DESENVOLVIMENTO E ESTABILIDADE DE FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS CONTENDO EXTRATOS DE SOJA (Glycine max (L.) Merr.) CAROLINE MAGNANI ARARAQUARA- SP 2011 Câmpus de Araraquara UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” UNESP FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMÁCÊUTICAS DESENVOLVIMENTO E ESTABILIDADE DE FORMULAÇÕES SEMI-SÓLIDAS CONTENDO EXTRATOS DE SOJA (Glycine max (L.) Merr.) CAROLINE MAGNANI ORIENTADOR: PROF. DR. RAUL CESAR EVANGELISTA CO-ORIENTADORA: MSC JOCEANA SOARES SPEROTTO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Farmácia-Bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista para obtenção do grau de Farmacêutico- Bioquímico ARARAQUARA- SP 2011 Dedicatória Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaria aqui desfrutando de momentos que me são tão importantes. Agradeço a Ele pela vida, saúde, paciência e coragem para enfrentar todas as dificuldades encontradas, além de ter colocado tantas pessoas especiais em meu caminho. Aos meus pais, Maximo e Lecy, pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas. Por terem suportado tantos momentos de dificuldades e lamentações, por terem secado minhas lágrimas nas horas mais difíceis e por terem apoiado todas as minhas decisões. Obrigada! Ao Heitor, meu namorado, que acompanhou cada passo desta jornada, por todo seu amor, paciência e compreensão, por ter aceitado momentos de ausência e de crise, além de estar sempre ao meu lado nas horas que mais preciso. Agradecimentos Ao Prof. Dr. Raul Cesar Evangelista pela orientação neste trabalho, pelos ensinamentos, correções e pela sua paciência. Ao Prof. Dr. Marcos Antônio Correa, por sua disposição em ajudar, pelo aprendizado e por ter compartilhado comigo todas as dificuldades desde meu primeiro estágio na faculdade. À Prof.ª Dr.ª Vera Lucia Borges Isaac, por ter disponibilizado equipamentos de fundamental importância nesse trabalho. À Joceana Soares Sperotto, pois foi ela que despertou em mim um grande interesse pela pesquisa, do qual eu não sabia a existência. À Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPESP) pela bolsa de estudos concedida. Aos funcionários da Graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alexandre, Juliana e Helenisa pelas orientações e por providenciar todos os documentos e assinaturas. A todos meus amigos do Laboratório de Cosmetologia: Ana Carolina, Bruna Fatori, Daniele, Danila, Eduardo, Fernanda, Gabriela, Giovani, Gisele, Guilherme, Hanako, Hannah, Ilza, Jemima, José Ricardo, Letícia, Luciana, Marina, Natália Galhardo, Paula e Priscila. Em especial agradeço a Bruna Chiari pela amizade, risadas e ajudas! À minha irmãzinha Maria Julia, pelas brigas, por ter me atrapalhado a estudar, por ter pegado meus materiais e pelos brigadeiros e pipocas! Tenho certeza que minha vida seria um tédio sem você! Às minhas inseparáveis amigas de faculdade, Natália Barbosa, Gabriela M. Da Luz, Mariana da S. Barbi, que juntas formamos o Quarteto Fantástico! Às pessoas que me fazem sorrir... à galera que sempre esteve junto até mesmo quando eu estava desanimada... às pessoas que fizeram a diferença em minha vida... às pessoas que quando olho para trás, sinto muitas saudades... às pessoas que me aconselharam quando me senti sozinha... às pessoas que me fizeram passar por dificuldades, pois foram elas que me fortaleceram... às pessoas que encontro apenas em meus sonhos... Às pessoas que encontro todos os dias e não tenho a chance de dizer tudo o que sinto olhando nos olhos... O que importa não é O QUE eu tenho na vida, mas QUEM eu tenho na vida... Por isso... Guardo todas as pessoas importantes da minha vida em uma caixinha dentro do meu coração... SUMÁRIO Resumo _______________________________________________________________ 9 1. Introdução ___________________________________________________________ 9 2. Objetivos ___________________________________________________________ 12 3. Material e métodos ___________________________________________________ 13 3.1. Obtenção dos extratos de soja ______________________________________ 13 3.2. Obtenção das formulações semi-sólidas _______________________________ 14 3.3. Estudo de Estabilidade física das formulações __________________________ 18 3.3.1. Teste de Centrifugação __________________________________________ 19 3.3.2. Avaliação Macroscópica ________________________________________19 3.3.3. Determinação do pH ____________________________________________ 19 3.3.4. Determinação da densidade _______________________________________ 20 3.3.5. Influência dos extratos de soja no pH e densidade _____________________ 20 3.3.6. Avaliação microscópica da F14 ____________________________________ 20 3.3.7. Avaliação do comportamento reológico _____________________________ 20 4. Resultados e Discussão ________________________________________________ 21 4.1. Obtenção dos extratos de soja ______________________________________ 21 4.2. Obtenção das formulações semi-sólidas _______________________________ 21 4.3. Estudo de Estabilidade física das formulações __________________________ 22 4.3.1. Teste de Centrifugação ________________________________________ 24 4.3.2. Avaliação macroscópica _______________________________________ 25 4.3.3. Determinação do pH __________________________________________ 26 4.3.4. Determinação da densidade ____________________________________ 27 4.3.5. Influência dos extratos de soja no pH e densidade ___________________ 29 4.3.6. Avaliação microscópica da F14 _________________________________ 32 4.3.7. Avaliação do comportamento reológico ___________________________ 34 5. Conclusão __________________________________________________________ 69 6. Referências Bibliográficas _____________________________________________ 70 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Esquema de obtenção e preparação das formulações semi-sólidas submetidas aos estudos de estabilidade física __________________________________________ 18 Figura 2. Fotografia das formulações preparadas (A), adicionadas de ES (B) e após 7 dias nas condições de estresse (C) _________________________________________ 22 Figura 3. Separação de fase após teste de centrifugação ________________________ 25 Figura 4. pH das fórmulas mantidas a 5ºC nos dias 1, 25 e 45 ___________________ 26 Figura 5. pH das fórmulas mantidas a 25ºC nos dias 1, 25 e 45 __________________ 27 Figura 6. pH das fórmulas mantidas a 45ºC nos dias 1, 25 e 45 __________________ 27 Figura 7. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 5°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade ___________________________________________________ 28 Figura 8. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 25°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade ____________________________________________ 28 Figura 9. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 45°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade ____________________________________________ 29 Figura 10. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 5ºC ___________ 29 Figura 11. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 25ºC __________ 30 Figura 12. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 45ºC __________ 30 Figura 13. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 5ºC ___________ 30 Figura 14. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 25ºC __________ 31 Figura 15. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 45ºC __________ 31 Figura 16. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 5ºC _____________ 31 Figura 17. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 25ºC ____________ 31 Figura 18. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 45ºC ____________ 32 Figura 19. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 5ºC ______________________________________________________ 33 Figura20. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 25ºC _____________________________________________________ 33 Figura 21. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 45ºC _____________________________________________________ 33 Figura 22. Reogramas das formulações 1 e 2 ________________________________ 37 Figura 23. Reogramas das formulações 3 e 4 ________________________________ 38 Figura 24. Reogramas das formulações 5 e 6 ________________________________ 39 Figura 25. Reogramas das formulações 7 e 8 ________________________________ 40 Figura 26. Reogramas das formulações 9 e 10 _______________________________ 41 Figura 27. Reogramas das formulações 11 e 12 ______________________________ 42 Figura 28. Reogramas da formulação 13 ____________________________________ 43 Figura 29. Reogramas da formulação 14 ____________________________________ 44 Figura 30. Reogramas da formulação 15 ____________________________________ 45 Figura 31. Reogramas da formulação 16 e 17 ________________________________ 46 Figura 32. Reogramas da formulação 6 com EBHc ___________________________ 54 Figura 33. Reogramas da formulação 6 com EBHt ____________________________ 55 Figura 34. Reogramas da formulação 6 com EC _____________________________ 56 Figura 35. Reogramas da formulação 9 com EBHc ___________________________ 57 Figura 36. Reogramas da formulação 9 com EBHt ____________________________ 58 Figura 37. Reogramas da formulação 9 com EC ______________________________ 59 Figura 38. Reogramas da formulação 16 com EBHc __________________________ 60 Figura 39. Reogramas da formulação 16 com EBHt ___________________________ 61 Figura 40. Reogramas da formulação 16 com EC _____________________________ 62 Figura 41. Reogramas da formulação 14 com EBHc __________________________ 63 Figura 42. Reogramas da formulação 14 com ________________________________ 64 Figura 43. Reogramas da formulação 14 com EC _____________________________ 65 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Composição percentual das formulações dermatológicas propostas na forma de emulsões __________________________________________________________ 16 Tabela 2. Composição percentual das formulações dermatológicas propostas como emulsão/microemulsão e gel _____________________________________________ 17 Tabela 3. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F1 e F2 submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC _________________________________ 35 Tabela 4. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EBHc submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC _______________ 53 Tabela 5. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EBHt submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC ________________ 53 Tabela 6. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EC submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC __________________ 53 9 RESUMO Alguns vegetais, como a soja (Glycine max L. Merr), despertam interesse, pois fornecem, entre outras substâncias, as isoflavonas, que apresentam importantes propriedades estrogênicas e, também, atuam como antioxidantes, antifúngicos e anticancerígenos. A menopausa, causada pela deficiência hormonal, é acompanhada de vários transtornos metabólicos, como perda de massa óssea, fenômenos vasomotores, dislipidemia, resistência insulínica, ganho de peso, depressão e aceleração do envelhecimento cutâneo. A terapia de reposição hormonal (TRH) é eficaz, embora possa causar efeitos secundários, como câncer de mama. Nestes casos, a fitoterapia com fitormônios por via cutânea é uma alternativa importante. Dentre as preparações de uso tópico, sistemas emulsionados e géis são muito utilizados, pois favorecem a solubilidade e a estabilidade de fármacos. Para avaliar a estabilidade das formulações, foram consideradas as características organolépticas (aspecto, cor, odor) e as características físico-químicas (valor de pH, viscosidade e densidade, etc.), separação de fases e/ou coalescência. Algumas formulações apresentam-se com características desejáveis e adequadas para a veiculação de isoflavonas presentes em extrato de soja, podendo-se sugeri-las como sistemas adequados e estáveis para sua veiculação pela via dérmica. 1. INTRODUÇÃO Atualmente, a busca dos consumidores pelos produtos naturais se traduz na ansiedade em adquirir produtos que apresentem maior pureza, segurança e eficácia com destaque aos produtos de uso tópico, devido a sua facilidade de aplicação. A administração tópica oferece várias vantagens se comparada às vias tradicionais. Fármacos aplicados por via transdérmica evitam a circulação sistêmica e os efeitos de primeira passagem, característicos das outras vias de administração, além de terem a administração facilitada e a possibilidade de suspensão imediata do tratamento quando necessário. Porém, o motivo principal para escolha da administração tópica pelo formulador, é ter a pele como órgão-alvo da terapia (KREILGAARD, 2002). 10 O desafio principal para formulações tópicas é prover um aumento suficiente em penetração e liberação de fármacos e outras substâncias na pele, sem induzir alterações irreversíveis significantes no tecido cutâneo (CORRÊA et al., 2005; KREILGAARD, 2002). Além disso, a procura por novos sistemas de liberação de fármacos tem sido muito relevante no sentido de se estabelecer alternativas terapêuticas mais eficientes, que possibilitem administrar os fármacos com mais segurança e com efeitos colaterais minimizados (CERA, 2001). O Brasil apresenta a flora mais diversificada do mundo e comumente a população faz uso de determinadas plantas para tratamento de enfermidades. Entretanto, ainda são escassos os estudos que visam um melhor conhecimento, para posterior aplicação delas em benefício da saúde humana (HIRUMA-LIMA et al., 2006). Além disso, existem evidências de que específicas combinações fitoquímicas são mais eficientes na proteção contra doenças quando comparadas a compostos isolados (DE KOK et al., 2008). A Glycine max (L.) Merr. (soja), pertencente à família Fabaceae, é uma planta leguminosa de origem asiática, mais precisamente da região correspondente à China Antiga, que atualmente tem uma vasta produtividade no solo brasileiro. O fruto da soja é um legume ou vagem, contendo grãos ou sementes que, no período da maturação, exibe uma cor característica que é usada também como parâmetro na descrição e identificação de diversos cultivos, sendo a cor básica variável de amarelo palha até cinza ou preto (MULLER, 1981). Produtos de soj,a tradicionalmente consumidos no Japão, são ativos contra a peroxidação lipídica, pois apresentam atividade antioxidante, além de atividade contra tumores pediátricos, câncer de próstata (COWARD et al., 1993; ADLERCREUTZ et al., 2000; REIS et al., 2007), câncer de cólon e inibição de neovascularização ou angiogênese (FOTSIS et al., 1993). 11 A composição química da soja é complexa e, além de conter substâncias de várias classes importantes, apresenta isoflavonas, que possuem relevantes propriedades biológicas, tais como atividades antioxidante, antifúngica e anticancerígena (câncer de mama e próstata) e propriedades estrogênicas (DENIS, 1999; ADLERCREUTZ et al., 2000). O grão de soja contém basicamente isoflavonas, consideradas fitormônios, como a genisteína e a daidzeína, que apresentam atividade estrogênica devido à sua interação com receptores 17- -estradiol, ou seja, possuem maior afinidade pelos receptores estrogênicos e, devido à esta seletividade, parecem exercer seus efeitos em tecidos específicos com menor risco de efeitos colaterais. Também, até o início desta década, não haviam sido descritos efeitos adversos importantes e interações de relevância clínica após tratamentos com uso de isoflavonas (BRUNETON, 2001). A menopausa é um estado fisiológico que surge nas mulheres, geralmente entre os 45 e 55 anos de idade e consiste na cessação permanente do ciclo menstrual e, conseqüentemente, na incapacidade reprodutiva. Caracteriza-se pela diminuição de hormônios femininos (estrógenos), o que pode desencadear problemas fisiológicos e psicológicos (BRIS, 2001; DURAN, 2001). Nestes casos, a fitoterapia baseada em fitormônios, mais especificamente nas isoflavonas da soja, tem sido indicada como alternativa ao tratamento de reposição hormonal (TRH) a fim de amenizar alguns transtornos apresentados na menopausa (BECK et al., 2004; CARRILLO et al., 2004). A forma farmacêutica também interfere no efeito terapêutico pretendido. Dentre as preparações semi-sólidas, os sistemas emulsionados e os géis são amplamente utilizados em formulações destinadas à aplicação tópica, pois são muitas as vantagens que oferecem sob o ponto de vista farmacêutico (LACHMANN et al., 1986). Cremes, géis e emulsões líquidas tendem a serem mais bem aceitos pelo paciente, pois são de fácil aplicação e espalhamento na pele e causam efeito refrescante. Alguns trabalhos têm sido dirigidos para o estudo de 12 microemulsões (ME) e cristais líquidos (CL), visando o aumento da solubilidade e estabilidade de fármacos, a possibilidade de incorporação de fármacos hidrofílicos ou lipofílicos, a capacidade de agir como sistemas reservatórios e a diminuição da toxicidade (BRINON et al., 1999; GABBOUN et al., 2001; FORMARIZ et al., 2005; LAWRENCE, REES, 2000). A grande variedade de matérias primas presentes no mercado cosmético, atualmente, estimula cada vez mais o interesse na busca de preparações cosméticas eficazes que propiciem o bem estar do consumidor. Sendo assim, é necessário que os constituintes do excipiente sejam compatíveis entre si e com a substância ativa a ser incorporada, que a mistura seja estável a variações bruscas de temperatura e agitação e apresente, dentro do prazo de validade da formulação final, as mesmas características de cor, odor, pH, consistência, viscosidade e textura (CORRÊA, 1997). Neste sentido, a reologia pode ser utilizada como uma ferramenta de extrema significância para contribuir na avaliação de formulações e definir a melhor, mais estável e mais adequada ao uso pretendido. O termo reologia é definido como o estudo de como os materiais se deformam e fluem sob a influência de forças externas, podendo ser descrito por equações específicas (BARNES, 1994; TADROS et al., 2007; LABA, 1993; KAWATRA et al., 1996). 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Baseado no exposto, a proposta do presente trabalho foi desenvolver e propor novas formulações estáveis e eficazes e avaliar as possíveis alterações que poderiam ocorrer com adição de diferentes materiais poliméricos e de extratos de soja, além de analisá-los comparativamente entre si, com o intuito de possibilitar o uso como sistema veiculante de 13 extratos vegetais, mais especificamente, das isoflavonas presente no extrato de soja (Glycine max L. Merr). 2.2 Objetivos Específicos • Desenvolvimento de formas farmacêuticas semi-sólidas para veiculação de isoflavonas. • Estudos de estabilidade preliminar das formulações propostas contendo ou não • extratos de soja. • Estudos de estabilidade acelerada das formulações propostas contendo ou não extratos de soja. • Estudo do comportamento reológico como ferramenta para avaliar a estabilidade e auxiliar na escolha da formulação mais adequada para veicular as isoflavonas presentes nos extratos de soja. • Avaliação microscópica das formulações pertinentes. 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Obtenção dos Extratos de Soja Exemplares de grãos (sementes) de Glycine max (soja) foram cultivados de forma geneticamente modificada (CD-214) e convencional (RS-10) na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul (RS). Um terceiro extrato foi obtido comercialmente (EC). Os grãos de soja foram pulverizados em macromoinho de facas (Tipo Willy), obtendo- se a droga vegetal (farinha de soja), que foi acondicionada em frascos âmbar à temperatura ambiente para posterior extração. Duzentos gramas de farinha de soja convencional (EBHc) e transgênica (EBHt), foram macerados durante 72 horas utilizando 800 mL de solvente solvente etanol e água na proporção de 8:2 obtendo-se frações oleosas e extratos secos (EBHc e EBHt). A fração oleosa foi removida da farinha de soja com hexano. 