Universidade Estadual Paulista Leonardo Rezende Martins CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DOS PRODUTORES DE ABACAXI DO MUNICÍPIO DE FRUTAL–MG Jaboticabal 2019 i LEONARDO REZENDE MARTINS CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DOS PRODUTORES DE ABACAXI DO MUNICÍPIO DE FRUTAL–MG Dissertação apresentada à Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, como exigência parcial para obtenção do grau de Mestre em Administração. Área de Concentração: Gestão de Organizações Agroindustriais Orientador: Prof. Dr. Sérgio Rangel Fernandes Figueira Jaboticabal 2019 ii iii iv AGRADECIMENTOS A Deus, por ter me guiado até aqui. Ao professor e orientador Sérgio Rangel Fernandes Figueira, pela confiança e incentivo na orientação deste trabalho. Aos professores e colegas, pelo aprendizado e pelos bons momentos compartilhados. Aos produtores de abacaxi do município de Frutal, pela paciência e confiança nas informações transmitidas. Obrigado. v A Gisele e Gabriel, pelo amor incondicional, companheirismo e compreensão pelo tempo que a eles não dediquei. DEDICO vi “Às vezes parecia Que de tanto acreditar Em tudo que achávamos tão certo Teríamos o mundo inteiro E até um pouco mais Faríamos floresta do deserto E diamantes de pedaços de vidro’’. Renato Russo vii CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DOS PRODUTORES DE ABACAXI DO MUNICÍPIO DE FRUTAL–MG RESUMO Objetivo O objetivo geral deste trabalho é a caracterização do perfil dos produtores de abacaxi no município de Frutal-MG. Os objetivos específicos são: (i) estabelecer o perfil socioeconômico do produtor de abacaxi de Frutal-MG; (ii) identificar e quantificar os aspectos relacionados as características do sistema de produção de abacaxi no município, tais como: área plantada, rendimento da colheita, tecnologia e mão de obra utilizada em cada etapa da produção; (iii) investigar o comportamento dos agricultores em relação à gestão financeira, englobando a receita gerada com a produção e os financiamentos adquiridos e (iv) identificar as etapas que demandam maior e menor investimentos. Metodologia / Procedimentos de Pesquisa Para o desenvolvimento deste estudo inicialmente foi realizada uma pesquisa de natureza exploratória e vasta coleta e análise de informações relevantes dentro do tema abacaxicultura, cultura do abacaxizeiro e agricultura familiar, com leituras de artigos científicos sem restrição de prazo de publicação, além de buscas em sites específicos como Google Acadêmico (https://scholar.google.com.br/), SCIELO e o P@rthenon da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (FCAV/UNESP) (http://www.parthenon.biblioteca.unesp.br), IBGE e FAO que foram incluídos na revisão. Foram utilizados os termos: inovação tecnológica, análise de custos, viabilidade econômica, viabilidade financeira, agricultura familiar, abacaxicultura, cultura do abacaxizeiro e agroindústria familiar, além de outros critérios que igualmente poderão ser utilizados para desenvolvimento de metodologia específica para organização do material. Sem nenhum registro prévio da localidade dos produtores, contando apenas com a informação sobre a estimativa da quantidade de produtores de abacaxi em Frutal de 205, divulgado pelo SIDRA/IBGE, optou-se por utilizar o método de “bola de neve” ou “snowbal” para encontrar os produtores. Foram realizadas 107 entrevistas, totalizando 52% dos produtores de Frutal. As entrevistas foram feitas entre os dias 17 de maio à 26 de junho de 2019, buscando-se pelos entrevistados na zona rural, em suas fazendas ou em locais onde estes costumam se encontrar como postos de gasolina, vendas as margens da rodovia ou em comunidades com tradição no cultivo do abacaxizeiro, como as comunidades da Pradolândia e Aparecida de Minas. Os questionários foram instrumento de coleta de dados e preenchidos por meio de entrevistas presenciais com questões preferencialmente fechadas. Resultados e Discussões A pesquisa realizou uma análise exploratória, carente na literatura, sobre o perfil dos produtores de abacaxi em Frutal–MG. Constatando-se que 75% estão satisfeitos com a atividade. Quanto ao perfil dos produtores, 76% dos produtores de abacaxi possuem o primário completo como nível de escolaridade. A maior parte dos entrevistados produzem abacaxi a mais de cinco anos. 57% dos produtores plantam em áreas arrendadas e 26% plantam em áreas próprias e arrendadas, 75% não possuem assistência técnica especializada. Quanto aos aspectos relacionados ao sistema de produção, o abacaxi Pérola é o mais cultivado, por 97,7%. 70% produzem entre 20.001 e 30.000 plantas por hectare. Janeiro, fevereiro e março são os meses predominantes do plantio. Os equipamentos utilizados são predominantemente, 79%, próprios. A maioria, 93%, realizam irrigação. viii Predomina-se o controle químico das pragas e doenças. Sobre a comercialização, 81,3% vendem sua produção para atravessadores, aproximadamente 74% oferecem o produto quando a produção está pronta para a comercialização. Agosto, setembro e outubro são os meses predominantes para a colheita. Constatou-se ainda pouco conhecimento dos custos de produção entre os produtores, mostrando desconhecimento das onze perguntas relacionadas aos custos de produção. Necessitando-se a realização de novas pesquisas para se mensurar os custos de produção dos produtores de abacaxi do município de Frutal. Implicações Gerenciais Aplicadas A principal contribuição gerencial deste estudo é a compreensão por meio da caracterização do perfil e dos meios de produção dos agricultores de Frutal-MG, no entendimento de suas dificuldades nos tratos culturais, no controle dos gastos de produção e mensuração da lucratividade da atividade. A partir das informações levantadas por meio de questionário será possível identificar as fragilidades e as potencialidades do sistema produtivo como um todo, e assim traçar estratégias eficientes para promover maiores estímulos a produção, maior valorização do produto, menores gastos com a produção e consequentemente maior produção e renda para os produtores de abacaxi do município de Frutal-MG. Conclusões e Limitações da Pesquisa Conhecer os fatores que limitam o avanço da cultura do abacaxizeiro, investir em tecnologia e incentivos aos produtores é importante para elevar o potencial dos mercados interno e externo e garantir tão importante fonte de renda para os produtores rurais brasileiros. As principais conclusões são que o produtor de abacaxi de Frutal desconhece os custos de produção, necessitando-se da realização de novas pesquisas para a mensuração dos custos de produção. A maior parte, 81,3% dos produtores vendem a produção para atravessadores e 74% dos produtores oferecem a produção para a venda quando a produção está pronta para a comercialização. Quando questionados sobre a área plantada, os entrevistados responderam a quantidade de mudas plantadas, impossibilitando a mensuração da área de cada produtor devido às diferentes densidades de plantas em cada caso. Como não existiam informações prévias sobre a localidade e o perfil dos produtores de abacaxi de Frutal. Apenas se constava a existência de 205 produtores de abacaxi divulgado pelo SIDRA/IBGE. Utilizou-se então o modelo Bola de Neve até se atingir 107 entrevistas, contemplando-se 52% dos produtores de Frutal. Finalizou-se o número de entrevistados pela dificuldade em encontrar outros produtores ainda não entrevistados. Originalidade Embora o abacaxizeiro seja uma cultura importante economicamente para o país, existem poucas informações na literatura sobre o perfil do produtor de abacaxi. Desta forma, acredita-se que este estudo possa vir a contribuir de forma significativa com a literatura para a compreensão de questões importantes relacionadas a esta temática e que a originalidade do estudo está basicamente na identificação desse perfil. Palavras-chave: abacaxicultura, Ananas comosus (L.) Merril, característica do abacaxicultor, produção de abacaxi ix CHARACTERIZATION OF THE PROFILE OF PINEAPPLE PRODUCERS OF FRUTAL-MG ABSTRACT Purposes The general purpose of this study is to characterize the profile of pineapple growers in the municipality of Frutal-MG. The specific goals are: (i) to establish the socioeconomic profile of Frutal's pineapple producers; (ii) identify and quantify aspects related to the characteristics of the pineapple production system in the municipality, such as: planted area, crop yield, technology and labor used at each stage of production; (iii) investigate the behavior of farmers in relation to financial management, encompassing the revenue generated from the production and the financing acquired and (iv) identify the stages that require the largest and smallest investments. Research Methodology / Procedures For the development of this study, an exploratory research was initially carried out and a vast collection and analysis of relevant information on the subject of pineapple, pineapple crop and family farming, with readings of scientific articles without restriction of publication period, as well as site searches. such as Google Scholar (https://scholar.google.com.br/) SCIELO, and the P@rthenon of the Paulista State University School of Agricultural and Veterinary Sciences (FCAV/UNESP) (http://www.parthenon.biblioteca.unesp.br), IBGE and FAO that were included in the review. The terms were used: technological innovation, cost analysis, economic viability, financial viability, family agriculture, pineapple, pineapple crop and family agroindustry, besides other criteria that could also be used to develop specific methodology for material organization. Without any previous record of the locality of the growers, relying only on the information on the estimate of the number of pineapple growers in Frutal from 205, released by SIDRA/IBGE, it was decided to use the “snowball” method to find the producers. 107 interviews were carried out, totaling 52% of Frutal producers. Interviews were conducted from May 17 to June 26, 2019, looking for interviewers and respondents in the countryside, on their farms or in places where they often meet as gas stations, roadside sales or in communities. with tradition in the cultivation of pineapple, as the communities of Pradolândia and Aparecida de Minas. The questionnaires were an instrument for data collection and completed through face-to-face interviews with preferably closed questions. Results and Discussions The research conducted an exploratory analysis, lacking in the literature, about the profile of pineapple producers in Frutal-MG. Noting that 75% are satisfied with the activity. Regarding the producers' profile, 76% of the pineapple producers have completed primary education as a level of education. Most respondents have grown pineapples for more than five years. 57% of producers plant in leased areas and 26% plant in their own and leased areas, 75% do not have specialized technical assistance. Regarding aspects related to the production system, pineapple Pearl is the most cultivated, by 97.7%. 