Jessica Beatriz Tolare Indexação de partitura musical: uma proposta de modelo de leitura documentária Marília 2025 Jessica Beatriz Tolare Indexação de partitura musical: uma proposta de modelo de leitura documentária Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciência da Informação como parte das exigências para a obtenção do título de Doutora em Ciência da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Marília. Área de Concentração: Informação, Tecnologia e Conhecimento. Linha de pesquisa: Produção e Organização da Informação. Orientador (a): Profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita. Coorientador: Profa. Dra. Paula Regina Dal’Evedove. Marília 2025 Impacto potencial desta pesquisa Organizar um conhecimento pode ocorrer com base em diferentes objetivos e abordagens, como um viés mais positivista, em que ele é organizado como uma unidade de conhecimento (conceito) para de acordo com os seus elementos (características) e sua aplicação à diferentes objetos/assuntos (Dahlberg, 2006) ; e uma perspectiva mais pragmática, em que essa organização vista organizar e representar documentos, a partir da representação de seus assuntos e conceitos, independente de ocorrer por ser humano ou máquina (Hjørland, 2008). O impacto da pesquisa possui respaldo a partir dessas duas perspectivas de organização do conhecimento, pois a indexação de partituras musicais pode proporcionar debates e discussões acerca desse domínio na Ciência da Informação de modo em que se abordam os aspectos conceituais e estruturais da partitura musical e a socialização do conhecimento a partir de sua organização. A pesquisa ainda possui respaldo também nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), em específico, nos objetivos 4, 9 e 16. O objetivo 4 pretende garantir o acesso à uma educação de qualidade, de modo a ser inclusiva e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; o objetivo 9.5 visa fortalecer a pesquisa científica, para melhorar a capacidade tecnológica e incentivar a inovação, com o aumento substancial do número de pesquisadores a partir de investimentos no âmbito público e privado; e o objetivo 16.10, que possui por intuito assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais, em conformidade com a legislação nacional e os acordos internacionais. Potential impact of this research Organizing knowledge can be based on different objectives and approaches, such as a more positivist approach, in which it is organized as a unit of knowledge (concept) according to its elements (characteristics) and its application to different objects/subjects (Dahlberg, 2006); and a more pragmatic perspective, in which this organization aims to organize and represent documents, based on the representation of their subjects and concepts, regardless of whether it is done by humans or machines (Hjørland, 2008). The impact of the research is supported by these two perspectives on the organization of knowledge, since indexing musical scores can provide debates and discussions about this domain in Information Science, in a way that addresses the conceptual and structural aspects of musical scores and the socialization of knowledge based on their organization. The research is also supported by the Sustainable Development Goals (SDGs) promoted by the United Nations (UN), specifically Goals 4, 9 and 16. Goal 4 aims to ensure access to quality education, so that it is inclusive and equitable and promotes lifelong learning opportunities for all; Goal 9. 5 aims to strengthen scientific research in order to improve technological capacity and encourage innovation, with a substantial increase in the number of researchers through public and private investment; and objective 16.10, which aims to ensure public access to information and protect fundamental freedoms, in accordance with national legislation and international agreements. Impacto potencial de esta investigación La organización del conocimiento puede basarse en diferentes objetivos y enfoques, como una perspectiva más positivista, en la que se organiza como una unidad de conocimiento (concepto) de acuerdo con sus elementos (características) y su aplicación a diferentes objetos/sujetos (Dahlberg, 2006); y una perspectiva más pragmática, en la que esta organización tiene como objetivo organizar y representar documentos, basándose en la representación de sus temas y conceptos, independientemente de si lo hacen humanos o máquinas (Hjørland, 2008). El impacto de esta investigación se apoya en estas dos perspectivas sobre la organización del conocimiento, ya que la indexación de partituras musicales puede proporcionar debates y discusiones sobre este dominio en la Ciencia de la Información de forma que se aborden los aspectos conceptuales y estructurales de las partituras musicales y la socialización del conocimiento basada en su organización. La investigación también se apoya en los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) promovidos por la Organización de las Naciones Unidas (ONU), específicamente los Objetivos 4, 9 y 16. El Objetivo 4 busca garantizar el acceso a una educación de calidad que sea inclusiva y equitativa y promueva oportunidades de aprendizaje durante toda la vida para todos; el Objetivo 9. 5 pretende reforzar la investigación científica para mejorar la capacidad tecnológica y fomentar la innovación aumentando sustancialmente el número de investigadores mediante inversiones públicas y privadas; y el objetivo 16.10 pretende garantizar el acceso público a la información y proteger las libertades fundamentales, de conformidad con la legislación nacional y los acuerdos internacionales. Jessica Beatriz Tolare Indexação de partituras musicais: uma proposta de modelo de leitura documentária Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), como requisito parcial para a obtenção do título de Doutora em Ciência da Informação. Área de concentração: Informação, Tecnologia e Conhecimento. Linha de pesquisa: Produção e Organização da Informação. Banca Examinadora Profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita UNESP – Câmpus de Marília Orientador Profa. Dra. Franciele Marques Redigolo UNESP – Câmpus de Marília Profa. Dra. Telma Campanha de Carvalho Madio UNESP - Câmpus de Marília Profa. Dra. Bernardina Maria Juvenal Freire de Oliveira UFPB – Universidade Federal da Paraíba Profa. Dra. Ana Lúcia Terra Universidade de Coimbra - Portugal Suplentes: 1 Profa. Dra. Sonia Maria Troitino Rodriguez UNESP – Câmpus de Marília 2 Profa. Dra. Roberta Caroline Vesu Alves UNESP/ Instituto Federal de São Paulo 3 Profa. Dra. Camila Monteiro de Barros UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina Marília, 30 de maio de 2025. À todas as meninas e mulheres que nunca imaginaram que um dia se tornariam pesquisadoras e cientistas. O mundo é de vocês! AGRADECIMENTOS À minha orientadora profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita, que me escolheu, ainda na graduação, para fazer iniciação científica até a tese do doutorado. Ao longo de todos esses anos, ela conseguiu ver algo que eu nunca consegui ver, aprendi tanto sobre pesquisa, conhecimento e, sobretudo, a vida, com a sua paciência, confiança, ética e bondade. Ela me fez ir além de minhas próprias expectativas e me transformou enquanto pesquisadora e pessoa. Me encontrei na pesquisa, me apaixonei pela indexação e serei eternamente grata a ela. Ao Vinícius, meu companheiro de vida, que apareceu quando a jornada da pós começou. Ele esteve em todos os momentos, bons e ruins, com toda a sua paciência, me incentivou a seguir e compartilhar meus sonhos, recolheu todos os pedaços quebrados e me ajudou a me reerguer quando mais precisei. São anos de risadas espontâneas, conversas aleatórias e um companheirismo eterno. Ao meu pai, Paulo, e ao meu irmão, Bruno, minha família, que foram os responsáveis pelo começo de tudo, por estarem presentes e serem o meu porto seguro durante a minha vida toda. Tudo começou com eles, foi por eles que tive forças para continuar e sempre será por eles. Aos meus avós, Inês e seu Nê, e à Tia Cida, que sempre estiveram lá, cuidando, torcendo e rezando por mim, pelo meu pai e meu irmão, sempre com um café-da- tarde, regado a comida de vó e boas conversas. Havia dias que era só o que eu precisava para curar um momento difícil. Ao Grupo de Estudos em Organização e Representação do Conhecimento (GEORC) e a todos os seus membros, amigos e colegas, que me acolheram e tornaram essa caminhada menos solitária, regada de salgadinhos, cafés e conversas, sobre muitos trabalhos e bate papo aleatórios. Em especial, ao prof. Dr. Walter Moreira e à profa. Dra. Franciele, ambos responsáveis pelo grupo. O prof. Walter foi meu orientador de estágio, me convidou para o grupo, me ensinou sobre a importância do conhecimento e o real impacto que ele pode ter na vida das pessoas. Ele e a Dona Marilda, sua esposa, são as pessoas mais admiráveis que já conheci e os levarei sempre comigo. À profa. Franciele, companheira de feira, sorvetes e cinema, junto da Dona Júlia, sua mãe, que foram um dos presentes que ganhei no final do doutorado. Dona Júlia é uma fonte de inspiração e a profa. Franciele é uma das mulheres mais inteligentes e bondosas que já conheci. Minha eterna gratidão a todos. Às amizades que a pós me trouxe, gostaria de destacar: a Amanda, minha parceira de pesquisa, pela amizade pessoal, pelos livros de procedência duvidosa e por me fazer sentir parte de algo que ultrapassou a academia, sempre com uma boa playlist ao fundo; à Luciana, que virou amiga e parceira de congressos, trabalhos, cafés e risadas; à Dani e à Cecí, presentes da UFPA, pelo bom humor e por serem tão queridas e um presente da pós; à Fer Bim e à Mavis, pelas conversas aleatórias, fotos de gatos e livros de terror. Esses quatro anos não teriam sido os mesmos sem vocês. À Ana, amiga da época de graduação, que começou por conta de gatos e coisas fofas. Ela foi responsável por eu adotar a Luna, uma gata frajolinha, que já fez 8 anos e tornou-se uma das maiores alegrias da minha vida, à quem sou grata também. Ela sempre esteve em todos os momentos, bons e ruins, e sempre foi uma companheira, inclusive, nas madrugadas de escrita. À Paula e à Dani, minhas psis, que vêm me dando suporte e ajudando a trilhar esse caminho sem deixar que eu me perca totalmente. As terapias, o bom humor e as puxadas na orelha foram essenciais e não seria nada se não tivessem vocês. À profa. Dra. Ana Lúcia Terra, com quem já tive a honra e o prazer de poder trabalhar, sempre acolhedora e compreensível, à profa. Dra. Bernardina Oliveira, à profa. Dra. Telma Madio, à profa. Dra. Sonia Trointino e à profa. Dra. Camila Barros por serem exemplos de pesquisadoras e cederem seus tempos preciosos para lerem esse trabalho. A todos os professores que passaram pela minha vida e ensinaram um pouquinho do que sabiam. Todos eles contribuíram para que eu estivesse aqui hoje, em especial, às professoras Renata, Cássia e Regiane, da minha época do Ensino Médio, que sempre me incentivaram a ir além das minhas próprias expectativas. Elas me ensinaram que eu poderia sonhar com um mundo inteiro de possibilidades, que havia mais caminhos do que eu imaginava e que dependia de mim para começar uma jornada, sempre serei grata. À Jéssica Portolani, minha primeira professora de teclado e música, e à Márcia, sua mãe e minha madrinha, por me ensinarem tudo o que sei e por estarem sempre presentes. Que nossa Senhora Aparecida sempre as abençoe. À Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), a todos os meus colegas de curso, aos funcionários e professores, em especial, aos funcionários da pós-graduação, por todo o suporte e apoio ao longo de todos esses anos. Se consegui frequentar a faculdade foi porque eles estavam lá para me auxiliarem em tudo. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. 1 “Que a música cure e a poesia [ciência] nos salve.” - Autor desconhecido. 