se os sólidos possuírem secções com mesma área e tiverem a mesma altura, então eles terão o mesmo volume. Neste capítulo vamos determinar métodos para encontrarmos o volume de prismas, pirâmides, cilindros, cones e esferas. 40 4.1 Volume do Paralelepípedo Retângulo Para determinarmos o volume de um paralelepípedo retângulo vamos considerar que a unidade de volume seja o cubo de aresta 1uc. Axioma 4.1.1: O volume de um cubo de aresta com medida igual a 1(um) unidade de comprimento, ou cubo unitário, é igual a 1(um) unidade de volume. Esse volume será representado por V(1,1,1) = 1. O Paralelepípedo Retângulo é determinado pelas medidas de seu comprimento, largura e altura, representados na Figura 35 por a, b e c, respectivamente. Vamos compará-lo com o cubo de aresta 1uc para obter o seu volume, ou seja, determinar o número real positivo, conforme Definição 4.1. Para isso, compararemos inicialmente dois paralelepípedos retângulos conforme 4.1.1. Figura 35: Paralelepípedo retângulo com medidas a, b e c. Definição 4.1.1: Diz-se que dois subconjuntos infinitos H e K de números racionais são classes contíguas quando verificam as condições: i. Todo número de H é menor que todo número de K; ii. Para cada ε > 0 existem h є H e k є K tais que k – h < ε. Proposição 4.1.1: A razão entre dois paralelepípedos retângulos de bases congruentes é igual à razão entre as alturas. 41 Demonstração: Sejam P(a,b,h1) e P(a,b,h2) dois paralelepípedos com mesmo comprimento, a, mesma largura, b, e altura h1 e h2, respectivamente. Vamos mostrar que: 1º caso: h1 e h2 são comensuráveis Sendo h1 e h2 comensuráveis, existe um segmento x submúltiplo comum de h1 e h2, tal que e , com Assim, Desta forma é possível considerar os paralelepípedos X(a,b,x) justapostos em P(a,b,h1) e P(a,b,h2), tal que e (Figura 36). Figura 36: Paralelepípedo P(a, b, h1) à esquerda e paralelepípedo P(a, b, h2) à direita, com h1 e h2 comensuráveis. Assim, a relação entre P(a,b,h1) e P(a,b,h2) é De (4.1) e (4.2) segue que 2º caso: h1 e h2 são incomensuráveis Sendo h1 e h2 incomensuráveis, não existe segmento múltiplo comum de h1 e h2, de modo a considerar os paralelepípedos X(a,b,x) justapostos em P(a,b,h1) e P(a,b,h2), como no caso anterior. 42 Considere um segmento de medida y, submúltiplo de h1, tal que , com n N*. Comparando y com h2 (Figura 37), , com m distinto de n, por serem h1 e h2 incomensuráveis. Assim, Considerando os paralelepípedos Y(a,b,y) justapostos em P(a,b,h1) e P(a,b,h2) (Figura 37), temos: Figura 37: Paralelepípedo P(a, b, h1) à esquerda e paralelepípedo P(a, b, h2) à direita, com h1 e h2 incomensuráveis. Como y é submúltiplo de h1, y pode variar, e dividindo y, aumenta n. Nestas condições, colocar como conjunto e formam duas classes contíguas que definem um único número real. Por (4.3) esse número é e por (4.4), Teorema 4.1.1: Seja ABCDEFGH um paralelepípedo retângulo de dimensões a, b e c. O volume deste paralelepípedo é V = a.b.c. 43 Demonstração: Determinemos quantos cubos de aresta 1, P(1,1,1), justapostos, podem ser colocados no interior do paralelepípedo retângulo ABDCEFGH, P(a, b, c) (Figura 38) . Pela Definição 4.1, essa quantidade será o volume de ABCDEFGH. Desta forma, o volume procurado será Figura 38: Cubo de aresta 1 justaposto no interior do paralelepípedo ABCDEFGH. Consideremos os paralelepípedos P(a,b,c), P(a,b,1), P(a,1,1) e P(1,1,1). Pela proposição 4.1.1, considerando como bases congruentes os retângulos de lados medindo a e b em P(a, b, c) e P(a, b, 1), Considerando como bases congruentes os retângulos de lados medindo a e 1 em P(a,b,1) e P(a,1,1), Considerando como bases congruentes os retângulos de lados medindo b e 1 em P(a,1,1) e P(1,1,1), Desta forma, 44 Portanto, V = a.b.c. Com isso, podemos concluir que o volume de um paralelepípedo retângulo é dado pelo produto