Desenvolvimento de um módulo de treinamento em alergia alimentar

Imagem de Miniatura

Data

2023-03-31

Autores

Platzeck, Gabriela Bighetti

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo

Introdução. Estudos mostram que aproximadamente 5% dos adultos e 8% das crianças têm alergia alimentar (AA). Os lactentes apresentam a maior prevalência, e nas crianças com menos de três anos de idade é estimada em cerca de 3 a 6%. O manejo clínico da AA inclui o reconhecimento dos sintomas alérgicos e o tratamento imediato. Nas últimas décadas, houve um rápido acúmulo de conhecimento sobre epidemiologia, curso natural, diagnóstico e tratamento da AA. A prontidão para reconhecer e realizar o tratamento das reações alérgicas e evitar os alérgenos são condutas fundamentais. Os pediatras são os primeiros médicos a serem procurados por familiares de crianças com suspeita de AA. Portanto, o pediatra e o nutricionista podem desempenhar um papel central no cuidado de um paciente/família com alergia alimentar. A terapia nutricional para alergia alimentar requer educação completa na identificação de ingredientes alergênicos, leitura cuidadosa de rótulos de produtos alimentícios industrializados e prevenção da contaminação por alérgenos através de contato cruzado. Assim, torna-se evidente que há necessidade crescente de que o pessoal da área da saúde seja treinado para atuar junto a pacientes com AA, bem como para adequar as necessidades nutricionais dentro do contexto de uma dieta restrita em alérgenos. Objetivo. Desenvolver um Módulo de Treinamento que transmita conhecimentos sobre o diagnóstico e tratamento de pacientes pediátricos com AA. Resultados. Este Módulo de Treinamento em AA constou de: dois blocos de 4 horas, divididos em dois dias diferentes. Cada bloco foi composto por 5 aulas, seguidas por 60 minutos de discussão. A sequência das aulas proporcionou que as informações fossem gradativas e em um crescimento do simples para o complexo. No bloco 1 foi proporcionado um aprendizado baseado na epidemiologia e inicialmente na exposição das grandes diretrizes que norteiam a abordagem da AA. Os aspectos epidemiológicos mostraram a distribuição universal da AA e a preocupação de cada país elaborar a sua própria diretriz em função das etiologias mais frequentes. As noções fisiopatológicas básicas da AA foram expostas em uma aula. Uma aula abordando as bases para o atendimento da AA foi seguida de duas aulas sobre as três formas mais frequentes de apresentação da AA. Foram detalhados os quadros clínicos especialmente das formas IgE mediadas e não-IgE mediadas. No bloco 2, a investigação bem equacionada e possível de ser realizada em nosso meio. Em seguida, foi exposto um modelo de atendimento que aborda desde o diagnostico até as provas que definiriam a tolerância aos antígenos alimentares que a criança estava sensibilizada. Um aula sobre as diferentes fórmulas lácteas próprias para AA foi seguida da descrição dos dois principais impactos relativos ao tratamento da AA. O primeiro impacto versou sobre o risco de comprometimento de estado nutricional. O outro impacto referiu-se à qualidade de vida da mãe, pois na grande maioria das vezes ainda é a principal ou única cuidadora. Conclusões. Para uso futuro, este Módulo poderá ser atualizado mediante a análise de avaliações do aprendizado. Módulos futuros poderiam reavaliar o aprendizado após um ano. Assim, avaliar a retenção contínua de conhecimento e como isso afetou a prática na abordagem da AA. Este formato de ensino deve melhorar o padrão de atendimento a pacientes com alergias alimentares.
Studies show that approximately 5% of adults and 8% of children have food allergy (FA). In children under three years of age, it is estimated at around 3 to 6%. Clinical FA management includes recognizing allergic symptoms and prompt treatment. In recent decades, there has been a rapid accumulation of knowledge about the epidemiology, natural course, diagnosis, and treatment of FA. Readiness to recognize and treat allergic reactions and to avoid allergens are fundamental behaviours. Paediatricians are the first physicians to be sought by relatives of children with suspected FA. Therefore, the paediatrician and nutritionist can be central in caring for a patient/family. Nutritional therapy for food allergy requires thorough education in identifying allergenic ingredients, carefully reading labels on packaged food products, and preventing allergen contamination through cross-contact. Thus, it becomes evident that there is a growing need for health personnel to be trained to work with patients with FA and adjust their nutritional needs within the context of an allergen-restricted diet. Aims. Develop a Training Module that imparts knowledge on diagnosing and treating Pediatric patients with FA. Results. This Training Module consisted of two blocks of 4 hours, divided into two different days. Each Block consisted of 5 classes, followed by 60 minutes of discussion. The sequence of classes provided that the information was gradual and in growth from the simple to the complex. In block 1, learning was provided based on epidemiology and initially on the exposition of the main guidelines that guide the FA approach. The epidemiological aspects showed the universal distribution of FA and the concern for each country to elaborate its guideline based on the most frequent aetiologies. The basic pathophysiological notions of FA were exposed, followed by two classes on the three most frequent forms of AA presentation. The clinical pictures were detailed, especially of the IgEmediated and non-IgE-mediated forms. In block 2, the investigation is well-balanced and possible to be carried out in our environment. Then, a care model was exposed that addresses, from the diagnosis to the tests that would define the Tolerance to food antigens that the child was sensitized to. A class on the different milk formulas suitable for FA was followed by a description of the two main impacts of the treatment. The first impact was the risk of compromising nutritional status. The other impact referred to the mother's Quality of Life since she is still the primary or only caregiver. Conclusions. For future use, this Module may be updated by reviewing learning assessments. Future modules could reassess learning after one year to evaluate the continuous retention of knowledge and how this affected the practice in the FA approach. This teaching format should improve the standard of care for patients with food allergies.

Descrição

Palavras-chave

Alergia alimentar, Educação, Treinamento, Tratamento, Formulas lácteas, Food allergy, Education, Training, Treatment, Milk formulas

Como citar