1 Sempre fui fascinada por música, desde que me entendo por gente, a combinação de todos os elementos (como melodia e letra) é capaz de extrair a mais profunda das emoções, em minha perspectiva. Por isso, ouvi-la tornou- se uma das minhas maiores companheiras no Doutorado, independente de como estava e de seu estilo musical. Diante disso, criei esse QR Code, como forma de deixar registrado tudo o que eu ouvi ao longo desses anos, devido ao significado que a música possui para a tese e para a minha vida (não há nenhuma ordem a ser seguida, sugiro o modo aleatório). Espero que possam apreciar também (Caso não consiga acessar, segue-se o link: https://www.youtube.com/playlist?list=PLEtwXwnp2vqCblmDb8Du9NUmUj9R-8LuI). Boa leitura! https://www.youtube.com/playlist?list=PLEtwXwnp2vqCblmDb8Du9NUmUj9R-8LuI RESUMO A partitura musical pode ser considerada como um tipo de documento não-textual e textual ao mesmo tempo, permitindo estabelecer como premissa que a partitura musical pode ser considerada enquanto documento não-verbal e textual ao mesmo tempo, porém tem sido tratado como um documento apenas textual; o indexador da partitura musical possui falta de conhecimento especializado e insuficiente para atender às necessidades dos usuários que buscam esse tipo de documento; e escassez de publicações envolvendo o processo de indexação da partitura musical. A hipótese foi de que para que se realize a leitura documentária da partitura musical é preciso obter conhecimento múltiplo (processo de indexação, teoria musical e leitura de partitura musical). A tese defendida foi de que haveria pontos estratégicos da partitura musical em sua estrutura que poderiam ser utilizados para realizar a sua leitura documentária, de modo a possibilitar esse tipo de documento enquanto não- textual e textual ao mesmo tempo e obter subsídios para a elaboração do modelo de leitura documentária. O objetivo geral foi de propor o modelo de leitura documentária para a indexação de partitura musical. Como objetivos específicos foram: aprofundar a literatura publicada interdisciplinar sobre indexação de partitura musical; elaborar um estudo teórico sobre partitura musical como documento imagético textual e não verbal; identificar informações compostas na partitura musical para serem utilizadas como assunto, na representação temática e investigar o procedimento de leitura documentária feito por indexadores no processo em acervos especializados em música como parte empírica do desenvolvimento do estudo. Os procedimentos metodológicos foram compostos pelo mapeamento sistemático, para aprofundamento teórico-analítico da estrutura da partitura musical e protocolo verbal individual, para verificar como o processo de indexação é realizado na prática. Para realizar a análise do mapeamento sistemático utilizou-se o software parsifal e foram estabelecidas sete categorias de análise, com base na transcrição dos protocolos verbais e na literatura da fundamentação teórica. Os resultados mostraram que a conceituação da partitura musical está relacionada à sua forma e ao seu conteúdo, no caso, tipo de partitura e instrumentação, respectivamente. A análise da estruturação mostrou que essa informação pode estar composta na partitura. E a análise empírica do processo de indexação mostraram que, em sua maioria, ela é tratada como documento textual. Como conclusão, foi possível compreender a estrutura da partitura e sua conceituação, principalmente, realizar o desenvolvimento do modelo de leitura documentária. Também foi possível confirmar a hipótese do conhecimento múltiplo e defender a tese de que é possível encontrar essas informações em pontos estratégicos da partitura musical que podem ser utilizados no modelo de leitura documentário. Palavras–chave: indexação; leitura documentária; partitura musical; acervos de partituras musicais especializados em música. ABSTRACT Over the years, the process of indexing collections with musical scores has been investigated, identifying problems related to storage and preservation conditions; regulations and conditions for making them available for research and dissemination; and cataloging systems, with inconsistencies in the representation and retrieval of this type of document. Thus, the premises of the research are based on: the musical score as a non-verbal and textual document at the same time, but it has been treated as only textual; the indexer of the musical score, with a lack of specialized knowledge and insufficient to meet the needs of users looking for this type of document; and the scarcity of publications involving the process of indexing the musical score. The hypothesis was that in order to carry out document reading of musical scores, it is necessary to obtain multiple types of knowledge (indexing process, music theory and musical score reading). The thesis that was sought to be corroborated was that there are strategic points of the musical score in its structure that can be used to carry out its documentary reading, in order to enable this type of document to be non-verbal and visual at the same time and to obtain subsidies for the elaboration of the documentary reading model. The general objective was to propose a documentary reading model for indexing musical scores. The specific objectives were: to delve into the published interdisciplinary literature on indexing musical scores; to carry out a theoretical study on musical scores as textual and non-verbal imagery documents; to identify information composed in musical scores to be used as a subject in thematic representation; to investigate the documentary reading procedure carried out by indexers in specialized music collections as an empirical part of the study's development; and to propose a documentary reading model for indexing musical scores. The methodological procedures consisted of systematic mapping, for a theoretical-analytical study of the structure of the musical score, and an individual verbal protocol, to verify the empirical part of the indexing process. The parsifal software was used to analyze the systematic mapping and seven categories of analysis were established, based on the transcription of the verbal protocols and the literature of the theoretical foundation. A total of 13 papers were analyzed in the results. The results showed that the conceptualization of the musical score is related to its form and content, in this case, type of score and instrumentation, respectively. The analysis of structuring showed that this information can be composed in the score. And the empirical analysis of the indexing process carried out by the experts also showed that, for the most part, it is treated as a textual document. In conclusion, it was possible to achieve the proposed objectives, such as understanding the structure of the score and its conceptualization, but above all, it was possible to carry out the development of the documentary reading model, observe the premises in the analyses, answer the questions established by the problem about how the process is carried out, confirm the hypothesis of multiple knowledge and defend the thesis that it is possible to find this information at strategic points in the musical score that can be used in the documentary reading model. Keywords: indexing; documentary reading; musical score; collections of musical scores specializing in music. RESUMEN A lo largo de los años, se ha investigado el proceso de indización de colecciones con partituras musicales, identificando problemas relacionados con las condiciones de almacenamiento y conservación; la normativa y las condiciones para ponerlas a disposición de la investigación y la difusión; y los sistemas de catalogación, con incoherencias en la representación y recuperación de este tipo de documentos. Así, las premisas de la investigación se basan en: la partitura musical como documento no verbal y textual al mismo tiempo, pero que ha sido tratado como sólo textual; el indizador de la partitura musical, con falta de conocimiento especializado e insuficiente para atender las necesidades de los usuarios que buscan este tipo de documento; y la escasez de publicaciones que involucren el proceso de indización de partituras musicales. La hipótesis fue que para realizar la lectura documental de partituras musicales es necesario tener múltiples tipos de conocimiento (proceso de indexación, teoría musical y lectura de partituras musicales). La tesis que se buscó corroborar fue que existen puntos estratégicos de la partitura musical en su estructura que pueden ser utilizados para realizar su lectura documental, a fin de posibilitar que este tipo de documento sea no verbal y visual al mismo tiempo y obtener subsidios para la elaboración del modelo de lectura documental. El objetivo general era proponer un modelo de lectura documental para la indización de partituras musicales. Los objetivos específicos fueron: profundizar en la literatura interdisciplinar publicada sobre indización de partituras musicales; realizar un estudio teórico sobre las partituras musicales como documentos textuales y de imágenes no verbales; identificar la información compuesta en las partituras musicales para ser utilizada como temas en la representación temática; investigar el procedimiento de lectura documental realizado por los indizadores en colecciones especializadas de música como parte del desarrollo empírico del estudio; y proponer un modelo de lectura documental para la indización de partituras musicales. Los procedimientos metodológicos consistieron en un mapeo sistemático, para profundizar en la comprensión teórico-analítica de la estructura de la partitura musical, y un protocolo verbal individual, para verificar la parte empírica del proceso de indización. Se utilizó el software parsifal para analizar la cartografía sistemática y se establecieron siete categorías de análisis, basadas en la transcripción de los protocolos verbales y en la bibliografía de la fundamentación teórica. En los resultados se analizaron un total de 13 trabajos. Los resultados mostraron que la conceptualización de la partitura musical está relacionada con su forma y contenido, en este caso el tipo de partitura y la instrumentación, respectivamente. El análisis de estructuración demostró que esta información puede componerse en la partitura. Y el análisis empírico del proceso de indexación realizado por los expertos también mostró que, en su mayor parte, se trata como un documento textual. En conclusión, fue posible alcanzar los objetivos propuestos, como comprender la estructura de la partitura y su conceptualización, pero sobre todo, fue posible desarrollar el modelo de lectura documental, observar las premisas en los análisis, responder a las preguntas establecidas por el problema sobre cómo se realiza el proceso, confirmar la hipótesis del conocimiento múltiple y defender la tesis de que es posible encontrar esta información en puntos estratégicos de la partitura musical que pueden ser utilizados en el modelo de lectura documental. Palabras-claves: indización; lectura documental; partitura musical; colecciones de partituras especializadas en músical LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Etapas do processo de indexação 42 Figura 2 – Modelo contemporâneo da compreensão de leitura 49 Figura 3 – Relações entre as variáveis de leitura 49 Figura 4 – Notas musicais criadas com base na homenagem feita a São João Batista 82 Figura 5 – Formação da nota musical 83 Figura 6 – Nomes e valores das notas musicais 83 Figura 7 – Escala musical da letra dó 84 Figura 8 – Pauta ou pentagrama 84 Figura 9 – Atribuição de notas pelas claves 85 Figura 10 – As notas musicais ao longo dos séculos 88 Figura 11 – Exemplo de partitura gráfica 93 Figura 12 – Processos do Mapeamento Sistemático 108 Figura 13 – Fases e atividades do processo de MS 109 Figura 14 – Pontuação das perguntas e das respostas 117 Figura 15 – Forma de extração de dados 118 Figura 16 – Exemplo de análise de pesquisas no Parsifal 119 Figura 17 – Exemplo de atribuição de pontuação