Pterígio: avaliação da superfície ocular com lisamina verde e efeito do bevacizumabe na vascularização conjuntival, complicações e recidiva — ensaio clínico randomizado
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Pós-graduação
Medicina - FMB
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Dissertação de mestrado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Este estudo foi realizado com a intenção de avaliar a superfície ocular de portadores de pterígios usando lisamina verde. Além disso, verificar se a injeção subconjuntival de bevacizumabe pode reduzir o número de vasos conjuntivais, assim como avaliar o efeito do bevacizumabe subconjuntival como terapia adjuvante após exérese na prevenção de recidivas. Para isso, foram desenvolvidos três estudos: Estudo 1: Distribuição da lisamina verde na superfície ocular de portadores de pterígio primário Objetivo: Avaliar a distribuição da lisamina verde na superfície de olhos com pterígio primário antes e depois da exérese, além de comparar com olhos normais. Métodos: Estudo prospectivo e controlado, incluindo 50 olhos com pterígio primário, examinados antes e depois de seis meses da exérese da lesão, e 25 olhos sem pterígio (grupo controle). Todos os participantes foram submetidos a exame oftalmológico completo, seguido da instilação de lisamina verde a 1% e fotodocumentação padronizada. A quantificação da porcentagem de área corada na superfície ocular foi analisada por software de processamento de imagem (“Microsoft Office Picture Manager” e “AVsoft Bio View – Spectra Module”). As variáveis quantitativas foram analisadas por meio de análise de variância não paramétrica para medidas repetidas, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Os olhos com pterígio apresentaram maior área corada por lisamina verde no pré-operatório, com mediana de 5,07, em comparação aos olhos do grupo controle, cuja mediana foi de 1,23 (p<0,05). Seis meses após a exérese, a mediana da área corada reduziu de 5,07 para 1,99 (p<0,05). Conclusão: A lisamina verde corou mais intensamente a superfície ocular dos olhos com pterígio do que a dos olhos normais, indicando maior comprometimento da superfície ocular na presença da lesão. Após a remoção do pterígio, observou-se redução significativa da área corada, sugerindo melhora da integridade da superfície ocular. Esses achados podem, ainda, inferir redução de alterações relacionadas ao processo inflamatório após a exérese, embora a coloração pela lisamina verde não seja específica para inflamação. A análise quantitativa da coloração mostrou-se uma ferramenta útil para a avaliação objetiva das alterações da superfície ocular associadas ao pterígio.
Estudo 2: Análise quantitativa da vascularização conjuntival em pterígios antes e após a exérese cirúrgica com uso adjuvante de bevacizumabe. Objetivo: Avaliar a quantidade de vasos conjuntivais em pterígios e na área conjuntival cicatricial depois da injeção de bevacizumabe. Métodos: Estudo prospectivo, incluindo indivíduos com pterígios, que receberam uma injeção subconjuntival única de bevacizumabe 2,5mg (G1) ou 5mg (G2) imediatamente após a exérese da lesão. Os olhos foram fotodocumentados antes e sete, 21 e 180 dias depois da exérese. As imagens foram transferidas para computador pessoal e analisadas sob cegamento usando a ferramenta “guias” do aplicativo “Google Apresentações,” analisando-se o número de vasos presentes no pterígio e na região cicatricial de onde o pterígio foi removido. Resultados: No G1, a mediana do número de vasos se reduziu de 30 no pré-operatório para 15 aos sete dias e 22 aos 21 dias, retornando a 27 aos 180 dias (p<0,05). No G2, a mediana se reduziu de 32 no pré-operatório para 21 aos sete dias e 23 aos 21 dias, aumentando novamente para 30 aos 180 dias (p<0,05). Não houve diferença significativa entre os grupos em nenhum dos momentos avaliados (p>0,05). Conclusão: Houve redução do número de vasos conjuntivais após a injeção subconjuntival única de bevacizumabe com doses de 2,5mg ou 5mg nas avaliações de sete e 21 dias. O efeito do bevacizumabe é transitório, e a vascularização volta aos padrões iniciais após 180 dias.
Estudo 3: Uso do bevacizumabe na prevenção da recidiva do pterígio primário após exérese: ensaio clínico randomizado. Objetivo: Avaliar o efeito do bevacizumabe subconjuntival como terapia adjuvante na prevenção de recidivas do pterígio após exérese. Método: Ensaio prospectivo, randomizado e controlado, realizado entre maio e outubro de 2024. Pacientes com pterígio primário foram alocados em três grupos: dois grupos receberam bevacizumabe (2,5 mg ou 5 mg) imediatamente após a exérese da lesão e um grupo comparador (cirurgia sem adjuvante). Avaliações clínicas e fotografias seriadas foram realizadas no pré-operatório e aos sete, 21 e 180 dias. As análises estatísticas adotaram nível de significância de 5%. Resultados: O uso de bevacizumabe subconjuntival ao final da cirurgia esteve associado a menor chance de recidiva da lesão em comparação à cirurgia sem o uso de adjuvante, em observação feita no período de seis meses. Entre os 50 olhos tratados, ocorreram sete recidivas (14,0%), sem diferença significativa entre as doses de 2,5 mg e 5 mg (p>0,05). Isquemia, deiscência e granuloma não se associaram à recidiva, e não foram observados efeitos deletérios relevantes sobre a superfície ocular. Conclusão: Os achados sustentam que o bevacizumabe subconjuntival é viável e seguro para ser usado como adjuvante à cirurgia de pterígio primário, com potencial de reduzir recidiva.
