UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS – RIO CLARO unesp PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA MOTRICIDADE (ÁREA: ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE) EFEITO DO TREINAMENTO AERÓBIO NOS NÍVEIS DO FATOR DE CRESCIMENTO SEMELHANTE À INSULINA-1 E FUNÇÕES COGNITIVAS NA DOENÇA DE ALZHEIMER ANGELICA MIKI STEIN Tese apresentada ao Instituto de Biociências do Câmpus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista, como parte dos requisitos para obtenção do título de doutor em Ciências da Motricidade. DEZEMBRO - 2017 Angelica Miki Stein EFEITO DO TREINAMENTO AERÓBIO NOS NÍVEIS DO FATOR DE CRESCIMENTO SEMELHANTE À INSULINA-1 E FUNÇÕES COGNITIVAS NA DOENÇA DE ALZHEIMER Tese apresentada ao Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutora em Ciências da Motricidade. Orientadora: Profa. Dra. Ruth Ferreira Santos-Galduróz RIO CLARO 2017 Stein, Angelica Miki Efeito do treinamento aeróbio nos níveis do fator de crescimento semelhante à insulina-1 e funções cognitivas na doença de Alzheimer / Angelica Miki Stein. - Rio Claro, 2017 160 f. : il., figs., gráfs., tabs. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro Orientadora: Ruth Ferreira Santos-Galduróz 1. Medicina esportiva. 2. Atividade física e saúde. 3. Doença de Alzheimer. 4. Exercício agudo. 5. Treinamento aeróbio. 6. IGF-1. 7. Cognição. I. Título. 617.1027 S819e Ficha Catalográfica elaborada pela STATI - Biblioteca da UNESP Campus de Rio Claro/SP - Adriana Ap. Puerta Buzzá / CRB 8/7987 DEDICATÓRIA - Dedico este trabalho aos meus pais Marie Uehara Stein e Luiz Carlos Stein que são meus exemplos de força, coragem, amor e altruísmo; - Aos meus avós Alcides Stein (in memorian) e Natalina Rossi Stein (in memorian) que serão eternamente meus inspiradores; - A todos os idosos com doença de Alzheimer e cuidadores que participaram deste estudo, que disponibilizaram seu tempo, que acreditaram piamente neste trabalho e que a cada dia me ensinavam algo novo, fosse com gestos, sorrisos, aceitação da doença ou com carinho que cuidavam de seus familiares. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, com a mais profunda gratidão, gostaria de agradecer à Deus e à Meishu-Sama a oportunidade em realizar o curso de doutorado e por todo aprendizado na trilha deste caminho! Acredito que este seja o fechamento de um ciclo bastante importante de minha vida e nesta seção de “Agradecimentos” eu gostaria de carinhosamente manifestar meu sincero sentimento de gratidão a todos que contribuíram para que este trabalho se realizasse! Gostaria de agradecer a minha família, aos meus pais Luiz Carlos Stein e Mariê Uehara Stein que nunca mediram esforços para me verem feliz e realizada! Esta tese é dedicada à vocês, simbolizando uma parte do meu sentimento de amor e gratidão! Obrigada pelos constantes cuidados e amor à nossa família! Amarei vocês eternamente! Também gostaria de agradecer a minha avó Hatsuko, conhecida também por dona Isabel, a meu irmão Renato, à minha tia Roseli e meus primos Elaine, Luiz e a pequena Suri! Obrigada por sempre estarem próximos, por alegrarem meu dia-a-dia e por serem o meu porto seguro! Aos que chegaram no meio desta trilha, mas que tem igual importância: Obrigada ao meu namorado Leonardo Steenbock que se arriscou em namorar à distância logo nos primeiros meses da nossa história! Seu amor, apoio e companheirismo foram e são essenciais para mim! “Um pelo outro, sempre”! Aproveito para estender meu “Muito obrigada” a toda família que muito carinhosamente me acolheu: Dona Helena, Sr. Paulo (in memorian), Sra. Debora, Gisele, Matheus e Bernardo. Impossível não agradecer aos queridos lafeanos que sempre trabalham com seriedade e também brincam de forma comprometida... “Work hard, play hard”! Vocês foram fundamentais para que eu escolhesse o caminho acadêmico e poder ter convivido e aprendido com cada um foi realmente um privilégio! O Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE) realmente é o melhor laboratório do mundo! Em especial, gostaria de agradecer à minha orientadora professora Dra. Ruth Ferreira Santos-Galduróz que desde o primeiro momento me aceitou como sua orientanda, me investindo confiança e dando suporte científico e também pessoal! Fui muito feliz por ter sido orientada por você, por ter seu exemplo como professora, orientadora e também como mulher! O desenvolvimento do doutorado foi muito mais leve e amistoso, mesmo com as exigências e o ritmo de trabalho que nos é requisitado. Espero que nossa amizade siga também fora do lattes! Ruth muito obrigada por tudo! Aproveito para estender meus agradecimentos à família da UFABC e ao Grupo de estudos de aspectos neuropsiquiátricos e motricidade – GEANM. As reuniões e idas à Santo André e São Bernardo sempre foram recheadas de muito estudo e também de muitas risadas! Da mesma forma gostaria de agradecer ao querido professor Dr. Sebastião Gobbi que abriu as portas do seu laboratório para uma menina que mal sabia o que era ciência. Obrigada pelos seus constantes ensinamentos, puxões de orelha e por toda formação e incentivos ao longo do caminho! Realmente a pesquisa é uma atividade humana e acredito que como neste sentido não poderíamos ter melhor líder! Espero que nunca te faltem os famosos salários psicológicos! Também gostaria de agradecer ao professor Dr. José Luiz Riani Costa que sempre esteve presente desde o meu começo como bolsista do Programa de Cinesioterapia Funcional e Cognitiva para Idosos com doença de Alzheimer (PRO-CDA) até a reta final do doutorado. Riani obrigada pelo carinho, por possibilitar que a intervenção, as coletas e os demais trabalhos desta tese fossem realizados! É sempre bom poder contar com alguém tão altruísta e que sempre nos incentiva a ter um olhar mais profundo sobre as questões relacionadas à saúde, ao envelhecimento, à sociedade! Muito obrigada! É uma alegria tê-los como exemplo! Ao LAFE gostaria de agradecer sobretudo às minhas queridas amigas-irmãs: Flávia Gomes de Melo Coelho e Thays Martins Vital Silva. Acredito que não fosse por uma estar apoiando a outra, eu não chegaria até aqui. A amizade e o constante apoio de vocês duas foram fundamentais para mim e ainda o são! Flávia muito obrigada por estar sempre tão presente! Obrigada pela confiança e pelos tantos momentos de trabalho, de intervenção, de escrita, e também os nossos momentos fora da Unesp. Principalmente obrigada pela amizade, pelos incentivos ao longo do caminho, pelas viagens a Congressos, pelas conversas e por ter se tornado uma amiga tão especial e querida! No dia-a-dia aprendo muito com sua determinação e persistência, sua fé, com seu carinho com os idosos, e com o amor à sua família! Sempre torcerei por vocês! Thays, Zeza, a você um muito obrigada também especial! Obrigada por todo o companheirismo, por me ouvir tanto, por sempre ampliar minha visão sobre as coisas. Sobretudo, obrigada pela amizade, pelos momentos de trabalho, de coorientação, e tantos outros mais! Obrigada pela paciência e por deixar eu te perturbar tanto. Agradeço pelas brincadeiras ao longo do caminho que sempre nos fizeram dar boas risadas e até mesmo aliviar os momentos de tanta tensão – Lembra do seu jaleco abotoado todo torto?! Rsrs... Gostaria de agradecer também à amiga e colega de laboratório Jessica Rodrigues Pereira. Jé querida nossa amizade começou anos atrás ainda “malhando” lá no Grêmio e só fomos nos aproximar na Pós-graduação, não é mesmo?! Obrigada por ser essa amiga tão doce, organizada e querida! Obrigada por ajudar também nas coletas deste trabalho! Agradeço demais a amiga e colega de Pós-Graduação, Iane de Paiva Novais por toda atenção, carinho, conversas e momentos juntas! Obrigada pelo incentivo de engatar um doutorado direto, por me acompanhar na minha primeira vez tão longe do Brasil e pela amizade tão especial que construímos ao longo desses anos! Gostaria também de agradecer à Renata Pedroso pela cuidadosa leitura na redação final da tese, pela torcida e também por dividirmos os momentos e os “choques culturais” no tempo em comum na Espanha. Gracias hermana! Aproveito para agradecer a todos que realizaram as avaliações e auxiliaram nas intervenções na esteira: Franciel Arantes, Larissa Andrade, Carla Andreatto, Marcelo Garuffi, Oscar Gutiérrez, Grazieli Tubero, Gilson Fuzaro Jr, Pollyanna Micali. Obrigada por contribuírem para a realização deste trabalho! Agradeço imensamente a todos os estagiários do PRO-CDA! De forma imensurável é o meu sentimento de gratidão a todos os idosos e cuidadores que participaram deste estudo! Obrigada por disponibilizarem o tempo dos senhores, de acreditarem em nosso trabalho e buscarem a atividade física como uma alternativa - fosse para melhora do quadro da doença de Alzheimer ou para contribuir às nossas pesquisas! Vocês foram as “figuras-chave” desta investigação e ela é dedicada especialmente a cada um de vocês!!! Muitíssimo obrigada! Aproveito também para agradecer a todo apoio técnico de: Clarice Sibuya e ao LANUMEX por concederem equipamentos, técnicas e espaço para o tratamento das amostras sanguíneas e ao professor Dr. Eduardo Kokubun e ao NAFES pelo espaço e pela disponibilidade para a realização das intervenções com os idosos. Agradeço também à professora Dra. Rosana Camarini e ao André Rueda pelo auxílio no tratamento das amostras de IGF-1, pela análise dos dados e por todas as contribuições ao longo destes 5 anos. Igualmente, agradeço a professora Dra. Andrea Camaz Deslandes pelas contribuições na minha banca de qualificação no mestrado e pelas sugestões e parceira em um dos frutos deste trabalho. Além disso, muito obrigada aos professores Dra. Katia Tanaka, Dr. Alexandre Gabarra de Oliveira, Dr. Sebastião Gobbi, Dra. Hanna Karen Antunes e Dra. Márcia Regina Cominetti pelas preciosas contribuições no momento da minha qualificação e da defesa. Meu muito obrigada ao Laboratório de Neuroendocrinologia, conhecido por B05, do Instituto Cajal - Madri, em especial aos professores Dr. Ignacio Torres-Aléman e Dr. Angel Nuñez. Ignacio, Nacho muito obrigada por ter me aceitado no seu laboratório, pela experiência em trabalhar com modelo animal, pela oportunidade em aprimorar e me aprofundar no mundo da pesquisa. Obrigada pela confiança e pelos ensinamentos! Ao professor Angel obrigada pela paciência em me ensinar a operar animais tão pequenininhos e pelos registros de eletroencefalograma. Agradeço a todos os colegas e técnicos laboratório e do Instituto, em especial à Ana Fernandez, Andrea Santi, Victor Munive e à Dolores Guinea (Lola). Obrigada pelos almoços no Cajal, pelas conversas, por me acompanharem nas cirurgias, nos sacrifícios, nas análises e principalmente obrigada pela amizade. Foi um prazer trabalhar com vocês! À profa. Dra. Cynthia Hiraga que nos últimos meses do doutorado cedeu espaço ao LAFE e que carinhosamente nos “abrigou” em seu laboratório. Muito obrigada pelo incentivo neste trabalho! Sobre a experiência de ter vivido fora do Brasil, agradeço aos amigos do grupo “Gominolas de Petróleo”. Como foi bom tê-los conhecido e convivido com vocês! Pessoas únicas e especiais! Agradeço imensamente às minhas compis de apartamento: Luz e Maria e aos amigos queridos Ana, Anita e Ivan, Ivanzito que se tornaram minha família ali! Como los echo de menos! Agradeço também à família Alambert que sempre me apoiou espiritualmente enquanto estive lá! Agradeço aos meus professores de língua estrangeira: ao Victor Andriolli pelas aulas de espanhol e pelas constantes conversas e ao Carlos Butolo pelas aulas de inglês e por nossas reflexões! Aos amigos queridos que estiveram presentes ao longo dessa jornada, Sarah, Anderson, Emerson e Filipe obrigada meus amores! Agradeço a toda a família Pereira Ribeiro que também em vários momentos me deram alegria e conforto! Ao “Pessoal da Unesp”, Aline, Natalia, Léo Lima, Sissy, Anderson, Garuffi, Camila, Leandro, Juliana, Bruna e aos agregados Guilherme, Bruno e Matheus pela amizade e pelos bons momentos! Agradeço ao apoio financeiro recebido durante este trabalho à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES PDSE 99999.010743/2014-06) pela realização do doutorado sanduíche no exterior. À Fundação de Amparo de Pesquisa ao Estado de São Paulo (FAPESP, processo número 2013/19729-0) pelo financiamento do projeto de pesquisa e pelo apoio financeiro. Por último agradeço aos demais professores da Unesp por despertarem em mim a vontade pela busca ao conhecimento e aos funcionários da universidade, da Pós-Graduação e do ponto de apoio da FAPESP por todo o auxílio a este trabalho. Nota-se que este trabalho teve a contribuição de diversas pessoas e seria injusto atribuí- lo só a mim! Então espero ter conseguido agradecer a todos que participaram desta jornada! “As pessoas grandes adoram os números... Elas jamais se informam do essencial... Se dizemos as pessoas grandes: ‘Vi uma casa de tijolos cor de rosa, gerânios na janela, pombas no telhado...’ elas não conseguem, de modo nenhum fazer ideia da casa. É preciso dizer-lhes: ‘É uma casa de seiscentos contos.’ Então elas exclamam: ‘Que beleza’.” Antoine de Saint-Exupéry RESUMO Para auxiliar o tratamento da doença de Alzheimer (DA), existem alternativas não farmacológicas, como o exercício físico. Efeitos do exercício físico em supostos mecanismos como o fator de crescimento semelhante a insulina (IGF-1), tem sido associado a melhoras encefálica, relacionadas à melhora de desempenho cognitivo, neurogênese, depuração do peptídeo beta-amilóide e redução da tau fosforilada. Dessa forma, o objetivo geral desta tese foi verificar a relação entre exercício físico, níveis circulantes de IGF-1 e DA. A tese foi estruturada em 6 capítulos, sendo Capítulo 1: descrição dos objetivos, revisão de literatura e delineamento do estudo; Capítulo 2: artigo de revisão sistemática sobre os estudos que investigaram o efeito do exercício físico nas funções cognitivas e IGF-1 circulante em idosos; Capítulo 3: estudo que teve como objetivo comparar a resposta ao exercício aeróbio agudo nos níveis de IGF-1 circulante de idosos cognitivamente preservados e idosos com DA; Capítulo 4: o objetivo deste estudo foi verificar o efeito do treinamento aeróbio nas funções cognitivas e níveis de IGF-1 em idosos com DA; Capítulo 5: estudo que teve como objetivo comparar a resposta ao exercício aeróbio agudo na cognição e atividade encefálica em camundongos selvagens, pré sintomáticos da DA e com deficiência de IGF-1; Capítulo 6: considerações gerais e conclusões da tese. No Capítulo 2 foram encontrados 7 estudos que verificaram o efeito do exercício nos níveis de IGF-1 e na função cognitiva de idosos em diferentes condições, como idosos cognitivamente preservados, idosos com comprometimento cognitivo leve e idosos pré- diabéticos. Os resultados apontaram que não há consenso entre melhor tipo de exercício, intensidade, frequência e duração para provocar melhora das funções cognitivas e regulação de IGF-1 circulante. O capítulo 3 traz um estudo em que participaram 74 idosos: 40 idosos cognitivamente preservados e 34 idosos com doença de Alzheimer. Todos os participantes responderam a uma avaliação cognitiva e foram submetidos a um teste incremental em esteira ergométrica. Sobretudo, foi demonstrado que idosos com DA e idosos cognitivamente preservados responderam ao exercício aeróbio agudo de maneira diferente: idosos com DA tiveram aumento dos níveis de IGF-1 e idosos cognitivamente preservados tiveram manutenção nestes mesmos níveis. No Capítulo 4, 16 idosos com DA compuseram o Grupo Controle (GC) e 18 idosos com DA, o Grupo Treinamento (GT). O GT participou de um protocolo de treinamento aeróbio, realizado a 80% da frequência cardíaca, com duração de 25-40 min/sessão, três vezes semanais, com duração de 12 semanas. Após o período experimental, não foram identificadas diferenças significativas entre grupos e momentos para as funções cognitivas e níveis de IGF-1. Porém, resultados clínicos na cognição e no controle de quadros de insulino- resistência foram observados no GT. No Capítulo 5 foi verificado camundongos selvagens tiveram aumento significativo na banda theta e desempenho cognitivo superior quando comparados aos outros grupos de animais. Por último, o Capítulo 6 traz as considerações gerais e conclusões da tese: não existe um protocolo único capaz de modificar os níveis de IGF-1 e provocar melhora cognitiva; idosos cognitivamente preservados e idosos com DA respondem de maneira diferente ao exercício aeróbio agudo quanto aos níveis de IGF-1; o treinamento aeróbio adotado não foi efetivo para melhora cognitiva, nem para modificações nos níveis de IGF-1; camundongos selvagens, pré-sintomáticos da DA e com deficiência de IGF-1 respondem de maneira diferente ao exercício aeróbio agudo na atividade encefálica, sendo que o exercício agudo se mostrou efetivo no desempenho cognitivo. PALAVRAS-CHAVE: doença de Alzheimer. Exercício agudo. Treinamento aeróbio. IGF-1. Cognição. ABSTRACT To help the treatment of Alzheimer's disease (AD), there are non-pharmacological alternatives, such as physical exercise. Possible effects of physical exercise on putative mechanisms, such as the insulin-like growth factor-1 (IGF-1), have been associated with improvements on brain health, related to cognition, neurogenesis, clearance of the protein beta-amyloid and p-tau. Thus, the objective of this thesis was to verify the relation among physical exercise, circulating IGF-1 and AD. The thesis was structured in 6 chapters - Chapter 1: description of the objectives, literature review and design of the study; Chapter 2: systematic review manuscript about studies that investigated the physical exercise effects on cognitive functions and circulating IGF-1 in elderlies; Chapter 3: the objective was to compare the response to aerobic acute exercise in circulating IGF-1 levels in cognitively preserved elderly and elderly with AD; Chapter 4: the objective was to verify the aerobic training effect on cognitive functions and IGF-1 levels in elderly with AD; Chapter 5: the objective was to compare the response to acute aerobic exercise on cognition and brain activity in wild mice, pre symptomatic AD mice and IGF-1 deficiency mice; Chapter 6: general considerations and conclusions. In the Chapter 2, 7 papers verified the exercise effect on IGF-1 levels and cognitive function in elderlies with different conditions, as cognitively preserved elderly, mild cognitive impairment and pre diabetes was found. The results pointed that there was no consensus about recommendation of best type of exercise, intensity, frequency and duration to induce improvement on cognition and circulating IGF-1 regulation. The Chapter 3 brings a study with transversal profile, with 74 participants: 40 cognitively preserved elderly and 34 elderly with AD. All participants responded to cognitive evaluation and they were submitted to a incremental test in ergometric treadmill. Mainly, elderly with AD and cognitively preserved elderlies responded to acute aerobic exercise in different ways. Elderly with AD had an increase on IGF-1 levels whereas cognitively preserved elderlies had a maintaining in this same levels. In the Chapter 4 in order to verify the training effect on cognitive functions and IGF-1, 16 elderlies with AD participated in Control Group (CG) and 18 elderlies with AD, in Training Group (TG). The TG participated in an aerobic training protocol, 75% of heart rate, 4 km/h, 25-40 min/session, 3 times weekly, during 12 weeks. After the experimental period, significant differences between groups and moments for cognitive functions and IGF-1 levels were not identified. However, interesting clinical results was observed in cognition and insulin-resistance control of TG. In Chapter 5, wild mice had a significant increase on theta rhythm and better cognitive performance when they were compared to another animal groups. Finally, the Chapter 6 brings us general considerations and conclusions of the thesis: there is not only one protocol capable to modify IGF-1 levels and induce cognition improvement; cognitively preserved elderly and elderly with AD responded differently to acute aerobic exercise in IGF-1 levels; the training protocol adopted in this study was not effective neither to improve cognition, nor to modified IGF-1 levels in elderlies with AD; wild mice, AD pre symptomatic mice and IGF-1 deficiency mice responded different to acute aerobic exercise in brain activity, considering acute exercise effective on cognitive performance. Keywords: Alzheimer’s disease. Acute exercise. Aerobic training. IGF-1. Cognition. SUMÁRIO CAPÍTULO 1............................................................................................................... Interesse pelo tema, introdução, objetivos, delineamento do estudo e revisão de literatura. 01 1 INTERESSE PELO TEMA.................................................................................... 02 2 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 05 3 OBJETIVOS E DELINEAMENTO DO ESTUDO.............................................. 4 HIPÓTESES ........................................................................................................ 08 10 5 REVISÃO DA LITERATURA............................................................................ 11 5.1 Doença de Alzheimer............................................................................................ 11 5.2 Exercício físico, doença de Alzheimer e funções cognitivas ................................ 14 5.3 Fator de crescimento semelhante à insulina-1 ....................................................... 16 5.4 Fator de crescimento semelhante à insulina-1 e doença de Alzheimer ................. 5.5 Fator de crescimento semelhante à insulina-1, doença de Alzheimer, exercício físico e função cognitiva....................................................................................................... 19 22 CAPÍTULO 2...................................................................................................................... Physical exercise, IGF-1 and cognition: a systematic review of experimental studies in the elderly 25 CAPÍTULO 3…...............………......……………………………………………................ Acute exercise increases circulating IGF-1 in elderly with Alzheimer’s disease, not in non- dement elderly 40 3.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 41 3.2 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................. 43 3.3 RESULTADOS...................................................................................................... 49 3.4 DISCUSSÃO......................................................................................................... 58 3.5 CONCLUSÃO....................................................................................................... 62 CAPÍTULO 4………………………….........………………………………….................. Aerobic exercise and peripheral neurobiological markers in elderly with Alzheimer’s disease: a controlled trial 63 4.1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 64 4.2 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................ 66 4.3 RESULTADOS................................................................................................... 73 4.4 DISCUSSÃO....................................................................................................... 81 4.5 CONCLUSÃO..................................................................................................... 86 CAPÍTULO 5………………………….......………..…………………...…................. Acute exercise does not modify brain activity and memory performance in APP/PS1 mice 87 CAPÍTULO 6………………………….......……………………………...…................. Considerações Gerais e Conclusões 90 6.