de acordo com as perguntas nos estudos 120 Figura 18 – Elementos da partitura musical localizados em sua estrutura 141 Figura 19 – Partitura musical Hallelujah 180 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Sistematização da pesquisa para apresentar a estrutura e organização das seções 30 Quadro 2 – A teoria da indexação em diferentes correntes de pensamento 38 Quadro 3 – Definições de indexação por diversas normas 40 Quadro 4 – Estruturas textuais 53 Quadro 5 – Modelos de leitura documentária de diferentes tipologias documentais 60 Quadro 6 – Categorias essenciais e acessórias para a identificação da estrutura textual 64 Quadro 7 – Outras categorias de elementos universais são dadas pelo sistema de indexação PRECIS 65 Quadro 8 – Localização da essência do texto 66 Quadro 9 – Conceitos essenciais de um documento 67 Quadro 10 – Relação entre os conceitos e as partes do texto 68 Quadro 11 – Princípio do modelo de leitura documentária 70 Quadro 12 – Classes temáticas representativas do contexto histórico da universidade analisada 73 Quadro 13 – Definições de partitura musical 89 Quadro 14 – principais tipos de partituras musicais 91 Quadro 15 – comparação da catalogação com uso do MARC21 e Padrão de descrição de informação 101 Quadro 16 – aspectos positivos e negativos dos metadados dos sistemas 103 Quadro 17 – Dados da revisão do MS retirados do Parsifal 112 Quadro 18 – Dados do Planejamento - Protocolo do MS retirados do Parsifal 112 Quadro 19 – Dados das fontes de informação e da seleção de critérios do MS retirados do Parsifal 114 Quadro 20 – Dados dos critérios de seleção de documentos do MS retirados do Parsifal 115 Quadro 21 – Notações para a transcrição do Protocolo Verbal Individual 126 Quadro 22 - Categorias de análise do PVI 128 Quadro 23 - Pesquisas selecionadas para análise 131 Quadro 24 - Categorias analíticas a partir do Mapeamento Sistemático 132 Quadro 25 - dados informacionais descritivos e temáticos 140 Quadro 26 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 150 Quadro 27 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 153 Quadro 28 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 156 Quadro 29 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 160 Quadro 30 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 162 Quadro 31 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 164 Quadro 32 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 165 Quadro 33 - Trechos retirados das transcrições nos apêndices para análise categórica 167 Quadro 34 - aplicação do modelo base de identificação de dados de fotografias às partituras 176 Quadro 35 - Ordem das informações na partitura musical 177 Quadro 36 - Identificação e localização das informações na partitura musical 179 Quadro 37 - Grade do modelo de leitura documentária para partitura musical 180 Quadro 38 - Identificação e localização das informações na partitura musical 182 Quadro 39 - Identificação de conceitos e representação de termos na partitura musical 183 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AB Associação Brasileira de Normas Técnicas CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CI Ciência da Informação CN Congresso Nacional ECA Escola de Comunicação e Artes ER Entrevista Retrospectiva EUA Estados Unidos da América IA Instituto de Artes IIMP International Index to Music Periodicals IMG Index Medicus Global ISO International Organization for Standardization JSTOR Journal Storage LD Leitura Documentária LISTA Library, Information Science and Technology Abstracts LOC Library of Congress MI Music Index MS Mapeamento Sistemático OC Organização do Conhecimento ONG Organização Não Governamental ONU Organização das Nações Unidas POC Processos de Organização do Conhecimento PVI Protocolo Verbal Individual RI Recuperação da Informação RILM Répertoire International de Littérature Musicale RIPM Retrospective Index to Music Periodicals RS Revisão Sistemática SOC Sistema de Organização do Conhecimento TE Termos Específicos TCC Trabalho de Conclusão de Curso TG Termos Gerais TR Relações Associativas UC Universidade de Coimbra UNESP Universidade Estadual Paulista UNIMAR Universidade de Marília UNISIST United Nations International Scientific Information System UP Use UP+ Use em conexão com outro termo USE Relações de equivalência USP Universidade de São Paulo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 18 1.1 Objetivos e proposta: 25 1.2 Justificativa: 26 1.3 Sistematização da tese: 30 2 O PROCESSO DE INDEXAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO: CONCEITOS E TEORIAS 33 3 A LEITURA DOCUMENTÁRIA NO PROCESSO DE INDEXAÇÃO 47 3.1 Estruturas textuais verbais e não-verbais 50 3.2 O leitor: aspectos cognitivos e metacognitivos 54 3.3 O contexto: tipologias 57 3.4 Modelos de leitura documentária 61 3.4.1 Modelo de leitura documentária para estruturas textuais: artigo científico 63 3.4.2 A identificação de assuntos em fotografias: estrutura e conceitos 71 4 PARTITURAS MUSICAIS: ASPECTOS HISTÓRICOS, CONCEITUAIS E ESTRUTURAIS 79 4.1 A história da partitura musical 79 4.2 A conceituação da partitura musical 88 4.3 A representação da partitura musical: aspectos normativos e os metadados 97 5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS PARA PESQUISA EXPLORATÓRIA PESQUISA DESCRITIVA COM USO DA TÉCNICA INTROSPECTIVA DO PROTOCOLO VERBAL INDIVIDUAL 106 5.1 Estudo teórico interdisciplinar sobre processo de indexação e partitura musical: mapeamento sistemático 107 5.1.1 Aplicação do método do mapeamento sistemático 111 5.2 Estudo de observação dos procedimentos de leitura documentária na indexação de partituras musicais: Protocolo Verbal Individual 120 6 RESULTADOS DA PESQUISA DESCRITIVA PARA ANÁLISE DA ESTRUTURA DE PARTITURAS MUSICAIS 130 6.1 O conceito de partitura musical e a leitura de sua estrutura 133 6.2 Dados informacionais descritivos e temáticos na partitura musical 139 6.3 O leitor e o contexto da partitura musical 143 7 RESULTADOS DO ESTUDO DE OBSERVAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE LEITURA DOCUMENTÁRIA NA INDEXAÇÃO DE PARTITURAS 146 7.1 Categorias de análise das transcrições dos protocolos verbais 148 7.2 Síntese dos principais resultados obtidos 167 8 MODELO DE LEITURA DOCUMENTÁRIA PARA PARTITURAS MUSICAIS 170 8.1 Aplicação prática da leitura documentária à partitura musical 180 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS 185 Referências 188 Apêndice A - Modelo de e-mail de contato 208 Apêndice B - Modelo de consentimento livre e esclarecido 209 Apêndice C - Transcrição da coleta de dados na Biblioteca A 212 Apêndice D - Transcrição da entrevista retrospectiva com os bibliotecários catalogadores/indexadores da Biblioteca A 217 Apêndice E - Transcrição da coleta de dados na Biblioteca B 228 Apêndice F - Transcrição da entrevista retrospectiva com os bibliotecários catalogadores/indexadores da Biblioteca B 231 Apêndice G - Transcrição da coleta de dados na Biblioteca C 239 Apêndice H - Transcrição da entrevista retrospectiva com os bibliotecários catalogadores/indexadores da Biblioteca C 243 Apêndice I - Transcrição da coleta de dados na Biblioteca E - entrevista 251 Anexo A - Parecer de aprovação do comitê de ética 273 Anexo B - Roteiro para identificação dos dados em fotografias 278 Anexo C - Roteiro para identificação de dados em notícias de jornais 279 18 1 INTRODUÇÃO Ao considerar a partitura musical enquanto documento, a origem da presente pesquisa surgiu ao cursar uma disciplina durante o Mestrado Acadêmico em Ciência da Informação (CI), realizada na Universidade Estadual Paulista (UNESP), no período de 2019-2021, intitulada “Modelos de Leituras para o processo de indexação”, ministrada pela Profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita e pela Profa. Dra. Roberta Caroline Vesu Alves. O trabalho proposto para a avaliação final da disciplina, em formato de artigo, foi sobre a elaboração de um modelo de leitura documentária para a partitura musical, com o intuito de elencar informações consideradas essenciais de uma partitura musical para realizar o processo de indexação. A partir desse artigo, percebeu-se a existência de muita complexidade para desenvolver-se um modelo de leitura documentária, devido aos símbolos compostos em sua estrutura. Dessa forma, optou-se por reformular a pesquisa para o projeto de um futuro doutorado e transformá-lo em tese, pois o curso permitiria realizar o aprofundamento de questões complexas que envolvem as temáticas da indexação e música. Historicamente, o termo documento foi introduzido na Antiguidade, a partir de suas características de ensino e instrução. Por volta de 1214, o termo latino “documentum” se referia a exemplos, modelos e palestras, cuja sua funcionalidade foi o foco até em torno do século XVII (Lund, 2009). Posteriormente, o documento passou a ser entendido a partir de sua escrita, considerado um testemunho da razão, ordem e ideias, em que teve como função fornecer evidências, originando, dessa forma, uma concepção voltada para o aspecto jurídico, conhecido também como diplomática. A validade do documento pode ser atestada pela estrutura técnica e material da sua composição, bem como pela autoridade que o compilou. Nesse aspecto, Macneil (2000) explica que são evidenciadas questões como autenticidade e capacidade do documento em fornecer informações. A definição de documento, por fim, é introduzida por Bellotto (1991, p. 14) como qualquer “elemento gráfico, iconográfico, plástico ou fônico pelo qual o homem se expressa. É tudo o que seja produzido por razões funcionais, jurídicas, científicas, culturais e artísticas pela atividade humana”. Já o documento, pela perspectiva de Otlet (1996) pode ser considerado como um ponto de convergência dos processos de 19 comunicação, acumulação e transmissão do conhecimento, da criação e do desenvolvimento de instituições. O autor ainda considera o termo “documento” como um objeto capaz de proporcionar a construção de novos conhecimentos científicos. Ao mesmo tempo, Buckland (2014) apresenta três perspectivas diferentes acerca do documento: (i) visão material convencional, visual instrumental e visão semiótica. A visão convencional está relacionada aos documentos como registro gráfico, geralmente, de forma textual, inscrito ou exibido em uma superfície plana, como argila, tablete, papel, microfilme e tela de computador, que é material, local e, em geral, transportável. Esses objetos são produzidos como documentos. A visão instrumental, por sua vez, parte da perspectiva que quase qualquer coisa pode ser feita para servir como um documento, com o intuito de significar algo e representá-lo como evidência, como, por exemplo, modelos, brinquedos educativos, coleções de história natural e vestígios arqueológicos. Diferente dos dois aspectos anteriores, que enfatizaram a criação de documento a partir da sua intencionalidade, a perspectiva semiótica mostra o documento enquanto um objeto social, pois não há intenção criativa, apresenta-se, nesse sentido, como um signo, um objeto que possui forma e conteúdo e representa algo para alguém ao ser atribuído um valor (Buckland, 2014). Para o objeto ser considerado como documento, Pédauque (2003) elucida que é necessário possuir o ato da percepção, a partir de três aspectos do seu uso: (i) enquanto percepção física (ver), esforço intelectual (leitura) e interpretação (compreensão), o que compreende que tanto o criador quanto o sujeito perceptor possui importâncias no que pode ser considerado como documento. O documento como forma, segundo Pédauque (2003), é posto como um objeto (material) ou uma inscrição de um objeto (imaterial) de comunicação entre o emissor e o receptor. Os documentos são compostos de dados estruturados inscritos em um suporte material, que permitem a sua propagação, disponibilização de informação entre um produtor e um leitor, geralmente, por regras comuns ao processo, independentemente do fim a que se propõe. O documento enquanto signo, ainda explica