Fatores associados ao comportamento alimentar transtornado em adolescentes escolares: estudo transversal
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Date
Authors
Advisor
Carvalhaes, Maria Antonieta de Barros Leite 

Coadvisor
Dias, Luiza Cristina Godim Domingues 

Graduate program
Enfermagem - FMB
Undergraduate course
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Type
Master's thesis
Access right
Acesso restrito
Abstract
Abstract (portuguese)
Introdução: Os comportamentos alimentares transtornados consistem em atitudes e práticas alimentares inadequadas que não atendem necessariamente aos critérios diagnósticos para transtornos alimentares, mas compartilham fatores de risco e podem anteceder quadros clínicos, sendo relativamente frequentes na adolescência. Incluem comportamentos como restrição alimentar, episódios de compulsão alimentar, uso de métodos compensatórios e preocupação excessiva com peso e forma corporal. A identificação precoce desses comportamentos é fundamental para prevenir a progressão para quadros clínicos estabelecidos e subsidiar estratégias de prevenção. Apesar de sua relevância, há lacunas no conhecimento sobre os fatores associados aos comportamentos alimentares transtornados em adolescentes escolares, o que dificulta a implementação de estratégias preventivas eficazes. Objetivo: Determinar a prevalência de comportamentos alimentares transtornados em adolescentes escolares e investigar sua associação com fatores demográficos, indicadores do estado nutricional e insatisfação corporal. Métodos: Estudo transversal analítico realizado com adolescentes de 11 a 19 anos, escolares do sexto ano do ensino fundamental II à terceira série do ensino médio de uma escola pública de Botucatu-SP, com coleta de dados realizada entre setembro e novembro de 2024. A coleta de dados foi realizada por auto-preenchimento de questionários validados para avaliação do comportamento alimentar transtornado (Eating Attitudes Test-26) e insatisfação corporal (Body Shape Questionnaire). Peso e altura autorreferidos foram utilizados para o cálculo do índice de massa corporal (IMC) para a idade. Foram realizadas análises descritivas seguidas de regressão de Poisson simples e multivariada, além de regressão multinomial e análise de mediação. Resultados: A amostra final foi composta por 359 adolescentes (52,4% meninas; mediana de idade 16,8 anos). A prevalência de comportamento alimentar transtornado foi de 22,3%. Na amostra total, 38,7% dos adolescentes relataram algum grau de insatisfação corporal. O comportamento alimentar transtornado foi mais frequente entre meninas (34%) e aqueles com insatisfação corporal grave (89,5%). Nas análises bivariadas, sexo, índices antropométricos (IMC em kg/m² e IMC/I em percentis) e insatisfação corporal apresentaram associação significativa com o desfecho. No modelo multivariado, apenas sexo e insatisfação corporal mantiveram associação significativa. Meninos apresentaram menor prevalência de comportamento alimentar transtornado em comparação às meninas (RP = 0,54; IC95%: 0,32–0,90; p = 0,018). Observou-se ainda aumento progressivo da prevalência conforme maior insatisfação corporal, com risco até 14 vezes superior entre adolescentes com insatisfação grave (p < 0,001). Na regressão multinomial, o aumento do IMC/I em percentis esteve associado a todos os graus de insatisfação corporal, assim como o sexo feminino, que apresentou até 11 vezes maior prevalência de insatisfação grave em comparação aos meninos. A análise de mediação indicou efeito indireto significativo dos índices antropométricos sobre o comportamento alimentar transtornado, mediado pela insatisfação corporal (IMC em kg/m²: RP = 1,07; IC95%: 1,05–2,92; p < 0,001; IMC/I em percentis: RP = 1,01; IC95%: 1,006–1,013; p < 0,001). Conclusão: O estudo identificou elevada prevalência de comportamento alimentar transtornado entre adolescentes escolares, sobretudo entre meninas e aqueles com maiores níveis de insatisfação corporal. Adicionalmente, verificou-se que a insatisfação corporal atua como variável mediadora na relação entre o IMC/I (percentis) e o comportamento alimentar transtornado, reforçando a importância de ações interdisciplinares no ambiente escolar voltadas à promoção de uma imagem corporal positiva.
Abstract (english)
Introduction: Disordered eating behaviors consist of inappropriate eating attitudes and practices that do not necessarily meet the diagnostic criteria for eating disorders but share common risk factors and may precede clinical conditions, being relatively frequent during adolescence. These behaviors include dietary restriction, binge eating episodes, use of compensatory methods, and excessive concern with body weight and shape. Early identification of disordered eating behaviors is essential to prevent progression to established clinical disorders and to support the development of preventive strategies. Despite their relevance, gaps remain in the knowledge regarding factors associated with disordered eating behaviors among school-aged adolescents, which hampers the implementation of effective preventive interventions. Objective: To determine the prevalence of disordered eating behaviors among school-aged adolescents and to investigate their association with demographic factors, anthropometric indicators of nutritional status, and body dissatisfaction. Methods: This analytical cross-sectional study was conducted with adolescents aged 11 to 19 years, enrolled from the sixth grade of lower secondary education to the third year of upper secondary education at a public school in Botucatu, São Paulo, Brazil, with data collection carried out between September and November 2024. Data were collected through self-administered validated questionnaires assessing disordered eating behaviors (Eating Attitudes Test-26) and body dissatisfaction (Body Shape Questionnaire). Self-reported weight and height were used to calculate body mass index (BMI)-for-age. Descriptive analyses were performed, followed by simple and multivariable Poisson regression, as well as multinomial regression and mediation analysis. Results: The final sample comprised 359 adolescents (52.4% girls; median age: 16.8 years). The prevalence of disordered eating behaviors was 22.3%. Overall, 38.7% of adolescents reported some degree of body dissatisfaction. Disordered eating behaviors were more frequent among girls (34%) and among those with severe body dissatisfaction (89.5%). In bivariate analyses, sex, anthropometric indices (BMI in kg/m² and BMI-for-age percentiles), and body dissatisfaction were significantly associated with the outcome. In the multivariable model, only sex and body dissatisfaction remained significantly associated. Boys showed a lower prevalence of disordered eating behaviors compared with girls (PR = 0.54; 95% CI: 0.32–0.90; p = 0.018). A progressive increase in prevalence was observed with higher levels of body dissatisfaction, with up to a 14-fold higher risk among adolescents with severe body dissatisfaction (p < 0.001). In multinomial regression analyses, increasing BMI-for-age percentiles were associated with all levels of body dissatisfaction, as was female sex, which showed up to an 11-fold higher prevalence of severe body dissatisfaction compared with boys. Mediation analysis indicated a significant indirect effect of anthropometric indices on disordered eating behaviors, mediated by body dissatisfaction (BMI in kg/m²: PR = 1.07; 95% CI: 1.05–2.92; p < 0.001; BMI-for-age percentiles: PR = 1.01; 95% CI: 1.006–1.013; p < 0.001). Conclusion: The study identified a high prevalence of disordered eating behaviors among school-aged adolescents, particularly among girls and those with higher levels of body dissatisfaction. Furthermore, body dissatisfaction acted as a mediating variable in the relationship between BMI-for-age percentiles and disordered eating behaviors, reinforcing the importance of interdisciplinary actions in the school environment aimed at promoting positive body image and preventing disordered eating behaviors.
Description
Language
Portuguese
Citation
FURLANETTO, Pamela Camila. Fatores associados ao comportamento alimentar transtornado em adolescentes escolares: estudo transversal. 2026. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, 2026.