70% produce between 20,001 and 30,000 plants per hectare. January, February and March are the predominant months of planting. The equipment used is predominantly 79% own. Most, 93%, perform irrigation. Chemical control of pests and diseases is predominant. Of the commercialization, 81.3% sell their production to middlemen, approximately 74% offer the product when production is ready for commercialization. August, September and x October are the predominant months for the harvest. There was still little knowledge of production costs among producers, showing ignorance of the eleven questions related to production costs. Further research is needed to measure the production costs of pineapple producers in the municipality of Frutal. Applied Management Implications The main managerial contribution of this study is the understanding through the characterization of the profile and the means of production of the farmers of Frutal-MG, in the understanding of their difficulties in the cultural treatments, in the control of the production expenses and measurement of the profitability of the activity. From the information collected through a questionnaire it will be possible to identify the weaknesses and potentialities of the productive system as a whole, and thus outline efficient strategies to promote greater production stimuli, higher product valorization, lower production costs and consequently higher production. and income for pineapple growers in the municipality of Frutal-MG. Research Conclusions and Specifications Knowing the factors that limit the advance of the pineapple crop, investing in technology and incentives to producers is important to increase the potential of domestic and foreign markets and ensure such an important source of income for Brazilian farmers. The main conclusions are that Frutal's pineapple producer is unaware of the production costs and further research is needed to measure production costs. Most, 81.3% of producers sell production to middlemen and 74% of producers offer production for sale when production is ready for sale. When asked about the planted area, respondents answered the amount of seedlings planted, making it impossible to measure the area of each producer due to the different plant densities in each case. As there was no prior information on the location and profile of Frutal pineapple growers. There were only 205 pineapple producers reported by SIDRA/IBGE. The Snowball model was then used until 107 interviews were reached, including 52% of Frutal producers. The number of interviewees ended due to the difficulty in finding other producers not yet interviewed. Originality Although pineapple is an economically important crop for the country, there is little information in the literature about the profile of pineapple growers. Thus, it is believed that this study may contribute significantly to the literature to understand important issues related to this theme and that the originality of the study is basically in the identification of this profile. Keywords: pineapple, Ananas comosus (L.) Merril, pineapple characteristic, pineapple production xi LISTA DE FIGURAS Página Figura 1. Área de abacaxi colhida no Brasil entre 1996 e 2018(1.000 hectares). ........ 27 Figura 2. Produção no Brasil entre 1996 e 2017 (1.000 toneladas). ............................ 28 Figura 3. Produtividade no Brasil entre 1996 e 2018 (toneladas/hectare). .................. 28 Figura 4. Área colhida nas cinco regiões brasileiras entre 1996 e 2018 (1.000 hectares). ........................................................................................................................ 29 Figura 5. Produção de abacaxi nas grandes regiões entre 1996 e 2018 (1.000 toneladas). ...................................................................................................................... 30 Figura 6. Produtividade nas grandes regiões entre 1996 e 2018 (toneladas/hectare). ... 31 Figura 7. Área de abacaxi colhida em Minas Gerais, entre 1996 e 2017 (1.000 hectares). ........................................................................................................................ 33 Figura 8. Produção de abacaxi no estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). ............ 34 Figura 9. Produtividade no estado de Minas Gerais (ton/ha). ...................................... 34 Figura 10. Área colhida nas cinco regiões de Minas Gerais, entre 2008 e 2017 (hectare). ........................................................................................................................ 35 Figura 11. Produção de abacaxi nas regiões do estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). ...................................................................................................................... 36 Figura 12. Produtividade nas regiões do estado de Minas Gerais (ton/ha). ................. 36 Figura 13. Área de abacaxi colhida em Frutal-MG, entre 1996 e 2018(1.000 hectares). ........................................................................................................................ 39 Figura 14. Produção de abacaxi em Frutal-MG, entre os anos de 1996 e 2018, em 1.000 toneladas (ton). .............................................................................................................. 40 Figura 15. Produtividade do abacaxi em Frutal-MG, entre os anos de 1996 e 2018 (ton/ha). ......................................................................................................................... 40 Figura 16. Comparativo entre três culturas produzidas em Frutal-MG: cana-de-açúcar, soja e abacaxi. Áreas colhidas nos últimos 10 anos (a), valor da produção (b) e valor por hectare (c). ..................................................................................................................... 41 Figura 17. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Idade dos entrevistados. ................................................................................................................. 54 xii Figura 18. Nível de estudos. ......................................................................................... 55 Figura 19. Há quanto tempo produz abacaxi? .............................................................. 55 Figura 20. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Área própria ou arrendada/alugada? ........................................................................................................ 56 Figura 21. Cultiva abacaxi em quais regiões de Frutal? ............................................... 57 Figura 22. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Além de Frutal, planta em algum outro município? ................................................................................ 57 Figura 23. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: A fazenda possui funcionários efetivos? .................................................................................................... 58 Figura 24. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quantos são exclusivos à atividade da Abacaxicultura? .................................................................... 58 Figura 25. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Recebe assistência técnica especializada (agrônomo)? ................................................................................ 59 Figura 26. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quem oferece assistência (revenda, cooperativa, órgão governamental como EMATER)? ................ 59 Figura 27. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Está satisfeito com a atividade? ....................................................................................................................... 60 Figura 28. Quais são as variedades cultivadas? ............................................................ 61 Figura 29. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Qual a densidade de plantas em 1 hectare? ..................................................................................................... 61 Figura 30. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quantidade de mudas plantadas. ....................................................................................................................... 62 Figura 31. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Rendimento de colheita em 2018, para cada 100 mudas plantadas, foram colhidos quantos frutos? .... 65 Figura 32. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Após o plantio, quanto tempo leva para colher o abacaxi? ..................................................................... 65 Figura 33. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: No total, por quanto tempo a cultura permanece na mesma área? ................................................................. 66 Figura 34. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Preparo da área.................................................................................................................................. 67 xiii Figura 35. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Equipamentos utilizados para o preparo da área. .................................................................................. 67 Figura 36. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Mão de obra utilizada para o preparo da área. ................................................................................................... 68 Figura 37. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Procedência das mudas do abacaxizeiro. .................................................................................................. 68 Figura 38. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Época de plantio. ........................................................................................................................... 69 Figura 39. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Plantio (sulcamento ou covamento). .............................................................................................................. 69 Figura 40. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Equipamentos utilizados no plantio. ..................................................................................................... 70 Figura 41. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Mão de obra utilizada. ........................................................................................................................ 70 Figura 42. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Adubação de plantio (fonte do adubo). ........................................................................................................... 71 Figura 43. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Adubação (etapa realizada de forma). ....................................................................................................... 71 Figura 44. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Adubação (equipamentos utilizados). ............................................................................................. 72 Figura 45. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Adubação (mão de obra utilizada). ............................................................................................................... 72 Figura 46. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas. ........................................................................................................................ 73 Figura 47. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas (quando realizada de forma manual). ............................................................. 74 Figura 48. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas (quando realizada de forma mecanizada). ...................................................... 74 Figura 49. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas. ........................................................................................................................ 75 xiv Figura 50. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas (utiliza EPI - Equipamento de Proteção Individual?). .................................... 