Pédauque (2003), é visto como conteúdo, dependendo do contexto de recepção e das condições de interpretação. Dessa forma, o documento não se limita pela leitura sequencial definida pelo autor no momento da criação, pois ele incorpora a visão do usuário e sua interpretação. O 20 documento como meio pode abranger todas as aproximações que analisam os documentos enquanto um fenômeno social, um elemento tangível de uma comunicação entre seres humanos demarcada pela sociabilidade (Pédauque, 2003). Nesse contexto, Reyes Gallegos (2016) complementa ao estabelecer que há diferentes tipos de documentos, no contexto dos escritos, por exemplo, há a partitura musical. Com base nessa contextualização, a partitura musical pode ser considerada como um documento, de acordo com a definição estabelecida por Briet (1951, p. 1) em seu manifesto, como “todo indício, concreto ou simbólico, conservado ou registrado, com a finalidade de representar, reconstituir ou provar um fenômeno físico ou intelectual”. Apesar de poder considerar a definição mais genérica, a autora explica que o documento deve servir como uma evidência, com uma preocupação voltada ao registro enquanto prova e não com o texto inserido (Briet, 1951, 2016). Buckland (2018) complementa essa linha de pensamento ao explicar que houve muitos autores que incluíram mapas, diagramas, desenhos e imagens com registros textuais em uma categoria denominada como registros gráficos. No entanto, não houve tanta aceitação por parte da academia na época e, por isso, acabou por desuso do termo. A definição apresentada por Briet (1951, 2016) está de acordo com a acepção apresentada por Otlet (1934), em seu livro chamado Traité de documentation (Tratado da documentação, tradução livre), no qual o autor estabelece que documentos são registros gráficos e escritos, que, por sua vez, são representações de ideias ou objetos. O autor possuía uma perspectiva acerca de documentos como comprovação de fatos, que representavam os detalhes do mundo. Bellotto (1991, p. 14) complementa a publicação de Otlet ao dizer que o documento é “tudo o que seja produzido por razões funcionais, jurídicas, científicas, técnicas, culturais ou artísticas pela atividade humana”. Nesse sentido, pode-se considerar o documento como a forma do ser humano se expressar através de registros enquanto suporte, sejam eles físicos ou digitais, enquanto o conteúdo pode- se considerar como propriedade intelectual, ou seja, as obras, compostas por ideias ou produtos imateriais, que ganham valor ao ser representadas pelos seus suportes. A definição de documento que melhor representa o contexto da atual pesquisa foi apresentada por Buckland (2018, p. 4, tradução livre), em que diz que o documento 21 é “usado como um termo genérico que inclui não apenas livros, artigos e cartas publicadas e não publicadas, mas também músicas, imagens e gravações sonoras”. O autor ainda estabelece que um objeto pode ser considerado como documento, mediante a existência de uma afirmação ou de uma percepção de evidência para alguma crença, o que pode ser algo relativo em relação à realidade, principalmente, por considerar seres humanos, que podem possuir diferentes acepções acerca dos conceitos e seus significados. Com base no princípio de que nem todo documento é textual e verbal, dessa forma, a partitura musical pode ser tida como um documento textual e não verbal, visto que ela consegue ser caracterizada a partir dos apontamentos realizados pelos autores supracitados. O seu conteúdo é definido como objeto imaterial, uma propriedade intelectual, presente pela composição, obra ou informação musical (Smiraglia, 2002), que necessita de um suporte para ser expresso. O documento musical é caracterizado, nesse sentido, como o suporte que comporta a obra ou a composição, o registro da música, e será executado ao ser interpretado pelo musicista. Nesse contexto, Bellotto (2010) explica que no acervo especializado, em que envolve atividades musicais (ensino, prática e execução), há diferentes tipos de documentos musicais, denominados como musicográficos, iconográficos, sonoros e audiovisuais. Para esclarecimento de escolhas para a pesquisa, não será aprofundado o contexto institucional desse tipo de documento, justamente por existir diferentes perspectivas de abordagem (Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e Musicologia), não cabíveis para a atual discussão proposta pelo estudo. Dessa forma, o termo partitura musical denota o mesmo sentido de documento musical. Bellotto (2007, p. 35) complementa ao estabelecer que a partitura é constituída por uma série de sinais dentro de uma linguagem particular e que possui uma concepção mais abrangente quando comparada a “qualquer elemento gráfico, iconográfico, plástico ou fônico pela qual o homem se expressa”. Nesse sentido, a partitura musical é estabelecida como um tipo de documento e, pela perspectiva de Samson (2001), é utilizada uma notação musical manuscrita, digital ou impressa, para que sejam feitas representações de vozes e instrumentos de uma determinada obra. Diante disso, com o intuito de verificar a existência de publicações envolvendo a temática, foram realizadas simulações de buscas, sem critérios definidos a priori. 22 Como resultados parciais, foram encontradas publicações que podem ser utilizadas para explicar a contextualização do problema da pesquisa. Na pesquisa de Sotuyo Blanco (2016), por exemplo, foram identificados quatro problemas comuns nesse tipo de acervo: condições infraestruturais; condições de guarda e preservação; regulamento e condições de disponibilização para pesquisa e divulgação; sistemas de catalogação e descrição documental utilizados. Com base nesses problemas apontados pelo autor supracitado, outros estudos, desenvolvidos em outros períodos, relataram problemas similares em diferentes níveis. ● Condições de guarda e preservação: problemas de acessibilidade em acervos musicais especializados, devido à falta de conservação e preservação adequados (Borges, 2006). ● Regulamento e condições de disponibilização para pesquisa e divulgação: baixo nível de consistência na avaliação da indexação em uma biblioteca universitária especializada em artes plásticas, música e teatro, representado por altos percentuais de descritores que não obedeceram às normas para realizar o processo (Strehl, 1998); análise do manual de catalogação de partituras de uma instituição em que os autores observaram a existência de uma escassez de representação temática nesse documento (Barbosa; Lunardelli, 2021). ● Sistemas de catalogação: inconsistências na representação e recuperação de sistemas que possuíam a partitura musical em seu acervo; falta de atendimento, por parte dos modelos de catalogação e indexação, às necessidades dos pesquisadores músicos, leigos interessados ou musicólogos; carência de especialização aos catalogadores e indexadores (Matos, 2007); análise documental precária na representação de conteúdos (Cavalcanti; Carvalho, 2011); prática de indexação e representação no domínio da música com o intuito de observar a estruturação do vocabulário controlado e constatação dos instrumentos serem escassos e falhos (Carmo; Conceição, 2018); análise da indexação em catálogos especializados em música e a observação de uma falta de representação adequada (Tolare; Fujita, 2020). 23 Com base na contextualização desenvolvida acima, ao estabelecer a partitura enquanto um tipo documental e nas observações relatadas por diferentes autores (Borges, 2006; Barbosa; Lunardelli, 2021; Carmo; Conceição, 2018; Cavalcanti; Carvalho, 2011; Matos, 2007; Sotuyo Blanco, 2016; Strehl, 1998; Tolare; Fujita, 2020) acerca das condições do processo de organização, representação e recuperação de partituras musicais, foi possível elaborar as principais premissas: ● O documento partitura musical: a partitura musical é considerada como um tipo de documento não-verbal e textual, porém, a partir de publicações (Almeida; Wolffenbuttel, 2019; Baia, 2011; Bairral, 2010; Cavalcanti; Carvalho, 2011; Ferreira; Maculan, 2017; Figueiredo; Souza; Souza, 2020; Gaertner; Pereira, 2009; Mojola, 1990; Nogueira, 2009; Silva; Aldabalde, 2021; Urbanik, 2003), ela tem sido organizada como um documento textual, bem como o momento de realizar sua leitura durante o processo de indexação. Ao tratar da partitura musical como um documento textual, e desconsiderar seus caracteres simbólicos, torna-se possível que ocorram prejuízos significativos em sua representação temática e em sua recuperação. ● O indexador da partitura musical: os profissionais da informação, como bibliotecários e arquivistas, com destaque para indexadores, geralmente, não possuem conhecimento musical suficiente para atender às necessidades informacionais dos músicos e regentes. Estes, por sua vez, desconhecem acerca das técnicas e padrões dos processos de Organização do Conhecimento (OC) estabelecidos para o tratamento documental. A dificuldade em não conseguir entender a linguagem musical não impede, em absoluto, que seja feito um trabalho adequado no tratamento dessas partituras musicais, desde que sejam dotados por ferramentas pertinentes ao contexto inserido. No entanto, o conhecimento do profissional da informação e do músico são igualmente necessários, visto que a “dificuldade no tratamento de partituras musicais é algo intrínseco à própria forma musical” (Faria, 2009, p. 86-87). Ao observar a prática, o autor ainda justifica essa premissa ao dizer que esse profissional, muitas vezes, desenvolve métodos próprios de tratamento, que, por sua vez, são poucos documentados e difundidos, o que dificulta o processo 24 de organização, representação e recuperação das partituras, restringindo seu acesso aquele determinado lugar. ● Indexação de partitura musical: ao pesquisar a literatura publicada envolvendo partitura musical e indexação, em específico, a leitura documentária percebeu- se uma quantidade limitada de estudos, com menos de 10 pesquisas. Nesse contexto, apresentar poucas publicações, em uma determinada temática, podem expor uma série de precariedades nas investigações que envolvem acervos especializados em música. Esses estudos mostraram falhas, como sistemas que não conseguem recuperar adequadamente e falta de conhecimento especializado, o que é prejudicial para o desenvolvimento das áreas abordadas na teoria e na prática. Essa premissa é evidenciada pela realização de buscas por trabalhos que combinassem leitura documentária com partitura musical. O método utilizado é aprofundado na seção de procedimentos metodológicos. O estudo de Faria (2009, p. 86) também possibilitou justificar essa premissa, pois “não há produção científica em grande escala sobre como as orquestras tratam sua documentação musical no dia a dia, campo igualmente rico em material, que tem sido pouco explorado em termos de pesquisa e sistematização”. Apesar do autor se referir, em um primeiro momento, às orquestras, ele ainda continua a explicação de que “as escolas de Biblioteconomia e Arquivologia no Rio de Janeiro examinam com pouca profundidade a questão do tratamento de partituras e as Escolas de Música tratam do assunto de forma mais superficial”. Mesmo abordando apenas o Rio de Janeiro como local da pesquisa, pôde-se observar uma expansão das mesmas práticas no território nacional. Com base nas premissas apresentadas e em função da necessidade de aprofundamento do conhecimento sobre indexação de partitura musical conforme os resultados de estudos realizados, o problema desta pesquisa é que a partitura musical é um documento com características não-verbais e textuais, cujo processo de indexação necessita de conhecimento especializado com práticas profissionais adequadas à leitura documentária para identificação e seleção de conceitos da partitura musical. 