14 3.2. . Obtenção das formulações semi-sólidas Foram desenvolvidas formulações (emulsões, microemulsão, cristal líquido e géis), a fim de serem utilizados como sistemas veiculadores de isoflavonas presentes nos ES, conforme as composições inicialmente propostas (Tabelas 1 e 2) nos Laboratórios de Farmacotécnica e de Cosmetologia da FCF-UNESP-Araraquara. Os constituintes das formulações foram devidamente pesados em balança semi- analítica (Gehaka, BG2000), conforme concentrações propostas nas fórmulas, em recipientes apropriados. As formulações do tipo emulsão foram preparadas por mistura direta, padronizada, de fase oleosa previamente pesada e devidamente aquecida até 60°C-70°C, seguida pela adição da fase aquosa a 70-80°C com agitação manual ou mecânica (Ultra- Turrax, T25 Basic, IKA) até completa homogeneização. As formulações do tipo gel foram preparadas a partir de dispersão aquosa a frio (PRISTA, 1996; CORREA, 1997). A fórmula da microemulsão (F13) e do CL (F14), foram preparadas com auxílio do Ultra-Turrax para incorporação adequada das fases do sistema (URBAN, 2004). As emulsões adicionadas de polímero carboxivinílico e goma xantana foram preparadas com prévia neutralização do polímero com aminometilpropanol (AMP) até pH 6. Nas fases aquosas destas emulsões, foram adicionados os conservantes, propilenoglicol e goma xantana. Para total hidratação da goma, a água foi adicionada aos poucos sob agitação lenta até total homogeneização e só então esta fase foi vertida e incorporada à fase oleosa da emulsão. A incorporação do extrato de soja foi realizada a partir de resultados já obtidos em ensaios piloto após sua solubilização prévia em solvente aquoso (fração aquosa), na concentração de 1%, diretamente nas formulações propostas. 15 As formulações desenvolvidas (Figura 1) foram submetidas aos testes de estabilidade com objetivo de selecionar os melhores sistemas para veicularem as isoflavonas presentes nos EBHs e no EC. 16 T ab el a 1. C om po si çã o pe rc en tu al d as fo rm ul aç õe s d er m at ol óg ic as p ro po st as n a fo rm a de e m ul sõ es *: C om po ne nt es Fo rm ul aç õe s F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7 F8 F9 F1 0 F1 1 F1 2 C 12 -2 0 Á ci d Pe g- 8 És te r 12 12 8 8 — — — — — — — — C et ea ry l A lc oh ol a nd C et ea re th 2 0 — — — — 6 6 — — — — — — Em ul si fy in g W ax N F — — — — — — 6 6 — — — — PP G -5 -C et et h- 20 — — — — — — — — 1 1 1 1 C et ea ry l A lc oh ol 4 4 4 4 3 3 3 3 5 5 6 6 Is op ro py l P al m ita te 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 B ut yl at ed H yd ro xy to lu en e 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 0, 01 Pr op yl pa ra be n e M et hy lp ar ab en 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 0, 2 Pr op yl en e G ly co l 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 3- 5 C ar bo m er — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 X an th an g um — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 — 0, 1- 0, 2 A m in om et hy l p ro pa no l ** q .s. p. p H 6 ,0 — ** — ** — ** — ** — ** — ** * A di ci on ou -s e ág ua , q .s. p. 1 00 g , a to da s a s f or m ul aç õe s. O s E S fo ra m a di ci on ad os n a co nc en tra çã o de 1 % . 17 Tabela 2. Composição percentual das formulações dermatológicas propostas como emulsão/microemulsão e gel.* Componentes Formulações F13 F14 F15 F16 F17 PPG-5-Ceteth-20 50 65 — — — Polyacrylamide (and) C13-14 Isoparaffin (and) Laureth-7 — — 3-5 — — Isopropyl Miristate 5 5 1-4 — — Butylated Hydroxytoluene — — 0,01 — — Propylparaben e Methylparaben 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 Propylene Glycol — — 3-5 3-5 3-5 Carbomer — — — 0,7 — Hydroxyethylcellulose — — — — 2,0 Aminomethyl propanol — — — q.s.p. pH 6,0 — * Adicionou-se água, q.s.p. 100 g, a todas as formulações. Os ES foram adicionados na concentração de 1%. 18 Insumos Farmacêuticos Específicos Preparação a quente FA (~75ºC) FO (~70ºC) Preparação a frio (~25ºC) Sistemas emulsionados F1, F3, F5, F7, F9, F11 (sem materiais poliméricos) F2, F4, F6, F8, F10, F12 (com materiais poliméricos) Sistema Emulsionado Microemulsão (ME) Sistema Líquido Viscoso (SLV) Gel F15 F13 F14 F16 e F17 Incorporação e resfriamento Incorporação Figura 1. Esquema de obtenção e preparação das formulações semi-sólidas submetidas aos estudos de estabilidade física. 3.3. Estudo de Estabilidade física das formulações Após a manipulação das formulações, elas foram submetidas a diferentes temperaturas, 5°C (refrigerador Consul, mod. 2181), 25ºC (temperatura ambiente) e 45°C (estufa FABBE-PRIMAR, mod 219) e teve como objetivo auxiliar e orientar na escolha das formulações. Foi conduzido conforme preconiza o Guia de Estabilidade de Estudos Produtos Cosméticos da ANVISA (2004) e Isaac et al. (2008). Foram consideradas as características organolépticas (aspecto, cor, odor) e as características físicas (valor de pH, viscosidade e densidade, etc.), separação de fases e/ou coalescência, tomando-se como amostra de referência, considerada padrão, as avaliações do dia 1 (24 h após a manipulação das fórmulas). 19 A partir da finalização deste estudo, foram selecionadas algumas formulações que aparentemente obtiveram os melhores resultados para serem incorporados os diferentes extratos de soja. As formulações (F6, F9, F14 e F16) foram submetidas, em triplicata, ao estudo de estabilidade acelerada a fim de avaliar o efeito da adição dos extratos na estabilidade destes sistemas classificados como semi-sólidos e compará-los entre si. 3.3.1. Teste de centrifugação Foi realizado para avaliar a manutenção da estabilidade das formulações base, quanto à separação de fases e coalescência, conforme preconiza o Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos, série qualidade 1, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. (ANVISA). A centrifugação ocorreu a 980, 1800 e 3.000 rpm (Centrífuga FANEM-Baby, mod. 208) durante 30 min com 5g de amostra (CADWALLAGER, 1989; BRASIL, 2004). 3.3.2. Avaliação Macroscópica As formulações foram avaliadas quanto a alterações na coloração, aspecto e odor, além da observação de possível separação de fases e/ou coalescência, tomando-se como referência as avaliações do dia 1 (24 h após a manipulação). 3.3.3. Determinação do pH Foi determinado em peagômetro (Micronal, mod. B374) após diluição das amostras a 10%, conforme protocolo proposto (BRASIL, 2004). Seguiu-se igual metodologia após a incorporação do EBH nas formulações selecionadas (SENZEL, 1977; F. Bras. 4. ed., 1988). Os valores de pH foram determinados em triplicata, durante 45 dias (estabilidade acelerada), nas amostras submetidas às temperaturas 5ºC, 25ºC e 45°C, geladeira , ambiente e estufa, respectivamente (BRASIL, 2004). 20 3.3.4. Determinação da densidade A determinação da densidade relativa das formulações foi realizada por picnometria conforme descrito na Farmacopéia Brasileira (IV edição) durante os estudos de estabilidade física. 3.3.5. Influência dos extratos de soja no pH e densidade Os valores de pH e densidade das quatro formulações contendo ES foram avaliados segundo metodologia descrita anteriormente a fim de verificar a interferência do EBHt, do EBHc e EC nesses sistemas. 3.3.6. Avaliação microscópica da F14 Amostras da F14, contendo ou não EBHt, EBHc e EC foram dispostas em lâminas de microscopia, sobre as quais foi colocada uma lamínula. As lâminas foram observadas em microscópio de luz polarizada (Leica Leitz DM RXE) acoplado à capturador de imagens (Moticam 2000). Essa análise foi realizada no dia 1 e após 45 dias de armazenamento a 5º, 25º e 45ºC. 3.3.7. Avaliação do comportamento reológico As formulações propostas foram analisadas em reômetro Haake modelo Rheostress RS-1, utilizando-se sensor do tipo cone-placa (C35/2°Ti) e os dados analisados pelo software Origin 7.0. A curva de fluxo foi realizada com taxa de cisalhamento de 0-100 s-1 por um período de 120 s para curva ascendente e 120 s para a curva descendente com taxa de cisalhamento de 100-0 s-1. Foram determinadas a propriedade de fluxo das amostras, a 21 tixotropia e a viscosidade, obtendo-se dados a cada segundo. A temperatura foi mantida a 25°C. Avaliou-se comparativamente o efeito da presença de polímero, da goma xantana e das ceras auto-emulsionantes não-iônicas: C12-20 Ácid Peg-8 Éster (Xalifin®), Cetearyl alcohol and Ceteareth 20 (Cosmowax®), PPG-5-Ceteth-20 (Procetyl AWS®) e Emulsifying Wax NF (Polawax®) nas propriedades reológicas das emulsões, além do estudo do efeito causado pela adição dos extratos de soja das formulações previamente selecionadas. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Obtenção dos extratos de soja Os extratos brutos hidroalcóolicos (EBH) obtidos possuíam aspecto pastoso de alta viscosidade e de coloração castanha. O extrato de soja obtido comercialmente (EC) era um pó fino de coloração amarelada. 4.2. Obtenção das formulações semi-sólidas As formulações inicialmente propostas para veiculação das isoflavonas presente no extrato de soja foram devidamente preparadas (Figura 2) e submetidas aos estudos de estabilidade, considerando-se parâmetros físicos pré-estabelecidos conforme legislação vigente (Brasil, 2007) para a seleção prévia dos sistemas veiculantes considerados mais estáveis. A partir daí, foram adicionadas de extrato de soja (EBHc, EBHt, EC) separadamente em cada formulação e submetidas à avaliação da estabilidade (Figura 2), sendo avaliadas em triplicata. 22 Figura 2. Fotografia das formulações base (A), contendo ES (B) e após 7 dias mantidas nas condições de estresse (C). 4.3 Estudo de Estabilidade física das formulações O aumento da viscosidade e da consistência de formulações contendo base auto- emulsionante não iônica ocorre por um período de 24-48 horas, uma vez que a penetração e intumescimento dos materiais graxos anfifílicos pelo tensoativo aquoso para formar a malha gel cristalina (teoria da malha gel) são retardados (PENA et al.,1993). Segundo Rieger (1996) sistemas emulsionados recém preparados não devem ser submetidos a testes de estabilidade, pois necessitam de um tempo mínimo para equilibrar-se plenamente a fim de evitar mudanças na área interfacial, na distribuição do emulsificante e no enrijecimento dos materiais sólidos durante o desenvolvimento da preparação, necessitando de um período inicial de espera para A B C 23 serem submetidas aos testes de estabilidade. Assim considerou-se 24 horas após a manipulação das formulações como o tempo inicial para as análises. O teste acelerado de armazenamento em temperaturas extremas (5ºC e 45ºC) considera o efeito que a mesma pode acarretar sobre os sistemas semi-sólidos em um período menor em relação àqueles estocados em temperatura ambiente. Qualquer mudança na formulação irá ocorrer duas vezes mais rapidamente para cada aumento de 10°C na temperatura (KNOLWTON et al., 1996). O estudo de estabilidade teve como objetivo básico a garantia da qualidade e a verificação da manutenção das características do produto, além da avaliação do seu desempenho, segurança e eficácia em determinado intervalo de tempo, frente a condições ambientais e de estresse a que foi submetido. Além de fornecer informações que indicam o grau de estabilidade relativa de um produto nas várias condições que possa estar sujeito desde sua fabricação até o término de sua validade. Foi realizado conforme preconiza o Guia de Estabilidade de Estudos Produtos Cosméticos da ANVISA, F. Bras. IV ed. (1988) e Isaac et al.