75 Figura 51. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de plantas daninhas (mão de obra utilizada na etapa). .................................................................... 76 Figura 52. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Realiza irrigação da lavoura? ......................................................................................................................... 77 Figura 53. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Realiza irrigação da lavoura? ......................................................................................................................... 77 Figura 54. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Realiza irrigação da lavoura? Equipamento utilizado. ................................................................................... 78 Figura 55. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Realiza irrigação da lavoura? Mão de obra utilizada. .................................................................................... 78 Figura 56. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de pragas e doenças. ......................................................................................................................... 79 Figura 57. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de pragas e doenças. Controle químico. ........................................................................................... 79 Figura 58. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de pragas e doenças. Equipamentos utilizados. ................................................................................ 80 Figura 59. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de pragas e doenças. Utiliza EPI? ..................................................................................................... 80 Figura 60. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Controle de pragas e doenças. Mão de obra utilizada. .................................................................................... 81 Figura 61. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Número de aplicações necessárias para que a planta frutifique. ................................... 82 Figura 62. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Distribuição da indução floral, nas áreas de abacaxizeiro. ............................................ 82 Figura 63. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Mês da indução floral. ........................................................................................................... 83 Figura 64. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Produto utilizado na indução. ........................................................................................ 83 xv Figura 65. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Forma de aplicação do etileno. ................................................................................................. 84 Figura 66. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Equipamentos utilizados. ............................................................................................... 84 Figura 67. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Utiliza EPI (Equipamento de Proteção Individual)? ..................................................... 85 Figura 68. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Indução floral. Mão de obra utilizada. ............................................................................................................ 85 Figura 69. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Proteção dos frutos contra o sol. Material utilizado para cobrir os frutos. .................................................... 86 Figura 70. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Proteção dos frutos contra o sol. Mão de Obra utilizada para cobrir os frutos. ............................................ 86 Figura 71. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Comercialização da produção. Quando a produção está pronta para ser comercializada, o produtor tem que oferecer ou o comprador o procura? .............................................................................. 87 Figura 72. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Comercialização da produção. Canal da comercialização. ............................................................................ 87 Figura 73. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: No momento de colher a produção, em qual mês ocorre a colheita? ....................................................... 88 Figura 74. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Distribuição da colheita ao longo do ano. ............................................................................................... 88 Figura 75. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quem realiza a colheita? ......................................................................................................................... 89 Figura 76. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quando o produtor é o responsável, qual é a mão de obra utilizada? .............................................................. 89 Figura 77. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Rendimento de colheita. Para cada 100 plantas, quantos frutos são produzidos? .................................. 90 Figura 78. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: O que é feito dos frutos que não são comercializadas? ............................................................................. 90 Figura 79. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Por quem é feito transporte da produção? ................................................................................................. 91 xvi Figura 80. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Retirada das mudas. Época que as mudas são colhidas. ................................................................................. 91 Figura 81. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Retirada das mudas. Distribuição da colheita ou retirada das mudas ao longo do ano. ................................. 92 Figura 82. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Retirada das mudas. Quem faz a retirada das mudas? .................................................................................... 93 Figura 83. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Retirada das mudas. Quando o produtor é o responsável, qual é a mão de obra utilizada? ........................... 93 Figura 84. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Retirada das mudas. O que é feito destas mudas? .......................................................................................... 94 Figura 85. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Além do abacaxi, o que mais é produzido na fazenda? ................................................................................. 95 Figura 86. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Principal fonte de renda. ............................................................................................................................. 96 Figura 87. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Fora a renda da fazenda, a família conta com outras fontes de renda? ................................................... 96 Figura 88. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Fora a renda da fazenda, a família conta com outras fontes de renda. Quais as fontes de renda? .......... 97 Figura 89. Insumos. Como as compras são feitas? ....................................................... 97 Figura 90. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Busca financiamento em bancos? .................................................................................................................... 98 Figura 91. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Qual o valor ideal de venda, por fruto? ............................................................................................................ 98 Figura 92. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quanto paga pelo arrendamento durante o ciclo que a cultura permanece na área? (Qual o custo da terra/ha/ciclo?). .............................................................................................................. 99 Figura 93. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Quanto custa um dia de serviço do trabalhador autônomo? .......................................................................... 100 xvii LISTA DE TABELAS Página Tabela 1. Países com as maiores áreas colhidas, entre 2010 e 2017 (em 1.000 hectares). ......................................................................................................................... 25 Tabela 2. Os maiores produtores, entre 2010 e 2017 (em 1.000.000 toneladas). ......... 26 Tabela 3. Produtividade nos 7 países com os melhores rendimentos entre 2010 e 2017 (ton/ha). ......................................................................................................................... 26 Tabela 4. Estados brasileiros com as maiores áreas colhidas entre 2009 e 2018 (1.000 hectares). ........................................................................................................................ 32 Tabela 5. Produção de abacaxi nos dez estados com as melhores produções (1.000 toneladas). ...................................................................................................................... 32 Tabela 6. Estados com as maiores produtividades de abacaxi (ton/ha). ....................... 33 Tabela 7. Área colhida nos municípios mais representativos, de 2009 a 2018 (ha). .... 37 Tabela 8. Municípios com maior produção dentro do estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). ...................................................................................................................... 37 Tabela 9. Produtividade dos municípios de Minas Gerais (ton/ha). ............................. 38 Tabela 10. Área plantada de 2015 a 2019. .................................................................... 63 Tabela 11. Frutos comercializados (1.000 frutos) de 2015 a 2019. .............................. 64 Tabela 12. Questões abordadas nas entrevistas com os agricultores: Valor médio das vendas nos últimos anos (por fruto) de 2015 a 2019. .................................................... 94 xviii SUMÁRIO Página RESUMO ..................................................................................................................... vii ABSTRACT ................................................................................................................. ix LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. xi LISTA DE TABELAS .............................................................................................. xvii 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 21 2. OBJETIVOS ............................................................................................................ 23 2.1. Objetivo Geral ................................................................................................. 23 2.2. Objetivos Específicos ...................................................................................... 23 3. JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 24 4. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................... 25 4.1. Panorama internacional da cultura do abacaxizeiro ................................... 25 4.2. Panorama da cultura do abacaxizeiro no Brasil .......................................... 27 4.2.1. Abacaxi nas cinco Regiões brasileiras ..................................................... 29 4.2.2. Abacaxi nos Estados brasileiros ............................................................... 31 4.2.3. Panorama da cultura do abacaxizeiro no Estado de Minas Gerais ........ 33 4.2.4. Panorama da cultura do abacaxi nos municípios Mineiros .................... 37 4.3. Produção de abacaxi no município de Frutal-MG ...................................... 38 4.4. Abacaxicultura ................................................................................................ 42 4.4.1. Etapas da produção do abacaxi ............................................................... 44 4.4.2. Aspectos fitossanitários ............................................................................ 45 4.5. Viabilidade econômica .................................................................................... 46 4.6. Custo de produção e gestão operacional ....................................................... 48 4.7. Economia e deseconomia de escala e economia de escopo .......................... 50 5. MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................... 52 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES .......................................................................... 54 6.1. Perfil do produtor de abacaxi em Frutal-MG .............................................. 54 6.2. Aspectos relacionados as características do sistema de produção de abacaxi no município de Frutal .......................................................................................... 60 6.3. Aspectos econômicos e financeiros relacionados à produção de abacaxi .. 93 xix 6.4. Custo médio investido em cada etapa do processo produtivo, visando identificar as etapas que demandam maior e menor investimentos ................. 99 6.5. Discussões ...................................................................................................... 100 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 102 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 105 APÊNDICE ................................................................................................................ 110 APÊNDICE 1 – Entrevista de Campo ................................................................... 111 xx 21 1. INTRODUÇÃO O Agronegócio brasileiro vem crescendo e a fruticultura, como parte do setor, vem ganhando destaque no cenário nacional. A abacaxicultura se destaca como geração de renda e emprego para mais de 18 mil produtores e muitas outras pessoas envolvidas nesse negócio, principalmente de pequenas propriedades rurais com até 10 hectares (MACHADO, 2016; FAO, 2017; AMORIM; NANETTI JÚNIOR; ABREU, 2018). O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de abacaxi, perdendo para a Costa Rica e Filipinas (FAO, 2017). Minas Gerais é o terceiro Estado com a maior área colhida, com 6.390 hectares em 2018, 93% desta área se encontra na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O abacaxi produzido em Minas e no Brasil são cultivados em sua maioria, por agricultores familiares (AGROLINK, 2017; IBGE, 2018a). Sobre o perfil do produtor mineiro, dados dos relatórios da Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas) apontam que 52,8% são proprietários das áreas cultivadas e 34,9% são arrendatários. Dos produtores rurais ativos no Mercado Livre do Produtor (MLP), 53,5% são enquadráveis na categoria de agricultura familiar, sendo responsável por 33% da área plantada e 34% do volume total comercializado no MLP. Órgãos governamentais de extensão rural são utilizados por quase 40% dos produtores. No entanto, quase um terço dos produtores baseia-se apenas em sua experiência própria (ALMEIDA CUNHA et al., 2017). Neste panorama, o abacaxi mineiro se destaca com grande volume de produção, atingindo 192 milhões de frutos, numa área plantada de 6,39 mil ha. A produtividade média ultrapassa os 30 mil frutos/ha. Minas se destaca, também, por plantar as duas principais cultivares (Pérola e Smooth Cayenne) que atendem ao mercado interno e externo, tanto para a mesa como para indústria, respectivamente (IBGE, 2018a). A cultivar Pérola, nativa do Brasil, é cultivada em cerca de 80% da área, seguida do 'Smooth Cayenne', 'Jupi', 'MD-2' e diversas variedades locais. O valor da produção e a área colhida desse produto varia muito em relação a região do país (MATOS; REINHARDT, 2009; LOBO; SIDDIQ, 2017). A cidade de Frutal está localizada no interior do Estado de Minas Gerais, na microrregião de mesmo nome, sendo a maior produtora de abacaxi dentro do Estado. É também, grande produtora de cana-de-açúcar, grãos, pecuária de leite e de corte, além de ser um dos polos em educação do Estado. Sua população, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, é de 58.962 habitantes, numa área total é de 2.426,966 km² (IBGE, 2018b). 22 O uso de tecnologia de produção adequada permitiu que os produtores de abacaxi programassem a colheita para períodos de baixa oferta de frutos no mercado brasileiro, resultando em preços mais altos do fruto e renda para os produtores. Dentre essas tecnologias, destaca-se os métodos empregados na irrigação. A irrigação por gotejamento superficial é o método que mais se desenvolveu e expandiu nos últimos anos em razão da sua alta eficiência no uso da água (SANTANA et al., 2013; MENDONÇA et al., 2017). Para a produção do abacaxi, que é geralmente visto como um símbolo de fruto tropical, as condições climáticas do país, principalmente do Nordeste brasileiro são favoráveis ao seu crescimento. Neste contexto, dentre outros fatores, o clima tropical pode ser considerado um importante condicionador da viabilidade econômica para a produção desta cultura no país (PEDREIRA et al., 2008; LOBO; SIDDIQ, 2017; GALEANO; VENTURA, 2018). Entretanto, vale lembrar que independe de ser pequena, média ou grande, a empresa agrícola precisa produzir e gerar lucros, com as receitas maiores em relação aos custos para sobreviver no ambiente concorrencial. Embora venha ocorrendo crescimento do agronegócio no Brasil, existe um desafio para os produtores rurais viabilizarem economicamente suas atividades (SOARES; JACOMETTI, 2016). O desafio para viabilizar a atividade é ainda maior para os pequenos agricultores familiares, onde, na maioria dos casos, são os de menores rendas (NAVARRO; PEDROSO, 2017). Embora existam pesquisas agronômicas sobre a produção de abacaxi no Brasil, existe escassez na literatura de pesquisas relacionadas na área de Administração e Economia sobre o perfil dos pequenos produtores de abacaxi e a viabilidade econômica da cultura (MARÍN- CEVADA; FUENTES-RAMÍREZ 2016; AMBROSINI et al., 2017; BARKER et al., 2018). Neste sentido, o presente estudo visa por meio de procedimentos metodológicos quantitativos e qualitativos utilizando-se de entrevistas apontar quais são estas características, fazendo o levantamento do perfil do produtor de abacaxi no município de Frutal. 23 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo Geral O objetivo geral deste trabalho é caracterizar o perfil dos produtores de abacaxi no município de Frutal-MG. 2.2. Objetivos Específicos Estabelecer o perfil socioeconômico do produtor de abacaxi de Frutal-MG. Identificar e quantificar os aspectos relacionados as características do sistema de produção de abacaxi no município, tais como: área plantada, rendimento da colheita, tecnologia e mão de obra utilizada em cada etapa da produção. Investigar o comportamento dos agricultores em relação a gestão financeira, englobando a receita gerada com a produção e os financiamentos adquiridos. Identificar as etapas que demandam maior e menor investimentos. 24 3. JUSTIFICATIVA O agronegócio brasileiro apresenta um elevado potencial de desenvolvimento econômico e tecnológico. Este setor vem se modernizando rapidamente (MAURI et al., 2017) e as previsões para os próximos anos são de aumento da produção (BOLFE et al., 2016). A produção de abacaxi no Brasil merece destaque e tem ajudado a impulsionar esse setor. O estado de Minas Gerais produz 11% do abacaxi nacional (IBGE, 2018a), os produtores dos municípios mineiros da região de Frutal colaboram significativamente para esse percentual. Embora o panorama se apresente favorável o pequeno produtor familiar encontra dificuldades no processo de produção (ALMEIDA CUNHA et al., 2017). Dentro deste contexto, acredita-se que com o levantamento de informações sobre o perfil do produtor de abacaxi no município de Frutal, analisando e comparando a área colhida, produção e produtividade de abacaxi, bem como o entendimento de suas principais dificuldades e desafios com o processo produtivo, será possível identificar as possíveis falhas no processo, sejam essas oriundas de mal gerenciamento, pouco treinamento técnico ou por qualquer outra dificuldade apontada pelos produtores; e a partir dessas informações seja possível propor estratégias e ferramentas acessíveis e adequadas a realidade desse produtor auxiliando assim em sua tomada de decisões e ainda, talvez futuramente esse estudo possa servir de base para políticas públicas, organizações de associações ou cooperativas de apoio ao pequeno e médio produtor não só do município de Frutal mas da região produtora em torno do munícipio. Como contribuição gerencial, a pesquisa identifica características específicas de empreendedorismo de um grupo de produtores, indicando caminhos que pode funcionar como modelo estratégico de gestão para outros grupos de pequenos ou médios produtores rurais, cujo grande propósito é se estabelecer relações levando em consideração um grande número de fatores econômicos e sociais e suas complexas relações de interdependência, uma vez que a caracterização de um padrão ou comportamento depende das diversas interações entre esses fatores, que devem ser levados em consideração quando da caracterização de um perfil. 25 4. REVISÃO DE LITERATURA A revisão de literatura traz inicialmente um panorama da produção de abacaxi. Posteriormente, aborda-se a fundamentação teórica para subsidiar a elaboração do trabalho. Finaliza-se o tópico com pesquisas realizadas sobre o assunto abordado. 4.1. Panorama internacional da cultura do abacaxizeiro Os 10 países com as maiores áreas representam 71,03% de toda a área colhida, com 780,40 mil hectares colhidos em 2017 (Tabela 1). Nigéria, Índia, Tailândia, China, Filipinas e Brasil são os seis países com as maiores áreas, juntos somaram 55,14% de toda a área colhida em 2017. Nigéria é o maior, com 18,20%, e o Brasil é o 6º, com mais de 62 mil hectares, correspondendo 6% da área internacional. Tabela 1. Países com as maiores áreas colhidas, entre 2010 e 2017 (em 1.000 hectares). País 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Área total 946,6 972,5 1007,6 1005,5 1003,6 1019,0 1046,9 1098,7 1 Nigéria 180,0 180,0 180,0 180,0 182,0 184,9 195,9 200,0 2 Índia 91,9 89,0 102,0 105,0 109,9 116,0 110,0 111,0 3 Tailândia 93,3 103,4 99,1 85,3 72,4 68,7 74,6 86,5 4 China 64,0 70,3 73,2 69,2 70,0 70,0 75,6 80,1 5 Filipinas 58,6 58,5 58,5 60,8 61,7 62,8 65,2 66,1 6 Brasil 58,5 62,5 65,5 63,2 66,6 69,2 68,7 62,1 7 Angola 25,9 27,5 36,0 44,1 44,1 44,1 50,7 61,5 8 Costa Rica 45,0 45,0 45,0 45,0 40,0 40,0 43,0 44,5 9 Vietnã 35,1 33,6 35,4 34,9 35,8 34,1 34,6 36,7 10 Guiné 27,4 28,2 29,5 30,2 30,4 30,9 31,5 32,0 Outros países 267,0 274,5 283,5 288,0 290,9 298,4 297,2 318,3 Fonte: FAO (2019). Em 2017, os 10 maiores produtores de abacaxi responderam por 71,42% da produção global com 19.570.000 toneladas. A Costa Rica já aparece como o maior produtor de abacaxi. O Brasil ocupa o terceiro lugar com 2.254.000 toneladas (Tabela 2). A Nigéria, país com maior área plantada, ficou na oitava posição. Observa-se que não são nas maiores extensões de terras que estão as maiores produções. Ao longo dos últimos 8 anos, Costa Rica, Brasil e Filipinas conseguiram as maiores produções 26 de abacaxi, chegando em 29,13% da produção mundial no ano de 2017. Tabela 2. Os maiores produtores, entre 2010 e 2017 (em 1.000.000 toneladas). País 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Produção mundial 21,5 22,9 24,1 24,7 25,4 25,9 25,8 27,4 1 Costa Rica 2,3 2,5 2,6 2,7 2,9 2,8 2,9 3,1 2 Filipinas 2,2 2,2 2,4 2,5 2,5 2,6 2,6 2,7 3 Brasil 2,2 2,4 2,5 2,5 2,6 2,7 2,7 2,3 4 China 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1 2,1 5 Tailândia 1,9 2,6 2,4 2,1 1,9 1,7 1,8 2,1 6 Índia 1,4 1,4 1,5 1,6 1,7 2,0 2,0 1,9 7 Indonésia 1,4 1,5 1,8 1,9 1,8 1,7 1,4 1,8 8 Nigéria 1,5 1,5 1,4 1,4 1,5 1,5 1,6 1,6 9 Colômbia 0,4 0,5 0,5 0,6 0,7 0,7 0,8 1,1 10 México 0,7 0,7 0,8 0,8 0,8 0,8 0,9 0,9 Outros países 5,9 6,0 6,5 6,8 7,1 7,3 7,1 7,8 Fonte: FAO (2019). Quando se compara as Tabelas 1 e 2, entre os países mais representativos, observa-se que três países, daqueles com as 10 maiores áreas, não estão na segunda tabela dos 10 maiores produtores. Ou seja, Angola, Vietnã e Guiné que estão entre as maiores áreas colhidas, não estão entre os dez produtores. Indonésia, Colômbia e México ocupam estas posições entre os maiores produtores. Por este motivo, apenas 7 países estão representados na Tabela 3. Nesta tabela, ao comparar Área e Produção, o melhor rendimento é da Costa Rica. Filipinas e Brasil vem logo em seguida com números muito próximos (Tabela 3). A Costa Rica tem merecido destaque por ter ocupado a 8ª posição em área colhida em 2017 e, com a melhor produtividade, passa a ser o maior produtor neste mesmo ano. Tabela 3. Produtividade nos 7 países com os melhores rendimentos entre 2010 e 2017 (ton/ha). País 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Produtividade média mundial 22,7 23,6 23,9 24,6 25,3 25,4 24,7 24,9 1 Costa Rica 51,4 55,6 58,8 60,4 72,0 69,3 68,2 68,7 2 Filipinas 37,1 38,4 41,0 40,5 40,7 41,1 40,1 40,4 3 Brasil 37,7 37,9 38,9 39,3 39,7 39,1 39,2 36,3 4 China 23,4 22,7 22,9 26,0 27,0 28,4 27,5 26,6 5 Tailândia 20,6 25,1 24,2 24,3 26,5 25,2 24,3 24,6 6 Índia 15,1 16,0 14,7 15,0 15,8 17,1 17,9 16,8 7 Nigéria 8,3 8,2 8,0 8,0 8,1 8,1 8,1 8,2 Fonte: FAO (2019). 27 4.2. Panorama da cultura do abacaxizeiro no Brasil Segundo dados do IBGE, a cultura do abacaxizeiro ocupou em 2018 uma área de 71.553 hectares. Conforme a Figura 1, entre os anos de 1996 e 2018, a área colhida no Brasil variou de forma irregular, com a maior área colhida em 2007 de 71.823 hectares. De 2008 em diante a área colhida diminuiu, voltando a crescer em 2018 para 71.553 hectares. Figura 1. Área de abacaxi colhida no Brasil entre 1996 e 2018(1.000 hectares). Fonte: IBGE (2019a). Houve um aumento significativo na produção de abacaxi entre os anos de 1996 até 2007 de 1.145.980 toneladas para 2.676.322 toneladas. Após este, passou por um período de queda até 2010, chegando a 2.205.586 toneladas. A partir de 2011 volta a crescer, chegando em 2.653.645 toneladas em 2015. Em 2016 a produção cai novamente voltando a crescer em 2018, quando chega em 2.650.479 toneladas. A informação sobre a quantidade produzida de abacaxi, disponibilizada pelo IBGE, é expressa em mil frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. Desta forma, chega-se no mesmo valor apresentado pela FAO (Figura 2). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 Á r e a c o lh id a ( 1 .0 0 0 h a )) 28 Figura 2. Produção no Brasil entre 1996 e 2017 (1.000 toneladas). Fonte: IBGE (2019a). Quanto à produtividade no período (Figura 3), observa-se melhora entre 1996 e 2004 de 24,99 para 37,45 toneladas por hectare. De 2004 em diante a produtividade praticamente se manteve. A informação disponibilizada pelo IBGE sobre a produtividade no Brasil, também é expressa em mil frutos por hectare. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. Desta forma, chega-se no mesmo valor apresentado pela FAO. Figura 3. Produtividade no Brasil entre 1996 e 2018 (toneladas/hectare). Fonte: IBGE (2019a). 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 P r o d u ç ã o ( 1 .0 0 0 t ) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 P ro du ti vi da de ( t/ ha ) 29 4.2.1. Abacaxi nas cinco Regiões brasileiras Observa-se que dos 71.553 hectares de abacaxi colhidos no Brasil em 2018, a região Norte se destaca com 39% da área colhida. A região Nordeste ficou com 32% da área e a região sudeste vem na sequência, com 23%. As regiões Sul e Centro-Oeste juntas, representam 6% (Figura 4). Figura 4. Área colhida nas cinco regiões brasileiras entre 1996 e 2018 (1.000 hectares). Fonte: IBGE (2019a). A diferença na produtividade entre os países estudados foi significativa. Enquanto alguns países possuíam grandes áreas, outros possuíam as maiores produções. No caso do Brasil, as regiões que mais plantaram foram as mesmas que mais produziram. A produção de abacaxi dentro do mesmo período, demonstra aumento na produção da região Nordeste, com máxima produção em 2008, chegando a 1.181,95 mil toneladas de abacaxi. Após 2008, houve queda na produção da região Nordeste, enquanto a região continuou aumentando a produção, quando chega em 902,98 mil toneladas em 2018, passando a região nordeste (Figura 5). 0 5 10 15 20 25 30 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 Á r e a c o lh id a ( 1 .0 0 0 h a ) Região Norte Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro - Oeste 30 Figura 5. Produção de abacaxi nas grandes regiões entre 1996 e 2018 (1.000 toneladas). Fonte: IBGE (2019a). A região sudeste foi a maior produtora de abacaxi entre os anos de 1996 e 1998, ficou em segundo lugar na maior parte do restante do período, mas caiu para terceira posição em 2018. As regiões Sul e Centro Oeste juntas representam 5% da produção nacional (Figura 5). Comparando a produção com a área colhida nas cinco regiões, observa-se que em 1996 a região Nordeste tinha o melhor rendimento, com 28,7 toneladas por hectare e a região Sul tinha o menor rendimento, com 18 toneladas por hectare. A média, destas cinco regiões em 1996, ficou em 25 toneladas por hectare. O melhor rendimento ocorreu em 2005 na região Sudeste, com 44,35 toneladas por hectare (Figura 6). Em 2018, o melhor rendimento também ficou com a região Sudeste com 42,61 toneladas por hectare, e o menor rendimento ficou com a região Norte, com 32,71 toneladas por hectare. As informações do IBGE, sobre a produção e a produtividade, são expressas em 1.000 frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 P r o d u ç ã o ( 1 .0 0 0 t ) Região Norte Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro - Oeste 31 Figura 6. Produtividade nas grandes regiões entre 1996 e 2018 (toneladas/hectare). Fonte: IBGE (2019a). 4.2.2. Abacaxi nos estados brasileiros Em 2018, os 4 estados com as maiores áreas colhidas são os mesmos com as maiores produções. Já os outros 6 estados, todos modificaram suas posições em relação a produção de 2018 (Tabela 5). O estado de São Paulo produziu pouco mais do que o estado do Tocantins. O estado do Amazonas, que não entrou entre as 10 maiores áreas colhidas, é o sétimo produtor. Rio Grande do Norte, Alagoas e Espírito Santo ficaram nas últimas posições em relação à produção. Estes dez maiores, responderam por 85,32% de toda produção nacional em 2018. 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 P r o d u ti v id a d e (t /h a ) Região Norte Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro - Oeste 32 Tabela 4. Estados brasileiros com as maiores áreas colhidas entre 2009 e 2018 (1.000 hectares). Estados 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Área colhida Brasil 60,2 58,5 62,5 65,5 63,2 66,6 67,9 66,9 62,1 71,6 1 Pará 10,0 8,6 9,0 10,6 10,8 10,6 12,0 13,4 9,2 18,8 2 Paraíba 8,9 9,3 9,2 9,8 9,6 10,6 9,7 9,4 10,7 10,9 3 Minas Gerais 8,7 7,6 7,8 8,6 7,9 8,2 8,6 7,9 7,5 6,4 4 Rio de Janeiro 3,0 2,9 4,5 4,6 4,1 4,3 3,6 3,6 4,6 4,6 5 Tocantins 2,3 2,1 2,0 1,7 2,1 0,8 2,8 3,3 4,5 3,9 6 São Paulo 3,3 3,9 3,6 3,1 2,8 3,5 3,7 3,4 1,0 3,4 7 Alagoas 0,6 0,5 0,4 0,4 0,5 2,4 1,4 1,7 2,8 3,1 8 Rio G. do Norte 3,8 3,3 4,2 4,7 3,0 3,1 2,6 2,4 1,9 2,6 9 Espírito Santo 1,8 2,1 2,1 2,2 2,3 2,3 2,4 2,4 2,4 2,4 10 Bahia 4,9 5,3 5,8 5,4 5,3 5,6 5,8 3,5 3,2 2,4 Percentual da área nacional* 78% 78% 78% 78% 76% 77% 77% 76% 77% 82% Fonte: IBGE (2019a). *Percentual da produção dos 10 estados em relação ao total nacional. Tabela 5. Produção de abacaxi nos dez estados com as melhores produções (1.000 toneladas). Estados 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Produção 2.206 2.206 2.365 2.547 2.484 2.646 2.654 2.559 2.310 2.650 1 Pará 362 382 406 476 481 489 559 618 327 640 2 Paraíba 395 411 414 442 429 477 436 425 545 502 3 Minas Gerais 384 333 343 376 359 369 395 377 337 288 4 Rio de Janeiro 101 97 165 200 181 165 140 139 172 213 5 São Paulo 103 117 99 131 114 133 145 140 40 143 6 Tocantins 73 63 59 51 62 24 85 97 120 104 7 Amazonas 34 57 93 104 118 115 104 118 116 103 8 Rio G. do Norte 181 128 162 188 169 153 109 95 72 102 9 Alagoas 16 14 12 11 15 95 46 58 83 97 10 Espírito Santo 51 61 72 72 76 75 62 69 68 69 Percentual da área nacional* 77% 75% 77% 81% 81% 79% 78% 83% 81% 85% Fonte: IBGE (2019a). *Percentual da produção dos 10 estados em relação ao total nacional. Os três maiores produtores, Pará, Paraíba e Minas Gerais, produziram em 2018, 1.431.000 toneladas do fruto. Esta produção equivale a 54% da produção brasileira (Tabela 5). Quanto a produtividade entre os principais estados brasileiros, o estado do Amazonas se destaca, pelo fato de que, mesmo não estando entre as dez maiores áreas, e com apenas a sétima produção, tem a melhor produtividade entre os estados estudados em 2018 (Tabela 6). Observa-se um rendimento duas vezes maior, entre a melhor produtividade, que é do estado do Amazonas com 47,12 toneladas por hectare, e a produtividade do estado da Bahia com 21,75 toneladas por hectare. As informações do IBGE, sobre a produção e a produtividade, são expressas em 1.000 frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5 que é o peso médio do fruto. 33 Tabela 6. Estados com as maiores produtividades de abacaxi (ton/ha). Estados 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 1 Amazonas 13,1 26,1 30,5 30,2 30,6 31,7 29,0 27,7 51,4 47,1 2 Rio de Janeiro 33,7 33,7 37,0 43,8 43,9 38,3 38,7 38,5 37,6 46,8 3 Paraíba 44,2 44,2 45,0 44,9 44,8 44,9 45,0 45,0 50,9 46,0 4 Minas Gerais 44,1 44,1 43,9 43,9 45,5 45,2 46,0 47,6 44,8 45,1 5 São Paulo 31,0 30,2 27,8 41,9 40,8 38,3 39,7 41,9 39,8 42,3 6 Rio G. do Norte 48,0 38,5 38,9 40,2 56,7 48,8 41,2 39,0 38,2 39,4 7 Pará 36,2 44,4 45,2 44,9 44,6 46,0 46,7 46,0 35,3 34,1 8 Alagoas 28,9 31,1 30,9 31,0 30,9 38,7 32,0 35,2 30,3 31,6 9 Espírito Santo 27,9 28,5 33,5 33,2 33,1 32,9 25,3 28,6 28,3 28,5 10 Tocantins 32,1 30,3 30,3 30,3 30,2 29,9 30,3 29,3 26,9 26,9 11 Bahia 37,2 39,2 36,0 32,4 29,8 37,6 37,7 31,8 21,2 21,8 Média entre os 11 estados 34,2 35,5 36,3 37,9 39,2 39,3 37,4 37,3 36,8 37,2 Fonte: IBGE (2019a). 4.2.3. Panorama da cultura do abacaxizeiro no Estado de Minas Gerais A Figura 7 apresenta a área com abacaxicultura no Estado de Minas Gerais entre os anos de 1996 e 2018. Com 6.390 hectares de área colhida em 2018, observa-se uma queda na área plantada desde 2001. A produção de abacaxi no Estado de Minas Gerais também vem caindo desde 2001 (Figura 8). Figura 7. Área de abacaxi colhida em Minas Gerais, entre 1996 e 2017 (1.000 hectares). Fonte: IBGE (2019a). 0 2 4 6 8 10 12 14 16 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 Á r e a c o lh id a ( 1 .0 0 0 h a ) 34 Figura 8. Produção de abacaxi no estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). Fonte: IBGE (2019a). A produtividade de abacaxi no Estado aumentou entre 1996 e 2008. Entre 2009 e 2012 caiu e depois voltou a subir até 2016. Em 2017 caiu e 2018 voltou a subir (Figura 9). As informações do IBGE, sobre a produção e a produtividade, são expressas em 1.000 frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. Figura 9. Produtividade no estado de Minas Gerais (ton/ha). Fonte: IBGE (2019a). 0 100 200 300 400 500 600 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 P ro d u çã o ( 1 .0 0 0 t ) 0 10 20 30 40 50 60 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 P r o d u ti v id a d e ( t/ h a ) 35 O Estado de Minas Gerais é dividido por doze regiões. Sendo a região do Triangulo Mineiro e Alto Paranaíba, região do Jequitinhonha, região Metropolitana de Belo Horizonte, Noroeste de Minas, Norte de Minas, Central Mineira, Vale do Mucuri, Vale do Rio Doce, Oeste de Minas Gerais, Sudoeste de Minas Gerais, Campo das Vertentes e Zona da Mata Mineira (IBGE, 2019b). A região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba concentram 93% da área plantada no Estado (Figura 10). Figura 10. Área colhida nas cinco regiões de Minas Gerais, entre 2008 e 2017 (hectare). Fonte: IBGE (2019a). A quantidade de abacaxi produzida no estado de Minas Gerais atingiu o pico de produção em 2001, com 514.251 toneladas de abacaxi. A partir de 2001 diminuiu, chegando em 276.210 toneladas em 2018 (Figura 11). 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 Á r e a c o lh id a ( h a ) Outras Regiões Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba 36 Figura 11. Produção de abacaxi nas regiões do estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). Fonte: IBGE (2019a). Quando comparamos a produtividade de abacaxi dentro do estado, observa-se que a região do Triangulo Mineiro possui um índice melhor do que o restante do estado em todo o período. Chegando em 60% mais eficiente do que as demais regiões dentro do estado, no ano de 2018 (Figura 12). As informações do IBGE, sobre a produção e a produtividade, são expressas em 1.000 frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5 que é o peso médio do fruto. Figura 12. Produtividade nas regiões do estado de Minas Gerais (ton/ha). Fonte: IBGE (2019a). 0 100000 200000 300000 400000 500000 600000 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 P ro d u çã o (1 .0 00 t ) Outras Regiões Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba 0 10 20 30 40 50 60 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 P ro d ut iv id ad e ( t/ ha ) Outras Regiões Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba 37 4.2.4. Panorama da cultura do abacaxi nos municípios Mineiros Dos dez municípios mineiros que melhor representaram a produção de abacaxi em 2018, oito deles estão na mesorregião do Triângulo Mineiro, e são justamente os oito maiores. Destes, Frutal é o município com maior produção dentro do estado, com 2.300 hectares colhidos em 2018 (Tabela 7). Tabela 7. Área colhida nos municípios mais representativos, de 2009 a 2018 (ha). Municípios 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Área colhida em MG 8.707 7.560 7.810 8.564 7.896 8.161 8.575 7.915 7.508 6.390 1 Frutal 1900 1900 1900 2100 1600 2300 2000 1900 2000 2300 2 Monte A. de Minas 3200 2000 2000 2000 2000 2200 2200 2000 1800 1200 3 Canápolis 1500 1500 1500 1500 1500 1500 1500 1200 1200 700 4 Fronteira 530 530 530 340 540 350 429 405 530 500 5 São F. de Sales 90 90 90 90 90 90 400 500 400 400 6 Centralina 200 220 300 970 900 400 550 550 550 300 7 Itapagipe 120 120 120 120 150 150 300 300 300 250 8 Comendador Gomes 230 230 230 210 210 210 225 190 190 180 9 Berilo 150 60 160 160 120 120 200 150 70 70 10 Presidente Olegário 20 30 36 40 40 40 40 55 55 50 Percentual* 91% 88% 88% 88% 91% 90% 91% 92% 94% 93% Fonte: IBGE (2019a). *Percentual da área colhida dos 10 municípios de MG. Os dez municípios com maior produção dentro do estado de Minas, somaram 275.330 toneladas em 2018. Representando 95,51% do total produzido no estado neste ano. As três mais representativas, Frutal, Monte Alegre de Minas e Canápolis, juntos, produziram 67,90% da produção de 2018 (Tabela 8). Tabela 8. Municípios com maior produção dentro do estado de Minas Gerais (1.000 toneladas). Municípios 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Produção em MG 383,6 333,3 343,1 375,9 359,3 369,0 394,7 377,1 336,6 288,3 1 Frutal 85,5 85,5 85,5 78,8 72,0 103,5 90,0 91,2 90,0 103,5 2 Monte A. de Minas 144,0 90,0 90,0 90,0 90,0 99,0 99,0 96,0 81,0 57,6 3 Canápolis 76,5 76,5 76,5 76,5 76,5 76,5 76,5 61,2 61,2 34,7 4 Fronteira 23,9 23,9 23,9 19,4 28,4 18,0 19,3 18,2 19,1 22,5 5 São F. de Sales 4,1 4,1 4,1 4,1 4,1 4,1 24,0 30,0 17,4 18,0 6 Centralina 10,5 11,2 15,3 49,5 45,9 18,6 28,9 28,9 28,9 15,8 7 Itapagipe 3,6 3,6 3,6 4,4 5,7 8,3 13,5 13,5 13,5 11,3 8 Comendador Gomes 6,0 6,0 6,0 9,5 5,7 7,9 10,1 8,6 8,6 8,1 9 Berilo 5,6 2,3 6,0 6,0 6,3 6,3 7,5 5,6 1,8 2,1 10 Presidente Olegário 0,8 0,9 1,4 1,5 1,5 1,5 1,4 2,1 2,1 1,9 Percentual representativo 94% 91% 91% 90% 94% 93% 94% 94% 96% 96% Fonte: IBGE (2019a). 38 Quando comparamos a produtividade de abacaxi entre os dez municípios com as maiores áreas e as melhores produções, observa-se que o município de Centralina se destaca com 52,50 toneladas por hectare. O município com a menor produtividade foi Berilo, com 30 toneladas por hectare (Tabela 9). As informações do IBGE, sobre a produção e a produtividade, são expressas em 1.000 frutos. Os resultados encontrados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. Tabela 9. Produtividade dos municípios de Minas Gerais (ton/ha). Municípios 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Produtividade em MG 44,1 44,1 43,9 43,9 45,5 45,2 46,0 47,7 44,8 45,1 1 Centralina 52,5 51,0 51,0 51,0 51,0 46,5 52,5 52,5 52,5 52,5 2 Canápolis 51,0 51,0 51,0 51,0 51,0 51,0 51,0 51,0 51,0 49,5 3 Monte A. de Minas 45,0 45,0 45,0 45,0 45,0 45,0 45,0 48,0 45,0 48,0 4 Frutal 45,0 45,0 45,0 37,5 45,0 45,0 45,0 48,0 45,0 45,0 5 Itapagipe 30,0 30,0 30,0 36,3 38,0 55,0 45,0 45,0 45,0 45,0 6 Comendador Gomes 26,3 26,3 26,3 45,0 27,1 37,5 45,0 45,0 45,0 45,0 7 São F. de Sales 45,0 45,0 45,0 45,0 45,0 45,0 60,0 60,0 43,5 45,0 8 Fronteira 45,0 45,0 45,0 56,9 52,5 51,4 45,0 45,0 36,0 45,0 9 Presidente Olegário 37,5 30,0 37,5 37,5 37,5 37,5 36,0 37,5 37,5 37,5 10 Berilo 37,5 37,5 37,5 37,5 52,5 52,5 37,5 37,5 25,5 30,0 Média dos 10 municípios 41,5 40,6 41,3 44,3 44,5 46,6 46,2 47,0 42,6 44,3 Fonte: IBGE (2019a). 4.3. Produção de abacaxi no município de Frutal-MG A região de Frutal-MG tem um clima tropical com uma estação seca bem definida. A precipitação média anual varia entre 1.200 e 1.400 mm, concentrada entre outubro e março. A estação seca dura de 4 a 5 meses, coincidindo com temperaturas mais baixas. A temperatura média anual é de 25 °C, com uma média mensal máxima de 31 °C com topografia plana. Os principais tipos de solo de Frutal são os Latossolo Vermelho Distrófico típico de textura média, que são solos profundos e bem drenados, com alto teor de alumínio, cobertos por vegetação de Cerrado. Atualmente, esses solos são amplamente utilizados para culturas (cana-de-açúcar, milho, sorgo, soja, abacaxi irrigado), pastagens e seringueira (PEREIRA et al., 2018). A base econômica no município de Frutal é a agropecuária. Destaca-se a produção de abacaxi, grãos (em especial soja e milho), cana-de-açúcar e a pecuária de corte e leite. Atualmente no município de Frutal existem 205 produtores de abacaxi (IBGE, 2018a). 39 Desde o final do século XX, já se destacava a importância das culturas como o abacaxi no desenvolvimento do município de Frutal. A partir da modernização do campo e do agronegócio na região, Frutal se consolidou como espaço de produção e consumo das atividades do setor primário, as quais influenciam no setor terciário e secundário. O agronegócio de Frutal é importante tanto para os grandes como para os pequenos produtores rurais (SILVA, 2012). Para capacitar os produtores da região, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Minas) juntamente com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Frutal) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) promoveu um forte programa denominado de Cultura da Cooperação, que contribui para a capacitação de agricultores familiares atendidos de forma coletiva por meio de consultorias oferecidas por técnicos das instituições parceiras (AGROLINK, 2017). Inserido neste contexto, acredita-se que um levantamento das características sócio econômicas destes produtores possa colaborar com informações importantes para um panorama geral do perfil do produtor agrícola no município, e possíveis fatores que limitam sua produção, o que certamente irá contribuir para o desenvolvimento de estratégias de capacitação e apoio técnico pelas cooperativas locais visando o fortalecimento da produção agrícola e consequentemente da economia de forma geral, uma vez que Frutal se destaca nacionalmente na produção de abacaxi. Entre os anos de 1996 e 2001 houve um expressivo aumento da área colhida (Figura 13) do município, passando de 3.400 para 5.100 hectares. Depois de 2001 houve queda acentuada, chegando em 1.500 em 2004. A partir de 2004 até 2018 houve aumento gradativo. Figura 13. Área de abacaxi colhida em Frutal-MG, entre 1996 e 2018(1.000 hectares). Fonte: IBGE (2019a). 0 1 2 3 4 5 6 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 Á re a co lh id a (1 .0 00 h a) 40 Figura 14. Produção de abacaxi em Frutal-MG, entre os anos de 1996 e 2018, em 1.000 toneladas (ton). Fonte: IBGE (2019a). Já a produtividade da cultura (Figura 15) aumentou a partir do ano de 2000, mantendo- se praticamente estável entre 2002 até 2018, com exceção de 2012, cujos valores foram muito similares ao observado em 2001. No IBGE, a produção e a produtividade são expressas em 1.000 frutos. Os resultados foram multiplicados por 1,5, que é o peso médio do fruto. Figura 15. Produtividade do abacaxi em Frutal-MG, entre os anos de 1996 e 2018 (ton/ha). Fonte: IBGE (2019a). 0 50 100 150 200 250 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 P ro d u çã o (1 .0 00 t ) 0 10 20 30 40 50 60 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 20 18 P ro d u ti vi d ad e ( t/ h a) 41 Quando se compara a abacaxicultura com outras duas culturas, sendo as duas mais representativas na economia do município (cana-de-açúcar e soja), observamos que a área com cana-de-açúcar é maior do que as áreas de soja e abacaxi juntas (Figura 16a). Ao analisar os valores de produção, observa-se que o valor de produção do abacaxi é maior do que o da soja até 2016 (Figura 16b). A cana e a soja juntas, ocupam mais de 30% das melhores áreas agricultáveis do município. E quando se compara os valores produzidos das três culturas por unidade de produção (hectare), entende-se o quanto a cultura do abacaxizeiro agrega valor e ultrapassa em muito a cana e a soja (Figura 16c). Figura 16. Comparativo entre três culturas produzidas em Frutal-MG: cana-de-açúcar, soja e abacaxi. Áreas colhidas nos últimos 10 anos (a), valor da produção (b) e valor por hectare (c). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Á re a C ol hi da ( 1. 