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS............................................................................. 91 6.2 CONCLUSÕES.................................................................................................... 93 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................ 94 ANEXOS............................................................................................................................ 108 APÊNDICES...................................................................................................................... 133 1 Capítulo 1 Interesse pelo tema, introdução, objetivos, delineamento do estudo e revisão de literatura 2 1 INTERESSE PELO TEMA O interesse em trabalhar com exercício físico e doença de Alzheimer surgiu como resultado de diferentes vivências e experiências pessoais até o presente momento de minha trajetória acadêmica e de vida. Portanto, acredito que muito do que descreverei a seguir se entrelaçará com minha história de vida e minhas “descobertas” enquanto aluna de graduação do curso de Educação Física. Durante parte da minha vida e de minha infância, sempre estive muito ligada com meus avós paternos Alcides Stein e Natalina Rossi Stein, que por muito tempo passavam quase o dia todo cuidando de mim e do meu irmão mais novo Renato. Acredito que a partir daí a experiência positiva e agradável em conviver com dois idosos tão especiais me influenciaram certamente na escolha em estudar e querer me aproximar de idosos logo no início do meu curso de graduação. Em 2007 quando ingressei na Unesp, tive a feliz oportunidade de participar de um “recrutamento” de estagiários para o projeto de extensão “Programa de atividade física para a terceira idade” – PROFIT - e escolhi naquele momento trabalhar em uma das atividades oferecidas pelo PROFIT para idosos com doença de Alzheimer, em que havia também um participante que tinha o diagnóstico de esclerose múltipla. No ano anterior ao ingressar na graduação, minha avó havia falecido devido ao diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica e no momento do recrutamento, a palavra esclerose foi a grande motivadora de querer saber mais a fundo sobre aquele tema. Lembro que no penúltimo ano de vida de minha avó Natalina, conhecida também por dona Cida, ela participou de algumas sessões de fisioterapia e aí aparecia o exercício físico para reabilitação e saúde em alguém tão próximo de mim. Creio que o interesse em um primeiro momento foi esse: a curiosidade para saber mais sobre uma área de intervenção do profissional de Educação Física no intuito em oferecer à sociedade melhora da qualidade de vida por meio de uma possível área de atuação. Antes mesmo deste acontecimento, durante meu ensino médio, por vezes refletia sobre os efeitos do exercício físico na saúde mental, uma vez que em minha transição de sedentária à vida ativa, eu sentia melhoras no meu humor, na minha autoimagem e até mesmo resultados positivos na regulação do ciclo circadiano. Me sentia mais disposta, mais bem-humorada, conseguia dormir bem e melhor e pensava na saúde mental, principalmente na adoção do estilo de vida ativo em detrimento ao uso de medicamentos. Minha mãe Marie Uehara Stein também conversava muito comigo a respeito do curso de Educação Física, e as pesquisas relacionadas ao exercício físico e bem-estar. Ela havia trabalhado no Departamento de Educação Física da Unesp anos antes e quando conversávamos, ela me relatava sobre estes achados. Portanto, a 3 escolha do curso e a inserção no PROFIT foram o início da minha motivação a seguir nesta área de pesquisa. Logo nos primeiros anos como estagiária do PROFIT que logo mais desmembrou a modalidade para idosos com doença de Alzheimer como um novo projeto de extensão, o “Programa de Cinesioterapia Funcional e Cognitiva para idosos com doença de Alzheimer” – PRO-CDA, tive a oportunidade de escrever resumos e participar de congressos científicos. A vivência positiva, as amizades e todo o aprendizado dentro do Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento - LAFE, também foram fundamentais para que eu permanecesse no projeto de extensão e continuasse na carreira acadêmica. Dentro do PRO-CDA fui bolsista BAAE II por duas vezes seguidas, oportunizando o aprendizado administrativo e logístico de um projeto de extensão, do Departamento de Educação Física e da Unesp. No último ano de graduação fui contemplada com uma bolsa de iniciação científica da Fapesp em que tive a oportunidade de investigar sobre o efeito do treinamento com pesos na qualidade de vida e no sono de idosos com doença de Alzheimer e trabalhar com as mestrandas na época Salma Hernandez e Thays Vital, sob orientação do professor Dr. Florindo Stella. Em 2011, após concluir a graduação, tive uma vivência profissional que me motivou ainda mais a cursar a de pós-graduação. Trabalhei como professora em escolas da rede municipal e naquele ano em particular eu me apaixonei pela carreira, pelo ensino, pela educação. Assim, ingressar na pós-graduação foi unir os interesses na pesquisa, na extensão, no ensino e principalmente na educação de nível superior. Em 2012, a professora Dra. Ruth Ferreira Santos-Galduróz me admitiu como sua aluna de mestrado e sempre me motivou a fazer uma pesquisa com qualidade e relevância, acompanhando o ritmo do LAFE e seguindo muito também dos conselhos dos professores Dr. Sebastião Gobbi e Dr. José Luiz Riani Costa. Para escolha do tema a ser pesquisado na Pós-Graduação, nos inspiramos nos trabalhos inéditos que eram realizados no LAFE e a doutoranda na época Flávia de Gomes Melo Coelho estava desenvolvendo sua tese investigando um novo protocolo de exercício em idosos com doença de Alzheimer e o fator neurotrófico derivado do encéfalo (BDNF). A partir daí, comecei a ler mais sobre biomarcadores da doença de Alzheimer e exercício físico e me interessei muito pelo fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1). Dessa forma, inicialmente, no mestrado foi proposto investigar a resposta aguda ao exercício aeróbio no IGF-1, comparando idosos cognitivamente preservados e idosos com doença de Alzheimer. Com a realização das disciplinas da pós-graduação e as discussões com os colegas do laboratório, em 2013, decidi criar um grupo de estudos com os colegas do LAFE em que pudéssemos discutir artigos, compartilhássemos nossos conhecimentos sobre “Atividade Física 4 e Saúde Mental.” A partir dali eu sempre buscava ler sobre diversos assuntos que pudessem ampliar e aprofundar minha visão sobre esta temática. Talvez nesses anos foi que eu me descobri enquanto aspirante à pesquisadora, apaixonada pela ciência e por este caminho de busca pela verdade. Durante estes anos iniciais como aluna de mestrado foi possível a publicação de alguns trabalhos como autora e coautora, sempre incentivada pelos professores e colegas de laboratório. Paralelamente ao curso das disciplinas, aos projetos de pesquisa do laboratório, durante a Pós-Graduação pude participar de vários órgãos colegiados dentro da Unesp, como representante discente na comissão de ensino e posteriormente, no Comitê de ética em pesquisa em Humanos, ambos do Instituto de Biociências. Posteriormente, na metade de 2013, minha orientadora e eu conversamos sobre ampliar meu projeto de pesquisa e arriscar uma bolsa de doutorado direto pela Fapesp. Felizmente, fui também bastante incentivada por amigas e colegas de pós-graduação na época, as doutorandas Flávia Gomes de Melo Coelho, Thays Martins Vital e Iane de Paiva Novais. Ao final deste mesmo ano, tive minha bolsa aprovada, o que me proporcionou o ingresso no doutorado, a realização de um projeto de pesquisa mais aprofundado e com medidas mais refinadas. Em 2014 realizei minha qualificação do mestrado para pedir transferência ao curso de doutorado e notei que grande parte das referências que usava na escrita de meus textos era de um grupo de Madri, Espanha, coordenado pelo professor Dr. Ignacio Torres-Aléman. Neste mesmo ano, pleiteei uma bolsa institucional para estágio fora do Brasil a ser realizado no laboratório do professor Ignacio e ao início de 2015 fui realizar o estágio no Instituto Cajal. Neste mesmo ano, assumi a representação discente na Comissão permanente de bolsas institucionais no programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade. No ano seguinte, fui à Madrid realizar o estágio no exterior durante 1 ano no Laboratório de Neuroendocrinologia em que tive a experiência em trabalhar com modelo animal e outro biomarcador da doença de Alzheimer: o eletrocorticograma. Além disso, pude assistir a palestras de pesquisadores internacionais, apresentar o meu projeto de pesquisa realizado no Brasil e discutir resultados, bem como acompanhar o trabalho de outros profissionais deste laboratório. Foi também nesta oportunidade que pude aprender mais sobre o mundo da ciência e aprimorei os estudos na língua inglesa e espanhola. Esta experiencia também foi fundamental para minha formação enquanto pesquisadora. Dessa forma, a tese aqui apresentada talvez seja uma parte do conhecimento resultante das oportunidades que tive e dos projetos de pesquisa desenvolvidos no Brasil e na Espanha. Acredito que o interesse pelo tema será presente também em minha vida futura e espero que a tese seja parte desta história! 5 2 INTRODUÇÃO Dados epidemiológicos indicaram que em 1950 haviam 205 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no mundo, sendo que projeções indicam que em 2050 esse número chegará a 2 bilhões (UNITED NATIONS, 2002). Este fenômeno poderá implicar, entre outras necessidades, em aumentos nos custos médicos e na demanda por serviços de saúde, uma vez que os idosos são mais vulneráveis a doenças crônicas (UNITED NATIONS, 2002; ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2013). Com o aumento da população idosa, outras projeções para o ano de 2050 também indicam um aumento do número de idosos considerados dependentes, que pode representar 277 milhões de pessoas (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2013). Deste número, metade poderá apresentar demência e/ou transtorno cognitivo (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2013), ou seja, cerca de 138 milhões de idosos. Entre os tipos de demência/transtorno cognitivo, a doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum e representa 60 à 80% dos casos (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). A DA é caracterizada por declínio progressivo na memória (LOBO et al., 2000), sendo seus marcadores clássicos o acúmulo de placas senis e a formação dos emaranhados neurofibrilares (ADEAR, 2011). Inicialmente, a memória remota na DA apresenta certo tipo de preservação, já a memória recente apresenta maiores comprometimentos. Isso ocorre porque primeiramente há um comprometimento da estrutura cerebral responsável por essa função: o hipocampo, no entanto, outros danos ocorrem no processo crônico da doença, afetando outras estruturas do encéfalo e gerando uma atrofia cerebral generalizada (ADEAR, 2011). Esses danos afetam a vida social e ocupacional do indivíduo (FORLENZA, 2005; ADEAR, 2011), e podem manifestar também alguns distúrbios neuropsiquiátricos e alterações motoras (ANDERSEN et al., 2004; SHIN et al., 2005; STELLA, 2006; YAARI; BLOOM, 2007). Em 2012, estimou-se que a DA acometeu cerca de 5,4 milhões de pessoas no continente americano, gerando um gasto de 200 bilhões de dólares para seu tratamento (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). Porém, ainda não há cura ou reversão da doença, mas existe uma série de recursos que auxiliam seu tratamento (ADEAR, 2011), como alternativas farmacológicas e não farmacológicas. Sendo que dentre as alternativas não farmacológicas, têm-se o exercício físico (MACHADO et al., 2009; VITAL et al., 2013). Existem evidências acerca dos benefícios do exercício físico para idosos com DA (TERI et al., 