entre a área de sua base e a medida de sua altura. Exemplo 4.1.1: Considere uma escada com os degraus em forma de um paralelepípedo de dimensões: 1m de comprimento, 0,60m de largura e 0,50m de altura. Determine o volume total de concreto utilizado na construção dessa escada sabendo que ela possui 16 degraus (Figura 39). Figura 39: Escada. Solução: Primeiramente vamos calcular o volume de um degrau. Como o degrau é um paralelepípedo com a = 1m de comprimento, b = 0,60m de largura e c = 0,50m de altura, temos: Como a escada possui 16 degraus temos que o volume total da escada é de ou 4,8 mil litros de concreto. Exemplo 4.1.2: Considere uma jarra no formato de um paralelepípedo, de dimensões 8cm de comprimento, 8cm de largura e 30cm de altura, contendo 1,6 litros de suco de laranja (Figura 40). Determine a distância d, em centímetros, entre o nível de suco na jarra e sua borda superior. 45 Figura 40: Jarra. Solução: O volume total da jarra de dimensões a = 8cm de comprimento, b = 8cm de largura e c = 30 cm de altura é dado por: . Vamos chamar de h’ a altura correspondente ao nível de suco na jarra. Sabendo que temos , com isso, vamos encontrar h’. . Logo, . 4.2 Volume de Prisma e Cilindros Proposição 4.2.1: O volume de um prisma e de um cilindro circular qualquer é o produto da sua área de sua base pela sua altura. Demonstração: Considere um prisma P1 de altura h e área da base igual a A e um paralelepípedo retângulo P2 de altura h e área da base também igual a A. Supondo, sem perda de generalidade que ambos os sólidos com base num mesmo plano α e estejam situados num mesmo semiespaço deste plano, temos que, dado 46 β um plano paralelo a α que secciona P1, β também irá seccionar P2. Ainda, as secções têm áreas iguais, pois são congruentes as bases. As Figuras 41 e 42 mostram o caso em que o prisma é hexagonal. Figura 41: Secções do prisma hexagonal reto e paralelepípedo retângulo. Figura 42: Secções do prisma hexagonal obliquo e paralelepípedo retângulo. Logo, pelo Princípio de Cavalieri, o prisma P1 e o paralelepípedo P2 têm o mesmo volume. VP1 = VP2 (4.5) Pelo Teorema 4.1.1 o volume do paralelepípedo retângulo é dado pelo produto entre a área de sua base e a medida de sua altura. Assim, VP2 = A.h (4.6) De (4.5) e (4.6) segue que: VP1 = A.h 47 Ou seja, o volume de um prisma qualquer é o produto entre a área de sua base e a medida de sua altura. Para o cilindro, considere S1 um cilindro com área da base igual à A e altura h e, S2 um prisma com área da base também igual à A e altura h. Ainda, suponhamos que os dois sólidos tenham bases pertencentes a um mesmo plano α e estejam situados num mesmo semiespaço determinado por este plano. Seja β um plano paralelo a α que secciona os dois sólidos em ponto qualquer entre suas bases e suas alturas, temos que as secções originadas também terão área igual à A, pois são congruentes às respectivas bases. Na Figura 43, essas considerações podem ser observadas para o cilindro circular e o prisma particular (paralelepípedo). Assim, pelo Princípio de Cavalieri, segue que os volumes do cilindro e do paralelepípedo retângulo são iguais, ou seja, o volume do cilindro é dado pelo produto entre a área da sua base e a medida de sua altura: Figura 43: Cilindro e paralelepípedo retângulo de alturas congruentes e bases equivalentes. Notemos que a base de um cilindro é um círculo e sua área é dada por , onde r é o raio do círculo. 48 Exemplo 4.2.1: Um prisma tem por base um triângulo equilátero cujo lado mede x e sua altura equivale ao dobro da altura do triângulo da base. Determine o volume desse prisma (Figura 44). Figura 44: Prisma de base triangular. Solução: Como sabemos que a base deste prisma é um triângulo equilátero de lado medindo x temos que sua altura é dada por: Sabendo que o volume de um prisma é dado pelo produto entre a área de sua base e a medida de sua altura e, ainda, que a área de um triângulo é igual à metade do produto entre a medida de sua base e a medida de sua altura, temos que o volume deste prisma é: Exemplo 4.2.2: Determine o volume de um prisma hexagonal regular com 3m de altura, sabendo que se a altura fosse de 5m o volume do prisma aumentaria em 6m3 (Figura 45). 