00 0 ha ) Cana-de-açúcar Soja (em grão) Abacaxi R$ 0 R$ 100 R$ 200 R$ 300 R$ 400 R$ 500 R$ 600 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 V al or d a P ro du çã o (M ilh õe s de R $) Cana-de-açúcar Soja (em grão) Abacaxi R$ 0 R$ 10 R$ 20 R$ 30 R$ 40 R$ 50 R$ 60 R$ 70 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 V al or p or h ec ta re ( R $ 1. 00 0/ ha ) Cana-de-açúcar Soja (em grão) Abacaxi a b c 42 4.4. Abacaxicultura Ao longo da história, a agricultura expandiu-se tanto no Brasil, que hoje é essencial para o desenvolvimento do país (SOARES; JACOMETTI, 2016). Segundo o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o agronegócio brasileiro já se destaca como o setor que mais contribui para o fortalecimento da economia brasileira, respondendo individualmente por 1/4 do Produto Interno Bruto (BRASIL, 2017). Além de gerar emprego e renda, responde por mais de 40% do volume das exportações, aumenta o saldo da balança comercial e contribui para a estabilidade da economia (SOARES; JACOMETTI, 2016). O Brasil produz mais de 2 milhões de toneladas de frutos por ano, ocupando o terceiro lugar no mundo, atrás da Costa Rica e Filipinas (FAO, 2014; GALEANO; VENTURA, 2018). Este volume também representou um terceiro lugar para o abacaxi entre os frutos colhidos no Brasil, atrás de citros e banana. Mais de 90% do volume total vem das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, sendo os Estados da Paraíba, Pará e Minas Gerais responsáveis por 54% da produção brasileira (IBGE, 2017). O Brasil é apontado como sendo a origem da planta de abacaxi e a grande variabilidade genética encontrada entre os abacaxis cultivados. O Banco Ativo de Germoplasma de Abacaxi da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, Bahia, um dos maiores do mundo, contém mais de 600 acessos e muitos foram introduzidos na Amazônia (CABRAL et al., 2004; SOUZA et al., 2015). Apesar dessa significativa variabilidade natural, mais de 95% dos campos comerciais de abacaxi no Brasil são compostos apenas por duas cultivares, a cultivar internacional Smooth Cayenne, cultivada principalmente no Brasil subtropical, e a tradicional cultivar doméstica Pérola, cultivada em todo o país e sendo responsável por mais de 85% da produção total de abacaxi (REINHARD et al., 2002; SCHERER et al., 2015). O abacaxizeiro (Ananas comosus (L.) Merril) é uma frutífera tropical e subtropical caracterizada como uma planta monocotiledônea da família das Bromeliáceas e da subfamília Bromelioideae e possui aproximadamente 2.700 espécies, entre cultivadas e silvestres. É originária das Américas, com o seu centro de origem correspondendo às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, Norte da Argentina e do Paraguai (HOSSAIN, 2016; AMBROSINI; DA SILVA, 2017; REINHARDT et al., 2018). Trata-se de uma planta semi-perene e seu ciclo produtivo pode variar de 14 a 24 meses, produzindo apenas um fruto por planta (SOUZA; COUTINHO; TORRES, 2012). O abacaxizeiro é uma planta bem adaptada a ambientes de baixa umidade e a variedade 43 mais plantada é a cultivar Pérola, com 88% da área cultivada, seguida da cultivar Smooth Cayenne, com os 12% restantes (REINHARD et al., 2002; SANCHES et al., 2013). O cultivo do abacaxizeiro nas regiões produtoras brasileiras é realizado em escala comercial, quase que exclusivamente com as cultivares Smooth Cayenne e Pérola, o que torna importante, em termos de sustentabilidade da cadeia de produção desta frutífera, a avaliação de novos materiais genéticos, provenientes de cruzamentos controlados e introduções, assim como de mutações naturais que possam vir a apresentar algum potencial econômico no mercado interno e/ou externo (SAMPAIO; FUMIS; LEONEL, 2011). Indícios apontam que sua domesticação ocorreu muitos séculos antes da chegada dos colonizadores europeus. A dispersão, principalmente pelos países americanos, ocorreu com o intercâmbio entre tribos indígenas. Após a chegada dos colonizadores europeus, foi levado para a Europa, Ásia e África, quando se tornou conhecido em todo mundo e ganhou importância como espécie cultivada devido a sua beleza e importância como alimento (CRESTANI et al., 2010). O abacaxi tem valor energético e nutritivo, com alta composição de açúcares, presença de sais minerais e vitaminas (GRANADA; ZAMBIAZI; MENDONÇA, 2004). É um símbolo de regiões tropicais e subtropicais e, devido a sua “coroa”, foi intitulado de “Rei dos Frutos Coloniais”. Tem grande aceitação no mundo todo, seja na forma natural ou industrializada, agradando tanto aos olhos, quanto ao paladar e ao olfato. Por ser uma planta de clima tropical, exige boa luminosidade e seu cultivo deve ser feito em altitudes que variam desde o nível do mar até 400 metros. A propagação e multiplicação do abacaxizeiro é vegetativa, podendo utilizar diversas estruturas da planta, como coroa do fruto além de outras brotações do caule e pedúnculo da planta (REINHARDT; CABRAL; SOUZA, 2002; CRESTANI et al., 2010; HOSSAIN, 2016). Fatores como a época em que é produzido, grau de maturação, cultivar, além das condições climáticas e geográficas, podem influenciar na composição química e sabor do fruto do abacaxi (GRANADA; ZAMBIAZI; MENDONÇA, 2004). As características morfofisiológicas desejadas para uma cultivar de abacaxizeiro consistem em: (i) boa produtividade, sendo a planta resistente ou tolerante às principais pragas e doenças, (ii) o formato do fruto precisa ser cilíndrico e apresentar os frutilhos grandes e achatados, (iii) coroa pequena a média, (iv) polpa firme com coloração amarela e pouco fibrosa, (v) e por fim, elevado teor de açúcar e acidez moderada, esta última certamente é a mais desejada pelo consumidor (BERILLI et al., 2014; HOSSAIN, 2016; REINHARDT et al., 2018). Segundo Cabral (2000), as principais características desejadas em uma variedade de abacaxi são: crescimento rápido; folhas curtas, largas e sem espinhos; produção precoce de 44 rebentão localizado na base da planta próxima ao solo; produção de filhotes situados a mais de dois centímetros da base do fruto; fruto de casca de cor amarelo-alaranjada, olhos planos, polpa amarela, firme, mas não fibrosa, teor de açúcar elevado, acidez moderada; coroa média a pequena. Associadas a essas características, procuram-se ainda variedades que proporcionem altos rendimentos e que sejam resistentes e/ou tolerantes às principais pragas e doenças que ocorrem nos locais de plantio. De acordo com o autor, é difícil encontrar uma variedade que reúna todas essas características. Assim, recomenda-se a escolha de variedades para usos específicos, considerando-se o destino da produção e a adaptação aos locais de plantio (CABRAL, 2000). De acordo com o Sebrae várias empresas de pesquisa têm lançado novas variedades no mercado nacional dentre elas destacam-se, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) com a variedade Imperial, mais resistente a doenças, e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) que lançou a variedade Gomo de Mel. Já no comércio internacional a variedade Golden (Golden Sweet ou MD-2), desenvolvida na América Central, tem forte destaque dentre os mercados importadores (SEBRAE, 2016). 4.4.1. Etapas da produção do abacaxi O primeiro e mais importante passo, quando se fala em produção de abacaxi, é a escolha da variedade. Neste passo deve-se considerar a adaptação da planta ao local de plantio, a destinação da produção (mercado "in natura" ou indústria), além da disponibilidade e da qualidade das mudas (BARKER et al., 2018). Escolha de um terreno plano ou com pouca declividade (até 5%), pH do solo entre 4,5 e 5,5 e de fácil drenagem. Para a implantação e a condução do plantio, deve-se fazer uma análise do solo com no mínimo 90 dias de antecedência ao plantio, caso seja necessária alguma correção do solo. É obrigatória a adubação do abacaxizeiro com base nos resultados da análise de solo (REINHARDT; CUNHA, 2006). Em áreas que receberão o primeiro plantio da cultura, o preparo do solo consistirá em roçagem, destoca parcial, encoivaramento, queima controlada, aração e gradagem. Caso a área em questão já tenha sido anteriormente cultivada com abacaxizeiro, deve-se proceder à destoca, roçagem, aração e gradagem com incorporação dos restos culturais, com exceção, caso tenha ocorrido incidência de pragas e/ou doenças no cultivo precedente. A lavoura irrigada é um passo a mais no processo de produção do abacaxi e nesta etapa o produtor deve levar em consideração todos os gastos envolvidos, bem como o tempo de retorno destes que ultrapassa normalmente o primeiro ciclo (MATOS; SANCHES, 2011). As etapas seguintes consistem na obtenção e 45 manejo das mudas. A qualidade do material propagativo é essencial para o sucesso do plantio. Deve-se usar mudas de boa procedência, sadias e vigorosas em bom estado fitossanitário. Posteriormente, o plantio das mudas é feito em covas abertas com enxadas ou enxadetas e em sulcos. Para o plantio também devem ser considerados a densidade e espaçamento adequados, e estes devem ser ajustados caso o cultivo seja em consórcio com outras culturas. As demais etapas constituem o manejo das plantas espontâneas e a conservação do solo, sendo interessante manter o solo sempre coberto e adubado, além dos tratos fitossanitários (monitoramento, registros das incidências de pragas e doenças, manejo integrado, etc.). E por fim, a colheita e a comercialização dos frutos (REINHARDT; CUNHA, 2006; MATOS; SANCHES, 2011; BARKER et al., 2018). Ainda no processo de produção e na qualidade dos frutos do abacaxizeiro, vários fatores influenciam a qualidade do fruto, principalmente os relacionados à cultivar e ao manejo. Entre as estratégias de manejo utilizadas, a indução artificial de floração se destaca porque a idade em que a indução é realizada em relação a fase de desenvolvimento vegetativo da cultura é extremamente relevante, uma vez que plantas com reservas mais altas tendem a produzir frutos com biomassas maiores (BARKER et al., 2018). Tanto o fruto quanto a planta têm diversas utilizações, podendo o fruto ser consumido ao natural ou preparado. Se industrializado, podem ser produzidos sucos, xarope, geleia, compotas, cristalizado, em forma de passa e picles, sorvetes, doces, balas, bolos e até mesmo a produção de vinho, licor ou aguardente (GRANADA; ZAMBIAZI; MENDONÇA, 2004; CRESTANI et al., 2010; VIANA et al., 2013; AMBROSINI; DA SILVA, 2017). 4.4.2. Aspectos fitossanitários A produtividade do abacaxizeiro depende do controle de fatores como o fornecimento de água e nutrientes (nitrogênio, potássio, fósforo, cálcio, ferro, magnésio, zinco, boro e outros macros e micronutrientes), bem como do manejo e controle de pragas e doenças (MARÍN- CEVADA; FUENTES-RAMÍREZ, 2016). Em relação às pragas e doenças, as mais significativas que atacam a cultura do abacaxizeiro são: o inseto de escala Dysmicoccus brevipes (Pseudococcidae) e fusariose causada por Fusarium subglutinans (Nectriaceae), bem como a broca do fruto Strymon megarus (Lycaenidae), a podridão do olho, causada pelo fungo Phytophthora nicotianae e os nematoides Pratylenchus brachyurus (Pratylenchidae), e Meloidogyne spp. (Heteroderidae) (KIMARI et al., 1997; CAETANO et al., 2015; CARVALHO; AULER; DETONI, 2015; SOUZA et al., 46 2015; MELO et al., 2016). A incidência de doenças na cultura pode depreciar a qualidade dos frutos e diminuir a produção (GALEANO; VENTURA, 2018). Entre as doenças principais, a fusariose ou gomose são as mais destrutivas, podendo gerar perdas entre 50 e 100% dos frutos e, também, diminuir em até 50% a sobrevivência das mudas (MATOS et al., 2009; MELO et al., 2016). O agente etiológico é o fungo Fusarium guttiforme Nirenberg & O’Donnell, 1998 (=Fusarium subglutinans f. sp. Ananás Ventura, Zambolim e Gilbertson (1993)) (NIRENBERG; O’DONNELL, 1998). A incidência da fusariose sofre influência da sazonalidade, resultando em perdas variáveis na produção de frutos com dependência da época da colheita. A fusariose é o principal fator limitante à exploração da cultura do abacaxizeiro nas principais regiões produtoras do país. Em adição, A podridão do olho é uma das principais doenças do abacaxizeiro no mundo, principalmente em plantios instalados em solos com incidência de encharcamento pelo excesso de chuvas ou irrigação. Já a broca do fruto (uma das mais importantes pragas para a abacaxicultura americana) ataca as inflorescências, resultando em galerias na polpa do fruto em desenvolvimento decorrentes da atividade da alimentação das larvas que eclodem dos ovos depositados (KIMARI et al., 1997; MATOS; SANCHES, 2011; CAETANO et al., 2015; MELO et al., 2016; GARCIA et al., 2017). Para controlar as pragas e doenças recomenda-se a utilização de técnicas preconizadas do manejo integrado de pragas (MIP). Adicionalmente, deve-se proceder a limpeza e descontaminação como manutenção das máquinas e equipamentos de forma periódica (MATOS; SANCHES, 2011; CARVALHO; AULER; DETONI, 2015). 4.5. Viabilidade econômica Independentemente da região, a abacaxicultura não é diferente de outras atividades agrícolas, pois também consiste em um ambiente com riscos, sejam de mercado, biológicos, fitossanitários, ou mudanças no clima que possam comprometer a viabilidade econômica das culturas (SIMÕES; CABRAL; OLIVEIRA, 2015). As estratégias de diversificação agrícola, principalmente em mercados pouco explorados como o cultivo do abacaxizeiro, promovem o desenvolvimento (COELHO JÚNIOR, 2017). De acordo com Pinotti e Sampaio (2014), para o planejamento dos produtores rurais em relação ao seu investimento nessa atividade agrícola, nas despesas devem estar incluídos todos 47 os itens necessários para a implantação da cultura do abacaxizeiro, com exceção de custos de manutenção e depreciação de equipamentos, substituídos pelos valores do aluguel de equipamentos, encargos sociais de trabalhadores em contrato temporário, pois nas horas trabalhadas já estão incluídas todas as despesas com a contratação e encargos, e o transporte dos trabalhadores nas fases de plantio, ensacamento e colheita de frutos. Dentro deste contexto, os custos podem ser divididos em três componentes sendo eles: aquisição de insumos, mão de obra e máquinas/implementos para as etapas de preparação do solo, adubação, plantio, controle fitossanitário, ensacamento e colheita (PINOTTI; SAMPAIO, 2014). Uma empresa privada tem como objetivo a maximização dos lucros. A produção de uma empresa é medida como um fluxo, mas é importante destacar que a produção e a despesa de uma empresa ocorrem ao longo de algum período de tempo (PINDYCK; RUBINFELD, 2013). Em economia entende-se por custo de oportunidade, o custo associado a oportunidades que são perdidas por não colocar os recursos da empresa no melhor uso alternativo. Embora o custo econômico e o custo de oportunidade descrevam a mesma coisa, o conceito de custo de oportunidade é particularmente útil em situações em que as alternativas que são omitidas não refletem gastos monetários (PINDYCK; RUBINFELD, 2013). Os recursos são sempre limitados, portanto nem todos os desejos podem ser satisfeitos. Por exemplo, se você decidir gastar seu dinheiro em uma bicicleta nova, também não poderá gastá-lo em um novo computador. Assim, o custo de oportunidade é o valor das oportunidades perdidas. O custo de oportunidade é, em muitos aspectos, a ideia mais fundamental em economia. A economia em seu núcleo é o estudo de como decisões são tomadas sobre a alocação de recursos finitos no mundo real. Se os recursos não fossem limitados, não haveria razão para renunciar a qualquer atividade desejada e todos os projetos poderiam ser realizados. Toda ação tem um custo de oportunidade, por isso é importante tentar entender a extensão total desses custos (WESSELS, 2010). Desta forma, o custo econômico total de produção pode ser categorizado por fixo ou variável. O custo fixo não varia com o nível de saída e pode ser eliminado apenas por desligamento. Já o custo variável varia conforme a produção varia. Contudo, embora os custos fixos não dependam funcionalmente do nível de saída, são correlacionados com a saída e devem ser explicitamente considerados para evitar vieses de estimativas (SOUZA, 2012). Custos variáveis, que incluem despesas de salários e despesas materiais utilizados para produção, aumentam à medida que a produção aumenta (SOUZA, 2012; PINDYCK; RUBINFELD, 2013). Eles são diretamente afetados pelas flutuações nos níveis de atividade da 48 empresa. 4.6. Custo de produção e gestão operacional Administrar um agronegócio requer uma gama abrangente e detalhada de informações sobre técnicas e aspectos financeiros de forma a garantir tomadas de decisões que garantam sua rentabilidade e sua segurança econômica (ALVES; BARROS; OSAKI, 2015; GALEANO; VENTURA, 2018). Para Alves, Barros e Osaki (2015), indicadores de eficiência devem ser gerados, apontando os pontos fortes e fracos, bem como gargalos que dificultem os ajustes capazes de propiciar sustentabilidade ao negócio agropecuário. Desta forma, manter controles eficientes e aplicá-los na gestão de negócio de forma consistente, garante a lucratividade do empreendimento. Implementar relatórios e controles por si não basta. É necessário identificar quais os pontos a se mensurar bem como interpretar de forma clara e objetiva os resultados apresentados por essas ferramentas. Alves, Barros e Osaki (2015) apontam como principais finalidades da contabilidade rural os seguintes pontos: (i) medir o desempenho econômico-financeiro da empresa e de cada atividade produtiva individualmente; (ii) orientar as operações agropecuárias de forma a melhorar o desempenho da fazenda; (iii) controlar as transações financeiras; (iv) apoiar a tomada de decisões no planejamento da produção, das vendas e dos investimentos; (v) auxiliar as projeções de fluxo de caixa e necessidade de crédito; (vi) permitir a comparação do desempenho da empresa no tempo e desta com outras empresas; (vii) conduzir as despesas pessoais do proprietário e de sua família; (viii) justificar a liquidez e a capacidade de pagamento da empresa junto a agentes financeiros e outros credores; (ix) servir de base para seguros, arrendamentos e outros contratos; (x) gerar informações para a declaração do imposto de renda. A partir dos dados disponíveis na contabilidade e dos resultados econômicos, podem ser analisados, por exemplo: (i) Custo fixo total por fazenda e por unidade de negócio; (ii) Custos variáveis por produto e por unidade de negócio; (iii) Margem de contribuição em nível de produto; (iv) Margem bruta por fazenda; (v) Pontos de equilíbrio em volumes e receitas de vendas; (vi) Lucratividade; (vii) Retorno do investimento operacional; (viii) Sustentabilidade agrícola (GALEANO; VENTURA, 2018). É fundamental realizar estudo aprofundado do custo de produção e confrontá-lo com as receitas do negócio. Assim, o empresário rural terá a sua disposição um roteiro indicativo para escolha dos sistemas de produção a serem adotados e seguidos, podendo dispor e combinar os 49 recursos utilizados em sua produção, visando melhores resultados (ALVES; BARROS; OSAKI, 2015). O primeiro passo para contabilizar custos, é identificar claramente a estrutura e a especificidade do negócio e das transações da fazenda. No caso de empreendimentos agrícolas familiares, é necessário separar o que é gasto da fazenda como negócio e o que é gasto familiar. Como em qualquer empreendimento, a separação entre os gastos da empresa e as despesas da família é fundamental para que se obtenha um diagnóstico real da situação do negócio (ALVES; BARROS; OSAKI, 2015). A segunda ação a ser tomada, é identificar os centros de custos. Na unidade agrícola é importante que se possam identificar quais quantidades de insumos, mão de obra, máquinas, equipamentos, combustível, entre outros, podem ser contabilizadas para uma cultura e/ou atividade e quais itens são conjuntos (ALVES; BARROS; OSAKI, 2015). Segundo Alves, Barros e Osaki (2015), o terceiro passo a ser seguido é a identificação dos preços de cada item para o cálculo do custo total dos fatores de produção (preços x quantidade). Separar os custos ou despesas de produção em categorias: custeio, despesa com comercialização, despesas gerais, arrendamentos, despesas financeiras e despesas com tributos e taxas diversas (ALVES; BARROS; OSAKI, 2015), sendo que: Custeio: custos com insumos, operação mecânica, mão de obra, serviço terceirizado e irrigação; Despesas com comercialização: despesas com classificação, padronização, comercialização do produto, incluindo o custo de transporte da produção da propriedade até o local de venda; Despesas gerais: desembolsos que geralmente não são diretos de uma ou outra cultura ou atividade, como: energia elétrica, telefone, contabilidade rural, escritório de advocacia, exames médicos admissional e demissional, análise do solo, custo de empregados gerais e administrativos, custo do deslocamento do produtor rural, custo com transporte de funcionário, custo da manutenção das instalações, seguro de utilitários (caminhonete), EPI (equipamento de proteção individual), garrafas de água, enxadas, foices e outros; Arrendamentos: (aluguel da terra), se aplica aos casos em que a área da fazenda pertença a terceiros. A prática mais comum é o valor do aluguel ser fixado em equivalente em produto; Despesas financeiras: desembolsos com juros ou taxa cambial para financiamento de custeio agrícola, de bens duráveis (máquinas, implementos, estufas e galpão) e juros sobre o 50 capital de giro de forma geral; Despesas com tributos e taxas diversas: são recolhidas ao Governo e geralmente são descontadas no momento da comercialização do produto. São a Contribuição Especial da Seguridade Social Rural (CESSR) e os tributos específicos cobrados em cada Estado. Por fim, Alves, Barros e Osaki (2015), recomendam a elaboração de uma lista do patrimônio imobilizado da fazenda, com o máximo de detalhamento possível. Esta listagem deve descrevera marca, potência, ano de fabricação, valor de compra, tempo de uso (em horas ou anos) de cada trator da fazenda. O mesmo deve ser feito para cada máquina, equipamento e benfeitorias disponíveis. 4.7. Economia e deseconomia de escala e economia de escopo As economias de escala referem-se a custos reduzidos por unidade que surgem do aumento da produção total de um produto. As economias de escala dão origem a custos unitários mais baixos por várias razões. Primeiro, a especialização da mão de obra e a tecnologia mais integrada aumentam os volumes de produção. Em segundo lugar, os custos menores por unidade podem vir de pedidos em massa de fornecedores, compras maiores de publicidade ou menor custo de capital. Em terceiro lugar, distribuir os custos das funções internas em mais unidades produzidas e vendidas ajuda a reduzir custos (PASSOS; NOGAMI, 2015). Investir em economia de escala é um processo difícil e demorado, especialmente para pequenos negócios. Esse modelo de desenvolvimento é viável para quem já tem uma marca ou produto consolidado no mercado e quer aumentar sua margem de lucro, assim pode aumentar sua produção em larga escala (SEBRAE, 2016). Muitas empresas, especialmente as gigantes industriais, usam a fusão como meio de desenvolver uma economia de escala, já que assim ampliam seu campo de atuação, reduzem gastos e se tornam mais