1998; SANTANA-SOSA et al., 2008), e diferentes protocolos de treinamento já foram implementados para esta população. De forma geral, foi observado que o exercício físico pode 6 promover uma redução e/ou atenuação dos distúrbios neuropsiquiátricos (NAMAZI et al., 1995; McCURRY et al., 2005; STELLA et al., 2011; STEIN et al., 2013), bem como melhora ou manutenção das funções cognitivas (ROLLAND et al., 2000; CHRISTOFOLETTI et al., 2009; COELHO et al., 2009; HERNANDEZ et al., 2010; HERNANDEZ, 2011; STEIN et al., 2013; PEDROSO et al., 2012; COELHO et al., 2013) e efeitos positivos no âmbito da capacidade funcional (SANTANA-SOSA et al., 2008; CHRISTOFOLETTI et al., 2009; GARUFFI et al., 2012; STEIN et al., 2013). O exercício físico de intensidade moderada tem sido associado a resultados positivos para a população idosa (COTMAN; BERCHTOLD; CHRISTIE, 2007), sendo que entre os tipos de exercício físico, o aeróbio parece ser o mais eficiente quando comparados aos não aeróbios, para promover maiores efeitos na cognição de idosos (KRAMER; ERICKSON, 2007). Porém para idosos com DA, essa mesma ainda não esta totalmente consolidada (COELHO et al., 2009), apesar de demonstrados resultados positivos do exercício para esta população. Diante desses benefícios, a literatura tem apontado alguns mecanismos fisiológicos que podem promover mudanças induzidas pelo exercício físico. Porém, são poucos os estudos que têm analisado os mecanismos envolvidos durante a prática de exercício físico na fisiopatologia da DA (NATION et al., 2011). Segundo estes autores, estudos que investiguem quais seriam os mediadores dos efeitos causados pelo exercício físico na DA podem revelar novos caminhos bioquímicos capazes de modular a fisiopatologia desta doença, indicando abordagens comportamentais e farmacológicas para seu tratamento e prevenção. Dentro deste contexto, um dos mecanismos putativos à melhora cognitiva induzida pelo exercício físico são os fatores de crescimento. Dentre estes, o fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1) pode estimular a neuroplasticidade (TREJO et al., 2001; FOSTER; ROSENBLATT, KULJIS, 2011) e a angiogênese (LOPEZ-LOPEZ et al., 2004; DING et al., 2006), bem como favorecer a glicorregulação (BAKER et al., 2010), efeitos estes considerados contribuintes ao bom funcionamento cognitivo. Porém, até o presente momento não foram encontrados na literatura, estudos que verificassem o efeito do exercício físico aeróbio nos níveis de IGF-1 e nas funções cognitivas de idosos com DA. Assim, na tentativa de elucidar os supostos mecanismos induzidos pelo exercício físico na DA, cabe ser investigada essa relação, procurando esclarecer algumas respostas provocadas pelo exercício físico na fisiopatologia da doença. Desta maneira, na tentativa de elucidar um suposto mecanismo na DA, esta tese foi estruturada em 6 capítulos, enfatizando como tema central o efeito do exercício na regulação dos níveis de IGF-1 e o desempenho cognitivo na DA. 7 O Capítulo 1 traz os objetivos, delineamento da tese e hipóteses, além de uma revisão da literatura sobre o tema, que está dividida em cinco tópicos. O Capítulo 2 é um artigo de revisão sistemática que aborda os efeitos da atividade física nos níveis circulantes de IGF-1 em idosos - incluindo idosos cognitivamente preservados e idosos com comprometimento cognitivo leve. O Capítulo 3 buscou comparar a resposta a uma sessão de exercício aeróbio nos níveis plasmáticos de IGF-1 de idosos cognitivamente preservados e idosos com DA. O Capítulo 4 é um estudo longitudinal em que foi verificado o efeito do treinamento aeróbio nos níveis plasmáticos de IGF-1 e nas funções cognitivas de idosos com doença de Alzheimer. O Capítulo 5 traz o estudo realizado no doutorado sanduíche em que foi comparada a atividade encefálica e o desempenho cognitivo de camundongos selvagens e camundongos pré sintomáticos da doença de Alzheimer após uma sessão de exercício aeróbio. Por último, no Capítulo 6 estão dispostas as considerações gerais e as conclusões desta tese. 8 3 OBJETIVOS E DELINEAMENTO DA TESE Os objetivos do presente trabalho foram agrupados de acordo com os dois tipos de estudos, designados como Parte 1, Parte 2 e Parte 3. a) Parte 1: Estudo Exploratório Objetivos: 1. Verificar e comparar os valores basais dos níveis de IGF-1 e as funções cognitivas em idosos preservados cognitivamente e idosos com doença de Alzheimer. 2. Verificar e comparar o efeito de uma sessão de exercício aeróbio (agudo) nos níveis plasmáticos do IGF-1 em idosos preservados cognitivamente e em idosos com doença de Alzheimer. b) Parte 2: Ensaio Clínico Objetivos: 1. Analisar níveis plasmáticos do IGF-1 após 12 semanas de um programa de treinamento aeróbio em idosos com a doença de Alzheimer. 2. Analisar as funções cognitivas após 12 semanas de um programa de treinamento aeróbio em idosos com a doença de Alzheimer. 3. Verificar possíveis relações entre níveis plasmáticos do IGF-1, variáveis metabólicas (insulina e glicemia) e funções cognitivas após 12 semanas de um programa de treinamento aeróbio. c) Parte 3: Estudo exploratório em modelo animal Objetivos: 1. Analisar o efeito do exercício aeróbio no padrão na atividade encefálica em camundongos selvagens, camundongos pré sintomáticos da doença de Alzheimer e camundongos com deficiência de IGF-1. 2. Verificar o efeito do exercício aeróbio no desempenho cognitivo em camundongos selvagens e camundongos pré sintomáticos da doença de Alzheimer. Com o intuito de responder a esses objetivos foram produzidos 4 artigos, apresentados nos capítulos 2, 3, 4 e 5. Nestes quatro artigos estão descritos os procedimentos realizados com a finalidade de responder aos seguintes objetivos: 9 Capítulo 2. Realizar uma revisão sistemática de artigos científicos que investigaram os efeitos do exercício físico nos níveis de IGF-1 e nas funções cognitivas em idosos. Capítulo 3. Verificar e comparar o efeito de uma sessão de exercício aeróbio (agudo) nos níveis plasmáticos do IGF-1 em idosos preservados cognitivamente e em idosos com doença de Alzheimer. Capítulo 4. Verificar o efeito do treinamento aeróbio nos níveis plasmáticos de IGF-1, funções cognitivas e variáveis metabólicas em idosos com doença de Alzheimer. Capítulo 5. Verificar o efeito de uma sessão de exercício aeróbio (agudo) na atividade encefálica e na memória espacial em camundongos selvagens e camundongos pré sintomáticos da doença de Alzheimer. No capítulo 6 serão apresentadas as considerações gerais e conclusões finais baseadas nos resultados encontrados em cada capítulo do estudo. 10 4 HIPÓTESES Parte 1 a) Idosos com doença de Alzheimer teriam níveis mais baixos de IGF-1 quando comparados a idosos preservados cognitivamente; b) Idosos preservados cognitivamente e idosos com doença de Alzheimer responderiam de maneira diferente ao efeito agudo do exercício aeróbio nos níveis de IGF-1. Parte 2 a) Níveis plasmáticos de IGF-1 seriam regulados em decorrência do treinamento aeróbio; b) As funções cognitivas dos idosos com DA, do grupo treinamento seriam melhoradas ou mantidas, enquanto o grupo controle teria pior desempenho nos testes cognitivos; c) Haveria associação entre níveis plasmáticos de IGF-1, insulina, glicemia e funções cognitivas em idosos com DA. Parte 3 a) Camundongos selvagens, com deficiência de IGF-1 e modelos pré sintomáticos da doença de Alzheimer apresentariam diferentes padrões de atividade encefálica antes e depois da sessão de exercício aeróbio (agudo); b) Camundongos selvagens e modelos pré sintomáticos da doença de Alzheimer apresentariam diferenças no desempenho cognitivo, sendo que camundongos selvagens teriam desempenho cognitivo superior quando comparado a outrem. 11 5 REVISÃO DE LITERATURA 5.1 Doença de Alzheimer A DA é neurodegenerativa, progressiva e irreversível, caracterizada pela deterioração de memória e de outras funções cognitivas, pelo comprometimento progressivo das atividades de vida diária, e pela presença de distúrbios neuropsiquiátricos e de alterações motoras (LOPES et al., 2011; VITAL et al., 2013). Todas estas mudanças diminuem a independência do idoso com DA (VITAL et al., 2013), sendo que esta doença é a principal causa de demência e causa líder de incapacitação entre os idosos (FRATIGLIONI et al., 2000; LOPES et al., 2011). Os sintomas da doença podem afetar as pessoas de maneiras diferentes, mas o padrão sintomatológico mais comum começa com a piora gradual no armazenamento de novas informações (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). Isso acontece porque logo nos estágios iniciais da doença ocorre uma atrofia do hipocampo – estrutura responsável pelo aprendizado e formação de novas memórias (GAZZANIGA, IVRY, MANGUN, 2006; ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012), porém o dano neuronal se espalha e os indivíduos começam a apresentar outras dificuldades (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012; VITAL et al., 2013). A seguir uma figura ilustrativa sobre a estrutura acometida no início da doença e as demais regiões cerebrais conforme o avanço da DA: Figura 1 – Áreas acometidas na doença de Alzheimer desde o estágio inicial até o avançado. No estágio final, o dano é muito difundido e o tecido cerebral diminuiu significativamente.  Início/Estágio leve da doença de Alzheimer  Estágio moderado à avançado da doença de Alzheimer  Estágio avançado da doença de Alzheimer Fonte: Adaptado de ADEAR, 2011. O prejuízo nas funções cognitivas agrava-se de acordo com a progressão da DA. Em cada estágio, em particular, pode ocorrer o aparecimento de prejuízos específicos, sendo que 12 esses prejuízos se acumulam conforme progressão da doença. No estágio leve da DA, alterações na linguagem, desorientação temporal e espacial, dificuldades para concentrar-se, esquecimentos constantes que interferem na vida diária, comprometimento da aprendizagem e memória recente, entre outros são os mais comuns (ANDERSEN et al., 2004; SHIN et al., 2005; YAARI; BLOOM, 2007; VITAL et al., 2013). Já no estágio moderado, alterações visuoespaciais, piora da linguagem, diminuição da capacidade de julgamento podem ocorrer, sendo que na fase grave da DA, o idoso pode tornar-se incapaz, até mesmo, de reconhecer seus próprios familiares (ANDERSEN et al., 2004; SHIN et al., 2005; YAARI; BLOOM, 2007; VITAL et al., 2013). Além dos prejuízos cognitivos, a DA implica no aparecimento de distúrbios neuropsiquiátricos, sendo os mais comuns: apatia, depressão e distúrbios do sono (TATSCH et al., 2006). Outros distúrbios neuropsiquiátricos também podem aparecer, entre eles, delírio, alucinação, agitação, agressividade, ansiedade, euforia, apatia, desinibição, irritabilidade, alterações de apetite e vocalizações aberrantes (CUMMINGS et al., 1994) Juntamente aos sintomas cognitivos e comportamentais, existe uma série de alterações motoras na DA, como: alterações na marcha e no controle postural, diminuição nos componentes da capacidade funcional - força, equilíbrio, coordenação motora, agilidade, flexibilidade, aptidão aeróbia – diminuindo também a mobilidade funcional (ANDRADE et al., 2013). Tais mudanças podem ser observadas nos estágios pré-demenciais, e podem ocorrer ou se agravarem conforme a progressão da doença. Em relação às características neuropatológicas da DA, existem dois marcadores clássicos identificados há mais de 100 anos: 1) Placas amiloides: no meio extracelular, há formação de placas senis ou também conhecidas por placas beta-amiloides (Aβ). O aparecimento destas placas é decorrente da clivagem anormal da proteína precursora da amiloide (APP) pelas enzimas gama-secretase e beta-secretase, respectivamente (DAWSON et al., 1999; YAARI; BLOOM, 2007; VITAL et al., 2013). Acredita-se que o acúmulo destes fragmentos de beta-amiloide interfere na comunicação entre os neurônios e, pode contribuir para a morte celular (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). 