49 Figura 45: Prisma Hexagonal de base regular. Solução: Vamos considerar V e V’ os volumes do prisma hexagonal de altura 3m e 5m, respectivamente, e de x a medida da aresta da base desse prisma. Como a base do prisma é um hexágono regular de lado medindo x temos que sua área é de: Ainda, Logo, Exemplo 4.2.3: Considerem um pedaço de cano cilíndrico com 30cm de comprimento e 10cm de diâmetro interno, posicionado verticalmente e com a base inferior vedada. Determine o que acontecerá se colocarmos 2L de água em seu interior. Solução: Sabendo que o raio de uma circunferência equivale à metade de seu diâmetro temos que o raio da base deste cilindro é de 5cm. Ainda, consideremos seu comprimento como sendo sua altura. 50 Com isso, vamos determinar a capacidade, V, deste cano e, para isso, consideremos π = 3,14, aproximadamente: . Lembrando que 1L = 1000 cm3 temos que a capacidade do pedaço de cano é de, aproximadamente, 2,355L. Logo colocar 2L de água dentro deste cano não o encherá até a borda. Exemplo 4.2.4: Considere um tonel de forma cilíndrica onde está depositada uma quantidade de vinho que ocupa a metade de sua capacidade. Retirando-se 40L de seu conteúdo, a altura do nível do vinho baixa de 20%. Determine, em litros, a capacidade desse tonel. Solução: Sabendo que ao retirarmos 40L de seu conteúdo a altura do nível de vinho baixa de 20% temos que estes 40L representam 20% da altura do tonel. Logo, para termos o tonel completo, será necessário 200L de vinho. A base do princípio de Cavalieri é a comparação entre os sólidos. Desta forma, é de extrema importância que estes sejam escolhidos adequadamente, caso contrário o princípio não será válido. Por exemplo, ao se comparar dois prismas, independentemente da distância entre a secção e a base, as áreas das secções, em cada um, serão constantes. Observemos que não é possível utilizar o princípio de Cavalieri para determinarmos o volume da pirâmide e do cone, comparando-os aos prismas ou até mesmo ao cilindro, pois nota–se que, na pirâmide e no cone, quanto mais próximos do vértice forem seccionados, menor será a área produzida. 51 4.3 Pirâmide Considere um tetraedro seccionado por um plano paralelo a sua base e os tetraedros assim obtidos, VABC e V’A’B’C’ (Figura 46). Sejam VH = h e VH’ = h’ as medidas das alturas, respectivamente. Figura 46: Secção no tetraedro paralela a sua base. Teorema 4.3.1: Seja VABC um tetraedro com base num plano α e seja β um plano paralelo a α que secciona VABC, temos: i. As arestas laterais e a altura ficam divididas na mesma razão; ii. A secção e a base são triângulos semelhantes; iii. A razão entre as áreas da secção e da base é igual ao quadrado da razão de suas distâncias ao vértice. Demonstração: Considere um tetraedro com base num plano α e seccionado por um plano β paralelo a sua base. Sejam VH = h e VH’ = h’ as alturas, respectivamente, dos tetraedros assim obtidos, VABC e V’A’B’C’ (Figura 46). i. Temos que as retas AH e A’H’ são paralelas, pois AH є α e A’H’ є β e, por definição, α // β. Assim, os triângulos VAH e VA’H’ são semelhantes (caso ângulo-ângulo) e: 52 Analogamente para as demais arestas laterais. ii. Como os lados dos triângulos ABC e A’B’C’ são segmentos que pertencem, respectivamente, a α e a β e, como α // β, segue que os triângulos ABC e A’B’C’ têm lados, respectivamente, paralelos (AB // A’B’, BC // B’C’, AC // A’C’). Com isso, os ângulos correspondentes destes triângulos são congruentes, ou seja: