443 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 Avaliação de resistência em cultivares de arroz ao ataque do percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae). AVALIAÇÃO DE RESISTÊNCIA EM CULTIVARES DE ARROZ AO ATAQUE DO PERCEVEJO-DO-COLMO, TIBRACA LIMBATIVENTRIS STAL, 1860 (HEMIPTERA: PENTATOMIDAE) J.R. Souza1*, E. Ferreira2_, A.L. Boiça Junior3, A. Cargnelutti Filho4**, E.F. Chagas5, J.M. Mondego6 1Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Ciências Exatas, Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/no, CEP 14849-900, Jaboticabal, SP, Brasil. E-mail: joseaneagro@yahoo.com.br RESUMO A resistência de cultivares de arroz ao ataque do percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae), foi avaliada em experimento conduzido em casa-de-vegetação na Embrapa Arroz e Feijão no período de dezembro de 2004 a fevereiro de 2005, em delineamento experimental de blocos aumentados de Federer com dez repetições. Na avaliação foram conside- rados sete caracteres de resistência ao ataque do inseto. Foram utilizados 64 cultivares de arroz, sendo 60 considerados tradicionais e quatro cultivares mais atuais como testemunhas: Cica 8, Bonança, Primavera e BR IRGA 409. Os resultados obtidos apontaram que os cultivares Nenenzinho, Miúdo Branco, Lageado Ligeiro, Guabirú, Branco Tardão, Agulhinha do Seco, Arroz do Governo, Arroz Misturado, Vermelho Trinca Ferro, Vermelhão, Chatão, Cutião, Vermelho, Bacaba Branco, Catetão, Buriti, Bacaba, Agulha, Arroz Comum, Vermelho, Pingo D’Água, Marabá Branco, Come Cru Vermelho e Agulhão destacaram-se como resistentes possivelmente do tipo antibiose, enquanto os cultivares Pela Mão, Arroz do Governo, Cana Roxa, Come Cru Branco, Bico Preto, Pingo de Ouro, Matão, Gojobinho, Buriti, Rabo de Burro, Poupa Preguiça, Vermelho Trinca Ferro, Miúdo Branco, Ligeiro Curto, Vermelho Agulha, Agulhão, Marabá Branco, Gojoba\75 Dias\Ligeiro, Pingo D’Água, Arroz Comum e Vermelho mostraram-se provavelmente como tolerantes ao ataque do percevejo-do-colmo podendo, portanto, ser devidamente explorados em programas de melhoramento para resistência a T. limbativentris . PALAVRAS-CHAVE: Oryza sativa, melhoramento de plantas, resistência de plantas a insetos, tipos de resistência. ABSTRACT REVALUATION OF RESISTANCE OF RICE CULTIVARS TO THE ATTACK OF THE STEM BUG TIBRACA LIMBATIVENTRIS STAL, 1860 (HEMIPTERO: PENTATOMIDAE). Rice cultivars were evaluated in regard to their resistance to attack by the stem bug Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae) in an experiment carried out in the greenhouse at Embrapa Arroz and Feijão, Brazil, in randomized augmented Federer blocks with ten replications. Seven traits related to plant resistance were evaluated. A total of 64 rice cultivars were used, 60 of which were considered traditional, and 4 of which were more recent cultivars, used as controls: Cica 8, Bonança, Primavera and BR IRGA 409. The results showed that the cultivars Nenenzinho, Miúdo Branco, Lageado Ligeiro, Guabirú, Branco Tardão, Agulhinha do Seco, Arroz do Governo, Arroz Mistu- rado, Vermelho Trinca Ferro, Vermelhão, Chatão, Cutião Vermelho, Bacaba Branco, Catetão, Buriti, Bacaba, Agulha, Arroz Comum, Vermelho, Pingo D’Água, Marabá Branco, Come Cru 2Embrapa Arroz e Feijão, Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, Brasil. 3Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Fitossanidade, Jaboticabal, SP, Brasil. 4Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Fitotecnia, Centro de Ciências Rurais, Santa  Maria, RS, Brasil. 5Universidade Estadual do Maranhão, Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, São Luís, MA, Brasil. 6Engenheira Agrônoma, São Luis, MA, Brasil. *Mestranda em Agronomia - Genética e Melhoramento de Plantas. **Bolsista PQ CNPq. _In memorian. IdeaPad Caixa de texto DOI: 10.1590/1808-1657v75p4432008 444 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 J.R. Souza et al. Vermelho and Agulhão stood out as resistant, possibly of the antibiosis type, while the cultivars Pela Mão, Arroz do Governo, Cana Roxa, Come Cru Branco, Bico Preto, Pingo de Ouro, Matão, Gojobinho, Buriti, Rabo de Burro, Poupa Preguiça, Vermelho Trinca Ferro, Miúdo Branco, Ligeiro Curto, Vermelho Agulha, Agulhão, Marabá Branco, Gojoba\75 Dias\Ligeiro, Pingo D’Água, Arroz Comum and Vermelho were revealed as probably tolerant to attack of the stem bug and therefore should be explored in breeding programs for resistance to T. limbativentris . KEY WORDS: Oryza sativa L., plant breeding, resistance of plants to insects, resistance of types. INTRODUÇÃO O percevejo-do-colmo (Tibraca limbativentris Stal, 1860) é a praga de maior expressão econômica na cultu- ra do arroz (Oryza sativa L.) no Brasil provocando preju- ízos em termos de produtividade de até 90%. Ataca os colmos das plantas com mais de 20 dias de idade sendo seus danos caracterizados pela morte parcial ou total da parte central dos colmos sintoma este conhecido por “coração morto” (FERREIRA et al., 1997). A principal forma de controle do percevejo-do- colmo tem sido a utilização do controle químico que vem de encontro com limitações de ordem econômica e ambiental, havendo a necessidade de se pesquisar e propor medidas alternativas de controle. As eventuais proposições deverão ser de baixo custo e de fácil ado- ção. Nesse sentido, a utilização de cultivares resisten- tes ao percevejo-do-colmo apresenta grande potencial para minimizar os danos causados por esse inseto. Entre tais métodos, o emprego de cultivares resis- tentes é considerado ideal, uma vez que as popula- ções das pragas podem ser mantidas abaixo de seus níveis de danos, reduzindo distúrbios ambientais e sem exigir conhecimentos específicos do agricultor, e nem custos adicionais (LARA, 1991). A resistência de plantas a insetos pode ser devida a três mecanismos: antixenose, tolerância e antibiose (PAINTER, 1951). Uma planta apresenta a tolerância como mecanismo de resistência quando é menos danificada em relação a outras, sob um mesmo nível de infestação por uma determinada praga, sem afetar o comportamento ou a biologia da espécie fitófaga. Enquanto a antibiose caracteriza-se por proporcionar a redução da popu- lação de pragas, exercendo um efeito adverso ou mesmo letal sobre a biologia do inseto (LARA, 1991). Há pouca informação sobre a resistência de culti- vares de arroz à T. limbativentris apesar da realização de alguns trabalhos a respeito (TRUJILLO, 1970; FERREIRA et al., 1986; SOUSA; RODRIGUES, 1990). Ainda não foram desenvolvidos nem selecionados cultivares com essa característica para fins comerciais, e a seleção de arroz para resistência ao percevejo-do-colmo seria baseada principalmente em cultivares com alta capa- cidade de perfilhamento e associada a um menor número de perfilhos danificados (FERREIRA et al., 1997). Neste trabalho objetivou-se avaliar a resistência de 64 cultivares de arroz ao ataque do percevejo-do- colmo T. limbativentris a fim de indicar os mais promis- sores em futuros programas de melhoramento ofere- cendo novas ferramentas para o seu controle. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em casa-de-vegeta- ção no Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão – CNPAF/EMBRAPA, no Município de Santo Antô- nio de Goiás, GO, no período de dezembro de 2004 a fevereiro de 2005. Foram utilizados 64 cultivares de arroz (Tabela 1), sendo 60 considerados tradicionais (FONSECA et al., 1982) e quatro outros cultivares mais atuais utilizados como testemunhas Cica 8, BR IRGA 409 (FERREIRA et al., 1997), Bonança (PEREIRA et al., 2002) e Primavera (SOUZA et al., 2006). As sementes dos 64 cultivares de arroz foram fornecidas pelo Banco Ativo de Germoplasma localizado no CNPAF/Embrapa. Inicialmente, os 64 cultivares foram semeados (17/12/04) no solo do telado, em covas na densidade de 15 sementes, espaçados em 0,40 m, adotando-se o delineamento de blocos aumentados de Federer com dez repetições. A utilização deste tipo de delineamen- to deveu-se a pequena disponibilidade de sementes e por ser utilizado em etapas inicias de um programa de melhoramento de plantas quando o número de culti- vares costuma ser alto conforme relatado por ZIMMERMANN (2004). Em cada bloco foram distribuí- dos seis dos 60 cultivares tradicionais e os quatro cultivares testemunhas. Foram utilizadas cinco ninfas de T. limbativentris com idade de, no máximo, 5 horas após a primeira ecdise provenientes de adultos ali- mentados em plantas da cultivar de arroz irrigado BR IRGA 409 e gaiolas cilindricas com base de PVC (0,25 m de diâmetro x 0,20 m de altura) revestida por tecido fino (“voile”). Vinte dias após a semeadura, contou-se o número inicial de perfilhos e, em seguida, as plantas de cada cova foram isoladas com as gaiolas e infestadas com cinco ninfas (inicio do segundo instar). Ao final do experimento contou-se o número de colmos normais, danificados e os que foram emitidos após a infestação. Quando surgiram os primeiros insetos adultos nos cultivares testemunhas, cerca de 35 dias após a infestação, o experimento foi encerrado. As gaiolas foram removidas e os percevejos contados e coletados em saquinhos de papel para cada tratamento; os colmos com e sem “coração morto” foram contados. 445 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 Avaliação de resistência em cultivares de arroz ao ataque do percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae). Os saquinhos contendo os percevejos foram coloca- dos em congelador por 24 horas, depois em estufa a 50º C por 36 horas e a seguir pesados em balança de precisão. Os caracteres avaliados foram: número de ninfas vivas (NNV), número de insetos adultos vivos (NAV), massa seca individual (MSI) e massa seca total (MST) de T. limbativentris expressas em mg, colmos normais (CN), colmos emitidos após infestação (CEA) e colmos danificados (CD). A divisão da massa seca total pelo número de insetos vivos (ninfas + adultos) resultou na massa seca individual dos insetos. O número de colmos normais foi obtido da subtração dos colmos finais pelo número de colmos com a sintomatologia “coração morto” visível adicionado aos colmos com “coração morto” invisível. O sintoma “coração morto” invisível foi detectado com o auxílio de um estilete no qual realizou-se um corte em todos os colmos das plantas de cada tratamento para visualizar ou não se a folha central encontrava-se morta dentro dele. Os colmos danificados foram obtidos por meio do somatório de colmos com “coração morto” visível e invisível. Os caracteres foram analisados sem e com trans- formação em 5,0+X . Os que sofreram transforma- ção foram: número de ninfas vivas (NNV), número de insetos adultos vivos (NAV), massa seca individual (MSI) e total (MST), colmos normais (CN) e colmos danificados (CD). Utilizou-se