2) Emaranhados neurofibrilares: no meio intracelular, há a hiperfosforilação da proteína tau, desestabilizando as paredes dos microtúbulos e gerando a formação dos emaranhados neurofibrilares (VITAL et al., 2013; YAARI; BLOOM, 2007). Tais emaranhados bloqueiam o transporte de nutrientes e de outras moléculas 13 essenciais para a célula, sendo este processo nocivo também contribuinte à morte celular (ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). Em relação a Aβ, dependendo de onde ela é clivada, pode gerar dois tipos de peptídeos diferentes: Aβ1-40 ou Aβ1-42. Ambos são propensos ao acúmulo no meio extracelular, sendo que o peptídeo Aβ1-40 é mais abundante e o Aβ1-42 é mais agregante1 (PERL, 2010). Até agregarem-se em placas, existem vários passos como a formação de monômeros, oligômeros, protofibrilas, fibrilas maduras e finalmente placas Aβ. Ainda não se sabe qual espécie Aβ é a mais tóxica: se são os oligômeros ou as placas ou ainda a combinação de ambos (BENILOVA; KARRAN; STROOPER, 2012). Para confirmação do diagnóstico de DA, os marcadores fisiopatológicos citados acima – placas Aβ e emaranhados neurofibrilares - podem ser identificados no período post-mortem (GROWDON, 1999). Porém, atualmente existem tentativas de incluir no diagnóstico de DA alguns biomarcadores sanguíneos antemortem, que podem facilitar a identificação da doença, bem como contribuir para um diagnóstico mais objetivo e precoce em relação ao diagnóstico clínico (CRAIG-SCHAPIRO; FAGAN; HOLTZMAN, 2009). Por outro lado, apesar da cascata amiloide ser uma marca registrada da DA, a evidência de que ela causa a doença tem se mostrado fraca e corrompível ao longo do tempo. Parece que esta cascata é consequência de mudanças que levam a perdas neuronais e sinápticas. Estudos que utilizaram estratégias para a remoção da Aβ para alterar e/ou barrar o curso da doença, falharam. Uma hipótese seria a de que a diminuição da clivagem de Notch-1 pela presenilina resulta em angiogenese diminuída, diminuição de fluxo sanguíneo e comprometimento da manutenção trófica e função cerebral. O aumento competitivo secundário na clivagem da APP provoca o aumento do peptídeo amiloide (DRACHMAN, 2014). Ainda não se compreende totalmente o que causa o aparecimento da DA, mas torna-se cada vez mais claro que uma série de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida interage e podem desencadear e/ou se apresentar como fatores de risco para a doença (ADEAR, 2011). Entre os fatores, podem ser citados: histórico familiar, apolipoproteina E-ɛ4 (ApoE ɛ4), comprometimento cognitivo leve, doenças cardiovasculares, baixo engajamento social e cognitivo, inatividade física, dieta inadequada, traumatismo craniano e lesão cerebral traumática (ADEAR, 2011; ALZHEIMER’S ASSOCIATION, 2012). 1Na doença de Alzheimer, quanto mais agregante o peptídeo, maiores as chances da formação de placas. 14 Entre os fatores modificáveis relacionados ao estilo de vida, Barnes e Yaffe (2011) apontaram que os mais influentes ao aparecimento da DA são, respectivamente: nível de escolaridade, tabagismo e inatividade física. Os autores indicaram que cerca de 13% dos casos de DA no mundo (cerca de 4,3 milhões de pessoas) são atribuídos a inatividade física e ainda concluíram que se ocorresse uma redução de 10% da inatividade física, 1 milhão de novos casos poderiam ser evitados. 5.2 Exercício físico, doença de Alzheimer e funções cognitivas Segundo Coelho et al. (2009), a prática regular e sistematizada de atividade física contribui para a preservação e/ou melhora temporária de funções cognitivas, sobretudo melhora da atenção, funções executivas e linguagem em idosos com DA. Ainda que estudos tenham demonstrado efeitos positivos na cognição de idosos com DA, a heterogeneidade no desenho experimental não esclarece exatamente o melhor tipo de intervenção, as funções cognitivas afetadas e os mecanismos envolvidos na melhora cognitiva (FARINA; RUSTED; TABET, 2014). Venturelli, Scarsini e Schena (2011) verificaram que por meio de um programa de caminhada, realizada por pelo menos 30 minutos, cerca de 4 vezes por semana, durante 24 semanas, foi possível manter a função cognitiva global de um grupo de idosos com DA. Neste mesmo estudo, o grupo controle apresentou declínio significativo nas funções cognitivas. Segundo os autores, uma possível explicação para a estabilização temporária das funções cognitivas no grupo treinamento pode ser atribuída a melhorias na circulação sanguínea cerebral e alterações na síntese de neurotransmissores. Hernandez (2011) verificou que idosos com DA que participaram de um programa de treinamento com pesos realizado 3 vezes por semana, com duração de 60 minutos por sessão em um período total de 16 semanas, foi suficiente para promover benefícios nas funções cognitivas frontais, por meio de manutenção para tais funções. Esta manutenção, ou a não piora, pode ser interpretada como um importante ganho, uma vez que a DA é progressiva e tende a manifestar agravos crônicos (STEIN et al., 2013). Além disso, para reforçar o resultado exposto no estudo de Hernandez (2011), o grupo que não praticou atividade física – Grupo Convívio Social - que frequentou o mesmo local, na mesma frequência e período, apresentou declínio nas funções cognitivas. Em outros estudos, foi observado que idosos com DA participantes de um programa de exercício físico de caráter multimodal, realizado três vezes por semana, com duração de 60 minutos por sessão em um período total de 16 semanas, tiveram melhora nas funções cognitivas, 15 sobretudo nas funções executivas, atenção e velocidade do processamento mental (PEDROSO et al., 2012; COELHO et al., 2013). Em relação ao exercício físico aeróbio individualizado, um estudo realizado por Arcoverde et al. (2014) verificou que idosos no estágio leve da DA submetidos a um programa de exercício, realizado em esteira ergométrica, em intensidade moderada (60% do VO2 máx), 2 vezes por semana, durante 16 semanas, tiveram melhora da função cognitiva e na capacidade funcional - função cognitiva global, melhora no equilíbrio e diminuição do risco de quedas. Neste mesmo estudo, foi observado o contrário para os idosos com DA do grupo controle, que tiveram declínio na função cognitiva. Até a presente data, foram aplicados diversos protocolos de treinamento em idosos com DA e também em modelo animal. De maneira geral, foi verificado que o exercício físico pode interferir na produção e acúmulo de Aβ e proteína tau; alterar o número de sinapses e função sináptica; induzir a neurogênese – principalmente no giro denteado do hipocampo; aumentar os níveis de neurotrofinas; alterar positivamente inflamação e função imune; ciclo circadiano e melhorar a função cognitiva (PHILLIPS et al., 2015). Em revisão de literatura, Foster, Rosenblatt e Kuljis (2011), relataram que o exercício físico influencia inúmeros processos cognitivos, sendo o maior impacto nas funções executivas – planejamento, programação, memória de trabalho, processos controlados e multitarefa. Estes autores ainda reforçam que o programa de exercício físico aeróbio seria o mais eficiente (FOSTER, ROSENBLATT, KULJIS, 2011). O treinamento aeróbio induz maior atividade nas regiões frontal e parietal – envolvidas no controle da atenção; bem como parece aumentar o volume da substância cinzenta do cérebro (COLCOMBE et al., 2004; KRAMER, ERICKSON, COLCOMBE; 2006). Neste mesmo sentido, foi observado que o exercício físico aeróbio é mais eficiente quando comparado ao resistido e flexibilidade para promover maiores efeitos nas funções cognitivas de idosos (KRAMER; ERICKSON, 2007). Os achados de Kramer e Erickson (2007) indicam que programas de exercício aeróbio, em intensidade moderada, praticado 1 hora, 3 vezes por semana, podem ser interessantes para promover efeitos nas funções cognitivas e saúde encefálica. Porém para idosos com DA, ainda não existe um consenso em relação à dose- resposta do exercício (COELHO et al., 2009), apesar de já elucidados os benefícios do exercício físico à esta população. Na tentativa de elucidar quais seriam os possíveis mecanismos pelos quais o exercício físico induz à melhora/mudanças nas funções cognitivas, existe uma série de hipóteses diferentes e complementares. A literatura tem mostrado mecanismos e mudanças induzidas pelo exercício físico podem ocorrer na DA, entre estes: efeitos de fatores neurotróficos, citocinas 16 pró-inflamatórias e anti-inflamatórias, alterações na secreção e via de sinalização de insulina, remoção de beta-amiloide, etc (FOSTER; ROSENBLATT, KULJIS, 2011). Neste mesmo contexto, Deslandes et al. (2009), em um artigo de revisão, sugerem algumas hipóteses neurofisiológicas pelas quais o exercício físico poderia promover melhoras na saúde mental, como: regulação de espécies reativas de oxigênio, liberação de fatores de crescimento, síntese de neurotransmissores, aumento de oxigenação no cérebro e captação de glicose e modificações no fluxo sanguíneo cerebral. Portanto, um dos possíveis mecanismos putativos à melhora cognitiva induzida pelo exercício físico são os fatores de crescimento. Dentre estes, o fator de crescimento semelhante à insulina - 1 (IGF-1) tem sido apontado como um dos principais mecanismos que produz efeitos funcionais, relacionados à plasticidade, funcionalidade e saúde encefálica (COTMAN; BERCHTOLD; CHRISTIE, 2007; VOSS et al., 2013). 5.3 Fator de crescimento semelhante à insulina – 1 O fator de crescimento semelhante à insulina-1, conhecido pela sigla IGF-1 originada pelo seu termo em inglês Insulin-like growth factor-I, recebeu esse nome pelo fato de que sua estrutura é semelhante à da insulina. A insulina e os IGFs são proteínas homólogas, por isso sua semelhança estrutural (CLEMMONS, 2012). Antes de ser descrito, acreditava-se na existência de mediares endócrinos de crescimento induzidos pelo hormônio de crescimento (GH), denominados somatomedinas ou fatores de crescimento (SALMON; DAUGHADAY, 1957). Anos depois, a estrutura do IGF-1 pode ser observada de forma isolada, mostrando-se muito homóloga a proinsulina e, após sua descoberta os IGFs foram inclusos na superfamília da insulina (RINDERKNECHT; HUMBEL, 1978). Os fatores de crescimento semelhantes à insulina são polipeptídios constituídos por 70 aminoácidos (FRYSTICK, 2004), cruciais para o desenvolvimento e crescimento de vários tecidos do organismo (WINSTON, NI, AURORA, 2006). Além disso, os fatores de crescimento semelhante à insulina exercem efeitos semelhantes aos da insulina no organismo, como diminuição dos níveis de açúcar no sangue (WINSTON, NI, AURORA, 2006). O IGF-1, portanto, tem sido considerado um dos fatores fundamentais na regulação de várias funções fisiológicas, como regulador de glicose, metabolismo energético e crescimento celular (GASPARINI, XU, 2003). O maior sintetizador de IGF-1, responsável por cerca de 75% do total, é o fígado (SJOGREN et al., 1999; WINSTON, NI, AURORA, 2006). Isto foi demonstrado em animais 17 nocautes de IGF-1 hepático que tiveram uma redução drástica nos níveis sanguíneos de IGF-1 (YAKAR et al., 1999). Entretanto, o IGF-1 pode ser sintetizado por células de outros tecidos e órgãos (SJROGREN, 1999). Em nível celular, todas as células do organismo respondem ao IGF-1 e ele pode também ser expresso em todas as células, sendo que o IGF-1 pode ser sintetizado tanto de forma endócrina, quanto autócrina/ paracrina (LeROITH et al., 1995). A síntese desse fator de crescimento é regulada por vários fatores, tais como: hormônio de crescimento, ingestão proteico-calórica, estressores catabólicos, insulina, hormônios tireoidianos, afinidade de ligação da subunidade ácido-lábil, sendo o exercício físico também considerado como fator indireto para regulação deste hormônio, principalmente no eixo GH/IGF-1 (ROSEN; POLLAK, 1999). Porém, a síntese de IGF-1 por tecidos periféricos pode ser realizada, independente do GH, respondendo a estímulos fisiológicos ou estímulos nocivos (D’ERCOLE; APPLEWHITE; UNDERWOOD, 1980; ISAKSSON et al., 1987; SCHLECHTER et al., 1986; BARTKE et al., 2003). No sangue, o IGF-1 é transportado a partir da proteína 3 de ligação ao IGF (IGFBP-3) e uma subunidade ácido-lábil (BAXTER, 2000). Além da IGFBP-3, existem outras isoformas de IGFBPs com alta afinidade para os IGFs e outras IGFBPs com baixa afinidade para os IGFs (FIRTH; BAXTER, 2002). Todas as IGFBPs são expressas no encéfalo, sendo que diferem em quantidade dependendo da região encefálica (YE; D’ERCOLE, 1998). Além disso, a densidade dos receptores de IGF-1 pode ser diferente, dependendo da região encefálica (LICHT et al., 2014). Porém, são principalmente as IGFBPs que irão regular a biodisponibilidade de IGFs, uma vez que apenas o IGF-1 circulante é capaz de interagir com seus receptores na célula. A figura 2 ilustra parte do processo da síntese de IGF-1 a partir do GH, o transporte de IGF-1 no sangue chegando até mesmo no encéfalo; e também representa a síntese e utilização local do IGF-1 - no encéfalo, no caso. 18 Figura 2 – Diagrama do sistema neuroendócrino na secreção de IGF-1 (endócrina), biodisponibilidade por meio do carreador IGFBP-3 e síntese local (parácrina/autocrina). Fonte: Adaptado de Trueba-Saiz, 2015. Após transportado no sangue pela IGFBP-3 ou após síntese e uso local, o IGF-1 interage com seu receptor do fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1R). Porém, em relação ao IGF-1, IGF-2 e insulina existe um certo grau de promiscuidade nestes fatores, uma vez que suas estruturas homólogas os permitem interagir com mais de um receptor, ainda que com baixas afinidades. Por exemplo, o IGF-1R também é capaz de ligar-se a insulina e ao IGF-2, porém com menor afinidade que o próprio IGF-1, e este, por sua vez pode interagir com o IGF- 2R e o receptor de insulina (IR) (HARRIS; WESTWOOD, 2012). Em nível celular, o IGF-1 interage com seu receptor IGF-1R na membrana celular. O IGF-1R é um receptor tirosina quinase heterotetramérico constituído por duas subunidades alpha e duas subunidades beta. A interação IGF-1 ao IGF-1R conduz à autofosforilação e recrutamento de proteínas adaptadoras, sobretudo IRS-1, IRS-2 e Shc. A fosforilação de Shc induz a ativação da via MAPK (mitogen-activated protein kinase), em torno de 5-10 minutos, que resulta em proliferação celular e síntese de proteínas. Por outro lado, a fosforilação dos substratos IRS-1 e IRS-2 alcança a ligação máxima em aproximadamente 2 minutos e ativa ambas as vias Pl3K/AKT (Phosphoinositide-3-kinase) e MAPK. A Pl3 converte o PIP 2 para o segundo mensageiro lípidico PIP 3. Em seguida, a PDK1 e mTOR ativam a AKT. Esta via de 19 ativação regula moléculas pró apoptóticas, anti apoptóticas, metabolismo de glicose, síntese de proteínas, ciclo celular e fatores de transcrição (JUNG; SUH, 2015) – Figura 3. Figura 3 – Via de sinalização do IGF-1. Fonte: Adaptado de Jung; Suh, 2015. Referente aos níveis de IGF-1 em humanos, é conhecido que eles podem variar dependendo do sexo do indivíduo, hormônios e idade (STEYN et al., 2016). Sabidamente os níveis de IGF-1 são dependentes da secreção pulsátil de GH. Em relação ao sexo feminino e masculino, o GH varia no atingimento de pico, frequência pulsátil e liberação de GH, principalmente na puberdade. O estrogênio – hormônio sexual feminino – faz com que pico, frequência e liberação de GH se tornem maiores em mulheres, regulando através de alça longa os níveis de IGF-1 (STEYN et al., 2016). Outrossim que pode influenciar nos níveis de IGF-1 consiste na presença de doença ou alterações metabólicas, como abordados no próximo tópico. 5.4 Fator de crescimento semelhante à insulina – I e doença de Alzheimer Em adultos de meia idade, estudos têm demonstrado que baixos níveis de IGF-1 representam maior risco de comprometimento cognitivo (LLORENS-MARTÍN; ALEMÁN; TREJO, 2008). O IGF-1, portanto, além de exercer as funções de crescimento durante a fase de desenvolvimento, representa também um importante indicador das funções cognitivas. Porém, com o processo natural de envelhecimento, existe uma diminuição da secreção de GH e IGF-1 20 e com isso, a proteína carreadora IGFBP-3 também se encontra diminuída, o que faz a biodisponibilidade de IGF-1 decrescer (SAÉZ, 2012). Estudos apontam que a razão IGF- 1/IGFBP-3 está inversamente correlacionada com declínio cognitivo (VAN DAM et al., 2000; SOONTAG; RAMSEY; CARTER, 2005). Concentrações de IGF-1 plasmático mostram-se bastante reduzidas em idosos com DA quando comparados a idosos sem DA e de mesma idade. Além disso, alterações no eixo hipotalâmico pituitário adrenal e elevados níveis de cortisol/ sulfato de dehidroepiandrosterona se relacionam com baixos níveis de IGF-1 na DA (SAÉZ, 2008). Em um estudo realizado por Trejo et al. (2001) foi apontado que o bloqueio da entrada de IGF-1 no cérebro resulta em impedimento na proliferação de neurônios no giro denteado do hipocampo, reforçando o papel deste fator na neurogênese e performance cognitiva (FOSTER; ROSENBLATT, KULJIS, 2011). Além disso, um estudo com ratos demonstrou que o bloqueio de receptores de IGF-1 no plexo coroide desencadeia uma série de distúrbios, como amiloidose, déficit cognitivo, perda de proteína da vesícula sináptica, gliose, e formas anormais da proteína tau, semelhantes aos distúrbios ocorridos na DA (CARRO et al., 2006a). O IGF-1 parece exercer efeito neuroprotetivo, neurogênese, desenvolvimento, diferenciação, formação de sinapses e utilização de glicose no cérebro (GASPARINI, XU, 2003). O IGF-1 possui a capacidade de ultrapassar a barreira hemato-encefálica e também é produzido no cérebro (GASPARINI, XU, 2003). Em relação às funções cognitivas, o IGF-1 pode beneficiá-las uma vez que tem propriedade neurotrófica e se opõe ao processo de beta-amilóide e hiperfosforilação da tau (DURON et al., 2012). Em idosos saudáveis, existe uma associação positiva entre níveis séricos de IGF-1 e memória de trabalho, atenção seletiva e funções executivas (BELLAR et al., 2011), sendo que existem densidades diferentes de receptores de IGF-1 no encéfalo e algumas funções cognitivas podem se correlacionar mais com os níveis de IGF-1 que outras (LICHT et al., 2014). Referente à DA, por outro lado, Vardy et al. (2011) identificaram que idosos com DA possuem mais IGF-1 circulante, mais IGF-1 biodisponível (IGF-1:IGFBP-3) em comparação com um grupo de idosos sem DA. Neste mesmo estudo, os autores não encontraram qualquer interação entre níveis de IGF-1, IGF-1:IGFBP-3 e Apoe ε4, bem como não foram observadas correlações entre IGF-1 e IGFBP-3 com função cognitiva no grupo de idosos com DA. Neste sentido, outra evidência acerca do IGF-1 na DA, é a de haver uma resistência a este fator. Mudanças significativas no receptor de IGF-1, no receptor de insulina com alterações na sinalização em IRS-1 e IRS-2 foram observados na DA (MOLONEY et al., 2010). Isto explicaria, em parte, o porque alguns estudos encontram maiores níveis de IGF-1 circulantes 21 que outros. Esta resistência neuronal a insulina e ao IGF-1 representam o link molecular entre a diabetes mellitus tipo 2 e a DA, considerada a DA como uma diabetes tipo 3 (GIORDANO et al., 2012). Existe uma interação entre IGF-1 e sinalização de neurotransmissores, sendo que o IGF- 1 incrementa a atuação de enzimas, aumentando as funções colinérgicas, catecolaminérgicas e dopaminérgica. Sobretudo, IGF-1 exerce um efeito positivo na sobrevivência neuronal e liberação de acetilcolina em neurônios colinérgicos do hipocampo e córtex - áreas diretamente relacionadas à DA (GIORDANO et al., 2012). Dessa forma, DA pode haver alterações nos níveis de IGF-1 – aumento ou diminuição, comparados a idosos sem DA – e resistência de IGF- 1 pelas alterações do seu receptor. Contudo, existem outros fatores que podem ser confundidores neste sentido, obscurecendo mais ainda a relação de níveis de IGF-1 e DA. Agonistas colinérgicos como piridostigmina e rivastigmina – fármacos usualmente utilizados para tratamento terapêutico da DA - são capazes de aumentar a secreção de GH a partir de aumento de GHRH na DA (GIORDANO et al., 2012). Neste sentido, sabendo que os níveis de GH influenciam os níveis de IGF-1, os agonistas colinérgicos quando usados no tratamento podem mascarar os níveis de IGF-1 no curso da doença. Apesar da crescente literatura acerca da DA, ainda permanece desconhecida a via que explique todas as alterações que ocorrem nesta doença. As alterações bioquímicas, moleculares e celulares que precedem ou ocorrem na DA ainda não tem uma etiologia clara, por isso foram elaboradas uma série de teorias ao desenvolvimento destas anormalidades (MONTE; WANDS, 2008). De certa forma, parece que as deficiências na utilização de glicose em nível cerebral e no metabolismo energético precedem o déficit cognitivo, revelando assim o papel da sinalização da insulina na patogênese da DA e surgindo o termo “diabetes tipo 3” como DA (MONTE; WANDS, 2008). Em relação às doenças crônicas que podem levar ao aparecimento da DA, sabe-se que pacientes com diabetes mellitus do tipo 2 tem duas vezes mais chances de desenvolvê-la quando comparados à pacientes que apresentam resistência à insulina (MITTA; MANI; KATARE, 2016). Neste sentido, o termo diabetes tipo 3 é a denominação da alteração neuroendócrina em relação à progressão da diabetes tipo 2 à DA (MITTA; MANI; KATARE, 2016). 22 Existem hipóteses que tentam esclarecer como ocorre a conversão da diabetes tipo 2 para a diabetes tipo 3. Neste sentido, a principal hipótese é a de que a expressão aumentada da enzima degradadora de insulina regula os níveis de IGF-1, aumentando a atividade da interleucina 1 beta (IL1B). A IL1B parece formar um complexo com alfa-2-microglobulina, que por sua vez controla a atividade da Apolipoproteína E, esta última envolvida na formação de proteína beta-amilóide (MITTA; MANI; KATARE, 2016). 5.5 Fator de crescimento semelhante à insulina 1, doença de Alzheimer, exercício físico e função cognitiva Trueba-Sáiz et al. (2013), em estudo experimental recente, defendem a inserção do IGF- 1 como um biomarcador a ser incluso no diagnóstico precoce da DA, bem como a inclusão deste fator de crescimento na elaboração de programas de exercício físico. Estudos em modelo animal têm demonstrado que o IGF-1 além de possuir capacidade neurotrófica também é um mediador da angiogênese induzida pelo exercício, além de ser um estímulo ao aumento, em nível central, do BDNF e maior produção de VEGF (LOPEZ-LOPEZ et al., 2004; DING et al., 2006). Dessa forma, o IGF-1 parece mediar uma resposta neural e vascular induzida pelo exercício físico, uma vez que os fatores de crescimento BDNF e VEGF também estão vinculados aos processos de neurogênese, sinaptogênese e angiogênese. Em relação ao tipo de treinamento, um estudo com animais divididos em dois grupos de treinamento diferente – aeróbio e resistido – tiveram melhora na função cognitiva (memória e aprendizagem espacial) e aumento nas concentrações de IGF-1 no hipocampo (CASSILHAS et al., 2012). Desta forma, pode ser que independentemente do tipo de treinamento adotado há melhora na função cognitiva e maior concentração de IGF-1 no hipocampo como apontado pelos autores do estudo. Em um estudo realizado com idosos, foi verificado que o aumento dos níveis de IGF-1 por meio de exercício resistido (treinamento com pesos) promoveu melhora da memória de curto prazo, memória visuoespacial, memória episódica e atenção (CASSILHAS et al., 2007). Já outro estudo em idosos pré-diabéticos verificou manutenção nos níveis de IGF-1 com melhora cognitiva nas funções executivas e processos controlados, sendo essa melhora associada a regulação da glicose por meio do exercício físico de caráter aeróbio (BAKER et al., 2010b). Neste sentido, o exercício físico poderia atuar na regulação de insulina/ IGF, prevenindo o organismo ao aparecimento da diabetes, bem como ao controle dessa condição. Entre os potenciais efeitos do IGF-1 na DA, se por um lado há aumento no número de neurônios ou há uma melhora na plasticidade cerebral, por outro lado esse mesmo fator pode 23 evitar a apoptose celular, uma vez que entre as funções do IGF-1, está a de proporcionar um sinal para as células de que certo nutriente está disponível para assim evitar apoptose, aumentando a síntese de proteína celular, crescimento e divisão celular (CLEMMONS, 2012). Além disso, Gasparini e Xu (2003) apontaram que a via insulina-IGF-1 pode ser antagônica aos efeitos do TNF-α no encéfalo, reforçando assim o papel do IGF-1 no clearance de Aβ. O IGF-1 tem a capacidade de mediar o transporte de proteínas carreadoras de Aβ - albumina e transtirretina - e elevar a fração desta última no líquido cefalorraquidiano e sangue, por outro lado o TNF-α bloqueia as proteínas carreadoras de Aβ e sua depuração no encéfalo (GASPARINI; XU, 2003). Uma hipótese cada vez mais discutida na literatura tem abordado a “diabetes tipo 3” como uma importante característica atrelada à DA. Em estudo pioneiro realizado por De La Monte et al. (2010), ratos submetidos a privação de insulina no cérebro tiveram formação de placas amiloides e comprometimento neuronal semelhantes à DA. Dentro desta perspectiva, constata-se que o IGF-1 pode melhorar a saúde encefálica de idosos com DA por meio de mecanismos distintos, sejam eles plasticidade cerebral, prevenção da apoptose celular precoce, melhora do quadro de resistência à insulina e ao IGF-1 no encéfalo, entre outros, sendo que o exercício físico induz à uma melhora e/ou um aproveitamento mais eficaz deste biomarcador. Além disso, em um estudo de revisão foi observado que o exercício físico é capaz de estimular a secreção de GH pela hipófise, aumentando a síntese de IGF-1 circulante e que o exercício físico, tanto de curta ou longa duração, promove diminuição da proteína inibidora de IGF-1 através da regulação de insulina (FRYSTYK, 2009). Níveis periféricos circulantes de IGF - 1 são rapidamente aumentados em resposta ao exercício (SCHWARZ et al, 1996). Desta forma, sabendo dos potenciais efeitos do exercício físico sobre esse biomarcador, cabe investigar a resposta de idosos com DA sobre o IGF-1 frente ao exercício físico. Cabe ressaltar que existe uma escassez de estudos que investigaram essa relação para esta população. Já foram realizados estudos sobre o efeito crônico do exercício, porém as amostras foram constituídas por idosos cognitivamente preservados (CASSILHAS et al., 2007; BAKER et al., 2010; VOSS et al., 2013; TSAI et al., 2015). 24 Figura 4 – Representação dos potenciais efeitos do exercício físico no IGF-1 em relação à doença de Alzheimer. Fonte: Elaborada pela autora 25 CAPÍTULO 2 Physical exercise, IGF-1 and cognition: a systematic review of experimental studies in the elderly 26 PHYSICAL EXERCISE, IGF-1 AND COGNITION: A SYSTEMATIC REVIEW OF EXPERIMENTAL STUDIES IN THE ELDERLY Angelica Miki Stein; Thays Martins Vital Silva; Flávia Gomes de Melo Coelho; Franciel José Arantes; José Luiz Riani Costa; Elizabeth Teodorov; Ruth Ferreira Santos-Galduróz Status: artigo submetido na revista “Dementia and Neuropsychologia”. ABSTRACT Background: The aim of this study was to analyze the effects of exercise on IGF-1 levels and cognition in the elderly. Methods: The articles searches were conducted on Pubmed, Web of Science and PsycINFO databases and were reviewed according to PRISMA guidelines, using: “physical exercise” OR “physical activity” OR “physical therapy” OR “exercise” OR “training” OR “fitness” AND “cognitive functions” OR “cognitive” OR “cognition” AND “insulin-like growth factor 1” OR “IGF-1” AND “elderly” OR “older ” OR “aged”. The inclusion criteria were: (1) original articles published up to 2017; (2) samples including elderly; (3) protocols including physical exercise; (4) randomized controlled trials, randomized non-controlled trials, non-randomized controlled trials, non-randomized and non-controlled trials; (5) assessment of IGF-1 levels; (6) cognition assessment. Results: Seven studies were included in this review. Three of them showed an exercise-induced increase on IGF-1 circulating levels and cognitive functions improvement; three verified maintaining IGF-1 levels with and without improvement on cognition; one verified a reduction on IGF-1 levels without any change in cognition. Conclusion: Differences due to the type of physical exercise, protocols and samples in different conditions made it more difficult to establish a consensus for the IGF-1 in cognition against the physical exercise. Keywords: Aging; cognition; elderly; exercise; insulin-like growth factor-1; aged; older adults INTRODUCTION The confluence of studies in animals and humans about the benefits of physical activity on brain health has been calling attention to the creation of interventions, which means programs that are able to promote and protect brain health and prevent diseases in the elderly population [1,2]. A previous study highlighted some neurophysiological hypotheses in which the physical exercise is able to promote benefits on brain health, such as the regulation of reactive oxygen species, growth factor release, neurotransmitter synthesis, brain oxygenation increase, glucose uptake and changes in cerebral blood flow [3]. Therefore, one of the feasible underlying factors associated with cognitive improvement due to exercise is the growth factor. Some evidence suggest that physical activity and physical exercise influence the brain by circulating growth factors, which cross the blood barrier and modulate several mechanisms for the cognition [4]. Among them, the brain-derived neurotrophic factor (BDNF), insulin-like growth factor-1 (IGF- 1) and vascular endothelial growth factor (VEGF) have been indicated as the main factors, since they work as a team to produce functional effects related to plasticity, functioning and brain health [5]. In this context, the IGF-1 seems to be a mediator of the exercise effects on brain health, since that appears to regulate the BDNF and VEGF [5], protecting injuries in the brain, improvement in memory and spatial learning cognitive functions [6]. 27 Peripheral IGF-1 levels are quickly increased in humans in response to the physical exercise [7]. This increase seems to play an essential role for exercise-induced neurogenesis [8], memory improvement [5], being a feasible moderator in response to the exercise related to BDNF and cognitive performance [9]. In a previous systematic review, the relationship between physical exercise (moderated aerobic exercise intensity) was observed, which increased BDNF peripheral levels and cognitive improvement in healthy elderly and elderly with different pathologies [10]. Part of the analyzed papers in that review, in addition to the verified BDNF levels, IGF-1 evaluation was included after a training period showing cognitive improvement [11,12] and IGF-1 increased peripheral levels [12]. In studies with elderly, high serum IGF-1 levels were associated with a better cognitive performance [13, 14, 15] while for elderly with cognitive impairment, low IGF-1 levels were related to poor cognitive performance [16]. Moreover, the circulating IGF-1 levels seemed to be associated with cognitive performance in the elderly, in which the hippocampus appeared to be a primary target for IGF-1 [17]. On the other hand, regardless the peripheral increase, there was an exercise-induced increase in hippocampus with improvement on cognitive performance [6]. Accordingly, the relation among physical exercise, cognitive performance and IGF-1 remains unclear, it seems that physical exercise improves cognitive function and regulates IGF- 1 levels, but through different mechanisms. The most part of the IGF-1 secretion is by the liver [18], but IGF-1 can be expressed, virtually, by all cell types, responding to it [19]. Also, the IGF-1 can be synthesized by endocrine, paracrine and autocrine mechanisms [20]. In relation to the nervous system, multiple effects have been attributed to IGF-1, such as neuronal signaling, neurotrophic mechanisms, neuroprotection and even pro-neuroinflammatory conditions [21]. The liver is the main source of circulating IGF-1 [22] and physiologically, circulating IGF-1 has been considered one of the fundamental factors in many regulatory functions, as glucose homeostasis, energetic metabolism and cellular growth [23]. Although it still has not been enlightened the area that IGF-1 acts in the brain. A study carried out by Trejo et al. [8] indicated that blocking the entrance of IGF-1 in the brain resulted in preventing neuronal proliferation on dentate gyrus, reinforcing the role of this factor in neurogenesis [9]. Besides that, the IGF-1 blocked receptors in choroid plexus triggering a chain of disorders such as amyloidosis, cognitive deficits, loss of synaptic vesicle protein, glucose and abnormal forms of tau protein [24]. These disorders are similar to those found in Alzheimer’s Disease (AD) [9, 24], which is the type of dementia that affects the elderly population with a higher prevalence [25]. Also, physical inactivity has been considered one of the main risk factor to AD development [26]. Therefore, public health should pay attention to physical exercise programs to prevent dementia on elderly population [27], once the elderly represents a big part of the total population in most of the countries. Studies in animals showed improved cognition exercise-induced by incrementing IGF-1 on hippocampus [6, 28]. Accordingly, it is necessary to investigate the relationship between IGF-1 exercise-induced and cognition in human samples, since clinical field requires resources to treat and prevent dementia and improve health, especially during aging (Figure 1). Thus, the aim of the present study was to analyze studies that verified the effects of physical exercise on IGF-1 levels and cognitive performance in elderly. 28 Figure 1 – Hypothetical schema about IGF-1 as putative mechanism related to exercise potential in cognition and prevention to dementia in elderly people. MATERIALS AND METHODS Search strategy This systematic review was designed and developed according to Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) [29]. The methodological plan of this study was to search and analyze studies that verified the effects of physical exercise on the concentration of IGF-1 and cognitive function in the elderly. The bibliographic search was conducted on the following databases: Pubmed, Web of Science and PsycINFO, including articles up to 2017. The keywords and boolean operators were: “physical exercise” OR “physical activity” OR “physical therapy” OR “exercise” OR “training” OR “fitness” AND “cognitive functions” OR “cognitive” OR “cognition” AND “Insulin-like growth factor 1” OR “IGF-1” AND “elderly” OR “older” OR “aged”. After the research, the articles were analyzed according to the following: 1) Title analysis; 2) Abstract analysis; 3) Full-text analysis of each article; 4) Articles selection. In addition to the research on the databases, a manual search in the reference list of the selected papers was carried out. Inclusion criteria For the selected articles, some criteria were adopted: (1) original articles published up to 2017; (2) sample including elderly population; (3) protocols including physical exercise; (4) randomized controlled trials, randomized non-controlled trials, non-randomized controlled 29 trials, non-randomized and non-controlled trials; (5) Assessment of circulating IGF-1 levels; (6) Cognition assessment. Studies selection The whole process of selecting papers was conducted by 2 evaluators (AMS, TMVS), that fulfilled all the steps for the papers selection – from the title to abstract and article analysis. When disagreement between the evaluators related to some article inclusion was found, a meeting was carried out to make a decision. All the articles were reviewed in May of 2017. In addition to that, a registration was made in all databases in case of new articles with the same keywords showed up, so that warning messages were sent to the evaluators. RESULTS After the search for the mentioned keywords, 145 articles were found. In an initial screening, 41 articles were selected by their titles. Then, the articles were analyzed through their abstracts, of which 31 were excluded, remaining 10 articles to have their full-text read. For this systematic review, 7 articles were selected. Thus, no studies from the “warning messages” were included” as the articles did not match the current subject. The figure 1 shows the steps of the articles selection: Figure 2 – The PRISMA flowchart of the systematic review. Figure 2 provides information of the selected articles used in this review. 30 Table 1 - Characteristics of the studies that analyzed the effects of physical exercise on IGF-1 levels and cognition in the elderly. Study (year) Sample Type of Exercise; Training variables Intensity; Time/Session; Frequency/Week; Duration Overload IGF-1 measurement; Quantified by Cognition measurement (test) Results Cassilhas et al. (2007) [30] 62 male elderly (aged 65 to 75 years) on 3 different groups: Control group, Moderate intensity group and High intensity group Resistance training; 2 sets of 8 repetitions, 90 seconds between sets for chest press, leg press, vertical traction, abdominal crunch, leg curls, lower back exercises. 50% of 1RM or 80% of 1RM; 60 min; 3 times; 24 weeks Overload adjustment on week 10, 15, 18 and 21. IGF-1 serum concentration; Immunoradiometric assay. Weschler adult intelligence scale III - WAIS III; Wechsler memory scale- revised (WSM- R); Toulouse- Pieron’s concentration attention test; Rey- Osterrieth comples figure. Increased IGF-1 levels and cognitive performance improvement in all tests to Moderate intensity group and High intensity group. Baker et al. (2010) [12] 28 prediabetic elderly (mean age of 70 years), randomized to: Control group and Aerobic group Aerobic training; treadmill, stationary bicycle or elliptical trainer 75-85% of heart rate reserve; 45-60 min; 4 times; 24 weeks NR IGF-1 plasma concentration; Radioimmunoassay Trail-making test (Trail A and B); Task Switching; Stroop Color- Word Interference; Self-Ordered Pointing Test; Verbal fluency; Story Recall; List Learning. Maintained IGF-1 levels and cognitive performance improvement to aerobic group. Improvement on: Trail B; Task switching; Stroop color-word interference and trends in Self-Ordered Pointing test and Verbal Fluency. Baker et al. (2010) [11] 33 elderly (mean age of 70 years) with amnestic mild cognitive Aerobic training; treadmill, stationary bicycle or elliptical trainer 75-85% of heart rate reserve; 45-60 min; 4 times; 24 weeks NR IGF-1 plasma concentration; Radioimmunoassay Trail-making test (Trail A and B); Stroop color and Word test; Task Switching; Increased IGF-1 levels for men in the Aerobic group and improvement on cognition for women 31 impairment, randomized to: Control group and Aerobic group. Verbal fluency; Symbol digit modalities; Story Recall; List Learning; Delayed-Match- To-Sample. and men (Trail B, Stroop color and word test; Task Switching; Verbal fluency, Symbol-digit modalities), with different responses according to sex. Voss et al. (2013) [31] 65 elderly (mean age of 67,3 years), randomized to: Control group and Aerobic group Aerobic training; walking on an indoor track 60-75% of the maximum heart rate reserve, for the most part; 10-40 min; 3 times; 48 weeks Increment of 5 minutes per session until week 7 IGF-1 serum concentration; enzyme-linked immunosorbent assay Structural MRI; Functional MRI Reduction in IGF-1 levels after intervention. Change in IGF-1 levels were correlated with increase in connectivity between the bilateral parahippocampus and the bilateral middle temporal gyrus. Tsai et al. (2015) [32] 48 male elderly (mean age of 71.4 ± 3.79 years), randomized to: Control group and Exercise group. Resistance training; 3 sets of 10 repetitions, 90 seconds between sets for biceps, curls, leg press, triceps extensions, hamstring curls, latissimus dorsi pull-downs, calves raises, and seated rowing. 75-80% 1 RM; 60 min; 3 times; 48 weeks Individual overload without a fixed period IGF-1 serum concentration; chemiluminescence immunnoassay Oddball task with event- related potential (ERP) – P3a and P3b Increased IGF-1 levels and cognitive performance improvement in the Exercise group, in Accuracy rate in the oddball condition, reaction time, P3a larger amplitude and trends to P3b. Rahe et al. (2015) [33] 68 elderly (range 50-85 years), randomized to: Cognitive training group; Multimodal training with cognitive training; Multimodal training with cognitive training + Counseling NR; 20 min; 2 times; 7 weeks NR IGF-1 serum concentration; Chemiluminescence immunoassay and sandwich- Dem tect.; Complex figure test; Brief test of attention; German WAIS III; Maintained IGF-1 levels in all groups. Increase in cognitive performance in both groups. 32 NR: not reported Cognitive training with Physical Activity group and Cognitive training + Physical activity + Counseling chemiluminescesce immunoassay. Regensburger wort flüssigkeits-test; Stroop test; Key search. Maass et al. (2016) [34] 40 elderly (mean age of 68.4 years), pseudo- randomized to: Control group and Aerobic group. Aerobic training, treadmill; 65% target heart rate; 30 min; 3 times; 12 weeks Increment of 5% target heart rate for 4 weeks IGF-1 serum concentration; enzyme-linked immunosorbent assay Verbal learning and Memory test; Rey auditory verbal learning test; Complex figure test; Digit Span Test; Magnetic resonance imaging – high- resolution region-of- interest (ROI)- based and voxel-based morphometry (VBM). Maintained IGF-1 levels and cognitive performance in the Aerobic group. IGF-1 levels were related to hippocampal volume changes (measured by voxel based- morphometry) and delayed verbal recall performance. 33 DISCUSSION The aim of this review was to analyze studies that verified the effects of the physical exercise on IGF-1 concentrations and on cognitive functions in the elderly. From the 145 articles found in the database, seven attended the inclusion criteria. This is the first study regarding the relation among IGF-1 levels, cognition and physical exercise in the elderly. Other reviews about the IGF-1 levels and cognition are described, but not including the effects of exercise on them [14,23]. From the seven articles found in the present study, three of them verified an increase in IGF-1 concentrations with cognitive improvement [11, 30, 32]; the other three verified maintenances for this growth factor with and without cognitive improvement [12, 33, 34]; and the remaining study verified a decrease of IGF-1 without improvement on cognition [31]. The same observed that changes in IGF-1 levels were correlated with changes in functional connectivity [31] and Maass et al. (2016) [34] found similar results, the relation among changes in IGF-1 with hippocampal volume, hippocampal head volume and in the delayed verbal learning recall and memory test. The discussion was divided in sub-headings in order to discuss different points related to the studies. Samples and different responses Baker et al. [11] and Baker et al. [12] included the same aerobic training and experimental design, differentiating the samples and some measurements. Similar results were found related to cognition improvement in both studies, but not with IGF-1 levels. In this case, the differences probably had relation with the population because the training protocol, IGF-1 quantification and cognitive tests were the same. Despite, the absence of IGF-1 change in one of them, the two studies represented clinical relevance because both samples presented an AD risk-factor. Thus, the positive results on cognition reinforced the role of aerobic exercise as a pretreatment in this disease [1, 35]. In a second instance, besides the difference between samples, there was a difference according to gender. Therefore, the changes on IGF-1 levels are gender-dependent [12, 32]. For healthy elderly men, the study indicated that serum IGF-1 seemed to be associated with working memory, selective attention and executive function [38]. In this review, only two studies are exclusively about gender [30, 32]. Cassilhas et al. [30], Tsai et al. [32] included only elderly men and used the resistance training at 50% and 80% of 1 RM; 75-80% 1 RM, respectively, three times per week during 24 and 48 weeks. The levels of IGF-1 increased in the resistance training group, whereas in the control group, the levels were maintained or unaltered. In all cognitive functions evaluated, Cassilhas et al. [30] found better performance compared to the control group (central executive, visual modality of short- term, attention, short-term, long-term and episodic memory). The study of Tsai et al. [32] also found improvements in cognitive function, specifically executive function and attention. Also, significant changes in accuracy rate, reaction time, P3a amplitude from event-related potential in oddball task – a cognitive test paradigm, was observed. Cassilhas et al. [30] and Tsai et al. [32] hypothesized positive results on cognition modulated by increasing IGF-1 levels. Besides, the sample was composed exclusively of men and the control group of Tsai et al. [32] did not do any regular and systemized physical activity and did not show any changes in cognitive functions, or any other electrophysiological parameter. Another point related to sample and groups was the frequency in Training/Exercise group and control group. Other observations, resulted from the experimental design of the studies, generated restrictions related to IGF-1 levels, physical exercise and cognitive functions. Cassilhas et al. [30], Voss et al. [31], Tsai et al. [32], Rahe et al. [33] and Maass et al. [34] included healthy elderly in their sample, while Baker et al. [11] and Baker et al. [12] had elderly with other conditions in their sample such as prediabetic and mild cognitive impairment elderly, respectively. The differences between these samples can represent a confounding factor to 34 analyze the included studies in the present review. Despite the low amount of included studies in this review, one point to be highlighted is that all the experiments were controlled and the sample was randomized, which strengthen the results. Nevertheless, two studies included elderly with cognitive pre-dementia conditions and interesting results were found. Thus, verifying the effect of physical exercise on cognitive function and IGF-1 levels in people who have progressive cognitive decline, as in Alzheimer’s Disease, may be a promising field for future studies. Training variables, cognitive function and IGF-1 According to the seven studies, five of them inserted aerobic exercise in their intervention protocol [11, 12, 31, 33, 34] and two of them inserted resistance exercise [30, 32]. Voss et al. [31] indicated that the effects of exercise type on circulating growth factors (IGF-1, BDNF and VEGF) are unknown for the elderly. On the other hand, the aerobic exercise has been the most indicated type of exercise to improve cognition in the elderly population [1, 35] and this recommendation can explain why most of the papers included in this review – four out of seven - included aerobic exercise protocols. Regarding their results, the relation between aerobic exercise and cognitive improvement is inconstant, since half of them found better cognitive performance [11,12] after anaerobic training, whereas two studies did not find significant changes in co