25 A partir do problema pôde-se realizar os seguintes questionamentos: Qual é a prática profissional para a indexação de partitura musical? O que é considerado assunto na partitura e como ele deve ser representado? Quais são os critérios para a identificação e seleção de conceitos na análise de assunto de partituras musicais durante a leitura documentária? A hipótese que se procura corroborar é a de que: ● Para que se possa realizar a leitura documentária da partitura musical é necessário obter conhecimento múltiplo: processo de indexação, teoria musical e leitura de partitura musical. O conhecimento múltiplo possibilita observar aspectos que podem ser considerados estratégicos para identificação e seleção de conceitos representativos de conteúdo. O conhecimento somente em teoria musical comporta para aqueles que querem, de forma geral, obter entendimento acerca do domínio da música, reproduzir canções e executar uma performance musical sem necessariamente utilizar partitura musical. O conhecimento na leitura da partitura musical vai além de saber a teoria musical, pois pode-se utilizar estratégias de memorização de como a música é executada em um determinado instrumento musical. O conhecimento dos procedimentos de indexação é voltado, em suma maioria, para a atribuição de termos representativos de diferentes tipos de documentos, quase sempre textuais, o que difere da partitura musical. A tese da pesquisa: ● Os pontos estratégicos da partitura musical, em sua estrutura, podem ser utilizados para realizar a sua leitura documentária, de modo que possibilite observar esse tipo de documento como não-verbal e textual ao mesmo tempo; e, dessa forma, obter subsídios que proporcione a construção de um modelo de leitura documentária. 1.1 Objetivos e proposta: A proposta consiste em analisar como o processo de indexação é realizado na prática e identificar as informações na partitura musical, que podem ser utilizadas 26 como assunto na representação temática, com base nos dados coletados e no aprofundamento teórico. O objetivo geral da tese consiste em propor um modelo de leitura documentária para indexação de partitura musical e, para isso, tem-se os seguintes objetivos específicos: ● Aprofundar a literatura interdisciplinar publicada sobre indexação de partituras musicais, de modo a trazer reflexões e discussões teóricas relevantes, de acordo com o estabelecido por autores. ● Elaborar estudo teórico sobre partituras musicais como documento imagético textual e não-verbal. ● Identificar informações compostas na partitura musical para serem utilizadas como assunto, na representação temática, durante o processo de indexação. ● Investigar os procedimentos de leitura documentária feitos por indexadores no processo de indexação de partitura musical em acervos especializados em música, como parte empírica do desenvolvimento do estudo. ● Realizar proposta de modelo de leitura documentária para a indexação do documento partitura musical. 1.2 Justificativa: A justificativa em realizar esta tese parte da necessidade de aprofundamento teórico interdisciplinar sobre partitura musical, devido à complexidade apresentada em sua estrutura, na carência de conhecimento por parte dos indexadores, na precariedade relatada na indexação de partituras musicais, na contextualização do problema e na escassez de pesquisas que abordam ambas as temáticas. Desenvolver esta pesquisa poderá proporcionar debates e discussões necessárias acerca do domínio da música na organização do conhecimento, como representar esse tipo de objeto, o impacto que ele pode ter para a evolução da área e, principalmente, para que o usuário consiga acessar a informação de forma consistente, sem haver prejuízos em sua recuperação. A importância dela está caracterizada a partir da concepção de que é necessário organizar o conhecimento 27 para socializá-lo e que é possível ampliar os horizontes da indexação, para além dos processos de indexação e desenvolvimento de modelos de leitura documentária voltados para objetos mais tradicionais, como texto impresso. A escolha da temática da pesquisa também partiu da aproximação da pesquisadora com o objeto de estudo, ao estudar música desde a infância e depois ao estudar os processos da OC no contexto biblioteconômico. Nesse sentido, houve uma curiosidade intrínseca acerca de como os procedimentos de representação temática eram feitos para esse tipo de documento. A oportunidade veio ao desenvolver um projeto relacionando ambas as temáticas e conseguir uma vaga em um Doutorado em Ciência da Informação, na UNESP. No contexto da CI, na UNESP, já havia publicações e desenvolvimento de modelos de leitura documentária desenvolvidos por outros discentes, pesquisadores e docentes. Em 1993, ocorreu o desenvolvimento do grupo de pesquisa intitulado “Análise documentária”, sob a liderança da profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita e do prof. Dr. João Ernesto de Moraes, inserido no campo da Ciência da Informação, localizado na UNESP, Campus de Marília/SP. Ele possuiu os seguintes objetivos: - Analisar referenciais teóricos e metodológicos nacionais e internacionais na área da organização da informação; - Desenvolver referenciais teóricos e metodológicos que propiciam a elaboração de produtos documentários; - Investigar todos os procedimentos (análise, síntese, condensação e representação documentária); - Analisar as perspectivas de formação e atuação profissional em organização da informação; - Discutir as dimensões teóricas e aplicadas da organização do conhecimento na época; - Investigar a aplicabilidade de instrumentos metodológicos das áreas de interface à pesquisa em organização da informação. As linhas de pesquisas pertencentes ao grupo de estudo eram: leitura para análise documentária de conteúdo; linguagens documentárias para áreas especializadas; metodologias de análise e condensação de documentos; imagens em unidades de informação e OC. 28 Com destaque para a linha leitura para análise documentária de conteúdo, havia por objetivo estudar os fundamentos teóricos-práticos para fins de análise documentária no tratamento da informação; investigar as estratégias de compreensão de leitura para diferentes áreas de assunto e tipos de estrutura textual; investigar o uso de técnicas de coleta de dados introspectivos na área de leitura em análise documentária; e investigar o uso de técnicas do protocolo verbal em grupo como recursos pedagógicos em CI. Muitos pesquisadores participavam desse grupo, em diferentes níveis, que variavam desde a graduação, mestrado e doutorado até professores locais e outros pesquisadores externos. A pesquisa desses profissionais, em específico, na linha de leitura para análise documentária de conteúdo, possibilitou a publicação de diversos estudos voltados para essa temática e apresentou uma contribuição significativa para o desenvolvimento da leitura no contexto dos processos de indexação. Uma vertente de trabalhos desenvolvidos, nesse contexto, foram os modelos de leitura documentária em diferentes tipos de documentos, em TCC, dissertações e teses. As temáticas abordadas foram: ● Nível de doutorado (tese): Leitura documentária em doutrinas, área do Direito (Reis, 2019). ● Nível de mestrado (dissertação): LD em Bibliotecas universitárias (Redigolo, 2010); ensino do modelo de LD (Borba, 2006); exploração textual da LD (Silva, 2004); e leitura documentária em jornais (Fagundes, 2001). ● Nível de graduação (TCC): Modelo de LD em artigos de jornais (Fagundes, 1997; Ferraz, 2008); LD voltada para o indexador (Oliveira, 2002; Salamene, 2000); compreensão da leitura documentária (Tartarotti, 2002); LD na prática (Silva, 2000); estratégias da leitura documentária na área de Agronomia (Pires, 1999); estratégias da leitura documentária no campo da energia nuclear (Iwashita, 1999). Todas as pesquisas contribuíram para a consolidação da leitura documentária e o desenvolvimento de diversos modelos. Essas contribuições permitiram a publicação de dois livros: “Leitura documentária: estudos avançados para a indexação”, organizado pelas profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita, profa. Dra. Amélia de Brito Neves e a profa. Dra. Paula Regina Dal’Evedove, em 2017; e o livro 29 “Modelos de leitura documentária para indexação: abordagens teóricas interdisciplinares e aplicações em diferentes tipos de documentos”, organizado pelas profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita, profa. Dra. Roberta Caroline Vesu Alves e pelo prof. Dr. Carlos Cândido de Almeida, em 2020. No primeiro livro supracitado, foram publicados os seguintes modelos de leitura documentária: literatura infantil do gênero fábula (Alves, 2017); textos científicos (Fujita; Rubi, 2006a, 2006b; Manual explicativo, 2017). No segundo livro, houve as seguintes publicações sobre modelos de leitura documentária: doutrina (Reis, 2020); textos narrativos de ficção (Sabbag, 2020); artigos de jornais (Fagundes, 2020); literatura infantojuvenil em prosa (Alves, 2020); acórdãos dos tribunais de contas (Ferreira; Maculan, 2020); fotografia através da semiótica (Gatto; Almeida, 2020). Esses modelos surgiram com base em um modelo desenvolvido por Fujita (2003) e Fujita e Rubi (2006a, 2006b), com uso do método do Protocolo Verbal. Fujita (2003) explicou que essa elaboração ocorreu oriundo da estrutura textual com a identificação de conceitos, em sua tese de livre docência, fundamentados na análise conceitual do sistema de PREserved Context Indexing System (PRECIS)2 e na abordagem sistemática da norma ABNT 12.676 (1992). A viabilidade do estudo está em sua estruturação, marcada pela escolha de diferentes métodos teóricos e empíricos bem consolidados, combinados para analisar e observar a representação temática de uma partitura musical. A pesquisa é considerada benéfica, pois pode auxiliar nos procedimentos de indexação de partituras musicais, em especial, para aqueles profissionais que não possuem o conhecimento necessário para realizar o processo. Ademais, discentes, docentes, musicólogos e outros pesquisadores da área da música e da CI se beneficiarão em conseguir ter mais acesso aos documentos que desejam, já que a indexação se tornará mais consistente, com uma representação temática mais adequada e uma recuperação de partituras mais eficaz. 2 “Criado pelo prof. Dr. Derek Auystin em 1968, [...] [ele é] um sistema de indexação alfabético de assunto dotado de uma metodologia pró´roa para construir índices de assunto por computador, notadamente os da British National Bibliography durante duas décadas” (Fujita, 2003, p. 212). 