(2008). Foram considerados características físicas (aspecto, cor, odor, uniformidade, comportamento reológico, valor de pH e densidade); além desses, também foi necessário considerar a manutenção das características do produto quanto à funcionalidade (atributos mantidos sem alterações) e segurança (não podendo ocorrer alterações que comprometam uso) (GU et al., 2005; KALLIOINEN et al., 1994). Em relação às propriedades organolépticas, durante o teste de estabilidade preliminar, os sistemas emulsionados apresentaram boa espalhabilidade, cor branca e odor neutro ou agradável. Além disso, é relevante selecionar veículos/excipientes adequados para manutenção da estabilidade da formulação e que sejam compatíveis para a manutenção a atividade que se propõe. 24 Os testes de estabilidade são necessários para assegurar que a formulação irá manter sua integridade e qualidade. Uma formulação estável é aquela que mantém suas proporções de seus constituintes e mantém a superfície interfásica, mesmo após ser exposta a estresses decorrentes de fatores como temperatura, agitação e aceleração da gravidade. Vários testes permitem avaliar a evolução das propriedades da formulação em relação ao tempo, temperatura e gravidade (IDSON, 1993). 4.3.1 Teste de centrifugação Este teste fornece informações prévias e artificiais sobre a estabilidade de diferentes sistemas semi-sólidos, uma vez que, nem sempre é possível predizer com exatidão seu comportamento, contudo, esse método pode dar uma boa indicação da estabilidade relativa de várias formulações (AULTON, 2005). A Figura 3 demonstra o resultado de uma das formulações inicialmente propostas submetidas ao teste de centrifugação para indicação das melhores e mais estáveis formulações. As formulações F9 e F12 apresentaram separação de fases na maior rotação submetida, indicando que pode ter ocorrido alguma instabilidade devido a cremeação ou coalescência segundo a lei de Stokes, que descreve que a velocidade de sedimentação das partículas é diretamente proporcional ao tamanho destas na fase interna da emulsão e mostra que a cremeação é uma função da gravidade e que um aumento da gravidade acelera a separação de fases (ANSEL et al., 1999; IDSON, 1993). Além disso, mudanças de homogeneidade podem ser vistas como instabilidade da emulsão, principalmente se as condições de temperatura e centrifugação forem excessivas (AULTON, 2005), portanto, as formulações foram submetidas aos demais ensaios. 25 Figura 3. Separação de fase após teste de centrifugação da F9. 4.3.2. Avaliação macroscópica Todas as formulações foram avaliadas macroscopicamente durante todo o período de estudo de estabilidade. Foram consideradas propriedades organolépticas como aspecto, cor, odor, espalhabilidade e separação de fases e/ou coalescência. As formulações sem presença de extrato mantiveram-se inalteradas nas diferentes temperaturas a que foram submetidas durante os 15 e 45 dias nas temperaturas de 5ºC e 25ºC. Já a 45ºC, as formulações F3, F5, F7, F9 e F11 apresentaram separação de fase logo nos primeiros dias do teste de estabilidade. As formulações F4, F8, F10 e F12, apesar de também terem apresentado separação de fases a 45ºC, resistiram por mais tempo à temperatura elevada, já que a separação de fases somente foi observada nos últimos dias de análise. Isso pode estar relacionado com a presença do polímero carboxivinílico e goma xantana que aumentaram a estruturação desses sistemas. Entretanto, as formulações adicionadas de extratos sofreram alteração de cor ao longo do tempo (Figura 2b e c). Além disso, a F6 e F9 com extrato de soja também apresentaram separação de fases durante os 45 dias de armazenamento a 45ºC. 26 4.3.3 Determinação do pH Os valores de pH das formulações estão demonstrados graficamente (Figuras 4 a 6) para análise comparativa dos sistemas propostos. As formulações adicionadas ou não de materiais poliméricos não sofreram alterações significativas em relação ao pH inicial. Os resultados demonstraram que os valores do pH (6,0-7,0) ao longo do tempo (45 dias) nas condições estudadas praticamente mantiveram-se inalterados. As formulações 13 e 14, a microemulsão e cristal líquido respectivamente apresentaram pH inferior às demais, entre 3,5 e 4,5, isso porque apresentam elevada concentração de PPG-5-Ceteth-20 e não foi utilizado Aminomethyl Propanol para correção do pH dessas formulações, uma vez que isso poderia influenciar na organização interna das mesmas. Figura 4. pH das fórmulas mantidas a 5ºC nos dias 1, 25 e 45. 27 Figura 5. pH das fórmulas mantidas a 25ºC nos dias 1, 25 e 45. Figura 6. pH das fórmulas mantidas a 45ºC nos dias 1, 25 e 45. 4.3.4. Determinação da Densidade Os resultados (Figuras 7 a 9) demonstraram que não houve variação significativa da densidade (0,95 ± 0,05) ao longo do tempo (45 dias) nas condições estudadas (5ºC, 25ºC e 45ºC). 28 Figura 7. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 5°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade. Figura 8. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 25°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade. 29 Figura 9. Densidade das fórmulas propostas mantidas a 45°C nos dias 1, 25 e 45 durante o teste de estabilidade. 4.3.5. Influência dos extratos de soja no pH e na densidade As Figuras de 10 a 18 mostram que a adição de extrato de soja não alterou a densidade, mas promoveu pequena elevação nos valores iniciais de pH em todas as condições. Durante o período de estudo, os valores de pH e densidade apresentaram-se praticamente inalterados com pequena variação à 25 e a 45°C. Figura 10. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 5ºC. 30 Figura 11. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 25ºC. Figura 12. pH e densidade das fórmulas com EBHc armazenadas a 45ºC. Figura 13. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 5ºC. 31 Figura 14. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 25ºC. Figura 15. pH e densidade das fórmulas com EBHt armazenadas a 45ºC. Figura 16. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 5ºC. Figura 17. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 25ºC. 32 Figura 18. pH e densidade das fórmulas com EC armazenadas a 45ºC. 4.3.6. Avaliação microscópica da F14 Foram realizadas avaliações microscópicas por microscopia de luz polarizada (MLP) durante o período de estudo de estabilidade na formulação 14 (com e sem extratos) a fim de identificar a presença de lamelas, cruz de malta para visualização das possíveis alterações ocorridas sob efeito da temperatura e dos extratos de soja ao longo do tempo. Não foi observada modificação após a adição do extrato na MLP dos sistemas a 5ºC e 25ºC. No entanto a presença do EBHt e EC na formulação submetida a 45ºC causou alteração da estrutura interna, tornando o sistema hexagonal, sendo os demais lamelares (Figura 19 a 21) (MAGNANI, 2009a). 33 D ia 1 D ia 4 5 Sem extrato Com extrato de soja transgênica Com extrato de soja convencional Com extrato de soja comercial Figura 19. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 5ºC. D ia 1 D ia 4 5 Sem extrato Com extrato de soja transgênica Com extrato de soja convencional Com extrato de soja comercial Figura 20. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 25ºC. D ia 1 D ia 4 5 Sem extrato Com extrato de soja transgênica Com extrato de soja convencional Com extrato de soja comercial Figura 21. Fotomicrografias da F14 sem e com os extratos de soja no dia 1 e dia 45, armazenada a 45ºC. 34 4.3.7. Avaliação do comportamento reológico A reologia consiste no estudo do escoamento ou deformação de um material quando submetido a uma tensão. O método é aplicável na caracterização de sistemas semi-sólidos, pois o comportamento do fluido está relacionado com o tipo, grau de organização do sistema e interações entre seus componentes, podendo-se verificar sinais de instabilidade do sistema expressas como função do tempo, da temperatura e da variação na área de histerese (SCHRAMM, 2006; JIMÉNEZ et al, 2001) Propriedades reológicas de semi-sólidos são parâmetros físicos importantes em termos técnicos e visuais. A avaliação estrutural e a consistência são essenciais para determinar, ajustar e predizer o comportamento de novas formulações. Também podem ser empregadas para verificar a qualidade durante o processo de produção, além de permitir um estudo do efeito de aditivos na formulação e estabilidade (MAMBRO et al, 2005). Os principais sinais de instabilidade aparecem na forma de cristais e inflexões, valores mais baixos de tensão e alteração na área de histerese (MARTIN, 1993). Segundo Lucero et al. (1995), a tensão de cisalhamento, taxa de cisalhamento e tempo são parâmetros que descrevem as propriedades reológicas são importantes para avaliar as mudanças físicas na formulação. A viscosidade é um parâmetro importante porque seu valor pode ser alterado em função da presença ou não de diferentes materiais, portanto pode ser considerado como um dos parâmetros de referência para avaliar a estabilidade de sistemas semi- sólidos (Wilkinson et al, 1990). Os valores de viscosidade aparente mínima e área de histerese obtidos durante o período de estudo das formulações são mostrados na Tabela 3. 