Resumo (inglês)
This study was conducted to evaluate the ocular surface of patients with pterygium using lissamine green staining. In addition, the effect of subconjunctival bevacizumab on conjunctival vascularization was evaluated by quantifying conjunctival vessels in pterygium tissue and in the postoperative scar area. Furthermore, the efficacy of subconjunctival bevacizumab as an adjuvant therapy after surgical excision was assessed in preventing lesion recurrence. To accomplish this, three studies were developed: Study 1: Distribution of Lissamine Green on the Ocular Surface of Patients with Primary Pterygium. Objective: To evaluate the distribution of lissamine green staining on the ocular surface of eyes with primary pterygium before and after surgical excision and to compare the findings with those of normal eyes. Methods: This prospective controlled study included 50 eyes with primary pterygium, examined before and six months after lesion excision, and 25 eyes without pterygium (control group). All participants underwent a complete ophthalmologic examination, followed by instillation of 1% lissamine green and standardized photographic documentation. The percentage of stained ocular surface area was quantified using image-processing software (“Microsoft Office Picture Manager” and “AVsoft Bio View – Spectra Module”). Quantitative variables were analyzed using nonparametric analysis of variance for repeated measures, with a significance level of 5%. Results: Eyes with pterygium showed a larger lissamine green-stained area preoperatively, with a median of 5.07, compared with a median of 1.23 in the control group (p<0.05). Six months after surgical excision, the median stained area decreased from 5.07 to 1.99 (p<0.05). Conclusion: Lissamine green stained the ocular surface of eyes with pterygium more extensively than that of normal eyes, indicating greater ocular surface impairment in the presence of the lesion. Following pterygium removal, a significant reduction in the stained area was observed, suggesting improvement in ocular surface integrity. These findings may also indirectly suggest a reduction in changes associated with the inflammatory process after excision, although lissamine green staining is not specific for inflammation. Quantitative analysis of staining proved to be a useful tool for the objective assessment of ocular surface changes associated with pterygium.
Study 2: Quantitative Analysis of Conjunctival Vascularization in Pterygium Before and After Surgical Excision with Adjuvant Bevacizumab. Objective: To evaluate the number of conjunctival vessels in pterygium and in the conjunctival scar area after bevacizumab injection. Methods: This prospective study included patients with pterygium who received a single subconjunctival injection of 2.5 mg bevacizumab (G1) or 5 mg bevacizumab (G2) immediately after lesion excision. The eyes were photographed preoperatively and at seven, 21, and 180 days after excision. Images were transferred to a personal computer and analyzed in a masked fashion using the “guides” tool in the “Google Slides” application. The number of vessels present in the pterygium and in the scar area from which the pterygium had been removed was assessed. Results: In G1, the median number of vessels decreased from 30 preoperatively to 15 at seven days and 22 at 21 days, returning to 27 at 180 days (p<0.05). In G2, the median decreased from 32 preoperatively to 21 at seven days and 23 at 21 days, subsequently increasing to 30 at 180 days (p<0.05). No statistically significant differences were observed between the groups at any of the evaluated time points (p>0.05). Conclusion: The number of conjunctival vessels decreased at seven and 21 days after a single subconjunctival injection of bevacizumab at doses of either 2.5 mg or 5 mg. The effect of bevacizumab was transient, with vascularization returning to baseline levels after 180 days.
Study 3: Use of Bevacizumab to Prevent Recurrence of Primary Pterygium After Excision: A Randomized Clinical Trial. Objective: To evaluate the effect of subconjunctival bevacizumab as adjuvant therapy for the prevention of pterygium recurrence after surgical excision. Methods: This prospective, randomized, controlled trial was conducted between May and October 2024. Patients with primary pterygium were allocated to three groups: two groups received bevacizumab (2.5 mg or 5 mg) immediately after lesion excision, and one comparator group underwent surgery without adjuvant therapy. Clinical examinations and serial photographs were performed preoperatively and at seven, 21, and 180 days postoperatively. Statistical analyses were conducted using a significance level of 5%. Results: Subconjunctival bevacizumab administered at the end of surgery was associated with a lower likelihood of pterygium recurrence compared with surgery without adjuvant therapy during the six-month follow-up period. Among the 50 treated eyes, seven recurrences (14.0%) were observed, with no statistically significant difference between the 2.5 mg and 5 mg doses (p>0.05). Ischemia, dehiscence, and granuloma were not associated with recurrence, and no clinically relevant deleterious effects on the ocular surface were observed. Conclusion: These findings support the feasibility and safety of subconjunctival bevacizumab as an adjuvant to primary pterygium surgery, with the potential to reduce recurrence.
Descrição
Idioma
Português
Citação
APIS, Aline. Pterígio: avaliação da superfície ocular com lisamina verde e efeito do bevacizumabe na vascularização conjuntival, complicações e recidiva — ensaio clínico randomizado. 2026. Dissertação (Mestrado Profissional em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.



