8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Título, autores – ISSN 2176-9761 Curso de inglês como atividade de extensão na Universidade: Centro de Línguas da UNESP - Marília, uma análise de caso. Gabriela Furtado Batista da Silveira, Taiame Silva de Souza. Ambas graduandas do curso de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências, Campus de Marília. As duas também são orientadas pela Professora Doutora Mariângela Braga Norte e usufruem da bolsa Proex - UNESP para a realização da atividade de extensão. Os e-mails são, respectivamente, gabifbs_25@hotmail.com e taiamesouza@hotmail.com. Eixo 1: “Direitos, Responsabilidades e Expressões para o Exercício da Cidadania" (inclui as áreas de: Comunicação, Cultura, Direitos Humanos, Educação, Política e Economia). Resumo Este trabalho tem como pretensão a partir, primeiramente, de uma análise histórica, explicitar a importância e necessidade do ensino da língua inglesa em projetos como o do Centro de Línguas em Marília, que tem como principal objetivo atender as necessidades da comunidade universitária e local. Depois, através do tópico “materiais e metodologia”, faz-se uma análise de caso sobre a prática dessa atividade de extensão, desejando com isso levantar um debate sobre as diversas abordagens no ensino da língua estrangeira. E também com o intuito de aperfeiçoar os métodos de ensino. Por fim, no tópico “resultados e discussões” e “conclusão”, aborda-se a importância dessa atividade para ambas as comunidades e seus visíveis resultados. Palavras Chave: extensão universitária, inglês, aprendizado. Abstract: This essay pretends, firstly, to introduce an history point of view trying to explain the importance and the necessity of teaching English in projects such as the “Centro de Línguas” in Marília city, which aims to meet the needs of the university and local community. Then, was made in the topic “materials and methods” a case studying the practice of this extension activity, wishing it to rise a debate about the various approaches to foreign language teaching. And also in order to improve teaching methods. Finally, in the “results and discussion” and “conclusion” topics, were addressed the importance of this activity to both communities and their visible results. Keywords: University extension, English, learning. Introdução O ensino de língua inglesa nas escolas brasileiras como segunda língua foi regulado formalmente na década de 60, a partir das reformas realizadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que estabeleceu a necessidade de uma língua estrangeira no ensino, sem, contudo, uma definição de qual língua específica. Porém, a relação entre o inglês e o Brasil, que acabou por reconhecer a importância da língua inglesa como língua estrangeira, já existe a um longo tempo, que remete desde ao período imperial, até alcançar o modelo de hoje. Com a vinda da família real ao Brasil, em 1808, as relações entre Brasil e Inglaterra se estreitaram em decorrência da criação de companhias comerciais inglesas, gerando desenvolvimento e empregos, e fazendo aumentar a necessidade de se falar o inglês para receber treinamentos e instruções. Dessa forma, foi-se decretado a criação de uma escola para o ensino da língua inglesa e outra francesa, como forma de prosperidade da instrução pública, já que havia uma grande demanda de trabalho por conta da relação comercial com a Inglaterra. Em 1837 fundou-se o Colégio D. Pedro no Rio de Janeiro, o primeiro a incluir em sua grade curricular o ensino do inglês, além do francês, na época considerada a “língua universal”, o latim e o grego. No decorrer dos anos algumas reformas no âmbito educacional acabaram por diminuir o número de horas de aprendizado das línguas modernas, como o inglês, dando-se preferência pelas línguas clássicas, como o latim, e em alguns momentos até extinguindo-as da grade. Porém, o grande impulso no inglês no Brasil aconteceu na década de 1930, mailto:gabifbs_25@hotmail.com mailto:taiamesouza@hotmail.com 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Título, autores – ISSN 2176-9761 por conta da Segunda Guerra Mundial, que levou ao aumento do poderio norte-americano e