35 F5 1 0,66 0,415 0,93 488,4 782,9 586,9 25 0,82 0,658 1,13 350,9 1417 672,5 45 0,68 0,685 0,16 532,8 1497 76,42 F6 1 1,10 1,27 1,33 925,3 992,1 1205 25 1,32 1,17 0,81 1073 360,7 285,6 45 1,33 1,19 1,42 1046 229,3 330,8 F7 1 0,52 0,54 0,51 1098 1057 891,2 25 0,80 0,44 0,33 1627 548,9 406,6 45 0,90 0,50 0,21 904,1 612,6 221,8 F8 1 1,20 1,14 0,95 708,6 732,3 960,8 25 1,13 0,89 1,63 2344 464,9 -373,1 45 1,28 0,84 1,03 2480 409 530,7 F9 1 0,695 0,656 0,723 1793 784,6 784,6 25 0,609 0,667 0,639 737,9 265,8 53,33 45 0,622 0,7 0,722 440,3 330 -201,50 F10 1 1,78 1,86 1,61 1506 1109 1154 25 1,82 1,52 1,33 3967 293,5 870 45 1,6 1,4 0,79 3532 707,5 347,9 F11 1 0,74 0,87 0,85 1092 1066 859,9 25 0,79 0,79 0,0654 1361 392,9 -20,02 45 0,67 0,67 0,33 1113 3004,5 218,2 F12 1 0,81 0,74 0,42 691,1 344,1 216,5 25 0,85 0,67 0,12 1490 70,88 51,5 45 0,76 0,65 0,18 1410 41,01 64,75 F13 1 0,22 0,22 0,21 41,14 36,85 42,98 25 0,22 0,16 0,19 38,4 35,48 34,24 45 0,22 0,14 0,14 50,83 35,05 29,09 F14 1 8,685 7,791 8,111 1793 6615 7328 25 9,955 8,362 1,792 7814 9715 1107 45 10,71 8,51 0,447 1193 4306 54,99 Tabela 3. Valores de viscosidade aparente e área de histerese para F1 a F17 submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC. Fórmula Tempo (dias) Viscosidade Aparente (Pa.s) Área de histerese (Dinas/cm2.s) 5°C 25°C 45°C 5°C 25°C 45°C F1 1 1,78 2,21 2,1 662,5 1272 874,1 25 1,09 2,23 1,64 1268 1696 1652 45 1,68 2,07 1,22 603,1 1050 302,4 F2 1 2,77 3,05 3,89 2969 3689 6587 25 3,24 3,77 3,07 6060 5238 8801 45 2,89 3,92 0,86 4936 4985 651,1 F3 1 0,64 0,73 0,55 1048 1208 955,2 25 1,59 1,02 0,12 1682 1316 237,5 45 1,76 1,12 0,68 1382 1160 888,8 F4 1 1,64 1,71 1,83 989,3 682,3 569,2 25 2,47 1,94 0,83 5694 515,5 -44,42 45 2,09 1,89 1,88 6035 308,6 974,6 36 F15 1 4,47 4,55 4,41 -192,2 -234,6 -108,7 25 4,53 4,69 6,19 -268,2 -738,2 255,6 45 4,27 4,53 6,66 91,23 -281,2 -858,4 F16 1 5,61 5,43 5,51 949,8 261,1 549,2 25 5,61 5,33 5,83 506 -145,5 99,93 45 5,28 4,97 5,38 729,4 -1042 -369,9 F17 1 1,82 1,97 1,86 482,7 533,2 434,2 25 2,05 1,81 2,99 741,4 513,5 -69,5 45 1,91 1,88 2,80 579,9 415,1 -1481 Esses resultados permitiram avaliar, a partir dos ensaios de escoamento, as propriedades reológicas das formulações propostas. Em relação aos sistemas emulsionadas, avaliou-se o efeito de aditivos espessantes, como o polímero carboxivinílico associado à goma xantana, além da presença de diferentes ceras auto-emulsionantes, entre elas, álcool cetoestearílico e álcool cetoestearílico etoxilado (Cosmowax®), álcool cetoestearílico e éster de sorbitano etoxilado (Polawax®), C12-20 Ácid Peg-8 Éster (Xalifin®); álcool cetílico propoxilado e etoxilado (Procetyl AWS®); poliacrilamida-isoparafina-álcool laurílico 7OE (Sepigel 305®). Os mesmos ensaios foram realizados a fim de analisar a estabilidade das propriedades reológicas em função do tempo (45 dias). Além disso, foi avaliado o efeito da adição do extrato de soja nos diferentes sistemas pré-selecionados. Os reogramas obtidos são mostrados nas Figuras 22 a 31. 37 Figura 22. Reogramas das formulações 1 e 2 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F1 e símbolos fechados F2) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 Te ns ão d e ci sa lh am en to (s - ) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 V is co si da de (s -1 ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 38 Figura 23. Reogramas das formulações 3 e 4 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F3 e símbolos fechados F4) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,01 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 39 Figura 24. Reogramas das formulações 5 e 6 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F5 e símbolos fechados F6) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) taxa de cisalhamento(s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 40 Figura 25. Reogramas das formulações 7 e 8 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F7 e símbolos fechados F8) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 Te ns ão d e ci sa lh am en to (s - ) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 Te ns ão d e ci sa lh am en to (s - ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 Te ns ão d e ci sa lh am en to (s - ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 41 Figura 26. Reogramas das formulações 9 e 10 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F9 e símbolos fechados F10) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 42 Figura 27. Reogramas das formulações 11 e 12 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F11 e símbolos fechados F12). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 50 100 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a- ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,01 0,1 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 43 Figura 28. Reogramas da formulação 13 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 0,01 0,1 1 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0,01 0,1 1 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,01 0,1 1 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 44 Figura 29. Reogramas da formulação 14 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 1000 1200 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 1000 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 1000 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 1000 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 1000 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 Taxa de cisalhamento (s-1) V is co si da de (P as ) 45 Figura 30. Reogramas da formulação 15 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 46 Figura 31. Reogramas da formulação 16 e 17 a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho, dia 25: preto e dia 45: azul; símbolos abertos: F17 e símbolos fechados: F16) Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 5ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 5ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 25ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 45ºC 0 20 40 60 80 100 1 10 100 V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 47 Os reogramas dos sistemas emulsionados (F1 a F12) mostram que todas as formulações comportam-se como sistemas não–Newtonianos, pois, ao contrário dos Newtonianos, apresentam uma relação não linear entre tensão de cisalhamento e taxa de cisalhamento. Além disso, estes sistemas apresentam as características de fluidos pseudoplásticos. Este comportamento resulta do alinhamento das gotículas coloidais existentes no sistema na direção do fluxo de escoamento. Segundo Tokumoto (1996), conforme aumenta a tensão ou taxa de cisalhamento e esta preferência orientacional é acentuada, a resistência interna do sistema se reduz e ocorre uma conseqüente redução da viscosidade. As formulações com polímero e goma apresentam viscosidade mais elevada, quando comparadas com as formulações sem esses constituintes (SPEROTTO et al., 2008). Formulações com fluxo pseudoplástico produzem um filme protetor que permite recobrir a superfície da pele, promovendo uma melhor proteção. Materiais Newtonianos não se comportam desse modo porque quando espalhados na pele, escorrem muito rápido. Preparações pseudoplásticas típicas contêm moléculas entrelaçadas ou agregadas, que se rompem sob tensão de cisalhamento e se alinham sob a direção do fluxo, promovendo um deslizamento facilitado com o aumento da velocidade de cisalhamento e, conseqüentemente, a redução da viscosidade (SHAWESH et al., 2002). A recuperação da viscosidade, geralmente, é reversível e pode ser dependente do tempo cuja posterior reconstrução pode ser devida ao movimento Browniano (MARTIN, 1993). Além disso, todas as formulações também apresentam caráter tixotrópico, que, no qual é algumas vezes mais acentuado quando polímero e goma xantana estão presentes (SPEROTTO et al., 2008). Isto pode ser devido a um aumento de conexões entre as gotículas, favorecido pela presença do polímero e goma, o que dá a esta formulação certa elasticidade, potencializando a habilidade de recuperação da sua estrutura inicial após ser submetida a forças externas (AULTON, 2005). 48 O caráter tixotrópico é fruto da destruição gradual da estrutura construída pelas gotículas da fase dispersa, cuja força de ligação não resiste à ação imposta pelo cisalhamento. O fenômeno é considerado reversível, porque, após a retirada do esforço externo, as ligações quebradas são reconstituídas, reorganizando a estrutura interna (NAVARRO, 1997; COLO et al., 2004). O produto tixotrópico tende a ter maior vida de prateleira (“shelf-life”), pois durante o armazenamento apresenta viscosidade constante, o que dificulta a separação dos constituintes da formulação. Além dessa vantagem, a obtenção de formulações de uso tópico com caráter tixotrópico é bastante almejada, pois elas se deformam durante a aplicação, ou seja, tornam-se mais fluidas, facilitando o espalhamento e recuperando a viscosidade inicial no momento em que se encerra a aplicação, o que evita que o produto escorra. Por outro lado, é interessante a obtenção de um valor de tixotropia não muito elevado, para que o produto não escorra sobre a pele após aplicação devido a uma recuperação muito lenta da sua estrutura, e também de um valor não muito baixo, pois isso pode acarretar baixa espalhabilidade do produto, não permitindo uma distribuição uniforme sobre a pele (MARTIN, 1993). Segundo WILKINSON et al. (1990) e CORRÊA et al. (2005), a viscosidade é um parâmetro importante porque seu valor pode ser alterado em função da presença ou não de diferentes materiais. A adição de polímeros pode promover uma conexão intermolecular, resultando em uma organização estrutural desses sistemas. Dessa forma, a viscosidade, a tixotropia e o resultado sensorial obtido com a aplicação podem ser afetados pela escolha do espessante introduzido na fase contínua. Observando-se as Figura 22 e 23, nota-se que o grau de tixotropia, estimado a partir da área de histerese entre as curvas ascendente e descendente do reograma, diminui levemente com a elevação da concentração de Xalifin (de F3 para F1). Estes resultados revelam que o aumento da porcentagem de Xalifin na formulação contribui na formação de uma rede 49 fracamente interconectada, constituída pela interação ou agregação das gotículas coloidais que dão origem a regiões mais estruturadas que, entretanto, podem ser facilmente destruídas com o aumento da taxa de cisalhamento e facilmente recompostas quando essa taxa diminui (SPEROTTO, 2008). Como explicado anteriormente, em sistemas que apresentam comportamento pseudoplástico, a viscosidade diminui sob a ação do cisalhamento. Isso é confirmado na Figura 22 e 23, que mostra esta diminuição da viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento para F1 e F3. Pode-se notar, também, que o aumento da quantidade de Xalifin no sistema promove um aumento da viscosidade. Estes efeitos confirmam a formação de microestruturas mais volumosas provocadas pelo aumento da quantidade de Xalifin. Ao analisar o efeito da temperatura durante 45 dias, os dados obtidos (Tabela 3) demonstraram que existe uma interferência notável nas características tixotrópicas das formulações com o passar do tempo. A F3, que possui apenas 8% de Xalifin e não contém polímero de goma xantana foi uma das que mais sofreu influencia da temperatura, já que sua viscosidade e área de histerese diminuíram em todas as condições de temperatura durante os 45 dias. Na F2 observou-se que a viscosidade e área de histerese aumentaram a 25 e a 5ºC já a 45ºC ambas diminuíram, o que mostra que a temperatura elevada é que influencia na estabilidade desse sistema (SPEROTTO et al., 2008). A viscosidade da formulação 4 aumentou em todas as condições de temperatura durante os 45 dias provavelmente por possuir além de polímero carboxivinilico e goma xantana. A área da histerese da F3 diminuiu a 25 e a 45ºC enquanto que aumentou na F4 tanto a 5ºC quanto a 45ºC, o que indica grande estabilidade desse sistema frente a extremos e temperatura (figura 23). Portanto, ao avaliar o efeito da temperatura nas formulações propostas, observa-se que os resultados foram coerentes com as afirmações mencionadas, nos quais F2 e F4 evidenciaram 50 tixotropia mais adequada, menor influência da temperatura, após 45 dias de armazenagem, e manutenção das características organolépticas em relação às demais formulações isentas de polímero carboxivinílico e goma xantana na fase contínua (F1 e F3). Além disso, a adição de polímero carboxivinílico e goma xantana contribuíram significativamente para o aumento da viscosidade. Isto é confirmado, quando comparamos as formulações em que ele está presente (F2 e F4) com as outras (F1 e F3) em que o polímero não foi adicionado. Ao comparar as duas formulações, F2 e F4, ambas contendo polímeros, a F4, que mostrou características tixotrópicas mais adequadas frente às variações de temperatura submetidas (Tabela 3). Isso se deve ao fato da formulação F4 apresentar maior concentração da cera autoemulsionante (Xalifin®). Emulsões com características menos oleosas e estabilizadas com colóides hidrofílicos, como o poímero carboxivinílico e a goma xantana têm sido amplamente utilizadas para liberação dérmica, pois possibilitam a veiculação de substâncias lipossolúveis sem deixar sensação oleosa quando aplicadas à pele (MAIA CAMPOS, 1994). A Tabela 3 também mostra que a F5 foi mais sensível à variação de temperatura que a F6. Os resultados a 45ºC demonstram diminuição na viscosidade aparente da F5 (Figura 24). No entanto, a F6 manteve seus valores de viscosidade aparente praticamente inalterados nas diferentes condições de temperatura e ao longo do tempo, com uma pequena diminuição à 25ºC. A Figura 24 e a Tabela 3 indicam que o grau de tixotropia diminui com a elevação da temperatura na F5. Este fenômeno já não é observado na F6, uma vez esta formulação no dia 1 e no dia 7 apresentou área de histerese caráter tixotrópico aumentados. Os dados apresentados na Tabela 3 mostram que a formulação F7 perdeu viscosidade (Figura 25) com o tempo de armazenamento a 45ºC e teve a viscosidade aumentada a 5ºC. Já a F8, armazenada a 5ºC, apresentou aumento da viscosidade aparente com o tempo de 51 armazenamento e sofreu diminuição menos acentuada de viscosidade a 45ºC, o que indica que o polímero carboxivinílico e a goma xantana também agiram de forma a tornar esse sistema mais estável. O mesmo pode ser observado com a área de histerese, ou seja, F7 sofreu diminuição de tixotropia com a elevação da temperatura ao longo do tempo, e F8 suportou melhor essas condições de estresse. A Tabelas 3 demonstra o aumento da viscosidade aparente e da área de histerese nas formulações F9, F10, F11, e F12 com o tempo de armazenamento nas condições de estresse a que foram submetidas (5°C e 45ºC), mesmo nas formulações que não contêm polímero carboxivinílico e goma xantana (F9, F11), uma vez que estes materiais contribuem para a estruturação interna do sistema, melhorando sua estabilidade (CORRÊA et al., 2005). Esse fato deve-se, provavelmente, à presença do tensoativo utilizado nestas formulações (Procetyl AWS®) que, por apresentar o álcool cetílico em seu grupamento apolar, demonstra grande afinidade química pelo principal componente graxo da emulsão, o álcool cetoestearílico. As Figuras 26 e 27 confirmam que há aumento da viscosidade quando o polímero carboxivinílico e goma xantana estão presentes. A microemulsão, denominada F13, comporta-se como fluido Newtoniano, devido ao fato de sua curva de fluxo ser uma reta, cuja razão entre todos os pares de valores de tensão e taxa de cisalhamento é constante. Isso significa que a viscosidade não é afetada por mudanças na taxa de cisalhamento (Figura 28) (SCHRAMM, 2006). Essa característica não é desejável, já que quando fluidos newtonianos são espalhados na pele, escorrem muito rápido, tendo reduzido efeito protetor (SHAWESH et al., 2002). A F13 comportou-se como fluido Newtoniano em todas as condições a que foi submetida; no entanto, teve acentuada redução de sua viscosidade quando armazenadas nas temperaturas de 25ºC e 45ºC (Figura 28). A solução líquida viscosa, classificada como cristal líquido (F14), submetida a 5ºC e a 25ºC não foi comprometida, já que suas propriedades reológicas mantiveram-se praticamente 52 inalteradas Entretanto, a 45ºC, o CL apresentou redução da viscosidade, devido à total desestruturação favorecida pelo aumento da temperatura (Figura 29) (MAGNANI et al., 2009a). A F15 apresentou um comportamento reológico característico, com ausência de área de histerese, tendendo a não apresentar tixotropia, o que pode ser observado na Figura 30. Segundo KAWATRA et al. (1996), este comportamento é classificado como reopético e está confirmado através dos valores negativos de área de histerese (Tabela 3). Sistemas com estas características podem não ser interessantes para a liberação prolongada de fármacos pela via dérmica. Portanto, ensaios adicionais e mais específicos podem contribuir para aplicação adequada dessa formulação. Os sistemas coloidais (F16 e F17) praticamente não sofreram influência da temperatura, mantendo-se mais estáveis ao longo dos 45 dias. A fórmula 17 sofreu maior influência da temperatura se comparada à F16 (Figura 31). A Tabela 3 demonstra os valores obtidos durante o ensaio e confirmam a tendência de um sistema reopético. A viscosidade da F16 e F17 aumenta com a elevação da temperatura e ao longo do tempo (Figura 31) e as características tixotrópicas não se manifestam significativamente. Esses efeitos apresentam-se mais acentuados na F17, devido, provavelmente, às características químicas da matéria prima (Hidroxietilcelulose) incorporada nesse sistema. A partir dos resultados obtidos dos ensaios de estabilidade foram selecionados quatro sistemas (F6, F9, F14 e F16) que, aparentemente, apresentaram-se mais estáveis quanto aos parâmetros físicos analisados, os quais foram incorporados os extratos de soja (1%) e submetidos novamente aos estudos de estabilidade, considerando-se também o custo-benefício das formulações selecionadas. 53 Os valores de viscosidade aparente mínima e área de histerese, obtidos durante o período de estudo de estabilidade das formulações com extrato de soja, estão demonstrados nas Tabelas de 4 a 6. Tabela 4. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EBHc submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC. Fórmula Tempo (dias) Viscosidade Aparente (Pa.s) Área de histerese (Dinas/cm2.s) 5°C 25°C 45°C 5°C 25°C 45°C F6 1 0,39 1,67 2,01 692,8 684 7567 45 0,59 0,9 1,48 1520 742,2 651,9 F9 1 0,94 0,97 0,99 -281,1 -268,2 -123,9 45 0,38 0,21 1,24 38,52 67,4 -150,1 F14 1 2,96 3,47 3,53 4325 4063 353 45 3,86 4,93 0,78 4508 1278 0,78 F16 1 3,28 3,28 0,22 -1968 -25,37 3924 45 1,48 1,38 0,16 4,23 -165,2 -1213 Tabela 5. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EBHt submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC. Fórmula Tempo (dias) Viscosidade Aparente (Pa.s) Área de histerese (Dinas/cm2.s) 5°C 25°C 45°C 5°C 25°C 45°C F6 1 0,39 0,38 0,26 186,6 491,6 341,1 45 0,59 0,44 0,63 -1821 778,9 -1349 F9 1 0,59 0,6 0,62 5232 15,26 -63,56 45 0,85 0,97 1,02 -155,4 -321,0 559,5 F14 1 5,59 6,38 4,21 5975 2101 -60,12 45 11,1 6,87 0,37 8741 2699 -1246 F16 1 1,19 1,08 1,19 -26,56 -40,4 -45,92 45 1,44 1,37 1,44 -0,3945 -11,96 -20,85 Tabela 6. Valores de viscosidade aparente e área de histerese (média das triplicatas) para F6, F9, F14 e F16 com EC submetidas a 5°C, 25ºC e 45ºC. Fórmula Tempo (dias) Viscosidade Aparente (Pa.s) Área de histerese (Dinas/cm2.s) 5°C 25°C 45°C 5°C 25°C 45°C F6 1 1,41 1,71 1,51 1636 2830 1609 45 2,05 1,29 1,11 5015 509,2 1738 F9 1 0,42 0,43 0,51 353,2 568,5 609,7 45 0,41 0,33 0,34 377,8 298 96,96 F14 1 11,8 9,23 6,12 1325 8211 3045 45 5,96 6,86 0,55 2679 2895 66,74 F16 1 2,75 2,84 2,83 11,12 -99,69 54,95 45 2,72 2,9 1,68 -52 133,9 -293,4 54 Para avaliar o efeito do extrato de soja na estabilidade dos sistemas pré-selecionados (F6, F9, F14 e F16) realizou-se ensaios de escoamento durante 45 dias e os reogramas obtidos são mostrados nas Figuras 32 a 43. Figura 32. Reogramas da formulação 6 com EBHc a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C 250C 450C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 250C 450C 50C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 55 Figura 33. Reogramas da formulação 6 com EBHt a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 10 20 30 40 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 450C 250C 50C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 50C 450C 250C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 250C 50C 450C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 56 Figura 34. Reogramas da formulação 6 com EC a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 50C 450C 250C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C 450C 250C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 450C 250C 50C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 450C 250C 50C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 