Da (in)visibilidade da sexualidade de mulheres surdas à educação do cuidado de si
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Coorientador
Pós-graduação
Educação Escolar - FCLAR
Curso de graduação
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Editor
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Tipo
Tese de doutorado
Direito de acesso
Acesso aberto

Resumo
Resumo (português)
Como tornar as pessoas protagonistas de suas vidas, responsáveis por suas escolhas, respeitando os direitos individuais e coletivos e, ao mesmo tempo, compreendendo e lidando com as visões de mundo diversas, com os conflitos de interesse, com os preconceitos para a produção de um mundo mais humanizado, equitativo, em especial, em temas envolvendo a sexualidade e a equidade de gênero? Isto posto, objetiva-se no presente estudo problematizar, compreender e analisar discursivamente como se dá a constituição da subjetivação discursiva de mulheres surdas usuárias de Libras. Para tanto, serão observadas nas escrileituras de diários de mulheres surdas: 1) quais tecnologias e cuidado de si são mobilizados nessa construção existencial; 2) a constituição da subjetividade feminina surda e, nesta, o aparecimento da desigualdade de gênero e os sofrimentos advindos desse fato. Compreende-se por escrileituras o processo de interlocução - concomitante e criativa entre autor e leitor -, em que a escrita é todo e qualquer sistema de signos verbais e não verbais, cujos signos constituem nossos textos e discursos, presentes em textos de diversas semioses. Parte-se da hipótese de que a escrileitura funciona como tecnologia de si, lugar de fala e/ou reprodução de discursos alheios, de subjetivações por meio da construção de narrativas pessoais e sociais de seus desejos, conflitos, medos, angústias, preconceitos, dificuldade de comunicação, etc. Essas práticas discursivas e não discursivas traduzem os modos de existir, sentir, pensar e agir, e, consequentemente, estabelecem uma ética da existência individual e coletiva. Compreender como todo esse processo interfere e/ou se transforma em cuidado de si na constituição do sujeito, gerando representações, identificações nesta sociedade é importante, não só para a compreensão de si e dos outros, mas para a promoção da equidade e do entendimento sobre o gênero e sexualidade. O corpus de análise constitui-se dos discursos produzidos e/ou reproduzidos em escrileituras de diários de três mulheres surdas, usuárias da língua de sinais e que dominam a escrita da língua portuguesa, residentes no interior de São Paulo. A postura teórico-metodológica da pesquisa é de natureza qualitativa, exploratória e descritiva, com delineamentos bibliográficos e documentais. Toma-se por método teórico a análise de discurso foucaultiana, em seu terceiro domínio, a genealogia da ética e a cultura do cuidado de si, a partir da qual se interroga acerca das condições históricas de formação e mutação das práticas discursivas e não discursivas e os jogos de verdade que definem nosso modo de existir e o que nos tornamos hoje. Os resultados obtidos apontam a língua de sinais como forma da constituição da pessoa com surdez e a necessidade de compreender que a surdez é uma marca biológica distintiva, mas a construção do sujeito social é determinada por vários fatores, tais como: psicológico, biológico, social, ambiental, político e econômico. A surdez por si só não define o destino dos sujeitos, existe a necessidade da defesa de todo o mecanismo que auxilie no esclarecimento da sexualidade para as mulheres surdas e o combate às desigualdades para usufruir os seus direitos.
Resumo (inglês)
How can people become the protagonists of their own lives, being responsible for their choices, respecting individual and collective rights, and, at the same time, understanding and dealing with different worldviews, conflicts of interest, and prejudices in order to create a more humanized and equitable world—especially regarding issues involving sexuality and gender equity? The objective is to problematize, understand, and discursively analyze how the discursive subjectivation of deaf women who use Libras occurs. For this purpose, we observe in the diary writings of deaf women: (1) what technologies and self-care practices are mobilized in this existential construction; and (2) how deaf female subjectivity is constituted, and how gender inequality and the resulting suffering emerge within it. The term writing-readings refers to the process of interlocution - simultaneous and creative between author and reader - in which writing includes any system of verbal or non-verbal signs, whose elements constitute our texts and discourses, present in various semiotic forms. We start from the hypothesis that writingreadings function as technologies of the self, a space of speech and/or reproduction of others’ discourses, enabling subjectivation through the construction of personal and social narratives of desires, conflicts, fears, anguish, prejudices, communication difficulties, etc. These discursive and non-discursive practices reflect ways of existing, feeling, thinking, and acting, and consequently establish an ethics of individual and collective existence. Understanding how all of this influences or transforms into self-care in the constitution of the subject—generating representations and identifications in society—is important not only for self-understanding and the understanding of others, but also for promoting equity and fostering comprehension regarding gender and sexuality. The corpus of analysis is composed of the discourses produced and/or reproduced in the diary writing-readings of three deaf women who use sign language, and are proficient in written Portuguese, and live in the interior of São Paulo. The theoreticalmethodological approach is qualitative, exploratory, and descriptive, using bibliographic and documentary sources. The theoretical method adopted is Foucauldian discourse analysis, particularly its third domain—the genealogy of ethics and the culture of self-care—which interrogates the historical conditions for the formation and transformation of discursive and non-discursive practices, as well as the truth games that define our way of existing and who we have become today. Preliminary results point to sign language as a fundamental element in the constitution of the deaf person and highlight the need to understand deafness as a distinctive biological marker, while recognizing that the construction of the social subject is influenced by multiple factors: psychological, biological, social, environmental, political, and economic. Deafness alone does not determine a person’s destiny; therefore, it is essential to defend mechanisms that help clarify issues of sexuality for deaf women and combat inequalities to guarantee their rights.
Descrição
Palavras-chave
Idioma
Português
Citação
BOTTEON, Lidiane Augusta Ferrari. Da (in)visibilidade da sexualidade de mulheres surdas à educação do cuidado de si. 2026. Tese (Doutorado em Educação Escolar) - Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2026.