30 1.3 Sistematização da tese: A seguir disponibiliza-se o Quadro 1, com a sistematização da pesquisa descrita, para explicar a sua estrutura e como as seções estão organizadas. Quadro 1 – Sistematização da pesquisa para apresentar a estrutura e organização das seções SISTEMATIZAÇÃO DA PESQUISA Estrutura Delimitação Problema A partitura musical é um documento com características não-verbais e textuais cujo processo de indexação necessita de conhecimento especializado com práticas profissionais adequadas à leitura documentária para identificação e seleção de conceitos da partitura musical. Proposta Analisar como o processo de indexação é realizado na prática e identificar as informações na partitura musical que podem ser utilizadas como assunto na representação temática, com base nos dados coletados e no aprofundamento teórico. Objetivo geral Propor um modelo de leitura documentária para indexação de partituras musicais Seção 2 Fundamentação teórica sobre OC Objetivo específico 1: aprofundar a literatura publicada interdisciplinar sobre indexação de partituras musicais, de modo a trazer reflexões e discussões teóricas relevantes, de acordo com o estabelecido por autores. Título da seção: O processo de indexação na organização do conhecimento: conceitos e teorias Seção 3 Fundamentação teórica sobre leitura documentária Objetivo específico 1: aprofundar a literatura publicada interdisciplinar sobre indexação de partituras musicais, de modo a trazer reflexões e discussões teóricas relevantes, de acordo com o estabelecido por autores. Título da seção: A leitura documentária na Organização do Conhecimento. Seção 4 Fundamentação teórica sobre partitura musical Objetivo específico 2: elaborar estudo teórico sobre partituras musicais como documento imagético textual e não-verbal. Título da seção: Partituras musicais: aspectos históricos, conceituais e estruturais. Seção 5 Metodologia Procedimentos metodológicos para pesquisa descritiva e pesquisa exploratória com uso da técnica introspectiva do Protocolo Verbal 31 Individual Seção 6 Resultados da Pesquisa descritiva para análise da estrutura de partituras musicais Objetivo específico 3: Identificar informações compostas na partitura musical para serem utilizadas como assunto, na representação temática, durante o processo de indexação. Título da seção: Resultados da Pesquisa descritiva para análise da estrutura de partituras musicais. Seção 7 Resultados do Estudo de observação dos procedimentos de leitura documentária na indexação de partituras Objetivo específico 4: Investigar os procedimentos de leitura documentária feitos por indexadores no processo de indexação de partitura musical em bibliotecas especializadas em música, como parte empírica do desenvolvimento do estudo. Título da seção: Resultados do estudo de observação dos procedimentos de leitura documentária na indexação de partituras. Seção 8 Proposta de um modelo de leitura documentária Objetivo 5: realizar uma proposta de modelo de leitura documentária para a indexação do documento partitura musical. Título da seção: Proposta de um modelo de leitura documentária. Seção 9 Considerações finais Desenvolvimento das considerações finais com base na discussão proporcionada pelo aprofundamento teórico, análise bibliográfica e análise dos dados. Fonte: Elaborado pela autora. A tese começou a ser estruturada pela Introdução, em que apresentaram-se as condutas tomadas para o desenvolvimento da pesquisa, como a contextualização do tema, as premissas, problemática, hipótese e tese, os objetivos, a justificativa e sua importância para a sociedade. A seção 2 é composta pela fundamentação teórica, realizada por marcos teóricos, em diferentes fontes de informação, para tornar o aprofundamento teórico mais completo. Nessa seção é discutida acerca da Organização do Conhecimento (OC), em particular, sobre a conceituação e teoria da indexação. A seção 3 aborda, especificamente, a leitura documentária, apresentando os modelos de leitura e sua relação com a OC, bem como os aspectos estruturais, cognitivos e contextuais que envolvem o leitor profissional e o processo de leitura. O objetivo foi refletir sobre o desenvolvimento da área e a sua consolidação para realizar o processo de indexação de partituras musicais. A seção 4, também composta pela fundamentação teórica, é discorrida sobre os aspectos teóricos históricos, conceituais e estruturais da partitura musical. Nessa seção, o intuito está em refletir a concepção da partitura musical ao longo dos séculos, 32 suas definições e conceitos e a construção de sua estrutura para que se possam extrair conceitos, para transformar em termos, para a representação temática. A metodologia é descrita e caracterizada na seção 5 em duas partes: uma teórica e outra empírica. As partes teóricas são desenvolvidas a partir do método de Mapeamento Sistemático (MS), com etapas bem estabelecidas para realizar o aprofundamento teórico necessário para obter reflexões. O objetivo está em analisar as estruturas da partitura musical e observar quais dados podem ser considerados descritivos e temáticos. A parte empírica é composta pela aplicação da técnica do Protocolo Verbal Individual (PVI), com o objetivo de observar como a indexação de partitura musical é realizada por bibliotecas especializadas em música na prática. Na seção 6 desenvolvem-se os resultados, para apresentar os dados da pesquisa descritiva para análise da estrutura da partitura musical. A seção 7 consiste em trazer resultados acerca do estudo de observação dos procedimentos de leitura documentária na indexação de partituras musicais, obtidos através da aplicação do PVI. A partir destas duas seções, a 8 consiste em apresentar os aspectos conceituais e estruturais com o intuito de desenvolver um modelo de leitura, com base na seção anterior. Ela consistiu em apontar aspectos estruturais da partitura musical, que podem ser utilizados como base para o desenvolvimento de um modelo de leitura documentária. As considerações finais, na seção 9, visou discorrer acerca do desenvolvimento da tese, desde a sua introdução até os apontamentos dos aspectos para o modelo de leitura documentária. Essa seção reuniu, por fim, as considerações finais sobre o processo de indexação de partituras musicais. 33 2 O PROCESSO DE INDEXAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO: CONCEITOS E TEORIAS Nessa seção são apresentadas reflexões, obtidas da literatura nacional e internacional, acerca da leitura documentária na OC, como modo de observar os aspectos que relacionam os temas. A seção inicia-se com a contextualização da organização do conhecimento, de modo a obter entendimento acerca da sua construção e influência na atualidade. A partir dessa contextualização, aprofunda-se nos Processos de Organização do Conhecimento (POC), em especial, nos aspectos conceituais e teóricos da indexação. Organizar o conhecimento, enquanto classificação das ciências, pode ser considerado algo antigo, que remonta à época da civilização Grega, em destaque, Platão (427-347 a. C.) e Aristóteles (384-322 a. C.), que, embora não tenham sido os primeiros estudiosos a abordar esse tema, ambos filósofos debateram acerca da origem dos conceitos. Moreira (2018, p. 57) explica que o segundo filósofo contribuiu significativamente para os estudos de OC, em destaque, nos processos que envolvem “classificação do conhecimento e, posteriormente, da organização da informação e de documentos em sistemas documentários, foi seu conjunto de categorias e sua respectiva fortuna crítica de estudos e derivações”. Especificamente, para Aristóteles, o conceito era algo diferente da palavra, pois possuía uma realidade mental, e, por isso, ele deveria ser organizado mentalmente (Abbagnano, 1998). Nesse sentido, o filósofo introduziu a sistematização, ao classificar, de forma rigorosa, os objetos de estudos e das ciências, através de gêneros, espécies e características. Francelin (2010) complementa que o filósofo criou dez categorias, com base nos fundamentos da lógica formal, sendo elas: substância, quantidade, qualidade, relação, tempo, lugar, posição, estado, ação e paixão. Para ele, a partir dessas categorias, foi possível sistematizar o conhecimento, suas representações, por meio de conceitos, e organizar os elementos do universo. Com isso, Aristóteles influenciou diretamente na OC até os dias atuais, como em desenvolvimento de sistemas, fundamentos, parâmetros de comparação, estudos teóricos e investigações da organização e representação do conhecimento (Moreira, 2018). 34 No final do século XIX e no início do século XX, Charles A. Cutter, William C. Berwick Sayers, Ernest Cushington Richardson e Henry Bliss, um grupo de bibliotecários e intelectuais, estabeleceram a organização do conhecimento enquanto campo científico. Nesse período, que pode ser considerado um marco teórico para o desenvolvimento do termo e da própria área, houve as publicações dos livros “The organization of knowledge and system of the Sciences” e “The organization of knowledge in libraries” (A organização do conhecimento e dos sistemas das ciências e A organização do conhecimento em bibliotecas, tradução livre), de Henry Bliss, em 1929 e 1933, respectivamente, no qual discorrem sobre organizar o conhecimento conforme aparece nas Ciências e nos estudos acadêmicos, de forma abrangente e exploratória (Hjørland, 2016). Para Bliss (1929), a organização do conhecimento, seja de um estudo, ciência, tecnologia ou profissão, pode assumir diversas formas, como descrição e definição de dados, classificação e tabulação, índices e serviços de informação, síntese de assuntos relacionados, classificação sistemática, organização educacional, programa ou currículos de estudos, entre outros. Eles possuem estágios de desenvolvimento e diferenciações, que podem, ou não, serem distintas ou indicadas por termos distintos. Ainda nessa linha de raciocínio, a organização do conhecimento pode também ser estruturada e resumida pelos seguintes aspectos: descritivo ou expositivo; classificatório ou analítico; sintético ou sistemático; educacional ou cultural; bibliotecário ou bibliográfico (Bliss, 1929). Por fim, a organização do conhecimento acaba sendo definida por Dahlberg (2006, p. 12, tradução livre) como A ciência que estrutura e organiza sistematicamente unidades do conhecimento (conceitos) segundo seus elementos de conhecimento inerentes (características) e a aplicação de conceitos e classes de conceitos ordenados, dessa forma, para a atribuição de conteúdos de referentes (objetos/assuntos) de todos os tipos (Dahlberg, 2006, p. 12, tradução livre). Para compreender a organização do conhecimento, em outro estudo, Hjørland (2008) a caracteriza em dois aspectos: amplo, que se refere ao estudo da interação entre vida social e produção de conhecimento (organização de carreiras e disciplinas em instituições de ensino e pesquisa); e estrito, que possui como objetivo envolver-se 35 com o trabalho abstrato, intelectual ou cognitivo (tabela periódica, quadro de divisão de teorias da comunicação, entre outros). Enquanto campo de estudo, Hjørland (2008) divide a OC em: (i) Knowledge Organization Systems (KOS), em português, Sistemas de Organização do Conhecimento e (ii) Knowledge Organization Processes (KOP), Processos de Organização do Conhecimento, na tradução livre. Os SOC são compostos pelos sistemas e ferramentas utilizados nos processos. Os processos, por sua vez, são compostos pelos procedimentos, que possuem como intuito realizar a análise de assuntos, como a indexação, classificação e catalogação. Nesse estudo, a proposta está em aprofundar a literatura a partir dos procedimentos estabelecidos na indexação, por isso, o foco da teoria está neste último procedimento. Ao investigar a conceituação de “indexação”, observou-se que sua origem ocorreu a partir do desenvolvimento do termo “index” (índice, tradução livre), uma prática antiga no tratamento da condensação de documentos em um catálogo (Silva; Fujita, 2004). Acerca de seu histórico, o primeiro tipo de indexação relatado era com base na memória, onde os textos eram transmitidos oralmente (Collinson, 1971). Ainda sobre o aspecto histórico da indexação, Silva e Fujita (2004) explicam que, na biblioteca de Alexandria, possuía-se a organização através da classificação de Calímaco3, cujo catálogo era estabelecido por ordem alfabética de autores, com subordinação aos assuntos mais gerais. No século II, também houve a compilação de Libris Propiis Líber, por Cláudio Galeno. A partir de sua compilação, houve o aparecimento dos primeiros guias de obras isoladas, como cabeçalhos de capítulos, tábuas de matéria ou sumários, cabeçalhos nas margens dos parágrafos e a descrição de cabeçalhos no topo das páginas (Silva; Fujita, 2004). O século V foi marcado pela publicação da obra Apothegmata, considerado como um trabalho que teria se aproximado do índice alfabético de assunto, pois, de acordo com Silva e Fujita (2004), havia uma listagem de provérbios gregos sobre 3 Calímaco, considerado como um bibliotecário discípulo de Zenódoto, foi responsável pela biblioteca de Alexandria. Passou parte da sua vida ensinando em uma escola e depois como organizador do catálogo da biblioteca. Ele organizou o acervo por assunto, com base na na localização relativa, ao invés da fixa. Mesmo assim, ele não concluiu seu trabalho, que, por sua vez, foram continuados pelos bibliotecários sucessivos. A base de sua classificação era a divisão do conhecimento desenvolvida por Aristóteles, seguido pela organização de volumes por assunto e em ordem alfabética. A forma de registro foi através de estantes, mesas ou tábuas para separar por temática (Mey, 2004, p. 76-79). 