57 Figura 35. Reogramas da formulação 9 com EBHc a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 450C 50C 250C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C,250C,450C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 250C 450C 50C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 250C 50C 450C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 58 Figura 36. Reogramas da formulação 9 com EBHt a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 10 20 30 40 50 60 70 50C250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C, 250C 450C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C, 250C 450C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 59 Figura 37. Reogramas da formulação 9 com EC a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias. (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 10 20 30 40 50 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 450C 50C, 250C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C 250C 450C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 60 Figura 38. Reogramas da formulação 16 com EBHc a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 350 250C50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 450C 50C, 250C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 350 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 450C 250C 50C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 61 Figura 39. Reogramas da formulação 16 com EBHt a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 250C 450C 50C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 62 Figura 40. Reogramas da formulação 16 com EC a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C,250C,450CVi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 50C 250C 450C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 63 Figura 41. Reogramas da formulação 14 com EBHc a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 450C 50C 250CV is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 50C 250C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 50C 450C 250C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 64 Figura 42. Reogramas da formulação 14 com EBHt a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 250C 50C 450C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 50C 450C 250C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 450C 250C 50C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 450C 250C 50C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 65 Figura 43. Reogramas da formulação 14 com EC a 5ºC, 25ºC e 45ºC durante 45 dias (dia 1: vermelho e dia 45: azul). Tensão x Taxa de cisalhamento Viscosidade x Taxa de cisalhamento 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 450C 250C 50C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 250C 450C 50C V is co si da de (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0 100 200 300 400 500 600 700 450C 50C 250C Te ns ão d e ci sa lh am en to (P a) Taxa de cisalhamento (s-1) 0 20 40 60 80 100 0,1 1 10 100 1000 450C 250C 50C Vi sc os id ad e (P as ) Taxa de cisalhamento (s-1) 66 Os valores iniciais de viscosidade sofreram pequena alteração (Tabelas 4 a 6) pela adição dos extratos. Durante o período de estudo, as formulações adicionadas de extrato apresentaram uma diminuição da viscosidade aparente após os 45 dias de armazenamento (Figuras 32-43) quando comparadas com as formulações isentas de extrato (Figuras 24, 26, 28 e 31) e esse fato sugere que associação do extrato pode ter proporcionado um desarranjo nas formulações com tendência a mudar o comportamento de fluxo, sugerindo que a presença do extrato pode alterar o comportamento de fluxo destas formulações estudadas. Extratos vegetais podem interferir na fluidez e na perda inicial da viscosidade de formulações do tipo gel-creme (FONSECA, 2007) e na tixotropia, definida como uma recuperação lenta da consistência após cisalhamento. A tixotropia é desejável em formulações tópicas, pois auxilia a manter estável os componentes em suspensão, bem como na liberação de substâncias ativas para a pele devido ao desarranjo estrutural do sistema, onde a simples difusão das mesmas é facilitada (MARTIN, 1993). Na F14 não foi observada modificação do comportamento reológico após a adição do extrato, assim como na MLP dos sistemas a 5ºC e 25ºC. No entanto a presença do EBHt na formulação submetida a 45ºC causou alteração da estrutura interna, tornando o sistema hexagonal, sendo os demais lamelares (Figuras 4 a 6) (MAGNANI et al., 2009a). A formulação gel apresenta baixos valores de tixotropia (Tabela 6) e a adição do extrato não altera esse parâmetro (MAGNANI et al., 2009b). Valores não muito altos de tixotropia também são importantes, pois neste caso, a formulação leva um tempo menor para reconstituir sua estrutura, garantido a formação do filme protetor sobre a pele. Os reogramas (Figuras 40 a 42) indicam que o gel é um sistema não–Newtoniano, pois, ao contrário dos Newtonianos, apresenta uma relação não linear entre tensão de cisalhamento e taxa de cisalhamento e apresenta característica de fluido pseudoplástico. 67 O gel proposto possui baixa tixotropia, pois a força de ligação entre as gotículas da fase dispersa resiste à ação imposta pelo cisalhamento e assim não ocorre uma desorganização estrutural do sistema onde a área entre as curvas ascendente e descendente do reograma não é notada, o que indica 100% de recuperação quando a amostra é submetida a uma taxa de cisalhamento interna (NAVARRO, 1997; COLO et al., 2004). Além disso, observou-se que a tixotropia permaneceu baixa mesmo com a adição de ES. Também se observa que a formulação sem a presença do ES (Figura 33) possui maior viscosidade no dia 1 em relação ao dia 45 em todas as condições de temperatura a que foi submetida. Segundo Sperotto et al. (2008), sistemas emulsionados contendo materiais poliméricos sofrem menor influência da temperatura sobre as suas propriedades reológicas e na diminuição da viscosidade em relação àqueles sistemas isentos desses materiais. Portanto, essa diminuição da viscosidade destes géis hidrofílicos pode ser devida ao efeito da temperatura, desfavorecendo a estruturação e interação interna destes sistemas, classificados como semi- sólidos. Além disso, diferente das formulações sem ES, observa-se que aquelas contendo ES têm a viscosidade aumentada após os 45 dias de armazenamento (Figura 41). Esse aumento de viscosidade ocorre em todas as temperaturas a que as formulações foram submetidas e pode ser causado pela presença, além das isoflavonas, de outros metabólitos secundários. Estes compostos, considerados biopolímeros, como as lignanas, gomas e mucilagens (SIMÕES, 1999), podem interagir quimicamente entre si ou com materiais da formulação, favorecendo o aumento da viscosidade e, consequentemente, interferindo diretamente nas suas propriedades reológicas. A presença do extrato pode contribuir na formação de uma rede interconectada, constituída pela interação de gotículas coloidais, que originam regiões estruturalmente mais bem organizadas na formulação. Esse fato pode ser visto como vantajoso para sistemas para 68 veiculação dérmica de fármacos, uma vez que o extrato parece favorecer o aumento da organização interna da formulação, aumentando a viscosidade e a estabilidade. O aumento da temperatura não influenciou significativamente na perda da viscosidade aparente mínima. O tempo de armazenamento exerceu maior influencia (Figura 39) no comportamento reológico do gel hidrofílico (F16), indicando que a presença do extrato favorece a estabilização da formulação, podendo-se sugeri-lo como um sistema adequado para veiculação dérmica de isoflavonas presentes no extrato de soja (ES), a fim de contribuir nos TRHs em mulheres. A presença de EBHt no CL associado ao aumento da temperatura modificou o comportamento reológico, sem, no entanto, comprometer a estabilidade e a qualidade final do produto acabado, uma vez que apresenta comportamento termotrópicos (MAGNANI et al., 2009a). Esses resultados demonstram que as formulações estudadas apresentam características sensoriais agradáveis; dentre elas, as de estruturas mais organizadas, contendo polímero carboxivinílico e goma xantana, são as mais indicadas como sistemas de liberação de fármacos, demonstrando maior estabilidade. Os resultados de estabilidade física permitiram obter informações estruturais dos sistemas veiculantes nos dias de armazenagem e demonstraram que a presença do extrato de soja altera a viscosidade aparente da formulação. Isso provavelmente é devido à interação dos materiais da formulação com os metabólitos secundários presentes no extrato. Cremeação ou floculação não foram observadas nestas formulações, exceto separação de fase da F9, sendo considerada instável fisicamente após 45 dias de armazenamento. As demais formulações apresentaram-se estáveis no período de análise frente aos parâmetros avaliados, permitindo indicá-las como sistemas estáveis para veicular isoflavonas presentes no extrato de soja. Com isso, pode-se afirmar que é possível, por meio de mudanças na composição, obter- se uma variedade de sistemas semi-sólidos com diferentes viscosidades, que possibilitam 69 atender às especificações desejadas. Isso é interessante do ponto de vista prático, já que esta propriedade é o fator chave para a preparação de produtos para aplicação dérmica, uma vez que necessitam de um bom escoamento quando aplicados à superfície da pele e, imediatamente após a aplicação, devem reconstituir sua estrutura, deixando de escoar. 5 Conclusão A pesquisa, cujo objetivo era definir as formulações mais estáveis e mais adequadas para veiculação de extratos de soja, permitiu a seleção de quatro formulações, que aparentemente apresentaram-se mais estáveis, para incorporação dos extratos de soja. Tendo em vista os resultados, concluiu-se que a temperatura e a incorporação de ES exerceram influência no comportamento reológico das formulações propostas, indicando que a presença do extrato é favorável para a estabilidade da formulação gel. Algumas formulações apresentam-se com características desejáveis e adequadas para a veiculação de isoflavonas presentes em extrato de soja (ES), podendo-se sugeri-las como sistemas adequados e estáveis para veiculação dérmica a fim de contribuir nos TRHs em mulheres. 