o programa computa- cional GENES (CRUZ, 2001) e as médias foram compa- radas pelo teste de Scott & Knott (SCOTT; KNOTT, 1974), no nível de 5 % de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram observadas diferenças significativas em todos os caracteres avaliados (Tabela 1). Os cultivares Nenenzinho, Miúdo Branco, Lageado Ligeiro, Guabirú, Branco Tardão, Agulhinha do Seco, Arroz do Governo, Arroz Misturado, Vermelho Trinca Fer- ro, Vermelhão, Chatão, Cutião, Vermelho, Bacaba Branco, Catetão, Buriti e Bacaba diferiram significati- vamente dos demais cultivares por apresentarem os menores índices de sobrevivência das ninfas (Tabela 1). Os cultivares que causaram menor sobrevivência sobre os insetos adultos foram Nenenzinho, Branco Tardão, Agulha, Arroz Comum, Vermelho, Pingo D’Água, Marabá Branco, Come Cru Vermelho e Agulhão que diferiram significativamente dos registrados nos cul- tivares Buriti, Miúdo Branco, Ligeiro Curto, C12\IAC 1246, Bacaba, Pingo de Ouro, Arroz Arara, Matão, Cana Roxa, Bico Preto, Rabo de Burro, Poupa Pregui- ça, Gojobinho, Zebu Ligeiro, Vermelho Trinca Ferro, Bacaba Branco, Come Cru Branco, Catetão e Tardão Vermelho que foram mais favoráveis à sobrevivên- cia dos insetos adultos (Tabela 1). Observou-se que os insetos criados sobre os culti- vares Agulhão, Arroz Comum, Pingo D’Água e Marabá Branco apresentaram menor massa seca in- dividual enquanto nos cultivares Arroz Comum, Agulhão, Pingo D’Água e Marabá Branco verificou- se menor massa seca total (Tabela 1). Esses resultados estão em conformidade com a situação em que indivíduos com menor peso, criados sobre plantas resistentes, evidenciam que os cultiva- res provavelmente possuem características da antibiose, aliada à mortalidade de formas jovens e de insetos adultos (LARA, 1991). A resistência do tipo antibiose do acesso CNPH 101 de Lycopersicon peruvianum à traça do tomateiro Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) foi estudada por SUINAGA et al. (2004). Os autores verificaram que o acesso CNPH 101 de L. peruvianum apresentou resistência do tipo antibiose constatada pela mortalidade larval e duração da fase pupal dos insetos. Tabela 1 - Comparação entre médias de 64 cultivares de Oryza sativa em relação a sete caracteres de resistência a Tibraca limbativentris . Santo Antônio de Goiás, GO, 2005. Caracteres de resistência Cultivares NNV1** NAV** MSI** MST** CEA CN** CD** 1) Arroz Misturado 0,63d 1,78b 7,65b 11,19b 16,25b 4,56b 2,49c 2) Agulha 1,57a 0,69d 3,93c 6,67c 3,25c 2,94d 3,13c 3) Arroz Asa 0,80c 1,26c 7,32b 7,94c 7,50c 3,11d 3,74b 4) Arroz Pubero 1,47a 1,71b 6,40b 11,65b 8,50c 3,32c 3,60b 5) Amarelão 0,89c 0,91c 5,38c 6,12c 8,25c 3,27c 3,19c 6) Arroz do Governo 0,63d 1,78b 8,04a 11,74b 19,25b 6,47a 1,92c 7) Agulhão 1,50a 0,18d 0,78e 0,84e 0,10e 3,07d 1,55d 8) Arroz Comum 0,92c 0,56d 0,74e 0,93e 9,75c 5,26b 0,80d 9) Agulhinha do Seco 0,63d 1,78b 4,75c 7,06c 6,25c 2,77d 3,75b Continua... 446 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 J.R. Souza et al. Tabela 1 - Cotinuação. Caracteres de resistência Cultivares NNV1** NAV** MSI** MST** CEA CN** CD** 10) Arroz Arara 0,96c 2,33a 5,90b 14,87b 18,50b 2,82d 4,91a 11) Arroz Projeto 1,83a 0,84c 4,20c 6,64c 7,50c 3,32c 3,75b 12) Branco 1,47a 2,00b 8,20a 16,85a 13,50b 2,70d 4,89a 13) Bacaba 0,29d 2,42a 9,93a 16,29a 17,50b 1,90e 6,02a 14) Branco Tardão 0,63d 0,70d 5,60c 7,09c 4,50c 4,60b 2,12c 15) Bacaba Branco 0,41d 2,11a 6,73b 13,30b 14,25b 4,55b 3,43b 16) Bico Ganga 1,05b 1,59b 8,30a 13,91b 9,75c 4,60b 2,74c 17) Bico Preto 0,92c 2,19a 8,27a 17,94a 28,75a 3,76c 5,70a 18) Buriti 