36 tópicos teológicos. Nesse período, as obras já apresentavam uma organização por capítulos e seções numeradas, o que facilitava a sua localização. Após uma passagem no período histórico, no século XIV, por exemplo, ocorreu a elaboração de inventários ou catálogos de livros nos mosteiros. Acerca desse tempo, Silva e Fujita (2004, p. 139) discorreram que: A noção de índice nessa época significou uma lista de conteúdo, lista de resumos ou várias notas e muito raramente essas listas representavam o que se conhece de índice atualmente. Os copistas, na tentativa de esclarecer ou indicar os pontos principais do assunto tratado em trechos ou parágrafos mais longos, escreviam às margens dos livros algumas palavras ou sentenças que indicassem o conteúdo. Isso acontecia de acordo com o grau de entendimento de cada copista, sendo mantido o critério de relevância dos pontos principais tratados nos livros até que um copista fosse substituído por outro. Temos aqui a primeira afirmação de que a indexação realizada em época diversas e por pessoas diferentes diferia, também, quanto à qualidade (Silva; Fujita, 2004, p. 139). Ao dar continuidade na linha do tempo da indexação, em 1733, como uma consequência, houve a necessidade em se elaborar índices, que, de acordo com o introduzido por Silva e Fujita (2004, p. 139), “apresentou-se logo que surgiu a Bíblia inglesa e a indexação surgiu, então, em grande escala em 1737 com a compilação da Bíblia por Alexandre Cruden”. As autoras ainda explicam que esse teria sido o primeiro passo para que os índices adquirissem valor e influência, pois havia relações de citações com sua localização no texto. A partir da indexação da Bíblia, realizada por Cruden, no século XVIII, Johnson estabeleceu as passagens para serem indexadas e o termo que deveria ser usado como entrada. Nesse sentido, Cruden e Johnson estabeleceram padrões de clareza e consistência para a indexação (Silva; Fujita, 2004). Ainda acerca do histórico, a partir da difusão dos procedimentos de indexação, Silva e Fujita (2004) contextualizaram que houve o surgimento da ideia de palavras- chave na representação, na Alemanha, a partir do termo “schlagwort” (palavras-chave, tradução livre), o que foi considerado um marco evolutivo como forma de melhoria para a busca de informações. Até surgir a imprensa, explicam as autoras supracitadas, a única forma de se acessar os livros encontrados nas bibliotecas dos mosteiros era através de índices, com a busca por títulos. Esse processo impulsionou Konrad Gesner a elaborar um repertório geral e europeu, denominado como Bibliotheca Universalia, em que foram 37 relacionados em torno de 12 mil títulos de livros latinos, gregos e hebraicos dos quais tinha conhecimento. Posteriormente a esse processo, publicaram um índice alfabético de assunto, sob o nome de “Pandectarum sive partitionum universalium, libri XXI” (Silva; Fujita, 2004). A importância em se estudar indexação ocorreu devido ao surgimento de publicações periódicas, pois havia necessidade em elaborar uma técnica que auxiliasse a organizar por assunto esse tipo de publicação (Silva; Fujita, 2004). Acerca das definições, um índice poderia apresentar uma diversidade de significados. No Oxford English Dictionary, de acordo com Hjørland (2018), por exemplo, pode ser encontrada mais de uma definição, devido aos diferentes sentidos, é expressa: como (i) indicação de algo; (ii) lista alfabética inserida no final do livro com os nomes e assuntos, com o intuito de indicar lugares; e (iii) na área da computação, caracterizada como um conjunto de itens. Diante disso, Hjørland (2018, p. 610) definiu o índice como um “tipo de documento de destino, que tem a função de fornecer acesso às informações em ou sobre alguns documentos de origem”. Ele deriva de símbolos de origem ou atribui símbolos sobre esses documentos, com o intuito de obter acesso para o usuário. Os índices podem ser classificados a partir de diferentes critérios, como (i) relacionados aos tipos e atributos dos documentos de origem; (ii) relacionados aos atributos dos próprios índices, como documentos de destino; e (iii) relacionados ao indexador, ao processo de indexação e ao seu contexto. Nesse sentido, eles “podem ser classificados com base em pressupostos teóricos subjacente ao processo de indexação”, como orientados aos documentos; pedidos (base nas informações fornecidas e nos assuntos); e profissional bibliotecário, como atribuição de palavras- chave pelo autor, por exemplo (Hjørland, 2018, p. 612, tradução livre). Para o autor, esses princípios são os mais importantes para a teoria da indexação. A teoria da indexação, ainda para Hjørland (2018), está relacionada às questões de subjetividade e objetividade. Ela irá depender da interpretação do indexador, da possibilidade de o assunto ser inerente aos documentos, algo relacionado às necessidades dos usuários ou à finalidade do serviço de informação. No campo da epistemologia, Hjørland (2018) apresentou diferentes perspectivas da teoria da indexação aplicada ao racionalismo, empirismo, historicismo e pragmatismo, conforme é possível refletir a partir do Quadro 2. 38 Quadro 2 – A teoria da indexação em diferentes correntes de pensamento Perspectivas Definição e método Teoria da indexação Racionalismo Objetivo de fornecer uma base de conhecimento sobre verdades fundamentais inerentes à alma racional antes da experiência. - Visão encontrada em Descartes, Spinoza, Leibniz e Noam Chomsky. - Oposição ao empirismo. Métodos: intuição, dedução lógica e pensamento a priori. Os assuntos são logicamente construídos a partir de um conjunto fundamental de categorias, com regras lógicas para determinar os sujeitos dos documentos, indexá-los e depois pesquisá-los. Método: analítico-sintético para isolar um conjunto de categorias básicas (análise) e construir o sujeito de qualquer documento combinando essas categorias de acordo com regras (síntese). Visão Cognitiva Posição baseada no racionalismo, em que o processo é caracterizado como operações intelectuais fundamentais e explicáveis por regras realizadas internamente. - Há uma analogia da mente do ser humano com um computador. - Suposição que é necessário haver algumas regras que auxiliem a orientar as atividades mentais dos indexadores. Nessa teoria, há uma implicação de que as operações intelectuais fundamentais são, em princípio, explicáveis por regras reconhecidas, que geram uma frase de indexação, a partir de um dado texto. Nesse contexto, a mente é observada enquanto um computador, com certos atributos universais. Empirismo O conhecimento é baseado na experiência. Métodos: observações e sensações realizadas por observadores individuais e induções de conjuntos delas. Desvantagem: presunção que as investigações devem ser feitas sem suposições teóricas e interpretações subjetivas. A teoria é baseada na ideia de que objetos semelhantes, no caso, informacionais, compartilham um número significativo de propriedades. Esses objetos podem ser classificados de acordo com essas propriedades, com base nos critérios neutros e não na seleção de propriedades do aspecto teórico. Exemplo: regra dos 20%. Historicismo Insistência na historicidade de todo conhecimento e cognição. - Oposição à ciência cognitiva e ao cognitivismo, ao não considerar características cognitivas universais dos seres humanos, mas a cognições históricas e culturalmente específicas e situadas. Base no desenvolvimento histórico do objeto e do sujeito. - O contexto social ou cultural influencia na forma como o documento é percebido, interpretado e indexado. - A interpretação ocorre a partir da perspectiva de seu conhecimento e forma cultural ou pragmática. 39 Pragmatismo Abordagem epistemológica que enfatiza a justificação de teorias e conceitos através do exame de suas consequências e objetivos, valores e interesses que eles apoiam. Essa teoria está de acordo com a perspectiva historicista, cujo sujeitos são relativos aos discursos específicos. - Ênfase que a indexação não pode ser neutra, pois é uma ação que está agindo conforme as intenções do profissional. Fonte: adaptado de HJØRLAND, 2018, p. 613-617. No Quadro 2 constam as teorias da indexação observadas a partir de diferentes correntes de pensamentos. Apesar de algumas delas se oporem, como a visão cognitiva e o historicismo, pode-se estabelecer que o presente estudo possui aspectos do cognitivo, racionalismo e empirismo. Nesse contexto, a indexação voltada para a perspectiva mais racionalista e cognitiva deve ocorrer com base em diretrizes pré-estabelecidas, dentro do ambiente inserido, ou seja, o profissional indexador irá seguir manuais que estabelecem como o procedimento será realizado. Nesse sentido, o ambiente inserido determinará a quantidade de termos, os aspectos do documento a serem levados em consideração pelo indexador, o tipo de vocabulário a ser utilizado pelo sistema e entre outros aspectos essenciais. Ao mesmo tempo, em contraponto, o empirismo, principalmente, oriundo da experiência do profissional enquanto indexador, pode influenciar diretamente nesse procedimento, tanto positivamente quanto negativamente, devido às suas experiências mundanas e vividas. Dessa forma, acredita-se que é necessário haver equilíbrio entre as perspectivas de correntes de pensamentos. Se por um lado o indexador pode contribuir com sua experiência, por outro aspecto, as diretrizes podem auxiliar esse profissional a tornar o documento mais relevante em sua representação. Nesse caso, a indexação pode sofrer influências de variáveis. A indexação, por fim, está relacionada ao conceito de análise de assunto. A corrente teórica inglesa a estabelece enquanto processo e é representada por autores como Foskett, Lancaster, Campos, Van Slype, Farrow e entre outros (Silva; Fujita, 2004). Muitas normas estabelecem um significado para indexação, como a United Nations International Scientific Information System (UNISIST, Sistema Internacional de Informações Científicas das Nações Unidas, 1981, tradução livre), a Associação Brasileira de Normas Técnicas 12.676 (ABNT, 1992), a ANSI/NISO z39.19 (2010) e a 40 ISO 25.964-1 (2011). Nesse sentido, houve necessidade em reunir as definições atribuídas por essas normas, como forma de observar como elas estabeleceram as definições (vide Quadro 3). Quadro 3 – Definições de indexação por diversas normas Normas Definições de indexação UNISIST (1981, p. 84) “Ação de descrever e identificar um documento de acordo com o seu assunto”. ABNT 12.676 (1992, p. 2) “Ato de identificar e descrever o conteúdo de um documento com termos representativos dos seus assuntos e que constituem uma linguagem de indexação”. ANSI/NISO z39.19 (2010, p. 6, tradução livre) “Um método pelo qual termos ou cabeçalhos de assunto de um vocabulário controlado são selecionados por um ser humano ou computador para representar conceitos ou atributos de um objeto de conteúdo. Os termos podem ou não ocorrer no objeto de conteúdo”. ISO 25.964-1 (2011, p. 5, tradução livre) “Análise intelectual do assunto de um documento para identificar os conceitos nele representados e atribuir os termos de índice correspondentes para permitir a recuperação das informações”. Fonte: elaborado pela autora. O Quadro 3 reúne algumas definições estabelecidas por normas internacionais (UNISIST, 1981; ANSI/NISO z39.19, 2010; ISO 25.964-1, 2011) e nacionais (ABNT, 1992). Com base nelas, pode-se estabelecer que a indexação consiste no processo de realizar a atribuição de termos representativos dentro de um determinado sistema. Nesse procedimento, um conceito será apresentado a partir de escolhas de termos pelo indexador, com base em linguagens de indexação previamente definidas e nos objetivos do ambiente inserido. Um aspecto importante a ser observado está nas datas das definições, que variam desde da década de 1980 até a década de 2010, o que, em termo de evolução científica e atualização acadêmica, ainda mais por se tratar de