decadência da Inglaterra, com a língua inglesa sendo difundida como estratégia para contrabalancear o prestígio internacional alemão. Observa-se também o surgimento de escolas de idiomas, com a finalidade de ensinar o inglês à parte das escolas. Já em 1961, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que estabelece as bases da educação nacional. Em suas diversas reformas, acréscimos e mudanças, até se chegar a LDB de 1996, que rege a educação no Brasil hoje, determinou a obrigatoriedade do ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficaria a cargo da comunidade escolar, entretanto, nesse momento já era reconhecido a dominância da língua inglesa, que substitui a francesa como “língua universal”. Contudo, a falta de método e a drástica redução da carga horária voltada para línguas levaram ao aumento do número de escolas particulares comerciais com o foco apenas no ensino de línguas estrangeiras, os chamados cursos de idiomas. Atualmente, existe uma série de franquias desses cursos, com o desenvolvimento de metodologias diferenciadas, utilização de planos didáticos e materiais próprios. Com a dominação ideológica norte-americana e suas influências culturais, econômicas e estruturais, observa-se, hoje, a grande importância do inglês no cotidiano da maioria das pessoas, inclusive dentro do ensino superior, o qual a prova que representa a porta de entrada para o mesmo possui como forma de avaliação conhecimentos em língua estrangeira, quase sempre o inglês. Dessa maneira, o curso de inglês se apresenta como essencial, sendo barrado apenas pelos altos custos envolvidos no aprendizado do mesmo, com a contratação de serviços externos, como professores particulares, material ou a mensalidade de um curso próprio de idiomas. Nesse sentido, em busca de sanar essa barreira, algumas universidades públicas, que existem para atender às necessidades de seu país e sua população, desenvolveram projetos de extensão, atividades que ultrapassam o plano de atuação específico da instituição e objetivam ações dirigidas à sociedade, estando sempre vinculadas ao Ensino ou a Pesquisa. Na área do Ensino encontra-se justamente a instrução do curso de inglês, realizado de forma gratuita à comunidade, pelos alunos e professores de cada universidade, com o objetivo de promover políticas públicas que auxiliem na solução de problemas nacionais, no caso, a falta de conhecimento em línguas estrangeiras por parte da população. Dentro da Universidade Estadual Paulista (UNESP), criou-se o projeto de extensão “Centro de Línguas”, objetivando o ensino de diversas línguas estrangeiras para a comunidade ao redor de cada campus. Uma dessas línguas é justamente o inglês, dividido em diversos níveis: desde o Básico 0 até a Conversação, incluindo inglês Instrumental. Com base nesse breve histórico, será feito, portanto, um estudo de caso desse projeto, através das experiências das professoras das turmas de Básico I, bem como dos resultados obtidos por elas. Objetivos Tem-se como objetivos desse trabalho: demonstrar a importância do ensino da língua inglesa no Brasil; apresentar o Centro de Línguas e sua experiência como atividade de extensão da universidade; analisar as aulas de inglês do nível Básico I; observar como esse projeto influenciou e impactou a sociedade na qual o curso foi inserido, os alunos participantes, e os professores responsáveis. Material e Métodos Ira-se analisar aqui os materiais e métodos utilizados para a realização do curso Básico I de inglês em sua prática diária, realizado dentro do Centro de Línguas de Marília. No presente caso, as autoras dão aulas para o curso de inglês de nível Básico I, sendo este o segundo nível de ensino da língua dentre os cinco níveis abordados pelo Centro de Línguas de Marília, como atividade de extensão universitária. Dentro da sala de aula, é usado como material o livro “New American Inside Out - Elementary”, da editora Macmillan, cujos autores são: Peter Maggs; Catherine Smith; Sue kay; e Vaughan Jones. Este livro possui três versões: Workbook; Student’s Book; e Teacher’s Edition. Sendo o primeiro deles composto de atividades de revisão gramatical, de vocabulário e de mais exercícios