0,38d 2,55a 7,21b 16,40a 26,25a 4,47b 4,64a 19) C-2 0,96c 1,36c 5,38c 7,58c 6,50c 3,58c 2,84c 20) Cutião Vermelho 0,41d 1,86b 7,72b 13,29b 12,25c 4,66b 2,24c 21) Catetão 0,38d 2,07a 7,08b 12,72b 20,25b 5,27b 3,50b 22) C 12/IAC 1246 0,80c 2,42a 7,07b 12,65b 16,50b 4,77b 2,62c 23) Cana Roxa 0,92c 2,19a 7,32b 15,82a 29,75a 6,22a 3,76b 24) Come Cru Branco 1,25b 2,07a 5,93b 13,51b 30,25a 5,68a 3,92b 25) Come Cru Vermelho 1,14b 0,18d 2,56d 3,52d 0,11e 2,80d 1,94c 26) Cutião 0,83c 1,29c 6,93b 8,44c 8,75c 3,86c 3,21c 27) Chatão 0,41d 1,57b 6,82b 9,63c 17,25b 5,26b 2,44c 28) Chatão Vermelho 0,96c 1,65b 5,28c 9,79c 17,50b 4,98b 2,50c 29) Douradão 0,92c 1,07c 9,46a 9,58c 9,75c 4,58b 2,21c 30) Desconhecido Branco 0,96c 1,00c 6,97b 7,06c 1,50d 3,46c 2,11c 31) Gojobinho 0,83c 2,19a 10,34a 20,96a 26,75a 4,75b 5,03a 32) Gojoba/75 Dias/Ligeiro 0,80c 1,26c 6,77b 7,39c 7,50c 4,45b 1,21d 33) Guabirú 0,63d 1,05c 3,88c 3,98d 0,50d 3,44c 3,14c 34) Jatobá 1,25b 1,78b 6,39b 13,12b 15,25b 5,27b 2,46c 35) Lageado 1,05b 1,84b 4,96c 9,65c 7,75c 3,09d 4,93a 36) Ligeiro 1,50a 0,90c 7,21b 10,55c 18,25b 4,88b 2,65c 37) Lageado Ligeiro 0,63d 1,82b 3,53c 7,82c 0,20e 2,00e 3,38b 38) Ligeiro Curto 0,80c 2,42a 8,76a 16,05a 21,50a 2,77d 5,55a 39) Matão 0,89c 2,32a 7,45b 16,92a 27,25a 5,17b 4,17b 40) Marabá 0,80c 1,78b 5,22c 7,10c 14,50b 4,21b 3,58b 41) Marabá Branco 1,05b 0,43d 0,58e 0,65e 0,40d 3,49c 1,41d 42) Miúdo Branco 0,63d 2,54a 9,06a 20,29a 22,25a 3,57c 5,09a 43) Mato Grosso 1,47a 0,84c 4,35c 5,28c 2,50d 3,02d 2,71c 44) Mucuim/Miúdo 0,96c 2,00b 9,52a 17,07a 12,50c 3,72c 4,54a 45) Nenenzinho 0,63d 0,70d 5,36c 6,12c 0,50d 4,21b 2,12c 46) Palha Murcha/Cuchilão 0,92c 1,43c 6,51b 8,95c 13,75b 3,26c 4,39b 47) Pela Mão 1,34a 1,94b 8,27a 16,81a 28,75a 6,55a 3,68b 48) Pingo de Ouro 0,83c 2,41a 7,98a 17,81a 27,75a 4,02c 5,14a 49) Poupa Preguiça 0,83c 2,19a 9,23a 18,73a 22,75a 5,36b 4,23b 50) Pingo D’Água 1,56a 0,43d 0,58e 0,65e 0,75d 3,85c 0,90d 51) Rabo de Burro 0,83c 2,19a 8,69a 17,66a 22,75a 3,29c 5,44a 52) Saia Velha 0,92c 1,07c 8,06a 8,35c 15,75b 5,05b 2,83c 53) Tardão Vermelho 1,14b 2,07a 7,00b 14,11b 7,25c 2,58d 3,63b 54) Taboca 1,47a 0,84c 2,74d 3,67d 2,50d 3,59c 2,23c 55) Vermelho 1,47a 0,48d 2,73d 3,53d 5,50c 4,52b 0,47d 56) Vermelhão 0,41d 1,86b 7,23b 12,43b 14,25b 4,08c 3,95b 57) Vermelhinho/75 Dias/Ligeiro 1,05b 1,84b 5,18c 10,10c 11,75c 1,90e 5,53a 58) Vermelho Agulha 1,05b 0,95c 7,18b 7,40c 6,75c 4,40b 1,77d 59) Vermelho Trinca Ferro 0,41d 2,11a 8,05a 15,94a 22,25a 3,96c 4,42b Continua... 447 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 Avaliação de resistência em cultivares de arroz ao ataque do percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Hemiptera: Pentatomidae). Quanto ao número de colmos normais consta- tou-se que os cultivares Pela Mão, Arroz do Gover- no, Cana Roxa e Come Cru Branco foram os que mais apresentaram colmos sadios ao término do experimento diferindo significativamente dos cul- tivares Lageado Ligeiro, Vermelhinho\75 Dias\Ligeiro e Bacaba que apresentaram menor número (Tabela 1). Os cultivares que mais perfilharam após infestação foram Come Cru Bran- co, Cana Roxa, Pela Mão, Bico Preto, Pingo de Ouro, Matão, Gojobinho, Buriti, Rabo de Burro, Poupa Preguiça, Vermelho Trinca Ferro, Miúdo Branco e Ligeiro Curto diferindo significativamente dos cul- tivares Lageado Ligeiro, Come Cru Vermelho e Agulhão que perfilharam menos. O número de colmos danificados observados nos cultivares Bacaba, Bico Preto, Ligeiro Curto, Vermelhinho\75 Dias\Ligeiro, Rabo de Burro, Pingo de Ouro, Miúdo Branco, Gojobinho, Lageado, Arroz