normas internacionais e nacionais, pode ser considerado, de certa forma, obsoleto. Apesar das definições explanarem de forma precisa o significado de indexação, seria essencial haver atualizações, até por conta do desenvolvimento tecnológico e o espaço que ela ocuparia nele. O processo de indexação necessita ser bem estabelecido para que não haja uma representação temática inadequada, com termos que não representam a essência conceitual do documento. Nesse sentido, debater acerca da qualidade da 41 indexação é imprescindível, pois pode causar prejuízos ao acesso e recuperação da informação, independentemente do ambiente inserido. A própria UNISIST (1981) e Gomes (1989) abordam esse tópico ao refletir que é preciso levar em consideração a qualificação do indexador e sua imparcialidade. No entanto, questiona-se acerca da neutralidade no processo de realizar a representação temática da indexação, com base no estudo de Moreira (2018), que enfatiza que o profissional da informação não consegue ser neutro, pois o fato dele não tomar uma posição é uma forma de escolha, logo, ela é condicionada e isso pode ser refletido nas escolhas dos termos representativos, na construção de sistema e na avaliação dos serviços de indexação. Dessa forma, não é possível obter uma imparcialidade total, sem que ocorra interferências. A melhor forma de não haver um impacto significativo, que possa dificultar uma representação adequada, o acesso e a recuperação da informação, é minimizá-lo de forma que não haja sequelas graves. Estabelecer diretrizes pode ser um caminho para reduzir esse processo e, para isso, a política de indexação possui como função auxiliar, que, de acordo com Fujita (2012, p. 17), “não deve ser vista como uma lista com procedimentos a serem seguidos, e sim um conjunto de decisões que esclareçam os interesses e objetivos de um sistema de informação”. Nesse caminho, a política de indexação delineará diversos aspectos, como a consistência da recuperação da informação, cobertura temática em níveis qualitativos e quantitativos de diferentes domínios e as demandas dos usuários. O intuito está em otimizar o processo ao ser como um guia para que o profissional tenha as melhores decisões para aquele ambiente. De acordo com Fujita (2013), o processo de indexação pode ter diversos estágios, determinados como etapas. O número de etapas pode variar de acordo com os procedimentos determinados pelos indexadores e catalogadores (Figura 1). 42 Figura 1 - Etapas do processo de indexação Fonte: Adaptado de FUJITA, 2013, p. 45-46. A Figura 1 apresenta as diferentes etapas que podem ser determinadas pelos indexadores, visto que, cada um adota a que melhor atinge seus objetivos dentro do ambiente inserido. Algumas etapas, como “conhecimento do conteúdo conceitual do documento” e “extração dos conceitos em linguagem natural” podem ocorrer de forma concomitante e intrínseca, pois, na prática, essas etapas são feitas no decorrer do processo de indexação, muitas vezes, sem o profissional se dar conta disso. Por isso, é essencial que a literatura separe e estabeleça bem as etapas, pois ela possibilita estudar cada passo a fundo de forma que sua análise contribua para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da temática. Com base nisso, a pesquisa se fundamenta nas seguintes etapas: (i) exame do documento (ABNT, 1992); (ii) conhecimento do conteúdo conceitual do documento (Van Slype, 1991); (iii) identificação dos elementos do conteúdo que se devem descrever a extração dos termos; (iv) tradução dos termos de linguagem natural pelos termos correspondentes da linguagem documentária (Gil Leiva, 2008). A leitura documentária, nesse contexto, corresponde às quatro etapas para o desenvolvimento do estudo, justificado pelo caráter estético do objeto de análise. 43 I. Exame do documento: Consiste na ação de examinar os documentos para obter a compreensão acerca de seu assunto. Para esse procedimento, a norma ABNT 12.676 (1992) define que é necessário levar em consideração os seguintes campos: título, subtítulo, resumo (se houver), introdução, ilustrações, diagramas, tabelas e seus títulos explicativos, palavras ou grupo de palavras em destaque e referências bibliográficas. A norma ainda deixa uma nota explicativa que é sempre necessário levar em consideração mais de um desses aspectos listados. Ao observar essa lista, pode-se perceber que ela é voltada para materiais textuais, mesmo a norma caracterizando-os como documentos impressos. Ela ainda considera os materiais não impressos como multimeios, o que pode gerar conflitos conceituais em relação a outros teóricos, principalmente, ao discorrer sobre a partitura musical, um tipo de documento que é constituído de características textuais e imagéticas. Para refletir e debater mais acerca da temática, aprofundou-se, dessa forma, na subseção seguinte. II. Conhecimento do conteúdo conceitual do documento: A pesquisa parte do princípio em que é necessário ter conhecimento básico acerca do conteúdo conceitual do documento, no caso, da partitura musical, devido às suas particularidades em sua estrutura representada pela simbologia musical. Com base nisso, o indexador ter conhecimento é considerado importante, pois aumenta a sua compreensão acerca daquele determinado documento. Nesse contexto, pode-se determinar esse tipo de conhecimento como a expertise do profissional indexador. A expertise se refere, de acordo com Ericsson (2006, p. 3), “às características, habilidades e conhecimentos, que distinguem os especialistas dos novatos e das pessoas menos experientes". O autor ainda explica que o profissional especialista possui conhecimento aprofundado acerca de um domínio específico, como a música, no qual, pode ser descrito verbalmente e compartilhado com outras pessoas. Esse tipo de profissional detém um poder que foi observado ao longo da História, como na época da civilização grega, em que Sócrates percebeu que para cada área, como a construção civil ou naval, profissionais especialistas eram consultados e respeitados, o que distinguia caso alguém, sem conhecimento algum, tentava aconselhar nessas áreas (Platão, 1991; Ericsson, 2006). 44 Ao realizar o processo de indexação, o profissional, quando expert, consegue ter uma compreensão maior e mais rápida da estrutura do documento analisado, o que o torna especialista para representar aquele material. III. Identificação dos elementos do conteúdo que se devem para descrever a extração dos termos Após realizar o exame do documento, a identificação de conceitos consiste na leitura do documento com objetivos de extrair os conceitos que melhor traduzem a essência do documento (Dias; Naves, 2007). Para realizar esse processo, o indexador precisa seguir uma abordagem sistemática. A norma ABNT 12.676 (1992, p. 2) estabelece que abordagem sistemática consiste em realizar questionamentos para encontrar os conceitos e extraí-los. Diante disso, ela apresenta algumas perguntas mais gerais como forma de ilustrar aspectos necessários a serem incluídos: a) qual o assunto de que trata o documento? b) como se define o assunto em termos de teorias, hipóteses, etc.? c) o assunto contém uma ação, uma operação, um processo? d) o documento trata do agente dessa ação, operação, processo, etc.? e) o documento se refere a métodos, técnicas e instrumentos especiais? f) esses aspectos foram considerados no contexto de um local ou ambiente especial? g) foram identificadas variáveis dependentes ou independentes? h) o assunto foi considerado sob um ponto de vista interdisciplinar? (p. ex.: um estudo sociológico da religião) (ABNT, 1992, p. 2). Fujita (2020, p. 24) explica que a primeira questão, por exemplo, deverá “identificar no texto a presença do conceito objeto; a segunda, a ação; a terceira, se o objeto identificado sobre a influência da ação; a quarta, o agente que praticou a ação e assim por diante”. Ainda de acordo com a autora, esses conceitos “ação”, “objeto” e “agente” são considerados conceitos essenciais que representam o tema de um texto, ao serem combinados. Por isso, pode acontecer de um texto ter três conceitos juntos, mas nem sempre apresentar um agente. Fujita (2020, p. 24) utiliza para explicar o seguinte exemplo: “Destruição da lavoura de café pela geada”. A Ação é “Destruição”; o Objeto é “Lavoura de café” e o Agente é “Geada”, Apesar dessa abordagem sistemática ser promissora para a extração de conceitos, Fujita (2013) elucida que não há nenhuma diretriz ou publicação na literatura, principalmente da norma ABNT 12.676 (1992), em que explica se essa 45 abordagem é considerada como um método para identificação de conceitos e nem como aplicá-la. E, ao considerar como objeto a partitura musical, essa abordagem se torna ainda mais abstrata para realizar a sua aplicação, devido à falta de clareza nesse método, principalmente, para documentos não textuais. Para realizar a seleção de conceitos, o indexador deve atentar-se e pensar em como os usuários irão realizar as buscas. Nesse sentido, a norma ABNT 12.676 (1992) define que é necessário escolher os conceitos mais apropriados para cada usuário enquanto público-alvo naquele ambiente e fazer uso de instrumentos de indexação, os SOC, para auxílio da consolidação e garantia da representação temática e recuperação da informação. No entanto, a norma supracitada não estabelece como deve ser feito esse procedimento e nem como seria para as partituras musicais. IV. Tradução dos termos de linguagem natural pelos termos correspondentes da linguagem documentária: A tradução de conceitos em termos de uma linguagem de indexação decorre a partir do momento em que eles são selecionados. O objetivo consiste na tentativa de padronizar e consolidar para evitar falhas na recuperação. Se o documento for erroneamente representado, ele pode ficar perdido para sempre no sistema e nunca mais ser encontrado. Por isso, a qualidade da indexação é considerada algo tão essencial. As linguagens de indexação podem ser encontradas a partir do estabelecimento de SOC, como tesauros, por exemplo. Com base na teoria apresentada sobre OC e indexação, compreender a acepção do conceito de uma partitura musical pode significar entender a essência de sua estrutura, visto que a identificação de características pode ser utilizada para diferentes contextos, como pelo aspecto de um musicista, cujo intuito está em executá-la, ou para um profissional indexador, em que visa conseguir representá-la tematicamente. Nesse sentido, a OC e a indexação podem se relacionar com a música através das abordagens da teoria do conceito, em específico, quando se apresentam as características da estrutura da partitura musical, como a sua simbologia, em que será representado por sua temática. Enquanto a parte descritiva da partitura engloba, geralmente, aspectos textuais, como o título, compositor e ano, isso quando se encontra disponível na partitura musical. 46 A próxima seção discorre acerca da leitura documentária no processo de indexação, para observar como ocorrem os aspectos cognitivos, linguísticos e estratégicos, contextuais, estruturais e os seus modelos. 47 3 A LEITURA DOCUMENTÁRIA NO PROCESSO DE INDEXAÇÃO Essa seção possui como foco aprofundar acerca dos aceitos conceituais da leitura documentária, em destaque, no contexto da partitura musical, determinada como documento composto por elementos textuais e não-verbais ao mesmo tempo. Ela é dividida em quatro subseções: 3.1 Estruturas textuais e não verbais, para verificar os diferentes tipos de estruturas aplicadas pela leitura documentária; 3.2 O leitor, seus aspectos cognitivos e metacognitivos; 3.3 o contexto e suas tipologias e 3.4 como modelos de leitura documentária. A necessidade de realizar essa divisão das seções e subseções está na importância que a teoria traz para o estudo. A subseção de modelos de leitura documentária foi dividida, por sua vez, em modelos de leitura documentária para artigos científicos, o primeiro modelo de leitura documentária, e identificação de dados em fotogr