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A antropofagia para além dos modernistas paulistanos

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Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Tipo

Relatório de pós-doc

Direito de acesso

Acesso abertoAcesso Aberto

Resumo

Resumo (português)

Este relatório de pós-doutoramento analisa as tensões entre o conceito de antropofagia ritual e suas apropriações pela cultura brasileira, focando nos períodos modernista e tropicalista do século XX. A pesquisa problematiza a interpretação da antropofagia como um conceito "guarda-chuva" de caráter conciliatório, confrontando-o com as críticas de Roberto Schwarz e Francisco Foot Hardman sobre a modernização conservadora e o apagamento de modernidades periféricas. O diferencial teórico da investigação reside no resgate da obra de Florestan Fernandes sobre a organização social dos Tupinambá, deslocando a antropofagia do campo da metáfora estética para o da função social da guerra e da vingança ritual. Sob essa ótica sociológica, o trabalho propõe um paralelo com a práxis do movimento de teatro de grupo paulistano, interpretando o movimento Arte Contra a Barbárie (1999) e a conquista da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo (2002) como exercícios de vingança simbólica contra a mercantilização da cultura e a lógica excludente do mercado. Conclui-se que a estrutura coletiva e a resistência estética do teatro de grupo contemporâneo atuam como motores de transformação social que, ao “devorarem” a lógica capitalista, restauram a dignidade do fazer artístico como direito constitucional e prática de democratização cultural.

Resumo (inglês)

This post-doctoral report analyzes the tensions between the concept of ritual anthropophagy and its appropriations within Brazilian culture, focusing on the Modernist and Tropicalist periods of the 20th century. The research problematizes the interpretation of anthropophagy as a conciliatory "umbrella" concept, confronting it with the critiques of Roberto Schwarz and Francisco Foot Hardman regarding conservative modernization and the erasure of peripheral modernities. The theoretical distinctiveness of this investigation lies in the retrieval of Florestan Fernandes' work on the social organization of the Tupinambá people, shifting anthropophagy from the realm of aesthetic metaphor to that of the social function of war and ritual vengeance. Under this sociological lens, the study proposes a parallel with the praxis of the São Paulo group theatre movement, interpreting the Arte Contra a Barbárie (Art Against Barbarism) movement (1999) and the achievement of the Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo (São Paulo City Theater Funding Law, 2002) as exercises in symbolic vengeance against the commodification of culture and the exclusionary logic of the market. It concludes that the collective structure and aesthetic resistance of contemporary group theater act as engines of social transformation which, by “devouring” capitalist logic, restore the dignity of artistic practice as a constitutional right and a form of cultural democratization.

Resumo (espanhol)

Este informe de posdoctorado analiza las tensiones entre el concepto de antropofagia ritual y sus apropiaciones en la cultura brasileña, centrándose en los períodos modernista y tropicalista del siglo XX. La investigación problematiza la interpretación de la antropofagia como un concepto "paraguas" de carácter conciliador, confrontándola con las críticas de Roberto Schwarz y Francisco Foot Hardman sobre la modernización conservadora y el borramiento de las modernidades periféricas. El diferencial teórico de la investigación reside en el rescate de la obra de Florestan Fernandes sobre la organización social de los Tupinambá, desplazando la antropofagia del campo de la metáfora estética al de la función social de la guerra y la venganza ritual. Bajo esta óptica sociológica, el trabajo propone un paralelo con la praxis del movimiento de teatro de grupo paulistano, interpretando la movilización Arte Contra a Barbárie (1999) y la conquista de la Ley de Fomento al Teatro para la Ciudad de São Paulo (2002) como ejercicios de venganza simbólica contra la mercantilización de la cultura y la lógica excluyente del mercado. Se concluye que la estructura colectiva y la resistencia estética del teatro de grupo contemporáneo actúan como motores de transformación social que, al "devorar" la lógica capitalista, restauran la dignidad de la práctica artística como derecho constitucional y práctica de democratización cultural.

Descrição

Idioma

Português

Citação

FRIN, Luiz Eduardo. A antropofagia para além dos modernistas paulistanos. Supervisor: Alexandre Luiz Mate. 2026. 38 f. Relatório de pós-doutorado - Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", São Paulo, 2026.

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