de Reading (leitura e interpretação) e listening (compreensão de áudio), para se realizar fora da sala de aula, como um exercício extra (homework) de fixação do que foi dado em aula e de acordo com a lição ensinada. O Student’s Book (livro dos alunos) é o livro usado em sala de aula pelas professoras/autoras deste trabalho. Ele é composto de dezesseis lições, porém para o Básico I, normalmente, utilizasse até a oitava lição, pois se acredita que o nível gramatical e de compreensão após essa lição deve ser aplicada a alunos cujo aprendizado já possibilita a formulação e entendimento de frases cuja construção é mais complexa. O livro dos alunos é trabalho segundo o método da Abordagem da 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Título, autores – ISSN 2176-9761 Gramática e da Tradução (AGT), que é a metodologia mais antiga no ensino de línguas estrangeiras, porém, trabalhada aqui, com diversas adaptações e finalidades mais específicas e dinâmicas, afinal nos encontramos numa era em que o avanço das tecnologias de informação é rápido e de fácil acesso devido à globalização. Resumidamente a AGT constitui-se no ensino da segunda língua pela primeira, ou seja, da língua inglesa pelo português brasileiro. Contudo, nós, professoras, tentamos ao máximo dentro de sala de aula utilizar-se de expressões e frases de língua inglesa para que os alunos possam com o tempo passar a utilizá-las e não se intimidarem ao falar a mesma. Portanto, dentro da AGT seguem-se três passos de ensino, primeiro a memorização prévia de uma lista de palavras (vocabulary e pronunciation), depois o conhecimento das regras gramaticais necessárias para construir frases com essas palavras (gramar e writing) e, por último, exercícios de tradução e versão sobre o tema (listening e reading). Entretanto, neste último passo, são utilizados materiais diferenciados que modificam a característica essencial desse método, dando prioridade a uma abordagem mais comunicativa no ensino da língua, sendo eles recursos audiovisuais, como filmes, músicas, vídeos, etc., que fazem parte de um método de aproximação cultural da língua, além de jogos interativos, como os de pergunta e resposta, jogo de palavras, que exigem dos alunos o uso menos mecânico e mais natural da língua ensinada. A abordagem comunicativa tem como principal inovação a percepção da teoria em diferentes recursos para uma maior produção cultural, contextualização, atualização da língua que atendem diferentes situações, interações e intensões de comunicação. O último livro, somente os professores tem acesso a ele. Pois, trata-se de um guia para que as aulas fluam com um grau maior de aprendizado por parte dos alunos. Nesse livro também se encontram as respostas para as resoluções dos exercícios e o raciocínio básico desejado pelos alunos no ato da aprendizagem e da resolução dos mesmos exercícios. Além desse método e materiais, aplica-se uma avaliação a cada quatro lições no intuito de compreender o ponto de aprendizado dos alunos, ou seja, saber o que eles aprenderam e tentar reforçar aquele aprendizado que ficou defasado. Faz-se também o uso de uma avaliação oral, cujo principal objetivo é perceber se o aluno conseguiu absorver a cultura da língua inglesa no seu modo de falar e de construir frases. Cabe aqui destacar também que nosso ensino é fundamentado numa abordagem americana da língua e, não, inglesa. Resultados e Discussão Os resultados aqui são iniciais, pois as aulas foram lecionadas num curto período de tempo (trinta horas), o que impossibilita um resultado concreto e de comparação em relação ao uso de outros métodos e matérias, além da falta de uma análise mais profunda do desempenho dos alunos fora da sala de aula, quando colocam em prática o que lhes foi ensinado e se o ensinamento lhes foi útil em situações diárias ou mesmo para o mercado de trabalho. Contudo, pode-se aqui relatar uma resposta positiva quanto aos métodos abordados. Antes de começar as aulas os alunos não se expressavam com clareza e muitos possuíam dificuldades na sua forma de articulação perante outras pessoas. Percebe-se agora uma maior interação entre os alunos em si, dentro do tema, dos alunos com os professores, para sanar dúvidas e formular questões, é perceptível também como eles conseguem trazer elementos fora da sala de aula, cotidianos, como forma de associação e de aprendizado. Um dos objetos principais é que os alunos consigam de forma natural, bilíngue, utilizar a segunda língua, sem dificuldades e demora no raciocínio. Portanto, essa forma adotada de ensino tem trago resultados positivos até agora. Uma discussão que cabe aqui é importância dessa atividade de extensão universitária. Primeiramente, cabe destacar que as atividades desenvolvidas no Centro de Línguas em Marília é uma iniciativa que integra a comunidade da Universidade e a comunidade da cidade em que se situa. É uma iniciativa totalmente gratuita que tem como fundamental objetivo proporcionar a essas comunidades o aprendizado de uma segunda língua e a oportunidade de interação com outras culturas, além de ensinar línguas essenciais, hoje, para o mercado de trabalho. Segundo Ubiratan D’Ambrósio: “a educação prepara os indivíduos para o exercício da cidadania plena, ajudando-os a exercer seus direitos associados as responsabilidade e deveres de todo cidadão consciente e crítico” (P.E.P. EMT. 1995, p.10). Ou seja, o conhecimento traz ao indivíduo uma maior conscientização de seu papel na sociedade e, no caso do ensino de língua estrangeira, esse conhecimento revelasse na forma de compreensão do outro, diferente em sua diversidade, e a maior 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Título, autores – ISSN 2176-9761 chance de criação de oportunidades através do domínio da linguagem. Conclusões Conclui-se, portanto, que o ensino de inglês no Brasil é de grande importância na formação de profissionais capacitados e na construção de uma maior relação do país com o internacional. Em especial o Centro de Línguas, como uma atividade de extensão, proporciona uma maior interação da faculdade com a comunidade, na busca da solução do problema que é a falta de qualidade e a baixa carga horária do ensino de língua estrangeira nas escolas, além de proporcionar para os próprios alunos da universidade meios de se desenvolver profissional e individualmente, através de trocas de conhecimento, interação, influência e modificação que um grupo (alunos) exerce sobre outro (população) e vice-versa. Observa-se, então, que a experiência apresentada pelas professoras do curso de inglês no nível Básico I é bastante positiva, e isso mostra a necessidade do curso de inglês como uma atividade de extensão. Agradecimentos Gostaríamos de agradecer primeiramente a Professora Doutora Mariângela Braga Norte, quem nos orienta, com louvor, para o desenvolvimento desta atividade de extensão universitária. E é quem dá a oportunidade aos universitários de desenvolver habilidades de ensino, oralidade e desempenho em diversas situações, o que acrescenta, e muito, nossa experiência universitária e nosso crescimento pessoal, profissional e intelectual. Além de apoiar um projeto social de extrema importância. Gostaríamos de agradecer também a toda equipe da STAEPE (Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão), que nos ajuda diariamente, possibilitando um ambiente agradável de trabalho. Com imensa gratidão, ressaltamos a importância da Proex no desenvolvimento dessa atividade. E, por último, mas não menos importante, gostaríamos de agradecer aos nossos alunos, que nos proporcionam, em sala de aula, uma vivência única de aprendizado mútuo. ____________________ BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: Acesso em: 08 ago. 2015. LEFFA, Vilson J. Metodologia do ensino de línguas. In BOHN, H. I.; VANDRESEN, P. Tópicos em linguística aplicada: O ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1988. LIMA, Gislaine P., Breve Trajetória da Língua Inglesa e do Livro Didático de Inglês no Brasil. Disponível em: Acesso em: 08 ago. 2015. PALL, Elizeu Almeida dos Santos. Abordagem e metodologia de Língua Inglesa no Ensino Fundamental na escola. Disponível em: . Acesso em: 31 jul. 2015. SÃO PAULO. Resolução UNESP nº 102, de 29 de novembro de 2000. Dispõe sobre o Regimento Geral da Extensão Universitária na UNESP. Disponível em: Acesso em 09 ago. 2015.