Arara, Branco, Buriti e Mucuim\Miúdo foi maior quando comparado com os cultivares Ver- melho Agulha, Agulhão, Marabá Branco, Gojoba\75 Dias\Ligeiro, Pingo D’Água, Arroz Comum e Vermelho que apresentaram as menores médias. Dessa forma pode-se inferir que o comporta- mento dos cultivares frente ao ataque do T. limbativentris revela que, possivelmente, eles são portadores de resistência do tipo tolerância e que estão de acordo com FERREIRA et al. (1986) que estu- daram, em dois experimentos, a possibilidade de identificar fontes de resistência de arroz ao perce- vejo-do-colmo. Os autores observaram que é prefe- rível selecionar cultivares e linhagens altamente perfilhadoras e com uma quantidade de colmos danificados a mais baixa possível. Tabela 1 - Cotinuação. Caracteres de resistência Cultivares NNV1** NAV** MSI** MST** CEA CN** CD** 60) Zebu Ligeiro 0,96c 2,12a 5,25c 13,43b 17,50b 4,23b 4,06b 61) Cica 8* 1,11b 1,63b 5,45c 10,29c 14,00b 3,87c 3,99b 62) Bonança* 1,16b 0,98c 3,26c 4,81c 6,30c 4,09c 2,75c 63) BR IRGA 409* 1,34a 1,10c 4,73c 7,07c 11,50c 3,92c 3,65b 64) Primavera* 1,08b 1,32c 5,57c 8,40c 11,20c 3,95c 3,49b 1NNV = número de ninfas vivas, NAV = número de insetos adultos vivos, MSI = massa seca individual e MST = massa seca total de T. limbativentris por mg, CEA= colmos emitidos após infestação, CN = colmos normais e CD= colmos danificados. * Testemunhas; Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente entre si, pelo teste de Scott & Knott, a 5% de probabilidade. **Dados transformados = número de ninfas vivas (NNV), número de insetos adultos vivos (NAV), massa seca individual (MSI) e total (MST), colmos normais (CN) e colmos danificados (CD). CONCLUSÃO De maneira geral, pode-se inferir que os cultivares Nenenzinho, Miúdo Branco, Lageado Ligeiro, Guabirú, Branco Tardão, Agulhinha do Seco, Arroz do Governo, Arroz Misturado, Vermelho Trinca Ferro, Vermelhão, Chatão, Cutião, Vermelho, Bacaba Branco, Catetão, Buriti, Bacaba, Agulha, Arroz Comum, Ver- melho, Pingo D’Água, Marabá Branco, Come Cru Vermelho e Agulhão destacaram-se como resistentes possivelmente do tipo antibiose, enquanto os cultiva- res Pela Mão, Arroz do Governo, Cana Roxa, Come Cru Branco, Bico Preto, Pingo de Ouro, Matão, Gojobinho, Buriti, Rabo de Burro, Poupa Preguiça, Vermelho Trinca Ferro, Miúdo Branco, Ligeiro Curto, Vermelho Agulha, Agulhão, Marabá Branco, Gojoba\75 Dias\Ligeiro, Pingo D’Água, Arroz Co- mum e Vermelho provavelmente são tolerantes ao ataque do percevejo-do-colmo devendo, portanto, ser devidamente explorados em programas de melho- ramento para resistência a T. limbativentris. AGRADECIMENTOS Ao Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Fei- jão/Embrapa, Universidade Estadual do Maranhão/ UEMA e ao ilustre Dr. Evane Ferreira (in memoriam) que com compreensão e humildade contribuiu para a conclusão desta pesquisa. REFERÊNCIAS CRUZ, C. D. Programa GENES - versão Windows. Aplicativo computacional em genética e estatística. Viçosa: UFV, 2001. p.648. 448 Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.75, n.4, p.443-448, out./dez., 2008 J.R. Souza et al. FERREIRA, E.; MARTINS, J. F. S.; RANGEL, P. H. N.; CUTRIM, V. A. Resistência de arroz ao percevejo do colmo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.21, n.5, p.565- 569, 1986. FERREIRA, E.; ZIMMERMANN, F.J.D.; SANTOS, A.B.; NEVES, B.P. O percevejo do colmo na cultura do arroz. Goiânia: EMBRAPA-CNPAF, 1997, 43p. (Documentos, 75). FONSECA, J. R.; RANGEL, P. H.; BEDENDO, I. P.; SILVEIRA, P. M.; GUIMARÃES, E. P.; CORANDIN, L. 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