70 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADLERCREUTZ, H.; MAZUR, W.; BARTELS, P.; ELOMAA,V.; WATANABE, S.; WAHALA, K.; LANDSTROM, M.; LUNDIN, E.; BERGH, A.; DAMBER, J. E.; AMAN, P.; WIDMARK, A.; JOHANSSON, A.; ZHANG, J. X.; HALLMANS, G. Phytoestrogens and prostate disease. J. Nutrition, v. 130, p. 658-659, 2000. ANSEL, H.C.; POPOVICH, N.G.; ALLEN Jr.; L.V. Farmacotécnica. Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos. Tradução da 6. Ed. Em Inglês de Oppido. T.; Oliveira. E. G.; Benedetti. 1. C. – São Paulo: Premier. 1999. AUTON, M.E. Delineamento de formas farmacêuticas. Porto Alegre: Artmed. 2. Ed, 2005. BARNES H. A. Rheology of emulsions – a review. Colloids and surfaces A-physicochemical and engineering aspects. v.91, p. 89-95, 1994. BECK, V.; ROHR, U.; JUNGBAUER, A. Phytoestrogens derived from red clover: An alternative to estrogen replacement therapy? J. Steroid Bioch. Molec. Biol., v. 94, p. 499-518, 2005. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Resolução – RDC nº 48, de 16 de março de 2004. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 16 mar. 2004. 71 BRINON, L.; GEIGER, S.; ALARD, V.; DOUCET, J.; TRANCHANT, J-T., COUARRAZE, G. Percutaneous absorption of sunscreens form liquid crystalline phases. J.Control. Rel., Arlington, v.60, p.67-76, 1999. BRIS M. Fitoterapia en la vida de la mujer. Madrid: Edimsa, 2001. BRUNETON J. Elementos de fitoquímica y de farmacognosia. Zaragoza: Acribia, 2001. CADWALLAGER, D. E. Stabilitty testing. Cosmet. Toiletries, Oak Park, v.104, n.11, p.87- 102, 1989. CARRILLO, J.C.; OJEDA, H.A.C., ORTEGA, F. M. Optimization of a protocol for direct organogenesis of red clover (Trifolium pratense L.) meristemas for breeding purposes. Biol. Res., v.37, p.45-51, 2004. CERA, R. F. L. Estudo da incorporação do diclofenaco sódico com microemulsão lipídicas: formulação e liberação in vitro. . [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Farmacêuticas,Universidade Estadual Paulista]. Araraquara, 2001. 145p COLO, STEVEN M.; HERH, PETER K. W.; ROYE, NICK; LARSSON, MATS. Rheology and the Texture of Pharmaceutical and Cosmetic Semisolids. American Laboratory. n. November, p.26-30, 2004. 72 CORREA, M.A.; SCARPA, M.V.; FRANZINI, M.C.; OLIVEIRA, A.G. On the incorporation of the nonsteroidal anti-inflammatory naproxen into cationic O/W microemulsions. Colloids Surf. Amsterdam, v.43, p.106-112, 2005. CORREA, M.A. Incorporação de naproxeno em sistema microemulsionado: liberação in vitro e avaliação biológica. [Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo]. São Paulo, 1997 146p. COWARD L.; BARNES, N. C.; SETCHELL, K. D. R.; BARNES, S. Genistein, daidzein, and their -glicoside conjugates: Antitumor isoflavones in soybean foods from American and Asian diets. J. Agric. Food Chem., v. 41, p. 1961-1967, 1993. DE KOK, T.M.; VAN BREDA, S.G.; MANSON, M.M. Mechanisms of combined action of different chemopreventive dietary compounds: a review. Eur. J. Nutr., v.47 Suppl, n.2, p.51-9, 2008. DENIS, L.; MORTON, M. S.; GRIFFITHS, K. Diet and its preventive role in prostatic disease. Eur. Urology, v. 35, n. 5-6, p. 377-387, 1999. DURÁN, M. Fitoestrógenos. Rev Gin Obst., v 2, p.138-147, 2001. FARMACOPEIA Brasileira. 4. ed. Sao Paulo: Atheneo, 1996. pte. 2. FONSECA, Y. M. Desenvolvimento de formulações tópicas contendo extrato de própolis verde: estudos de estabilidade, liberação, permeação e retenção cutânea. Tese de 73 doutorado. Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, 2007. FORMARIZ, T. P.; URBAN, M. C. C.; SILVA, A. A. Jr. GREMIÃO, M. P. D.; OLIVEIRA, A.G. O. Microemulsões e fases líquidas cristalinas como sistemas de iberação de fármacos. Rev. Bras. Ciênc. Farm., vol. 41, n. 03, p. 301-313, 2005. FOTSIS, T.; PEPPER, M.; ADLERCREUTZ, H.; FLEISCHMANN, G.; HASE, T.; MONTESANO, R.; SCWEIGERER, L. Genistein, a dietary-derived inhibitor of in vitro angiogenegis. Proc. Natl. Acad. Sci., v. 90, p. 2690-2694, 1993. GABBOUN, N.H.; NAJIB, N.M.; IBRAHIM, H.G.; ASSAF, S. Release of salicylic acid and diclofenac acid salts from isotropic and anisotropic nonionic surfactant sustems across rat skin. Int. J. Pharm., Amsterdam, v.212, p.73-80, 2001. GU, Y.A. S.; REGNIER, L.; McCLEMENTS, J. Influence of environmental stresses on stability of oil-in-water emulsions containing droplets stabilized by -lactoglobulin- - carregeenan. J. Coll. Interf. Sci., v.286, p.551-558, 2005. HIRUMA-LIMA, C.A.; SANTOS, L.C.; KUSHIMA, H.; PELLIZZON, C.H.; SILVEIRA, G.G.; VASCONCELOS, P.C.P.; VILEGAS, W.; SOUZA BRITO, A.R.M., Qualea grandiflora, a Brazilian “Cerrado” medical plant presents na important antiulcer activity. J. Ethnopharmacol., v.104, p. 207-214, 2006. 74 IDSON, B., Stabilty testing of emulsions. Drug Cosmet. Ind., New York, v. 152, n.2, p.38-43, 72, 1993. ISAAC, V.L.B.; CEFALI L.C.; CHIARI, B.G.; OLIVEIRA, C.C.L.G.; SALGADO H.R.N.; CORRÊA, M.A. Protocolo para ensaios físico-químicos de estabilidade de fitocosméticos. Rev. Cienc. Farm. Basica Apl., v. 29, n.1, p. 85-100, 2008. JIMÉNEZ SORIANO, M. M.; FESNO CONTRERAS, M. J.; SELLÉS FLORES, E. Development of a cream from a self- emulsifying base and moisturing actives. II Farmaco, Pavia, v.56, p.513-522, 2001. KALLIOINEN, S.; HELENIUS, K.; YLIRUUSI, J. Influence of storage time and temperature on the stability of some emulsion creams. Pharmazie, v. 49, p. 500-505, 1994. KAWATRA, S. K., BAKSHI, A. K. On-line measurement of viscosity and determination of flow types for mineral suspensions. International Journal of Mineral Processing. v. 47, p.275-283, 1996. KNOWLTON, J.; PEARCE, S. Handbook of Cosmetic Science and Technology. Cotswold Publishing Company, Oxon, 1996. KREILGAARD, M. Influence of microemulsions on cutaneous drug delivery. Adv. Drug Deliv. Rev., v. 54, p.77–98, 2002. 75 LABA, D. The flow of cosmetics and toiletries. In: LABA, D. Rheological Propereties of Cosmetics and Toiletries. New York, Marcel Dekker, 1993. cap. 1, p. 1-8, 35-54 LACHMANN, L. et al. The Theory and Practice of Industrial Pharmacy. 3. ed. Phyladelphia: Lea & Febiger, 1986. LAWRENCE, M. J.; REES, G. D. Microemulsion-based media as novel drug delivery systems. Adv. Drug Deliv. Rev., v. 45, p. 89–121, 2000. LUCERO, M.J.; GARCÍA, J; VIGO, J.; LEÓN, M.J., A rheological study of semisolid preparations of Eudragit. Int. J. Pharm., Amsterdam, v. 116, p.31-37,1995. MAGNANI, C., SPEROTTO, J.S., SARMENTO, V. H. V., CORRÊA, M. A., EVANGELISTA, R. C.. Caracterização e influência da temperatura no comportamento reológico de cristal líquido. Revista Cosmetics and Toiletries 2009. V.21 p.100-100a. MAGNANI, C., SPEROTTO, J.S., SARMENTO, V. H. V., CORRÊA, M. A., EVANGELISTA, R. C.. Avaliação do comportamento reológico de géis de polímero carboxivinílico e hidroxietilcelulose. Anais da 54ª Jornada Farmacêutica 2009b. MAIA CAMPOS, P.M.B.G., Bases dermocosméticas.Rev. Cosm. & Med. Estética, São Paulo, p. 32-35,1994. MAMBRO, V.M.; FONSECA, M.J.V. Assays of physical stability and antioxidant activity of a topical formulation added with different plant extracts. Int. J. Pharm. v.37, p.287-295, 2005. 76 MARTIN, A. Physical Pharmacy. 4. ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1993. p. 153-476. MULLER, L. Morfologia, anatomia e desenvolvimento. In: MIYASAKA, S.; MEDINA, J.C. A soja no Brasil. Campinas: ITAL p.73-108. 1981. NAVARRO, R. F. Fundamentos de reologia de polímeros.Editora EDUCS, 1997 PRISTA, L.N., Alves A.C., Morgado, R. Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica. 4. Ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1996. Vol 2 e 3. PENA, L.E.; LEE, B.L.; STEARNS, J.F. Consistency development and destabilization of a model cream. J. Soc. Cosmet. Chem., v.44, p.337-345,1993. REIS, G.N., BIZZI, A.C., FURLANI, C.E.A., SILVA, R.P., LOPES,A., GROTTA, D.C.C. Avaliação do desenvolvimento da cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill) sob diferentes sistemas de preparo. Ciênc. agrotec., Lavras, v. 31, n. 1, p. 228-235, jan./fev., 2007. RIEGER, M.M. Teste de estabilidade para macroemulsões. Cosmet. Toil. ( Ed. Em português), São Paulo, v.8, p.47-53,1996. SCHRAMM, G. Reologia e Reometria. Tradução da 1 Ed Em Inglês de Mothé, C.G.; Correia, Z.C.; Petri, H, M.; Gonçalves, M.; Carestiato, T.São Paulo: Artliber .2006. SENZEL, A. J. Manual of cosmetic analysis. Ed. Newburger’s. 2 ed.,p.32-49, 1977. 77 SIMÕES et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. Porto Alegre/Florianópolis: UFRGS/UFSC, 1999. 821p. SHAWESH, A.; KALLIOINEN, S.; HELLÉN, L.; ANTIKAINEN, O.; YLIRUUSI, J. Pluronic F-127 gels as a vehicle for topical formulations of infomethacic and rheological behavior of these formulations. Pharmazie, Eschborn, v. 57, p.186-190, 2002. SPEROTTO, J.S., MAGNANI, C., SARMENTO, V. H. V., CORRÊA, M. A., EVANGELISTA, R. C. Desenvolvimento de sistemas emulsionados e estudo comparativo de medidas reológicas. Revista Cosmetics and Toiletries Mai/jun 2008. V.20 nº3 p.124-124. SPEROTTO, J.S., MAGNANI, C., SARMENTO, V. H. V., CORRÊA, M. A., EVANGELISTA, R. C. Characterization of liquid crystal containing soy (Glycine max L. Merr) extract: rheology and microscopy. Anais do Congresso Internacional de Ciencias farmacêuticas de Ribeirão Preto- CIFARP 2009. TADROS, T.; NESTOR, J.; CLAIRE-TAELMAN, M.; SMITS, R. Emulsões: correlação da estabilidade física de longo prazo com medições reológicas de curto prazo. Cosmetics and Toeletries, v. 9, p. 60-65, 2007. TOKUMOTO, M. S. Evolução estrutural durante a transição sol gel em suspensões coloidais aquosas de SnO2: abordagem reologica [Dissertação de mestrado].Instituto de Química - Unesp Araraquara - SP 1996 78 URBAN, M. C. C. Desenvolvimento de sistemas de liberação para administração cutânea do acetato de dexametasona. Araraquara, 2004. 137f. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Campus Araraquara, “Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho”, Araraquara. WILKINSON, J.B. Cosmetologia de Harry. Madrid i Diz de Santos. S.A, 1990. . CAPA FOLHA DE ROSTO DEDICATÓRIA AGRADECIMENTOS SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE TABELAS RESUMO 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVOS 3. MATERIAIS E MÉTODOS 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5 CONCLUSÃO 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS